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domingo, 16 de agosto de 2015

No meu copo 470 - Tintos do Algarve

Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011; Quinta da Penina Reserva 2010; Lagos 2012; Lagoa Estagiado 2012




O Algarve é uma região vinícola em ascensão. Pouco a pouco, vão sendo dados a conhecer os vinhos produzidos na região mais a sul do país, a zona turística de Portugal por excelência. A produção é pequena, e quase invisível fora da região, mas o número de produtores aumenta a cada passo, enquanto alguns alargam o seu portefólio e diversificam as marcas que disponibilizam no mercado, como é o caso dos dois mencionados neste post, sendo que a agora denominada Única - Adega Cooperativa do Algarve é a sucessora da Adega Cooperativa de Lagoa, e alargou já a sua área de actuação às sub-regiões de Lagos e Portimão.

Assim sendo, tenho aproveitado as férias algarvias de Verão para comprar alguns vinhos, que só se encontram por lá, e mesmo assim só em certas lojas.

No caso dos tintos, a qualidade não me tem convencido grandemente. São geralmente adocicados, pouco estruturados e pouco frescos, tornando-se algo chatos e enjoativos. Os que tenho provado ficam-se, normalmente, pela mediania.

Os quatro vinhos cuja prova se descreve confirmaram um pouco esse panorama.

O Foral de Portimão Colheita Seleccionada, com um grau alcoólico elevado e um lote de castas prometedor, apresentou-se aberto e suave, e ao mesmo tempo pouco estruturado, delgado na boca e com final curto. Tudo somado, um vinho mediano.

Já o Quinta da Penina Reserva, do mesmo produtor, apresentou-se com boa estrutura e persistência, aroma intenso e frutado quanto baste. É vinho capaz de se alcandorar a voos um pouco mais ambiciosos.

O vinho de Lagos – quase uma raridade desde há décadas – foi o mais discreto de aroma e menos exuberante no nariz e na boca. Não deixa grandes memórias.

Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa.Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa. Encorpado, com alguma estrutura, robustez e complexidade, persistente e com aroma a frutos vermelhos, mostrou-se um vinho com alguma personalidade e capaz de acompanhar pratos fortes de carne.

No conjunto, estes vinhos não apresentam uma grande robustez nem complexidade de aromas, nalguns casos tendem mais para o delgado e com final de boca algo curto, mas com alguma sorte consegue-se sempre encontrar alguns exemplares mais interessantes. Nestas provas os mais interessantes foram o Quinta da Penina Reserva e o Lagoa Estagiado. Em conjunto são tendencialmente medianos.


Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 6,19 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Penina Reserva 2010 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet, Petit Verdot
Preço em hipermercado: 7,09 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Lagos 2012 (T)
Região: Algarve (Lagos)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 4,89 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Lagoa Estagiado 2012 (T)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 2,14 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

No meu copo 404 - Tapada da Torre 2007

Para finalizar esta pequena passagem pelos vinhos algarvios, um tinto da zona de Alvor, proveniente do mesmo produtor que o Alvor Singular, que já aqui provámos mais de uma vez.

Esta garrafa foi adquirida pelo Politikos há uns anos, precisamente numa garrafeira de Alvor. Ficou à espera de oportunidade para ser bebida, mas esta foi passando, até que decidimos que era hora de abri-la. E surpreendeu pela positiva.

Dos vinhos algarvios que tenho vindo a provar, normalmente os brancos agradam mais que os tintos, pois apresentam uma frescura e uma acidez agradáveis, enquanto alguns tintos se mostram algo doces, tornando-se enjoativos. Não foi o caso deste. Nem a passagem do tempo de lhe fez mossa, pelo contrário.

Apresentou-se com boa cor, rubi algo carregado, de boa saúde no nariz, com aroma intenso a frutos vermelhos, algum floral e um ligeiro toque a especiarias, com um conjunto muito vivo na boca. Foi estagiado em meias-pipas de carvalho, apresentando-se bem estruturado e com boa persistência.

Agradou à totalidade dos provadores, pelo que não nos importaremos de repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tapada da Torre 2007 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta do Morgado da Torre
Grau alcoólico: 13,6%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

No meu copo, na minha mesa 335 - Alvor Singular branco 2012; Cabrita branco 2012; Restaurante Do Cais - Clube Naval de Portimão

    

É já uma tradição com uma boa meia-dúzia de anos (e já aqui a relatámos por duas ocasiões: em 2007 e 2008). Aproveitando o facto de metade do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos” passar férias no Algarve em Agosto, ocupando uma faixa que vai desde Alvor (o Politikos) a Armação de Pêra (o Caçador e o Pirata), com passagem por Portimão (este escriba), surgiu a ideia de aproveitar a ocasião para nos encontrarmos para um repasto num restaurante. Desta vez sem necessidade de compras, arrefecimento de garrafas, transporte de copos de boca larga, frappés, decanters, ingredientes, sobremesas, e tutti quanti que envolve os repastos caseiros, bem comidos e melhor regados… O que interessa mesmo, neste caso, é desfrutar das cálidas noites do Verão algarvio (e como foi magnífico este Agosto, como há muito não se via, sempre com a temperatura da água acima dos 23 graus em toda a costa para leste de Lagos... isto no ano que os americanos diziam que ia ser o pior Verão desde que há registos…), e se possível juntando o útil ao agradável, aproveitando uma esplanada junto ao mar ou ao rio.

Pois foi isso que encontrámos em 2012, e agradou de tal forma que este ano logo o Pirata me informou que estava antecipadamente votado regressarmos ao local. E que local é este, afinal?

Trata-se do restaurante do Clube Naval de Portimão, situado na zona ribeirinha da cidade, no extremo oposto à ponte velha e aos restaurantes da sardinha assada. No primeiro andar podemos desfrutar duma vista panorâmica sobre o rio Arade numa extensão prolongada entre a ponte e a foz, pois para além da sala interior existe uma esplanada que fica mesmo em cima do rio. Em noites quentes como as que se tivemos este ano, pode-se ficar por ali em amena cavaqueira até o restaurante fechar. Foi o que aconteceu, fomos os últimos a sair, já para lá da meia-noite e com a equipa do restaurante a arrumar as mesas e as cadeiras da sala...

Para além da situação geográfica privilegiada, o restaurante por si só também justifica uma visita, pois apresenta uma qualidade muito apreciável, permitindo reconciliarmo-nos com as refeições fora de casa em tempo de férias, pois foge ao caos que impera em grande parte dos locais similares nesta época do ano. Precisamos é de nos forrar com alguma paciência, pois para não fugir à regra o serviço é algo demorado. No entanto, podemos compensar a espera com a degustação sucessiva de várias tacinhas de um delicioso paté de peixe (com alho, pimento e sei lá que mais), que se vai barrando num excelente pão até ser preciso pedir mais. Mais pão e mais paté.

A ementa é vasta e variada, sendo preferencial a escolha dos pratos de peixe, apesar de nela também constarem alguns apetitosos bifes. No entanto temos quase sempre optado pelos arrozes, massadas ou cataplanas. Já tinha experimentado noutra ocasião e voltei a escolher uma cataplana de lombinhos de porco com amêijoas que partilhei com o Caçador. Excelente no tempero, bem carregada de tomate como se impõe e com o molho bem apurado, é um prato que merece ser revisitado e pede meças às outras cataplanas exclusivamente de peixe. Também vieram umas espetadas de tamboril com gambas e uma massada de peixe. Ninguém se queixou, nem da quantidade nem da qualidade, e no fim o Politikos ainda fez questão de nos dar a provar o resto da massada de peixe.

Nos vinhos, como também vem sendo hábito nestas ocasiões, optámos unicamente pelos da região: do Algarve e, se possível, de Portimão. Um já nosso conhecido, o Alvor Singular, voltou a mostrar-se à altura dos acontecimentos. Bebe-se com prazer, é fresco, leve sem ser deslavado e tem uma boa acidez. Vem uma garrafa, outra e outra, até que se acaba por querer experimentar outro vinho. Optamos, então, por um Cabrita (produzido no Sítio da Vala, perto de Silves), mais estruturado e encorpado, mais persistente mas também mais rústico e menos elegante, e que talvez por isso mesmo desagradou às senhoras. Garrafa esgotada, e voltámos ao Alvor Singular até ao fim da refeição.

Nas sobremesas, e apesar de algumas de pendor mais regional, não há grande história para contar: são as que há em todo o lado, como o universal “doce da casa” ou a mousse de chocolate.

Quanto ao espaço em si, vale a pena lá voltar. Descontadas as já esperadas deficiências desta época (embora sem chegarmos ao ponto de exasperar pela demora), a qualidade é boa, o atendimento simpático, atencioso e permite estabelecer algumas conversas com o pessoal que vai rodando pelas mesas, e no final toda a gente sai satisfeita. O preço, não sendo propriamente barato (quem procurar gastar pouco deve escolher outro local), também não queima em demasia, e quando assim é não há grandes razões de queixa. Recomenda-se, portanto, a quem estiver disposto a passar um bom serão sem se preocupar em demasia com o valor da conta...

No fim de tudo isto, um passeio de ida e volta em passo lento até ao outro extremo da zona ribeirinha, com a conversa a prolongar-se até às 2 e meia da manhã. E por ali teríamos ido ficando não fosse o adiantado da hora. Regresso a casa, que para o ano há mais, e os próximos repastos voltarão ao registo caseiro na zona da Capital. Como aquele outro que tinha antecedido este, e que também já é tradicional: o repasto de fim de época antes das férias...

Kroniketas, enófilo regressado de terras algarvias

Restaurante: Do Cais
Clube Naval de Portimão
Zona Ribeirinha, Doca de Recreio
8500-503 Portimão
Tel: 282.432.325
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Alvor Singular 2012
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta do Morgado da Torre
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Cabrita 2012 (B)
Região: Algarve
Produtor: José Manuel Cabrita - Quinta da Vinha
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço no restaurante: 11 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

No meu copo, na minha mesa 204 - Alvor Singular branco 2007; Quinta do Barranco Longo Grande Escolha branco 2007; Restaurante A Ribeira (Alvor)



O grupo gastrónomo-etilista “Os comensais dionisíacos” teve o jantar de fim de época no Tó do Marisco, em Julho, o jantar de férias em Agosto e o jantar da rentrée em Setembro.

No jantar de Agosto juntaram-se os que estavam de férias no Algarve. Faltaram o tuguinho e o Mancha. Serviu de anfitrião o Politikos em Alvor, onde abancámos, com filhos e tudo (tarde e a más horas, já passava das 10 da noite) no restaurante A Ribeira, junto à ribeira de Alvor e lado-a-lado com o muito citado nos guias Àbabuja.

Dado o adiantado da hora começámos por entreter-nos com umas entradas e umas travessas de amêijoas. Entretanto o dono lá veio mostrar-nos umas postas de peixe enormes, que davam para umas 8 pessoas, e quase todos optaram pelo robalo e a dourada na brasa. Eu e o Politikos resolvemos partilhar uma cataplana de marisco enquanto os mais novos optavam pelo arroz de marisco. Delicioso, por sinal, e em abundância, que ainda deu para provar umas colheradas. A cataplana estava boa mas a do ano passado, em Armação de Pêra, estava melhor, mais apurada.

Para acompanhar os peixes, depois de darmos uma olhadela à carta de vinhos, escolhemos o vinho da terra: um branco de nome Alvor Singular, da Quinta do Morgado da Torre, cuja vinha está ali a 5 quilómetros, junto ao hotel da Penina e entre a estrada nacional 125, o desvio para Alcalar e a A22. Há mais de 10 anos que não bebia um vinho do Algarve e aproveitei para conhecer uma das novas produções que têm aparecido. A verdade é que este Alvor de 2007 foi uma agradável surpresa. Suave, aromático, moderadamente alcoólico, como felizmente se está outra vez a tornar hábito, acompanhou na perfeição os diversos pratos de peixe e marisco que foram chegando à mesa.

A certa altura o dono sugeriu-nos que provássemos outro produto da região, o branco da Quinta do Barranco Longo, ao pé de Algoz. Este não se portou mal mas mostrou aquelas características que não aprecio particularmente nos brancos: muito álcool (14,5%), fermentado em madeira e o inevitável Chardonnay tornam-no algo áspero para o meu gosto. Claro que um vinho com esta estrutura na boca se aguenta bem neste tipo de refeição, mas depois de acabada esta garrafa… voltámos ao Alvor para encerrar o repasto.

Quase pela meia noite lá abandonámos o restaurante, quando já só os donos e empregados ceavam a uma mesa do canto. No balanço da noite foi uma bela refeição, com as condicionantes próprias da época no Algarve, mas em que apesar do muito movimento e do restaurante cheio fomos alvo de todas as atenções e não se pode apontar nada ao serviço prestado. Grande simpatia e prontidão a responder aos pedidos, recomenda-se preferencialmente em época mais calma.

Kroniketas (enófilo refrescado) mais os outros bandalhos todos e os bandalhos que não estiveram lá e deviam ter estado

Vinho: Alvor Singular 2007 (B)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta do Morgado da Torre
Grau alcoólico: 12%
Preço em garrafeira: 4,19 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta do Barranco Longo Grande Escolha 2007 (B)
Região: Algarve
Produtor: Rui Virgínia
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Chardonnay
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 6,5

Restaurante: A Ribeira
Ribeira de Alvor
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5