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domingo, 28 de abril de 2019

Na minha mesa 757 - Restaurante Prado (Lisboa)





Um dos muitos restaurantes virados para os novos conceitos de cozinha moderna, natural, biológica, com nomes compridos e esquisitíssimos... mas que não tem nada de verdadeiramente surpreendente nem encantador.

Ao entrarmos temos logo a cozinha à vista de todos e quatro rapazes de batas iguais à volta da mesa, o que nos dá logo a imagem dos espaços da moda.

Olha-se para o menu e não se percebe praticamente nada do que lá está. Somos aconselhados a pedir pelo menos 2-3 pratos por pessoa devido ao tamanho das doses. Debica-se daqui e dali, sem se perceber muito bem o que se está a comer. É tudo 100% natural, por isso há coisas que nem sequer foram cozinhadas… É realmente um novo conceito da cozinha moderna: não cozinhar os alimentos.
Vai-se pedindo e debicando daqui e dali, num desfile de mini-pratos que não nos faz salivar nem abrir a boca de espanto. No fim sai-se com a sensação de que nada daquilo valeu verdadeiramente a pena, porque não há nada que seja especialmente saboroso, nada daquilo encanta, nada daquilo delicia. Apenas se vai vendo no que dá e quantas mais doses teremos de pedir para não sair de lá com fome...

O melhor ainda foi um pão de gleba e uma sobremesa, um flan de café com castanhas e avelãs.

O espaço é amplo e agradável, o atendimento simpático, prestável e atencioso (foi um jantar num dia de semana). Mas não chega, muito longe disso. Provavelmente há-de aparecer nos programas culinários da moda, como o Boa Cama Boa Mesa, ou até, quem sabe, um dia ser premiado com umas estrelas do famoso guia dos pneumáticos (como o saudoso José Quitério sarcasticamente o apelidava) que parecem procurar tudo o que seja o mais complicado possível e menos entendível. O que está por provar é que seja o mais saboroso quando se misturam 6 sabores diferentes num prato em que não se percebe o que se está a comer e não nos conseguimos lembrar do que comemos.

Não quero desvalorizar o trabalho de quem lá está e certamente está empenhado em agradar e servir os clientes o melhor possível. E, quem lá vai, deve ter a noção de não ir ao engano. Mas não me deixa grandes memórias, e dificilmente me convencem a voltar.

Safou-se no meio disto um belíssimo vinho branco Riesling do Mösel, com boa acidez e muita frescura para ir lavando o palato e dando alguma vivacidade a uma refeição com pouco de entusiasmante.

Kroniketas, enófilo esclarecido e gastrónomo desiludido

Restaurante: Prado
Av. 24 de Julho, 68-F
1200-869 Lisboa
Telef: 915 181 515
Preço médio por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 2,5

sábado, 12 de janeiro de 2019

No meu copo 729 - Forster, Riesling 2014

Este vinho veio directamente da Alemanha, e como era mister tinha de ser um Riesling ou um Gewürztraminer.

Estas duas, como é sabido, são as castas emblemáticas daquele país, reflectindo o clima mais frio graças à sua acidez muito marcada, sendo a sua origem também associada à região da Alsácia, que pertence à França desde a 2ª guerra mundial, depois de várias transições entre este país e a Alemanha ao longo de vários séculos.

Em Portugal ambas as castas também já têm o seu espaço, tanto a norte como a sul, com vários produtores a apostar nelas para os seus vinhos monocastas (desde os da Quinta de Cidrô, a norte, aos da Fiúza ou do Casal de Santa Maria, a sul), mas o perfil deste vinho alemão é diferente daquele a que estamos habituados por cá.

Apresentou um aroma com algumas notas apetroladas, a meias com frutas brancas de pomar. Na boca mostrou-se redondo e elegante, ao mesmo tempo intenso e encorpado, com muita frescura na prova. Final de boca vivo, longo e redondo.

Em suma, muito bom! Uma excelente casta (até há quem a considere a melhor casta branca do mundo) que dá excelentes vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Forster, Riesling 2014 (B)
Região: Pfalz (Alemanha)
Produtor: Reichsrat Von Buhl – Deidesheim
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Riesling
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pondo a escrita em dia... (1)

No meu copo 253 - Veuve Roth, Riesling 2007; Château Sainte-Marie 2006


Com todo este atraso de provas acumuladas, continuamos a tentar pôr a escrita em dia. Os posts que vão aparecendo não reflectem uma ordem cronológica nem sequer a época do ano em que são publicados. Vamos tentar recuperar algum do tempo perdido, referindo as provas mais relevantes. A que se segue foi a propósito de mais uma incursão gastrónomo-etílico-futebolística dos Comensais Dionisíacos. O relato volta a ser do Politikos, que perante a preguiça dos nossos escribas resolveu avançar para a escrita... que nós publicamos.

Ainda com um certo espírito de “rentrée”, após o defeso de Verão, reuniu mais uma vez o núcleo duro dos Comensais Dionisíacos, composto pelos quatro convivas mais assíduos. Era para ter sido uma reunião plenária da sociedade que se iria bater com um javali, mas impossibilidades supervenientes de alguns dos membros, relativas já à nova época de caça, goraram o intento.

O pretexto foi, mais uma vez, um jogo de futebol, no caso da selecção nacional. Embora, neste particular, a opinião dos comensais divirja. É que há quem pense que o pretexto é o vinho, sendo os jogos mero contexto, ou seja, meras balizas temporais! Seja como for, enquanto no campo alinhavam 22 jogadores, em casa alinharam 6 néctares na equipa principal: dois brancos, três tintos e um Porto.

Para o aquecimento, embora bem refrescados que o tempo ainda se apresentava quente, apresentaram-se à liça dois brancos, já conhecidos de outros prélios. Um Veuve Roth, Riesling 2007, um branco suave, com a acidez certa, o que lhe confere aquela delicadeza típica dos brancos franceses e da casta. Embora não fosse a combinação certa, para espanto meu, aguentou-se bem a acompanhar umas lascas de presunto serrano com pão de Mafra com que se iniciaram as hostilidades...

Deveria seguir-se um Château Sainte-Marie 2006, outro gaulês, que resulta do feliz casamento entre as castas Sauvignon Blanc, Sémillon e Muscadelle. Proveniente da região demarcada de Entre-Deux-Mers, que deve o seu nome ao facto de estar encravada entre os rios Dordogne e Garonne, e integra a grande região de Bordéus, é um vinho fresco e frutado, cuja igualmente bem domada acidez deixa vir ao de cima o doce e o sabor inconfundíveis do moscatel. Ficou aprovadíssimo em prova anterior, revelando-se um excelente branco. Mais uma vez os brancos franceses a brilhar e a marcar pontos nas nossas preferências. Mas desta vez, para nosso azar, nem chegou a ir a jogo. Dois dos convivas deram-lhe um gole e concluíram que estava passado. Acontece! Antes disso, e para comparação, ainda foi distribuído pelos comensais umas lágrimas – o que sobejava do consumo da semana – de um branco da Região do Sado de seu nome Lisa, 100% moscatel graúdo, para se poder aferir a diferença entre dois vinhos com moscatel. A intenção era boa...

Não era, porém, por falta de jogadores que em casa não se jogava, pelo que fizemos alinhar de imediato os tintos que se haviam de bater à mesa com umas gravatinhas de porco, muito bem temperadas, acompanhadas de batata frita, transportadas de Benfica duma sucursal do famoso David da Buraca em versão mais moderna e requintada, que neste caso dá apenas pelo nome de David.
(continua)

Vinho: Veuve Roth, Riesling 2007 (B)
Região: Alsácia (França)
Produtor: Les Caves de La Route du Vin
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Riesling
Preço: 6,57 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Château Sante Marie 2006 (B)
Região: Entre-deux-mers - Borgonha (França)
Produtor: Château Sainte Marie
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon (62%), Sémillon (29%), Muscadelle (9%)
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 7 de setembro de 2008

No meu copo 199 - Vin d'Alsace, Riesling 2005 e Gewürztraminer 2004

No mesmo repasto com os Comensais Dionisíacos em que provámos o mal sucedido Quinta de D. Carlos, tive finalmente a oportunidade de abrir os dois brancos da Alsácia trazidos há um ano de França, um produzido com Riesling e outro com Gewürztraminer. Na Alsácia estas são duas das castas mais plantadas (a outra é o Pinot Blanc). Já tínhamos provado uns Riesling da Alemanha, mais doces, enquanto estes dois alsacianos se mostraram um pouco mais secos e frutados.

A Alsácia andou durante séculos a transitar entre a França e a Alemanha, daí os nomes esquisitos das castas e das cidades. A cidade de Colmar, no coração da região vitivinícola, tem um microclima seco e soalheiro que a torna a segunda cidade mais seca de França, a seguir a Perpignan.

Estes brancos do norte da Europa têm um perfil significativamente diferente do que estamos habituados por cá, normalmente mais adocicados mas ao mesmo tempo com uma acidez pronunciada e bastante diferente da que se obtém nos climas mais a sul como o nosso. Temos feito algumas incursões por estas castas quando calha, para sair do padrão nacional, e quase sempre com agrado.

Esta dupla prova pecou pela questão da temperatura, pois no local onde as garrafas foram abertas o frigorífico estava pouco frio e o congelador cheio, embora tivessem sido levadas frescas. Mesmo assim ainda foi possível arrefecê-las um pouco mais de modo a poder apreciar melhor os néctares.

Não me vou alongar muito em descrições devido a esta limitação. De qualquer modo agradaram bastante aos presentes, sendo que a segunda garrafa já estava mais fresca que a primeira, pelo que os aromas se puderam apreciar mais. Não foi possível diferenciá-los como gostaríamos, mas o Riesling apresentou-se mais seco e o Gewürztraminer mais adociado. Ambos se apresentaram com uma boa acidez e alguma secura, com um bom perfil para aperitivo ou, quem sabe, para umas entradas leves ou um foie-gras a condizer. Quando a ocasião se proporcionar havemos de voltar à carga, então com temperaturas mais adequadas.

Kroniketas, enófilo alsaciano

Região: Alsácia (França)

Vinho: Vin d’Alsace, Riesling 2005 (B)
Produtor: Cave Vinicole d’Ingersheim - Ingersheim
Grau alcoólico: 12%
Casta: Riesling
Preço em supermercado local: 4 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vin d’Alsace, Gewürztraminer 2004 (B)
Produtor: Les Vignerons Récoltants de St-Hippolyte - Orschwiller
Grau alcoólico: 13%
Casta: Gewürztraminer
Preço em supermercado local: 6 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

No meu copo 135 - Fritz Haag, Riesling 2002; Caspari-Kappel, Riesling 2002

Os brancos e rosés de férias (II)


Uma incursão estival levou as Krónikas Viníkolas ao Chafariz do Vinho para matar saudades. Acerca do espaço já dissertámos longamente, pelo que não vale a pena estarmos a repetir-nos. Como ali há sempre uns vinhos que não é fácil encontrar no mercado, principalmente brancos, voltámos a escolher um branco, neste caso um Fritz Haag proveniente da Alemanha e da casta Riesling, com a qual nos temos cruzado algumas vezes.

O serviço, como sempre, esteve irrepreensível, mas o vinho surpreendeu um pouco. Esquecemo-nos que o Riesling tem sempre aquele teor adocicado que neste caso não ficou muito bem com os petiscos escolhidos, além de que o rótulo tem indicações que não sabemos o que significam. Só depois, em casa, pude investigar o que significa a indicação “Spätlese” que se segue à casta: é um vinho de colheita tardia. Embora suave, leve e agradável, aconselhava-se mais como refresco de esplanada do que a acompanhar paio de porco preto, perdiz de escabeche ou rolo de massa fresca com requeijão.

Noutro contexto, outro Riesling alemão e também Spätlese, um Caspari-Kapell, foi provado precisamente à tarde na esplanada entre dois dedos de conversa. Nenhuma surpresa, o perfil é o mesmo: leve, fresco, adocicado e com pouco grau alcoólico. Mais adequado, porventura, para acompanhar umas sobremesas. Mas bebe-se bem em dias de calor.

Ambos pertencem à região do rio Mosela e dos seus afluentes Sarre e Ruwer, cuja desiganação engloba os três nomes: Mosel-Saar-Ruwer.

De realçar que estes vinhos apresentam uma designação de qualidade que está acima da média na Alemanha: Quälitatswein Mit Prädikat (QmP), que é normalmente atribuída a vinhos de menor produção e, principalmente, de uvas adequadamente maduras. Os vinhos QmP têm atributos especiais e não têm adição de açúcar. Distribuem-se por seis categorias, das quais a Spätlese é a segunda mais baixa na escala de doçura, acima da Kabinett, dos vinhos mais leves e secos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fritz Haag, Riesling 2002 - Spätlese (B)
Região: Mosel-Saar-Ruwer (Alemanha)
Produtor: Weingut Fritz Haag - Brauneberg
Grau alcoólico: 8%
Casta: Riesling
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Caspari Kappel, Riesling 2002 - Spätlese (B)
Região: Mosel-Saar-Ruwer (Alemanha)
Produtor: Caspari-Kappel
Grau alcoólico: 8%
Casta: Riesling
Nota (0 a 10): 7,5