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sábado, 18 de maio de 2013

No meu copo 316 - Tapada do Chaves: Reserva 2002; Vinhas Velhas Reserva 2002

Este é um clássico alentejano com grandes tradições, mas com o qual tenho tido uma relação dispersa e algo difícil. Provei o tinto Reserva pela primeira vez nos anos 90, impulsionado pelo nome e pela fama do vinho, primeiro com a colheita de 1994 e depois com a de 1996 (na altura custou cerca de 2000 $), e de nenhuma das vezes me encantou, sobretudo tendo em conta o preço. As impressões colhidas foram que não valia aquilo que custava.

Passaram alguns anos até que voltasse a arriscar, mais especificamente até ter estado a trabalhar em Portalegre e ter visitado a própria Tapada do Chaves (então já na posse das Caves Murganheira, depois da venda pela família Fino à SLN), e conhecido um pouco melhor a sua história, Voltou então a despertar o meu interesse pelos seus vinhos, o que me levou inclusivamente a provar o espumante ali produzido. Comprei novamente o Reserva, da colheita de 2002, que experimentei uma e outra vez. Posteriormente comprei também o Vinhas Velhas 2002, que conheci também nessa visita às instalações da casa, e mais recentemente comprei o Reserva 2005 e o Reserva 2009 (já com o novo e horrível rótulo).

Continuei com algumas reticências em relação ao resultado das provas efectuadas. Primeiro pareceu-me um vinho inicialmente muito fechado e depois algo cansado, com demasiada evolução. Não convencido, insisti e tentei ajudar com a decantação. Achei-lhe alguma falta de aroma, pouco exuberante.

Recentemente, juntamente com o tuguinho, resolvemos fazer uma prova comparada do Reserva 2002 e do Vinhas Velhas Reserva 2002, a acompanhar umas costeletas de novilho grelhadas na brasa. Sem hesitações, tratámos de decantar as duas garrafas, de modo a dar tempo ao vinho para respirar.

Esperámos por alguma exuberância aromática que não se manifestou no Vinhas Velhas, estando mais evidente no Reserva. Na boca apresentam-se macios mas o corpo é mediano e a persistência também. Para nossa surpresa, sendo de um patamar superior, o Vinhas Velhas voltou a mostrar-se mais contido e mais evoluído, enquanto o Reserva mostrou uma maior frescura. Ambos estagiados em madeira de carvalho nacional, facto realçado no contra-rótulo, esta não apareceu muito marcada, integrando-se bem no conjunto.

Em termos de balanço, pode-se dizer que se esperava mais. Tenho lido várias opiniões desencontradas acerca deste vinho e desta colheita em particular: umas elogiando o seu classicismo e suavidade, mantendo vivo o traço da tradição que nos permite regressar à base “quando já não temos paciência para os vinhos certinhos ou muito concentrados e extraídos, acabamos por encontrar consolo nos vinhos mais frescos, elegantes e complexos que se faziam primeiro”; outras considerando que o vinho não tem uma boa relação qualidade-preço, que é algo desequilibrado em termos de álcool e que decepciona face às expectativas. Tendo a inclinar-me mais para esta última opinião, parecendo-me que é uma marca que vive muito do nome mas a que falta talvez alguma alma. E, no entanto, como eu gosto de regressar aos clássicos...

No caso do Vinhas Velhas, embora teoricamente melhor que o Reserva, também não me parece que justifique o preço. Se para o Reserva ainda se pode questionar ou não o patamar de preço, no caso do Vinhas Velhas não justifica a compra, pois aquilo que perde em frescura com a idade, não ganha em complexidade como seria de esperar.

Os diletantes preguiçosos:
Kroniketas, enófilo esclarecido, com revisão e censura de tuguinho, enófilo preguiçoso


Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial

Vinho: Tapada do Chaves Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Castelão
Preço: 12 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Tapada do Chaves Vinhas Velhas Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Castelão, Tinta Francesa
Preço: 17 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Os vinhos da festa 2007-2008 (1)

No meu copo 159 - Champanhes e espumantes




Na quadra festiva que há pouco terminou, entre jantares de Natal, réveillon e alguns aniversários tivemos oportunidade de provar um conjunto alargado de vinhos que seria fastidioso descrever em detalhe. Assim vamos apresentar algumas notas curtas, agrupando-os por tipo de vinho (daqueles que ainda nos lembramos...)

Começamos pelos champanhes e espumantes.

Veuve Clicquot Champagne Brut - Um clássico do champanhe francês que já se tornou tradicional nos meus jantares de Natal. Foi uma das primeiras notas de prova colocadas neste blog, precisamente após o fim-de-ano de há dois anos. Apreciação aqui. Nota: 9

Pol Carson Champagne Brut Rosé - Numa variação ao habitual, resolvi experimentar este champanhe rosé e foi uma bela aposta. Bastante aromático, seco, suave, bolha fina e com grande elegância. Excelente acompanhante de quase todo o tipo de iguarias, mas em particular entradas, peixes e mariscos. Uma boa aposta por um preço, apesar de tudo, não muito exagerado para o produto que é. Nota: 8,5

Tapada do Chaves Bruto 2002 - Resolvi experimentar este por estar agora em Portalegre, por ter visitado a Tapada do Chaves e por ainda não ter experimentado um espumante do Alentejo (só o tinha provado de fugida num Encontro com o vinho). Foi uma belíssima revelação. Bastante frutado e aromático, ainda com algum toque floral, muito elegante e com bolha fina. Bela combinação do Arinto, a dar uma bela acidez ao conjunto, com o Fernão Pires. Entrou directamente para a lista dos recomendados, até porque tem um preço bastante aceitável. Nota: 8

Cabriz Bruto 2005 - Igualmente equilibrado, aromático e elegante, com muita frescura na boca. A Malvasia Fina a expressar-se muito bem em combinação com a Bical. Nota: 8

Real Senhor Velha Reserva 2001 - Mais um bom exemplo duma feliz combinação de castas, neste caso a Malvasia Fina e o Arinto, duas excelentes castas brancas. Pareceu-me contudo menos suave que os dois anteriores. Nota: 7,5

João Pires Bruto - Este foi o que menos me agradou de todos os provados. Pareceu-me pouco elegante, exactamente ao contrário dos outros. Talvez uma segunda apreciação possa rectificar esta primeira impressão. Nota: 7

Kroniketas, enófilo espumantizado

Vinho: Veuve Clicquot Champagne Brut (B)
Preço em hipermercado : 32,89 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Pol Carson Champagne Brut (R)
Região: Champagne (França)
Produtor: Sedi Champagne - Châlons en Champagne
Grau alcoólico: 12%
Preço em hipermercado: 19,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Tapada do Chaves espumante bruto 2002 (B)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço em hipermercado: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cabriz espumante bruto 2005 (B)
Região: Dão
Produtor: Dão Sul
Grau alcoólico: 12%
Castas: Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Real Senhor Velha Reserva espumante bruto 2001 (B)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Malvasia Fina, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Pires espumante bruto (B)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (VIII)

Tapada do Chaves






Este é um dos nomes mais prestigiados entre os produtores de vinho do Alentejo, e da região de Portalegre em particular. A Tapada do Chaves produz desde 1920 e pertenceu à mesma família durante décadas, até que em 1998 a proprietária Gertrudes Fino vendeu a propriedade à Murganheira, a empresa da região de Lamego conhecida pelos seus excelentes espumantes. A título de curiosidade refira-se que o Banco Português de Negócios detém parte significativa do capital da empresa.*

A propriedade é constituída por 45 hectares, dos quais 32 são de vinha. Recentemente foram plantadas algumas novas castas para diversificar a produção. A aposta é mais na qualidade em detrimento da quantidade, pelo que são produzidos anualmente apenas cerca de 100.000 litros de vinho, distribuídos por 5 marcas:
Tapada do Chaves Reserva tinto, Tapada do Chaves Reserva Vinhas Velhas tinto (destinado essencialmente à exportação para o Brasil), Tapada do Chaves Branco, Tapada do Chaves Espumante Bruto e Almojanda tinto (Regional).

A propriedade situa-se na estrada de Portalegre para o Crato, mesmo antes da povoação de Frangoneiro, e espreguiça-se suavemente pela encosta em filas muito bem alinhadas. As várias castas estão muito bem identificadas, sendo bem visível a parte mais nova onde irão despontar os cachos de Alicante Bouschet.

Na parte mais antiga das instalações, repleta de relíquias associadas ao vinho (e não só), ainda perduram os antigos tanques de fermentação, pelos quais o vinho era introduzido para os depósitos por baixo e durante a fermentação subia por tubos até encher os tanques. Ao chegar ao mesmo nível de outros tanques que estavam ao lado cheios de água era terminada a fermentação. São ainda visíveis as talhas de barro onde o vinho era armazenado. Existe ainda uma sala de provas para os visitantes, que podem marcar uma visita através da Rota de vinhos do Alentejo.

No piso inferior encontram-se as cubas de fermentação e a adega com as barricas de carvalho francês, americano e russo e o depósito onde repousam as garrafas. Dada a reduzida produção, a empresa faz apenas um engarrafamento por ano e por esse motivo não dispõe de linha de engarrafamento própria, pois os responsáveis consideram que não justifica o investimento e a manutenção da mesma. Assim, o processo de engarrafamento é entregue a uma empresa contratada para o efeito que disponibiliza o equipamento necessário. O vinho é transportado por mangueiras para a linha de engarrafamento onde depois decorre o resto do processo. Sinais dos novos tempos.

Nos eventos entre Natal e fim-de-ano, incluindo um jantar de aniversário, tivemos oportunidade de provar o espumante da Tapada do Chaves, de que daremos conta no respectivo post.

Kroniketas, enófilo itinerante

Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Frangoneiro - Apartado 170
7301-901 Portalegre
Tel: 245.201.973


* Nota - obviamente este texto foi escrito antes da falência do BPN e do buraco que custou milhões ao erário público.