Esta é uma das marcas mais tradicionais da Real Companhia Velha.
Raramente nos temos cruzado com este vinho, que agora é por vezes incluído no lote dos vinhos mais doces de colheita tardia (embora a empresa produza também um Late Harvest desta marca).
Esta versão meio doce fica a meio caminho, com a incorporação de duas castas que lhe conferem o maior teor de açúcar, como o Gewürztraminer e o Moscatel.
Apresenta-se com uma cor citrina clara e brilhante, aromas florais e algum frutado exótico. Na boca a doçura sobressai sem ser enjoativa, apresentando um final suave e delicado.
Não sendo claramente um vinho tradicional de sobremesa, também não é um vinho para a refeição. É preciso escolher as parcerias adequadas em que se equilibre o líquido com os sólidos. Talvez algumas entradas, como patés, ou gelados de fruta sejam boas companhias.
Não é um vinho encantador, mas é agradável dentro do género e tem de ser consumido na ocasião adequada.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Grandjó Meio Doce 2018 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Gewürztraminer, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 4,27 €
Nota (0 a 10): 7,5
O blog onde os néctares de Baco nunca se entornam
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sexta-feira, 21 de junho de 2019
terça-feira, 8 de janeiro de 2019
No meu copo 728 - Quinta de Cidrô, monocastas
Alvarinho 2017; Chardonnay 2017; Sauvignon Blanc 2017; Touriga Nacional 2016; Pinot Noir 2016; Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2015

O final de 2018 proporcionou uma efeméride que foi devidamente comemorada com um conjunto de vinhos da Quinta de Cidrô de elevada qualidade: três brancos e três tintos.
Para não estender demasiado este post, seguem as impressões colhidas de cada um dos vinhos.
Alvarinho 2017: frescura, acidez crocante, intensidade aromática e persistente, aromas tropicais. Talvez o mais surpreendente dos 3 brancos.
Chardonnay 2017: fermentado em barricas e estagiado sobre borras durante seis meses. Aroma a frutos brancos com notas de mel, persistente e estruturado.
Sauvignon Blanc 2017: aroma com notas vegetais de intensidade média e alguma mineralidade, acidez marcada com muita frescura, elegante e suave com bom final.
Touriga Nacional 2016: elevada complexidade na prova de boca, aroma intenso a frutos vermelhos e florais com fundo vegetal, boa acidez e persistência com final longo e exuberante. Um belíssimo vinho com grande potencial de evolução em garrafa.
Pinot Noir 2016: Aberto, suave, elegante, aroma com algum vegetal e frutos vermelhos, persistência suave e elegante.
Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2015: Provada anteriormente a colheita de 2008, que brilhou a grande altura, mostrou-se claramente um vinho de guarda. Esta colheita de 2015 estagiou 18 meses em barricas de carvalho novo e apresentou um vinho em crescimento, que ainda está na fase ascensional e a desenvolver aromas secundários na garrafa. Já proporciona um enorme prazer a beber, com uma prova de boca pujante e poderosa marcada por elevada complexidade e intensidade aromática, final vibrante e intenso. Apresenta aromas abaunilhados e a frutos pretos. Beba-se e guarde-se.
Em suma, um painel de elevada qualidade. Todos diferentes, todos excelentes!
Kroniketas, enófilo em celebração
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Vinho: Quinta de Cidrô, Alvarinho 2017 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta de Cidrô, Chardonnay 2017 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 12,45 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2017 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 9,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta de Cidrô, Touriga Nacional 2016 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 12,42 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Quinta de Cidrô, Pinot Noir 2016 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Pinot Noir
Preço em feira de vinhos: 14,34 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2015 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 14,68 €
Nota (0 a 10): 9
Fotos das garrafas obtidas no site do produtor
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segunda-feira, 11 de junho de 2018
No meu copo 680 - Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon tinto 2008
A apresentação deste vinho, ocorrida o ano passado, mereceu-nos este comentário:
“O grande vinho foi mesmo o mais antigo, o lote de 2008 de Cabernet e Touriga. Disse Jorge Moreira que era pena não poderem vender todos os seus tintos com 9 anos de idade, como este. A verdade é que o vinho está... enorme! Aroma intenso e vinoso, grandes estrutura e persistência, ao mesmo tempo redondo na boca e com taninos elegantíssimos. Um portento!”
Tivemos agora oportunidade de bebê-lo à refeição. Sem surpresa. Confirmou todas as impressões anteriores. É um vinhão!
Em vez de fazer descrições, permito-me transcrever, em vez disso, quatro trechos retirados de outros sites, com a devida vénia. O que se diz abaixo dispensa mais comentários.
“Este vinho, limpo e brilhante de cor rubi profundo, foi concebido como um lote original de Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Resultado do seu estágio em barricas de carvalho, o vinho demonstra intensidade e complexidade, ao mesmo tempo finesse e elegância. Equilibrado por uma excelente estrutura, mostra-se encorpado, e os aromas de fruta preta, baunilha, tabaco e chocolate revelam um enorme potencial para evolução em garrafa.”
(https://www.cavelusa.pt/produto/3103/QuintadeCidroCaberneteTourigaNacionalTinto)
“18 meses de estágio em barrica. Quase dez anos sem se dar por isso. Cheio de vitalidade. Com a barrica a abraçar a fruta, num perfil atractivo onde se notam as elegantes notas vegetais da Cabernet. É tão bem feito e tão prazeroso que, independentemente das crenças, agrada a todos.”
(https://www.joli.pt/quinta-de-cidro-novidades-para-2017/)
“Cor rubi muito escuro, retinto. No nariz são bem perceptíveis os aromas a fruta preta compotada, bem conjugada com a madeira e a baunilha. Na boca é profundo e encorpado. Possui taninos muito leves e baixa percepção alcoólica. Revela boa concentração e ligeira doçura. Final de comprimento longo com incremento de acidez.”
(https://www.continente.pt/stores/continente/pt-pt/public/Pages/ProductDetail.aspx?ProductId=5423107(eCsf_RetekProductCatalog_MegastoreContinenteOnline_Continente)
“Este vinho apresenta um estrutura poderosa com uma complexidade no olfacto impressionante. Aromas de frutos pretos, pimentos, baunilha, chocolate e notas florais típicas do Douro permitem um bouquet verdadeiramente notável. Na prova, demonstra potencia e complexidade, ainda que fino e elegante. Um vinho com elevado potencial de envelhecimento em garrafa.”
(https://fozgourmet.com/pt/portugal/1051-quinta-de-cidro-cabernet-sauvignon-touriga-nacional-2008-tinto.html)
Por tudo o que ficou dito, obviamente, entra directamente para a nossa lista de preferências. Não é barato, mas vale bem cada cêntimo que custa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 9
“O grande vinho foi mesmo o mais antigo, o lote de 2008 de Cabernet e Touriga. Disse Jorge Moreira que era pena não poderem vender todos os seus tintos com 9 anos de idade, como este. A verdade é que o vinho está... enorme! Aroma intenso e vinoso, grandes estrutura e persistência, ao mesmo tempo redondo na boca e com taninos elegantíssimos. Um portento!”
Tivemos agora oportunidade de bebê-lo à refeição. Sem surpresa. Confirmou todas as impressões anteriores. É um vinhão!
Em vez de fazer descrições, permito-me transcrever, em vez disso, quatro trechos retirados de outros sites, com a devida vénia. O que se diz abaixo dispensa mais comentários.
“Este vinho, limpo e brilhante de cor rubi profundo, foi concebido como um lote original de Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Resultado do seu estágio em barricas de carvalho, o vinho demonstra intensidade e complexidade, ao mesmo tempo finesse e elegância. Equilibrado por uma excelente estrutura, mostra-se encorpado, e os aromas de fruta preta, baunilha, tabaco e chocolate revelam um enorme potencial para evolução em garrafa.”
(https://www.cavelusa.pt/produto/3103/QuintadeCidroCaberneteTourigaNacionalTinto)
“18 meses de estágio em barrica. Quase dez anos sem se dar por isso. Cheio de vitalidade. Com a barrica a abraçar a fruta, num perfil atractivo onde se notam as elegantes notas vegetais da Cabernet. É tão bem feito e tão prazeroso que, independentemente das crenças, agrada a todos.”
(https://www.joli.pt/quinta-de-cidro-novidades-para-2017/)
“Cor rubi muito escuro, retinto. No nariz são bem perceptíveis os aromas a fruta preta compotada, bem conjugada com a madeira e a baunilha. Na boca é profundo e encorpado. Possui taninos muito leves e baixa percepção alcoólica. Revela boa concentração e ligeira doçura. Final de comprimento longo com incremento de acidez.”
(https://www.continente.pt/stores/continente/pt-pt/public/Pages/ProductDetail.aspx?ProductId=5423107(eCsf_RetekProductCatalog_MegastoreContinenteOnline_Continente)
“Este vinho apresenta um estrutura poderosa com uma complexidade no olfacto impressionante. Aromas de frutos pretos, pimentos, baunilha, chocolate e notas florais típicas do Douro permitem um bouquet verdadeiramente notável. Na prova, demonstra potencia e complexidade, ainda que fino e elegante. Um vinho com elevado potencial de envelhecimento em garrafa.”
(https://fozgourmet.com/pt/portugal/1051-quinta-de-cidro-cabernet-sauvignon-touriga-nacional-2008-tinto.html)
Por tudo o que ficou dito, obviamente, entra directamente para a nossa lista de preferências. Não é barato, mas vale bem cada cêntimo que custa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 9
segunda-feira, 19 de março de 2018
No meu copo 664 - Quinta de Cidrô, Gewürztraminer 2016
1ª etapa: prova de novidades da Real Companhia Velha no Le Consulat. Aí foram-nos dados a conhecer vários vinhos onde este me encheu as medidas nos brancos, e logo aí ficou debaixo de olho.
2ª etapa: procurar este vinho no mercado. Não foi muito difícil encontrá-lo, e na primeira oportunidade adquiri-lo.
3ª etapa: prová-lo em casa à refeição. Foi aproveitado numa ocasião festiva para acompanhar um cocktail de camarão com abacate, e ligou quase na perfeição. A acidez do vinho fez um par perfeito com os sabores intensos do camarão e do molho cocktail.
De grande frescura na boca, marcado por alguma mineralidade e notas florais, apresenta-se com uma bela acidez, estrutura e final longo marcado por clara secura, fugindo assim ao padrão mais adocicado que é mais marcante no seu terreno de eleição, na Alsácia.
Um grande vinho branco, mais um para a galeria de grandes vinhos da Real Companhia Velha. Para ocasiões especiais e com pratos requintados. Entra directamente para a nossa lista de sugestões.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Gewürztraminer 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Gewürztraminer
Preço em feira de vinhos: 11,35 €
Nota (0 a 10): 8,5
2ª etapa: procurar este vinho no mercado. Não foi muito difícil encontrá-lo, e na primeira oportunidade adquiri-lo.
3ª etapa: prová-lo em casa à refeição. Foi aproveitado numa ocasião festiva para acompanhar um cocktail de camarão com abacate, e ligou quase na perfeição. A acidez do vinho fez um par perfeito com os sabores intensos do camarão e do molho cocktail.
De grande frescura na boca, marcado por alguma mineralidade e notas florais, apresenta-se com uma bela acidez, estrutura e final longo marcado por clara secura, fugindo assim ao padrão mais adocicado que é mais marcante no seu terreno de eleição, na Alsácia.
Um grande vinho branco, mais um para a galeria de grandes vinhos da Real Companhia Velha. Para ocasiões especiais e com pratos requintados. Entra directamente para a nossa lista de sugestões.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Gewürztraminer 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Gewürztraminer
Preço em feira de vinhos: 11,35 €
Nota (0 a 10): 8,5
sexta-feira, 13 de outubro de 2017
No meu copo 623 - Quinta dos Aciprestes 2014
Já há alguns anos que não provava este vinho. Normalmente apresenta-se como uma garantia de qualidade por um preço razoável, e desta vez confirmou essa expectativa.
Muito aromático e equilibrado, frutado quanto baste com notas de frutos maduros e com boa estrutura, é um vinho que se bebe com facilidade e muito versátil para acompanhar pratos de carne.
Na cor não é muito concentrado, mostrando antes um perfil mais aberto. Na boca mostra-se redondo e elegante, com notas de frutos maduros e madeira muito discreta e bem integrada num conjunto harmonioso.
Mais um vinho com uma óptima relação qualidade/preço.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Aciprestes 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,16 €
Nota (0 a 10): 8
quarta-feira, 26 de julho de 2017
No Le Consulat (1) - Novas colheitas da Quinta de Cidrô

Mais um evento, mais uma extensa prova. Não há mãos a medir.
Foi num novo espaço surgido no Chiado, na Praça Luís de Camões, no edifício de um antigo hotel, que no passado dia 20 a Real Companhia Velha apresentou as suas novas colheitas da Quinta de Cidrô, constituídas por 4 vinhos brancos, 3 tintos e um rosé.
No 1º andar do nº 22 daquela emblemática praça lisboeta, está a surgir um novo conceito que, ao que parece, ainda vai ter mais novidades. Para além duma zona comum onde os muitos convidados – entre bloggers, jornalistas, escanções ou profissionais de marketing e comunicação – puderam provar os vinhos apresentados e degustar alguns petiscos que entretanto uma equipa de sala ia fazendo desfilar em pequenas travessas, existe também do lado direito um winebar (a visitar quando houver mais tempo) gerido por André Ribeirinho, conhecido criador do site Adegga e do evento Adegga Wine Market e agora parceiro tecnológico da nova revista Vinho – Grandes Escolhas, e do lado esquerdo irá surgir um restaurante gerido pelo Chef André Magalhães, que confeccionou os petiscos que pudemos provar (delicioso o de pato desfiado). Nesse mesmo espaço do lado esquerdo, numa pequena sala, decorreu uma prova comentada destes mesmos vinhos, destinada a profissionais do sector.
Terminada essa apresentação específica, os três representantes da Real Companhia Velha juntaram-se aos restantes convivas onde se provou os vinhos mais ou menos a gosto. Presentes estiveram o agrónomo responsável pelas vinhas, Rui Soares, o director comercial Pedro Silva Reis (filho) e o enólogo Jorge Moreira (na foto, da esquerda para a direita por esta ordem).
Em prova, os brancos monocasta da colheita de 2016, apresentados por ordem alfabética: Alvarinho, Chardonnay, Gewürztraminer e Sauvignon Blanc; o rosé de 2016, agora com a Touriga Franca a acompanhar a já habitual Touriga Nacional; e os tintos Pinot Noir de 2014, Touriga Nacional de 2015 e a grande surpresa, o Cabernet Sauvignon & Touriga Nacional de... 2008!
Quanto aos vinhos propriamente ditos, o que se pode dizer é que a Real Companhia Velha não deixou os seus créditos por mãos alheias e brindou-nos com mais 8 belíssimos vinhos, todos diferentes entre si mas com características e qualidades muito próprias que merecem ser apreciadas.
No que respeita aos brancos, sendo eu fã incondicional do Sauvignon Blanc da casa, confesso que o vinho que me encheu as medidas foi o surpreendente Gewürztraminer (ainda não aprendi a pronunciar este nome...), com uma acidez, um aroma e uma persistência notáveis, que o colocaram num patamar acima de todos os outros (são gostos, claro). Enquanto o Sauvignon Blanc cumpriu o que se esperava mas pareceu precisar de crescer algum tempo em garrafa, pois os aromas parecem estar um pouco presos, o Chardonnay também não surpreendeu, com um ligeiro aroma a madeira a sobressair no início mas a desvanecer-se no copo depois de algum tempo a arejar, ficando o Alvarinho como o mais discreto, tanto no nariz como na boca. Pelo menos na comparação com as outras três castas, todas elas de aroma muito intenso, ficou algo atrás.
O rosé, um dos meus preferidos, não pareceu ganhar com a incorporação da Touriga Franca, ficando um pouco mais dose. Prefiro-o mais seco como antes, embora a diferença não seja significativa.
Quanto aos tintos, o Pinot Noir apresenta aquele perfil mais delgado e menos concentrado que é habitual na casta, pedindo pratos delicados para se expressar. O Touriga Nacional é o que é, não surpreende com as notas florais e a frutos vermelhos a predominar.
O grande vinho foi mesmo o mais antigo, o lote de 2008 de Cabernet e Touriga. Disse Jorge Moreira que era pena não poderem vender todos os seus tintos com 9 anos de idade, como este. A verdade é que o vinho está... enorme! Aroma intenso e vinoso, grandes estrutura e persistência, ao mesmo tempo redondo na boca e com taninos elegantíssimos. Um portento! Este e o branco Gewürztraminer entram imediatamente para a lista das compras a fazer numa próxima oportunidade!
A título informativo, junto às fotos publicadas a informação técnica sobre cada um dos vinhos, fornecida na nota de imprensa. Os preços indicados são os recomendados pelo produtor, sabendo-se que no comércio podem existir grandes variações entre este PVP e aquele que está na prateleira.
Está de parabéns a equipa que deu vida a estes vinhos. A aposta na marca Quinta de Cidrô – na posse da Real Companhia Velha desde 1972, com 140 ha de vinha a servirem de base para um campo de experimentação vitivinícola, como é descrito na nota de imprensa – com origem em vinhos monovarietais ou bi-varietais tem dado excelentes resultados, com novos perfis de vinho a contribuírem para a imagem dum Douro mais moderno e mais variado, mostrando que é possível produzir vinhos elegantes e suaves, sem os excessos que marcaram a região há uma década, e que as castas vindas de fora também têm boas condições para vingar. Assim a mão do homem dê uma ajudazinha.
Obrigado à equipa da Real Companhia Velha e, como não podia deixar de ser, à incansável Joana Pratas, sempre na linha da frente na comunicação, pelo convite para este interessante (e importante) evento.
Kroniketas, enófilo assoberbado com provas
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
No meu copo 565 - Quinta de Cidrô rosé 2014
Voltamos a um rosé cuja primeira prova agradou bastante. Faz parte do renovado portefólio da Real Companhia Velha, especificamente com a marca Quinta de Cidrô, que já conta com um leque alargado de referências brancas e tintas produzidas com base em vinhos varietais.
No caso deste rosé, a prova anterior versou um vinho elaborado apenas com Touriga Nacional, sendo que esta colheita juntou-lhe a Touriga Franca.
Resultou um vinho mais carregado de cor, com um pouco mais de concentração e com aroma um pouco fechado no início, mas que logo se abriu no copo e se revelou sobretudo na prova de boca. Apresentou-se macio, com boa estrutura sem ser pesado, persistência e boa acidez, com final vivo e refrescante. No nariz mostra aroma intenso a frutos vermelhos e algum floral.
Uma boa compra, para continuar. É muito mais que um rosé de esplanada, é antes um rosé para a mesa, bastante gastronómico. Experimente-o com entradas diversas ou pratos um pouco ligeiros, mas não em demasia.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô 2014 (R)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8
No caso deste rosé, a prova anterior versou um vinho elaborado apenas com Touriga Nacional, sendo que esta colheita juntou-lhe a Touriga Franca.
Resultou um vinho mais carregado de cor, com um pouco mais de concentração e com aroma um pouco fechado no início, mas que logo se abriu no copo e se revelou sobretudo na prova de boca. Apresentou-se macio, com boa estrutura sem ser pesado, persistência e boa acidez, com final vivo e refrescante. No nariz mostra aroma intenso a frutos vermelhos e algum floral.
Uma boa compra, para continuar. É muito mais que um rosé de esplanada, é antes um rosé para a mesa, bastante gastronómico. Experimente-o com entradas diversas ou pratos um pouco ligeiros, mas não em demasia.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô 2014 (R)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8
domingo, 21 de fevereiro de 2016
No meu copo 509 - Quinta de Cidrô, Alvarinho 2013
Passados alguns meses, voltamos aos vinhos da Real Companhia Velha produzidos na emblemática Quinta de Cidrô, berço dos monocasta no vasto portefólio da empresa.
Depois duma abordagem ao magnífico Sauvignon Blanc e ao complexo Chardonnay, agora temos outro branco do Douro feito exclusivamente do minhoto Alvarinho.
É um vinho diferente e interessante. Estruturado, persistente, longo, com boa acidez e fruto não muito exuberante, a par com alguma mineralidade.
Não tendo as características evidentes dos Alvarinhos da região dos Vinhos Verdes, mais aromáticos, frutados e exuberantes, não deixa de ser um vinho bem conseguido e algo intrigante, que coloca um certo desafio no que toca à harmonização com o prato. Há que experimentar até acertar.
Devido à sua estrutura, é um vinho vocacionado para pratos, também eles, bem estruturados, como peixes complexos ou no forno.
Em termos de relação qualidade/preço, o Sauvignon Blanc, sempre como referência, é mais bem conseguido, mas este Alvarinho não deslustra e vale a pena experimentar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Alvarinho 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Alvarinho
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 8
Depois duma abordagem ao magnífico Sauvignon Blanc e ao complexo Chardonnay, agora temos outro branco do Douro feito exclusivamente do minhoto Alvarinho.
É um vinho diferente e interessante. Estruturado, persistente, longo, com boa acidez e fruto não muito exuberante, a par com alguma mineralidade.
Não tendo as características evidentes dos Alvarinhos da região dos Vinhos Verdes, mais aromáticos, frutados e exuberantes, não deixa de ser um vinho bem conseguido e algo intrigante, que coloca um certo desafio no que toca à harmonização com o prato. Há que experimentar até acertar.
Devido à sua estrutura, é um vinho vocacionado para pratos, também eles, bem estruturados, como peixes complexos ou no forno.
Em termos de relação qualidade/preço, o Sauvignon Blanc, sempre como referência, é mais bem conseguido, mas este Alvarinho não deslustra e vale a pena experimentar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Alvarinho 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Alvarinho
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 8
sábado, 14 de novembro de 2015
No meu copo 490 - Evel tinto 2012
Continuando a descomplicar, voltamos agora à Real Companhia Velha, depois dos brancos monocasta da Quinta de Cidrô nos meses anteriores.
O Evel também é uma marca muito antiga, estando registada desde 1913. Comecei por conhecê-lo na mesma época do Dão Meia Encosta (referido no post anterior), primeiro o branco e só mais tarde o tinto, a par com o Porca de Murça. Agora já surgiu um Reserva, um Grande Escolha, e mais recentemente um Evel XXI...
Este tinto é o mesmo de sempre, o clássico, produzido com uvas provenientes de diversas quintas da Real Companhia Velha nas zonas de Alijó, Pinhão e São João da Pesqueira.
Evel é “leve” escrito ao contrário. Leve nasceu, leve se mantém. De cor rubi, suave, aberto, macio, mediano de corpo e de persistência. É agradável e frutado no paladar, sem sinal dos 8 meses de contacto com a madeira, com taninos bem suaves e redondos.
É bom e é barato.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Evel 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7
O Evel também é uma marca muito antiga, estando registada desde 1913. Comecei por conhecê-lo na mesma época do Dão Meia Encosta (referido no post anterior), primeiro o branco e só mais tarde o tinto, a par com o Porca de Murça. Agora já surgiu um Reserva, um Grande Escolha, e mais recentemente um Evel XXI...
Este tinto é o mesmo de sempre, o clássico, produzido com uvas provenientes de diversas quintas da Real Companhia Velha nas zonas de Alijó, Pinhão e São João da Pesqueira.
Evel é “leve” escrito ao contrário. Leve nasceu, leve se mantém. De cor rubi, suave, aberto, macio, mediano de corpo e de persistência. É agradável e frutado no paladar, sem sinal dos 8 meses de contacto com a madeira, com taninos bem suaves e redondos.
É bom e é barato.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Evel 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7
terça-feira, 15 de setembro de 2015
No meu copo 475 - Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2014
Depois de há algumas semanas termos tido oportunidade de provar por duas vezes o Sauvignon Blanc da Quinta de Cidrô, chegou depois a vez do Chardonnay, cuja última prova tinha surpreendido pela positiva.
Como não podia deixar de ser, tem um perfil completamente diferente. Não está demasiado marcado pela madeira, tem um aroma com alguma tosta e apresenta uma boa persistência, com uma boa acidez a conferir-lhe frescura. É o típico branco de meia estação ou de Inverno, vocacionado para pratos mais exigentes embora a sua frescura o torne mais polivalente.
A minha preferência vai inevitavelmente para o Sauvignon Blanc, mas este Chardonnay acabou por marcar pontos nas minhas escolhas, e já entra com alguma facilidade nas opções de escolha. É um dos poucos brancos de Chardonnay portugueses e fermentados em madeira que não me desagradam, o que não deixa de ser um excelente sinal.
A Real Companhia Velha parece ter encontrado o caminho certo para o posicionamento da sua vasta gama de vinhos, que melhoram a olhos vistos de dia para dia. Vale a pena continuar a explorar este vasto portefólio e experimentar os vários monocasta, brancos e tintos, provenientes da Quinta de Cidrô, sem descurar incursões aos vinhos das outras quintas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço em hipermercado: 8,92 €
Nota (0 a 10): 8
Como não podia deixar de ser, tem um perfil completamente diferente. Não está demasiado marcado pela madeira, tem um aroma com alguma tosta e apresenta uma boa persistência, com uma boa acidez a conferir-lhe frescura. É o típico branco de meia estação ou de Inverno, vocacionado para pratos mais exigentes embora a sua frescura o torne mais polivalente.
A minha preferência vai inevitavelmente para o Sauvignon Blanc, mas este Chardonnay acabou por marcar pontos nas minhas escolhas, e já entra com alguma facilidade nas opções de escolha. É um dos poucos brancos de Chardonnay portugueses e fermentados em madeira que não me desagradam, o que não deixa de ser um excelente sinal.
A Real Companhia Velha parece ter encontrado o caminho certo para o posicionamento da sua vasta gama de vinhos, que melhoram a olhos vistos de dia para dia. Vale a pena continuar a explorar este vasto portefólio e experimentar os vários monocasta, brancos e tintos, provenientes da Quinta de Cidrô, sem descurar incursões aos vinhos das outras quintas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço em hipermercado: 8,92 €
Nota (0 a 10): 8
quinta-feira, 30 de julho de 2015
No meu copo 469 - Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2014
Os novos vinhos da Real Companhia Velha, que já tivemos oportunidade de conhecer noutras provas, vão começando a ganhar notoriedade entre os apreciadores. As marcas debaixo das quais a empresa posicionou a sua gama, que tem vindo a ser reformulada (Quinta dos Aciprestes, Quinta de Cidrô e, mais recentemente, Quinta das Carvalhas), têm obedecido a uma filosofia que distingue cada uma num segmento de mercado.
A Quinta das Carvalhas destina-se aos topos de gama, a Quinta dos Aciprestes à gama média e média-alta e a Quinta de Cidrô incide essencialmente nos vinhos monocasta. E é dentro destes que encontramos uma panóplia de produtos que têm surpreendido, desde as castas portuguesas mais clássicas às castas estrangeiras menos populares. Assim, tanto encontramos um tinto de Touriga Nacional como de Rufete ou Pinot Noir, e nos brancos tanto encontramos Arinto como Sauvignon Blanc, Sémillon ou Gerwürztraminer.
A prova que agora se refere teve como objecto o Sauvignon Blanc 2014, considerado pela empresa como uma das melhores colheitas desta casta, senão mesmo a melhor de sempre. Tive oportunidade de provar este vinho por mais de uma vez nos últimos meses, e as primeiras impressões confirmaram-se: trata-se dum branco de elevada estirpe, com excelente aroma frutado e intenso, com predominância de notas vegetais e algum floral. Na boca sobressai fruta branca e tropical, destacando-se a frescura e elegância da prova, com um final suave e prolongado. Um vinho apetitoso de que apetece sempre beber mais um trago... ou mais um copo.
Não é dos mais baratos... mas a qualidade que apresenta justifica bem o que se paga por ele. Desde a colheita de 2005, que tínhamos provado em 2007, muita coisa mudou no panorama dos brancos nacionais e na nossa própria apreciação dos mesmos. Depois da rejeição anterior, este entrou directamente para a galeria das nossas escolhas, e passa a ser presença obrigatória na garrafeira. De preferência com várias garrafas...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em hipermercado: 10,09 €
Nota (0 a 10): 8,5
A Quinta das Carvalhas destina-se aos topos de gama, a Quinta dos Aciprestes à gama média e média-alta e a Quinta de Cidrô incide essencialmente nos vinhos monocasta. E é dentro destes que encontramos uma panóplia de produtos que têm surpreendido, desde as castas portuguesas mais clássicas às castas estrangeiras menos populares. Assim, tanto encontramos um tinto de Touriga Nacional como de Rufete ou Pinot Noir, e nos brancos tanto encontramos Arinto como Sauvignon Blanc, Sémillon ou Gerwürztraminer.
A prova que agora se refere teve como objecto o Sauvignon Blanc 2014, considerado pela empresa como uma das melhores colheitas desta casta, senão mesmo a melhor de sempre. Tive oportunidade de provar este vinho por mais de uma vez nos últimos meses, e as primeiras impressões confirmaram-se: trata-se dum branco de elevada estirpe, com excelente aroma frutado e intenso, com predominância de notas vegetais e algum floral. Na boca sobressai fruta branca e tropical, destacando-se a frescura e elegância da prova, com um final suave e prolongado. Um vinho apetitoso de que apetece sempre beber mais um trago... ou mais um copo.
Não é dos mais baratos... mas a qualidade que apresenta justifica bem o que se paga por ele. Desde a colheita de 2005, que tínhamos provado em 2007, muita coisa mudou no panorama dos brancos nacionais e na nossa própria apreciação dos mesmos. Depois da rejeição anterior, este entrou directamente para a galeria das nossas escolhas, e passa a ser presença obrigatória na garrafeira. De preferência com várias garrafas...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em hipermercado: 10,09 €
Nota (0 a 10): 8,5
quarta-feira, 19 de março de 2014
No Chafariz do Vinho - Prova de vinhos da Real Companhia Velha
Na passada semana tive a feliz oportunidade de receber um convite para estar presente no Chafariz do Vinho - Enoteca, propriedade de João Paulo Martins de que já aqui falámos algumas vezes, para uma prova alargada de vinhos da Real Companhia Velha, na qual esteve disponível um portefólio alargado composto por cerca de 30 vinhos, entre brancos, tintos, um rosé, um espumante e vinhos do Porto.
Entre enófilos, jornalistas e outros profissionais, enquanto se provava, conversava e se complementava a prova com alguns acepipes que estavam à disposição nas mesas, pude ir trocando impressões sobre os vinhos da empresa com dois dos representantes da casa: o director de enologia Jorge Moreira, cujo nome saltou para a ribalta pela sua produção em nome pessoal do famoso Poeira, e Pedro Silva Reis, director de marketing e filho do presidente da administração com o mesmo nome.
Correndo o risco de ter mais olhos que barriga, fui percorrendo os diversos brancos, a começar pelo espumante Séries, um lote de Pinot Noir e Chardonnay que não marcou muitos pontos entre os presentes, seguindo pelo branco Séries Arinto. Esta gama, como foi explicado, pretende funcionar como experiência para possíveis entradas de novas marcas na gama Quinta de Cidrô. Gostei do Arinto, mas parece que os homens fortes da casa não ficaram convencidos com ele... Depois passei pelos mais tradicionais e das gamas mais baixas, neste caso o Evel e o Porca de Murça Reserva, duas marcas com longa história na casa. O Evel fazendo jus à origem do seu nome (Leve escrito ao contrário), o Porca de Murça com alguma falta de aroma.
Seguiu-se então o périplo pelos monocasta da extensa gama da Quinta de Cidrô, até terminar no topo da casa, a mais recente marca produzida na Quinta de Carvalhas e chamado simplesmente Carvalhas. E começando já pelo fim, há que dizer que estamos perante um branco fantástico, de aromas finos e elegantes e simultaneamente estruturado, persistente, gastronómico, com muito ligeira tosta da madeira que lhe dá uma envolvência suave envolvência do conjunto. Claramente um branco de topo!
Percorrendo a gama Quinta de Cidrô, quase totalmente baseada em castas estrangeiras (a excepção é o Alvarinho), temos diversos perfis para diversos gostos, embora as diferenças, curiosamente, não sejam tão acentuadas como se poderia pensar. O que foge mais claramente ao perfil tendencialmente aromático, frutado, suave e pontuado por uma acidez vibrante da generalidade destes brancos é, precisamente, o Chardonnay. Sobre este vinho em particular tive uma troca de impressões mais demorada com os representantes da casa, devido à curiosidade que me movia após as longínquas impressões anteriores. Por um desses acasos em que a vida é fértil e que nos aparecem quando menos esperamos, no dia seguinte a esta prova pude degustar calmamente este vinho à refeição, e as poucas impressões colhidas na prova foram então “tiradas a limpo”, digamos assim, e confirmaram que está diferente do que era, embora continue a ser o vinho mais estruturado dentro da gama Quinta de Cidrô. Os restantes, são genericamente mais leves, aromáticos, frescos, recaindo a minha preferência no Alvarinho e no Sauvignon Blanc. Achei curioso o Sémillon, que precisa de uma prova mais demorada, enquanto o Gerwurztraminer me pareceu algo discreto de aromas.
Passei rapidamente pelo rosé, que já conhecia de outra ocasião e confirmou o que dele esperava, e passei ao piso de cima para provar os tintos, porque a tarde já ia longa e já muito se tinha provado, mas muito mais havia para provar.
De novo com a colecção da Quinta de Cidrô em destaque, uma referência particular para a suavidade do Pinot Noir e a estrutura do Cabernet Sauvignon. Interessante o Séries Rufete, expectáveis e sem surpresa os Evel e Porca de Murça, mas as estrelas foram sem dúvida as quatro novidades: o Evel Centenário, o Quinta dos Aciprestes Grande Reserva (o único representante desta marca presente) e, principalmente, o monocasta Carvalhas Tinta Francisca e o extraordinário Carvalhas Vinhas Velhas, para mim o vinho da noite. E foi o vinho da noite porque, após uma pequena passagem pelo colheita tardia Grandjó, retirei-me das lides: era altura de debandar e já não havia capacidade para fazer a prova dos Portos, pelo que deixei essa tarefa com os resistentes que conseguiram percorrer todo o portefólio...
Em jeito de balanço, pode dizer-se que a Real Companhia Velha está nova, de boa saúde e recomenda-se. Depois de muitos anos em que praticamente se limitava a comercializar vinhos do Porto mais o Evel, o Porca de Murça e o Grandjó, o aparecimento das marcas Quinta dos Aciprestes, Quinte de Cidrô e agora o lançamento do topo de gama Carvalhas vieram trazer um novo fôlego aos vinhos de mesa da casa, com mais notoriedade na gama de marcas que ocupam as prateleiras das superfícies comerciais e com uma vasta escolha à disposição do consumidor.
Parabéns aos administradores e enólogos da Real Companhia Velha pela imagem renovada da velha casa. Ficam também os agradecimentos à consultora em comunicação, e profissional de relações públicas, Joana Pratas, que tem tido a amabilidade de nos dirigir alguns convites que possibilitaram que estivéssemos presentes nalguns eventos para recordar.
Agora só nos resta ir provando o que for possível...
Kroniketas, enófilo esclarecido
sábado, 15 de março de 2014
No meu copo 370 - Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2012
Longe vão os tempos em que quase detestei este vinho. Na altura pelo que considerei boas razões, todas elas ainda válidas nas apreciações que faço dos brancos, tanto os baseados na casta Chardonnay como os fermentados em madeira...
Entretanto os tempos mudaram. Mudaram os vinhos brancos, mudou a minha matriz de apreciação após muitos tipos de brancos provados, mudaram as práticas vitícolas e enológicas. 7 anos depois e 8 colheitas depois, uma visita a um amigo permitiu-me voltar a encontrar-me com este Chardonnay da Quinta de Cidrô e, ao contrário dos meus maiores receios, fiquei bastante agradado com este vinho da colheita de 2012. Continua a ter os mesmos 14% de álcool, fermenta em madeira e repousa 6 meses sobre borras. Mas desta vez encontrei um vinho fresco, estruturado e persistente mas vivo e com boa acidez.
Sem resquícios das notas amanteigadas que tornam estes vinhos tão enjoativos (e que, vá lá saber-se porquê, alguns até parecem elogiar quando explicam como é o vinho...), não sendo um vinho fácil e mantendo um perfil com alguma robustez, já se consegue ter à mesa sem precisar de pratos pesados. Precisa, sim, de pratos com alguma estrutura e bem temperados, mas não excessivamente. A sua estrutura parece conferir-lhe uma boa capacidade de envelhecimento, e talvez daqui a uns anos se torne num vinho mais macio e suave.
Foi um reencontro feliz. Pelos vistos, mudou o vinho e mudei eu a forma de apreciá-lo. Gostei, e voltarei à carga.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2012 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço hipermercado: 7,69 €
Nota (0 a 10): 8,5
Nota: por uma feliz coincidência, a prova desta garrafa ocorreu no dia imediatamente a seguir a uma prova alargada de vinhos da Real Companhia Velha, realizada no Chafariz do Vinho, durante a qual tive oportunidade de conversar com Pedro Silva Reis (filho do administrador) e Jorge Moreira (enólogo) sobre as minhas muito antigas reservas acerca das impressões colhidas acerca deste vinho. Dessa prova, que contemplou cerca de 30 vinhos, falarei brevemente.
Entretanto os tempos mudaram. Mudaram os vinhos brancos, mudou a minha matriz de apreciação após muitos tipos de brancos provados, mudaram as práticas vitícolas e enológicas. 7 anos depois e 8 colheitas depois, uma visita a um amigo permitiu-me voltar a encontrar-me com este Chardonnay da Quinta de Cidrô e, ao contrário dos meus maiores receios, fiquei bastante agradado com este vinho da colheita de 2012. Continua a ter os mesmos 14% de álcool, fermenta em madeira e repousa 6 meses sobre borras. Mas desta vez encontrei um vinho fresco, estruturado e persistente mas vivo e com boa acidez.
Sem resquícios das notas amanteigadas que tornam estes vinhos tão enjoativos (e que, vá lá saber-se porquê, alguns até parecem elogiar quando explicam como é o vinho...), não sendo um vinho fácil e mantendo um perfil com alguma robustez, já se consegue ter à mesa sem precisar de pratos pesados. Precisa, sim, de pratos com alguma estrutura e bem temperados, mas não excessivamente. A sua estrutura parece conferir-lhe uma boa capacidade de envelhecimento, e talvez daqui a uns anos se torne num vinho mais macio e suave.
Foi um reencontro feliz. Pelos vistos, mudou o vinho e mudei eu a forma de apreciá-lo. Gostei, e voltarei à carga.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2012 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço hipermercado: 7,69 €
Nota (0 a 10): 8,5
Nota: por uma feliz coincidência, a prova desta garrafa ocorreu no dia imediatamente a seguir a uma prova alargada de vinhos da Real Companhia Velha, realizada no Chafariz do Vinho, durante a qual tive oportunidade de conversar com Pedro Silva Reis (filho do administrador) e Jorge Moreira (enólogo) sobre as minhas muito antigas reservas acerca das impressões colhidas acerca deste vinho. Dessa prova, que contemplou cerca de 30 vinhos, falarei brevemente.
domingo, 18 de agosto de 2013
No meu copo 332 - Quinta de Cidrô rosé 2011; Vallado, Touriga Nacional rosé 2011
Continuamos na senda dos rosés. A verdade é que, à semelhança dos brancos, também esta variedade tem vindo a melhorar claramente nos últimos anos, com cada vez mais produtores a incluírem pelo menos um rosé na sua gama de produtos. E de norte a sul eles vão aparecendo e afinando o estilo.
Felizmente, digo eu, a maioria opta pelo estilo daquilo que eu acho que deve ser um vinho rosado: leve, fresco, de preferência mais seco do que doce, moderadamente alcoólico, não demasiado estruturado, versátil de modo a poder acompanhar uma variedade alargada de pratos e petiscos, ou seja, tanto entra no campo dos tintos como dos brancos. Felizmente também, digo eu outra vez, parece dominar a tendência para escolher e tratar em conformidade na vinha as uvas que irão ser usadas para produzir um rosé, e vão perdendo terreno aqueles que são feitos de sangrias de cuba, em que se aproveita os restos das uvas que foram usadas para fazer tinto e donde saem os tais rosés que “gostariam de ser tintos quando forem grandes”...
Neste caso vamos falar de dois rosés do Douro, de duas casas cujo nome dispensa apresentações. Ambos feitos exclusivamente com Touriga Nacional, a casta considerada rainha nos tintos mas que, curiosamente, tem proporcionado alguns dos melhores rosés que já provei. E agora uma provocaçãozinha: e se, de repente, se descobrisse que a verdadeira vocação da Touriga Nacional era para fazer os melhores rosés, em vez dos melhores tintos???
Temos assim dois bons exemplares de vinho rosé por preços que valem o produto. O Quinta de Cidrô foi bebido na companhia de não particulares apreciadores do género mas recebeu bastantes elogios, o que só pode ser bom sinal. Muito equilibrado, aromático, com predominância a frutos vermelhos e algum floral, acidez no ponto certo. É um rosé de estrutura média, fresco, elegante, suave, persistente.
O Vallado, feito com a mesma casta, tem um perfil ligeiramente mais leve e mais aberto, com a cor um pouco menos carregada, a tender ligeiramente para o salmão. É proveniente de vinhas situadas na cota mais alta da quinta, permitindo assegurar frescura, acidez e um menor teor alcoólico. É suave, aberto e aromático, sobressaindo mais o floral que se impõe sobre os frutos silvestres.
Dizer de qual gostei mais é difícil, pois ambos me agradaram, cada um com o seu estilo próprio. São mais duas referências a fixar. Não deixe de experimentar um ou outro... ou ambos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro
Vinho: Quinta de Cidrô 2011 (R)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,69 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2011 (R)
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8
Felizmente, digo eu, a maioria opta pelo estilo daquilo que eu acho que deve ser um vinho rosado: leve, fresco, de preferência mais seco do que doce, moderadamente alcoólico, não demasiado estruturado, versátil de modo a poder acompanhar uma variedade alargada de pratos e petiscos, ou seja, tanto entra no campo dos tintos como dos brancos. Felizmente também, digo eu outra vez, parece dominar a tendência para escolher e tratar em conformidade na vinha as uvas que irão ser usadas para produzir um rosé, e vão perdendo terreno aqueles que são feitos de sangrias de cuba, em que se aproveita os restos das uvas que foram usadas para fazer tinto e donde saem os tais rosés que “gostariam de ser tintos quando forem grandes”...
Neste caso vamos falar de dois rosés do Douro, de duas casas cujo nome dispensa apresentações. Ambos feitos exclusivamente com Touriga Nacional, a casta considerada rainha nos tintos mas que, curiosamente, tem proporcionado alguns dos melhores rosés que já provei. E agora uma provocaçãozinha: e se, de repente, se descobrisse que a verdadeira vocação da Touriga Nacional era para fazer os melhores rosés, em vez dos melhores tintos???
Temos assim dois bons exemplares de vinho rosé por preços que valem o produto. O Quinta de Cidrô foi bebido na companhia de não particulares apreciadores do género mas recebeu bastantes elogios, o que só pode ser bom sinal. Muito equilibrado, aromático, com predominância a frutos vermelhos e algum floral, acidez no ponto certo. É um rosé de estrutura média, fresco, elegante, suave, persistente.
O Vallado, feito com a mesma casta, tem um perfil ligeiramente mais leve e mais aberto, com a cor um pouco menos carregada, a tender ligeiramente para o salmão. É proveniente de vinhas situadas na cota mais alta da quinta, permitindo assegurar frescura, acidez e um menor teor alcoólico. É suave, aberto e aromático, sobressaindo mais o floral que se impõe sobre os frutos silvestres.
Dizer de qual gostei mais é difícil, pois ambos me agradaram, cada um com o seu estilo próprio. São mais duas referências a fixar. Não deixe de experimentar um ou outro... ou ambos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro
Vinho: Quinta de Cidrô 2011 (R)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,69 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2011 (R)
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
No meu copo 293 - Casa Burmester Reserva 2007; Duas Quintas 2006; Quinta dos Aciprestes 2005; Quinta dos Quatro Ventos 2005
Um jantar entre amigos proporcionou a prova de quatro tintos do Douro da gama até aos 10 euros. A ordem de apresentação neste caso não é importante, pelo que seguem por ordem alfabética.
O curioso nesta prova é que se trata de vinhos com preços não muito distantes, os perfis não são semelhantes mas também não são completamente diferentes e apresentam um padrão de qualidade aproximado, pelo que a classificação atribuída, com mais ou menos uns pozinhos para cima ou para baixo, também acabou por ser igual. Até o grau alcoólico é igual.
Importa referir que estamos a falar de colheitas com 5, 6 e 7 anos – são vinhos que estiveram guardados algum tempo à espera de amaciar os taninos e integrar melhor todos os aromas com a madeira (todos eles passaram pela barrica), em suma, em vez dos habituais vinhos cheios de fruta e juventude tiveram tempo para amadurecer e apresentar-se já numa fase adulta.
O Casa Burmester Reserva 2007 tem cor ruby, estrutura média, primando sobretudo pela elegância e macieza. Frutado quanto baste e com taninos macios, é um vinho adequado para carnes delicadas e não demasiado temperadas. Tínhamos provado a colheita de 2005 que foi uma boa revelação e esta de 2007 confirmou-o. Estágio: 12 meses em barrica de carvalho francês.
O Duas Quintas 2006 é aquilo que se espera dele: bom corpo, alguma pujança, boa persistência, equilíbrio entre fruta, estrutura, taninos e frescura. Sempre uma aposta segura nos vinhos desta gama, mais vocacionado para pratos mais fortes em termos de tempero. Estágio: 20% do vinho durante 18 meses.
O Quinta dos Aciprestes 2005 prima sobretudo pelo paladar intenso a frutos vermelhos maduros com uma boa envolvência de estrutura e de taninos. Apropriado para pratos de carne com alguma complexidade de sabores e temperos. Estágio: 8 a 10 meses.
Finalmente o Quinta dos Quatro Ventos 2005. De cor granada e aroma a frutos maduros, apresenta boa estrutura e persistência, suave na boca e com os taninos presentes mas elegantes. Adequado para pratos de cozinha tradicional. Estágio: 12 meses.
Em resumo, quatro bons vinhos que consideramos merecedores do preço que custam e que vale a pena ter sempre em casa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro
Vinho: Casa Burmester Reserva 2007 (T)
Produtor: Casa Burmester - Sogevinus
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 9,98 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Duas Quintas 2006 (T)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta dos Aciprestes 2005 (T)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta dos Quatro Ventos 2005 (T)
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 9,78 €
Nota (0 a 10): 8
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
No meu copo 212 - Evel Grande Escolha 2003; Grantom 2001
Continuamos nos domínios da Real Companhia Velha, com mais dois tintos. Um é uma versão nova de um vinho antigo, o Evel; o outro, o Grantom, é um regional Trás-os-Montes.
Este Evel Grande Escolha, existente há menos de 10 anos e que pretende ser o topo de gama da casa, pôs-me algumas dúvidas quanto ao momento de consumo. Adquirido com a Revista de Vinhos em 2006, portanto ainda relativamente novo, decidi esperar algum tempo, seguindo aliás o conselho que a revista dava, mas a dúvida era sempre a mesma, uma vez que não conhecia o vinho: até quando?
A verdade é que quando eu e o tuguinho resolvemos abri-lo, com menos de 5 anos de idade, revelou-se algo decepcionante. Estávamos à espera dum vinho pujante e com alguma exuberância aromática, mas não foi nada disso que encontrámos. Apareceu com os aromas algo escondidos e muito redondo e linear na boca. É, aliás, uma situação algo recorrente em certos vinhos do Douro, possivelmente terá acontecido o mesmo com a prova do Quinta dos Aciprestes Reserva 2003, referido no post anterior, ou então já passou a melhor fase, o que é duvidoso dada a sua idade.
Como havia mais vinhos em prova acabou por ficar ainda uma boa parte na garrafa. A surpresa veio no dia seguinte, em que o vinho estava muito melhor. Aí sim, mostrou maior complexidade e maior persistência, com a fruta bem integrada na madeira. Dito isto, e voltando a comparar as minhas impressões com as provas de outros blogues (Saca-a-rolha, prova de Setembro de 2006 e Pingas no Copo, colheita de 2001 provada em Maio de 2006), fico com a sensação de que estou com azar no momento das provas ou nas garrafas que me calham. E tendo em conta que não fiz nenhuma das provas sozinho (o problema podia ser só meu), a sensação foi partilhada. Portanto, fico a pensar porque é que dois vinhos adquiridos com a Revista de Vinhos e bastante elogiados pelos comparsas eno-bloguistas me passaram mais ou menos ao lado. Será que os deveria ter provado mais cedo? Deveria tê-los decantado uma ou duas horas antes? Neste caso do Evel Grande Escolha 2003, tendo em conta que só passadas 24 horas é que o vinho se revelou, como prepará-lo para a prova sem saber o que ia encontrar? Sendo assim, a nota que atribuímos é sob reserva.
Já o Grantom 2001 mostrou logo o que era. Este sim, mais pujante, mais exuberante nos aromas e mais complexo, com boa estrutura na boca e final longo, taninos presentes a dar firmeza ao conjunto mas sem ofuscarem o perfil aromático e o equilíbrio da prova. Muito bom para o preço que custa e adequado para acompanhar pratos fortes de carne.
Dito isto, fica a pergunta: o que é que me está aqui a faltar para usufruir na plenitude do que supostamente seriam dois belos vinhos, tendo em conta que a temperatura de serviço, os copos e até os pratos servidos à refeição estavam adequados? Alguém quer dar um palpite? Será que faltou decantar uma hora ou duas antes? Mas como saber sem conhecer o vinho? O produtor não deveria dar essa indicação no contra-rótulo quando tal se justifica? São raríssimos (menos de 1%, diria eu) os casos em que isso acontece.
Kroniketas, enófilo desconfiado
Produtor: Real Companhia Velha
Vinho: Evel Grande Escolha 2003 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em feira de vinhos: 12,38 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Grantom 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8
Este Evel Grande Escolha, existente há menos de 10 anos e que pretende ser o topo de gama da casa, pôs-me algumas dúvidas quanto ao momento de consumo. Adquirido com a Revista de Vinhos em 2006, portanto ainda relativamente novo, decidi esperar algum tempo, seguindo aliás o conselho que a revista dava, mas a dúvida era sempre a mesma, uma vez que não conhecia o vinho: até quando?
A verdade é que quando eu e o tuguinho resolvemos abri-lo, com menos de 5 anos de idade, revelou-se algo decepcionante. Estávamos à espera dum vinho pujante e com alguma exuberância aromática, mas não foi nada disso que encontrámos. Apareceu com os aromas algo escondidos e muito redondo e linear na boca. É, aliás, uma situação algo recorrente em certos vinhos do Douro, possivelmente terá acontecido o mesmo com a prova do Quinta dos Aciprestes Reserva 2003, referido no post anterior, ou então já passou a melhor fase, o que é duvidoso dada a sua idade.
Como havia mais vinhos em prova acabou por ficar ainda uma boa parte na garrafa. A surpresa veio no dia seguinte, em que o vinho estava muito melhor. Aí sim, mostrou maior complexidade e maior persistência, com a fruta bem integrada na madeira. Dito isto, e voltando a comparar as minhas impressões com as provas de outros blogues (Saca-a-rolha, prova de Setembro de 2006 e Pingas no Copo, colheita de 2001 provada em Maio de 2006), fico com a sensação de que estou com azar no momento das provas ou nas garrafas que me calham. E tendo em conta que não fiz nenhuma das provas sozinho (o problema podia ser só meu), a sensação foi partilhada. Portanto, fico a pensar porque é que dois vinhos adquiridos com a Revista de Vinhos e bastante elogiados pelos comparsas eno-bloguistas me passaram mais ou menos ao lado. Será que os deveria ter provado mais cedo? Deveria tê-los decantado uma ou duas horas antes? Neste caso do Evel Grande Escolha 2003, tendo em conta que só passadas 24 horas é que o vinho se revelou, como prepará-lo para a prova sem saber o que ia encontrar? Sendo assim, a nota que atribuímos é sob reserva.
Já o Grantom 2001 mostrou logo o que era. Este sim, mais pujante, mais exuberante nos aromas e mais complexo, com boa estrutura na boca e final longo, taninos presentes a dar firmeza ao conjunto mas sem ofuscarem o perfil aromático e o equilíbrio da prova. Muito bom para o preço que custa e adequado para acompanhar pratos fortes de carne.
Dito isto, fica a pergunta: o que é que me está aqui a faltar para usufruir na plenitude do que supostamente seriam dois belos vinhos, tendo em conta que a temperatura de serviço, os copos e até os pratos servidos à refeição estavam adequados? Alguém quer dar um palpite? Será que faltou decantar uma hora ou duas antes? Mas como saber sem conhecer o vinho? O produtor não deveria dar essa indicação no contra-rótulo quando tal se justifica? São raríssimos (menos de 1%, diria eu) os casos em que isso acontece.
Kroniketas, enófilo desconfiado
Produtor: Real Companhia Velha
Vinho: Evel Grande Escolha 2003 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em feira de vinhos: 12,38 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Grantom 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8
sábado, 8 de novembro de 2008
No meu copo 211 - Quinta dos Aciprestes 2003; Quinta dos Aciprestes Reserva 2003
A Quinta dos Aciprestes é uma das várias quintas de que a Real Companhia Velha é proprietária no vale do Douro. Situada entre o Cima Corgo e o Alto Douro, na zona do Tua, com um total de 90 hectares de vinha, estende-se por mais de 2 km na margem esquerda do rio Douro. Fundada no século XVIII, a actual quinta resulta da junção de várias quintas da zona em 1860 (informação disponível no site oficial).
É de dois vinhos da Quinta dos Aciprestes que vamos falar. Às vezes temos destas surpresas. Dois vinhos do mesmo produtor, do mesmo ano, de diferentes patamares: um DOC normal e um Reserva. À partida espera-se que o Reserva seja melhor que o DOC. Mas eis que ao abrir a garrafa o resultado é diferente.
Desde que começámos a escrever neste blog já tivemos a oportunidade, por puro acaso, de provar 3 vezes o Quinta dos Aciprestes de 2003. A última estava guardada em casa e curiosamente apareceu muito melhor que as anteriores. O tempo em garrafa fez-lhe bem e mostrou-se muito mais exuberante em termos de aromas e estrutura. Antes tinha uma predominância a frutos vermelhos maduros mas ainda algo fechado, como tínhamos referido na última prova. Agora apresentou-se mais cheio, mais persistente, ainda pujante mas com taninos mais arredondados, tendo desaparecido uma certa adstringência que estava presente e surgido uma envolvência mais harmoniosa em todo o conjunto.
Revendo essa prova de Junho 2006, na altura escrevi que deveria melhorar após estar uns 3 ou 4 anos na garrafeira. Esperei dois anos e melhorou muito, mas fico sem saber como seria daqui a mais 1 ou 2 anos. De qualquer modo, pelo que mostrou agora pareceu estar já num ponto alto da evolução e na altura óptima para ser bebido, pelo que mais tempo poderia já trazer algum declínio, mas isso já é uma incógnita. Em suma, uma aposta muito segura que obviamente merece estar na lista das escolhas permanentes. Ao bebê-lo pensei para comigo: se este está assim, como estará o Reserva?
Mas o Reserva acabou por ficar aquém do esperado. Ou por ainda não ter atingido o tal ponto óptimo de evolução e precisar de mais tempo em garrafa, ou porque já o passou e não dá mais: aromas discretos, estrutura mediana na boca e final pouco pronunciado. Bom, mas sem encantar e sem justificar claramente o seu estatuto superior.
Comparando as minhas impressões com as do Pingas no Copo e do Elixir de Baco (provas de 2006) e do Copo de 3 (prova de Novembro de 2007) fico com a sensação de que se o tivesse bebido logo quando o comprei com a Revista de Vinhos, em Maio de 2006, poderia ter ficado com melhor impressão. Mas quem iria adivinhar que um DOC melhorava mais que um Reserva? É a vida.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Vinho: Quinta dos Aciprestes 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta dos Aciprestes Reserva 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
Foto da garrafa do vinho Colheita obtida no site do produtor
É de dois vinhos da Quinta dos Aciprestes que vamos falar. Às vezes temos destas surpresas. Dois vinhos do mesmo produtor, do mesmo ano, de diferentes patamares: um DOC normal e um Reserva. À partida espera-se que o Reserva seja melhor que o DOC. Mas eis que ao abrir a garrafa o resultado é diferente.
Desde que começámos a escrever neste blog já tivemos a oportunidade, por puro acaso, de provar 3 vezes o Quinta dos Aciprestes de 2003. A última estava guardada em casa e curiosamente apareceu muito melhor que as anteriores. O tempo em garrafa fez-lhe bem e mostrou-se muito mais exuberante em termos de aromas e estrutura. Antes tinha uma predominância a frutos vermelhos maduros mas ainda algo fechado, como tínhamos referido na última prova. Agora apresentou-se mais cheio, mais persistente, ainda pujante mas com taninos mais arredondados, tendo desaparecido uma certa adstringência que estava presente e surgido uma envolvência mais harmoniosa em todo o conjunto.
Revendo essa prova de Junho 2006, na altura escrevi que deveria melhorar após estar uns 3 ou 4 anos na garrafeira. Esperei dois anos e melhorou muito, mas fico sem saber como seria daqui a mais 1 ou 2 anos. De qualquer modo, pelo que mostrou agora pareceu estar já num ponto alto da evolução e na altura óptima para ser bebido, pelo que mais tempo poderia já trazer algum declínio, mas isso já é uma incógnita. Em suma, uma aposta muito segura que obviamente merece estar na lista das escolhas permanentes. Ao bebê-lo pensei para comigo: se este está assim, como estará o Reserva?
Mas o Reserva acabou por ficar aquém do esperado. Ou por ainda não ter atingido o tal ponto óptimo de evolução e precisar de mais tempo em garrafa, ou porque já o passou e não dá mais: aromas discretos, estrutura mediana na boca e final pouco pronunciado. Bom, mas sem encantar e sem justificar claramente o seu estatuto superior.
Comparando as minhas impressões com as do Pingas no Copo e do Elixir de Baco (provas de 2006) e do Copo de 3 (prova de Novembro de 2007) fico com a sensação de que se o tivesse bebido logo quando o comprei com a Revista de Vinhos, em Maio de 2006, poderia ter ficado com melhor impressão. Mas quem iria adivinhar que um DOC melhorava mais que um Reserva? É a vida.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Vinho: Quinta dos Aciprestes 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta dos Aciprestes Reserva 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
Foto da garrafa do vinho Colheita obtida no site do produtor
sexta-feira, 6 de julho de 2007
No meu copo 127 - Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005
Depois do branco Chardonnay, que não agradou, tentei o Sauvignon Blanc. Na verdade, agradou pouco mais. Volto à mesma questão já aqui levantada: a estes brancos portugueses de castas estrangeiras falta frescura, elegância, vivacidade, em suma, finesse.
Embora mais fresco que o Chardonnay, apresentou-se também um pouco rústico, com aromas pouco exuberantes. Tentei apreciá-lo com vários pratos em diferentes dias, mas o resultado foi o mesmo. Não me convenceu. Definitivamente, tenho de procurar outros brancos de castas nacionais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 6,5
Embora mais fresco que o Chardonnay, apresentou-se também um pouco rústico, com aromas pouco exuberantes. Tentei apreciá-lo com vários pratos em diferentes dias, mas o resultado foi o mesmo. Não me convenceu. Definitivamente, tenho de procurar outros brancos de castas nacionais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 6,5
terça-feira, 3 de julho de 2007
No meu copo 126 - Porca de Murça Reserva branco 2005
Já conheço esta marca há muitos anos, praticamente desde que comecei a interessar-me por estas coisas e ainda não sabia quase nada. O Porca de Murça branco foi desde logo um dos meus preferidos. Com o passar dos anos fui conhecendo outras marcas e esquecendo este, mas mantive sempre a lembrança de ser um branco agradável.
Os Reserva nem existiam. Agora já existem. E este branco Reserva não me convenceu. Pouco apelativo, pouco aromático, um pouco rústico, que é coisa que eu não suporto num vinho branco. Falta-lhe elegância. Muito álcool mas pouco suportado pelo corpo e pela acidez. Parafraseando o nosso amigo Pingus Vinicus, quis falar com o vinho mas ele não me disse nada. E eu fiquei sem saber que mais lhe dizer.
Acho que na próxima ocasião vou tentar rever o branco normal, que era o tal de que eu gostava, para ver se ainda gosto. Se calhar, com menos pretensões, as memórias que guardei de há 15 ou 20 anos ainda lá estão.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porca de Murça Reserva 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Boal, Cerceal, Codega, Gouveio
Preço em feira de vinhos: 3,58 €
Nota (0 a 10): 5,5
Os Reserva nem existiam. Agora já existem. E este branco Reserva não me convenceu. Pouco apelativo, pouco aromático, um pouco rústico, que é coisa que eu não suporto num vinho branco. Falta-lhe elegância. Muito álcool mas pouco suportado pelo corpo e pela acidez. Parafraseando o nosso amigo Pingus Vinicus, quis falar com o vinho mas ele não me disse nada. E eu fiquei sem saber que mais lhe dizer.
Acho que na próxima ocasião vou tentar rever o branco normal, que era o tal de que eu gostava, para ver se ainda gosto. Se calhar, com menos pretensões, as memórias que guardei de há 15 ou 20 anos ainda lá estão.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Porca de Murça Reserva 2005 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Boal, Cerceal, Codega, Gouveio
Preço em feira de vinhos: 3,58 €
Nota (0 a 10): 5,5
quarta-feira, 1 de novembro de 2006
No meu copo 64 - Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2004
Já há bastante tempo que não bebia um vinho exclusivamente da casta Chardonnay. Este Quinta de Cidrô foi uma das promoções que acompanham a Revista de Vinhos, a 5,95 €.
Trata-se dum vinho fermentado em madeira, com 14% de álcool. Apresenta uma cor palha, um pouco carregada, e aromas amanteigados. Na boca o elevado grau alcoólico torna-se um pouco agressivo, ao mesmo tempo que a madeira o torna mais robusto do que é habitual nos vinhos brancos. O toque amanteigado faz-se também sentir na boca, formando um conjunto que se torna enjoativo para o meu paladar.
Só na segunda prova, com um prato de bacalhau no forno regado com azeite, é que o vinho se mostrou adequado para o prato. Trata-se, efectivamente, de um daqueles brancos que pedem um prato forte, como o bacalhau ou um pargo no forno, com uma boa dose de temperos, pois com pratos mais delicados o vinho sobressai em demasia, abafando os sabores do prato.
Em todo o caso, o conjunto não me encantou. Não é o meu género de branco, porque, seguindo a moda actual, tem álcool em excesso, a meu ver desnecessariamente. 14 graus de álcool para um branco parece-me francamente exagerado. Gosto de brancos mais suaves e delicados, necessariamente com menor grau alcoólico. No entanto, esta característica poderá ser compensada com o prato. O que menos me agradou, definitivamente, foi esta predominância da manteiga, típica do Chardonnay, de que já não me recordava e que é um dos aromas que não me agradam num vinho. Por isso estarei atento para evitar os vinhos desta casta vinificada isoladamente.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2004 (B)
Região: Trás-os-Montes (regional)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 4,68 €
Nota (0 a 10): 6
Trata-se dum vinho fermentado em madeira, com 14% de álcool. Apresenta uma cor palha, um pouco carregada, e aromas amanteigados. Na boca o elevado grau alcoólico torna-se um pouco agressivo, ao mesmo tempo que a madeira o torna mais robusto do que é habitual nos vinhos brancos. O toque amanteigado faz-se também sentir na boca, formando um conjunto que se torna enjoativo para o meu paladar.
Só na segunda prova, com um prato de bacalhau no forno regado com azeite, é que o vinho se mostrou adequado para o prato. Trata-se, efectivamente, de um daqueles brancos que pedem um prato forte, como o bacalhau ou um pargo no forno, com uma boa dose de temperos, pois com pratos mais delicados o vinho sobressai em demasia, abafando os sabores do prato.
Em todo o caso, o conjunto não me encantou. Não é o meu género de branco, porque, seguindo a moda actual, tem álcool em excesso, a meu ver desnecessariamente. 14 graus de álcool para um branco parece-me francamente exagerado. Gosto de brancos mais suaves e delicados, necessariamente com menor grau alcoólico. No entanto, esta característica poderá ser compensada com o prato. O que menos me agradou, definitivamente, foi esta predominância da manteiga, típica do Chardonnay, de que já não me recordava e que é um dos aromas que não me agradam num vinho. Por isso estarei atento para evitar os vinhos desta casta vinificada isoladamente.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2004 (B)
Região: Trás-os-Montes (regional)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 4,68 €
Nota (0 a 10): 6
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