sexta-feira, 29 de março de 2019

No meu copo 751 - Marquês de Borba Colheita branco 2018

Muita frescura, aroma frutado intenso, vibrante na boca com notas tropicais e citrinas. Paulatinamente tem vindo a tornar-se um grande vinho branco.

Mudou de rótulo, mudou de nome e está cada vez melhor. Começa a tornar-se uma referência incontornável, por um preço imbatível.

Os nossos agradecimentos à João Portugal Ramos Vinhos por mais este belíssimo branco.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba Colheita 2018 (B)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Viognier
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor

terça-feira, 26 de março de 2019

No meu copo 750 - Mateus Rosé Original

É tempo de revisitarmos o vinho português mais vendido em todo o mundo e o mais mal amado no país que o produz.

O célebre Mateus Rosé, criado em 1942 por Fernando Van Zeller Guedes e pioneiro da marca Sogrape, continua a ser um caso de sucesso apesar de muito desvalorizado intramuros.

A verdade é que o vinho da garrafa em forma de cantil foi concebido para ser um vinho agradável e fácil de beber, de forma descontraída. Nesse pressuposto, é difícil encontrar muitos que o batam ou mesmo que o igualem.

A melhor forma de desmistificar o Mateus aconteceu há uns bons pares de anos num curso de prova que frequentei no Instituto Superior de Agronomia com o Prof. Virgílio Loureiro. As conversas à volta do Mateus Rosé sucediam-se (quase sempre em tom depreciativo) até ao dia em que nos foram apresentadas algumas harmonizações de vinhos com comida.

Foram-nos servidas tâmaras enroladas em bacon e um vinho desconhecido em copo preto. Nem fresco nem natural. Foi-nos pedido que avaliássemos a parceria, e todos os presentes – sem excepção – consideraram que a harmonização estava perfeita. Quando foi mostrada a garrafa, voilà!, era Mateus Rosé. E assim se destroem os mitos, para o bem ou para o mal.

Dito isto, resta acrescentar que a prova mais recente aconteceu com cozinha oriental, no caso num restaurante coreano, e como não podia deixar de ser o Mateus Original ligou na perfeição com os vários pratos experimentados. Mesmo a solo é um vinho que se bebe com facilidade e sem dar por isso despejamos a garrafa. Está no registo meio-seco, é leve, fresco e refrescante.

Beba-se, pois!

Um brinde à Casa de Mateus, inspiradora do nome e do rótulo, agora em tempo de mudança de imagem com novo rótulo e nova garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Mateus Rosé Original (R)
Região: Sem denominação de origem
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 11%
Castas: Baga, Rufete, Tinta Barroca, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 3,87 €
Nota (0 a 10): 7


Fotos das garrafas (antiga e nova) obtidas no site do produtor

sábado, 23 de março de 2019

No meu copo 749 - Falua Unoaked Reserva 2015

Este vinho é uma novidade no portefólio da Falua, empresa que saiu recentemente do universo da João Portugal Ramos Vinhos mas que ainda tem algumas referências produzidas sob a sua batuta.

Trata-se dum monocasta de Touriga Nacional produzido na zona de Almeirim, sem estágio em madeira como indica a designação Unoaked.

Sem qualquer tratamento ou filtração, pretende representar a casta e o seu terroir do modo mais puro.

Nesta versão-Tejo da Touriga Nacional, as notas florais estão menos presentes do que nos seus congéneres do Dão ou do Douro, destacando-se mais os apontamentos de fruta preta e uma estrutura robusta.

À data da prova, pareceu estar ainda num estado de evolução demasiado jovem, algo “verde”, marcado por uma elevada adstringência. Talvez padeça de alguma sobre-extracção e por isso tenha sido bebido precocemente. Só ao fim de três dias depois de aberto é que começou a amaciar.

É claramente um vinho para pratos fortes de carne e com potencial de guarda, mas nesta fase ainda precisa de amadurecer. Mais um ou dois anos de garrafa deverão arredondá-lo e integrar melhor os aromas e sabores.

É um vinho para acompanhar mais para a frente, assim haja oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Falua Unoaked Reserva 2015 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 8,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 19 de março de 2019

No meu copo 748 - Prazo de Roriz 2016

Não têm sido muitas as provas com vinhos do universo Symington, mas agora há algumas referências que iremos provar ao longo dos próximos meses.

Começamos com este vinho da gama entre os 5 e os 10 euros, elaborado com 5 das castas emblemáticas do Douro na Quinta de Roriz, localizada em São João da Pesqueira (nome de que viria a resultar a designação da casta Tinta Roriz).

Este é um dos vinhos resultantes para parceria entre as famílias Prats e Symington, que ocorre paralelamente à produção de vinhos sob a chancela da Symington Family Estates, nomeadamente os provenientes da Quinta do Vesúvio e os vinhos do Porto das marcas Graham’s e Dow’s.

Apresenta-se com uma cor rubi profunda, aroma intenso a frutos vermelhos, encorpado na boca e com boa estrutura mas com taninos arredondados, final elegante e persistente com algumas notas de especiarias.

Dentro desta gama de preços, é uma boa aposta para a relação qualidade-preço e entra para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Prazo de Roriz 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Prats & Symington
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinta Amarela
Preço em feira de vinhos: 6,74 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 15 de março de 2019

No meu copo 747 - Quinta da Alorna Colheita Tardia 2015

Os vinhos de colheita tardia estão a tornar-se uma aposta muito interessante no panorama dos vinhos portugueses. Há bons produtos e este é um deles.

Este Quinta da Alorna Colheita Tardia é um produto bem conseguido e agradável dentro do estilo. Produzido unicamente com a casta Fernão Pires, tem uma cor dourada não muito carregada, apresentando-se com a doçura expectável sem ser enjoativo.

Nariz intenso com notas tropicais e meladas com algum citrino. Na boca é suave e persistente, combinando bem com sobremesas.

Desde a primeira prova deste mesmo vinho da colheita de 2003, muito tempo decorreu e nota-se uma clara melhoria no perfil destes vinhos. Estão menos pesados, mais elegantes e aromáticos. O próprio grau alcoólico já nada tem a ver com o que era antes: há 13 anos provámos este colheita tardia com 14% de álcool!

A parte mais difícil era um certo aroma a fungos e bolor, mas esse aroma de fundo já não se nota, tornando estes vinhos muito mais bebíveis e apetecíveis.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna Colheita Tardia 2015 (B) (garrafa de 375 ml)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 11%
Casta: Fernão Pires
Preço em hipermercado: 12,79 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 11 de março de 2019

No meu copo 746 - Soalheiro, Alvarinho 2018

Este é mais um vinho incontornável, uma aposta sempre segura por um preço ajustado.

Um Alvarinho de qualidade irrepreensível e com uma consistência que se mantém de ano para ano. Como qualquer vinho, tem anos melhores que outros, mas é um daqueles que nunca desilude.

Não há mais nada a acrescentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2018 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,69 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 7 de março de 2019

No meu copo 745 - Esporão Reserva branco 2016

Esta não foi a primeira prova que fiz do Esporão Reserva branco, mas foi a primeira garrafa aberta em casa, aproveitando uma ocasião festiva. Foi escolhido para acompanhar um bacalhau com natas e fez as delícias dos presentes.

Claro que a grande referência do Esporão é o Reserva tinto, pelo que o branco tem vivido um pouco na sombra daquele, mas as referências são invariavelmente elogiosas. E o vinho não deixa de justificá-lo.

Apresenta-se com uma cor palha clara, aroma com algumas notas cítricas mas com a madeira bem marcada e evidente logo no primeiro contacto. Na boca é cremoso, estruturado e volumoso, com final intenso mas redondo. Acidez equilibrada em dose quanto baste para conferir frescura ao conjunto.

É um vinho que faz jus ao nome da casa, embora a madeira talvez pudesse ser mais bem doseada, pois marca demasiadamente o conjunto. Talvez seja esse o ponto menos bom.

Em todo o caso continuo a preferir o tinto, que está uns furos acima.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2016 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 11,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 3 de março de 2019

No meu copo 744 - Portalegre DOC tinto 2015

E agora para algo completamente diferente, como diriam os Monty Python...

Saltamos na sub-região mais a sul no Alentejo para a sub-região mais a norte. Da Vidigueira para Portalegre, onde as vinhas nascem em altitude, na serra de São Mamede, chegando a atingir os 700 metros.

Já desde as últimas décadas do século XX os vinhos de Portalegre ganharam fama pela diferença que apresentavam em relação aos da planície. Diz, quem teve oportunidade de bebê-los, que os da Tapada do Chaves e da Adega Cooperativa de Portalegre ofereceram algumas colheitas memoráveis, sendo que algumas ainda se encontram por aí.

Entretanto os novos tempos trouxeram novos ventos e estes sopraram -se mais para sul, onde proliferaram novos produtores e novos vinhos. Já no século XXI redescobriu-se Portalegre: primeiro a Murganheira e agora a Fundação Eugénio de Almeida tomaram em mãos a produção na Tapada de Chaves, surgiram novos projectos como os de Rui Reguinga, João Afonso e Altas Quintas, recentemente a Sogrape comprou a Quinta do Centro, que começou por ser um projecto conjunto de Richard Mayson e Rui Reguinga, a Adega Cooperativa entrou em declínio mas também mudou de mãos e agora está com um novo fôlego, revitalizando as marcas que fizeram sucesso algumas décadas antes.

Este Portalegre tinto, habitualmente conhecido como Portalegre DOC, tem a missão de reflectir a ancestralidade da produção de vinho nesta região, vincando o carácter fresco e elegante que a altitude proporciona.

Foi vinificado com desengace total, fermentação em cuba e lagar de aço inox com controlo de temperatura a 26º C. Estagiou 18 meses em barricas usadas de carvalho francês.

Apresentou um aroma profundo com notas de fruta preta e alguma especiaria, boca volumosa com muita frescura, acidez marcada e taninos firmes mas redondos. Fim de boca elegante, longo e vibrante. Sem dúvida um tinto diferente do padrão mais habitual na região, que fez sucesso à mesa.

Auguram-se os melhores auspícios a esta nova geração de tintos de Portalegre. Muito boa relação qualidade-preço, e entra directamente para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Portalegre DOC 2015 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega de Portalegre Winery
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira, Grand Noir, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,39 €
Nota (0 a 10): 8,5