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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Na Wine Company 1 - Dão Sul

  
 

Na semana imediatamente seguinte ao evento Dãowinelover Masterclass, na Quinta de Cabriz, decorreu uma prova de vinhos na garrafeira The Wine Company, em Lisboa, com vinhos da Dão Sul em que estiveram presentes os vinhos da região dos Vinhos Verdes (Quinta de Lourosa, situada em Lousada, perto de Penafiel) e do Alentejo (Monte da Cal). Aproveitando a embalagem do evento anterior, desloquei-me a Benfica para conhecer os vinhos verdes da empresa e retomar contacto com os alentejanos.

(À mesma hora decorria uma prova da Quinta da Bica na garrafeira Wines 9297, em Telheiras, mas não se pode ir a todas... Entretanto já consegui passar por lá para conhecer o espaço, falar com os donos, provar um Quinta do Corujão, dos mesmos autores do M.O.B. e ainda comprar um Casal da Azenha, de Colares. Outras oportunidades hão-de surgir para ir a outras provas, certamente).

Tive a oportunidade de reencontrar o director de enologia, Osvaldo Amado, que se fez acompanhar de duas colaboradoras da área do marketing e da enologia da Quinta da Lourosa.

Relativamente aos vinhos verdes, pudemos provar um de lote com Loureiro e Arinto, de entrada de gama. Para mim foi a revelação da prova, pois não o conhecia e encontrei um vinho com grande frescura, de aroma citrino exuberante, leve e fácil de beber mas muito agradável na prova de boca. Por menos de 5 €, temos aqui uma excelente relação qualidade/preço, que pretende concorrer com os campeões de vendas deste segmento.

Provámos depois um Alvarinho que, por não ser produzido nas sub-regiões de Monção ou Melgaço, não tem direito a denominação de origem como Vinho Verde mas como Regional Minho. Apresenta um corpo macio e aroma discreto a frutos tropicais, embora seja algo curto no fim de boca.

Passando aos vinhos do Alentejo, começámos pelo branco Vinha de Saturno 2010, que já foi elaborado apenas a partir de Alvarinho mas que agora apenas contém 50% desta casta, integrando também Arinto e Antão Vaz. É um branco poderoso, com um toque de madeira discreta (como Osvaldo Amado faz sempre questão de salientar, a madeira usada é sempre de tosta ligeira, para não marcar demasiado os vinhos), muito encorpado e longo, que pede acompanhamento adequado à mesa.

No caso dos tintos, provámos o Monte da Cal colheita 2010, o Monte da Cal Syrah 2009, o Monte da Cal Reserva 2009 e o Vinha de Saturno 2009.

O colheita é um vinho fácil e mediano; o Syrah mostra aquele perfil adocicado que tenho encontrado nos Syrah alentejanos, que faz com que por vezes se pareçam mais com um xarope do que com um vinho, que não me agrada particularmente; o Reserva (lote de Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Syrah) apresenta outra estrutura e maior persistência, sendo o Vinha de Saturno o grande vinho da casa, como já pudemos constatar noutras ocasiões. É composto por 40% de Touriga Nacional, 30% de Petit Verdot, 15% de Baga e de Trincadeira. Estagia 18 meses em barricas de carvalho francês e apresenta uma enorme persistência, um corpo robusto e aroma vinoso intenso, precisando de muito arejamento para mostrar tudo o que tem.

Foi uma boa jornada de prova, que complementou muito bem a prova de vinhos do Dão que da semana anterior. Mais uma vez pudemos apreciar um conjunto de bons vinhos da Dão Sul, que continua a fazer um caminho seguro e de sucesso. Assim continue.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 4 de junho de 2013

No meu copo 320 - Quinta da Terrugem 2006; Vinha de Saturno 2006; Casal de Santa Maria Colheita Tardia 2010

Em mais um encontro dos Comensais Dionisíacos na casa de Mestre Mancha, acompanhando umas gravatinhas e umas costeletas grelhadas, abrimos dois néctares de alto gabarito, um deles já nosso conhecido de tempos recentes, o Vinha de Saturno.

Abertas as garrafas e verificado o estado de cada um dos vinhos, começámos pelo Quinta da Terrugem, mais suave e delicado. Apresentou-se com boa estrutura, bem encorpado, ligeira evolução na cor, macio na boca e com boa persistência. Um vinho caracterizado acima de tudo pela delicadeza e elegância, próprio para pratos requintados.

Já o Vinha de Saturno, provado pela primeira vez num jantar no restaurante Jacinto, já aqui relatado, transporta-nos para outra galáxia. É um daqueles vinhos que conseguem ultrapassar o limiar da excelência e que, quando os bebemos, nos sabem como néctares dos deuses. Obrigatório decantar para não deixar toda a panóplia de aromas presos na garrafa, porque o primeiro ataque, tanto no nariz como na boca, é algo fechado e austero. Concentrado na cor, com grande corpo, grande estrutura, grande persistência, taninos em evidência mas bem integrados no conjunto marcado por alguma especiaria e notas evidentes da madeira (estágio de 12 meses), é um daqueles vinhos que nunca mais acabam na boca e que duram toda a noite, e só ao fim de algum tempo libertam todo o seu esplendor. Notável, de facto!

Para terminar, e a acompanhar a sobremesa, uma garrafa de Colheita Tardia adquirido na Wine O’Clock aquando da prova dos vinhos do Casal de Santa Maria. Este vinho foi mostrado nessa prova e agradou-nos bastante, pelo que tratámos de levar uma garrafa. Muita frescura, algumas notas meladas e compotadas, com uma consistência quase a lembrar xarope mas sem aquela sensação de podridão que por vezes marca estes vinhos, bebe-se com muito agrado. Valerá a pena repetir, embora o preço, para o tamanho da garrafa, não seja dos mais apelativos... No entanto, a nível de colheitas tardias é sem dúvida uma opção a considerar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Terrugem 2006 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço: 11,24 € (comprado em 2010)
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vinha de Saturno 2006 (T)
Região: Alentejo (Fronteira - Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Baga
Preço: 33,60 € (comprado em 2009)
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Casal de Santa Maria, Colheita Tardia 2010 (B) (garrafa de 375 ml)
Região: Lisboa (Colares)
Produtor: Adraga Explorações Vitivinícolas
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Petit Maseng
Preço: 12,32 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 19 de março de 2013

No meu copo, na minha mesa 306 - Jantar Dão Sul no restaurante Jacinto

Encontro espumante bruto 2006; Vinha de Saturno branco 2009;
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco 2009; Four C tinto 2007;
Vinha de Saturno tinto 2007; Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007


   
  
  
 

A visita ao Rubro para um jantar com vinhos da Quinta do Encontro, relatada no post anterior, reavivou-nos as memórias dum outro jantar ocorrido em Dezembro de 2010, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino.

Esteve presente o enólogo Carlos Lucas, que à data estava à frente da enologia da empresa, que nos recebeu com a apresentação do já citado espumante Encontro Bruto, e que já nessa ocasião nos agradou sobremaneira. Para além do espumante tivemos aí, também, o primeiro contacto com alguns vinhos de topo da empresa, como o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco, o Four C tinto, o Vinha de Saturno, branco e tinto, e para finalizar um Porto Vintage Quinta das Tecedeiras. Fica aqui o registo para a posteridade e as fotos a assinalar o evento.

Socorrendo-nos do registo no site da garrafeira, dos nossos apontamentos da altura e dos registos fotográficos, recordamos como decorreu a função.

  • Entradas: Os Jacintinhos (pastelinhos de bacalhau, rissóis de camarão, croquetes de carne, chamuças)
  • Vinho: Encontro espumante bruto 2006 (B) Região: Bairrada Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes Grau alcoólico: 12% Nota (0 a 10): 8 Bolha fina, aroma delicado, medianamente encorpado, fresco, suave e apelativo.
  • Prato: Portobelos recheados com queijo de cabra, rúcula e pesto
  • Vinho: Vinha de Saturno 2009 (B) Região: Alentejo Casta: Alvarinho Grau alcoólico: 13,5% Nota (0 a 10): 8,5 Um branco alentejano surpreendente, feito apenas da casta Alvarinho e fermentado em madeira mas sem marcar minimamente o perfil do vinho. Robusto, bem estruturado mas com a acidez e frescura do Alvarinho a dar uma ligação perfeita com o prato.
  • Prato: Tacos de bacalhau confitado em cama de espinafres e pasta de azeitonas
  • Vinho: Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 (B) Região: Dão Castas: Encruzado, Bical, Cerceal Grau alcoólico: 14% Nota (0 a 10): 8,5 Encorpado, final mais pesado mas elegante, excelente acidez e profundidade. Fermentado em madeira com micro-oxigenação, resultando em ligeira tosta no final. Um branco clássico.
  • Prato: Bochechas de novilho estufadas em vinho tinto com chalotas e batata gratinada
  • Vinho: Vinha de Saturno 2007 (T) Região: Alentejo Casta: Baga Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 9 Discreto no início mas abrindo-se num perfil robusto, poderoso, com grande estrutura na boca e final longo. Um corredor de fundo. Vinho: Four C 2007 (T) Região: Dão Castas: Baga, Touriga Nacional, Tinto Cão, Trincadeira Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 8,5 Aroma de ataque exuberante e profundo, taninos firmes mas sedosos, garra, persistência, mas acabando por se desvanecer um pouco. Favorece uma prova mais imediata e menos prolongada.
  • Sobremesa: Chiffon de chocolate com gelado de baunilha e espuma de frutos silvestres
  • Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007 Região: Douro/Porto Grau alcoólico: 20% Nota (0 a 10): 9 Doce, untuoso, vibrante, grande concentração de aromas e sabores a frutos vermelhos, sem sombra de aguardente, vibrante, sedoso, aveludado e redondo na boca. Novo mas com grande potencial de envelhecimento. Quase perfeito.


Do que nos recordamos desta ocasião, este jantar esteve praticamente ao nível do realizado uns meses antes com vinhos Niepoort, primando pela excelente confecção dos pratos e pelo nível dos vinhos apresentados, todos de qualidade a roçar o excepcional. Difícil é destacar algum, sendo que tanto os dois brancos (o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, do Dão, e o Vinha de Saturno, do Alentejo) como os tintos (o Four C do Dão e de novo o Vinha de Saturno) se apresentaram em elevadíssimo nível, cada um dentro do seu perfil. São vinhos de excepção que merecem uma degustação adequada e demorada. O mesmo se aplica quanto ao Porto Vintage da Quinta das Tecedeiras, um vintage ainda em fase de crescimento e a caminho do seu melhor.

Os preços estão em conformidade, o que torna menos apelativa a sua aquisição, mas neste tipo de jantares consegue-se tirar partido da qualidade apresentada, conjugada com um conjunto de pratos de confecção a condizer, pelo que o custo compensa. Depois do jantar Niepoort (contado aqui - 1ª parte - e aqui - 2ª parte) - e das últimas visitas ao restaurante Jacinto, este voltou a fazer jus à escolha e impõe-se como um ponto de referência para eventos do género.

Kroniketas, enófilo saudoso e satisfeito

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

No meu copo 233 - Conde de Palma 2006

Este vinho foi adquirido com a Revista de Vinhos de Janeiro e desta vez resolvi fazer o que raramente faço: experimentar bebê-lo imediatamente para ver como está.

Depois das duas provas indicadas nos posts anteriores, aqui está o contra-ponto aos vinhos que tiveram tempo para crescer e amadurecer dentro da garrafa: um vinho ainda novo, com apenas dois anos de idade após a colheita. E confirmou-se aquilo que seria previsível: o vinho está muito “cru” para ser bebido, algo agreste, com os taninos ainda agressivos a torná-lo algo adstringente e difícil.

Parece ter potencial para melhorar e talvez daqui a 2, 3 anos o conjunto esteja mais redondo e polido e aí se possa apreciar melhor os aromas.

Assim se prova mais uma vez que esta tendência para beber os vinhos muito novos é extremamente limitativa do prazer que se obtém. Está na mão dos consumidores inverter esta tendência, ou terão de ser os produtores a tomar a iniciativa?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Palma 2006 (T)
Região: Alentejo (Fronteira - Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5


PS: Por coincidência o Pingas no Copo também apresentou há dias uma prova deste vinho. A opinião dele é mais favorável que a minha.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XIII)

No meu copo, na minha mesa 165 - Monte da Cal Reserva 2004; Restaurante A Gruta (Portalegre)





Outro restaurante que teve direito a repetição, tão boa foi a impressão da primeira visita. A Gruta tem sido o restaurante que representa o norte do Alentejo no festival de gastronomia de Santarém e é um dos incontornáveis da cidade.

Logo na entrada, um corredor profusamente preenchido com livros, revistas e garrafas, tudo relacionado com o vinho. Ao entrar na sala, deparamos com um cenário ainda mais preenchido. Algumas das paredes estão repletas de estantes com dezenas de garrafas, existem várias mesas com entradas e sobremesas, o que nos faz sentir quase como estando num santuário gastronómico. Para o cliente mais interessado, estão ali praticamente todos os vinhos alentejanos que se possa imaginar. Foi numa dessas prateleiras que encontrei o Garrafeira dos Sócios de 1996 que começou a acompanhar esta refeição, e que já mereceu um post à parte (se ampliarem a segunda foto e olharem bem para a segunda prateleira da estante mais à direita, podem encontrar lá a garrafa junto a uns varietais de Aragonês e Trincadeira do Esporão...).

Passando aos sólidos, a mesa já estava preenchida com uns pratinhos de presunto Pata Negra. A escolha do prato foi difícil, tão variadas e tentadoras eram as propostas, pelo que nos aconselhámos com o sr. Felício, o dono do local. As opções incidem sobretudo nos pratos regionais, como é óbvio, com alguns toques de requinte. Acabámos por escolher uma canja de pombo para começar, seguindo-se um polvo à Lagareiro e eu escolhi nacos de porco preto, que estavam tenríssimos e muito bem apaladados. Entre as várias sobremesas optei por um doce Dom Duarte, que é uma espécie de fatia de bolo de doce de ovos com cobertura de amêndoa.

Quando o Garrafeira dos Sócios acabou, mudámos radicalmente e experimentámos o Monte da Cal Reserva 2004. É proveniente da Herdade Monte da Cal, propriedade da Dão Sul próximo de Fronteira. Sinceramente não me despertou grande simpatia. É mais um vinho hiperalcoólico e hiperfrutado, com grande predominância a especiarias. Enfim, começa a ser mais do mesmo sempre que encontro este tipo de vinhos que já cansa. Acho que vou começar a olhar para o grau alcoólico antes de comprar, pois esta profusão de vinhos com 14 graus ou mais já começa a não ter graça. Nos últimos tempos, então, principalmente com as colheitas de 2003 e 2004, tem sido demais. Já começo a estar farto.

A segunda visita à Gruta pautou-se por um jantar diferente, em grupo e com ementa já escolhida mas com um buffet de frios e quentes à disposição. Tivemos uma grelhada mista de porco e a acompanhar vinho da casa, em jarro. Como quase sempre acontece com estes vinhos, era bebível... e só isso. Para terminar, buffet de sobremesas à discrição.

Em suma, um restaurante com um excelente serviço e excelente confecção. Tudo levado muito a sério e com muita qualidade. É mais um local a repetir se houver oportunidade para isso.

Kroniketas, enófilo itinerante

Vinho: Monte da Cal Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Fronteira - Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 6

Restaurante: A Gruta
Bairro do Atalaião Velho, 8-A
7300 Portalegre
Tel: 245.201.402
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5