sexta-feira, 23 de junho de 2017

No meu copo 609 - Quinta dos Termos tinto 2013

Também foi o primeiro contacto com os vinhos da Quinta dos Termos. E não começou bem.

Este tinto da colheita de 2013 mostrou-se muito aquém do expectável. Demasiado rústico na boca, sem ponta de elegância, parco de aromas, delgado na boca mas ao mesmo tempo cheio de arestas.

Espero que os Reserva façam outro jus à marca. Este é para esquecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Termos 2013 (T)
Região: Beira Interior
Produtor: Quinta dos Termos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Trincadeira, Tinta Roriz, Jaen
Preço em hipermercado: 3,99 €
Nota (0 a 10): 5

segunda-feira, 19 de junho de 2017

No meu copo 608 - Vallado Prima 2016

Este vinho chamava-se Vallado Moscatel Galego, tendo passado a chamar-se Vallado Prima e continuando a ser produzido apenas com esta casta.

Tal como na versão anterior, mantém-se com grande frescura e um belíssimo aroma frutado com algum floral. Apresenta aromas exóticos exuberantes e grande elegância. O grau alcoólico baixou para níveis ajuizados, que tornam o vinho mais leve e mais gastronómico.

Excelente para o tempo quente, apresenta uma estrutura e persistência que o tornam adequado para uma vasta gama de pratos e vai muito para além do vinho de Verão. Com pratos de peixe ou marisco, pode ser uma escolha universal adequada.

O preço poderá não ser dos mais simpáticos, mas a qualidade que apresenta justifica-o largamente e torna-o até barato para o prazer que proporciona. Um dos melhores brancos que bebi nos últimos tempos, e sem dúvida uma aposta garantida.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Vallado Prima 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 8,39 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 15 de junho de 2017

No meu copo 607 - Marka branco 2013

Este foi o primeiro contacto com um vinho deste produtor, Carlos Agrellos.

Adquirido por um preço simpático, apresenta-se com três castas tradicionais do Douro, que habitualmente marcam os vinhos com uma forte componente mineral.

Apresenta-se com aroma com algumas notas cítricas e algum floral, elegante e macio na boca, medianamente estruturado, persistência média e final fresco. Não é muito exuberante de aroma nem muito longo, mostrando-se assim como um vinho adequado para refeições ligeiras e pratos de Verão, não muito complexos.

Poderá ser interessante prová-lo nos dias mais quentes. Com o seu moderado grau alcoólico, poderá fazer uma boa parceria com saladas ou mariscos.

O preço é atractivo. A rever noutra oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Marka 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Durham-Agrellos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Gouveio, Viosinho, Moscatel Galego
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 11 de junho de 2017

No meu copo 606 - Quinta dos Quatro Ventos 2008

Um vinho das Caves aliança no Douro, já aqui anteriormente provado, e bebido agora já com uma idade respeitável.

Apresenta-se elegante e macio na boca, mas com boa estrutura e persistência média, taninos firmes mas suaves. No aroma predominam frutos vermelhos maduros, com algumas notas de especiarias. Um bom vinho do Douro para quem gosta dos mais elegantes, mas com um preço algo elevado na relação qualidade-preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Quatro Ventos 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Aliança - Vinhos de Portugal
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 11,99 €
Nota (0 a 10): 8


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Hello Summer Wine Party 2017


É já amanhã, noite de lua cheia, que se realiza mais uma edição da Hello Summer Wine Party, numa realização conjunta da revista Paixão Pelo Vinho e do Hotel Marriott, em Lisboa.

O evento decorrerá entre as 17 e as 23 horas nos jardins do hotel e para além de muitos dos melhores vinhos portugueses permitirá também provar vinhos da Moldávia e assistir a provas especiais, mediante a aquisição do respectivo ingresso.

As Krónikas Viníkolas estarão lá, e aguardamos a informação sobre a possibilidade de assistir a uma das provas especiais, pois o número de lugares é limitado.

Será possível também provar alguns petiscos e iguarias da autoria de António Alexandre, Chef Executivo do Lisbon Marriott Hotel.

Mais informações na página do evento no Facebook.

Kroniketas, enófilo informado

terça-feira, 6 de junho de 2017

Vinhos biológicos, naturais e outros que tais



No filme 007 - Moonraker (Uma aventura no espaço), de 1979, com Roger Moore no protagonista, lá para o fim do filme o vilão Drax encontra James Bond no seu vaivém espacial, depois de várias tentativas para o matar ao longo do filme, e diz-lhe:
“James Bond! Aparece com a regularidade inevitável duma estação indesejada”.

Lembrei-me desta frase a propósito das modas do vinho. Também é cíclico: já se sabe que, com uma regularidade inevitável, lá somos “educados” com os ditames da “moda”, do que “o mercado quer”, dos “gostos do consumidor” – coisa tão comprovável como as aparições de Fátima ou a existência de homenzinhos verde em Marte com antenas na cabeça...

Isto para já não falar, obviamente, do chavão parolo instituído no país sobre o “melhor vinho do mundo” sempre que algum vinho português ganha uma medalha de ouro num qualquer concurso lá fora...

Basta recuar uma década para chegarmos ao tempo da “moda” dos vinhos feitos segundo “o que o mercado quer”, com carradas de álcool, toneladas de madeira e montanhas de açúcar, que invadiram as prateleiras durante anos, porque um senhor de nome Robert Parker – uma espécie de guru da enocrítica – decidiu que esses vinhos é que eram bons e portanto toda a gente tinha de fazer vinhos para agradar ao senhor Robert Parker. O exagero chegou a um ponto em que comecei a olhar para a graduação alcoólica dos vinhos antes de os comprar e a rejeitar todos os vinhos a partir de 14º (coisa complicada a certa altura, pois quase não havia outros), porque já estava farto de beber xaropadas e aquilo que alguém de forma muito feliz baptizou como “pau líquido”. Agora parece que, afinal, a “moda” já está a ir no sentido contrário.

Veio depois a unanimidade sobre a Touriga Nacional. Foi “decretado” que esta é A GRANDE casta tinta portuguesa e a única que deve ser mostrada ao mundo como lídima representante das castas tintas nacionais. Vai daí, toca a plantar Touriga Nacional de norte a sul, esquecendo o Aragonês, a Trincadeira, a Tinta Caiada, a Baga, o Castelão, o Alfrocheiro, o Jaen, a Touriga Franca, o Tinto Cão ou a Tinta Barroca, numa verdadeira touriguização dos vinhos portugueses que levou mesmo o director da Revista de Vinhos, Luís Lopes, a escrever um artigo de opinião na edição de Novembro de 2008 em que a comparava a uma epidemia, e a sugerir, meio a sério meio a brincar, que se criasse uma ZLTN (Zona Livre de Touriga Nacional) nas vinhas e nos vinhos portugueses que lhe permitisse livrar-se da touriguite aguda de que já padecia.

Mais recentemente, no mundo dos brancos, descobriu-se o Encruzado no Dão. Toca a fazer monocastas de Encruzado em todo o lado, porque o Encruzado é que é. Esqueçam lá isso da Malvasia Fina, do Cerceal, da Bical, do Arinto ou do Verdelho.

Vem isto tudo a propósito daquilo que agora nos é anunciado como o novo paraíso, the next big thing: os vinhos naturais e os vinhos biológicos. Até está anunciado para estes dias em Cascais um colóquio, o Wine Summit Cascais'17, que vai debater o tema, tal a sua relevância.

Ou não? Parece que há alguma confusão logo na designação, porque os biológicos podem não ser naturais e os naturais podem não ser biológicos. Parece que o preço de tais vinhos também não será um grande atractivo.

Então porquê esta doutrina? Dizem-nos que é por causa da não utilização de produtos artificiais. Nem conservantes que impeçam o vinho de se tornar vinagre dentro da garrafa rapidamente, nem controlo de doenças nem de pragas. Porque, parece, dizem-nos, é com isso que o consumidor está preocupado...

Está???

Perante isto, fico cheio de dúvidas – eu sou um tipo que, ao contrário do outro, tenho muitas dúvidas e engano-me frequentemente. Se a intenção é deixar que toda a natureza faça o trabalho na vinha, será que a rega é permitida? Para que serve, então, o enólogo? Para que servem os cursos de enologia e os estágios em Bordéus, na Califórnia, na Austrália e na Nova Zelândia? Serão o Barca Velha, o Petrus ou o Romanée Conti indignos de apreço e do preço que custam por serem “vinhos não naturais”? E não será a utilização de porta-enxertos de vinhas americanas artificial? Porque não voltar às vinhas em pé-franco e rezar para que a filoxera não apareça outra vez por aí? Se calhar vem já aí a seguir o regresso ao inefável “vinho caseiro” que se faz nas aldeias, por métodos ancestrais absolutamente naturais, e que produz excelentes zurrapas que não aguentam 3 meses no garrafão!

Não sei porquê, mas toda esta conversa faz-me lembrar outras do género. Porque não deixar de vacinar as crianças, como alguns pais já fazem, e esperar que as doenças se curem por métodos naturais e não matem as pessoas? Porque não deixar de usar antibióticos e outros medicamentos que serviram para erradicar doenças como a varíola? Porque não deixar de usar desinfectantes nas feridas e esperar que se curem sozinhas? Porque não deixar de ter filhos nas maternidades e voltar a tê-los em casa com uma parteira, como no tempo dos nossos avós? E já agora, porque não acabar também com os contraceptivos e usar apenas os “métodos naturais”, como sempre defendeu a igreja católica?

Desculpem lá o desabafo, mas isto sou eu que não percebo nada disto, sou apenas um comprador que gosta de saber se aquilo que bebe justifica aquilo que paga. Não sei donde é que estas coisas surgem e, francamente, não estou nada preocupado com isso. Mas causa-me uma certa urticária que, de cada vez que alguém se lembra de decretar uma nova “moda”, surja imediatamente uma farta legião acrítica de seguidores, que alinham bovinamente naquilo que lhes é transmitido. Quanto à suposta preocupação do consumidor com os tais vinhos “naturais”, vou esperar para ver. E já agora, gostava de saber que estudos há – se é que os há – que comprovem que o consumidor está muito preocupado com a sustentabilidade da agricultura que dá origem aos vinhos que bebe.

Eu só gostava que deixassem de pensar que os consumidores são todos parvos e ignorantes e que engolem (literalmente) todas as patranhas que lhes querem vender. Como sempre fui avesso às modas, considero que estas só têm uma coisa boa: é que, por serem apenas isso, passam de moda. Felizmente. E felizmente que ainda vão subsistindo uns resistentes, qual aldeia gaulesa do Astérix, que teimam em vogar contra a corrente. Como Dirk Niepoort que se atreve a dizer que “menos é mais” (menos concentração, menos doçura, menos álcool, menos madeira); como Luís Seabra que tem o arrojo de dizer que não gosta muito da Touriga Nacional porque tem tendência a marcar demasiado os vinhos e torna-los quase iguais; como Luís Pato, que teima em fazer tintos de Baga na Bairrada e deixá-los envelhecer; ou como Mário Sérgio Nuno que se está nas tintas para a certificação Bairrada nos rótulos. Ainda bem que estes nunca estão na moda, pois fazem vinhos que nunca passam de moda e, por isso, podem beber-se em qualquer altura.

Kroniketas, enófilo fora de moda

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Vinho - Grandes Escolhas



No passado dia 12 de Maio foi apresentada a nova revista dedicada essencialmente ao tema do vinho: Vinho - Grandes Escolhas.

A história é conhecida dos enófilos e conta-se rapidamente. A equipa redactorial da Revista de Vinhos saiu em bloco em Março passado, deixando nas mãos da administração da Masemba o futuro da revista. Esta estabeleceu uma parceria com a Essência do Vinho que tomou conta do projecto, fazendo transitar para a RV o corpo redactorial da revista Wine, que deixou de ser publicada com este nome.

A equipa demissionária da RV, entretanto, meteu mãos à obra e criou um novo projecto a que deu o nome Vinho - Grandes Escolhas. Foi essa equipa em peso que esteve na apresentação em Montes Claros, no parque de Monsanto em Lisboa, onde se juntaram apreciadores, jornalistas, bloggers, produtores e enólogos. Usaram da palavra o director e fundador da antiga revista e agora da nova revista, Luís Ramos Lopes, e o director da área de negócios, João Geirinhas Rocha, que o acompanhou ao longo destas quase três décadas.

A expectativa era grande, o primeiro número da nova revista estava disponível e as primeiras impressões pareceram trazer alguma linha de continuidade com algumas adaptações gráficas, mantendo-se o essencial do tipo de conteúdos e trazendo algumas novidades que ainda parecem estar por estabilizar. Pelo que foi possível saber das opiniões recolhidas, o futuro promete e os mais fiéis da antiga RV vão provavelmente continuar a acompanhar a mesma equipa na nova revista.

Quanto à antiga revista com a nova equipa, após dois números publicados a polémica já anda no ar devido a algumas práticas algo questionáveis, sendo que a capa e o nome se mantiveram mas o conteúdo não tem nada a ver com o anterior. Fica a pairar a pergunta se terá valido a pena manter um nome histórico no panorama editorial do mundo vinícola em vez de simplesmente acabar com ele...

Daqui para a frente, iremos ter duas entidades a realizar eventos com nomes parecidos em datas quase sobrepostas. Esse será, provavelmente, o grande barómetro da adesão do público. Em Outubro e Novembro haverá dois “encontros com o vinho”: o antigo no mesmo local, Centro de Congressos de Lisboa, organizado pela antiga RV com a nova equipa, e um novo noutro local, a FIL no Parque das Nações, organizado pela nova revista com a antiga equipa. Para já, esta parece ter partido à frente: já organizou a 6ª edição do Festival de Vinho do Douro Superior e marcou o próximo encontro com o vinho não só para um local maior e de mais fácil acesso como para uma data anterior. Mesmo tendo montado um novo projecto em apenas dois meses, a nova Vinho - Grandes Escolhas parece ter já partido à frente.~

Boa sorte é o que lhes desejamos. Quanto à concorrência, os meses que vão decorrer até ao fim deste ano dar-nos-ão, certamente, boas pistas sobre quem vai marcar mais pontos junto dos leitores. Mas a percepção que se colhe é que a mudança de revista também vai arrastar consigo uma grande mudança de leitores. Há uma tradição que gera confiança dum lado e desconfiança do outro. A ver vamos.

Kroniketas, enófilo expectante