Em mais uma presença na Wine O’Clock, ocorrida há cerca de um mês, tivemos mais uma oportunidade (em boa hora, diga-se de passagem) para provar alguns dos vinhos da Casa de Santar, propriedade emblemática da Dão Sul e na própria região do Dão.
Tivemos igualmente o prazer de contar com a presença do sempre disponível enólogo Osvaldo Amado, que com a simpatia habitual nos falou dos vinhos em presença.
Depois do encontro na Quinta de Cabriz organizado pelos #daowinelovers em Janeiro, boa parte destes vinhos foram apenas revisitados, mas agora com a vantagem de não estarem dispersos no meio de várias dezenas.
Passando a uma breve apreciação dos vinhos, tivemos em presença os Casa de Santar Reserva branco 2013, tinto 2011 e Touriga Nacional 2010, o Condessa de Santar branco 2011 e o espumante 2010, o Conde de Santar (tinto) 2009 e o Casa de Santar Colheita Tardia 2010.
Dum modo geral, o nível dos vinhos apresentados esteve num patamar bastante elevado, começando pelos Casa de Santar Reserva. O tinto Reserva não nos surpreendeu, como habitualmente, mostrando a sua característica elegância, sem deixar de mostrar uma boa estrutura na boca temperada por grande suavidade e taninos macios. Um verdadeiro must na gama média-alta. Já o branco Reserva mostrou uma evolução de perfil desde a última vez que o tínhamos provado, com madeira agora muito mais domada e menos marcada, mostrando agora uma elegância e uma frescura que antes lhe faltava. Mudou claramente para melhor, o que se saúda. Quanto ao Touriga Nacional, depois dos vinhos de lote, acaba por perder um pouco em termos de complexidade, sem deixar de mostrar um bom aroma e também bastante suavidade.
Depois passámos à realeza, onde entraram os pesos-pesados. O Condessa de Santar, feito de Encruzado e Bical, que há uns anos era uma baforada de madeira no nariz a na boca, agora mostra-se delicado, com grande frescura e acidez, um vinho duma elegância notável que não se esperava. Para grandes e requintados pratos de peixe. Também o espumante do mesmo nome se mostra suave, elegante, fresco e macio.
O Conde de Santar, elaborado com Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinto Cão, apresenta-se suave e elegante mas com os aromas muito fechados. É claramente um vinho de grande potencial mas preferencialmente de guarda. Precisa de tempo para se libertar no copo e para melhorar na garrafa.
Finalmente, o Colheita Tardia confirmou as impressões anteriores: é mais leve e aberto que outros do género, menos doce e portanto menos enjoativo. Pode ser uma boa aposta para começar a gostar de vinhos doces.
Em suma, uma prova excelente, com uma amostra da elevada qualidade dos produtos da Casa de Santar, em que o melhor elogio que podemos fazer é que são todos bons, muito bons ou excelentes. Melhor que isto é difícil exigir.
Kroniketas, enófilo esclarecido
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014
sexta-feira, 6 de junho de 2014
Na Wine O’Clock 17 - Esporão e Quinta dos Murças
Mais uma prova na Wine O’Clock, desta vez com vinhos produzidos pelo Esporão na Quinta dos Murças, no Douro, para além dos produzidos na Herdade propriamente dita, em Reguengos de Monsaraz.
Presente a enóloga da Quinta dos Murças, que nos apresentou as versões branco, rosé e tinto do Assobio, vinho da gama de entrada, para além do Reserva tinto e do Porto Vintage. Da herdade no Alentejo compareceram à prova apenas os exemplares com o nome da casa, o Esporão Reserva branco e o Esporão Reserva tinto.
Em relação aos alentejanos, nenhuma surpresa: o tinto é sempre um valor garantido, com estrutura e suavidade, elegância e persistência, mantendo o perfil que há muito nos habituou. A actual versão do Reserva branco já apresenta menos madeira do que noutras edições, o que lhe confere outra suavidade e permite fazer sobressair mais os aromas frutados, tornando o vinho mais fresco e gastronómico.
Quanto aos vinhos produzidos no Douro, o Assobio branco e o tinto agradaram, com o perfil mais ou menos habitual no Douro. Ambos suaves e frutados, com persistência média e alguma elegância na prova de boca. Já o rosé mostrou-se “chato”, linear, com falta de acidez, um vinho que se torna enjoativo e desinteressante. A rever, certamente, pela credenciada equipa de enologia da casa, chefiada pelo conhecido David Baverstock. Os preços situam-se na casa dos 6,95 €, pelo que certamente estes vinhos poderão competir com outros da mesma gama.
Na transição do Assobio para o Esporão Reserva ainda provámos o espumante branco da Herdade do Esporão, que se apresentou algo linear e de aroma discreto. Há uns anos provámos o espumante rosé, que nos agradou bastante mais.
O Quinta dos Murças Reserva tinto mostrou outra estaleca: é um vinho de topo, cheio de garra, estrutura, corpo, aroma, muito longo... Claro que o preço reflecte o que está na garrafa, situando-se na casa dos 20 €. Mas o produto é muito bom.
Finalmente, um Porto Vintage Quinta dos Murças, na linha dos habituais. Muita concentração, fruto maduro, taninos muito firmes. Um vinho para durar e apreciar lá mais para a frente, a cerca de 50 € a garrafa.
Foi uma prova interessante, porque nos deu a conhecer o outro lado dos vinhos do Esporão, com uma viagem à descoberta do Esporão no Douro. Valeu a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Presente a enóloga da Quinta dos Murças, que nos apresentou as versões branco, rosé e tinto do Assobio, vinho da gama de entrada, para além do Reserva tinto e do Porto Vintage. Da herdade no Alentejo compareceram à prova apenas os exemplares com o nome da casa, o Esporão Reserva branco e o Esporão Reserva tinto.
Em relação aos alentejanos, nenhuma surpresa: o tinto é sempre um valor garantido, com estrutura e suavidade, elegância e persistência, mantendo o perfil que há muito nos habituou. A actual versão do Reserva branco já apresenta menos madeira do que noutras edições, o que lhe confere outra suavidade e permite fazer sobressair mais os aromas frutados, tornando o vinho mais fresco e gastronómico.
Quanto aos vinhos produzidos no Douro, o Assobio branco e o tinto agradaram, com o perfil mais ou menos habitual no Douro. Ambos suaves e frutados, com persistência média e alguma elegância na prova de boca. Já o rosé mostrou-se “chato”, linear, com falta de acidez, um vinho que se torna enjoativo e desinteressante. A rever, certamente, pela credenciada equipa de enologia da casa, chefiada pelo conhecido David Baverstock. Os preços situam-se na casa dos 6,95 €, pelo que certamente estes vinhos poderão competir com outros da mesma gama.
Na transição do Assobio para o Esporão Reserva ainda provámos o espumante branco da Herdade do Esporão, que se apresentou algo linear e de aroma discreto. Há uns anos provámos o espumante rosé, que nos agradou bastante mais.
O Quinta dos Murças Reserva tinto mostrou outra estaleca: é um vinho de topo, cheio de garra, estrutura, corpo, aroma, muito longo... Claro que o preço reflecte o que está na garrafa, situando-se na casa dos 20 €. Mas o produto é muito bom.
Finalmente, um Porto Vintage Quinta dos Murças, na linha dos habituais. Muita concentração, fruto maduro, taninos muito firmes. Um vinho para durar e apreciar lá mais para a frente, a cerca de 50 € a garrafa.
Foi uma prova interessante, porque nos deu a conhecer o outro lado dos vinhos do Esporão, com uma viagem à descoberta do Esporão no Douro. Valeu a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Na Wine O’Clock 16 - À volta do mundo com Raul Riba d’Ave







Foi um fim de tarde diferente no que respeita às provas de vinhos, pois esta partiu dum conceito pouco habitual: provar vários vinhos de diferentes países e todos com diferentes características. Viajámos de Portugal à Nova Zelândia, passando por França e Alemanha, Espanha, Itália e Argentina.
Convidado para orientar o evento enólogo Raul Riba d’Ave, que nos propôs 4 brancos e 3 tintos.
Começando naturalmente pelos brancos, o primeiro a vir à liça foi um SA Prum Solitar Trocken 2012, um Riesling da Alemanha, da região do Mosel, berço da casta e onde esta melhor expressa as suas características. Ligeiramente adocicado mas com excelente acidez, muito frutado e elegante na boca, o Riesling (para quem gosta, como é o nosso caso) no seu melhor. Foi muito apreciado pelos presentes.
Seguiu-se um Monte Tondo 2013 de Pinot Grigio, da região de Veneto, no norte de Itália, próximo dos Alpes, que se mostrou mais seco e picante na boca mas menos ácido e mais simples. Um vinho mais fácil mas menos atractivo.
Em seguida demos uma volta pela Nova Zelândia, região de Marlborough, para um monocasta Sauvignon Blanc de 2012 da Ribbonwood (uma aquisição da Sogrape nos antípodas), que se mostrou demasiado vegetal, muito marcado pelo verde da casta, que não fez as delícias dos presentes, faltando-lhe a componente mais frutada que se encontra normalmente nestes vinhos, e que está tão bem representada no Villa Maria.
Para comparar com este, passámos por França e avançou um Hubert Brochard 2013, da região de Sancerre, que se apresentou muito mais elegante e equilibrado que o antecessor, embora com os aromas algo discretos.
De realçar que nos brancos a graduação alcoólica máxima foi de 13%, tendo o Riesling apenas 11,5% de graduação e o Pinot Grigio 12,5%.
Terminados os brancos, passámos a 3 tintos, começando pela vizinha Espanha, região de Toro: um Terra D’Uro Roble 2010, com base no Tempranillo (a nossa Tinta Roriz/Aragonês). Mostrou pujança e ao mesmo tempo alguma macieza, com taninos presentes mas redondos e sem marcar demasiado o conjunto.
Em seguida Argentina onde se tem dado tão bem a já famosa Malbec, com um Crios 2012 da região de Mendoza. Criado em altitude, próximo dos Andes, numa zona semi-desértica onde anteriormente as águas do degelo eram usadas para a rega da vinha. Este mostrou os taninos mais presentes, mais seco mas com muita estrutura, para durar.
E terminámos com um tinto do Douro, um Roquette & Cazes 2011, que mostrou o perfil típico dos tintos muito concentrados do Douro, muito alcoólicos e taninosos. Algo cansativo...
No geral, e em jeito de balanço, foi uma prova muito interessante. Uns vinhos agradaram mais que outros, como é normal, e a apreciação não foi consensual em vários casos, mas teve a virtude de permitir comparar vinhos com a mesma casta em regiões muito distintas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
terça-feira, 16 de julho de 2013
“Guerra” de garrafeiras em Lisboa - parte 2
Nem de propósito: a Wine O’Clock e a GN Cellar anunciam provas para a próxima 5ª feira. Só falta chegar a comunicação da Delidelux para o mesmo dia. Estará tudo louco, como o país?
Kroniketas, enófilo desinformado
Kroniketas, enófilo desinformado
domingo, 14 de julho de 2013
Na Wine O’Clock 15 - FTP Vinhos
Com a profusão de marcas e produtores que existe actualmente, às vezes há algumas que nos confundem. Este produtor não é mais que a sigla do nome do proprietário, Fernando Tavares Pereira. Sediado em Carregal do Sal, em plena região do Dão, também produz vinhos no Douro, e foram estas regiões que tivemos em prova em mais uma visita à Wine O’Clock.
Dos vinhos provenientes do Dão, destaque para a Quinta do Serrado, com S, que nada tem a ver com a de nome igual mas escrito com C. Esta de que aqui falamos foi adquirida à antiga empresa Carvalho, Ribeiro & Ferreira, que produzia o vinho com esta marca, enquanto a outra pertence à União Comercial da Beira. Com apenas uma letra a diferenciá-las e a mesma pronúncia, a confusão entre nomes é inevitável.
Do Douro vieram os vinhos Duvalley: um branco, um branco Reserva e um tinto, produzidos na zona de São João da Pesqueira. Do Dão veio um Quinta do Serrado Reserva tinto e dois outros denominados Picos do Couto, da Quinta com o mesmo nome situada na zona de Tábua.
De todos os vinhos provados, uns mais interessantes que outros, o meu destaque vai para um Picos do Couto Chardonnay parcialmente fermentado em madeira que, para grande surpresa da minha parte (que normalmente não aprecio mesmo nada o estilo que daqui resulta), se mostrou com uma leveza e sobretudo uma frescura notáveis, nada habituais neste tipo de vinhos. Se me dissessem que era outra casta eu acharia que fazia mais sentido, porque este foge completamente ao padrão habitual deste tipo de vinho. Mas este de facto agradou-me, de tal forma que se já estivesse à venda teria comprado desde logo um exemplar.
De resto, são vinhos interessantes que vale a pena conhecer para nos inteirarmos do estilo e depois fazer o devido enquadramento nos respectivos patamares do mercado. Uma coisa ficou clara, não se tentou descobrir a pólvora, os vinhos não fogem aos padrões típicos das suas regiões e, no caso concreto do Dão, podem ser mais duas marcas que ajudem a puxar o nome da região para a notoriedade que se procura.
A rever no devido tempo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
terça-feira, 9 de julho de 2013
Na Wine O’Clock 14 - Herdade dos Coelheiros
Mais uma prova a que não se podia faltar. Contando com a presença do enólogo António Saramago, autor de vinhos em diversas zonas do Alentejo e também na Península de Setúbal, tivemos oportunidade de conhecer a história recente da herdade no que se refere à produção de vinho, que começou apenas por ser destinada a acompanhar os petiscos que eram realizados com a caça da herdade... Até que os proprietários resolveram dar o salto em frente e começar a produzir “a sério” com a marca Tapada de Coelheiros a partir de 1991.
Como explicou António Saramago, desde o início tentou-se produzir vinho em estilo bordalês, e para isso apostou-se em castas francesas para compor os lotes com as castas alentejanas mais típicas. Assim temos a presença dominante do Cabernet Sauvignon nos tintos e do Chardonnay para os brancos. Provaram-se exemplares desde a marca principal a monocastas e garrafeiras, passando pelo Branca de Almeida e pela gama de entrada.
A gama intermédia da casa, o Vinha da Tapada, última a ser lançada de modo a poder competir num mercado de maior volume, no caso do tinto tem o Syrah a compor o lote com as muito típicas Aragonês e Trincadeira, e estagia 6 meses em madeira. É um vinho relativamente fácil que não vai além do que se espera para o sector em que se posiciona.
Quando se entra na marca principal da casa, o caso já muda de figura. De modo geral são vinhos com uma boa estrutura na boca e complexidade aromática e gustativa, que não são devidamente apreciados numa prova de tão carácter imediato como esta, pois precisam de tempo para se mostrar no copo, libertar os aromas, e sem dúvida pedem comida a acompanhar.
O Tapada de Coelheiros branco junta o Chardonnay (20% fermentado em madeira) ao Arinto e ao Roupeiro, havendo também o Chardonnay em versão monocasta, mais estruturado e pesado, mas que adquire aquele amanteigado que habitualmente me desagrada neste tipo de vinho. É um estilo assumido pelos enólogos, mas que não me convence.
O Tapada de Coelheiros tinto também existe em diversas versões, num com o Cabernet Sauvignon a emparceirar com as clássicas Aragonês e Trincadeira, em versão Garrafeira em que a Trincadeira não está presente, e ainda numa versão a solo do Petit Verdot, complementada com uma outra só de Syrah. A versão clássica, chamemos-lhe assim, é mais frutada, sem deixar de ser marcadamente estruturada e complexa, sendo o Garrafeira um pouco mais contido no início, com os aromas ainda aprisionados. Precisa de mais tempo no copo para soltar a marca deixada por 18 meses em barrica.
No caso do Branca de Almeida, feito num lote com Merlot (a outra casta típica bordalesa) a acompanhar Trincadeira e Alicante Bouschet, foi o que menos me agradou, mostrando-se talvez demasiado vegetal. Já não me tinha agradado particularmente no evento Vinhos do Alentejo em Lisboa...
Em suma, não vale a pena pensar nestes vinhos para refeições rápidas e leves nem continuar a elucubrar a partir de uma prova de curta duração, perante esta variedade. São vinhos que pesam no bolso, por isso é melhor pensar primeiro quanto se está disposto a pagar, porque estamos na casa dos 10 € para cima, chegando perto dos 40 € no caso do Garrafeira. Mas que merecem a prova, merecem.
Kroniketas, enófilo esclarecido
terça-feira, 2 de julho de 2013
Na Wine O’Clock 13 - Vinhos Soalheiro
Esta era uma prova há muito aguardada por mim, pois nunca tinha tido a oportunidade de fazer uma prova alargada dos vinhos Soalheiro. Foi, pois, com interesse redobrado que fiz mais uma deslocação à Wine O’Clock para participar na prova dos vinhos apresentados por Luís Cerdeira, que deu a conhecer aos presentes um painel alargado dos vinhos que produz.
Tivemos direito a um pouco de tudo: espumante bruto branco e espumante bruto rosé, verde branco Alvarinho com e sem fermentação em madeira, de vinhas velhas e de vinhas novas, e até um Alvarinho Dócil, apenas com 9% de álcool para ocasiões mais descontraídas e a pedir mais leveza e descontracção. A curiosidade da abertura residiu no facto de aparecer também um lote de Loureiro e Alvarinho com o nome Allo, inspirado na famosa série britânica que girava à volta do não menos famoso Café René...
No geral, todos agradaram, tendo o Soalheiro Primeiras Vinhas e o Soalheiro Reserva concentrado, justificadamente, maiores atenções. O Espumante branco também merece alguma atenção quando for de considerar uma ocasião propícia e, claro, o Soalheiro clássico é sempre um valor garantido por um preço que não choca, posicionando-se entre os melhores Alvarinhos do mercado.
Pode dizer-se que o trabalho de Luís Cerdeira é digno dos maiores elogios, pois discretamente e sem grandes alaridos ajudou a construir uma marca que tem vindo a impor-se no mercado com toda a justiça, merecendo que os apreciadores lhes dediquem toda a atenção quando se fala de vinhos verdes, e de Alvarinho em particular.
Kroniketas, enófilo esclarecido
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Na Wine O’Clock 12 - Quinta das Bágeiras

Foi a primeira oportunidade que tivemos para estar presentes numa prova da Quinta das Bágeiras, com o produtor Mário Sérgio Alves Nuno encarregue das despesas da conversa. Ausente esteve o enólogo da casa, Rui Moura Alves.
Os vinhos da Quinta das Bágeiras são daqueles que, para os apreciadores dos tintos clássicos da Bairrada, em que a Baga predomina, conseguem juntar o melhor desta casta, como aquela pujança e longevidade que confere aos vinhos, com a capacidade que têm para ser bebidos sem ter de esperar 10 anos pelo amaciar dos taninos. Estamos de certa forma na presença duma “nova Bairrada” dentro da “velha Bairrada, com produtores e enólogos a tentarem manter a identidade dos grandes vinhos da região tornando-os, contudo, mais bebíveis enquanto novos e mais acessíveis aos consumidores menos identificados com a região.
Nesta prova da Quinta das Bágeiras, o mínimo que se pode dizer é que os vinhos apresentados não deixaram os seus créditos por garrafas alheias. Estiveram em prova 2 espumantes, 3 brancos e 2 tintos.
O primeiro foi um espumante rosé bruto natural 2011, 100% de Baga. Agradável, bolha fina, muito fresco e equilibrado. Seguiu-se um espumante branco de 2004, de Bical e Maria Gomes, já com bastante evolução e aroma pronunciado a madeira, um pouco difícil de apreciar devido à oxidação evidente.
Seguiram-se os brancos Garrafeira 2011, Pai Abel 2010 e Pai Abel Chumbado 2011, este uma originalidade por ter sido chumbado na câmara de provadores da Comissão Vitivinícola Regional da Bairrada, e como tal não tem direito à denominação de origem. E a originalidade ainda é maior porque o vinho é excelente, como aliás os dois antecessores. Estes são brancos a sério, que se apreciam e se bebem e acompanham refeições, sem terem de estar carregados de madeira e a quererem imitar tintos… Todos aqueles que nos querem impingir tintos robustos chamando-lhes “de inverno” ou “para carne”, aprendam como se faz... O Garrafeira é feito a partir de vinhas velhas e fermentado em madeira mas muito equilibrado, persistente, cheio e estruturado.
Finalmente, dois grandes tintos. O Garrafeira 2008 é um clássico, 100% Baga, um vinho que nunca mais acaba, e não deve haver apreciador da Baga e da Bairrada que não o conheça. Mas a maior revelação foi o Reserva 2010, que por metade do preço daquele se revelou um vinho extraordinário, com uma intensidade aromática fantástica e a prova na boca a confirmar as excelentes impressões do nariz. Fermenta em lagares e estagia 18 meses em tonel. É potente mas bebível desde já, um vinho muito bem trabalhado e considerado pela generalidade dos presentes como a melhor relação qualidade-preço dos vinhos presentes.
Em resumo, foi uma prova de grandes vinhos e uma confirmação do excelente trabalho que está a ser feito na Bairrada para recolocar a região no patamar de excelência onde deve estar.
Parabéns ao produtor e ao enólogo, e que continuem a fazer belos vinhos como estes.
Resta acrescentar que a excelência da prova mereceu da nossa parte (como habitualmente o Politikos foi meu acompanhante na prova) a aquisição quer do Garrafeira para o grupo dos comensais do costume, quer de alguns exemplares do Reserva para as nossas garrafeiras particulares.
Kroniketas, enófilo bairradino convicto e amigo da Baga
domingo, 10 de março de 2013
Na Wine O’Clock 11 - Casal de Santa Maria
De regresso à Wine O’Clock, tivemos oportunidade de provar os vinhos da vinha mais ocidental do continente europeu, localizada na região de Colares a cerca de 1 km da Praia da Adraga e a 2 km do Cabo da Roca.
Propriedade do Barão Bruemmer, que começou na viticultura em 2005, já com a provecta idade de 94 anos, desta vinha saem alguns vinhos brancos e tintos muito interessantes, que fogem ao padrão da moda e podem marcar a diferença no mercado.
Apresentada por dois jovens enólogos, a prova decorreu em ambiente bastante simpático e descontraído, tendo-nos sido dada a possibilidade de provar dois brancos e quatro tintos, marcados por uma suavidade e delicadeza pouco vistos nos tempos actuais, a que a proximidade do mar não será alheia, complementados por grau alcoólico moderado. Destaque para um tinto de Pinot Noir e um branco de Sauvignon Blanc, este com um carácter vegetal um pouco marcado em demasia, mas com essa opção assumida expressamente pelos enólogos de modo a diferenciar-se da concorrência.
Não dispondo dum grande volume de produção, há um longo caminho para andar e um nicho de mercado para explorar. O potencial existe e o público interessado também.
Kroniketas, enófilo esclarecido
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Na Wine O’Clock 10 - Vinhos Niepoort
Ainda antes do Natal tivemos mais uma prova da Niepoort, já um clássico nesta época do ano com a apresentação das novidades, mais uma vez com a presença do enólogo Luís Seabra.
Excelente comunicador, sem pejo de dar a sua opinião sobre as vantagens e desvantagens acerca de certos métodos utilizados na enologia, nem sequer se inibindo de confessar que não é adepto da omnipresente Touriga Nacional, conversando sobre a filosofia da Niepoort na escolha do perfil dos vinhos, Luís Seabra ajuda a tornar a prova de vinhos numa tertúlia em que se fala um pouco de tudo e em que o público é quase impelido a fazer perguntas.
Segundo as palavras do próprio, foram apresentados os vinhos da gama clássica da Niepoort, uma vez que a gama é já tão vasta que torna impossível trazer para a prova tudo o que existe.
Assim, começámos por provar os brancos Tiara, Redoma e Redoma Reserva. Como habitualmente, e confirmando as impressões colhidas há uns anos no inesquecível jantar no Jacinto, o Tiara apresenta um perfil mais jovem e irreverente, enquanto o Redoma é um branco mais clássico, mais feito para a mesa e pratos com alguma consistência, sendo o Redoma Reserva feito para durar um pouco mais e também mais marcado pela madeira que o colheita.
Nos tintos tivemos Vertente, Redoma, Batuta, Charme e Robustus. O Vertente mantém o seu perfil mais simples e linear, o Redoma, à semelhança do branco, mais consistente e amigo da mesa, sendo o Batuta, o Charme e o Robustus os pesos pesados deste painel. O Batuta é um vinho fantástico de persistência e complexidade, enquanto o Charme é o contraste, um primor de elegância e finesse, aparecendo aqui o Robustus como aquele que apresenta maior “solidez” (se é que esta expressão pode ser aplicada a um líquido...), um vinho com mais corpo e estrutura.
Enfim, no conjunto, esta prova não trouxe propriamente grandes surpresas, antes serviu para confirmar tudo aquilo que se esperava dos vinhos apresentados. De destacar, contudo, um rumo claro adoptado pela Niepoort nitidamente em contraciclo com a maioria dos vinhos actuais - e em particular no Douro - em que se aposta na pujança, na sobrematuração e em elevados graus alcoólicos. A Niepoort, pelo contrário, seguindo o lema de Dirk Niepoort de que “menos é mais”, aposta na elegância, na suavidade, na complexidade e longevidade dos seus vinhos. Quase todos se situam na casa dos 13 ou 13,5 graus de álcool (felizmente, digo eu), pelo que ao bebê-los estamos a beber vinhos e não bombas de fruta e de álcool que tudo abafam.
Bem haja, Dirk Niepoort e toda a equipa que o acompanha. Que continuem a brindar-nos com excelentes vinhos por muitos e bons anos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Excelente comunicador, sem pejo de dar a sua opinião sobre as vantagens e desvantagens acerca de certos métodos utilizados na enologia, nem sequer se inibindo de confessar que não é adepto da omnipresente Touriga Nacional, conversando sobre a filosofia da Niepoort na escolha do perfil dos vinhos, Luís Seabra ajuda a tornar a prova de vinhos numa tertúlia em que se fala um pouco de tudo e em que o público é quase impelido a fazer perguntas.
Segundo as palavras do próprio, foram apresentados os vinhos da gama clássica da Niepoort, uma vez que a gama é já tão vasta que torna impossível trazer para a prova tudo o que existe.
Assim, começámos por provar os brancos Tiara, Redoma e Redoma Reserva. Como habitualmente, e confirmando as impressões colhidas há uns anos no inesquecível jantar no Jacinto, o Tiara apresenta um perfil mais jovem e irreverente, enquanto o Redoma é um branco mais clássico, mais feito para a mesa e pratos com alguma consistência, sendo o Redoma Reserva feito para durar um pouco mais e também mais marcado pela madeira que o colheita.
Nos tintos tivemos Vertente, Redoma, Batuta, Charme e Robustus. O Vertente mantém o seu perfil mais simples e linear, o Redoma, à semelhança do branco, mais consistente e amigo da mesa, sendo o Batuta, o Charme e o Robustus os pesos pesados deste painel. O Batuta é um vinho fantástico de persistência e complexidade, enquanto o Charme é o contraste, um primor de elegância e finesse, aparecendo aqui o Robustus como aquele que apresenta maior “solidez” (se é que esta expressão pode ser aplicada a um líquido...), um vinho com mais corpo e estrutura.
Enfim, no conjunto, esta prova não trouxe propriamente grandes surpresas, antes serviu para confirmar tudo aquilo que se esperava dos vinhos apresentados. De destacar, contudo, um rumo claro adoptado pela Niepoort nitidamente em contraciclo com a maioria dos vinhos actuais - e em particular no Douro - em que se aposta na pujança, na sobrematuração e em elevados graus alcoólicos. A Niepoort, pelo contrário, seguindo o lema de Dirk Niepoort de que “menos é mais”, aposta na elegância, na suavidade, na complexidade e longevidade dos seus vinhos. Quase todos se situam na casa dos 13 ou 13,5 graus de álcool (felizmente, digo eu), pelo que ao bebê-los estamos a beber vinhos e não bombas de fruta e de álcool que tudo abafam.
Bem haja, Dirk Niepoort e toda a equipa que o acompanha. Que continuem a brindar-nos com excelentes vinhos por muitos e bons anos.
Kroniketas, enófilo esclarecido
domingo, 23 de dezembro de 2012
Na Wine O’Clock 9 - Com Sandra Tavares da Silva
Na senda das muitas solicitações para provas que se vão realizando por aí, uma das mais interessantes dos últimos tempos realizou-se na Wine O’Clock com a presença da enóloga Sandra Tavares da Silva, colaboradora na Quinta do Vale D. Maria, de Cristiano Van Zeller, no projecto familiar da Quinta de Chocapalha e no projecto pessoal da Wine & Soul com o marido, Jorge Serôdio Borges. Na prova em causa foram apresentados os mais recentes vinhos em que a enóloga está envolvida em termos pessoais e familiares.
Foram provados quatro vinhos da Quinta de Chocapalha e dois da Wine & Soul. Da região de Lisboa vieram um branco colheita, um tinto colheita e dois tintos reserva. Dum modo geral agradáveis, o branco com a frescura que se consegue na região de Lisboa devido ao clima atlântico, os tintos numa linha semelhante, com bom equilíbrio entre corpo, álcool e taninos.
Da Wine & Soul vieram o Pintas e o Pintas Character, com o perfil típico dos grandes tintos do Douro nos tempos que correm, em que predomina a pujança e o aroma a fruto maduro.
Mais que a avaliação de cada vinho provado, o que se tornou mais interessante foi o desenrolar da conversa com a enóloga, que falou da sua experiência nesta actividade fazendo o paralelo entre os dois projectos em que está envolvida, com maior incidência na Chocapalha, e deixando o convite aos presentes para visitarem a quinta e, se o desejarem, participarem numa vindima.
Esperemos que Sandra Tavares da Silva nos volte a presentear com a sua presença em mais provas.
Kroniketas, enófilo esclarecido
segunda-feira, 11 de junho de 2012
No meu copo 280 - Aurius 2002
Numa das provas a que nos deslocámos recentemente na Wine o’Clock, eu e o Mancha tivemos a oportunidade e o prazer de assistir a mais uma lição dada pelo engenheiro químico-industrial, produtor, enólogo, cozinheiro, gastrónomo gourmet (e sei lá que mais) José Bento dos Santos. Como já tive oportunidade de confidenciar aos comparsas em mais de uma ocasião, há alguns destes mestres do vinho que são uma lição para quem os ouve. Só para ouvi-los valeria a pena a deslocação, mesmo que não houvesse vinho para provar. José Bento dos Santos é um deles (Luís Pato, o “Senhor Bairrada”, é outro).
Na dita prova percorreu-se praticamente todo o portefólio de vinhos da Quinta do Monte d’Oiro: Lybra (branco e tinto), Madrigal, Têmpera, Aurius, Quinta do Monte d’Oiro Reserva.
Foi na prova do Aurius que surgiu a grande surpresa, quando confrontámos o 2007 com o 2002. Este apresentou-se com uma saúde, uma vivacidade e uma frescura na boca notáveis. De tal forma que, mesmo estando ao dobro do preço do 2007 (cerca de 38 € contra 19 €), resolvemos adquirir uma garrafa desta colheita para partilhar com a comunidade gastrónomo-etilista do costume. Com a vantagem de, sendo dia de prova, haver um desconto de 15% no preço, pelo que acabámos por desembolsar 33,04 €.
A abertura da garrafa efectuou-se no dia seguinte, acompanhada de um Vinha da Nora 2005 dos que ainda constam da minha garrafeira. A degustação confirmou as impressões recolhidas na prova da Wine o’Clock. A elegância típica dos vinhos da Quinta, com os aromas muito harmoniosos a par com uma suavidade e finesse notáveis, na linha daquilo que já escrevi acerca do Vinha da Nora como sendo um vinho aristocrático.
Pessoalmente este vinho encantou-me e entrou directamente para a minha galeria dos notáveis, daqueles que nos fazem esquecer por momentos o seu custo elevado e em que o prazer obtido supera aquilo que se pagou. Notável, de facto!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Aurius 2002 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 38,85 €
Nota (0 a 10): 9
Na dita prova percorreu-se praticamente todo o portefólio de vinhos da Quinta do Monte d’Oiro: Lybra (branco e tinto), Madrigal, Têmpera, Aurius, Quinta do Monte d’Oiro Reserva.
Foi na prova do Aurius que surgiu a grande surpresa, quando confrontámos o 2007 com o 2002. Este apresentou-se com uma saúde, uma vivacidade e uma frescura na boca notáveis. De tal forma que, mesmo estando ao dobro do preço do 2007 (cerca de 38 € contra 19 €), resolvemos adquirir uma garrafa desta colheita para partilhar com a comunidade gastrónomo-etilista do costume. Com a vantagem de, sendo dia de prova, haver um desconto de 15% no preço, pelo que acabámos por desembolsar 33,04 €.
A abertura da garrafa efectuou-se no dia seguinte, acompanhada de um Vinha da Nora 2005 dos que ainda constam da minha garrafeira. A degustação confirmou as impressões recolhidas na prova da Wine o’Clock. A elegância típica dos vinhos da Quinta, com os aromas muito harmoniosos a par com uma suavidade e finesse notáveis, na linha daquilo que já escrevi acerca do Vinha da Nora como sendo um vinho aristocrático.
Pessoalmente este vinho encantou-me e entrou directamente para a minha galeria dos notáveis, daqueles que nos fazem esquecer por momentos o seu custo elevado e em que o prazer obtido supera aquilo que se pagou. Notável, de facto!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Aurius 2002 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 38,85 €
Nota (0 a 10): 9
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Na Wine O’Clock 8 - Vinhos do Esporão
Uma visita à Wine o’Clock para uma Prova Esporão foi o pretexto para, à última hora, uma fracção do núcleo duro dos Comensais Dionisíacos – composta por Kroniketas, Mancha e Politikos, à qual só faltou (como habitualmente, aliás) o tuguinho – acertar um repasto tardio.
Na Wine o’Clock a prova foi, como se esperava, excelente, passando em revista o portefólio da gama superior do Esporão:
- Esporão Reserva Branco 2009, um vinho moderno e fresco, com uns taninos finais que se sentem mas logo se recolhem;
- Private Selection Branco 2008, um branco de grande nível, complexo, amadeirado; que pode passar por tinto e acompanhar tudo à mesa;
- Quatro Castas Tinto 2009, que nesta colheita mudou o perfil e as castas – agora Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Franca e Touriga Nacional – quase podendo passar por Douro (nós preferimos o antigo, com verdadeiro perfil do Alentejo);
- Esporão Reserva Tinto 2008, um nosso velho conhecido, e que continua um excelente vinho e a dar cartas, numa boa escolha entre custo/qualidade;
- Private Selection Tinto 2007, excelentíssimo, elegantíssimo e complexo, que quase se mastiga, mas que todos nós achámos que para poder ser apreciado na sua plenitude é capaz de ganhar em ser bebido a solo e só com conversa, por se poder perder um pouco com a comida e sobretudo quando servido depois de outros, quando os estômagos já estão saciados e os palatos cansados.
- Rematámos em beleza com um Late Harvest 2009, bem feito e menos enjoativo do que outros que já provámos, sobretudo os do Novo Mundo. Não se aguenta com uma encharcada alentejana ou a acompanhar sobremesas muito doces, mas irá muito bem com uma salada de frutas, gelado ou tarte, por exemplo.
Em suma, a Herdade do Esporão continua a dar cartas.
(continua)
Politikos e Kroniketas, enófilos rendidos ao Esporão
Na Wine o’Clock a prova foi, como se esperava, excelente, passando em revista o portefólio da gama superior do Esporão:
- Esporão Reserva Branco 2009, um vinho moderno e fresco, com uns taninos finais que se sentem mas logo se recolhem;
- Private Selection Branco 2008, um branco de grande nível, complexo, amadeirado; que pode passar por tinto e acompanhar tudo à mesa;
- Quatro Castas Tinto 2009, que nesta colheita mudou o perfil e as castas – agora Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Franca e Touriga Nacional – quase podendo passar por Douro (nós preferimos o antigo, com verdadeiro perfil do Alentejo);
- Esporão Reserva Tinto 2008, um nosso velho conhecido, e que continua um excelente vinho e a dar cartas, numa boa escolha entre custo/qualidade;
- Private Selection Tinto 2007, excelentíssimo, elegantíssimo e complexo, que quase se mastiga, mas que todos nós achámos que para poder ser apreciado na sua plenitude é capaz de ganhar em ser bebido a solo e só com conversa, por se poder perder um pouco com a comida e sobretudo quando servido depois de outros, quando os estômagos já estão saciados e os palatos cansados.
- Rematámos em beleza com um Late Harvest 2009, bem feito e menos enjoativo do que outros que já provámos, sobretudo os do Novo Mundo. Não se aguenta com uma encharcada alentejana ou a acompanhar sobremesas muito doces, mas irá muito bem com uma salada de frutas, gelado ou tarte, por exemplo.
Em suma, a Herdade do Esporão continua a dar cartas.
(continua)
Politikos e Kroniketas, enófilos rendidos ao Esporão
terça-feira, 28 de julho de 2009
No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto (2ª parte)
Vertente 2007; Redoma tinto 2006; Charme 2007; Batuta 2007; Porto Niepoort Vintage 2007; Porto Niepoort Colheita 1998
Finalmente, chegaram as carnes e os tintos, servidos aos pares: um representante da gama intermédia da casa com outro da gama alta. Assim começámos com um Vertente 2007 e um Charme 2007, para acompanhar o mil-folhas de pato com alecrim. Em seguida, para o javali estufado com torta de legumes, uma parelha Redoma 2006 e Batuta 2007 (em garrafa ainda sem rótulo).
Tanto o Vertente como o Redoma são vinhos para um consumo mais imediato, com um perfil mais frutado e encorpado. O Vertente será talvez o mais simples e menos ambicioso, enquanto o Redoma apresenta outra complexidade. Sendo estes dois bons vinhos, não deixam de ser ofuscados pelos dois de topo. O Charme faz inteiro jus ao nome que ostenta: todo ele é charme desde a primeira impressão olfactiva até à prova de boca, marcada por extrema elegância, a pedir pratos plenos de requinte. Foi bem escolhido para o folhado de pato. Já o Batuta apresenta-se mais pujante e complexo, a pedir tempo para se mostrar em plenitude e a prometer longa vida e grandes voos.
Para as sobremesas ainda houve direito a um Porto Vintage de 2007, um Colheita de 98 e uma aguardente vínica. Só provei os Portos que não deixaram os créditos por copos alheios. Um dos primeiros Portos Vintage que me lembro de beber foi um Niepoort de 2003 que estava notável, e este não fugiu à regra. Grande corpo, grande profundidade, um vinho cheio de pujança que nunca mais acaba na boca, apresentando uma exemplar ligação entre a fruta e o álcool. Possivelmente um dos melhores Portos Vintage do país. O Colheita também não se saiu mal da função, com uma predominância a frutos secos e bastante elegante na prova. Já o Politikos, ainda molhou os lábios na aguardente vínica e reputou-a de excelente, aveludada e elegante, com a madeira muito presente mas sem ser agressiva.
Resta falar dos sólidos, onde não é fácil escolher, de tão bem confeccionados estavam. O bacalhau muito bem enquadrado com a pasta de azeitona, o mil-folhas de pato muito saboroso e macio e finalmente o javali, talvez o ponto alto da noite, bastante apetitoso e suculento.
Para as sobremesas veio uma encharcada alentejana em duelo com um pão de rala, irrepreensíveis, e para terminar com o Porto um Petit gâteau com gelado de baunilha que fechou a noite da melhor forma.
Serviço impecável, rápido e eficiente, tanto nos vinhos como nos pratos, não falhou nada nesta refeição magnífica onde todos estão de parabéns. A Wine O’Clock porque promoveu, a Niepoort porque forneceu os vinhos, o Jacinto porque serviu, e nós, os felizardos que lá estivemos porque pudemos participar numa refeição notável. Parece que o Jacinto, que atravessou tempos difíceis, está de volta aos melhores dias e a tornar-se um ponto de referência na gastronomia lisboeta.
Kroniketas, enófilo e gastrónomo satisfeito, com Politikos
Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Nota (0 a 5): 4,5
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Vinho: Vertente 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Redoma 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Charme 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Batuta 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Porto Niepoort Vintage 2007
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Porto Niepoort Colheita 1998
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 8
Etiquetas:
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No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto (1ª parte)
Redoma rosé 2008; Tiara 2008; Redoma branco 2008
Realizou-se há duas semanas no restaurante Jacinto, na zona antiga de Telheiras, em Lisboa, o muito aguardado jantar de degustação com vinhos Niepoort, promovido pela Wine O’Clock. Pela quantia de 50 € os mastigantes e degustantes tiveram direito a uma entrada, um prato de peixe, dois de carne, duas sobremesas, 10 vinhos e uma aguardente, que incidiram basicamente nos que já tinham estado em prova na Wine O’Clock na semana anterior.
As Krónikas Viníkolas fizeram-se representar por este escriba e pelo Politikos, por sinal os primeiros a chegar ao restaurante. Começámos por ser brindados com um vinho do Porto branco Niepoort extra-seco de 1939! Um vinho castanho-cobre, a fazer lembrar um Tawny de 20 ou 30 anos, com uma frescura e intensidade aromática que nunca fariam supor estarmos perante um vinho com a idade do início da 2.ª Guerra Mundial! Notável!
Depois de completo o lote de participantes e já devidamente distribuídos pelas mesas, deu-se início às hostilidades. Tivemos a sorte de ficar na mesa do representante da Niepoort, José Teles, da área comercial, o que foi uma mais-valia, já que além do agradável convívio nos permitiu aprender um pouco mais, tendo mesmo ficado em aberto a visita a uma das quintas da Niepoort por altura das vindimas. A estratégia comercial das marcas passa hoje muito por (in)formar e aproximar os apreciadores/consumidores de vinho, e ainda bem.
Com o prato de entrada foi servido o Redoma rosé 2008, de momento o único rosé da Niepoort. Bastante equilibrado na boca, com aroma predominante a frutos vermelhos, boa estrutura e boa persistência. Fermentou em barricas novas de carvalho francês mas não foi submetido a qualquer estágio. Um vinho concebido para a mesa, mais do que para a esplanada, que casou bem com a salada de queijo de cabra com rúcula, que estava muito fresca e agradável.
Seguiu-se o prato de peixe, bacalhau confitado com pasta de azeitona, com o qual provámos dois vinhos brancos: o Tiara 2008 e o Redoma 2008. O Tiara, mais leve, mais aberto, mais suave e mais elegante, com um perfil mais mineral e cítrico, é um branco para pratos mais frescos e requintados. O Redoma, mais estruturado, resultado da fermentação em barricas de carvalho francês onde estagiou 9 meses, tem a madeira muito bem casada sem se sobrepor aos aromas nem retirar a frescura predominante. Pode ser um branco mais de Inverno que no entanto se enquadra bem no tempo mais quente e que fez boa parceria com os tacos de bacalhau. Em suma, dois brancos de perfis diferentes mas ambos muito agradáveis. Pelos preços anunciados, o Tiara será mais apetecível de comprar...
(continua)
Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos
Vinho: Redoma 2008 (R)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Amarela, Touriga Franca, 50% outras
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Tiara 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Cercial
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Redoma 2008 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Codega, Rabigato, Donzelinho, Viosinho, Arinto
Nota (0 a 10): 8
Etiquetas:
Arinto,
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Touriga Franca,
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Wine O'Clock
terça-feira, 7 de julho de 2009
Na Wine O'Clock 7 - Vinhos Niepoort
Mais um ano de provas na Wine O'Clock, cujos relatos não temos aqui trazido, culminou há dias com uma prova alargada de vinhos Niepoort. Não esteve presente o próprio Dirk mas a casa esteve bem representada por Luís Seabra, enólogo e responsável pelas vinhas na Quinta de Nápoles. Houve direito a provar vários brancos (Redoma, Redoma Reserva e Tiara), um Redoma rosé, vários tintos de duas colheitas (Vertente, Redoma, Batuta, Charme e ainda um Doda extra-programa), um Porto Vintage, um Colheita e ainda um moscatel.
No final ainda conseguimos de lá sair mais ou menos lúcidos e com grande expectativa para o jantar Niepoort que se vai realizar no próximo dia 16. Este foi um bom aperitivo.
Kroniketas, enófilo expectante
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Na Wine O’Clock 6 - Brancos da Sogrape
A última prova antes das férias foi novamente com a Sogrape, agora subordinada ao tema dos brancos, de acordo com a época do ano. Foram provados todos os brancos actualmente produzidos pela casa, de norte a sul, mais uma vez apresentados pela simpática Marta Mimoso, representante da empresa já nas provas anteriores.
Começámos pelos verdes, o Quinta de Azevedo e o Morgadio da Torre, um Alvarinho de grande elegância e finura, muito suave, um vinho esplêndido para acompanhar umas boas mariscadas mas também para beber a solo. O Quinta de Azevedo, feito com uma mistura de Arinto e Loureiro, também é bastante elegante e embora com um perfil um pouco mais simples é igualmente muito agradável e versátil para este tempo estival.
Seguiu-se pelo Dão, com o Duque de Viseu e o Quinta dos Carvalhais Encruzado, que já tínhamos provado na sessão dedicada à Quinta dos Carvalhais. Depois passámos pelo Alentejo com o Vinha do Monte, da Herdade do Peso, que me pareceu um pouco pesado, na linha habitual dos brancos alentejanos, para terminar com o Vinha Grande, que supostamente seria o ponto alto da prova, mas que continua a perder para o extinto Sogrape Reserva. Continuo a achá-lo não totalmente conseguido, parece-me faltar-lhe alguma frescura e alguma elegância. Enfim, nem sempre se pode acertar totalmente.
E assim nos despedimos até às provas da próxima temporada.
Kroniketas, enófilo visitante
domingo, 20 de julho de 2008
Na Wine O’Clock 5 - Com a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo
Numa das habituais provas de sábado de manhã, desloquei-me mais uma vez com o Politikos à Wine O’Clock para provar os vinhos da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo. Anterior propriedade da Burmester, começou há alguns anos a produzir os seus vinhos autonomamente, ao mesmo tempo que desenvolvia um projecto de enoturismo.
Situada perto do Pinhão, a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo tem vindo a afirmar o seu nome recentemente através duma gama de vinhos que vão desde os brancos e rosés até aos tintos e vinhos do Porto. Nesta apresentação tivemos oportunidade de provar um total de 9 vinhos: o 3 Pomares branco, rosé e tinto, que constituem a entrada de gama, vinhos relativamente simples e fáceis de beber; o Grainha branco e tinto, vinhos já com alguma complexidade situados num patamar médio em que o tinto se apresenta com uma relação qualidade/preço muito interessante; o Quinta Nova tinto e o Quinta Nova Reserva, estes já num patamar superior em que o Reserva precisa de mais tempo para se mostrar na plenitude; e finalmente dois exemplares de vinhos do Porto, um Ruby Reserva e um Vintage, dois bons exemplares dos melhores Portos.
Claro que a curta duração destas provas não permitem grandes dissertações sobre os líquidos provados e não propriamente degustados, mas pudemos ficar com uma ideia aproximada do que podem valer. Neste sentido pareceu-nos que o Grainha talvez seja a melhor aposta, sem descurar o Reserva. Os dois vinhos do Porto também pareceram muito bem conseguidos, em especial o Ruby que tinha quase um perfil de LBV.
Curiosamente, esta Quinta Nova era um local que eu tinha considerado como hipótese para fazer um passeio na altura dos feriados de Junho, pelo que esta prova veio aguçar um pouco mais o apetite para conhecer o local. Enquanto isso não acontece, vamos ficar com estas referências para uma apreciação mais demorada quando for possível.
Mais informações em http://www.quintanova.com/
Kroniketas, enófilo visitante
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