domingo, 30 de dezembro de 2018

No meu copo 726 - Terras do Demo espumante bruto 2017

Para terminar o ano, nada como brindar com um bom espumante proveniente duma das melhores regiões do país para a produção do vinho com “bolhinhas”.

Para assinalar uma efeméride familiar, escolhemos este Terras do Demo produzido unicamente com Malvasia Fina, casta que também é usada para a produção do vinho tranquilo com o mesmo nome, e que nunca nos deixa ficar mal.

Revelou aromas florais, bolha fina e persistente e mousse muito suave, muito frutado e elegante, mostrando-se um espumante guloso que fez as delícias dos presentes. Alguns atreveram-se mesmo a considera-lo um dos melhores espumantes nacionais.

A verdade é que, para além do “tchim tchim” do primeiro copo, todo o resto da garrafa marchou rapidamente, tal foi o agrado com que foi bebido. Mais que uma bebida apenas de festa, este é um bom exemplar de que o espumante é uma bebida muito séria e deve ser consumida como tal.

Da próxima vez, se calhar, é melhor comprar duas garrafas...

A todos os enófilos (e aos outros também...) desejamos um bom ano de 2019, com boas provas e boa disposição.

À vossa saúde!

tuginho e Kroniketas, enófilos em celebração

Vinho: Terras do Demo espumante bruto 2017 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Cooperativa Agrícola do Távora
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Malvasia Fina
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

No meu copo 725 - Pacheca Reserva Vinhas Velhas 2014

Foi o primeiro contacto com este vinho na nova fase da Quinta da Pacheca. É um vinho de cor rubi, com aroma intenso a frutos vermelhos.

Na boca é bem estruturado, revelando macieza com taninos presentes mas redondos. O final é complexo e persistente, com um ligeiro toque a especiarias.

Bom, mas talvez um pouco exagerado no preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pacheca Reserva Vinhas Velhas 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta da Pacheca, Sociedade Agrícola e Turística
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinto Cão, Sousão, Tinta Amarela
Preço em feira de vinhos: 12,19 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 22 de dezembro de 2018

No meu copo 724 - Herdade dos Grous tinto 2015


Não tenho sido muito assíduo nos contactos com este vinho. É um alentejano dos novos tempos, com um perfil mais internacionalizado e longe dos mais clássicos, como aliás é apanágio dos vinhos que estão a ser produzidos naquela zona do Baixo Alentejo.

Tem uma estrutura relativamente leve, é aberto na cor, de corpo médio, mostrando alguns taninos ainda um pouco rugosos, que requerem algum tempo de arejamento.

Não sendo um tinto alentejano típico, também não é o mais indicado para os pratos típicos. Requer-se gastronomia mais internacional e moderna.

Em termos de gosto pessoal, coloco-o num patamar médio. Não defrauda mas também não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Herdade dos Grous 2015 (T)
Região: Alentejo (Albernoa)
Produtor: Monte do Trevo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 7,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

No meu copo 723 - Esporão: monocastas em garrafa de 0,5 L

Aragonês 2000; Bastardo 1999; Bastardo 2000; Cabernet Sauvignon 1998; Trincadeira 2000


Passados alguns anos de ausência, tive oportunidade de voltar a provar calmamente estes monocastas do Esporão lançados durante a década de 90 em garrafas de meio-litro. Foram, na altura, algumas das melhores garrafas a que tivemos acesso em vinhos monocastas, e também se revelaram importantes para o conhecimento das características de cada casta per se.

Agora que os monocastas tintos do Esporão mudaram para um patamar de preços completamente diferente e por isso inacessível com a frequência com que acedíamos a estes, é sempre uma boa oportunidade adquirir estas garrafinhas pela singela quantia de 5€ a unidade.

As cinco garrafas de que se fala abaixo foram adquiridas por esse valor e degustadas ao longo dos últimos meses. Não desiludiram, bem pelo contrário: algumas superaram em muito as expectativas.

Por ordem alfabética:

  • Aragonês 2000: grande aroma, grande corpo, pujante e robusto na boca com alguma adstringência ainda evidente, final prolongado. Em belíssima forma.
  • Bastardo 1999: encorpado e macio, ligeiramente delgado de corpo em comparação com os restantes, mas muito elegante e sem sinais de declínio.
  • Bastardo 2000: um pouco mais estruturado e persistente que o de 1999, mas bastante mais macio e aveludado do que os 14,5º de álcool poderiam pressupor.
  • Cabernet Sauvignon 1998: a estrela da companhia. Brilhou a grande altura, com tudo no sítio certo. Com 20 anos de idade, pareceu ser um vinho quase perfeito e curiosamente em melhor forma do que as últimas garrafas desta colheita (a última de Cabernet Sauvignon como monocasta) que me tinha sido possível provar. Belíssimo equilíbrio entre corpo, estrutura, acidez e macieza, com aroma intenso e um bouquet quase inebriante. A expressão que soltei quando o provei foi “que delícia!”
  • Trincadeira 2000: uma bela estrutura na boca mas ao mesmo tempo elegante e redondo. Final persistente e complexo.

Belos vinhos, em suma. Oxalá possa encontrar mais destes.

Kroniketas, enófilo embevecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Esporão, Aragonês 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Esporão, Bastardo 1999 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Bastardo
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Esporão, Bastardo 2000 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Bastardo
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Esporão, Cabernet Sauvignon 1998 (T)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Esporão, Trincadeira 2000 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Trincadeira
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 15 de dezembro de 2018

No meu copo 722 - Marquês de Borba tinto 2016; Marquês de Borba Colheita tinto 2017

Voltamos ao universo de João Portugal Ramos para uma prova de duas colheitas de tinto da marca mais emblemática da casa.

Já depois da visita às instalações da Adega Vila Santa, em Estremoz, onde foi possível degustar alguns dos mais recentes lançamentos, tivemos a oferta do novo Marquês de Borba Colheita tinto 2017, que agradecemos, e voltámos a prová-lo após aquela visita.

As impressões colhidas naquele almoço confirmaram-se. É um vinho fresco e aromático, com um perfil um pouco mais leve do que o tradicional.

A parte mas curiosa é que num jantar fora houve oportunidade de provar várias garrafas da colheita de 2016, que se revelou em grande forma e com uma intensidade e estrutura muito mais exuberantes! Quase não parecia o mesmo vinho, mas a verdade é que o ano adicional em garrafa tornou-o um vinho muito mais crescido e adulto, guindando-se a outro patamar.

Muito boa estrutura na boca com final persistente e vibrante, com os taninos macios mas a darem consistência ao conjunto.

Se fosse preciso, esta prova confirmou que os vinhos tintos demasiados jovens têm muito que crescer. Neste caso, atrevo-me a dizer que o lote de uvas utilizado também ajudou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Preço em feira de vinhos: 3,59 €

Vinho: Marquês de Borba 2016 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Borba Colheita 2017 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O eterno presente


Ao que parece, o tempo é uma ilusão e não existe passado nem futuro, apenas um eterno presente.

Se assim é, iludamo-nos então com a passagem de mais um ano deste blog (parece mentira, mas já lá vão 13 anos desde que saiu o primeiro post sobre o primeiro vinho...), bastante profícuo no que toca à sua produção escrevinhante, e a manutenção de uma atitude de eterna irresponsabilidade, porque levarmo-nos demasiado a sério é o princípio do fim...

Portanto continuem a ler-nos e, principalmente, continuem a beber bom vinho e a apreciá-lo e a divertirem-se porque, sendo apenas uma ilusão, virá um tempo em que já não o poderemos fazer...

Agora podem dar-nos os parabéns e brindar com um bom vinho porque, como dizia o outro, a vida é demasiado curta para beber do mau e, ilusão ou não, o nosso tempo nesta bola de pedra é limitado.

Bem hajam!

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

No meu copo 721 - Grand'Arte, Shiraz 2011; Grand’Arte, Touriga Nacional 2012

A DFJ Vinhos, liderada por José Neiva Correia, enólogo e produtor, é uma empresa sediada no em Vila Chã de Ourique, no concelho do Cartaxo, que produz essencialmente vinhos na região vitivinícola Lisboa, embora também se encontrem referências no Douro, Alentejo e Península de Setúbal.

Uma parte significativa da sua produção é destinada à exportação, sendo que no mercado nacional as referências predominantes centram-se em vinhos monocasta.

Hoje trazemos dois tintos adquiridos em 2014 e 2015. Esperaram portanto, respectivamente, 4 e 3 anos antes do consumo.

Com apenas um ano de diferença de colheita, o Shiraz apresentou-se muito mais evoluído, com os aromas algo sumidos, com pouca exuberância quer no nariz quer na prova de boca. A casta mostrou-se bem madura mas pouco expressiva em comparação com outros equivalentes. Em relação a outra garrafa provada há uns anos, esta esteve uns furos abaixo.

Quanto ao monocasta de Touriga Nacional, pelo contrário, expressou-se em pleno, apresentando grande vivacidade no aroma, ainda com notas florais e a frutos silvestres bem evidentes, boa estrutura e taninos bem presentes na boca, final vivo e persistente.

Na comparação, a Touriga Nacional pareceu mais bem conseguida, ou aguentou melhor o tempo em garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos

Vinho: Grand'Arte, Shiraz 2011 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Syrah
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Grand’Arte, Touriga Nacional 2012 (T)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

No meu copo 720 - Serras de Grândola Cepas Cinquentenárias tinto 2015

Sou cliente deste produtor há alguns anos, desde que provei um branco de Verdelho no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno.

Junto ao branco veio o tinto e as diversas variantes que foram aparecendo.

Este ano já provámos o Verdelho 2015, agora chegou a vez deste tinto Cepas Cinquentenárias, também ele já em repetição.

Confirmou as boas impressões das provas anteriores. É um tinto com uma boa estrutura, complexo mas ao mesmo tempo delicado, com uma boa frescura na prova de boca.

Apresenta notas de aromas balsâmicos, fruto maduro e algum vegetal, com taninos presentes mas redondos. O final é persistente revelando elegância no fim de boca.

Um vinho para continuar a acompanhar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Serras de Grândola Cepas Cinquentenárias 2015 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8