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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No meu copo, na minha mesa 582 - Monte Mayor Reserva tinto 2014; Restaurante A Escola (Cachopos - Alcácer do Sal)



O restaurante A Escola, localizado na estrada que liga Alcácer do Sal à Comporta, é um caso notável de sucesso que se poderia considerar improvável. Não fica num local de passagem, não fica muito perto de nenhum grande centro urbano, só tem campo à volta. Tem de se ir lá de propósito. E as pessoas vão.

Esta foi a terceira tentativa para nos sentarmos à mesa deste restaurante. As duas passagens anteriores encontraram uma sala a abarrotar e muita gente à espera. Desta vez, aproveitando um fim-de-semana de Inverno, marquei mesa com 24 horas de antecedência, e mesmo assim a sala estava cheia quando lá cheguei.

Segundo rezam as crónicas, este antigo edifício de uma escola primária foi colocado à venda e alguém teve a visão de criar aqui um restaurante de gastronomia regional. E assim nasceu aquele que, hoje em dia, poderá ser considerado um dos ícones da gastronomia nacional.

A sala de refeições não é muito grande, portanto não espere chegar e sentar-se sem fazer reserva. O atendimento é excelente, simpático, sempre disponível e nunca pára. Os clientes são aconselhados nas escolhas, sendo que as tendências pendem, maioritariamente, para aqueles que parecem ser os pratos mais emblemáticos da casa: a empada de coelho bravo com arroz de pinhões – ou não estivéssemos junto a uma zona de pinhal – que é apresentada em forma de torta, e a perdiz na púcara. Este apresentou-se muito apaladada, embora talvez com excesso de caldo, que poderia ter apurado um pouco mais. A empada (terceira foto) também é excelente, muito bem temperada e substancial.

A garrafeira é vasta, predominando os vinhos do Alentejo e da Península de Setúbal. Existe um armário climatizado para tintos e outro para brancos, sendo que este tem duas temperaturas distintas. Destacam-se os vinhos da Adega Mayor (que fornece, entre outros artigos, os aventais), estando disponível praticamente todo o portefólio da empresa. Tentei provar o Vitorino, que não havia. O Reserva do Comendador e o Pai Chão apresentavam-se demasiado caros para beber em restaurante, pelo que arrisquei no Monte Mayor Reserva, cuja prova anterior não tinha convencido.

Mesmo sem pedir, o vinho foi desde logo decantado, o que ajudou a amaciar a prova. A temperatura de serviço estava no ponto, o que se saúda, para o que o armário climatizado contribui de forma decisiva. Felizmente vai-se encontrando quem saiba tratar o vinho como este merece.

O Monte Mayor Reserva 2014 tem os mesmos 14,5% do 2013, que não tinha convencido, mas mostrou-se mais macio e apropriado para os pratos de caça, mais exigentes. Apresenta-se com uma cor rubi concentrada, aroma intenso e frutado com notas de frutos vermlhos, mas mais interessante no nariz que na boca. No paladar apresenta algum especiado mas ficou algo curto. Melhor que na prova anterior, embora sem deslumbrar.

Em resumo: uma excelente refeição num restaurante que é obrigatório conhecer. Vale a pena a deslocação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Escola
Estrada Nacional 253, Cachopos
7580-308 Alcácer do Sal
Tel: 265.612.816
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Monte Mayor Reserva 2014 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quinta da Bacalhôa



Junto à estrada nacional 10, que atravessa Vila Fresca, Vila Nogueira e Brejos de Azeitão, entre o Casal do Marco e Setúbal, situam-se as instalações de dois dos maiores produtores nacionais do sector vinícola: a José Maria da Fonseca e a Bacalhôa Vinhos. Foi a esta última que me desloquei há algumas semanas a convite dum amigo para passarmos uma tarde juntos.

Ao contrário do que se possa pensar, a quinta que se vê em destaque à entrada de Vila Nogueira de Azeitão não é a Quinta da Bacalhôa mas a Quinta da Bassaqueira. É aqui que estão situadas as cubas de fermentação, a adega de armazenamento e envelhecimento dos vinhos de mesa e do moscatel, a loja de vinhos e uma boa porção de vinha. A Quinta da Bacalhôa propriamente dita, onde se situa o Palácio que serve de morada de férias à família Berardo, fica já em Vila Fresca, paredes meias com a José Maria da Fonseca, na zona em que a estrada começa a subir a Arrábida em direcção a Setúbal. Aí se situa a vinha donde saem as uvas para o vinho mais emblemático da empresa, o Quinta da Bacalhôa, assim como uma enorme galeria de azulejos da colecção de Joe Berardo, além do jardim adjacente ao palácio.

Após a compra das Caves Aliança e da Quinta do Carmo o grupo Bacalhôa tornou-se o 2º maior produtor nacional, com cerca de 20 milhões de litros anuais. Para além destas instalações, a Bacalhôa detém ainda a Herdade das Ânforas, perto de Arraiolos, e a Quinta dos Loridos, perto do Cadaval.

A produção dos vinhos oriundos da Bacalhôa é obtida a partir das uvas da Quinta da Bassaqueira, da Quinta da Bacalhôa e ainda de outras uvas provenientes da serra da Arrábida.

No espaço exterior da Quinta da Bassaqueira podemos passear pelo jardim, passar junto ao lago, descansar debaixo de algumas oliveiras, ver o desenvolvimento das uvas Merlot ou Cabernet Sauvignon, ou admirar os painéis de azulejos que contam a história do vinho nas paredes da adega de envelhecimento dos moscatéis, onde a temperatura interior chega a atingir os 40 graus. Na loja pode-se ainda encontrar à venda todo o portefólio de vinhos das várias empresas do grupo, incluindo um vinho dedicado ao centenário do Benfica, e realizar algumas provas enquanto se descansa do passeio.

E assim ficamos a conhecer uma pequena parte do imenso património do comendador Berardo. Talvez a continuação se faça um dia no jardim japonês da Quinta dos Loridos.

Kroniketas, enófilo viajante

Bacalhôa Vinhos de Portugal
Estrada Nacional 10
Vila Nogueira de Azeitão
2925-901 Azeitão
Telef: 21.219.80.60
Fax: 21.219.80.66

quarta-feira, 6 de junho de 2007

No meu copo, na minha mesa 118 - Alandra; Restaurante Tia Rosa (Melides)



Foi há 12 anos que conheci este restaurante, após uma estada no parque de campismo da Praia da Galé, próximo de Melides. Era recomendado pelo pato no forno. Passados 12 anos, voltei lá com o mesmo casal com que tinha estado da outra vez, mas agora acompanhados de mais 3 crianças que naquela altura. E voltámos ao pato.

O restaurante fica mesmo junto à estrada. Para quem apanha o ferry-boat para Tróia em Setúbal, depois de passar pela Comporta vira-se em direcção a Melides e depois de passar Pinheiro da Cruz e alguns parques, encontra-se o Tia Rosa à esquerda. Tem duas salas contíguas, uma mais iluminada que a outra, sendo que esta se torna algo escura se ficarmos longe da janela. Se bem me lembro, há 12 anos só existia a primeira sala, pelo que deve ter havido ampliação do espaço.

O pato assado no forno, primeira opção da ementa, vem cortado em metades, acompanhado de batatinhas assadas e rodelas de laranja. O molho é que se torna um pouco gorduroso demais, pelo que é preferível evitá-lo. Mas a melhor parte é o arroz de miúdos que vem à parte, que também passa pelo forno.Uma verdadeira delícia. Vale a pena lá ir pelo pato.

Para acompanhar pedimos um Alandra, o mais baixo da gama da Herdade do Esporão. Logo à entrada há umas estantes com várias garrafas em exposição, onde estão os varietais do Esporão, vários outros vinhos alentejanos e, claro, o Pinheiro da Cruz (que fica logo ali ao lado), embora na ementa só constem meia-dúzia de referências, e escolhemos a mais barata, a 4,5 €. Curiosamente, em cima das mesas já estavam garrafas de Conventual, ao preço de 7,5 €, mas rejeitámos essa opção por ser um vinho que não nos convence.

O Alandra continua a ser um vinho simples mas que se bebe com agrado. Aconselha-se até que seja ligeiramente refrescado, o que não era o caso, mas não deixa de ser uma aposta simpática. De cor rubi brilhante, ligeiramente frutado, aberto, leve, macio, ainda assim com um final de boca agradável. Sem grandes pretensões, bom quanto baste e barato, para o dia-a-dia.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Alandra (T) - sem data de colheita
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Grau alcoólico: 13%
Castas: Moreto, Castelão
Preço em feira de vinhos: 1,72 €
Nota (0 a 10): 6

Restaurante: Tia Rosa
Estrada Nacional 261 - Fontainhas do Mar
7560-661 Melides
Tel: 269.907.144
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4