segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Caves São João - 96 Anos de História (1ª parte)

A efeméride





Já foi o ano passado, é verdade. Já quase perdeu a actualidade, embora o motivo do evento seja sempre actual, porque este ano há mais um lançamento.

O facto é que houve uma boa razão para só agora este texto ver a luz do dia (para além dos muitos eventos que vão ocorrendo aqui e ali e tornam difícil estar em dia com as publicações), e que se prende com a intenção de publicá-lo depois de ter podido provar com tempo, calma e todas as condições necessárias a uma avaliação fundamentada uma das novidades apresentadas neste evento: o primeiro Bairrada Clássico das Caves São João, consubstanciado no Frei João branco 2015.

O evento de que estamos a falar foi o lançamento do vinho intitulado 96 Anos de História, evocativo da década de 80-90 do século XX e integrado nas comemorações dos 100 anos da empresa que se completam em 2020, e que têm sido assinalados desde 2010 com o lançamento dum vinho exclusivo por ano, evocativo de uma década desde os anos 1920, ano da fundação das Caves São João – Sociedade dos Vinhos Irmãos Unidos. São vinhos exclusivos, raros e caros, e que uma vez esgotados não é possível voltar a adquirir.

Deste painel já tivemos oportunidade de comprar o 93 Anos de História, um Dão da colheita de 2011, e falhou a possibilidade de comprar o 92 Anos, um Bairrada de 2009 evocativo da década de 40.

No Encontro com o Vinho e os Sabores 2014, na prova especial “Os gloriosos anos 60 das Caves São João”, foi também possível provar uma Aguardente Velhíssima de 1965, evocativa da década de 60 que assinala os 94 anos.

O principal mote deste evento, que decorreu no luxuoso e Palace Hotel do Bussaco, foi o lançamento dum branco de 1983 elaborado apenas com uvas Chardonnay e que esteve meio esquecido nas caves da empresa. Descoberta esta preciosidade, e depois de aferido o seu estado para consumo, o mesmo foi lançado como vinho comemorativo dos 96 anos, evocando a década de 80.

O evento começou no exterior, com a prova do Frei João Clássico branco 2015 juntamente com algumas entradas, em frente ao Convento dos Carmelitas Descalços, onde ainda se fez uma pequena visita.

Feitos os intróitos, passou-se depois ao interior do hotel onde nos acomodámos numa sala onde decorreu o almoço e foram provados os vários produtos apresentados aos convidados. Presentes estavam os “pesos pesados” da empresa: os gerentes Fátima Flores, Manuel José Costa, Célia Alves e o enólogo José Carvalheira, estes dois os rostos habitualmente mais visíveis no que respeita à apresentação dos vinhos, desta vez ainda assessorados pelo responsável pela viticultura, António Selas.

Durante o almoço pudemos provar diversos vinhos que estavam em destaque para além da apresentação do novíssimo 96 Anos de História. Falaremos sobre eles no post seguinte.

(continua)

Kroniketas, enófilo esclarecido

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

No meu copo 627 - Flor do Tua Reserva tinto 2014

Os vinhos com denominação Trás-os-Montes estão agora a fazer o seu caminho desde que, de certa forma, se autonomizaram dos vinhos com denominação Douro – ainda não há muito tempo tivemos oportunidade de provar um branco de Valpaços que foi uma excelente surpresa. Não há muitos anos, o que não cabia nos DOC Douro era classificado como Regional Trás-os-Montes (um exemplo claro era o Bons Ares, da Ramos Pinto, que não é DOC porque tem o Cabernet Sauvignon no lote que o compõe).

Entretanto os regulamentos vão mudando (em Portugal regula-se tudo um pouco e nos vinhos não é excepção), aparecem regiões, desaparecem sub-regiões ou muda tudo de nome (ainda estou para perceber para que é que há tanta região e sub-região num país com uma área de vinha total menor que a da região de Bordéus, mas essa é outra conversa). Agora temos vinhos regionais durienses, transmontanos, minhotos, beira atlântico, terras do Dão e sei lá que mais. E temos, então, também os DOC Trás-os-Montes.

É o caso deste Flor do Tua, provado ao almoço num restaurante em Lisboa a acompanhar umas belas costeletas de novilho. Os tintos têm algumas características semelhantes aos do Douro (o que é normal, pois a quase totalidade da região fica geograficamente situada em Trás-os-Montes), mas frequentemente apresentam um perfil menos concentrado e menos carregado de cor, com menos álcool e mais suaves na prova de boca.

Proveniente da zona de Mirandela, este Flor do Tua fica algures a meio caminho. É realmente um vinho mais aberto e macio, embora bastante alcoólico. No aroma evidencia frutos vermelhos e na boca mostra-se bem estruturado embora não pesado, com taninos redondos a moldarem o conjunto.

Um vinho e um produtor para acompanhar com alguma atenção.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Flor do Tua Reserva 2014 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Essência do Douro, Wines and Gourmet
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 7 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

No meu copo 626 - Santos da Casa rosé 2016

  

Decorreu no passado dia 31 de Agosto, no jardim do restaurante Eleven, no alto do Parque Eduardo VII, a apresentação do Santos da Casa 2016, o primeiro rosé da Santos & Seixo, empresa criada em 2014 com o intuito de abranger várias regiões vitivinícolas do país para a produção dos seus vinhos.

Actualmente a Santos & Seixo tem a sua produção focada essencialmente no Douro e no Alentejo, embora tenha já apresentado também um Alvarinho da sub-região Monção-Melgaço dos Vinhos Verdes.

No final de tarde em que decorreu a apresentação deste rosé, sob o lema “Santos da Casa fazem milagres”, foi possível degustar o rosé em lançamento e ainda provar um Santos da Casa branco.

No que se refere a este rosé, o milagre ainda vai ter de aguardar mais algum tempo, pois o vinho necessita de alguma afinação. Produzido quase na totalidade com Touriga Nacional (90%) e o restante com Tinta Roriz, o aroma não evidencia as notas florais e de frutos vermelhos que normalmente a Touriga confere, e que é bem evidente nos rosés. Em parte dever-se-á ao facto de o vinho provir parcialmente da sangria de cuba.

Sem querer entrar em campos que não são meus e onde não tenho autoridade técnica para argumentar, como consumidor a experiência mostra que a sangria de cuba não favorece as características mais desejáveis num rosé, como a frescura, acidez, aromas mais frutados e vivacidade na prova de boca. Parece-me que esse será um aspecto a ter em conta em futuras produções deste rosé, que na prova isolada mostrou-se algo liso na boca.

Como no final o produtor teve a gentileza de nos presentear com uma garrafa do néctar, pude mais tarde prová-lo em casa, calmamente e à mesa. Aí revelou-se um pouco melhor, mostrando um final de boca mais vivo e intenso, embora ainda um pouco curto e algo adocicado.

Parece-me que tem tudo para melhorar, mas ainda há passos a ser dados em direcção ao milagre. Vamos ver entretanto como se comportam os restantes vinhos do portefólio, nomeadamente os tintos, quando tivermos oportunidade de nos cruzarmos com eles.

Obrigado à agência de comunicação Chefs Agency e à Santos & Seixo pelo convite que nos foi endereçado e pela oferta da garrafa de rosé.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Santos da Casa 2016 (R)
Região: Douro
Produtor: Santos & Seixo
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional (90%), Tinta Roriz (10%)
Preço: cerca de 6 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

No meu copo 625 - Rovisco Pais Premium tinto 2013

Este é uma versão corrigida e aumentada do Rovisco Pais Reserva, já aqui mencionado e que constituiu uma bela surpresa.

Esta garrafa foi adquirida numa dessas promoções manhosas dum hipermercado manhoso, que baixou o preço de prateleira de 12,49 € para 3,74 €! Uma pechincha!

O preço base parte de cerca do dobro do Reserva, mas esta versão fica claramente aquém desse patamar. As castas têm duas em comum (o Cabernet Sauvignon e a Touriga Nacional), sendo aqui o Castelão substituído pelo Aragonês.

Neste vinho nota-se a mesma estrutura do Reserva, apresentando-se um pouco mais elegante e menos exuberante no nariz, com um final macio e longo.

No entanto... Na comparação entre os dois vinhos, um não parece justificar o dobro (ou mais) do preço do outro. Tive a possibilidade de fazer uma prova simultânea dos dois, e pelo preço que custa (antes de descontos) não parece justificar a aposta, a não ser que o mega-desconto seja para manter e enganar os incautos. Mas naquela cadeia de hipermercados, que não tem nome de ilhas, já estamos habituados a isso.

Em resumo: é bom, sim senhor. Mas não tanto.Talvez isso justifique a desproporcionada promoção.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Rovisco Pais Premium 2013 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Aragonês
Preço em hipermercado: 12,49 € (3,74 € após descontos)
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

No meu copo 624 - Periquita Reserva 2012

Há vinhos assim. Esta foi a terceira ou quarta tentativa. Fui ver o que tinha escrito acerca das anteriores. Havia a esperança de que fosse diferente desta vez.

Não foi. Este Periquita Reserva tinto ainda não me conseguiu mostrar nada de especial, que o distinga (para melhor) de qualquer outro do enorme portefólio da José Maria da Fonseca, e eu vou repetindo na esperança de que “desta vez é que é”.

Mas as impressões mantêm-se. Estrutura mediana, aroma pouco expressivo, final algo indefinido e pouco longo.

Não é caro nem é mau, mas pelo mesmo preço há muitos outros bastante melhores. Se os anteriores não me tinham convencido grandemente, este ainda menos.

Uma aposta algo decepcionante, tendo em conta o prestígio quer da marca quer da casa. Ou sou eu que estou completamente enganado, ou a equipa de enologia anda um bocado às aranhas com o caminho a dar a este vinho.

Acho que não vale muito a pena continuar a insistir nele, porque já se viu que não dá mais que isto...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Periquita Reserva 2012 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,59 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

No meu copo 623 - Quinta dos Aciprestes 2014


Já há alguns anos que não provava este vinho. Normalmente apresenta-se como uma garantia de qualidade por um preço razoável, e desta vez confirmou essa expectativa.

Muito aromático e equilibrado, frutado quanto baste com notas de frutos maduros e com boa estrutura, é um vinho que se bebe com facilidade e muito versátil para acompanhar pratos de carne.

Na cor não é muito concentrado, mostrando antes um perfil mais aberto. Na boca mostra-se redondo e elegante, com notas de frutos maduros e madeira muito discreta e bem integrada num conjunto harmonioso.

Mais um vinho com uma óptima relação qualidade/preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta dos Aciprestes 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,16 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

No meu copo 622 - Quinta da Soalheira 2013



Foi a primeira prova deste vinho da Borges produzido no Douro. Já provámos diversos vinhos desta empresa, mas nunca esta marca. A Quinta da Soalheira situa-se nas margens do rio Torto, próximo de São João da Pesqueira.

O vinho mostra uma cor e um aroma que revelam o perfil típico do Douro naquilo que ele tem de melhor.

Encorpado, persistente, estruturado e longo, apresenta aromas a frutos do bosque, taninos bem presentes e sólidos e final com notas a especiarias.

Pelo preço que custa é uma excelente aposta.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta da Soalheira 2013 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Sousão
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

No meu copo 621 - Crasto Superior branco 2014

Mais um belo branco do Douro, proveniente das vinhas localizadas no Douro Superior na Quinta da Cabreira, próximo de Castelo Melhor, que tivemos oportunidade de visitar por ocasião do Festival de Vinho do Douro Superior de 2016.

Esta garrafa foi oferecida pela empresa nessa ocasião, e houve agora oportunidade de provar o vinho com mais calma. Confirmou as impressões colhidas por altura desse evento. É um vinho com boa frescura e boa acidez, o que não surpreende dado ser produzido em altitude.

Na boca mostra-se bem estruturado mas elegante, com final persistente e vibrante mas suave. Estagiou 6 meses em barricas da carvalho francês, aparecendo este muito discreto e a arredondar o conjunto.

À semelhança do Crasto Superior tinto, é um vinho para afirmar-se nas novas tendências do Douro, com vinhos mais frescos, mais suaves e mais gastronómicos, onde a madeira é apenas um tempero do vinho e não “o vinho”.

Obrigado à Quinta do Crasto por esta oferta e por este bom produto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Crasto Superior 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Verdelho, Viosinho
Preço: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8