domingo, 27 de dezembro de 2015

No meu copo 498 - Tavedo branco 2013

Numa deslocação à cidade invicta, aproveitei uma bela tarde soalheira para ir almoçar na Ribeira, ali mesmo com o Douro aos pés.

Deambulei pela marginal à procura do local adequado, sem nada preparado antecipadamente. Olhadela aqui, espreitadela ali, um olhar de relance para alguns menus e resolvi sentar-me numa esplanada à vista da ponte D. Luís, com os barcos turísticos nas proximidades.

A refeição queria-se relativamente simples e rápida, e optei por um prato típico e descomplicado: filetes de polvo com arroz de feijão. Apetitoso, agradável e suficiente, em qualidade e quantidade.

Para acompanhar, o vinho da casa, também descomplicado. Não o conhecendo, era uma boa ocasião para experimentar: um Tavedo branco, da Sogevinus. Feito com casata típicas do Douro, revelou-se aromático com um nariz sedutor de fruta fresca e notas florais. Na boca mostrou-se aberto, elegante e suave, com boa frescura e carácter frutado muito agradável.

Um vinho essencialmente simples mas que cativa logo à primeira impressão. Agradou e valeu a pena. Está na gama abaixo dos 3 € mas é boa aposta para o dia-a-dia.

É para acrescentar às nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tavedo 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Sogevinus - Fine Wines
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Gouveio, Rabigato
Preço: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

No meu copo 497 - Herdade do Perdigão Reserva 2005

Temos bebido este vinho espaçadamente, em ocasiões especiais. Sempre com enorme sucesso junto dos bebedores de ocasião.

A última prova não fugiu à regra. Às primeiras gotas deglutidas, os provadores multiplicaram-se em elogios à pujança deste vinhos, à exuberância dos aromas, à estrutura e à persistência.

Muito encorpado mas com as arestas bem limadas e os taninos arredondados, o traço vegetal da Trincadeira está bem complementado com a robustez do Aragonês e algum apimentado do Cabernet Sauvignon, a par com um toque a frutos vermelhos que sobressai com a evolução e envelhecimento dos vinhos da casta.

É um vinho que pode ser comprado a bom preço em circunstâncias de ocasião. O preço de referência costuma andar à volta dos 25 €. Em certas promoções, como foi o caso desta garrafa, conseguiu-se por menos de metade. Por este valor, é imperdível, e ainda recentemente encontrei a colheita de 2008 a 9,99 €, o que é quase oferecido...

Ao preço normal, apesar da elevada qualidade, há que pensar duas ou três vezes... Mas a qualidade está lá e é inegável.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira (80%), Aragonês (15%), Cabernet Sauvignon (5%)
Preço em feira de vinhos: 11,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 19 de dezembro de 2015

No meu copo 496 - Quinta do Monte d'Oiro: Aurius 2002; Têmpera 2004; Reserva 2004

A descrição da prova que se segue foi uma ocasião especialíssima, daquelas que acontecem uma vez por acaso e que tornam cada momento único.

Tratou-se de uma prova horizontal de vinhos de topo da Quinta do Monte d’Oiro. Por ordem crescente de qualidade e de preço, a ordem da prova seguiu o mesmo critério: tivemos um Aurius 2002 (que já tinha sido provado há uns anos), um Têmpera 2004 e um Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004, tudo adquirido numa única caixa pelo valor imbatível de 66,50 €.

Os três vinhos foram arrefecidos e decantados atempadamente, de modo a estarem nas condições óptimas de consumo quando chegasse o momento de os verter nos copos. A acompanhar, umas costeletas de novilho assadas na brasa ao momento, complementadas com alho moído, molho de alho e molho cocktail.

Decantados os três vinhos como era requerido, fomos provando pela ordem requerida e intercalando cada um deles para estabelecer comparações. A qualidade de todos é tão elevada que quase parece um sacrilégio tentar diferenciá-los. Em todo o caso, em traços gerais as impressões colhidas foram as que se seguem.

Aurius 2002 – No ponto óptimo de consumo. Elegante, encorpado, persistente, profundo. Magnífico.

Têmpera 2004 – Estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês. Muito estruturado, persistente, encorpado, longo. Elegante e persistente na boca e equilibrado no aroma.

Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004 – Estagiou em barricas 100% novas de carvalho francês Seguin Moreau. Estruturado e longo, elegante e com taninos de seda. De cor vermelho escuro, que não deixa revela a idade do vinho, apresenta aromas de fruta preta e alguma especiaria, madeira discretíssima e integrada, acidez irrepreensível, tudo no ponto certo. Um vinho quase perfeito. A mestria de José Bento dos Santos no seu auge.

Em resumo: são momentos como os que nos permitem usufruir de néctares de excepção como estes que nos fazem sentir como há coisas belas nesta vida.

Obviamente, perante este nível qualitativo, e apesar do preço, estes vinhos merecem estar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro

Vinho: Aurius 2002 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 19 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Têmpera 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Tinta Roriz
Preço: 26 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Syrah (96%), Viognier (4%)
Preço: 37,50 €
Nota (0 a 10): 9,5

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

No meu copo 495 - Ramos Pinto: as duas quintas em brancos

Bons Ares branco 2013; Duas Quintas branco 2014


Agora que o consulado de João Nicolau de Almeida como responsável máximo pelos vinhos da Casa Ramos Pinto se aproxima do fim, anunciado pelo próprio, e depois da prova vertical que assinalou os 25 anos do Duas Quintas tinto no Encontro com o Vinho e os Sabores 2015, é uma boa oportunidade para apreciar alguns dos vinhos da casa que têm sido lançados ao longo do último quarto de século.

Não temos sido grandes frequentadores dos brancos da Ramos Pinto, incidindo mais nos tintos. Mas duas compras recentes permitiram provar dois brancos de marcas emblemáticas que já têm nome feito nos tintos: o Bons Ares, proveniente da quinta com o mesmo nome, e o Duas Quintas, que tal como o tinto junta as uvas desta quinta às uvas da Quinta de Ervamoira.

A Quinta dos Bons Ares é a que fica situada em altitude, cerca de 600 m acima do nível do mar, e tem solo granítico. É daqui que vêm habitualmente as uvas que conferem mais frescura e acidez aos vinhos. Este lote de Viosinho e Rabigato, castas tradicionais durienses, associado ao Sauvignon Blanc (cuja incorporação no lote o torna vinho Regional Duriense em vez de DOC Douro) resultou num vinho fresco, aromático, medianamente estruturado e persistente, com um final suave. No sabor apresenta-se com algum citrino e um ligeiro vegetal com leves notas tropicais, que denota a presença do Sauvignon Blanc. Acidez elegante, sem ser impositiva.

Um vinho extremamente equilibrado, onde parece que nada foi deixado ao acaso, com todas as componentes presentes na dose certa, de forma mais ou menos discreta e sem exageros, formando assim um conjunto versátil que pode ligar bem com peixes sofisticados e carnes não muito pesadas de forma quase indistinta – experimentei as duas variantes e ambas resultaram em pleno. É um branco de meia estação, o que o torna versátil para múltiplas ocasiões.

Temos assim mais um branco para acrescentar à nossa lista de preferências e a manter debaixo de olho.

Quanto à versão em branco do Duas Quintas, que temos provado amiudadamente em tinto e que temos sempre em stock, segue um pouco a linha do tinto em comparação com o Bons Ares. Aqui o lote contém Arinto em vez de Sauvignon Blanc, mantendo-se as outras duas castas. O vinho mostra-se mais estruturado e com mais corpo, mas com menos frescura e suavidade – a proveniência, da Quinta de Ervamoira, de uvas com maturação mais profunda (como reza o contra-rótulo do tinto) traz alguma complexidade e persistência ao vinho mas retira-lhe alguma elegância, o que no caso destes dois brancos torna o Bons Ares um pouco mais apelativo. O Duas Quintas é um vinho mais de Inverno e para pratos mais fortes.

De todo o modo, foi uma comparação de estilos muito interessante e, conforme o acompanhamento que se pretende, temos dois perfis de vinho diferentes à escolha do consumidor. Pessoalmente, o Bons Ares vai mais ao encontro do meu gosto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto

Vinho: Bons Ares 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Rabigato, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas 2014 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Rabigato, Viosinho, Arinto
Preço em feira de vinhos: 9,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

10 anos é muito tempo


Já assim rezava a canção de Paulo de Carvalho:

10 anos é muito tempo
Muitos dias, muitas horas a beber.


Ou seria a cantar? Espero que não porque, apesar de tudo, bebemos melhor que cantamos. Ou não, porque um dos elementos deste blogue toca e canta, e às vezes encanta...

Parece que foi ontem que bebemos aquele tinto que nos tirou do sério e nos fez saltar de contentamento... Esperem! Isso foi mesmo ontem! Há 10 anos deve ter sido outro. Já houve uns quantos ao longo deste tempo de fruição do produto da fermentação dos frutos da Vitis Vinifera – ou, dito de outra forma, já emborcámos (com classe, of course) muita vinhaça da boa!

Se a idade e o fígado nos deixar, pretendemos continuar a fazê-lo por muitos e bons anos, apreciando este produto fruto do engenho do homem e das dádivas da natureza, quiçá continuando a reportar as nossas impressões neste moderno caderno de notas electrónico.

Esperamos que vos dê tanto prazer ler as nossas opiniões como nos deu beber os vinhos – embora as opiniões sejam um pouco mais secas e menos saborosas...

Para o ano cá estaremos a marcar um novo aniversário e esperamos que convosco a continuar a ler.

Bem hajam!

tuguinho e Kroniketas, enófilos finos

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Encontro com o Vinho e os Sabores 2015 (2ª parte)

Prémios Escolha da Imprensa


  

Tal como em 2014, tive oportunidade de assistir, logo no primeiro dia, ao anúncio da Escolha de Imprensa feito pela Revista de Vinhos. Depois pude provar uma parte significativa dos vinhos premiados no espaço reservado para o efeito.

Em primeiro lugar, destaque para os vencedores do Grande Prémio em cada categoria: Murganheira Cuvée Reserva Especial nos espumantes; Muros de Melgaço (Anselmo Mendes) nos brancos; MR Premium (Monte da Ravasqueira) nos rosés; H. O. Grande Escolha (Casa Agrícola Horta Osório) nos tintos; e Vau Porto Vintage (Sogrape) nos licorosos. Os dois primeiros sem surpresa, os restantes algo inesperados.

Houve mais vinhos premiados que em 2014, com algumas boas surpresas, nomeadamente a nível dos rosés, e outras confirmações, como o Villa Oliveira da Casa da Passarela (um repetente), o Paço dos Cunhas de Santar, o Cartuxa Reserva, o Pai Chão da Adega Mayor, o Poliphonia Reserva, o Dona Maria Reserva ou o Quinta da Touriga Chã. O nível dos vinhos escolhidos é elevadíssimo, como seria de esperar, sendo que alguns vinhos são mesmo de encher as medidas.

Não sendo viável provar nem mencionar todos os vinhos, não podemos deixar de destacar mais um conjunto de prémios arrebatados pelos espumantes Murganheira (5 prémios no total entre as marcas Murganheira e Raposeira, e vencedor do Grande Prémio na categoria de espumantes), o aparecimento de novos produtores como o Monte da Serenada, já aqui mencionado com o seu branco Serras de Grândola Edição Especial, e o recuperar de clássicos como a Adega Cooperativa de Cantanhede, com o seu 2221 Terroir de Cantanhede e o Foral de Cantanhede Gold Edition Grande Reserva, depois de em 2014 ter feito furor com o Marquês de Marialva Confirmado de 1991, bem como o Quinta dos Carvalhais Branco Especial, também um repetente.

Novidades foram os tintos da Reserva da Casa Santos Lima, Pinot Noir e Touriga Nacional da DFJ, o Conde d’Ervideira Private Selection, e os brancos Reserva da Quinta das Carejeiras, MR Premium do Monte da Ravasqueira, Mula Velha da Quinta do Gradil e o Viosinho da Adega Mãe.

Verdadeira surpresa para o aparecimento do rosé JP, menos surpresa a presença do Quinta do Poço do Lobo Baga-Pinot Noir, um rosé em grande estilo!

Como o tempo este ano foi escasso, estas duas actividades acabaram por ocupar a maior fatia da minha presença no certame. Dentro do recinto dos expositores fiz o périplo mais ou menos habitual, desta vez prestando menos atenção e dedicando menos tempo às provas nos stands. Dei especial atenção a algumas novidades da Casa da Passarela, um produtor que se afirma cada vez mais com vinhos que representam o verdadeiro carácter do Dão, e o resto foi mais ou menos sortido. Ao fim de tantos anos começa a ser difícil encontrar muitas novidades e dispersar a atenção por tantas marcas.

Para o ano há mais. Na altura se verá como corre.

Kroniketas, enófilo itinerante

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Encontro com o Vinho e os Sabores 2015 (1ª parte)

25 anos de Duas Quintas


  

Cumprindo o ritual de todos os anos, que já é presença obrigatória no calendário, há um mês dirigimo-nos ao Centro de Congressos de Lisboa para a edição 2015 do Encontro com o Vinho e os Sabores.

Tal como o ano passado, decidi participar numa prova especial, desta vez os 25 anos de existência do Duas Quintas sob a batuta de João Nicolau de Almeida.

O enólogo e administrador da Casa Ramos Pinto anunciou a sua reforma para breve, em que vai passar o testemunho aos mais novos e dedicar-se em exclusivo aos projectos familiares com os seus filhos, Mateus e João.

Começou por fazer um historial do seu percurso antes e durante a Ramos Pinto, a busca do seu tio José António Ramos Pinto Rosas por um local de excepção que viria a encontrar na Quinta de Ervamoira, a investigação das castas mais adaptadas à produção de “vinho de pasto” no Douro e, finalmente, a inovadora plantação de vinhas ao alto em vez da tradicional disposição em patamares.

Depois da apresentação histórica de como surgiu o Duas Quintas (e dos acidentes que ocorreram na primeira colheita, em 1990), passou-se então à prova de algumas colheitas disponíveis da versão Reserva, que surgiu em 1992, não sem que antes ainda nos fosse dado a provar a colheita de 1990, que já está em óbvio declínio, algo oxidado e descorado, mas ainda se bebe... Tive a feliz coincidência de encontrar esta colheita na Feira de Vinhos do Pingo Doce, em 1993, pelo que tenho acompanhado este vinho desde o seu nascimento. Foram produzidos 80.000 litros desta primeira colheita.

Do Duas Quintas Reserva foram provadas as colheitas de 1992, 1994, 1997, 2000, 2005, 2008 e as três últimas, 2011, 2012 e 2013.

As diferenças foram óbvias: os mais antigos mais suaves e delicados, os mais recentes mais frutados, pujantes e persistentes. Em todos eles, uma exuberância aromática evidente, um corpo pujante e estruturado. 1994 mais elegante, macio e frutado que o de 1992. 1997 ainda algo adstringente e com arestas, resultante da incorporação da casta Tinta da Barca, que lhe dá taninos mais duros.

O de 2000 apresentou-se muito equilibrado, suave e redondo, mas foi revelando pujança e robustez enquanto arejava, libertando-se numa explosão de aromas! Muito bem! O 2005 apresentou-se algo linear numa primeira abordagem. O 2008 algo rugoso no início, estruturado e longo, enquanto os três finais apresentaram-se marcados por especiarias, com o 2011 a ser o mais suave e redondo.

Dentro desta panóplia ficou patente a elevada qualidade deste vinho, com diferentes moldagens pelo tempo e diferentes evoluções em garrafa. Uma excelente amostra dum magnífico vinho.

Daqui saiu-se para o anúncio dos prémios da escolha de imprensa.
(continua)

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

No meu copo 494 - Bairrada: os clássicos rebeldes

Quinta das Bágeiras Reserva tinto 2010; Pato Rebel 2009; Campolargo, Baga 2010


Por uma curiosa coincidência, tivemos oportunidade de provar em ocasiões muito próximas três tintos da Bairrada provenientes de três produtores que funcionam “fora da caixa”, ou fora dos cânones que marcam a tradição da região. A descrição que se segue coincide apenas com a ordem da prova, e nada mais.

Comecemos então pelo tinto Reserva da Quinta das Bágeiras. Uma marca clássica da Bairrada de um produtor que foge aos cânones, e é desalinhado das tendências dominantes, de tal forma que nem sequer faz questão de ter o nome “Bairrada” nos rótulos dos seus vinhos. Nos anos mais recente, um vinho branco chumbado pela Comissão Vitivinícola tornou-se um caso raro de sucesso junto dos apreciadores (estamos a falar do Pai Abel Chumbado).

Este Quinta das Bágeiras Reserva 2010, fermentado em pequenos lagares, sem desengace, estagiou em tonel de madeira avinhada e foi engarrafado sem colagem ou filtragem. Foram adquiridas duas garrafas Março de 2013, portanto ainda relativamente novo. A primeira já tinha sido consumida e na altura o vinho mostrou-se algo rugoso e duro na prova.

Entretanto amaciou. Apresentou-se encorpado, persistente, com boa estrutura na boca e aroma vinoso intenso. Um vinho para carnes com algum requinte, um Bairrada com uma base clássica mas com alguns laivos de modernidade. Para quem não quer ou não pode chegar ao excelente (e bem mais dispendioso) Garrafeira, aqui está outro bom produto por um valor bem mais acessível, em que vale a pena apostar.

Em seguida, o Pato Rebel 2009, um tinto que estava à espreita para ser provado, mais uma inovação do enfant terrible da Bairrada, Luís Pato, o “Senhor Baga”. Sempre a inovar defendendo as raízes da região, e sempre com especial carinho pela Baga. Este é um Regional Beiras, mas quem se importa com isso?

Aqui nasceu um vinho também feito fora dos cânones: um Baga para beber com facilidade, jovem, para o Verão. Mostrou-se macio, aberto na cor, mas com o arejamento foi desenvolvendo aromas e mostrando uma pujança e estrutura que o caracterizam como muito mais do que um tinto de Verão. É um tinto que merece respeito.

Finalmente, o Campolargo Baga 2010. Outro produtor que, assentando raízes na Bairrada, também pouco liga às tradições. Pouco importa que as castas sejam clássicas ou modernas, nacionais ou estrangeiras, típicas ou atípicas: o que interessa é o resultado final. Aqui temos, por coincidência, um monocasta de Baga, que também se apresenta muito macio e pronto a beber.

Tal como é prática habitual em Luís Pato, este fermentou com desengace total das uvas. A fermentação terminou em balseiro e barricas, nas quais fez a fermentação maloláctica e onde permaneceu até Março de 2012. Outro Bairrada de respeito, a precisar de algum tempo para se mostrar em plenitude.

E assim se fez um pequeno percurso por produtores que defendem o melhor que se faz na região, cada um com o seu cunho muito próprio que permite perceber que, afinal, mesmo com a dominância da Baga, podem existir várias e diferentes “Bagas”...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta das Bágeiras Reserva 2010 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Pato Rebel 2009 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Preço: 10,46 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Campolargo, Baga 2010 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

No meu copo 493 - Periquita Reserva 2010

O Periquita, marca de vinho mais antiga produzida em Portugal, tem vindo a ter o seu portefólio alargado. Mudou a garrafa, o rótulo, surgiu o Reserva, o branco e o rosé.

Tenho sempre alguma hesitação em relação a este vinho. Por um lado, ele é bastante melhor que o Periquita Clássico, mas fico sempre com uma certa sensação de expectativas frustradas. É certo que não é um vinho mau, nem sequer razoável, é bom. Mas parece que estou sempre à espera de mais qualquer coisa que me surpreenda.

Acho que talvez seja isto que falta a este Periquita Reserva: algo de verdadeiramente novo, inesperado, surpreendente, como o enólogo Domingos Soares Franco nos tem habituado com as suas apostas arrojadas, como o rosé de Moscatel Roxo ou o excelente branco de Verdelho da Colecção Privada.

Este Periquita Reserva 2010 estagiou 8 meses em barrica e apresenta um aroma predominante a frutos vermelhos. É suave na boca, com persistência média e medianamente encorpado. O final está ali entre o macio e o rugoso.

Não é caro e não é uma má aposta para o preço que custa. Mas falta-lhe algum golpe de asa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Periquita Reserva 2010 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 6,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 22 de novembro de 2015

No meu copo 492 - Casa da Ínsua branco 2014; Casa da Ínsua rosé 2013

Voltamos ao Dão, para uma prova de mais uma marca antiga que andou desaparecida durante algum tempo.

A Casa da Ínsua, antiga casa senhorial do século XVIII, actualmente é um hotel de charme situado em Penalva do Castelo, propriedade dos Empreendimentos Turísticos Montebelo, do grupo Visabeira, e dentro dos seus vastos jardins estão situadas as vinhas donde provêm as uvas para os vinhos que produz.

Nesta ocasião tivemos oportunidade de provar um branco e um rosé. Os tintos ficam para mais tarde.

O branco agradou à generalidade dos provadores. Apresentou-se com uma cor citrina, elegante, com aroma complexo com notas de frutos do pomar. Na boca mostrou-se encorpado, macio, estruturado, persistente e com final marcadamente mineral. Um vinho para agradar com entradas ou pratos de peixe com algum requinte. Não é um simples vinho de Verão mas um vinho para apreciar com tempo e a companhia adequada à mesa.

Quanto ao rosé, foi uma decepção: chato, doce, sem acidez, liso e desinteressante. A cor é marcadamente rosada concentrada, o aroma limpo mas na boca torna-se enjoativo. Um resultado francamente mal conseguido.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Empreendimentos Turísticos Montebelo

Vinho: Casa da Ínsua 2014 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Encruzado, Sémillon
Preço no produtor: 5,10 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa da Ínsua 2013 (R)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço no produtor: 5,10 €
Nota (0 a 10): 4

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

No meu copo 491 - Bucelas Capital do Arinto, Seleção da Confraria Reserva 2014

Comprei esta garrafa por curiosidade, uma vez que era uma marca diferente da Quinta da Romeira num rótulo semelhante ao Prova Régia Reserva. O nome é invulgar e original, o conteúdo desperta interessa aos apreciadores dos vinhos de Arinto de Bucelas.

A prova, contudo, decepcionou. O vinho mostrou-se desinteressante. Algo aguado, delgado, descolorido, algo insípido e sem aroma. Não faz jus à casta e acaba-se sem perceber para que foi produzido...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bucelas Capital do Arinto, Seleção da Confraria Reserva 2014 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Wine Ventures - Quinta da Romeira
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5

sábado, 14 de novembro de 2015

No meu copo 490 - Evel tinto 2012

Continuando a descomplicar, voltamos agora à Real Companhia Velha, depois dos brancos monocasta da Quinta de Cidrô nos meses anteriores.

O Evel também é uma marca muito antiga, estando registada desde 1913. Comecei por conhecê-lo na mesma época do Dão Meia Encosta (referido no post anterior), primeiro o branco e só mais tarde o tinto, a par com o Porca de Murça. Agora já surgiu um Reserva, um Grande Escolha, e mais recentemente um Evel XXI...

Este tinto é o mesmo de sempre, o clássico, produzido com uvas provenientes de diversas quintas da Real Companhia Velha nas zonas de Alijó, Pinhão e São João da Pesqueira.

Evel é “leve” escrito ao contrário. Leve nasceu, leve se mantém. De cor rubi, suave, aberto, macio, mediano de corpo e de persistência. É agradável e frutado no paladar, sem sinal dos 8 meses de contacto com a madeira, com taninos bem suaves e redondos.

É bom e é barato.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Evel 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Bloggers Challenge - 2ª edição

    


Realizou-se na 2ª quinzena de Setembro, no mesmo local da primeira edição (na qual não pude estar presente), o restaurante A Tendinha, em Mem Martins, a segunda iniciativa promovida pelo blogue Comer, Beber & Lazer.

O princípio é simples e curioso: desafiam-se dois autores de blogues que escrevam sobre vinho para, dentro da carta de vinhos de um restaurante e de acordo com um menu previamente escolhido, sugerirem um vinho de preço moderado para harmonizar com cada prato. A cada iguaria que vai para a mesa, são servidos os dois vinhos selecionados (em garrafas tapadas), os comensais provam os vinhos e numa pequena ficha classificam cada um dos vinhos de per si de 1 a 5 e classificam-nos também na harmonização com o prato. Quer dizer, portanto, que há duas votações a decorrer em simultâneo, e que o vinho mais votado isoladamente pode não o ser na harmonização, o que até torna a votação ainda mais interessante.

Após cada votação, o promotor da iniciativa, Carlos Janeiro, conta os votos e anuncia o resultado para o vinho 1 e o vinho 2, revelando-se então quais os vinhos em confronto.

Dito isto, passemos então à acção.

Para esta segunda edição foram convidados os bloggers Rui Barradas (Reserva Recomendada) e o Jorge Filipe Nunes (Joli Wine & Food Activist). Cada um escolheu um vinho para a entrada, para o prato de peixe e para o prato de carne.

As boas-vindas ficaram a cargo do Carlos Janeiro, que escolheu um espumante bairradino das Caves São João, para acompanhar presunto fatiado com pão e broa. Espumante fresco e medianamente encorpado, com alguma estrutura mas não muito persistente, adequado para o momento inicial de descontracção.

Passando à mesa e aos pratos de resistência, começou por se provar como petiscos uma salada de polvo e recheio de sapateira, acompanhados por um Bridão Clássico branco 2014, da Adega Cooperativa do Cartaxo. Produzido a partir de Fernão Pires, mostrou-se um vinho algo liso, simples no aroma e com final de boca curto.

Com a entrada, crepe de camarão com salada russa, teve lugar o primeiro embate de dois vinhos. Em confronto, ficámos a saber após a votação que tinham estado um branco do Dão e um da Bairrada:

Somontes branco 2013 - Dão - Casa da Passarela - 12,5% - Encruzado, Malvasia Fina e Gouveio
Frei João branco 2013 - Bairrada - Caves São João - 13% - Maria Gomes, Bical, Sercial e Sauvignon Blanc

As apreciações foram muito próximas, embora o Somontes parecesse ter um aroma mais intenso e mais estrutura, o que acabou por ter reflexos na votação. O Frei João mostrou-se mais mineral e persistente, parecendo casar melhor com o prato. No entanto, no final foi Somontes a recolher a maior votação.

Para o prato de peixe, um saborosíssimo arroz de sapateira real com camarão, deu-se quanto a mim a grande surpresa. Estiveram em compita:

Prova Régia Reserva branco 2014 - Bucelas - Wine Ventures - 13,5% - Arinto
Herdade do Rocim branco 2013 - Alentejo - Rocim - 13% - Antão Vaz, Arinto e Roupeiro

Pessoalmente agradou-me mais o Prova Régia, a começar pela maior acidez, o aroma citrino e algo tropical, aromático e frutado, enquanto o Herdade do Rocim se apresentou mais encorpado e estruturado. No entanto, feita a votação o segundo venceu claramente. E com a vitória nos dois brancos, o blog Reserva Recomendada já tinha a vitória assegurada.

Faltava, no entanto, o prato de carne, um cabrito saloio à Tendinha, excelente, com batatinhas assadas e nabiças. Vinhos escolhidos:

Solista Touriga Nacional tinto 2012 - Alentejo - Adega Mayor - 14% - Touriga Nacional
Porta dos Cavaleiros tinto 2011 - Dão - Caves São João - 13,5% - Touriga Nacional, Tinta Roriz e Alfrocheiro

Mais encorpado o Solista, talvez demasiado novo, ainda adstringente e algo “cru”, é um vinho que precisa de evoluir e amaciar em garrafa. Mais suave e aromático o Porta dos Cavaleiros, acabou por ser este a recolher o maior número de votos, que deram a vitória neste confronto ao blog Joli Wine & Food Activist, ficando assim final o resultado em 2-1 a favor do Reserva Recomendada.

Para a sobremesa veio uma tarte de queijada de Sintra com um novo Bridão, desta vez um Colheita Tardia já fora do combate de blogues. Uma boa forma de fechar as hostilidades.

Mais do que quem venceu, o mais importante na noite foi o agradável convívio entre os participantes, a oportunidade de provarmos e compararmos vários vinhos em prova cega e ser apanhados por algumas surpresas que sempre acontecem em ocasiões como esta.

Parabéns à organização e aos dois bloggers que aceitaram o desafio e fizeram as suas escolhas para todos nós apreciarmos.

E agora resta aguardar pela marcação do 3º combate.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

No meu copo 489 - Dão Cardeal Reserva, Touriga Nacional 2009

Por falar em Dão Cardeal... Eis uma marca que não é muito badalada. Nem no Dão nem quase em lado nenhum. E no entanto existe há muitos anos, desde o tempo das antigas Caves Velhas.
À boa maneira dos tintos clássicos do Dão, apresentou-se muito suave, elegante e macio. Uma cor granada intensa e concentrada com tons violáceos, típicos da casta, aroma intenso com notas florais e de frutos vermelhos maduros, frutos do bosque e algum tostado. Sabor marcadamente frutado, macio, com boa estrutura de boca e final persistente e suave.
Boa compra, a rever e a reter nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cardeal Reserva, Touriga Nacional 2009 (T)
Região: Dão
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,19 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

No meu copo 488 - Dão Meia Encosta tinto 2013

De vez em quando sabe bem baixar um pouco a exigência e voltar a um vinho mais simples e descomplicado.

Tal como o Terras do Demo branco seco, aqui referido há algumas semanas, este foi um dos primeiros que conheci nos anos 90 e era, na altura, um dos meus preferidos pela sua macieza, que me tornou desde logo um apaixonado pelos vinhos do Dão.

Curioso é ver os vinhos do Dão que podia beber na época. Num caderninho onde registava os vinhos que ia conhecendo, lá constam o Dão Terras Altas, o Dão Real Vinícola, o Dão Cardeal, o Porta dos Cavaleiros. O Meia Encosta estava, à época, no topo das minhas preferências.

Passados tantos anos, de vez em quando lá me apetece reencontrar-me com ele. A última tinha sido há cerca de 9 anos...

O perfil mantém-se mais ou menos na mesma. Suave, elegante, macio, sem grande exuberância aromática mas o quanto baste, bebe-se com agrado e sem esforço. Acaba por valer a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Meia Encosta 2013 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Jaen, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,29 €
Nota (0 a 10): 6,5

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

No meu copo, na minha mesa 487 - Fonte de Gonçalvinho 2012; Restaurante Sala de Corte (Lisboa)

 


Numa bela tarde lisboeta juntaram-se quatro comensais para experimentar um restaurante aberto recentemente numa rua das traseiras do renovado mercado da Ribeira, na zona do Cais do Sodré (não, não é no famigerado mercado, uma caótica amálgama de balcões, mesas corridas, bancos de madeira e magotes de gente de tabuleiro na mão desesperadamente à procura dum buraquinho para se sentar. Decididamente, não se recomenda).

Não, esta “Sala de corte” é um restaurante especializado em cortes de carne de bovino, passam por vazia, picanha, entrecôte, lombo, chateaubriand e chuletón.

Sendo quatro os presentes, optámos por pedir 3 cortes distintos: entrecôte, lombo e chuletón. As carnes vêm servidas em tábuas, fatiadas em pequenos nacos, o que nos permitiu repartir equitativamente os 3 cortes entre os convivas e assim degustar adequadamente cada uma das iguarias. Preferências? Difícil... Eu diria... todas! Mas o lombo, inevitavelmente, acaba sempre por merecer uma menção especial, sem desprimor para os outros.

A acompanhar, pequenas taças de batatas fritas, esparregado e tomate cherry. Serviço atento, rápido e competente, ambiente intimista (a sala não alberga mais de 30 pessoas, já contando com os lugares disponíveis ao balcão). Qualidade irrepreensível na carne, como se esperava, a abrir o apetite para novas visitas.

A garrafeira, não sendo muito vasta, está bem recheada e com uma variedade interessante, com os vinhos mantidos a temperatura adequada (o que é sempre de realçar em Portugal).

A escolha recaiu numa das marcas da nova geração do Dão, um Fonte de Gonçalvinho 2012, produzido a partir de 4 castas emblemáticas da região. Mostrou-se suave, aromático, com aromas a frutos vermelhos e muito ligeiro toque amadeirado com taninos muito discretos, primando pela elegância e com uma persistência suave, que ligou muito bem com os nacos fatiados da carne grelhada, fazendo uma excelente parceria.

Bebeu-se com tanta facilidade que rapidamente tivemos de passar à segunda garrafa. É um vinho guloso, daqueles que se vão bebendo quase sem dar por isso.

Em resumo, um evento a repetir. Tanto no restaurante como no vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fonte do Gonçalvinho 2012 (T)
Região: Dão
Produtor: Fonte de Gonçalvinho
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen
Preço no restaurante: 12,50 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: Sala de Corte
Rua da Ribeira Nova, 28
1200-371 Lisboa
Telef: 21.346.00.30
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5

domingo, 25 de outubro de 2015

No meu copo 486 - Companhia das Lezírias 2008

Continuamos na região do Tejo, agora para provar um vinho da Companhia das Lezírias, detentora de uma das maiores propriedades agrícolas do país.

Este vinho DOC do Tejo, adquirido em 2013 já com 5 anos de idade, foi mais um a passar com distinção a prova do tempo. Provado agora 7 anos após a colheita, apresentou-se com grande saúde e bastante juventude.

Com uma cor retinta mais típica dos vinhos novos, mostrou-se estruturado, robusto e encorpado, persistente e longo, mas ao mesmo tempo macio e redondo na boca, com ligeiras notas a frutos vermelhos e final com um toque a especiarias. Estagiou durante 8 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, e mais um ano em garrafa, estando a madeira bastante integrada e disfarçada no conjunto, sem sobressair e dando mais estrutura ao vinho.

Este pode ser considerado um bom exemplo do novo perfil dos vinhos do Tejo, cuja qualidade tem subido em flecha, e que já mostraram em diversas provas que podem perfeitamente entrar no lote dos vinhos com longevidade e que conjugam a robustez com a suavidade.

Para a gama de preços em que se posiciona, é impossível pedir mais deste vinho. É uma boa compra, com uma boa relação qualidade/preço, e merece figurar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Companhia das Lezírias 2008 (T)
Região: Tejo
Produtor: Companhia das Lezírias
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Castelão, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

No meu copo 485 - Padre Pedro Reserva 2005


Continuamos a abrir os vinhos com 10 anos. Desta vez a escolha recaiu na versão Reserva deste clássico da Casa Cadaval, uma marca implantada firmemente entre os vinhos ribatejanos e já com uma longa tradição nas versões monocasta, como os excelentes Cabernet Sauvignon e Trincadeira, à maneira clássica, e o Pinot Noir em versão ribetejana mais atípica.

Apresentou-se com uma cor granada carregada, aroma a frutos pretos maduros com algumas notas florais (predominância de violetas típicas da Touriga Nacional), encorpado com excelente estrutura e equilíbrio, final longo e persistente e macio.

Talvez este precise de ser bebido mais novo, pois a combinação de castas merece ser apreciada com mais alguma vivacidade e juventude. A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Padre Pedro Reserva 2005 (T)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Trincadeira (30%), Cabernet Sauvignon (10%), Merlot (10%)
Preço em feira de vinhos: 8,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 17 de outubro de 2015

No meu copo 484 - Serros da Mina Reserva 2009

Este era um vinho para mim completamente desconhecido. Vi-o no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno de 2014. É proveniente da Herdade das Barras, em Vila Nova da Baronia, na zona da Vidigueira.

Apresentou uma cor granada, notas aromáticas de frutos pretos e vermelhos, alguma especiaria e tabaco. Na boca tem uma estrutura envolvente e suave, com alguma robustez mas sem ser agressivo, com final prolongando e a mostrar taninos firmes. Pareceu ser um vinho com potencial para guardar, pois apresentou-se com bastante robustez e vivacidade para um vinho com 6 anos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Serros da Mina Reserva 2009 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Herdade das Barras
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço: 8,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 13 de outubro de 2015

No meu copo 483 - Serras de Grândola: Edição Especial branco 2014; Cepas Cinquentenárias tinto 2013

Pela segunda vez em menos de um ano cruzei-me com os vinhos deste produtor. Foi no evento Hello Summer WineParty, em Julho passado. Voltei a provar os vinhos e voltei a levar duas garrafas para casa. Repeti o tinto e mudei de branco: desta vez foi um Edição Especial, uma variante que passa por estágio em madeira.

De facto este branco mostra-se ligeiramente amadeirado, estruturado, longo, com bom equilíbrio entre corpo, estrutura e acidez. No entanto, como fã de brancos mais aromáticos e frescos, prefiro claramente o outro branco anteriormente provado, o monocasta Verdelho, embora este Edição Especial não deslustre.

Quanto ao tinto Cepas Cinquentenárias, repetiram-se as impressões colhidas da primeira vez. Boa estrutura, aroma balsâmico, persistente e elegante. Um vinho com potencial para guardar.

Vou continuar a seguir com atenção os vinhos deste produtor e, quando me cruzar novamente com estes vinhos, certamente levarei sempre algumas garrafas para casa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada

Vinho: Serras de Grândola, Edição Especial 2014 (B)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Viognier, Gouveio
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2013 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8

No meu copo 482 - Marquês de Borba branco 2013; Tons de Duorum branco 2014

Na mesma ocasião referida no post anterior, as hostilidades abriram, como vai sendo habitual, com brancos para ir entretendo as entradas, até porque o final de Verão estava quente e pedia algo para refrescar antes da passarmos aos pesos pesados dos tintos que se iriam seguir.

Aproveitando a onda dos vinhos gentilmente cedidos pela João Portugal Ramos Vinhos, abrimos um branco alentejano e um duriense, que confirmaram as impressões de provas anteriores.

O Marquês de Borba branco mostrou-se um vinho com uma boa frescura e acidez, muito equilibrado, na linha do que temos vindo a descobrir nestes brancos produzidos em Estremoz, tal como acontece com o Loios e o Vila Santa. Notável a elegância destes brancos para uma zona de baixa altitude e elevadas temperaturas.

Por outro lado, o Tons de Duorum branco, da colheita mais recente, embora igualmente suave, perdeu aos pontos para o seu parceiro de ocasião. Apresentou-se com aroma algo discreto, corpo um pouco delgado e liso nos sabores. Não desagrada e é correcto, mas não se guinda mais além.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba 2013 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Viognier
Preço em feira de vinhos: 4,17 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Tons de Duorum 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,04 €
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

No meu copo 481 - O. Leucura 200 Reserva 2008; O. Leucura 400 Reserva 2008

À laia de evento de rentrée, o caçador convidou o grupo para ferrar o dente nuns bons nacos de javali. Cozinhado em estufado com um molho generoso construído com legumes, cogumelos e vinho, foi bem acolitado por arroz branco e salada de alface.

Para as entradas e as conversas antes do prato principal, beberam-se um Tons de Duorum branco de 2014 e um Marquês de Borba branco de 2013 (assunto para outro artigo). Os convivas preferiram maioritariamente o segundo, incluindo estes escribas, se bem que o do Douro possa ter sido um pouco prejudicado por ter sido bebido mais frio.

Falando dos vinhos tintos: apresentaram-se para degustação o O. Leucura* Cota 200 de 2008 e o seu irmão O. Leucura Cota 400 de 2008, botelhas gentilmente oferecidas pela João Portugal Ramos há já alguns meses (tal como os brancos referidos).

Os vinhos foram produzidos da mesma forma, apenas diferindo na altitude a que foram colhidas as uvas para ambos: umas à cota de 200 metros e outras à cota de 400 metros. Ambos passam por um estágio de cerca de 24 meses, de acordo com cada lote e cada casta, sendo 70% barricas de carvalho novo e 30% de carvalho de segundo e terceiro ano.

Dos dois, e contrariamente ao que se poderia esperar devido ao nosso gosto por vinhos de altitude, a opinião foi unânime e as preferências foram para o Cota 200, com um corpo mais cheio e aromas mais desenvolvidos.

Cor vermelha muito profunda e densa, aroma intenso e complexo, dominado pelos frutos pretos maduros, e uma maior suavidade em relação ao da Cota 400. É um vinho poderoso, denso, e com muita estrutura.

O da Cota 400 apresenta os taninos mais evidentes, é mais volumoso e cheio mas um pouco mais rústico.

Neste segmento de mercado não há vinhos maus ou aceitáveis – há vinhos bons, muito bons e fora de série.

Estes O. Leucura são ambos excelentes vinhos mas, para o segmento em que se inserem, estávamos à espera de algo mais acima. As afirmações anteriores em nada maculam a qualidade destes vinhos, simplesmente estávamos à espera de algo ainda melhor.

Correndo o risco de ser injustos, porque nos estamos a cingir a uma única colheita e a uma garrafa apenas de cada uma das referências, pensamos que ainda lhe falta “um bocadinho assim” para se transformar numa daquelas referências grandes dos vinhos nacionais.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados

Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos

Vinho: O. Leucura cota 200, 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 80 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: O. Leucura cota 400, 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 80 €
Nota (0 a 10): 8


*O. Leucura é o nome de um pássaro que habita a zona onde está situada a Quinta de Castelo Melhor, onde a Duorum produz os seus vinhos, e que a empresa tenta proteger através do seu projecto de sustentabilidade.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

No meu copo 480 - Bairrada Follies, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2007

Da Lousã damos agora um saltinho ao coração da Bairrada, para regressar a uma marca da Aveleda que conhecemos há já alguns anos e que, embora não se veja muito por aí à venda, me tem agradado sempre que me cruzo com ela.

Trata-se do Follies, que começou por incidir especialmente nos brancos da região dos Vinhos Verdes e na Bairrada, aparecendo também na Bairrada com uma versão em tinto.

A primeira prova foi da colheita de 2004, e agora abri esta de 2007, que tinha sido adquirida em 2010. Cinco anos depois da compra, mostrou o que é a verdadeira Bairrada no seu esplendor. Uma saúde e frescura notáveis para um vinho com 8 anos, pujante sem ser adstringente, encorpado, persistente, taninos bem firmes mas macios, um vinho a pedir carnes bem temperadas, com aromas florais e a frutos vermelhos em mais um bom casamento entre a portuguesíssima Touriga Nacional e a bordalesa Cabernet Sauvignon, que têm demonstrado fazer uma ligação quase perfeita, tanto em tintos como em rosés.

É verdade que a Aveleda tem vindo a alterar o seu portefólio de marcas, mas esta, se ainda houver por aí, é uma aposta a repetir pelas boas provas que já forneceu. E se não for com esta marca, que seja com outra.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Follies, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2007 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Aveleda Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

No meu copo 479 - Quinta de Foz de Arouce tinto 2007

Aproveitando um primeiro “clássico” futebolístico cá do burgo (e não “derby”, como alguns teimosamente insistem em chamar a um FC Porto-Benfica ou Benfica-FC Porto), os dois fundadores deste blog – que já se aguenta por aqui vai para 10 anos (!!!) – resolveram partilhar as incidências do jogo (que não terminou lá muito bem para as nossas cores) para depois partilhar as incidências do vinho, a acompanhar uns bifes de novilho Angus fritos à moda de cervejaria...

Com o tuguinho de receita na mão e o Kroniketas de mão na frigideira, a primeira experiência não correu mal de todo. Falta fazer ali umas pequenas afinações nas quantidades de alguns ingredientes, mas pode-se almejar fazer um repasto para um grupo mais incrementado. Não faltou, obviamente, o indispensável ovo a cavalo e as batatas fritas. Numa próxima ocasião vamos juntar esparregado, que fica sempre bem com estes pratos.

Para acompanhar esta iguaria requeria-se um tinto bem estruturado embora não demasiado agressivo, tendo a escolha recaído num Quinta de Foz de Arouce 2007 da garrafeira do tuguinho, um vinho produzido sob a batuta de João Portugal Ramos. Não se decantou, como talvez justificasse, mas arrefeceu-se como se impunha, porque a temperatura exterior estava demasiado alta para se poder beber sem passar pelo frio. Depois de duas horas na porta do frigorífico, estava no ponto óptimo para consumir. A decantação... fez-se para os copos, o que nos permitiu ir apreciando a evolução do vinho à medida que o nível descia na garrafa.

Vinificado com maceração completa e estagiado em meias-pipas de carvalho, apresentou a Baga e a Touriga muito bem casadas, com corpo bastante e sem exageros, taninos dóceis e belíssimo fim de boca, num conjunto extremamente elegante, em que os oito anos passados da data de colheita também fizeram decerto o seu papel. Quando se chegou ao fim já tínhamos saudades. Do bife e do vinho...

Ah pois é...

tuguinho e Kroniketas, enófilos em rentrée

Vinho: Quinta de Foz de Arouce 2007 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Conde de Foz de Arouce Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 9,95 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 27 de setembro de 2015

No meu copo 478 - Colinas rosé 2013

Este rosé foi adquirido na habitual promoção mensal da Revista de Vinhos. Havia alguma curiosidade e expectativa, que não se confirmou. O Pinot Noir costuma dar tintos muito leves e abertos mas esta versão em rosé não convenceu. Contrariamente a outro rosé de Pinot Noir provado há dois anos, proveniente da Campolargo, este mostrou-se doce, enjoativo, chato, sem acidez.

Falta-lhe algo. Falta-lhe bastante. Falta-lhe quase tudo...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Colinas 2013 (R)
Região: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola Colinas de São Lourenço
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Pinot Noir
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 3

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

No meu copo 477 - Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional rosé 2013

Revisitando este rosé, habitualmente um dos meus preferidos mas que na última prova tinha decepcionado, parece que voltou ao perfil habitual, tendencialmente mais seco, leve e aromático.

Apresentou uma cor rosada profunda, aroma com notas florais e a frutos vermelhos, e na boca algumas notas de frutos silvestres. Final elegante e fresco, com alguma persistência. Embora apresentando um ligeiro adocicado, esteve muito longe do vinho algo chato e doce da prova anterior. Esperemos que esse tenha sido apenas um ano menos feliz.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2013 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 19 de setembro de 2015

No meu copo 476 - Terras do Demo branco seco 2013

Conheço este branco há mais de 25 anos, foi aliás um dos primeiros que experimentei quando comecei a provar vinhos. Na altura agradou-me por ser seco e ter uma boa acidez. Depois perdi-lhe o rasto durante bastante tempo.

Nos anos mais recentes voltou a aparecer nas prateleiras com maior frequência e resolvi revisitá-lo.

Claro que durante este tempo os padrões do vinho mudaram e os meus gostos também. Deste modo, o padrão de apreciação deste vinho tem pouco a ver com a época em que o conheci, porque entretanto tive oportunidade de ir subindo a fasquia.

A verdade é que este Terras do Demo branco seco continua a ser um vinho agradável de beber. Vivo, macio, floral, de aroma frutado e não muito exuberante, corpo médio e final suave e com persistência média.

Para o patamar de preço em que está posicionado, é um vinho que se bebe com agrado e não decepciona.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terras do Demo branco seco 2013 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Cooperativa Agrícola do Távora
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Gouveio, Pedernã, Folgazão, Rabo de Ovelha
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 15 de setembro de 2015

No meu copo 475 - Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2014

Depois de há algumas semanas termos tido oportunidade de provar por duas vezes o Sauvignon Blanc da Quinta de Cidrô, chegou depois a vez do Chardonnay, cuja última prova tinha surpreendido pela positiva.

Como não podia deixar de ser, tem um perfil completamente diferente. Não está demasiado marcado pela madeira, tem um aroma com alguma tosta e apresenta uma boa persistência, com uma boa acidez a conferir-lhe frescura. É o típico branco de meia estação ou de Inverno, vocacionado para pratos mais exigentes embora a sua frescura o torne mais polivalente.

A minha preferência vai inevitavelmente para o Sauvignon Blanc, mas este Chardonnay acabou por marcar pontos nas minhas escolhas, e já entra com alguma facilidade nas opções de escolha. É um dos poucos brancos de Chardonnay portugueses e fermentados em madeira que não me desagradam, o que não deixa de ser um excelente sinal.

A Real Companhia Velha parece ter encontrado o caminho certo para o posicionamento da sua vasta gama de vinhos, que melhoram a olhos vistos de dia para dia. Vale a pena continuar a explorar este vasto portefólio e experimentar os vários monocasta, brancos e tintos, provenientes da Quinta de Cidrô, sem descurar incursões aos vinhos das outras quintas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço em hipermercado: 8,92 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

No meu copo 474 - Lybra branco 2014

Outra bebida provada nas férias foi a versão em branco do Lybra, a marca que substituiu o Vinha da Nora no portefólio da Quinta do Monte d’Oiro.

Numa deslocação a um bar-restaurante em Ferragudo – o Club Nau, na margem oposta do rio Arade em relação a Portimão, já no concelho de Lagoa – houve que escolher um vinho para acompanhar uma cataplana de tamboril. A oferta era interessante e variada, e contrariamente aos preços dos pratos (quase proibitivos) os preços dos vinhos eram razoáveis para restaurante. Tentando fugir um pouco à vulgaridade e sem esticar os custos exageradamente, optámos por este branco da zona de Alenquer.

Sabe-se que o produtor José Bento dos Santos tenta reproduzir na Quinta do Monte d’Oiro a produção das Cotes du Rhône, dada a similitude de clima e terreno. Assim tem usado nos seus vinhos duas castas emblemáticas daquela região vinícola do sudeste de França, o Syrah nos tintos e o Viognier nos brancos. É precisamente o Viognier que vamos encontrar na base deste Lybra branco, complementada com Marsanne e com o portuguesíssimo Arinto.

O resultado é um vinho muito aromático, seco, frutado, suave, longo e fresco e com uma bela acidez. Casou na perfeição com a cataplana e soube tão bem aos comensais que, para acompanhar o bife na pedra que veio a seguir – este sim, a preço absurdo e em quantidade diminuta –, em vez de mudarmos para um tinto continuámos no branco. No final, entre 4 pessoas consumimos 3 garrafas...

Eis um excelente exemplo do aumento de qualidade dos brancos portugueses, e este é mais um que se recomenda. Embora não seja barato, a qualidade é bem acima da média e vale bem o preço que custa.

Parabéns à Quinta do Monte d’Oiro por mais este belo vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lybra 2014 (B)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viognier, Arinto, Marsanne
Preço: cerca de 9 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

No meu copo 473 - Casa da Passarela, O Brazileiro 2014

Ainda não tinha provado este rosé da Casa da Passarela e tive oportunidade de prova-lo durante este Verão a acompanhar uma mariscada.

Tal como tem acontecido com os outros vinhos da casa que tenho vindo a conhecer paulatinamente, gostei. Com uma cor salmão desmaiada, é um vinho leve e suave, fresco, aromático, floral e com alguma persistência.

É um daqueles vinhos gulosos que se bebem com prazer e dos quais apetece sempre provar mais um copo. Excelente em ambiente estival e com refeições leves. Um bom produto a acrescentar aos rosés recomendáveis – aqueles que não pretendem ser tintos disfarçados, pesados e híper-alcoólicos.

Este vai entrar imediatamente para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Casa da Passarela, O Brazileiro 2014 (R)
Região: Dão
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 4,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

No meu copo 472 - Vila Santa, Trincadeira 2011

Um vinho clássico do Alentejo, com uma casta clássica. A cada vez menos badalada Trincadeira desta vez aqui em destaque num dos vinhos monocasta de João Portugal Ramos.

No aroma mostra uma boa concentração de fruta madura, com um toque vegetal típico da casta. Na boca sente-se volumoso, cheio, estruturado, com taninos suaves e final longo e persistente.

Estagiou seis meses em meias pipas novas de carvalho francês, apresentando a madeira muito discreta e integrada no conjunto, sem se destacar mas dando apenas aquele toque necessário para “temperar” o vinho.

Em suma, mais um produto que faz jus ao nome consagrado deste produtor e enólogo que ajudou (e de que maneira) a mudar o panorama dos vinhos nacionais um pouco por todo o lado, e principalmente a sul, levando um pouco o Alentejo a reboque.

Um valor sempre seguro, como praticamente tudo o que sai da adega Vila Santa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vila Santa, Trincadeira 2011 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 25 de agosto de 2015

No meu copo 471 - Brancos do Algarve

Foral de Portimão 2013; Quinta da Penina 2013; Salira 2012; Lagoa Estagiado 2012




Os brancos do Algarve, que tenho provado com maior frequência que os tintos, têm-se revelado mais agradáveis que estes. Dum modo geral apresentam uma frescura e uma acidez que os tornam mais apelativos. Talvez as uvas brancas se adaptem melhor ao clima e aos solos que as tintas. Ou talvez as castas tintas precisem de outro trabalho de viticultura... Quem souber que responda, mas a verdade é que seja pela influência marítima, pelos ventos ou por outra razão qualquer os brancos que tenho provado quase sempre me agradam, e dos tintos poucos o têm conseguido.

Falamos aqui de três brancos, um deles em repetição e que já tinha agradado em duas ocasiões anteriores.

O Foral de Portimão mostrou-se leve, suave, pouco persistente e delgado.

À semelhança do que aconteceu com os tintos, também neste caso o Quinta da Penina, já nosso conhecido, mostrou-se bem melhor que o Foral de Portimão.

O Salira, que já tinha sido objecto de uma tentativa mal sucedida com uma garrafa em más condições, desta vez cumpriu com o exigível. Suave, macio e elegante na boca, com aroma não muito exuberante, persistência média e final fresco. Bom para os meses de Verão e para as refeições de férias.

Finalmente, a versão em branco do Lagoa Estagiado mostrou-se o mais simples de todos. Corpo médio, aroma discreto, algo curto no fim de boca. Qualidade ao nível do preço ou pouco mais.

Em resumo, no panorama dos vinhos algarvios já há opções para vários gostos e vários perfis, bem como para várias bolsas. A região vai-se afirmando e fazendo o seu caminho, embora ainda haja muito para percorrer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Foral de Portimão 2013 (B)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Viognier
Preço em hipermercado: 4,95 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Quinta da Penina 2013 (B)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 13%
Castas: Crato Branco, Arinto
Preço em hipermercado: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Salira 2012 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Moscatel
Preço em hipermercado: 3,39 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Lagoa Estagiado 2012 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 1,99 €
Nota (0 a 10): 6

domingo, 16 de agosto de 2015

No meu copo 470 - Tintos do Algarve

Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011; Quinta da Penina Reserva 2010; Lagos 2012; Lagoa Estagiado 2012




O Algarve é uma região vinícola em ascensão. Pouco a pouco, vão sendo dados a conhecer os vinhos produzidos na região mais a sul do país, a zona turística de Portugal por excelência. A produção é pequena, e quase invisível fora da região, mas o número de produtores aumenta a cada passo, enquanto alguns alargam o seu portefólio e diversificam as marcas que disponibilizam no mercado, como é o caso dos dois mencionados neste post, sendo que a agora denominada Única - Adega Cooperativa do Algarve é a sucessora da Adega Cooperativa de Lagoa, e alargou já a sua área de actuação às sub-regiões de Lagos e Portimão.

Assim sendo, tenho aproveitado as férias algarvias de Verão para comprar alguns vinhos, que só se encontram por lá, e mesmo assim só em certas lojas.

No caso dos tintos, a qualidade não me tem convencido grandemente. São geralmente adocicados, pouco estruturados e pouco frescos, tornando-se algo chatos e enjoativos. Os que tenho provado ficam-se, normalmente, pela mediania.

Os quatro vinhos cuja prova se descreve confirmaram um pouco esse panorama.

O Foral de Portimão Colheita Seleccionada, com um grau alcoólico elevado e um lote de castas prometedor, apresentou-se aberto e suave, e ao mesmo tempo pouco estruturado, delgado na boca e com final curto. Tudo somado, um vinho mediano.

Já o Quinta da Penina Reserva, do mesmo produtor, apresentou-se com boa estrutura e persistência, aroma intenso e frutado quanto baste. É vinho capaz de se alcandorar a voos um pouco mais ambiciosos.

O vinho de Lagos – quase uma raridade desde há décadas – foi o mais discreto de aroma e menos exuberante no nariz e na boca. Não deixa grandes memórias.

Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa.Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa. Encorpado, com alguma estrutura, robustez e complexidade, persistente e com aroma a frutos vermelhos, mostrou-se um vinho com alguma personalidade e capaz de acompanhar pratos fortes de carne.

No conjunto, estes vinhos não apresentam uma grande robustez nem complexidade de aromas, nalguns casos tendem mais para o delgado e com final de boca algo curto, mas com alguma sorte consegue-se sempre encontrar alguns exemplares mais interessantes. Nestas provas os mais interessantes foram o Quinta da Penina Reserva e o Lagoa Estagiado. Em conjunto são tendencialmente medianos.


Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 6,19 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Penina Reserva 2010 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet, Petit Verdot
Preço em hipermercado: 7,09 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Lagos 2012 (T)
Região: Algarve (Lagos)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 4,89 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Lagoa Estagiado 2012 (T)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 2,14 €
Nota (0 a 10): 7,5