Mostrar mensagens com a etiqueta Merlot. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Merlot. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de dezembro de 2018

No meu copo 722 - Marquês de Borba tinto 2016; Marquês de Borba Colheita tinto 2017

Voltamos ao universo de João Portugal Ramos para uma prova de duas colheitas de tinto da marca mais emblemática da casa.

Já depois da visita às instalações da Adega Vila Santa, em Estremoz, onde foi possível degustar alguns dos mais recentes lançamentos, tivemos a oferta do novo Marquês de Borba Colheita tinto 2017, que agradecemos, e voltámos a prová-lo após aquela visita.

As impressões colhidas naquele almoço confirmaram-se. É um vinho fresco e aromático, com um perfil um pouco mais leve do que o tradicional.

A parte mas curiosa é que num jantar fora houve oportunidade de provar várias garrafas da colheita de 2016, que se revelou em grande forma e com uma intensidade e estrutura muito mais exuberantes! Quase não parecia o mesmo vinho, mas a verdade é que o ano adicional em garrafa tornou-o um vinho muito mais crescido e adulto, guindando-se a outro patamar.

Muito boa estrutura na boca com final persistente e vibrante, com os taninos macios mas a darem consistência ao conjunto.

Se fosse preciso, esta prova confirmou que os vinhos tintos demasiados jovens têm muito que crescer. Neste caso, atrevo-me a dizer que o lote de uvas utilizado também ajudou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Preço em feira de vinhos: 3,59 €

Vinho: Marquês de Borba 2016 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Borba Colheita 2017 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

segunda-feira, 16 de julho de 2018

No meu copo 686 - Dory Reserva tinto 2013; Dory branco 2015

A região vitivinícola de Lisboa movimenta-se.

Por toda a extensa área aparecem produtores com vinhos de qualidade e ganham o seu espaço no mercado. Nomes como AdegaMãe, Casa Santos Lima, Companhia Agrícola do Sanguinhal, Enoport, Quinta do Monte d’Oiro, Quinta de Chocapalha, Quinta de Pancas, Quinta do Gradil, Quinta de Sant´Ana do Gradil, Wine Ventures, são alguns dos que se destacam no actual panorama com vinhos de qualidade e que deixaram definitivamente para trás a era do vinho a granel, muito e mau.

Hoje falamos pela primeira vez dum dos produtores mais recentes entre os referidos. A AdegaMãe surgiu próximo de Torres Vedras, na freguesia da Ventosa, pela mão do grupo Riberalves, dispondo de 30 hectares de vinha e uma capacidade de produção de 1,2 milhões de litros por ano.

Uma das suas marcas de destaque é esta, Dory. Composta por várias referências, tivemos oportunidade de provar recentemente o colheita branco e o Reserva tinto.

Sendo dois vinhos substancialmente diferentes no preço, o mesmo se verifica na qualidade. O Reserva tinto 2013 apresenta-se pujante, com aroma vinoso e alguma salinidade a fazer lembrar o ar atlântico, com notas de fruta madura. Na cor apresenta-se carregado e compacto, e na boca mostra uma estrutura envolvente, persistente e arredondada, com final fresco, intenso e longo. Muito bem no estado de evolução, mostrou estar num ponto óptimo de consumo com pratos de carne bem temperados e algo desafiantes.

O branco 2015, pelo contrário, mostrando a acidez e frescura habituais por estas paragens da Estremadura, apresentou-se delgado e de corpo, com aroma discreto, corpo médio e final suave mas curto. Nada de surpreendente dada a diferença de patamar entre os dois vinhos provados.

Dito isto, há que experimentar as alternativas, e investir no branco Reserva. A julgar pelo tinto, promete.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Torres Vedras)
Produtor: AdegaMãe, Soc. Agrícola

Vinho: Dory Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Dory 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Alvarinho, Arinto, Viognier
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7


quarta-feira, 11 de abril de 2018

No meu copo 668 - XV Quinze tinto 2013

Este é um vinho diferente. Em tudo.

Desde logo, porque foi adquirido numa garrafeira online, graças a uma newsletter que o anunciava e que despertou a atenção.

Em seguida porque vem dum produtor de que praticamente não se fala mas que tem vinhos produzidos em quase todas as regiões do país.

Finalmente, porque usa o nome da graduação alcoólica que ostenta: 15 graus!

Foi pois a curiosidade que me levou a adquirir este vinho para ver o que daqui saía. O investimento não era muito elevado, portanto a perda também não o seria...

A verdade é que o vinho não desiludiu. Os 15 graus aparentemente exagerados estão bem “embrulhados” no corpo robusto e bem estruturado, mas ao mesmo tempo marcado por alguma macieza. Ou seja, não apresentou a agressividade esperada na prova de boca. A combinação de castas resulta bem, com algumas notas de especiarias e fruto maduro a marcarem um perfil aromático não muito exuberante.

No final apresenta taninos firmes mas domados e boa persistência. É um vinho interessante para pratos de carne bem temperados e com alguma robustez, mas sem excessos.

Em suma, uma curiosidade que se revelou uma surpresa agradável e interessante. Se nunca mais me cruzar com ele, pelo menos ficou a experiência.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: XV Quinze 2013 (T)
Região: Lisboa
Produtor: Vidigal Wines
Grau alcoólico: 15%
Castas: Aragonês, Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço: 5,65 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

No meu copo 629 - Bom Caminho 2011

Continuando a trilhar um novo caminho, que repôs o nome desta empresa quase secular num lugar de destaque no mapa vinícola nacional depois dum período de alguma obscuridade, a década actual – mais coisa menos coisa – tem-nos mostrado uma empresa com um notável dinamismo e que se reinventou em cima do que chegou a parecer algum imobilismo.

Prova disso são as novidades com que somos brindados regularmente. Depois da revitalização de marcas que pareciam estar esquecidas, como o Frei João Reserva, o Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada, o Caves São João Reserva ou o Quinta do Poço do Lobo, a empresa lançou-se numa renovação do seu portefólio com o lançamento de novas marcas, alternativas ou complementares às já existentes. Desde variantes do Caves São João até diversos tipos de espumantes, brancos Reserva, Frei João rosé e o primeiro Frei João Clássico, o leque de escolhas tem crescido significativamente.

Como sempre fomos provadores assíduos dos vinhos da casa, temos um vasto lote de vinhos provados e aqui publicados, tanto dos velhos como dos novos, pelo que é escusado estar a enumerá-los – basta procurá-los pela etiqueta “Caves Sao Joao” na secção Contra-rótulos (mais abaixo, do lado direito do ecrã).

Passando pelas já amplamente referidas edições comemorativas dos 100 anos que estão a decorrer até 2020, algures pelo meio apareceu este Bom Caminho de 2011, até agora em edição única e que se destina a homenagear os peregrinos que percorrem os caminhos de Santiago, em cujo percurso a sede das caves se situa.

Não foi coincidência o facto de termos efectuado a prova deste tinto próxima da prova do Frei João Clássico branco 2015. Quisemos mesmo comprovar que o caminho é este.

Em casa foi um sucesso, logo após a abertura, mesmo por quem prova e bebe pouco. Este não tem o rotulo de clássico, mas é autêntico, tanto quanto pode ser um Bairrada. O nosso saudoso Mancha ficaria deliciado com ele. Tem tudo o que um Bairrada clássico tem: estrutura, robustez, persistência, intensidade e profundidade aromática marcada por frutos vermelhos e pretos, taninos firmes e poderosos mas já muito polidos, a dar uma prova de boca harmoniosa, e aquele final longo e persistente característico dos grandes vinhos!

O preço? Esta garrafa foi lançada com a edição de Novembro de 2015 da Revista de Vinhos por 6 €, pelo que não cheguei a saber qual seria o seu real valor de mercado. Uma pechincha, portanto. Quem o tiver, não tenha pressa em bebê-lo, pois este é vinho ainda com muito para dar. Com 6 anos neste momento, está um viçoso jovem em crescimento.

Não há dúvida: com estas novidades e as antiguidades que repousam nas catacumbas a verem paulatinamente a luz do dia, as Caves São João (re)encontraram o Bom Caminho, que se augura auspicioso para os próximos 100 anos...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bom Caminho 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Merlot
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

No meu copo 569 - Quinta de Pancas: branco 2015; tinto 2014

Por ocasião da visita à Quinta de Pancas fomos presenteados com duas garrafas do Quinta de Pancas colheita, branco e tinto.

São dois vinhos de gama média da empresa, que não primam pela complexidade.

No branco o aroma é discreto, algo floral com notas tropicais e algum mineral. Apresenta alguma estrutura na boca, mas o final é relativamente curto.

O tinto apresenta-se de corpo médio, estruturado e persistente, mas também de aroma discreto. Algumas notas de fruta preta e tostados do estágio em carvalho francês durante 9 meses. Final persistente com alguma elegância.

Não são, obviamente, vinhos de encantar, como as grandes marcas da quinta. Não se espere mais do que podem dar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas Vinhos - Companhia das Quintas

Vinho: Quinta de Pancas 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Chardonnay (60%), Arinto (30%), Vital (10%)
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta de Pancas 2014 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

No meu copo 551 - A Jovem Calda Bordaleza 2011

Este é mais um vinho produzido sob a batuta de Carlos Campolargo e a fugir ao padrão tradicional da Bairrada. Neste caso, como o próprio nome indica, pretende-se obter um vinho de perfil bordalês, e assim se compreende a inclusão unicamente de castas francesas, com duas delas – Cabernet Sauvignon e Merlot – a constituírem a base dos vinhos tintos da região de Bordéus.

Fez a fermentação alcoólica separada por castas, com desengace total, em pequenos lagares com pisa mecânica ou manual, e fermentação maloláctica em madeira nova e usada. Estagiou depois em barricas de carvalho francês até 14 meses.

Apresenta uma cor rubi concentrada, aroma a frutos vermelhos com algumas notas compotadas e um ligeiro toque balsâmico. Na boca é fresco e envolvente, com boa acidez e final persistente e elegante.

É de facto um vinho de perfil menos habitual naquelas paragens mas que, mesmo não sendo extraordinário, vale a pena conhecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: A Jovem Calda Bordaleza 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

No meu copo 505 - Quinta de Pancas Reserva 2008

Continuamos na região de Lisboa, com um produtor clássico numa quinta que já mudou de mãos algumas vezes, que tem tido altos e baixos.

Recuperada e revigorada pela Companhia das Quintas, a Quinta de Pancas é há muitos anos conhecida por um dos primeiros tintos de Cabernet Sauvignon do país, tenho mais recentemente estendido o seu portefólio.

Aqui estamos perante um Reseva que incorpora um conjunto de 5 castas, entre nacionais e estrangeiras, onde o Cabernet se junta ao Merlot na parte bordalesa do lote, incluindo ainda o Petit Verdot e as nacionais Alicante Bouschet e Touriga. Estagiou 20 meses em barricas de carvalho francês.

Esta mistura deixa-me algo confuso, pois não se percebe bem o carácter do vinho. Se o apimentado e compotado do Cabernet Sauvignon, se o vegetal do Merlot, se o floral da Touriga, se a estrutura do Alicante. Será um pouco de todas e muito de nenhuma?

Tentando perceber como é o vinho, a impressão que fica é marcadamente vegetal, com estrutura mediana, final persistente e suave, fruta discreta e aroma pouco exuberante. Bebe-se com facilidade, sem dúvida, mas parece que lhe falta algum carácter mais marcado, alguma personalidade. Parecendo querer ser tudo, corre o risco de acabar por não ser quase nada.

Talvez mais novo tivesse mais frescura e outra vivacidade que lhe conferissem outras características mais marcadas, mas deixou algo a desejar... Em comparação com o tradicional monocasta de Cabernet Sauvignon ou o mais recente Selecção do Enólogo, estes convenceram mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Pancas Reserva 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Merlot, Touriga Nacional, Petit Verdot, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 6,45 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

No meu copo 485 - Padre Pedro Reserva 2005


Continuamos a abrir os vinhos com 10 anos. Desta vez a escolha recaiu na versão Reserva deste clássico da Casa Cadaval, uma marca implantada firmemente entre os vinhos ribatejanos e já com uma longa tradição nas versões monocasta, como os excelentes Cabernet Sauvignon e Trincadeira, à maneira clássica, e o Pinot Noir em versão ribetejana mais atípica.

Apresentou-se com uma cor granada carregada, aroma a frutos pretos maduros com algumas notas florais (predominância de violetas típicas da Touriga Nacional), encorpado com excelente estrutura e equilíbrio, final longo e persistente e macio.

Talvez este precise de ser bebido mais novo, pois a combinação de castas merece ser apreciada com mais alguma vivacidade e juventude. A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Padre Pedro Reserva 2005 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Trincadeira (30%), Cabernet Sauvignon (10%), Merlot (10%)
Preço em feira de vinhos: 8,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 4 de junho de 2015

No meu copo 458 - Quinta das Baceladas 2003


Continuamos no desbaste dos vinhos com uma década de existência, e desta vez revisitamos um produto de que já tínhamos provado colheitas mais recentes e mais antigas. Este Quinta das Baceladas 2003, inicialmente muito fechado e parecendo estar em declínio, precisou de bastante tempo para começar a mostrar-se e libertar os aromas que estavam lá escondidos.

Estes apareceram algo discretos, sem grande exuberância, mas o corpo e a estrutura foram-se desenvolvendo, acabando a mostrar alguma robustez e boa estrutura e persistência. Estava naquele ponto em que, aparentemente, não teria a beneficiar com mais tempo de garrafa, mas ainda num estado perfeitamente apreciável.

Tratando-se de um Bairrada, a idade amaciou-lhe o perfil e disfarçou o álcool e a adstringência, realçando alguns aromas mais terciários. Em suma, melhor na boca, onde esteve bastante equilibrado, que no nariz, bastante mais discreto.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta das Baceladas 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Merlot, Cabernet Sauvignon, Baga
Preço em feira de vinhos: 9,80 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 11 de abril de 2015

No meu copo 445 - Frei João 2006

Há anos (duas décadas, pelo menos) que o Frei João é um dos meus vinhos de referência para acompanhar fondue e bife na pedra. Desde o tempo em que havia poucas marcas, e grande parte dos produtores de referência da actualidade ainda nem sequer existiam, já este tinto de entrada de gama das Caves São João fazia as minhas delícias. O mercado foi crescendo, as opções foram-se alargando e o Frei João manteve-se sempre como uma referência segura. Teve pequenas alterações no perfil, algumas mudanças na sua composição (de que esta colheita é um exemplo, com Touriga Nacional, Merlot e Tinta Roriz a fazerem companhia à habitual Baga), mas a qualidade esteve sempre lá e a capacidade de envelhecimento também.

É espantoso como um vinho que se compra a menos de 3 € aguenta 10 anos ou mais em garrafa sem apresentar sinais de declínio, mostrando que está ali para durar. Já foram várias as colheitas de anos recuados que tivemos oportunidade de provar (1992, 1999, 2000, 2003), e a regra mantém-se: o tempo vai tornando os vinhos mais macios mas não lhes retira frescura, pujança, estrutura nem persistência. É assim que se abre uma garrafa duma colheita com 8 anos e não se dá pela idade do vinho, que se bate na perfeição com a carne e os molhos do fondue, bebendo-se com vontade de beber mais a seguir.

Sendo desde sempre uma das marcas emblemáticas das Caves São João, o Frei João deve ser um dos vinhos menos valorizados no panorama nacional. Porque vale certamente 3 ou 4 vezes mais do que aquilo que custa, razão pela qual temos sempre uns exemplares na garrafeira, sem receio de nos esquecermos deles pois temos quase sempre a garantia de que, quando formos abri-los, estarão em plena forma.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2006 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Merlot, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,29 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

No meu copo 410 - Padre Pedro 2007

Este é um cliente antigo das nossas garrafeiras, e um dos tais que normalmente não nos deixam ficar mal. Sendo um vinho da gama baixa de preços, é dos tais que valem bem mais do que aquilo que custam.

Aliás, a Casa Cadaval prima por normalmente não nos desiludir, mesmo nos vinhos de entrada de gama. Há alguns meses provámos um branco que, não sendo da mesma estirpe deste tinto, também não deslustra o nome da casa.

O contra-rótulo indicava poder ser guardado até 4 anos, pelo que ao fim de 7 anos esta garrafa, a caminhar para uma idade respeitável, poderia apresentar sinais de declínio. Contudo não foi o que aconteceu. O vinho apresentou-se pleno de saúde e aromas a frutos vermelhos ainda com alguma juventude, suave, persistente, elegante, bem estruturado na boca e com boa persistência.

Portanto, pareceu estar longe do fim do seu tempo de vida útil, pelo que poderá ser comprado e esquecido durante algum tempo, porque quando for bebido não deverá defraudar o consumidor. Também merece constar na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Padre Pedro 2007 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês (40%), Trincadeira (40%), Cabernet Sauvignon (15%), Merlot (5%)
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 27 de maio de 2013

No meu copo 318 - Cabeça de Toiro Reserva 2008; Guarda Rios 2007; Guarda Rios 2008

Estes são dois representantes (em três garrafas...) da nova geração de vinhos da renomeada região Tejo. Ou talvez deva dizer-se que “eram” representantes, pois mesmo antes de o consumir chegou-me ao conhecimento que o produtor do Guarda Rios, a empresa Vale d’Algares, faliu... A confirmar-se estaremos, portanto, a falar de um vinho a título póstumo...

A verdade é que as novas tendências têm levado a uma lenta mas segura recuperação de imagem, tanto na região Tejo como na região Lisboa. Já lá vai o tempo em que se associava aos vinhos do Ribatejo o carrascão do Cartaxo em garrafões de 5 litros. Agora o perfil é outro, são vinhos frescos, apelativos e mais fáceis de beber. Ao fim e ao cabo, a região seguiu um pouco a onda, com a disseminação de castas importadas de outras paragens e criou novas combinações que permitem provar um vinho destes sem que o associemos imediatamente àquela imagem de antigamente.

Por um preço bastante simpático, o Cabeça de Toiro, produzido pela Enoport (sucessora das Caves Velhas mas que vai mantendo o logótipo desta nos rótulos), dá-nos aroma a frutos maduros, frescura e uma boa acidez, corpo médio e um final vibrante. Boa relação qualidade-preço e um vinho que aparenta ser versátil.

Já o Guarda Rios é (era?) mais estruturado, mais complexo, menos imediato. Deste último tive oportunidade de provar duas colheitas, 2007 e 2008, adquiridas respectivamente em hipermercado e com a Revista de Vinhos. Curiosamente, e talvez contrariando o que fosse expectável, a colheita de 2007, resultante dum lote teoricamente mais complexo (o Alicante Bouschet e o Cabernet Sauvignon não estão presentes na colheita de 2008), agradou menos que a de 2008. Esta última mostrou-se mais estruturada, mais longa, um pouco mais pujante e persistente, com um toque a especiarias mais marcado. Uma versão mais personalizada, em suma, e mais bem conseguida.

Se este vinho acabou, é uma pena porque era um bom produto que tínhamos no mercado e que ajudava a elevar o nome da região. Sinais (tristes) dos (tristes) tempos...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo

Vinho: Cabeça de Toiro Reserva 2008 (T)
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Castelão
Preço em feira de vinhos: 4,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Guarda Rios 2007 (T)
Produtor: Vale d’Algares
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Merlot, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 6,13 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Guarda Rios 2008 (T)
Produtor: Vale d’Algares
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Touriga Nacional, Merlot
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 16 de março de 2013

No meu copo, na minha mesa 305 - Jantar Quinta do Encontro no restaurante Rubro

Encontro espumante bruto 2008; Encontro, Bical branco 2011; Encontro tinto 2010;
Preto Branco Reserva tinto 2009; Encontro 1 branco 2011; Encontro 1 tinto 2008;
Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2008


   
   
 

Recentemente tivemos oportunidade de voltar – em formato de quarteto e com os suspeitos do costume – ao “local do crime”, o restaurante Rubro no Campo Pequeno, desta vez para um jantar vínico com vinhos da Bairrada. À mesa estiveram os vinhos da Quinta do Encontro apresentados pelo enólogo da Dão Sul, Osvaldo Amado. Foi a nossa primeira incursão neste local sem ser com vinhos do Douro e do Alentejo, depois das Cortes de Cima, Symington, Esporão, Niepoort e Paulo Laureano.

Para as entradas e os entreténs-de-boca estiveram disponíveis 3 vinhos: o espumante Encontro Bruto 2008, o branco Encontro Bical 2011 e o tinto Encontro 2010, que foram acompanhando uns croquetes e umas tapas com paio e presunto.

Mas esta é uma história que, como sói dizer-se, já tem barbas. Já tínhamos tido oportunidade de provar o dito espumante aquando duma visita à Quinta do Encontro, em 2009, e num magnífico jantar no restaurante Jacinto com vinhos da Dão Sul em Dezembro de 2010, ainda com a presença de Carlos Lucas na enologia, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino. Nessa ocasião estávamos numa espécie de hibernação bloguista pelo que o registo do repasto não foi aqui relatado, mas vale a pena evocar a ocasião, que será contada no próximo post.

Voltando ao espumante, confirmou as boas impressões anteriores. Muito elegante, bolha fina e persistente, equilibrado e com boa acidez e notas cítricas na prova de boca. A Bical dá-lhe algum perfume e elegância, a Maria Gomes confere-lhe mais estrutura e o Arinto complementa o conjunto com a acidez e um final pleno de frescura.

O branco Encontro 100% Bical é equilibrado e mediano de corpo e aroma. Ligeiramente floral, também apresenta persistência média. Não encanta mas não desagrada. Já o Encontro tinto, mantendo a tradição da combinação entre Baga e Merlot, consegue aqui um vinho fácil de apreciar para os mais renitentes à adstringência da Baga, já que o Merlot confere a suavidade necessária para amaciar os taninos da Baga, já bem domados. É um Bairrada tinto simpático, algures entre o clássico e o moderno que poderá ser uma boa opção de entrada na região para quem está pouco identificado com os seus tintos.

Passando às mesas e à refeição propriamente dita, entraram em cena os pesos pesados da noite. Começámos pelo Encontro 1 2011, um branco 100% de Arinto que embora não tenha qualquer referência a uma passagem pela madeira, apresenta-se com uma estrutura tal que levaria a pensar que teve esse estágio. Com bom volume de boca, estrutura, frescura e persistência final, acompanhou muito bem um folhado de maçã, canela e queijo chèvre (algo difícil de deglutir para mim), a que se seguiu um lombo de porco recheado com farinheira e pimenta rosa. Em ambos os casos o branco aguentou-se perfeitamente no duelo com o prato, graças à boa estrutura e à acidez que equilibrou os sabores dos sólidos.

Seguiu-se um mil-folhas de lascas de bacalhau com puré de grão e coentros, delicioso, que quase parecia mousse de bacalhau, acompanhado pelo Preto Branco Reserva 2009, um nome que surgiu da mistura de duas castas tintas e uma branca. Taninos redondos e bem domados, mais um clássico a tender para o moderno mas com pujança e estrutura.

Finalmente o grande vinho da noite, o Encontro 1 tinto 2008, a acompanhar o já tradicional chuleton de boi fatiado, acompanhado com batata assada e com o molho da carne, um prato sempre apetecível e apropriado para os tintos mais robustos. 14% de álcool a suportar uma grande estrutura de corpo e taninos, um Bairrada clássico feito para apreciadores e a prometer uma longa vida em garrafa.

Para a sobremesa tivemos uma blattertarte de frutos silvestres acompanhada por um Porto LBV da Quinta das Tecedeiras, que mostrou o perfil esperado dentro do género, ligando bem com os sabores silvestres.

Tivemos ainda a sorte de ficar na mesma mesa do enólogo Osvaldo Amado, que nos foi contando algumas histórias dos vinhos e nos proporcionou agradáveis momentos de convívio. Ficou para uma próxima oportunidade agendarmos uma visita à Bairrada para que nos guie numa visita pelo museu do vinho.

E assim saímos mais uma vez plenamente satisfeitos desta 6ª incursão pelos jantares vínicos do Rubro. Não se pode ir a todos, mas vamos sempre tentado ir a alguns dos melhores.

tuguinho, Kroniketas, Mancha e Politikos, enófilos de barriga e copo cheio

Região: Bairrada
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul

Vinho: Encontro espumante bruto 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro, Bical 2011 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Bical
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Encontro 2010 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Preto Branco Reserva 2009 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Baga, Bical
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro 1 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro 1 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2008
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta das Tecedeiras, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Amarela
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 14 de junho de 2012

No meu copo 281 - Bairrada: o regresso aos clássicos

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2003; Baga Encontro 2005; Quinta das Baceladas 2005;
Quinta da Alorna Reserva, Chardonnay 2008




A propósito dos posts anteriores sobre as provas das Cortes de Cima e da Herdade da Malhadinha Nova, há tempos dizia-me o Politikos que os vinhos alentejanos cada vez o seduzem menos. Lembrei-me desta afirmação ao reflectir sobre as características daqueles vinhos, cada vez mais uniformizados e menos típicos (no sentido de ser possível detectar a sua origem ao prová-los). Não será este um dos motivos para esse interesse decrescente? É que para bebermos vinhos com algum carácter de Alentejo somos “obrigados” a regressar aos clássicos, como os da Cooperativa de Reguengos de Monsaraz, da Adega Cooperativa de Borba, da Tapada do Chaves ou da Cartuxa (o Esporão é um caso à parte de qualidade e modernidade dentro do clássico).

Esta proliferação de vinhos com perfil de novo mundo faz-nos sentir vontade, de vez em quando, de regressar aos clássicos. Desta vez fizemo-lo com aqueles que serão, porventura, os mais clássicos dos clássicos: os tintos da Bairrada à base da casta Baga. Tínhamos em agenda algumas garrafas do stock que resolvemos abrir por ocasião da final da Liga dos Campeões em futebol, no que também se vai tornando um clássico (fizemo-lo pelo 3.º ano consecutivo).

A entrada fez-se com uns camarões fritos por mestre Mancha, acompanhados por um belo branco monocasta Chardonnay da Quinta da Alorna fornecido por um dos comparsas. Para minha satisfação, não revelou aquele travo amanteigado e enjoativo de muitos Chardonnay portugueses, principalmente quando fermentados e/ou estagiados em madeira. Apresentou-se fresco, vivo e persistente, com óptima acidez e a fazer muito boa companhia à gordura dos camarões fritos.

Para a parte mais substancial foram chamadas à liça umas postas mirandesas e umas gravatinhas de porco. Os tintos foram abertos antecipadamente, começando-se pelo Quinta das Bágeiras, previamente decantado, seguindo-se o Baga Encontro e finalmente o Quinta das Baceladas.

O que se pode dizer destes vinhos que seja original? Praticamente nada. Neles podemos apreciar aromas terciários profundos, resultado já de alguma evolução em garrafa, mantendo-se uma estrutura e uma acidez correctas e um grande fim de boca. São vinhos autênticos, genuínos, robustos mas sem serem rústicos. O Quinta das Bágeiras foi naturalmente o que se apresentou com um perfil mais clássico, daqueles Baga bem robustos e com potencial para outros tantos anos. O Baga Encontro pareceu um pouco menos vivo, enquanto o Quinta das Baceladas, um lote de Baga, Merlot e Cabernet Sauvignon, apareceu com grande saúde e com uma acidez mais vibrante do que os anteriores.

Qualquer um destes três vinhos justificou plenamente a aposta, remetendo-nos para os vinhos que se faziam há mais de uma década. Retomando uma frase já aqui dita, ainda bem que nos esquecemos destas garrafas durante uns tempos, para de vez em quando podermos ir buscá-las e apreciar vinhos a sério, de tempos em que não se procurava a superconcentração e as bombas de fruta e álcool. Estes são dos tais que já não se fazem… ou quase.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Chardonnay 2008 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço: 8 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta das Bágeiras Garrafeira 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 14%
Casta: Baga
Preço: 17,13 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Baga Encontro 2005 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Baga
Preço: 24,65 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta das Baceladas 2005 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Aliança - Vinhos de Portugal
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Merlot, Cabernet Sauvignon, Baga
Preço: 9,44 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Perdizes por um, perdizes para dez (2ª parte)

No meu copo 251 - Herdade do Perdigão Reserva 2005; Quinta da Viçosa 2003; Herdade do Meio Garrafeira 2003; Vieux Magon 2001




Quando as perdizes vieram para a mesa, confeccionadas em duas variedades já experimentadas com sucesso (estufadas com couve lombarda e com cogumelos em molho de natas de soja) passou-se então ao painel dos tintos, constituído por belos vinhos do Alentejo. A escolha para início das hostilidades recaiu num Herdade do Perdigão Reserva 2005. Foi um sucesso! Alvo dos maiores encómios, mostrou-se um vinho de grande carácter, pujante, persistente, muito vivo mas arredondado, a mostrar que está para durar. Sem dúvida um vinho a repetir.

Seguiu-se um Quinta da Viçosa 2003, um dos vinhos especiais de João Portugal Ramos. É feito com a melhor casta portuguesa e a melhor casta estrangeira da colheita de cada ano. Neste caso temos uma combinação algo “sui generis “de Touriga Nacional e Merlot, tal como já houve outras combinações improváveis como Aragonês e Petit Verdot ou Trincadeira e Syrah. Este 2003 apresentou-se essencialmente elegante e suave, em claro contraste com o Herdade do Perdigão. Um vinho mais aconselhado para pratos delicados e requintados, talvez pouco adequado para a caça que tínhamos no prato mas que também merece outra oportunidade.

Continuando no Alentejo, experimentámos depois um Herdade do Meio Garrafeira 2003, uma promoção da feira de vinhos do Continente de 2008. A prova anterior desta casa não agradou mas este mostrou outro nível. Muito bem estruturado, encorpado e persistente, com taninos firmes mas domados. Uma bela surpresa pelo preço que custou.

Por fim, o anfitrião ainda fez questão de nos brindar com uma garrafa de vinho da Tunísia, produzido na região da antiga Cartago. Contra as expectativas mais pessimistas, não defraudou. Apresentou-se elegante e suave na boca, medianamente encorpado, com boa concentração de cor e alguma persistência de madeira. Não sendo excepcional, não é de menosprezar.

Para fecho da noite, já atirados a uma mousse e a um gelado de chocolate, tivemos o ponto alto com a abertura duma relíquia que o Politikos tinha lá em casa: um Lacrima Christi sem data, mas com uma indicação de 1908 no contra-rótulo! Sublime! Não há palavras para descrevê-lo. E ainda houve tempo para os mais resistentes provarem uma aguardente de figo da Tunísia, Boukha Gold, com 36% de álcool. Depois ainda se seguiram algumas baforadas de charuto e cachimbo para os mais aficionados, mas isso são outras histórias... Agora vamos a banhos.

Kroniketas, tuguinho, e os outros todos

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 18 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta da Viçosa 2003 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot
Preço: 22,10 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Herdade do Meio Garrafeira 2003 (T)
Região: Alentejo (Portel)
Produtor: Casa Agrícola João & António Pombo - Herdade do Meio
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Castelão
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vieux Magon 2001 (T)
Região: Mornag (Tunísia)
Produtor: Les Vignerons de Carthage - Tunis
Grau alcoólico: 13%
Preço: 9 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 6 de junho de 2009

No meu copo 245 - Miolo Terroir, Merlot 2005

O Vale dos Vinhedos é uma pequena região de 82 quilómetros quadrados situada no estado brasileiro do Rio Grande do Sul, a cerca de 130 km de Porto Alegre, na zona de serra.

Daí veio esta garrafa pela mão de alguém ligado à família. Uma garrafa pesada, mais que o habitual (mais de 1 kg) e com um vinho surpreendente lá dentro. Nunca tinha bebido um vinho do Brasil e foi uma completa revelação.

Sabendo-se como costumam ser os vinhos de Merlot, marcados essencialmente pela suavidade, a maior surpresa foi encontrar neste Miolo Terroir uma estrutura, um corpo e grande persistência a fazer lembrar outras castas que costumam conferir aos vinhos maior robustez.

Claro que as características habituais da casta não deixaram de estar lá, mas este vinho pareceu dar uma nova faceta ao Merlot. Pareceu ser um vinho ao estilo do velho mundo, talvez pela latitude a que é produzido (cerca de 29º Sul), já bem afastada do trópico e com um clima atlântico.

Ficou a curiosidade para ver como serão outros vinhos do Brasil, nomeadamente os do tão badalado paralelo 8. Aguardamos a oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Miolo Terroir, Merlot 2005 (T)
Região: Vale dos Vinhedos (Brasil)
Produtor: Vinícola Miolo
Grau alcoólico: 14%
Casta: Merlot
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

No meu copo, na minha mesa 221 - Neethlingshof, Merlot 2001; Stellenzicht, Shiraz 2000; Restaurante A Carvoaria (Cascais)




Um regresso à Carvoaria, restaurante sul-africano de Cascais, para responder ao desafio de comer um bife tártaro: estamos a falar de carne crua picada. O prato tem de ser encomendado de véspera para que a carne seja devidamente preparada de modo a ficar comestível.

Antes do início das hostilidades o dono veio trazer-nos uma pequena porção para darmos a nossa impressão acerca dos temperos. Um deles era um picante intenso, de que eu abdiquei. Mesmo assim o meu prato estava picante, embora menos que os dos outros comparsas.

Em pequenas garfadas lá se foi comendo o bife tártaro, sem fazer grande sacrifício. Como eu gosto de bifes mal passados o facto de a carne estar crua não me repugna. Valeu como experiência mas, de qualquer modo, não fiquei grande fã. Apesar de tudo prefiro algum cozinhado, mesmo que pouco.

Para acompanhar voltámos aos vinhos sul-africanos, tal como na visita anterior. Entre vários nomes totalmente desconhecidos, começámos por escolher um monocasta de Merlot. Apresentou-se com uma cor rubi aberta, macio e suave, com corpo e persistência média, medianamente frutado com nuances de cereja e alguma hortelã, grau alcoólico elevado razoavelmente disfarçado. Aconselhado para pratos não muito robustos.

Esgotada a primeira garrafa, optámos a seguir por outro varietal mas desta vez de Syrah (ou Shiraz na designação do rótulo). Fermentado em carvalho francês e americano, apresentou-se mais encorpado, com notas marcantes a especiarias e bouquet mais profundo, com boa persistência final. Muito mais adequado aos sabores do bife tártaro e capaz de se bater com o picante.

Ambos os vinhos são originários da região de Stellenbosch, situada na província de Western Cape na costa sudoeste do país e no coração da região vitivinícola que circunda a Cidade do Cabo. No caso do segundo, as vinhas estão situadas na costa oeste da montanha Helderberg, entre a cidade de Stellenbosch e o mar em False Bay, a sul de Cape Town.

Neste regresso à Carvoaria repeti as impressões colhidas anteriormente. É um restaurante que se recomenda, onde se come bem e o serviço é simpático e eficiente. Em suma, um lugar agradável de onde se sai satisfeito.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Carvoaria (sul-africano)
Rua João Luís de Moura, 24
2750-387 Cascais
Tel: 21.483.04.06
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Neethlingshof, Merlot 2001 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Neethlingshof
Grau alcoólico: 14%
Casta: Merlot
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Stellenzicht, Shiraz 2000 (T)
Região: Stellenbosch (África do Sul)
Produtor: Stellenzicht
Grau alcoólico: 14%
Casta: Shiraz
Preço no restaurante: 14 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 22 de novembro de 2008

No meu copo 214 - Quinta da Bacalhôa 2003

Aqui está um vinho famoso que nunca me convenceu. Sempre achei que tinha excesso de madeira, aliás um traço que é muito comum em variadíssimos vinhos da região de Setúbal. O vinho estagia 11 meses em barricas novas de carvalho francês e talvez o balanço entre a madeira e os aromas não seja o ideal, pelo menos para o meu gosto.

Ao fim de muitos anos voltei a prová-lo. Tratei-o com todos os mimos, pu-lo à temperatura adequada e decantei-o cerca de uma hora antes. Não posso dizer que desta vez fiquei encantado mas também não fiquei desiludido. Fiquemo-nos pelo meio-termo.

Apresentou-se com uma cor rubi intensa, algum aroma a frutos vermelhos misturado com a madeira e após a decantação libertou mais os aromas e apresentou-se mais macio e equilibrado.

No conjunto, considero-o um bom vinho, mas acho que não justifica o preço que custa.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Bacalhôa 2003 (T)
Região: Terras do Sado
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 14 de maio de 2007

No meu copo 113 - Fiúza, Merlot 2000

Foi a primeira vez que apreciei este vinho estreme da casta Merlot da casa Fiúza. Portou-se bem apesar da idade, apresentando uma cor aberta e limpa e aroma moderado.

Foi degustado com um prato leve, visto que o Merlot não é propriamente conhecido por fazer vinhos encorpados e que aguentem com pratos mais consistentes. É precisamente aí que penso que mora o calcanhar de Aquiles destes vinhos – têm pouco corpo!

É óbvio que nem só de vinhos encorpados se faz o mundo dos vinhos, mas o corpo demasiado delgado deste Merlot fica-me sempre atravessado (salvo seja...), como se lhe faltasse qualquer coisa, o golpe de asa para alcançar voos mais altos. E com o corpo delgado vem também um fim de boca demasiado breve...

Apesar destas considerações, não se pense que é um mau vinho. Aliás, já o referi no início, não se portou nada mal. Mas podia ser melhor.

tuguinho, enófilo esforçado

Vinho: Fiúza, Merlot 2000 (T)
Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13º
Casta: Merlot
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 6,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor

terça-feira, 1 de maio de 2007

Krónikas duma viagem a Paris - 1



As férias escolares da Páscoa foram aproveitadas para uma deslocação a uma das cidades míticas do mundo: Paris. Por sinal, a única onde já me desloquei mais de uma vez. Já lá fui solteiro, recém-casado, e desta vez o objectivo foi levar os filhos para conhecerem a Eurodisney.

As constantes deambulações pela cidade e as deslocações ao parque Disneyland não deixaram grande folga para repastos de nouvelle cuisine e muito menos para degustações vínicas a condizer. A primeira abordagem ocorreu logo no dia da chegada, já para lá das 3 da tarde, hora local.

Cansados da viagem e esfomeados, fora de horas para almoçar, demos uma volta pelo 17ème arrondissement à procura da salvação, e esta apareceu-nos num restaurante chinês do tipo self-service, depois de conduzidos de táxi por um motorista chinês. Esta coincidência viria a revelar um padrão que se repetiu nos dias seguintes: em Paris, os chineses são os trabalhadores e os japoneses são os turistas...

No dito chinês, onde ainda voltaríamos num dos regressos da Disney, depois de escolhermos todas as massas e arrozes, mais o pato, a galinha e as gambas, vi umas garrafas na vitrina que me chamaram a atenção. Resolvi experimentar meia garrafa de Côtes du Rhône. O vinho estava ligeiramente refrescado e, para minha surpresa, não se saiu nada mal com a comida chinesa. Revelou-se um vinho aberto, muito suave e aromático, extremamente fácil de beber. Pareceu-me ser apropriado para refeições não muito condimentadas.

Noutra ocasião, depois dum dia cansativo a percorrer a cidade desde Montmartre até Pigalle, da Torre Eiffel ao Arco do Triunfo, usando todas as linhas de metropolitano possíveis e juntando ainda um passeio de Bateau Parisien, com frio e chuva à mistura, acabámos a jantar num restaurante libanês, sob alguma desconfiança. Mas o atendimento simpático ajudou-nos a escolher umas brochettes (espetadas) de carne de porco, vaca e frango, acompanhadas com um arroz e uma salada à moda do local, e um vinho também do país: Clos St. Thomas 2002, com 14% de álcool mas sem ser agressivo. Um vinho de perfil moderno, feito com as castas omnipresentes onde quer que se vá: Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e a menos conhecida Grenache. Bebeu-se bem, seguindo a tendência dos vinhos da moda.

Na segunda visita ao chinês ainda repeti o Côtes du Rhône e noutra ocasião experimentei um rosé barato. E por aqui ficou a experiência francesa no que toca a vinhos. Na véspera do regresso ainda fiz uma visita a um supermercado, de que darei conta na segunda parte desta croniqueta.

Kroniketas, enófilo viajante