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domingo, 11 de novembro de 2018

No meu copo 714 - Duas Quintas Reserva tinto 2008

Passados alguns anos voltamos a falar dum dos grandes tintos portugueses. Outras provas aconteceram entretanto, das edições de 2006 e 2007, mas não houve oportunidade de trazê-las à estampa.

Sendo uma das marcas emblemáticas da Ramos Pinto, esta versão Reserva do Duas Quintas é desde há muito tempo um vinho que se guindou a patamares de excelência, dando-nos do melhor que há no Douro Superior.

Sabendo que naquela zona se produzem grandes vinhos tintos e se obtêm algumas das grandes referências nacionais com diversos perfis (os da Casa Ferreirinha, produzidos na Quinta da Leda, destacam-se pela elegância), o Duas Quintas sempre se pautou pela robustez e concentração, características que se mantêm.

De cor quase retinta, aroma predominante a frutos vermelhos maduros, na boca apresenta-se concentrado e estruturado, com grande corpo e final persistente e intenso, com taninos firmes mas macios. É um dos tais raros vinhos robustos com elegância.

É um daqueles vinhos dos quais se pode dizer que custam muito dinheiro mas não são caros para o prazer que proporcionam.

Top!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Duas Quintas Reserva 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 15%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: cerca de 25 €
Nota (0 a 10): 9

terça-feira, 25 de setembro de 2018

No meu copo 701 - Duas Quintas Reserva branco 2017; Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira

Mantendo a mesma tradição dos posts centenários, iniciamos mais uma centena de posts de provas com dois grandes vinhos dum grande produtor. Não são novidades, mas são novas provas.

O Duas Quintas Reserva branco tinha sido provado já durante este ano, numa prova algo prejudicada pelo excessivo tempo de espera. O vinho já apresentava um perfil que não foi do nosso maior agrado.

Agora provámos esta colheita de 2017, acabadinha de chegar ao mercado. Mantendo a filosofia que deu origem à marca Duas Quintas já no longínquo ano de 1990 (mistura de uvas de terreno xistoso em baixa altitude e boa maturação na Quinta de Ervamoira, e de terreno granítico em altitude na Quinta dos Bons Ares), aqui sim, o vinho mostrou tudo aquilo que se espera dele.

Muito boa acidez, estrutura e intensidade aromática. Persistente e com final longo, mostra-se um excelente parceiro para a mesa que se adequa quer a pratos de peixe quer de carne, pois a sua estrutura permite-lhe bater-se quase com qualquer prato bem temperado e com robustez. Pode ser bom para envelhecer, mas parece-nos que é na juventude que se tira dele o melhor partido.

Já o Duas Quintas Celebração, de que tinha sido provado um exemplar único, foi adquirido numa dessas oportunidades que surgem de vez em quando nas garrafeiras com vinhos antigos. Em boa hora o fizemos, pois o vinho não perdeu nada em relação à prova anterior. Mantém-se um vinho de grande elegância e com grande personalidade, boa estrutura e persistência, já não com as notas frutadas tão em evidência mas com aromas mais complexos. Vale a pena repeti-lo uma vez e outra.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto

Vinho: Duas Quintas Reserva 2017 (B)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Rabigato, Arinto, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 14,11 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira (T) (sem data de colheita)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço: 14,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

No meu copo 653 - Duas Quintas Reserva branco 2010

Foi demasiado tempo à espera. Este vinho foi adquirido em Setembro de 2013 e só agora, finalmente, decidimos bebê-lo. Tarde demais para tirar dele todo o partido.

A cor, dum amarelo quase de mel, já indiciava uma evolução acentuada. No nariz mostrou alguma mineralidade mas perdeu boa parte dos aromas a fruta. A acidez está lá, bem presente, a manter o vinho bem vivo na boca e persistente no final, com algumas notas a lembrar glicerina. Perdeu-se alguma frescura, ganhando-se em elegância.

Nesta fase, as notas de madeira – onde fermentou e posteriormente estagiou sobre borras finas durante 7 meses – já quase desapareceram, embora ainda se pressintam nos aromas mais voláteis.

Enfim, esperávamos um belo vinho, que não deixa de ser. Branco de guarda? Talvez, mas não justifica ser guardado tanto tempo para tirar dele todo o partido. Faltou-lhe a juventude que deixámos escapar. Requer-se uma nova investida para provar uma colheita no tempo certo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Duas Quintas Reserva 2010 (B)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Rabigato (50%), Arinto (20%), Viosinho (20%), Folgazão (10%)
Preço em feira de vinhos: 14,11 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

No meu copo 645 - Ramos Pinto Collection 2006, 2008, 2009

Depois da prova anterior do Ramos Pinto Collection, houve oportunidade de fazer uma prova vertical com as colheitas de 2006, 2008, 2009 e 2010 a acompanhar um repasto de lombo de porco no forno com coentros.

Começou-se pelo 2006, que deixou toda a gente extasiada! Apresentou-se com grande exuberância aromática, muito estruturado e persistente. Curiosamente, sendo o mais antigo dos quatro foi o que apareceu mais pujante e com menos evolução. Um par perfeito para o prato.

Prosseguindo na ordem cronológica, passou-se ao 2008, que foi o mais suave e elegante, e mereceu a preferência de alguns dos provadores. Apareceu num estado de evolução mais delicado e a pedir carnes mais requintadas.

O 2009 foi o mais neutro em termos de aroma e corpo. Mais elegante mas menos definido nas suas componentes, talvez num ponto de evolução mais incerto.

Finalmente foi possível repetir o 2010, que voltou a mostrar a grande exuberância que já tinha apresentado na prova anterior.

Num panorama geral, o que marca estes vinhos é por um lado a estrutura e persistência, com taninos bem marcados mas redondos; por outro a elegância subjacente que. mesmo nas colheitas donde resultaram vinhos mais poderosos, está sempre presente no modo como o vinho arredonda na prova de boca e no final. Com estas idades as notas frutadas já não são muito evidentes, mas tendo em conta as castas os traços essenciais são de frutos vermelhos maduros com ligeiras notas mentoladas e florais. Em todo o caso, excelentes vinhos em qualquer uma das colheitas, todas diferentes umas das outras.

Ainda restam alguns exemplares noutra garrafeira, pelo que qualquer dia poderemos repetir uma vertical para testar novamente o estado de evolução.

O rótulo de 2008, inspirado no tema “Tentação de Santo Antão”, foi desenhado em 1907 por Leopoldo Metlicovitz. O de 2009, que deixa para trás a Belle Époque para se render à idade do Jazz Band (descrição presente no contra-rótulo), chama-se Farandolle e é uma obra de 1926 de Leonetto Cappiello, considerado o melhor “cartazista” do seu tempo. O de 2010 mostra uma imagem de bacantes com tigres, obtida num postal de 1916.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Preço: 9,75 € (em 2013)

Vinho: Ramos Pinto Collection 2006 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Ramos Pinto Collection 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ramos Pinto Collection 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (25%), outras (25%)
Nota (0 a 10): 8


domingo, 12 de novembro de 2017

No meu copo 630 - Ramos Pinto Collection 2010

Este foi um vinho especial de colecção que só teve algumas edições. À semelhança de outros lançamentos, como um histórico e único Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira, ainda sob a orientação de João Nicolau de Almeida foram colocados no mercado alguns vinhos com edições limitadas, de que este Collection foi um dos exemplos mais recentes.

Evocando diversas épocas dos século XX através dos respectivos rótulos, teve edições desde 2005 a 2010. Foi uma garrafa desta última colheita que tivemos oportunidade de degustar recentemente, a acompanhar um lombo de porco com molho agridoce.

O vinho apresentou uma cor carregada a tender para o grená. No nariz mostrou-se intenso e vinoso no primeiro ataque, aparecendo depois algumas notas de frutos vermelhos e do bosque.

Na boca é pujante mas macio, estruturado mas elegante, com um final simultaneamente delicado e longo, marcado por notas de especiarias e complexidade que vai sobressaindo a cada trago.

Fez um casamento perfeito com o prato, pois a sua complexidade e acidez contrabalançaram de forma excelente o adocicado do molho.

Ao contrário do que nos aconteceu com o Duas Quintas Celebração, deste guardámos mais algumas garrafas de várias colheitas, pelo que ainda poderemos revisitá-lo durante alguns anos, até porque não é vinho para abrir todos os dias e tanto esta prova como as anteriores mostraram claramente tratar-se dum vinho de guarda. Merece um bom prato e uma boa companhia para ser apreciado como merece.

É mesmo uma colecção única, mas para ser devidamente desfrutada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Ramos Pinto Collection 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (25%), mistura de outras (25%)
Preço em feira de vinhos: 9,75 € (último valor encontrado em 2013)
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

No meu copo 495 - Ramos Pinto: as duas quintas em brancos

Bons Ares branco 2013; Duas Quintas branco 2014


Agora que o consulado de João Nicolau de Almeida como responsável máximo pelos vinhos da Casa Ramos Pinto se aproxima do fim, anunciado pelo próprio, e depois da prova vertical que assinalou os 25 anos do Duas Quintas tinto no Encontro com o Vinho e os Sabores 2015, é uma boa oportunidade para apreciar alguns dos vinhos da casa que têm sido lançados ao longo do último quarto de século.

Não temos sido grandes frequentadores dos brancos da Ramos Pinto, incidindo mais nos tintos. Mas duas compras recentes permitiram provar dois brancos de marcas emblemáticas que já têm nome feito nos tintos: o Bons Ares, proveniente da quinta com o mesmo nome, e o Duas Quintas, que tal como o tinto junta as uvas desta quinta às uvas da Quinta de Ervamoira.

A Quinta dos Bons Ares é a que fica situada em altitude, cerca de 600 m acima do nível do mar, e tem solo granítico. É daqui que vêm habitualmente as uvas que conferem mais frescura e acidez aos vinhos. Este lote de Viosinho e Rabigato, castas tradicionais durienses, associado ao Sauvignon Blanc (cuja incorporação no lote o torna vinho Regional Duriense em vez de DOC Douro) resultou num vinho fresco, aromático, medianamente estruturado e persistente, com um final suave. No sabor apresenta-se com algum citrino e um ligeiro vegetal com leves notas tropicais, que denota a presença do Sauvignon Blanc. Acidez elegante, sem ser impositiva.

Um vinho extremamente equilibrado, onde parece que nada foi deixado ao acaso, com todas as componentes presentes na dose certa, de forma mais ou menos discreta e sem exageros, formando assim um conjunto versátil que pode ligar bem com peixes sofisticados e carnes não muito pesadas de forma quase indistinta – experimentei as duas variantes e ambas resultaram em pleno. É um branco de meia estação, o que o torna versátil para múltiplas ocasiões.

Temos assim mais um branco para acrescentar à nossa lista de preferências e a manter debaixo de olho.

Quanto à versão em branco do Duas Quintas, que temos provado amiudadamente em tinto e que temos sempre em stock, segue um pouco a linha do tinto em comparação com o Bons Ares. Aqui o lote contém Arinto em vez de Sauvignon Blanc, mantendo-se as outras duas castas. O vinho mostra-se mais estruturado e com mais corpo, mas com menos frescura e suavidade – a proveniência, da Quinta de Ervamoira, de uvas com maturação mais profunda (como reza o contra-rótulo do tinto) traz alguma complexidade e persistência ao vinho mas retira-lhe alguma elegância, o que no caso destes dois brancos torna o Bons Ares um pouco mais apelativo. O Duas Quintas é um vinho mais de Inverno e para pratos mais fortes.

De todo o modo, foi uma comparação de estilos muito interessante e, conforme o acompanhamento que se pretende, temos dois perfis de vinho diferentes à escolha do consumidor. Pessoalmente, o Bons Ares vai mais ao encontro do meu gosto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto

Vinho: Bons Ares 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Rabigato, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas 2014 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Rabigato, Viosinho, Arinto
Preço em feira de vinhos: 9,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Encontro com o Vinho e os Sabores 2015 (1ª parte)

25 anos de Duas Quintas


  

Cumprindo o ritual de todos os anos, que já é presença obrigatória no calendário, há um mês dirigimo-nos ao Centro de Congressos de Lisboa para a edição 2015 do Encontro com o Vinho e os Sabores.

Tal como o ano passado, decidi participar numa prova especial, desta vez os 25 anos de existência do Duas Quintas sob a batuta de João Nicolau de Almeida.

O enólogo e administrador da Casa Ramos Pinto anunciou a sua reforma para breve, em que vai passar o testemunho aos mais novos e dedicar-se em exclusivo aos projectos familiares com os seus filhos, Mateus e João.

Começou por fazer um historial do seu percurso antes e durante a Ramos Pinto, a busca do seu tio José António Ramos Pinto Rosas por um local de excepção que viria a encontrar na Quinta de Ervamoira, a investigação das castas mais adaptadas à produção de “vinho de pasto” no Douro e, finalmente, a inovadora plantação de vinhas ao alto em vez da tradicional disposição em patamares.

Depois da apresentação histórica de como surgiu o Duas Quintas (e dos acidentes que ocorreram na primeira colheita, em 1990), passou-se então à prova de algumas colheitas disponíveis da versão Reserva, que surgiu em 1992, não sem que antes ainda nos fosse dado a provar a colheita de 1990, que já está em óbvio declínio, algo oxidado e descorado, mas ainda se bebe... Tive a feliz coincidência de encontrar esta colheita na Feira de Vinhos do Pingo Doce, em 1993, pelo que tenho acompanhado este vinho desde o seu nascimento. Foram produzidos 80.000 litros desta primeira colheita.

Do Duas Quintas Reserva foram provadas as colheitas de 1992, 1994, 1997, 2000, 2005, 2008 e as três últimas, 2011, 2012 e 2013.

As diferenças foram óbvias: os mais antigos mais suaves e delicados, os mais recentes mais frutados, pujantes e persistentes. Em todos eles, uma exuberância aromática evidente, um corpo pujante e estruturado. 1994 mais elegante, macio e frutado que o de 1992. 1997 ainda algo adstringente e com arestas, resultante da incorporação da casta Tinta da Barca, que lhe dá taninos mais duros.

O de 2000 apresentou-se muito equilibrado, suave e redondo, mas foi revelando pujança e robustez enquanto arejava, libertando-se numa explosão de aromas! Muito bem! O 2005 apresentou-se algo linear numa primeira abordagem. O 2008 algo rugoso no início, estruturado e longo, enquanto os três finais apresentaram-se marcados por especiarias, com o 2011 a ser o mais suave e redondo.

Dentro desta panóplia ficou patente a elevada qualidade deste vinho, com diferentes moldagens pelo tempo e diferentes evoluções em garrafa. Uma excelente amostra dum magnífico vinho.

Daqui saiu-se para o anúncio dos prémios da escolha de imprensa.
(continua)

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 19 de janeiro de 2014

No meu copo 361 - Porto Ramos Pinto LBV 2000

Em termos dos Vinhos do Porto que aqui e ali vamos provando, no registo dos LBV os da Ramos Pinto costumam cotar-se entre os melhores e mais equilibrados.

Neste caso, com esta colheita de 2000 propriedade do tuguinho, beneficiando já do amadurecimento com a idade o vinho apresentou-se muito macio, ainda com fruta bem presente e com exuberância aromática quanto baste, mas o que mais se destaca é a extrema elegância na boca, sem qualquer sinal de aguardente a sobrepor-se no conjunto, todo ele muito bem integrado.

Sabendo-se que os novos Vintage que andam por aí, da excepcional colheita de 2011, estarão no ponto óptimo para beber daqui por uns 10 ou 20 anos (para quem lá chegar...), um LBV já com alguma idade pode ser uma excelente alternativa, pois além duma enorme poupança nos gastos consegue-se um produto com uma excelente relação qualidade/preço e que não desmerece em nada nem a fama do produto nem o nome da casa. E, neste particular, um Ramos Pinto é uma aposta ganha.

Vale a pena tê-lo guardado, mas vale mais a pena não hesitar em bebê-lo, pois com esta idade está no seu ponto óptimo de consumo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Ramos Pinto LBV 2000
Região: Douro/Porto
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 19,5%
Preço: 13 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 5 de maio de 2013

No meu copo 313 - Ramos Pinto Collection: 2005, 2006, 2007

Foi com a colheita de 2005 que esta marca apareceu pela primeira vez no mercado. Como normalmente acontece, as novidades provenientes da Ramos Pinto despertam-nos especial atenção, como aconteceu há uns anos aquando do lançamento duma colheita única, o Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira, de que infelizmente também só comprei um exemplar único...

Este Collection surgiu pouco tempo depois. Posicionado num patamar de preços entre o Duas Quintas e o Bons Ares (abaixo) e o Duas Quintas Reserva (acima), trouxe como originalidade o facto de todas as colheitas terem um rótulo diferente, votado pelos internautas, que vai recuperar a colecção de rótulos antigos utilizados no vinho do Porto... Daí resultou o nome “Collection”, com o qual a Casa Ramos Pinto pretende homenagear o seu fundador, Adriano Ramos Pinto, mergulhando na história da casa como inspiração para a criação de cada rótulo que invoca o estilo Belle Époque, do início do século XX.

Temos adquirido exemplares de todas as colheitas lançadas, e consumido com parcimónia e sem pressas. Os consumos mais recentes mostram que estes são vinhos de guarda, que vale a pena esquecer durante alguns anos na garrafeira. Comparando as três colheitas que já consumi, há algumas diferenças notórias entre elas, pois cada uma pretende reflectir as especificidades da respectiva colheita, e não homogeneizar o estilo de ano para ano.

A colheita de 2005, provada mais de uma vez, foi a que se apresentou desde sempre como mais suave e apelando mais a aromas de frutos vermelhos, algum floral, corpo e estrutura marcados por alguma elegância. Todas as castas do lote fermentaram em barricas de 2/3 anos durante 16 meses, apresentando-se a madeira bastante discreta e sem marcar o vinho de forma evidente. O rótulo evoca o beijo induzido pelo néctar de Baco...

A colheita de 2006 mostrou-se mais fechada inicialmente, começando por aparentar algum aroma a mofo, o que requereu a imediata decantação após a qual libertou aromas de alguma evolução. Um pouco menos frutado que o de 2005, mostrou-se apto para pratos mais consistentes graças a uma estrutura mais complexa na boca e final prolongado. Tal como na colheita de 2005, foram usadas castas provenientes da Quinta de Ervamoira e da Quinta do Bom Retiro. O rótulo, de 1911, foi desenhado por Leopold Metlicovitz e evoca Adão e Eva e a tentação da serpente, mais uma vez simbolizada pelo néctar de Baco.

Finalmente, a colheita de 2007, com um perfil significativamente diferente dos anteriores. Mais uma vez com uvas da Quinta de Ervamoira e da Quinta do Bom Retiro, apresenta-se com outra juventude, mais pujante, no limite do grau alcoólico, irreverente e a pedir tempo para acalmar, embora esteja já perfeitamente bebível. Muita fruta com sugestões do bosque, alguma especiaria, madeira presente sem ser em excesso, persistência a prometer longevidade. Provavelmente uma colheita destinada a apreciar melhor daqui por mais uns anos, ainda capaz de melhorar na garrafa. O rótulo, “A jovem do Regalo”, é também um original de 1911, da autoria do pintor italiano M. A. Rossotti.

Em suma, um vinho para comprar, comprar e comprar... ir bebendo e ir guardando. Pelo que nos foi dado perceber nas garrafas já provadas, cada colheita será uma surpresa de sensações e aromas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto

Vinho: Ramos Pinto Collection 2005 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (30%), Tinta Barroca (10%)
Preço (em 2007): 12,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ramos Pinto Collection 2006 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Preço (em 2009): 13,81 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ramos Pinto Collection 2007 (T)
Grau alcoólico: 15%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Preço (em 2010): 14,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 10 de fevereiro de 2013

No meu copo 302 - Porto Quinta de Ervamoira Vintage 2002

Voltando à senda das provas, falta referir um Porto Vintage da Quinta de Ervamoira, degustando entre o plenário dos provadores e mastigadores por ocasião do repasto festivo regado com vinhos da Casa Ferreirinha.

Entre a gama de vinhos do Porto que temos provado, os da Ramos Pinto são sempre dos que mais nos agradam, revelando uma macieza e um equilíbrio difíceis de encontrar, não brilhando tanto pela pujança mas antes pela suavidade e pelo fruto doce que habitualmente definem o estilo da casa.

Este Vintage de 2002 apresentou-se em pleno e muito apelativo, bebendo-se de forma gulosa e tendo desaparecido rapidamente dos copos. Pelo que custou, apresenta uma relação qualidade/preço difícil de bater dentro do género.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Quinta de Ervamoira Vintage 2002
Região: Douro/Porto
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 20%
Preço: 25,00 €
Nota (0 a 10): 9

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

No meu copo 293 - Casa Burmester Reserva 2007; Duas Quintas 2006; Quinta dos Aciprestes 2005; Quinta dos Quatro Ventos 2005



Um jantar entre amigos proporcionou a prova de quatro tintos do Douro da gama até aos 10 euros. A ordem de apresentação neste caso não é importante, pelo que seguem por ordem alfabética.

O curioso nesta prova é que se trata de vinhos com preços não muito distantes, os perfis não são semelhantes mas também não são completamente diferentes e apresentam um padrão de qualidade aproximado, pelo que a classificação atribuída, com mais ou menos uns pozinhos para cima ou para baixo, também acabou por ser igual. Até o grau alcoólico é igual.

Importa referir que estamos a falar de colheitas com 5, 6 e 7 anos – são vinhos que estiveram guardados algum tempo à espera de amaciar os taninos e integrar melhor todos os aromas com a madeira (todos eles passaram pela barrica), em suma, em vez dos habituais vinhos cheios de fruta e juventude tiveram tempo para amadurecer e apresentar-se já numa fase adulta.

O Casa Burmester Reserva 2007 tem cor ruby, estrutura média, primando sobretudo pela elegância e macieza. Frutado quanto baste e com taninos macios, é um vinho adequado para carnes delicadas e não demasiado temperadas. Tínhamos provado a colheita de 2005 que foi uma boa revelação e esta de 2007 confirmou-o. Estágio: 12 meses em barrica de carvalho francês.

O Duas Quintas 2006 é aquilo que se espera dele: bom corpo, alguma pujança, boa persistência, equilíbrio entre fruta, estrutura, taninos e frescura. Sempre uma aposta segura nos vinhos desta gama, mais vocacionado para pratos mais fortes em termos de tempero. Estágio: 20% do vinho durante 18 meses.

O Quinta dos Aciprestes 2005 prima sobretudo pelo paladar intenso a frutos vermelhos maduros com uma boa envolvência de estrutura e de taninos. Apropriado para pratos de carne com alguma complexidade de sabores e temperos. Estágio: 8 a 10 meses.

Finalmente o Quinta dos Quatro Ventos 2005. De cor granada e aroma a frutos maduros, apresenta boa estrutura e persistência, suave na boca e com os taninos presentes mas elegantes. Adequado para pratos de cozinha tradicional. Estágio: 12 meses.

Em resumo, quatro bons vinhos que consideramos merecedores do preço que custam e que vale a pena ter sempre em casa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro

Vinho: Casa Burmester Reserva 2007 (T)
Produtor: Casa Burmester - Sogevinus
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 9,98 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas 2006 (T)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta dos Aciprestes 2005 (T)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta dos Quatro Ventos 2005 (T)
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 9,78 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 6 de dezembro de 2009

No meu copo 257 - Bétula 2008; Duas Quintas Reserva 2003; Concha y Toro Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006

O último Sporting-Benfica, que já vimos escrito algures ter sido o pior derby de sempre, levou a mais uma reunião gastrónomo-etilista do grupo restrito dos Comensais Dionisíacos, ou seja, os suspeitos do costume. E se o jogo foi fraquinho, o repasto não o foi, sobretudo ao nível dos bebes, como adiante se verá. Abriu-nos as portas e disponibilizou o ecrã gigante o confrade tuguinho.

Na abertura provámos um branco duriense de seu nome Bétula, ofertado pelo produtor às Krónikas Viníkolas, o que publicamente agradecemos. Talvez por aqui já se tenha dito – mas não é demais repetir e também foi dito ao produtor – que somos todos amantes e amadores do vinho. Somos compradores e bebedores e não críticos, só que gostamos de escrever e de partilhar as provas. Não estimulamos as ofertas mas aceitamo-las, porque nos permitem conhecer novidades, não significando a aceitação das mesmas, como é bom de ver, nenhuma garantia de uma apreciação mais favorável. Aqui não se fazem jeitos. 10 000 euros, caixas de robalos ou equipamentos desportivos não são endereçáveis a esta confraria...

Posto isto e dito assim de forma crua, atirámo-nos ao Bétula 2008 bem fresco, virgens de espírito e sem nenhumas expectativas. Ao mesmo tempo fomos debicando umas lascas de presunto e de outros enchidos, acompanhadas de pão escuro. E o Bétula passou com distinção na prova! Trata-se de um vinho feito com as castas Viognier, fermentada em carvalho francês, e Sauvignon Blanc, fermentada em inox. Apresenta-se com uma cor citrina carregada, madeira ligeira, muito discreta e muito bem integrada no vinho. A madeira nos vinhos é um pouco como o tempero nos alimentos, tem de ser usada na conta certa sob pena de os descaracterizar, e neste Bétula a madeira está presente na dose certa, conferindo-lhe alguma complexidade mas permitindo-lhe manter a fruta, de notas tropicais, a frescura e uma acentuada mineralidade. O Bétula é um daqueles vinhos que provam que se podem fazer bons brancos portugueses. Degustámos apenas uma garrafa, deixando a outra para uma próxima oportunidade.

Prontas a comer vieram umas costeletinhas de novilho grelhadas que de diminutivo só tinham mesmo o nome, tal a generosidade das doses, acolitadas por arroz branco e batatas fritas. A acompanhá-las abrimos duas garrafas de Duas Quintas Reserva 2003, que tínhamos em stock na garrafeira dos Comensais. É um vinho com seis meses de estágio em pipas de carvalho novo, que depois de engarrafado na Quinta dos Bons Ares envelheceu dois anos em garrafa. Apresentou-se retinto na cor, exuberante nos aromas, já com algum bouquet, uma grande estrutura, onde predominam os frutos vermelhos, e um final de boca muito prolongado. A madeira está lá mas nem se nota. Os taninos, ligeiros e muito bem domados, completam o leque. É um vinho de grande, grande nível, diríamos quase perfeito. Houve grandes loas ao dito por parte dos comensais. Um ou outro aventuraram-se mesmo a dizer que está no lote dos melhores vinhos portugueses que já beberam. Temos também umas garrafitas do Duas Quintas Reserva Especial (adquiridas para a comunidade pelo Kroniketas depois de ter conhecido o vinho numa prova com João Nicolau de Almeida, na Wine O’Clock) no qual, após esta prova, depositamos legitimamente grandes expectativas. É um daqueles vinhos na presença dos quais se percebe melhor a expressão popular: «que grande pomada!». É realmente um vinho untuoso, que se mastiga e que escorrega como mel. Um êxtase para os sentidos!

Para finalizar, aletria, arroz doce e uma mousse de chocolate negro com natas, debruada de farripas de chocolate igualmente negro, permitiram-nos provar um Concha Y Toro Late Harvest Reserva Privada 2006, da região de Maule Valley no Chile - um verdadeiro néctar, com notas de mel, passas e fruta muito madura. Muito doce e muito exuberante no olfacto e no palato. Para alguns de nós foi uma estreia na prova destes Colheitas Tardias e uma revelação. A exuberância no nariz e na boca é tão grande que quase passa por licoroso.

Politikos, artista amador e convidado, a puxar a carroça do KV, com Kroniketas, tuguinho e Mancha

Vinho: Bétula 2008 (B)
Região: Douro (Regional Duriense)
Produtor: Catarina Montenegro - Quinta do Torgal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viognier (50%), Sauvignon (50%)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas Reserva 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (2/3), Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 19,59 € (comprado em 2007)
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006 (B)
Região: Maule Valley (Chile)
Produtor: Concha Y Toro
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Nota (0 a 10): 8

sábado, 23 de maio de 2009

No meu copo 241 - Porto Ramos Pinto LBV 2000; Porto Graham’s LBV 2003


Voltamos ao registo dos vinhos do Porto, desta vez com dois LBV. Depois da excelente impressão causada pelo Vintage da Graham’s, este LBV a bom preço despertou-me a atenção e resolvi experimentar. Quanto ao Ramos Pinto, é já um clássico nas nossas escolhas.

Dois exemplos de LBV bastante diferentes, diria mesmo contrastantes.

Se o Ramos Pinto manteve o perfil que dele se esperava, com a suavidade habitual, uma predominância adocicada e algumas notas a frutos maduros, já o Graham’s mostrou que, ou ainda não estabilizou e precisa de casar melhor os aromas, ou não foi um produto muito bem conseguido, apresentando-se algo agreste no copo. Talvez precise de tempo na garrafa para mostrar o que vale.

Kroniketas


Região: Douro/Porto

Vinho: Porto Ramos Pinto LBV 2000
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 19,5%
Preço em hipermercado: 12,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Porto Graham’s LBV 2003
Produtor: Graham’s Port
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 11,99 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 17 de janeiro de 2009

No meu copo 228 - Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira

Já foi referida noutros blogs a razão de ser deste vinho. Houve quem se desse ao trabalho de transcrever a explicação do contra-rótulo, pelo que me dispenso de repeti-lo e sugiro a leitura do post respectivo no Pingamor, assim como a prova do Saca-a-rolha.

A explicação para o lançamento deste vinho é simples: foi produzido para comemorar o 10º aniversário da sobrevivência da Quinta de Ervamoira devido à não construção da barragem de Foz Côa. A relação que temos com os vinhos da Ramos Pinto é algo parecida com a da Sogrape e do Esporão: tudo o que sai de lá nos desperta a atenção. Quando vimos este vinho à venda, como o preço não era muito elevado deitámos-lhe logo a mão.

Há algumas semanas resolvi abrir este exemplar único que detinha num jantar com amigos, porque nestas coisas dos vinhos gosto sempre de bebê-los - quando espero que sejam dos melhores - compartilhando esse prazer com alguém. E que prazer este nos deu...

Parece um vinho feito à moda antiga. Com uma certa pujança mas ao mesmo tempo elegante. Bem estruturado e persistente sem deixar de ser macio. Marcadamente frutado, com nuances de frutos vermelhos maduros, bem envolvidos por uma suave especiaria que dá maior vivacidade ao conjunto. Tudo muito equilibrado. Um vinho que deixa saudades, como a paisagem da quinta me deixou quando lá estive. Se soubesse o que sei agora, tinha comprado mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira (T) (sem data de colheita)
Região: Douro (sem denominação de origem)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 12,21 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

No meu copo 213 - Bons Ares 2003

Este já é um clássico cá em casa. Este ano apareceu na feira de vinhos do Jumbo a um preço imbatível (normalmente está 2 ou 3 euros acima) e é um daqueles que dificilmente nos desilude. Depois da última experiência com a colheita de 1999, comprada em 2003 e provada em 2007, agora resolvi não esperar mais de um ano para provar a colheita de 2003.

Proveniente da Quinta dos Bons Ares, situada a 600 m de altitude na freguesia da Touça, no Douro Superior, uma das duas quintas que dão origem ao principal ícone da Ramos Pinto, precisamente chamado Duas Quintas (a outra é a Quinta de Ervamoira), feito de um casamento entre a Touriga Nacional (60%) e o Cabernet Sauvignon (40%) e com 6 meses de estágio em madeira, continua com o perfil habitual, encorpado e persistente, embora desta vez tenha aparecido mais macio na boca, menos pujante do que é costume. Mais uma vez fica a dúvida: estará a atravessar um patamar de evolução para cima, para baixo ou no ponto ideal? Curioso que me surja esta dúvida com sucessivas colheitas de 2003 no Douro...

Este 2003 pareceu-me uns pozinhos abaixo do 2002 (provado em 2006) mas não desmerece o nome que ostenta. Como foi experiência única com esta colheita, vamos ver o que nos dá a de 2005, última garrafa adquirida (agora com a denominação de Vinho Regional Duriense).

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bons Ares 2003 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 9,57 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

No meu copo 202 - Porto Quinta de Ervamoira 10 anos

Continuando na senda dos Portos, tenho ido provando alguns m casa e agora de vez em quando resolvo abrir um. Dos que estavam à espera escolhi um 10 anos da Quinta de Ervamoira, da Ramos Pinto. Desde que provei um 20 anos da Dow’s na casa do tuguinho fiquei fã do género. Os 10 anos têm preços mais acessíveis e são mais fáceis de encontrar.

Este 10 anos da Ramos Pinto, empresa com grande tradição em vinhos do Porto, não me desiludiu, pelo contrário. Uma bela cor acobreada e um aroma marcado a frutos secos, com uma boa estrutura de boca e um final prolongado a fazer lembrar amêndoas ou avelãs.

Estes vinhos do Porto 10 anos têm ainda a vantagem de poderem continuar abertos durante algum tempo sem perderem qualidades, pelo que podem durar uns bons meses para se irem bebendo de vez em quando ao serão, com ou sem companhia, ou para nos fazer companhia enquanto escrevemos no blog...

Um belíssimo Porto que vale a pena ter em casa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Quinta de Ervamoira 10 anos
Região: Douro/Porto
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 19,5%
Preço em hipermercado: 26,66 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 14 de julho de 2008

No meu copo 190 - Bons Ares branco 2005

Estamos na época em que os vinhos frescos apetecem mais, e daqui até ao fim do Verão vou ter oportunidade de provar brancos e rosés certamente em maior quantidade que os tintos. Mas este de que vou falar é mais um branco de Inverno que de Verão.

Ramos Pinto, um nome sobejamente conhecido, que dispensa grandes considerandos acerca da casa e do responsável pelos seus vinhos, um dos produtores mais referidos neste blog, é desta casa este branco Bons Ares, parceiro do tinto do mesmo nome e do “primo” Duas Quintas.

Se o Bons Ares tinto é uma das nossas referências permanentes, já este branco me pareceu alguns furos abaixo. Predominam algumas notas tropicais num todo envolvente com final persistente. Tem uma boa estrutura e alguma frescura, é nitidamente um vinho gastronómico, a pedir pratos com alguma substância, mas não é bem o perfil de branco que mais me agrada. Disso o vinho não tem culpa, naturalmente, mas eu gosto deles mais leves e aromáticos, e este não era particularmente aromático. Mas não quer dizer que o rejeite noutra ocasião, tem é de ser com um prato bem escolhido para lhe fazer companhia de modo a mostrar-se em pleno, caso contrário pode ter um peso excessivo na boca.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bons Ares 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,45 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 24 de novembro de 2007

No meu copo 148 - 3 Douros de 2001: Sogrape Reserva; Duas Quintas; Vinha Grande

A propósito do Portugal-Arménia, juntámos alguns Comensais Dionisíacos à mesa (faltaram à chamada o Caçador, que foi para a caça, e o Pirata, retido em casa por constipações familiares) para fazer uma prova de 3 vinhos do Douro de 2001: o Sogrape Reserva, o Duas Quintas e o Vinha Grande. São três dos vinhos da nossa predilecção que já apreciámos aqui noutras ocasiões, mas desta vez a intenção era prová-los em simultâneo por terem alguns pontos em comum e serem produzidos no mesmo ano. Garrafas abertas com a antecedência necessária, serviço à temperatura ideal e copos adequados, e passámos à função à volta duns bifes à café antes de a Selecção Nacional entrar em campo.

Começámos com o Sogrape Reserva e o começo não podia ser melhor. Como habitualmente, esteve à altura das expectativas. Mostrou uma fantástica cor rubi, brilhante e transparente, no nariz um bouquet profundo e intenso, marcado por fruto maduro, e na boca um corpo cheio com estrutura complexa, grande persistência, taninos firmes mas bem domados e uma boa acidez a envolver um grau alcoólico correcto, num todo equilibrado e harmonioso. Apetece dizer que este vinho não tem nada fora do sítio, está tudo no ponto certo. Alcandorou-se com destaque a melhor vinho da noite.

Comparativamente às anteriores provas da colheita de 2000, este apareceu muito mais saudável e pujante. Como já dissemos anteriormente, nunca nos desiludiu e sendo esta colheita a que está à venda no mercado, já com 6 anos de idade, está em plena forma e no ponto ideal para ser bebido. Para nós, continua a ser um vinho incontornável e que merece amplamente o preço que custa. Enquanto estiver no mercado, não deixaremos que desapareça das nossas garrafeiras.

Seguiu-se o Duas Quintas, para entrecortar os vinhos da Sogrape com um Ramos Pinto, e acabou por ser o mais penalizado, talvez prejudicado por se ter seguido ao Sogrape Reserva. Este foi comprado já em 2003, e pareceu ter ultrapassado o ponto ideal (actualmente já está à venda a colheita de 2005). Esperávamos um vinho mais pujante e mais robusto, como aliás é seu timbre, sendo normalmente mais adequado para pratos fortes de carne, mas este apareceu um pouco mais delgado do que é habitual, perdendo um pouco de complexidade e de corpo, embora a cor mais fechada estivesse lá. Requer-se, portanto, um consumo mais precoce, embora haja ainda outra garrafa desta colheita que nos irá permitir tirar as dúvidas.

Finalmente seguimos para o Vinha Grande, que dos três foi o mais elegante. Menos exuberante e menos complexo que o Sogrape Reserva, mais frutado e macio, também com uma cor rubi muito atractiva e uma boa persistência. Esteve acima do Duas Quintas mas sem fazer concorrência ao Sogrape Reserva. Dos três é o mais adequado para pratos requintados e delicados.

Em suma, três apostas sempre seguras a preços não excessivos, que não desiludem ninguém e nunca nos deixam ficar mal.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Também houve uns Vinhos do Porto, mas essa já é outra conversa.

Região: Douro

Vinho: Sogrape Reserva 2001 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 10,74 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Duas Quintas 2001 (T)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 8,69 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vinha Grande 2001 (T)
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

No meu copo 140 - Bons Ares 1999

Este estava guardado há algum tempo. Tempo demais, porventura. Foi comprado em 2003, esperou 4 anos. Mas embora tenha mostrado já sintomas de algum declínio, não deixou de revelar todo o seu potencial, que faz dele um dos meus preferidos na região de Douro e Trás-os-Montes.

Já tínhamos falado da colheita de 2002, provada em restaurante, e este, mesmo denotando já um certo cansaço, ainda apresentou alguma da pujança que o caracteriza e bateu-se claramente com o José Preto, falado no post anterior, e com o que abordaremos no post seguinte.

Os aromas ainda estavam lá, embora com alguma evolução, a persistência também, ainda com bom corpo e cor muito concentrada, embora tudo muito mais discreto. Já não tinha toda a pujança nem a exuberância aromática que habitualmente ostenta quando está no ponto ideal, mas não engana.

E foi por isso que na primeira oportunidade (leia-se feira de vinhos) tratei logo de adquirir a colheita mais recente à venda. Porque este nunca pode faltar, e agora não vou esperar mais 4 anos para prová-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bons Ares 1999 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 11,79 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Quinta de Ervamoira, Take 2



Os leitores habituais certamente se recordam do escrito do Kroniketas, nos idos de Maio do ano passado, sobre a Quinta de Ervamoira. Não vou repetir a sua prelecção, agora que esta outra metade das Krónikas Vínicolas visitou também a dita quinta, mas vou deixar aqui as minhas impressões e algumas curiosidades sortidas.

Teve o escriba sorte e azar nesta visita. Sorte porque chovera no dia anterior (ali na quinta, 1mm) e assim as temperaturas de Agosto daquela zona apareceram amenizadas, não mais de 30º. Azar porque devido a essa mesma chuva a vindima, que devia ter sido iniciada no dia da visita, foi adiada quatro dias. Portanto não suámos mas não vindimámos também.

Convém dizer que o acesso à quinta se faz por uma estradinha de terra batida com cerca de oito quilómetros e que, portanto, é mesmo melhor ir no jipe da propriedade, que até já está incluído no preço da visita. O trajecto até inclui o atravessamento da Ribeira de Piscos, que por ali serpenteia.

Tal como o Kroniketas, a nossa visita iniciou-se pelo espaço museológico, espalhado por várias salas da casa da quinta, que conjuga a informação sobre o vinho e a sua produção com os artefactos arqueológicos da villa romana que foi descoberta na propriedade. O último espaço dentro de portas é a loja, na qual podemos ver as garrafas dos vinhos de mesa e do Porto que podemos adquirir, por preços bem simpáticos. Integrando desde 1990 o grupo francês Roederer, também este champanhe pode ser adquirido na loja. Os vinhos, esses não estão ali, e sim numa garrafeira integrada na casa da quinta, com temperatura controlada de 18º. Um cuidado que se salienta.

A visita terminou longamente, visto que incluíramos almoço na dita cuja. Havia-se escolhido um menu simples, com entrada de melão e presunto, um arroz de pato como prato principal, e um gelado de amêndoa caseiro a finalizar. Bebeu-se o Duas Quintas Celebração e à sobremesa o Quinta de Ervamoira Tawny 10 Anos.

Não pretendo fazer nesta peça uma prova destes vinhos (mas fiquem descansados que os escribas deste retiro têm em stock tanto um como outro, para se fazer uma prova bem fundamentada), mas digo-vos que o Celebração, que pretende estar entre o Duas Quintas “normal” e o Reserva, se mostrou pujante, de cor aberta e com taninos domados mas bem presentes, a mostrar que tem estaleca para se aguentar por uns tempos; e que o Tawny, que já conhecia, se mostrou complexamente aromático e ligeiramente seco, e foi servido à temperatura certa. Ficam prometidas as provas.

Uma palavra para o local onde são servidas as refeições, uma espécie de alpendre por onde entra o silêncio mas não o calor, e que dá uma dimensão especial à refeição ali tomada. Depois do almoço terminado foi possível ficar por ali a morangar e também calcorrear as vinhas e apanhar uns quantos cachos bem madurinhos.

Acabo com duas curiosidades.

Este Duas Quintas Celebração pretende comemorar um não-acontecimento: a não construção da barragem no Côa, que deixaria a quinta mais apta para a aquicultura do que para o vinho, sendo portanto um vinho especial e não uma marca nova para integrar o portefólio da Ramos Pinto.

Finalmente (Kroniketas, deixaste passar esta), uma palavra para o nome da quinta. Não foi por quererem que o nome original de Quinta de Santa Maria foi alterado para Quinta de Ervamoira – foi porque já existia uma quinta com o mesmo nome registada anteriormente. E porquê Ervamoira? O nome vem dum romance de uma senhora francesa, Suzanne Chantal, cuja acção se passava no Douro e cujo nome era... “Ervamoïra”! Foi só tirar a trema do “i” e ficou-se com o nome...

Pode ser que um dia destes se volte lá, o bando completo. Eu não me importo nada...

tuguinho, enófilo esforçado