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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (XI)

No meu copo, na minha mesa 163 - Muachos Reserva 2003; Casa de Alegrete 2005; Restaurante O Escondidinho (Portalegre)




Este foi um dos restaurantes a merecer repetição. Fica perto duma das praças principais da cidade, o Rossio, mas à entrada duma rua estreitinha onde quase passa despercebido ao olhar dos transeuntes. Ao entrar deparamos com uma pequena sala com 4 mesas, prolongando-se o espaço para a direita, onde se encontra um bar, a cozinha e as casas de banho e uma sala mais espaçosa, e para a esquerda onde fica a sala mais recatada e acolhedora.

A primeira visita foi antes do Natal e fi-la sozinho. Seguindo a sugestão da casa, escolhi uma das especialidades da casa, um bife vira-vira de coentrada, frito em azeite e temperado com coentros. Extremamente tenro e saboroso. Para sobremesa escolhi um doce tradicional, o fidalgo, uma fatia de doce de ovos verdadeiramente irresistível. Estando sozinho, não houve grande originalidade na escolha do vinho, tendo optado por um jarro de meio-litro de vinho da casa, da Fundação Abreu Callado. Nada de extraordinário mas perfeitamente aceitável por apenas 2,50 €.

Enquanto jantava na sala mais recatada, fui reparando num armário perto da minha mesa onde algumas garrafas se encontravam em exposição. Foi ali que vi pela primeira vez o Casa de Alegrete, já referido anteriormente, e que mais tarde se tornaria escolha recorrente.

A segunda visita já foi mais preparada, merecendo reserva e encomenda antecipada. Lebre com feijão foi o prato de resistência, não sem que antes aparecessem na mesa alguns acepipes para entrada, entre os quais pernas de rã (sinceramente, não fiquei fã). Como mandam os cânones, a lebre vinha em tacho de barro e deu para ir comendo, comendo, comendo... até fartar. Para sobremesa repetiu-se o inevitável fidalgo, certamente um dos melhores doces à base de ovo que existem, complementado por um bolo de chocolate regado com creme de chocolate que mais parecia mousse... É de lamber os beiços!

O serviço é esmerado e cuidado, sem nada a apontar. Escolhidos os petiscos certos, pode-se ter ali uma excelente refeição com um óptimo atendimento.

Para o vinho, não resisti a repetir o Casa de Alegrete 2005. Confirmou a excelente impressão da primeira prova, e voltou a ser bebido quase com sofreguidão. Para complementar com algo diferente escolheu-se um Herdade dos Muachos Reserva 2003. De cor rubi bastante intensa, mostrou-se com bom corpo e estrutura, suave e aromático, com taninos bem domados mas a suportarem um todo persistente sem deixar de ter alguma elegância. Um vinho equilibrado que se bateu bem com o prato de lebre mas que também pode mostrar-se com outros pratos um pouco mais delicados. A rever noutra ocasião.

Em resumo, duas boas refeições, bem acompanhadas por dois bons representantes dos vinhos de Portalegre. Um local que vale a pena (re)visitar.

Kroniketas, enófilo itinerante

Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Preço no restaurante: 15 €

Vinho: Muachos Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: José Carvalho - Sociedade Agrícola (Herdade dos Muachos)
Grau alcoólico: 13,5% Castas: Trincadeira, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon (15%)
Preço em hipermercado: cerca de 9 €
Nota (0 a 10): 7,5

Restaurante: O Escondidinho
Travessa das Cruzes, 1 e 3
7300 Portalegre
Preço por refeição: 20-25 €
Nota (0 a 5): 4

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Krónikas do Alto Alentejo (IX)

Herdade dos Muachos






A Herdade dos Muachos fica situada na freguesia da Urra, uma povoação a alguns quilómetros de Portalegre seguindo pela estrada para Elvas.

Entrando na Urra e tomando o caminho para Assumar, entramos em pleno campo, numa estrada estreita pelo meio de olivais e montados. Há vacas, porcos e ovelhas a pastar e algumas placas a indicar a certificação Carnalentejana. Depois de passar a linha de comboio, numa passagem de nível sem guarda, aparece à direita a entrada da Herdade dos Muachos. Estamos já no meio do nada, a cerca de 5 km da Urra.

A entrada é feita entre videiras e oliveiras até se encontrar os edifícios da adega. A visita começou por um edifício em frente à adega onde decorrem obras para a construção da futura sala de provas, que será equipada com uma cozinha que permitirá a realização de outros eventos, como casamentos e baptizados.

A Herdade dos Muachos tem cerca de 239 hectares, onde existe gado e montado para além dos 50 hectares de vinha, dos quais 18 plantados em 2005. A produção de vinho começou pelo pai, José Maria Pombo Carvalho, e dois filhos, tendo a primeira colheita sido produzida em 2003. Produz cerca de 200.000 litros por ano, com base nas castas tintas Trincadeira, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Alfrocheiro, Aragonês, Syrah e Carignan, e nas brancas Arinto, Roupeiro, Chardonnay e Sauvignon Blanc.

O portefólio de vinhos é constituído pelo Herdade dos Muachos branco Regional e Colheita Seleccionada, um tinto DOC, um Reserva tinto e um Garrafeira tinto, que sai para o mercado no mínimo 3 anos após a colheita e após um ano em garrafa. Também é produzido o Portal de Alegrete no formato bag-in-box.

Na cave do edifício principal estão as cubas de fermentação, a adega onde o vinho estagia e a linha de engarrafamento. O branco fermenta em balseiros de carvalho francês e americano, sendo utilizados uma única vez, após o que passam a ser utilizados para estágio dos tintos. A produção é supervisionada pelo enólogo António Saramago, que também dirige os trabalhos na Herdade do Porto da Bouga, a alguns quilómetros dali, junto à povoação de Caia.

Kroniketas, enófilo itinerante

José Carvalho - Sociedade Agrícola
Herdade dos Muachos
Tel: 245.204.256/7
7300-575 Urra - Portalegre