sexta-feira, 30 de novembro de 2018

No meu copo 719 - Pedra Cancela, Selecção do Enólogo tinto 2010 e 2015

Já tínhamos provado a colheita de 2010 deste Pedra Cancela Selecção do Enólogo e foi uma excelente surpresa, de tal forma que voltámos à carga com outra garrafa, que confirmou as impressões da primeira.

Passado algum tempo repetimos com a colheita de 2015, mas esta ficou aquém das expectativas. O vinho apresentou-se com o aroma algo discreto, demasiado contido, com pouca exuberância, na boca algo delgado e com menos vivacidade. Final macio mas discreto.

Em suma, tendo em conta a diferença de idades, conclui-se que o ano de 2015 foi uma colheita menos favorável, pelo que há que esperar que a próxima seja melhor.

Porque este é o tal Dão de que gostamos e que nos deliciou durante anos. Um Dão fora das modas, dos ditames dos gurus, daquilo que “o mercado pede” (como eu detesto esta frase dogmática!!!), que tenta recuperar as origens e a essência do verdadeiro Dão, daquilo que pode marcar a diferença e impor-se por ser aquilo que é, diferente dos outros, e não apenas mais um igual aos outros.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pedra Cancela, Selecção do Enólogo 2010 (T)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Pedra Cancela, Selecção do Enólogo 2015 (T)
Nota (0 a 10): 7,5

Região: Dão
Produtor: Pedra Cancela Vinhos do Dão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,89 €

terça-feira, 27 de novembro de 2018

No meu copo 718 - Ribeiro Santo Reserva tinto 2013

Um vinho do projecto de Carlos Lucas no seu percurso a solo. É um tinto do Dão com perfil clássico, elegante e macio na boca, com aromas a frutos vermelhos e do bosque, final elegante e persistente, envolvente na boca e com taninos redondos e macios.

Já com 5 anos após a colheita, mostrou-se com sinais evidentes de juventude, sem qualquer evolução excessiva. Apresentou-se no ponto óptimo de consumo, um vinho maduro e com todas as componentes em equilíbrio.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Ribeiro Santo Reserva 2013 (T)
Região: Dão
Produtor: Magnum - Carlos Lucas Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 7,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

No meu copo 717 - Casa da Passarela, A Descoberta rosé 2016

Foi a segunda prova que fizemos dum rosé da Casa da Passarela. A primeira foi a versão O Brasileiro, uma agradável surpresa num registo de rosé leve e despreocupado.

Esta versão “A Descoberta”, que é produzida em tinto, branco e agora em rosé, mostrou-se um vinho um pouco mais sério, mais estruturado, mais aromático, mais profundo, com mais complexidade tanto no nariz como na boca.

No aroma predominam notas florais e a frutos vermelhos. Na boca revela-se equilibrado e fresco, com boa acidez, final vivo, refrescante e persistente.

Mais um bom produto saído das mãos de mestre do enólogo Paulo Nunes, recentemente distinguido com mais um prémio “Escolha da Imprensa” pelo Villa Oliveira branco.

Um bom rosé para a mesa e polivalente, para diversos pratos, e com muito boa relação qualidade-preço. Para acompanhar com atenção. Entra directamente para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2016 (R)
Região: Dão
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 8


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

No meu copo 716 - Tintos velhos do Dão (2)

Dão Sogrape Reserva 1985; Dão Sogrape Reserva 1999


Estamos de regresso a um clássico.

De vez em quando há umas garrafeiras que anunciam estes vinhos velhos a preços atractivos, que são sempre uma boa oportunidade para recordar algumas preciosidades que provámos há mais de 20 anos...

Este é um vinho que sempre fez parte do nosso imaginário, e tivemos a possibilidade de voltar a degustá-lo, alguns anos depois das últimas provas.

Tal como anteriormente, voltou a deliciar-nos com a sua elegância, o seu bouquet e profundidade aromática.

O Reserva 1985 apresentou-se extremamente macio sem estar chato nem demasiado linear, ainda com uma acidez bem evidente a conferir vivacidade ao conjunto, com um final muito macio. É um daqueles vinhos que parece que vão durar para sempre, e dá-nos sempre um prazer renovado voltar a degustá-lo.

Já o Reserva 1999, como disse o tuguinho, é um vinho velho sem estrutura de velho, nem quaisquer sinais de velhice. Pelo contrário, mostrou ainda sinais de alguma juventude, uma frescura notável para um vinho de quase 20 anos, com os taninos macios mas presentes a conferirem-lhe alguma vivacidade. Envolvente, macio e estruturado na boca, parece ter crescido na garrafa.

Felizmente nesta compra houve oportunidade de adquirir mais algumas garrafas, pelo que ainda temos mais vinho para revisitar estas belíssimas memórias.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Dão Sogrape Reserva 1985 (T)
Grau alcoólico: 12%
Preço: 5,00 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Dão Sogrape Reserva 1999 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço: 10,00 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

No meu copo 715 - Esporão Colheita tinto 2015

Esta é uma estreia absoluta nas Krónikas Viníkolas.

Lançado recentemente no portefólio da Herdade do Esporão, este Esporão Colheita, vinho de produção biológica e irmão mais novo do emblemático Esporão Reserva, é um vinho com um perfil bem diferente do Esporão clássico, a começar desde logo no lote de uvas utilizadas.

Com uma mistura inusual de Cabernet Sauvignon e Touriga Franca, é um vinho de cor rubi brilhante, com aromas intensos de frutos vermelhos a predominar sobre um fundo vegetal. Apresenta-se com uma grande frescura na prova de boca, com boa estrutura e taninos suaves com final elegante e persistente.

Tem origem em solos xistosos, vinhas com 6 anos de idade e fermentou em tulipas de betão, onde posteriormente estagiou durante 6 meses.

Foi uma bela revelação, com um carácter jovem mas adulto a revelar um vinho com todas as condições para se afirmar rapidamente no mercado português. Como tudo o que sai do Esporão costuma ser bom, aguardamos com expectativa as próximas colheitas e as próximas provas, para vermos se se confirma esta boa novidade.

Pelas impressões já colhidas, é mais um vinho para acrescentar à nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Colheita 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 11 de novembro de 2018

No meu copo 714 - Duas Quintas Reserva tinto 2008

Passados alguns anos voltamos a falar dum dos grandes tintos portugueses. Outras provas aconteceram entretanto, das edições de 2006 e 2007, mas não houve oportunidade de trazê-las à estampa.

Sendo uma das marcas emblemáticas da Ramos Pinto, esta versão Reserva do Duas Quintas é desde há muito tempo um vinho que se guindou a patamares de excelência, dando-nos do melhor que há no Douro Superior.

Sabendo que naquela zona se produzem grandes vinhos tintos e se obtêm algumas das grandes referências nacionais com diversos perfis (os da Casa Ferreirinha, produzidos na Quinta da Leda, destacam-se pela elegância), o Duas Quintas sempre se pautou pela robustez e concentração, características que se mantêm.

De cor quase retinta, aroma predominante a frutos vermelhos maduros, na boca apresenta-se concentrado e estruturado, com grande corpo e final persistente e intenso, com taninos firmes mas macios. É um dos tais raros vinhos robustos com elegância.

É um daqueles vinhos dos quais se pode dizer que custam muito dinheiro mas não são caros para o prazer que proporcionam.

Top!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Duas Quintas Reserva 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 15%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: cerca de 25 €
Nota (0 a 10): 9

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

No meu copo 713 - Vila Santa Reserva tinto 2013

Está em excelente forma, este Vila Santa Reserva de 2013, mais uma garrafa recebida como oferta da João Portugal Ramos Vinhos.

Apresentou-se no ponto óptimo de consumo, com todas as suas componentes em equilíbrio. Corpo, acidez, aroma, estrutura, taninos, tudo quanto baste, e tudo envolvido por uma discreta e elegante suavidade que harmoniza o conjunto.

É um daqueles casos em que quase se parece conseguir fazer a quadratura do círculo nos vinhos: aliar robustez, pujança e estrutura com elegância, suavidade e algum requinte.

Há garrafas que se encontram, no seu estado de evolução, em momentos mais felizes, outras em momentos menos felizes. Esta, para nosso deleite, enquadrou-se no lote das primeiras. Foi bebida numa ocasião muito especial em que desfilaram também o Duorum tinto 2012 e 2014, o Quinta da Viçosa TC 2011 e o Duas Quintas Reserva 2008. Pois a verdade é que o Vila Santa não deixou os seus créditos por mãos alheias e bateu-se galhardamente com os seus parceiros de ocasião, mostrando-se à altura do desafio.

Dos tintos da Adega Vila Santa que já tive ocasião de provar, este foi um dos que mais me agradaram e surpreenderam pela positiva. Que é bom já sabemos, mas não esperávamos que este estivesse tão bom!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vila Santa Reserva 2013 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 8,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

No meu copo 712 - Duorum tinto 2012; Duorum tinto 2014

Voltando aos domínios da dupla João Portugal Ramos/José Maria Soares Franco, provámos estas duas garrafas de Duorum tinto, que estão em excelente forma.

É um vinho bem estruturado, persistente, elegante e complexo, que está excelentemente posicionado no patamar em que se encontra.

Aroma frutado intenso com algum floral, taninos firmes mas redondos, acidez fina e equilibrada e madeira bem integrada no conjunto.

Um valor seguro na gama de preços entre os 5 e os 10 euros, com uma excelente relação qualidade-preço.

É um vinho que merece claramente estar na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Duorum 2012 (T)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duorum 2014 (T)
Nota (0 a 10): 8

Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 6,77 €


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

No meu copo 711 - Gamla, Cabernet Sauvignon 2015

Foi a segunda vez que tive oportunidade de provar um monocasta de Cabernet Sauvignon produzido em Israel. A primeira tinha sido no já longínquo ano de 1995 e na altura encantou-me.

Passados todos estes anos tive curiosidade em experimentar novamente, agora de forma mais atenta e tendo em conta o local onde é produzido. Israel fica numa latitude abaixo de Portugal, sensivelmente a par da Tunísia e do norte de Marrocos, logo é provável que o clima seja propício a uma boa maturação das uvas. Há contudo um pormenor interessante: este produtor está localizado nos conhecidos (não pelas melhores razões) Montes Golan, a norte do Mar da Galileia, cerca de 200 km a norte de Jerusalém. As vinhas estão situadas entre as zonas “Northern Golan” e “Eastern Golan”, entre os 400 e os 1200 m de altitude, pelo que beneficiam dum clima mais fresco que a generalidade do país.

Em 2012 a Golan Heights Winery foi nomeada New World Winery do Ano pela Wine Enthusiast Magazine, e é-lhe geralmente atribuído o papel de ter iniciado a revolução de qualidade dos vinhos israelitas (informação obtida na Wikipédia).

Falando do vinho, este monocasta de Cabernet Sauvignon apresentou-se com uma boa concentração de cor, taninos bem maduros e redondos, aroma a frutas pretas e vermelhas, com algum achocolatado e compota. Na boca é bem estruturado, envolvente e suave, o final é macio e persistente.

Não se pode dizer que seja um vinho abençoado pela proximidade da chamada “Terra Santa”, mas este exemplar parece indicar que há um grande potencial para a produção de bons tintos.

Falta saber como serão os brancos, mas para isso há que por uma oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Gamla, Cabernet Sauvignon 2015 (T)
Região: Upper Galilee (Israel)
Produtor: Golan Heights Winery – Katzrin
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço: 17,41 €
Nota (0 a 10): 8