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terça-feira, 26 de março de 2019

No meu copo 750 - Mateus Rosé Original

É tempo de revisitarmos o vinho português mais vendido em todo o mundo e o mais mal amado no país que o produz.

O célebre Mateus Rosé, criado em 1942 por Fernando Van Zeller Guedes e pioneiro da marca Sogrape, continua a ser um caso de sucesso apesar de muito desvalorizado intramuros.

A verdade é que o vinho da garrafa em forma de cantil foi concebido para ser um vinho agradável e fácil de beber, de forma descontraída. Nesse pressuposto, é difícil encontrar muitos que o batam ou mesmo que o igualem.

A melhor forma de desmistificar o Mateus aconteceu há uns bons pares de anos num curso de prova que frequentei no Instituto Superior de Agronomia com o Prof. Virgílio Loureiro. As conversas à volta do Mateus Rosé sucediam-se (quase sempre em tom depreciativo) até ao dia em que nos foram apresentadas algumas harmonizações de vinhos com comida.

Foram-nos servidas tâmaras enroladas em bacon e um vinho desconhecido em copo preto. Nem fresco nem natural. Foi-nos pedido que avaliássemos a parceria, e todos os presentes – sem excepção – consideraram que a harmonização estava perfeita. Quando foi mostrada a garrafa, voilà!, era Mateus Rosé. E assim se destroem os mitos, para o bem ou para o mal.

Dito isto, resta acrescentar que a prova mais recente aconteceu com cozinha oriental, no caso num restaurante coreano, e como não podia deixar de ser o Mateus Original ligou na perfeição com os vários pratos experimentados. Mesmo a solo é um vinho que se bebe com facilidade e sem dar por isso despejamos a garrafa. Está no registo meio-seco, é leve, fresco e refrescante.

Beba-se, pois!

Um brinde à Casa de Mateus, inspiradora do nome e do rótulo, agora em tempo de mudança de imagem com novo rótulo e nova garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Mateus Rosé Original (R)
Região: Sem denominação de origem
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 11%
Castas: Baga, Rufete, Tinta Barroca, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 3,87 €
Nota (0 a 10): 7


Fotos das garrafas (antiga e nova) obtidas no site do produtor

terça-feira, 19 de março de 2019

No meu copo 748 - Prazo de Roriz 2016

Não têm sido muitas as provas com vinhos do universo Symington, mas agora há algumas referências que iremos provar ao longo dos próximos meses.

Começamos com este vinho da gama entre os 5 e os 10 euros, elaborado com 5 das castas emblemáticas do Douro na Quinta de Roriz, localizada em São João da Pesqueira (nome de que viria a resultar a designação da casta Tinta Roriz).

Este é um dos vinhos resultantes para parceria entre as famílias Prats e Symington, que ocorre paralelamente à produção de vinhos sob a chancela da Symington Family Estates, nomeadamente os provenientes da Quinta do Vesúvio e os vinhos do Porto das marcas Graham’s e Dow’s.

Apresenta-se com uma cor rubi profunda, aroma intenso a frutos vermelhos, encorpado na boca e com boa estrutura mas com taninos arredondados, final elegante e persistente com algumas notas de especiarias.

Dentro desta gama de preços, é uma boa aposta para a relação qualidade-preço e entra para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Prazo de Roriz 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Prats & Symington
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinta Amarela
Preço em feira de vinhos: 6,74 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

No meu copo 736 - Cabeça de Burro Reserva tinto 2014

aqui provámos este vinho não há muito tempo, e não há novidades nesta prova da colheita de 2014.

É um vinho predominantemente elegante, suave, com taninos macios e final médio. Não muito exuberante no aroma nem muito estruturado.

Poderá melhorar com mais tempo de garrafa, pois mostra uma complexidade relativamente discreta lá por trás.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça de Burro Reserva 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Caves Vale do Rodo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 11 de novembro de 2018

No meu copo 714 - Duas Quintas Reserva tinto 2008

Passados alguns anos voltamos a falar dum dos grandes tintos portugueses. Outras provas aconteceram entretanto, das edições de 2006 e 2007, mas não houve oportunidade de trazê-las à estampa.

Sendo uma das marcas emblemáticas da Ramos Pinto, esta versão Reserva do Duas Quintas é desde há muito tempo um vinho que se guindou a patamares de excelência, dando-nos do melhor que há no Douro Superior.

Sabendo que naquela zona se produzem grandes vinhos tintos e se obtêm algumas das grandes referências nacionais com diversos perfis (os da Casa Ferreirinha, produzidos na Quinta da Leda, destacam-se pela elegância), o Duas Quintas sempre se pautou pela robustez e concentração, características que se mantêm.

De cor quase retinta, aroma predominante a frutos vermelhos maduros, na boca apresenta-se concentrado e estruturado, com grande corpo e final persistente e intenso, com taninos firmes mas macios. É um dos tais raros vinhos robustos com elegância.

É um daqueles vinhos dos quais se pode dizer que custam muito dinheiro mas não são caros para o prazer que proporcionam.

Top!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Duas Quintas Reserva 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 15%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: cerca de 25 €
Nota (0 a 10): 9

domingo, 8 de abril de 2018

No meu copo 667 - Valdazar 2011

Adquirido em Setembro de 2015, este tinto com a assinatura de Carlos Campolargo foge, como é habitual, ao perfil clássico da Bairrada, apresentando um lote de castas pouco usual, onde a Baga não é base mas complemento.

O próprio rótulo é invulgar, com cores e padrões que chamam a atenção através dum certo choque visual. Tudo dentro da postura habitual de Carlos Campolargo que faz questão de andar contra a corrente (nome de um dos seus vinhos, de que aqui falaremos um dia destes).

As castas fermentaram em conjunto, passando depois para barricas usadas de carvalho francês onde se deu a fermentação maloláctica e estagiou 12 meses.

Mostrou cor rubi, aroma algo discreto com notas de fruta preta e silvestre com algum vegetal. Na boca é elegante e macio, não muito estruturado, com final suave e mediano.

Um vinho “fora da caixa” que é interessante provar, mas não se espere que encante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valdazar 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Baga, Tinta Barroca
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

No meu copo 623 - Quinta dos Aciprestes 2014


Já há alguns anos que não provava este vinho. Normalmente apresenta-se como uma garantia de qualidade por um preço razoável, e desta vez confirmou essa expectativa.

Muito aromático e equilibrado, frutado quanto baste com notas de frutos maduros e com boa estrutura, é um vinho que se bebe com facilidade e muito versátil para acompanhar pratos de carne.

Na cor não é muito concentrado, mostrando antes um perfil mais aberto. Na boca mostra-se redondo e elegante, com notas de frutos maduros e madeira muito discreta e bem integrada num conjunto harmonioso.

Mais um vinho com uma óptima relação qualidade/preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta dos Aciprestes 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,16 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

No meu copo 622 - Quinta da Soalheira 2013



Foi a primeira prova deste vinho da Borges produzido no Douro. Já provámos diversos vinhos desta empresa, mas nunca esta marca. A Quinta da Soalheira situa-se nas margens do rio Torto, próximo de São João da Pesqueira.

O vinho mostra uma cor e um aroma que revelam o perfil típico do Douro naquilo que ele tem de melhor.

Encorpado, persistente, estruturado e longo, apresenta aromas a frutos do bosque, taninos bem presentes e sólidos e final com notas a especiarias.

Pelo preço que custa é uma excelente aposta.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta da Soalheira 2013 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Sousão
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

No meu copo 559 - Cabeça de Burro Reserva tinto 2011

Aqui está um vinho com o qual não me cruzava há décadas. A única prova realizada aconteceu quando o meu leque de opções ainda era muito reduzido, e não me deixou grande impressão.

Agora houve oportunidade de prová-lo de novo. É um vinho que foge ao perfil mais frequente dos tintos do Douro muito concentrados e pujantes, primando antes pela elegância e equilíbrio. Apresenta aroma frutado mediano, taninos presentes mas suaves e final médio e macio. Fermentou com desengace total e maceração prolongada. Não é um vinho encantador, mas bebe-se muito bem, com agrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça de Burro Reserva 2011 (T)
Região: Douro
Produtor: Caves Vale do Rodo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

No meu copo 501 - Douro Sogrape Reserva 2000; Alentejo Sogrape Reserva 2000

Mantendo uma tradição destes 10 anos, assinalamos a passagem de mais uma centena, coincidente com a passagem do 10º aniversário, recuperando mais uma prova dos Reservas da Sogrape. Vamos apanhando as garrafas que podemos, aqui e ali, e vamos provando algumas regularmente. Neste caso juntámos duas colheitas de 2000, uma do Douro e uma do Alentejo, ambas já objecto de provas anteriores.

A curiosidade e a expectativa, no entanto, mantêm-se sempre elevadas, e mais uma vez não foram defraudadas.

O Reserva do Douro apresentou-se pujante, sem denotar muita evolução, com cor ainda muito carregada, algum frutado num aroma intenso e persistente, taninos firmes mas suaves, com final prolongado e macio. Está para durar.

Quanto ao Reserva do Alentejo, antecedente da marca Herdade do Peso, esteve notável mais uma vez. Estruturado, robusto, aroma vinoso intenso, com nuances de frutas vermelhas e pretas, ligeiro apimentado e muito vivo e vibrante na prova de boca. Respira saúde. Tudo no sítio.

Em suma, um regresso em excelente forma, que nos deixa sempre com água na boca para a próxima prova, daqui a mais alguns meses, ou daqui a um ano, ou quando calhar...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço: 13,33 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 13,33 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 22 de julho de 2015

No meu copo 467 - Vinha Grande 2012

Mais um clássico nas nossas provas. Ainda há colheitas de 2009 e 2010 lá em casa, mas por vezes as circunstâncias levam-nos ao encontro de colheitas mais recentes, embora eu prefira deixá-las esperar...

Depois da prova da colheita de 2011 no jantar da última passagem de ano, agora cruzei-me com a colheita de 2012. As impressões recolhidas não diferiram muito. Aliás, quase se poderia copiar na íntegra o que foi dito anteriormente.

O perfil do vinho mantém-se, consistente e estável, sem surpresas e sem defraudar as expectativas. Destaque para o aroma a frutos vermelhos maduros, a par com algum floral e algum balsâmico.

Na boca a madeira é muito discreta e os taninos arredondados, com um fundo a especiarias. Final vivo e intenso mas suave.

Mais macio que o de 2011, não deixa de ganhar com a abertura da garrafa algum tempo antes do consumo. E ganhará, certamente, com mais algum tempo de garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha Grande 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 22 de maio de 2015

No meu copo 455 - Vila Real: tinto 2012; Grande Reserva tinto 2009; Reserva branco 2013

Já há algum tempo que andava a ouvir rumores sobre a qualidade dos vinhos de Vila Real, mas não me tinha cruzado com eles. Até que, durante as últimas férias de Verão, aproveitando uma promoção num hipermercado, resolvi adquirir alguns vinhos de preço médio/baixo e juntei-lhe dois tintos de Vila Real (os preços indicados nas fichas dos vinhos são antes de desconto, tendo os vinhos custado menos 35% do que o preço indicado na prateleira).

Comecei pelo vinho da gama mais baixa, que esteve acima das expectativas. Apresentou-se equilibrado, bem estruturado, suave, com persistência média e taninos vivos mas redondos, estando apto para acompanhar pratos de carne com alguma robustez.

O outro vinho, o Grande Reserva, embora mais caro não mostrou ser tão melhor como o preço indica. Aroma algo discreto, sem grande estrutura nem muito persistente como se esperaria dum Reserva, apenas se apresentou ligeiramente superior ao anterior. Se o Colheita não é tão simples como se esperava, o Grande Reserva também não é tão complexo como deveria. E acaba por não justificar o acréscimo de preço.

Quanto ao Reserva branco, é um vinho agradável e bastante aromático, suave, aberto mas com persistência e medianamente estruturado, que se bebe com facilidade e acompanha bem pratos de peixe não muito pesados. Tem um aroma ligeiramente floral e na boca notas de frutos do pomar, a par com alguma mineralidade. Também este esteve acima das expectativas para o preço que custa.

Em resumo, para os vinhos de entrada de gama, estes de Vila Real parecem constituir uma boa aposta. A repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Adega Cooperativa de Vila Real - Caves Vale do Corgo

Vinho: Vila Real 2012 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,55 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vila Real Grande Reserva 2009 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Vila Real Reserva 2013 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,69 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

No meu copo, na minha mesa 432 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012; Vinha Grande tinto 2011; A Travessa do Rio (Lisboa)

  

No final do ano voltei a fazer uma incursão a um restaurante que frequento de vez em quando, A Travessa do Rio, em Benfica, para mais uma excelente refeição em grupo. Após várias indecisões nos pedidos, estes acabaram por recair em apenas dois pratos: um arroz de lagosta e um bife do lombo com pimenta acompanhado de batatas fritas e esparregado, apenas para mim e para o Pirata. E como o bife causou impacto! Os restantes comensais ficaram de olhos (e papilas também) arregalados com a suculência deste bife, que estava simplesmente divinal! Quem comeu o arroz de lagosta ficou com pena de não ter escolhido o bife...

Como habitualmente neste restaurante, tivemos um belíssimo repasto, bem comido e bem bebido, mantendo o nível a que nos habituou.

Quanto aos líquidos, a primeira opção foi para um branco enquanto nos entretínhamos com as entradas. A escolha recaiu num monocasta da José Maria da Fonseca, o Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2012, que nunca nos deixa ficar mal. Com excelente acidez e aroma em que predomina um misto de frutos citrinos e tropicais, esta colheita apresentou-se com um grau alcoólico mais baixo que as anteriores, mantendo uma boa persistência e frescura e tornando-se mais leve e mais suave, muito guloso e apelativo. Apetece sempre beber mais um copo, e por isso houve que repetir garrafas.

Para o bife do lombo com pimenta escolhemos um Vinha Grande 2011, também uma aposta sempre segura. Esta versão apresentou-se um pouco mais robusta que o habitual, com muita concentração e álcool um pouco excessivo, tornando a prova inicial algo agreste. Foi necessário dar-lhe tempo para arejar e amaciar um pouco, quando se começaram a notar os aromas a frutos vermelhos, arbustos e folhas do bosque. Os taninos estão bem presentes e muito vivos, embora sem se tornarem demasiado agressivos, e a madeira está muito discreta sem marcar o vinho. Talvez dois ou três anos na garrafa o tornem mais elegante, dando-lhe um perfil mais próximo daquele a que nos habituou, em que predomina a elegância e a suavidade. No entanto não deixou de constituir uma boa escolha, que ligou perfeitamente com a carne.

Em suma, um restaurante e dois vinhos que não deixaram os seus créditos mal vistos, proporcionando um fecho de ano em beleza.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Travessa do Rio

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vinha Grande 2011 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

No meu copo 353 - Vinha Grande 2008

Este vinho é um daqueles clássicos acerca dos quais já pouco começa a haver para dizer de novo, à medida que vamos fazendo sucessivas provas. O perfil é conhecido e vai-se mantendo de colheita para colheita, na linha da tradição da Casa Ferreirinha. São vinhos que primam sobretudo pela elegância, suavidade, muito longe das bombas de fruta e álcool que dominam a região.

Sem descurar uma boa estrutura e persistência, tem um aroma profundo a frutos vermelhos, algum floral, um toque a especiarias que lhe dá alguma vivacidade, taninos arredondados e boa integração com a madeira, em que estagia durante cerca de um ano em barricas usadas.

Dentro da gama em que se enquadra, é daqueles que por vezes se encontra a muito bom preço e um valor seguro, nunca nos deixando ficar mal. Deixe-se respirar, de preferência após decantação, para que liberte todos os aromas, e aprecie-se com carnes requintadas e não demasiado temperadas. Um bom companheiro para a mesa.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Vinha Grande 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 7,23 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 5 de maio de 2013

No meu copo 313 - Ramos Pinto Collection: 2005, 2006, 2007

Foi com a colheita de 2005 que esta marca apareceu pela primeira vez no mercado. Como normalmente acontece, as novidades provenientes da Ramos Pinto despertam-nos especial atenção, como aconteceu há uns anos aquando do lançamento duma colheita única, o Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira, de que infelizmente também só comprei um exemplar único...

Este Collection surgiu pouco tempo depois. Posicionado num patamar de preços entre o Duas Quintas e o Bons Ares (abaixo) e o Duas Quintas Reserva (acima), trouxe como originalidade o facto de todas as colheitas terem um rótulo diferente, votado pelos internautas, que vai recuperar a colecção de rótulos antigos utilizados no vinho do Porto... Daí resultou o nome “Collection”, com o qual a Casa Ramos Pinto pretende homenagear o seu fundador, Adriano Ramos Pinto, mergulhando na história da casa como inspiração para a criação de cada rótulo que invoca o estilo Belle Époque, do início do século XX.

Temos adquirido exemplares de todas as colheitas lançadas, e consumido com parcimónia e sem pressas. Os consumos mais recentes mostram que estes são vinhos de guarda, que vale a pena esquecer durante alguns anos na garrafeira. Comparando as três colheitas que já consumi, há algumas diferenças notórias entre elas, pois cada uma pretende reflectir as especificidades da respectiva colheita, e não homogeneizar o estilo de ano para ano.

A colheita de 2005, provada mais de uma vez, foi a que se apresentou desde sempre como mais suave e apelando mais a aromas de frutos vermelhos, algum floral, corpo e estrutura marcados por alguma elegância. Todas as castas do lote fermentaram em barricas de 2/3 anos durante 16 meses, apresentando-se a madeira bastante discreta e sem marcar o vinho de forma evidente. O rótulo evoca o beijo induzido pelo néctar de Baco...

A colheita de 2006 mostrou-se mais fechada inicialmente, começando por aparentar algum aroma a mofo, o que requereu a imediata decantação após a qual libertou aromas de alguma evolução. Um pouco menos frutado que o de 2005, mostrou-se apto para pratos mais consistentes graças a uma estrutura mais complexa na boca e final prolongado. Tal como na colheita de 2005, foram usadas castas provenientes da Quinta de Ervamoira e da Quinta do Bom Retiro. O rótulo, de 1911, foi desenhado por Leopold Metlicovitz e evoca Adão e Eva e a tentação da serpente, mais uma vez simbolizada pelo néctar de Baco.

Finalmente, a colheita de 2007, com um perfil significativamente diferente dos anteriores. Mais uma vez com uvas da Quinta de Ervamoira e da Quinta do Bom Retiro, apresenta-se com outra juventude, mais pujante, no limite do grau alcoólico, irreverente e a pedir tempo para acalmar, embora esteja já perfeitamente bebível. Muita fruta com sugestões do bosque, alguma especiaria, madeira presente sem ser em excesso, persistência a prometer longevidade. Provavelmente uma colheita destinada a apreciar melhor daqui por mais uns anos, ainda capaz de melhorar na garrafa. O rótulo, “A jovem do Regalo”, é também um original de 1911, da autoria do pintor italiano M. A. Rossotti.

Em suma, um vinho para comprar, comprar e comprar... ir bebendo e ir guardando. Pelo que nos foi dado perceber nas garrafas já provadas, cada colheita será uma surpresa de sensações e aromas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto

Vinho: Ramos Pinto Collection 2005 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (60%), Touriga Franca (30%), Tinta Barroca (10%)
Preço (em 2007): 12,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ramos Pinto Collection 2006 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Preço (em 2009): 13,81 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ramos Pinto Collection 2007 (T)
Grau alcoólico: 15%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Preço (em 2010): 14,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 16 de março de 2013

No meu copo, na minha mesa 305 - Jantar Quinta do Encontro no restaurante Rubro

Encontro espumante bruto 2008; Encontro, Bical branco 2011; Encontro tinto 2010;
Preto Branco Reserva tinto 2009; Encontro 1 branco 2011; Encontro 1 tinto 2008;
Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2008


   
   
 

Recentemente tivemos oportunidade de voltar – em formato de quarteto e com os suspeitos do costume – ao “local do crime”, o restaurante Rubro no Campo Pequeno, desta vez para um jantar vínico com vinhos da Bairrada. À mesa estiveram os vinhos da Quinta do Encontro apresentados pelo enólogo da Dão Sul, Osvaldo Amado. Foi a nossa primeira incursão neste local sem ser com vinhos do Douro e do Alentejo, depois das Cortes de Cima, Symington, Esporão, Niepoort e Paulo Laureano.

Para as entradas e os entreténs-de-boca estiveram disponíveis 3 vinhos: o espumante Encontro Bruto 2008, o branco Encontro Bical 2011 e o tinto Encontro 2010, que foram acompanhando uns croquetes e umas tapas com paio e presunto.

Mas esta é uma história que, como sói dizer-se, já tem barbas. Já tínhamos tido oportunidade de provar o dito espumante aquando duma visita à Quinta do Encontro, em 2009, e num magnífico jantar no restaurante Jacinto com vinhos da Dão Sul em Dezembro de 2010, ainda com a presença de Carlos Lucas na enologia, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino. Nessa ocasião estávamos numa espécie de hibernação bloguista pelo que o registo do repasto não foi aqui relatado, mas vale a pena evocar a ocasião, que será contada no próximo post.

Voltando ao espumante, confirmou as boas impressões anteriores. Muito elegante, bolha fina e persistente, equilibrado e com boa acidez e notas cítricas na prova de boca. A Bical dá-lhe algum perfume e elegância, a Maria Gomes confere-lhe mais estrutura e o Arinto complementa o conjunto com a acidez e um final pleno de frescura.

O branco Encontro 100% Bical é equilibrado e mediano de corpo e aroma. Ligeiramente floral, também apresenta persistência média. Não encanta mas não desagrada. Já o Encontro tinto, mantendo a tradição da combinação entre Baga e Merlot, consegue aqui um vinho fácil de apreciar para os mais renitentes à adstringência da Baga, já que o Merlot confere a suavidade necessária para amaciar os taninos da Baga, já bem domados. É um Bairrada tinto simpático, algures entre o clássico e o moderno que poderá ser uma boa opção de entrada na região para quem está pouco identificado com os seus tintos.

Passando às mesas e à refeição propriamente dita, entraram em cena os pesos pesados da noite. Começámos pelo Encontro 1 2011, um branco 100% de Arinto que embora não tenha qualquer referência a uma passagem pela madeira, apresenta-se com uma estrutura tal que levaria a pensar que teve esse estágio. Com bom volume de boca, estrutura, frescura e persistência final, acompanhou muito bem um folhado de maçã, canela e queijo chèvre (algo difícil de deglutir para mim), a que se seguiu um lombo de porco recheado com farinheira e pimenta rosa. Em ambos os casos o branco aguentou-se perfeitamente no duelo com o prato, graças à boa estrutura e à acidez que equilibrou os sabores dos sólidos.

Seguiu-se um mil-folhas de lascas de bacalhau com puré de grão e coentros, delicioso, que quase parecia mousse de bacalhau, acompanhado pelo Preto Branco Reserva 2009, um nome que surgiu da mistura de duas castas tintas e uma branca. Taninos redondos e bem domados, mais um clássico a tender para o moderno mas com pujança e estrutura.

Finalmente o grande vinho da noite, o Encontro 1 tinto 2008, a acompanhar o já tradicional chuleton de boi fatiado, acompanhado com batata assada e com o molho da carne, um prato sempre apetecível e apropriado para os tintos mais robustos. 14% de álcool a suportar uma grande estrutura de corpo e taninos, um Bairrada clássico feito para apreciadores e a prometer uma longa vida em garrafa.

Para a sobremesa tivemos uma blattertarte de frutos silvestres acompanhada por um Porto LBV da Quinta das Tecedeiras, que mostrou o perfil esperado dentro do género, ligando bem com os sabores silvestres.

Tivemos ainda a sorte de ficar na mesma mesa do enólogo Osvaldo Amado, que nos foi contando algumas histórias dos vinhos e nos proporcionou agradáveis momentos de convívio. Ficou para uma próxima oportunidade agendarmos uma visita à Bairrada para que nos guie numa visita pelo museu do vinho.

E assim saímos mais uma vez plenamente satisfeitos desta 6ª incursão pelos jantares vínicos do Rubro. Não se pode ir a todos, mas vamos sempre tentado ir a alguns dos melhores.

tuguinho, Kroniketas, Mancha e Politikos, enófilos de barriga e copo cheio

Região: Bairrada
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul

Vinho: Encontro espumante bruto 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro, Bical 2011 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Bical
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Encontro 2010 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Preto Branco Reserva 2009 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Baga, Bical
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro 1 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro 1 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2008
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta das Tecedeiras, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Amarela
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 27 de janeiro de 2013

No meu copo 301 - Reservas Sogrape revisitados

Douro Sogrape Reserva 2002; Dão Sogrape Reserva 2000; Alentejo Sogrape Reserva 2000


Para marcarmos a viragem do ano, de mais um aniversário das Krónikas Viníkolas e também da terceira centena de posts dedicados à degustação de vinhos, reservámos para o fim da terceira centena e início da quarta a descrição de duas provas com vinhos do universo Sogrape, um verdadeiro must neste blog.

Depois da prova fantástica dos vinhos de topo da Casa Ferreirinha, descrita no post anterior, começamos esta nova centena regressando a um dos nossos clássicos, sobre o qual temos falado regularmente ao longo destes anos e que tantas saudades nos deixou. Trata-se dos extintos Reservas da Sogrape, que eram produzidos no Douro, no Dão e no Alentejo e que foram abandonados em favor do portefólio da Casa Ferreirinha, da Quinta dos Carvalhais e da Herdade do Peso.

Como para nós eram vinhos de paixão, ainda conseguimos conservar algumas garrafas das últimas produções que encontrámos no mercado e, sempre que por um acaso deparamos com algumas destas garrafas por aí, tratamos de adquiri-las. As últimas foram do Alentejo Reserva 2000, na Garrafeira São João, em S. Domingos de Benfica, que permitiram fazer um repasto repartido pelos Reservas das três regiões, depois de em 2011 termos conseguido adquirir 3 garrafas do Dão Reserva numa garrafeira de Loulé. Reservámo-los para acompanhar um magnífico javali estufado, mais uma vez fornecido pelo nosso caçador de serviço, a quem fica aqui o agradecimento público pela peça colocada à nossa disposição.

Desta vez aproveitei para fazer uma prova “quase cega” com os restantes comensais, que desta vez reuniram o pleno. Sabia-se quais eram os vinhos em prova, mas não se sabia qual era qual porque os decantei antecipadamente, pelo que a identificação teria de ser feita pela cor, pelo aroma e pelo sabor. Houve quem tentasse ir lá pela idade da cada um, mas a diferença não era suficiente para os distinguir por esse lado.

No conjunto revelaram-se todos ainda em excelente condição. No copo o Alentejo Reserva apresentou-se com tons acastanhados, mesmo acobreados, talvez a querer dizer que já não daria muito mais. O aroma também pareceu denunciar que estava no limite da longevidade e que a partir daqui será o declínio, pelo que este é o momento certo para queimar os últimos cartuchos. Curiosamente, na boca apresentou-se muito pujante, sendo o mais vibrante e o que mais se adequou ao javali, uma peça de caça que pedia um vinho daqueles, tendo respondido em pleno e consumando o melhor casamento entre comida e vinho.

O Dão Reserva foi o mais delicado mas apagou-se com aquela comida. Mas é um vinho muito bem feito e elegante, com taninos presentes mas muitíssimo correctos, um vinho com tudo no sítio. Uma autêntica orquestra afinada. Nas últimas provas comparativas, curiosamente, o Dão Reserva mostrava-se ainda algo rústico na comparação com o Douro Reserva e mesmo sendo mais velho aparecia sempre mais robusto. Agora estes últimos exemplares parecem ter chegado ao patamar da suavidade que caracteriza os grandes clássicos do Dão.

O Douro Reserva mostrou-se um Douro clássico: aromático e frutado, pujante e persistente, mas com os taninos bem amestrados e em sintonia com a restante estrutura.

Em suma, três vinhos muito bem feitos, verdadeiros e que reflectem o carácter das respectivas regiões e que, como não nos cansámos de referir, nos deixam muitas saudades.

Recordamos aqui as anteriores provas realizadas.

- Douro Sogrape Reserva 2002
- Douro 2001; Dão 2000; Alentejo 2001; Alentejo 2000
- Douro Sogrape Reserva 2001
- Douro Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 2000
- Dão Sogrape Reserva 1999
- Bairrada Sogrape Garrafeira 1999
- Alentejo Sogrape Reserva 2000
- Quatro Regiões 1997 (1) e (2)

Kroniketas, enófilo em tempo de celebração com o resto da cambada toda

Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Último preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Dão Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 12,5%
Último preço: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Último preço: 9,24 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

No meu copo 294 - Papa Figos 2010; Herdade do Peso 2009

Dentro da renovação que tem vindo a ser feita no vasto portefólio de vinhos da Sogrape, que apresenta vinhos na região dos Vinhos Verdes, Douro, Dão, Bairrada e Alentejo, duas das mais recentes iniciativas incluíram o lançamento do Papa Figos no Douro e uma renovação da imagem dos vinhos no Alentejo, com o reposicionamento e o lançamento de novas marcas.

Na gama de vinhos do Douro, sob o chapéu da Casa Ferreirinha, foi lançado um vinho para ocupar o espaço entre o sofrível Esteva e o mais selecto Vinha Grande. Deram-lhe o nome de Papa Figos e foi posicionado no patamar de preços entre os 5 e os 6 €. É um vinho para se gostar logo à primeira impressão, com predominância frutada e aromático quanto baste e com a macieza que habitualmente caracteriza os vinhos desta casa. Pedem-se pratos com alguma delicadeza a acompanhar, de modo a não abafar os equilíbrios delicados deste vinho. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês.

Não sei se virá a tornar-se uma referência no segmento porque não é um vinho de encantar, mas poderá certamente bater-se com alguns nomes consagrados do mesmo patamar.

No Alentejo vamos assistindo à renovação dos produtos da Herdade do Peso, com novos rótulos, novos vinhos e uma aposta no marketing para conferir mais visibilidade a esta produção, que tem sempre ficado na sombra dos seus congéneres da Casa Ferreirinha (Douro) e da Quinta dos Carvalhais (Dão), sendo conhecida quase unicamente pela marca Vinha do Monte.

É assim que aparecem o Reserva, o Ícone, um branco colheita, e que permanece o tinto colheita com o nome Herdade do Peso. Este tinto, mantendo um pouco a tradição dos antigos e saudosos Sogrape Reserva do Alentejo, apresenta-se mais cheio na boca, mais robusto e persistente e com um toque a especiarias. Tem os taninos bem presentes mas macios e pode ombrear com alguns dos pratos mais fortes da cozinha alentejana. Bebe-se bem jovem mas poderá conservar-se algum tempo na garrafa. Estagia 12 meses em barricas de carvalho francês e 6 meses em garrafa.

Em resumo, enquanto na gama da Casa Ferreirinha assistimos apenas a um ajustamento dos produtos disponíveis, na Herdade do Peso assiste-se a uma remodelação mais profunda que merece alguma atenção pois, como não nos cansamos de dizer, praticamente tudo o que a Sogrape faz é bem feito e, se apostarem nos vinhos alentejanos, vão certamente dar algum trabalho aos concorrentes e poderão guindar-se à qualidade dum nome de referência como a Herdade do Esporão. Creio que valerá a pena esperar para ver.

Kroniketas, enófilo interessado

Vinho: Papa Figos 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 5,84 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Herdade do Peso 2009 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 5,88 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

No meu copo 293 - Casa Burmester Reserva 2007; Duas Quintas 2006; Quinta dos Aciprestes 2005; Quinta dos Quatro Ventos 2005



Um jantar entre amigos proporcionou a prova de quatro tintos do Douro da gama até aos 10 euros. A ordem de apresentação neste caso não é importante, pelo que seguem por ordem alfabética.

O curioso nesta prova é que se trata de vinhos com preços não muito distantes, os perfis não são semelhantes mas também não são completamente diferentes e apresentam um padrão de qualidade aproximado, pelo que a classificação atribuída, com mais ou menos uns pozinhos para cima ou para baixo, também acabou por ser igual. Até o grau alcoólico é igual.

Importa referir que estamos a falar de colheitas com 5, 6 e 7 anos – são vinhos que estiveram guardados algum tempo à espera de amaciar os taninos e integrar melhor todos os aromas com a madeira (todos eles passaram pela barrica), em suma, em vez dos habituais vinhos cheios de fruta e juventude tiveram tempo para amadurecer e apresentar-se já numa fase adulta.

O Casa Burmester Reserva 2007 tem cor ruby, estrutura média, primando sobretudo pela elegância e macieza. Frutado quanto baste e com taninos macios, é um vinho adequado para carnes delicadas e não demasiado temperadas. Tínhamos provado a colheita de 2005 que foi uma boa revelação e esta de 2007 confirmou-o. Estágio: 12 meses em barrica de carvalho francês.

O Duas Quintas 2006 é aquilo que se espera dele: bom corpo, alguma pujança, boa persistência, equilíbrio entre fruta, estrutura, taninos e frescura. Sempre uma aposta segura nos vinhos desta gama, mais vocacionado para pratos mais fortes em termos de tempero. Estágio: 20% do vinho durante 18 meses.

O Quinta dos Aciprestes 2005 prima sobretudo pelo paladar intenso a frutos vermelhos maduros com uma boa envolvência de estrutura e de taninos. Apropriado para pratos de carne com alguma complexidade de sabores e temperos. Estágio: 8 a 10 meses.

Finalmente o Quinta dos Quatro Ventos 2005. De cor granada e aroma a frutos maduros, apresenta boa estrutura e persistência, suave na boca e com os taninos presentes mas elegantes. Adequado para pratos de cozinha tradicional. Estágio: 12 meses.

Em resumo, quatro bons vinhos que consideramos merecedores do preço que custam e que vale a pena ter sempre em casa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro

Vinho: Casa Burmester Reserva 2007 (T)
Produtor: Casa Burmester - Sogevinus
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 9,98 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas 2006 (T)
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta dos Aciprestes 2005 (T)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta dos Quatro Ventos 2005 (T)
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 9,78 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 20 de maio de 2010

No meu copo 274 - Douro Sogrape Reserva 2002; Casa de Santar Reserva 2005

(continuação)

Já com o almoço, composto por uns bifinhos de carne Angus à moda do Kroniketas passada no ponto, acompanhados por batatas fritas, tomaram assento à mesa os tintos em prova paralela com os quais fomos acompanhando a carne. O Douro Sogrape Reserva 2002, velho conhecido das nossas lides, cumpriu com brilhantismo a função, como aliás se esperava. É um daqueles jogadores que não sabe jogar mal e uma aposta segura para qualquer treinador. No copo mostrou uma cor granada límpida e no palato apresentou-se encorpado, pujante para a idade que tem e persistente na boca. Simultaneamente, os seus taninos, arredondados pela idade, conferem-lhe elegância e distinção. Bebeu-se agora mas poderia seguramente ficar mais uns anos que iria adquirir charme sem decair. Aliás, vai ficar, porque a garrafeira do Kroniketas tem lá mais de uma dúzia... São os restos desta excelente colecção de Reservas que a Sogrape detinha até há pouco tempo, com produções no Douro, Dão, Bairrada e Alentejo, e que tantas belas provas nos proporcionaram durante muitos anos.

Deixámos para o fim o Casa de Santar Reserva 2005, também um velho conhecido das nossas garrafeiras, que claramente nos convenceu. Apesar de ser um vinho de 2005, apresentou-se no copo com uma cor algo acobreada. Inicialmente fechado no nariz e algo concentrado na boca, foi evoluindo ao longo da refeição. Fomos conversando entre nós mas também com ele, como um velho amigo que se reencontra e com o qual vamos engrenando a conversa. Foi-nos evocando no nariz adegas velhas e vinhos antigos e na boca apresentou-se estruturado e elegante, sem, contudo, perder a personalidade típica do Dão. Um Dão clássico que, pela maior elegância, agradou mais ao Politikos do que um Cabriz Reserva 2006 bebido recentemente. A recuperar e confirmar as impressões de ambos em prova comparada num destes dias, à semelhança de experiências anteriores.
Um gelado de natas coberto com chocolate quente fechou a contenda com chave de ouro.

Politikos e Kroniketas, enófilos em libações intercalares por via da visita papal

Vinho: Douro Sogrape Reserva 2002 (T)
Região: Douro
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Casa de Santar Reserva 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola de Santar - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 8,97 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 6 de dezembro de 2009

No meu copo 257 - Bétula 2008; Duas Quintas Reserva 2003; Concha y Toro Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006

O último Sporting-Benfica, que já vimos escrito algures ter sido o pior derby de sempre, levou a mais uma reunião gastrónomo-etilista do grupo restrito dos Comensais Dionisíacos, ou seja, os suspeitos do costume. E se o jogo foi fraquinho, o repasto não o foi, sobretudo ao nível dos bebes, como adiante se verá. Abriu-nos as portas e disponibilizou o ecrã gigante o confrade tuguinho.

Na abertura provámos um branco duriense de seu nome Bétula, ofertado pelo produtor às Krónikas Viníkolas, o que publicamente agradecemos. Talvez por aqui já se tenha dito – mas não é demais repetir e também foi dito ao produtor – que somos todos amantes e amadores do vinho. Somos compradores e bebedores e não críticos, só que gostamos de escrever e de partilhar as provas. Não estimulamos as ofertas mas aceitamo-las, porque nos permitem conhecer novidades, não significando a aceitação das mesmas, como é bom de ver, nenhuma garantia de uma apreciação mais favorável. Aqui não se fazem jeitos. 10 000 euros, caixas de robalos ou equipamentos desportivos não são endereçáveis a esta confraria...

Posto isto e dito assim de forma crua, atirámo-nos ao Bétula 2008 bem fresco, virgens de espírito e sem nenhumas expectativas. Ao mesmo tempo fomos debicando umas lascas de presunto e de outros enchidos, acompanhadas de pão escuro. E o Bétula passou com distinção na prova! Trata-se de um vinho feito com as castas Viognier, fermentada em carvalho francês, e Sauvignon Blanc, fermentada em inox. Apresenta-se com uma cor citrina carregada, madeira ligeira, muito discreta e muito bem integrada no vinho. A madeira nos vinhos é um pouco como o tempero nos alimentos, tem de ser usada na conta certa sob pena de os descaracterizar, e neste Bétula a madeira está presente na dose certa, conferindo-lhe alguma complexidade mas permitindo-lhe manter a fruta, de notas tropicais, a frescura e uma acentuada mineralidade. O Bétula é um daqueles vinhos que provam que se podem fazer bons brancos portugueses. Degustámos apenas uma garrafa, deixando a outra para uma próxima oportunidade.

Prontas a comer vieram umas costeletinhas de novilho grelhadas que de diminutivo só tinham mesmo o nome, tal a generosidade das doses, acolitadas por arroz branco e batatas fritas. A acompanhá-las abrimos duas garrafas de Duas Quintas Reserva 2003, que tínhamos em stock na garrafeira dos Comensais. É um vinho com seis meses de estágio em pipas de carvalho novo, que depois de engarrafado na Quinta dos Bons Ares envelheceu dois anos em garrafa. Apresentou-se retinto na cor, exuberante nos aromas, já com algum bouquet, uma grande estrutura, onde predominam os frutos vermelhos, e um final de boca muito prolongado. A madeira está lá mas nem se nota. Os taninos, ligeiros e muito bem domados, completam o leque. É um vinho de grande, grande nível, diríamos quase perfeito. Houve grandes loas ao dito por parte dos comensais. Um ou outro aventuraram-se mesmo a dizer que está no lote dos melhores vinhos portugueses que já beberam. Temos também umas garrafitas do Duas Quintas Reserva Especial (adquiridas para a comunidade pelo Kroniketas depois de ter conhecido o vinho numa prova com João Nicolau de Almeida, na Wine O’Clock) no qual, após esta prova, depositamos legitimamente grandes expectativas. É um daqueles vinhos na presença dos quais se percebe melhor a expressão popular: «que grande pomada!». É realmente um vinho untuoso, que se mastiga e que escorrega como mel. Um êxtase para os sentidos!

Para finalizar, aletria, arroz doce e uma mousse de chocolate negro com natas, debruada de farripas de chocolate igualmente negro, permitiram-nos provar um Concha Y Toro Late Harvest Reserva Privada 2006, da região de Maule Valley no Chile - um verdadeiro néctar, com notas de mel, passas e fruta muito madura. Muito doce e muito exuberante no olfacto e no palato. Para alguns de nós foi uma estreia na prova destes Colheitas Tardias e uma revelação. A exuberância no nariz e na boca é tão grande que quase passa por licoroso.

Politikos, artista amador e convidado, a puxar a carroça do KV, com Kroniketas, tuguinho e Mancha

Vinho: Bétula 2008 (B)
Região: Douro (Regional Duriense)
Produtor: Catarina Montenegro - Quinta do Torgal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Viognier (50%), Sauvignon (50%)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Duas Quintas Reserva 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (2/3), Touriga Franca, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 19,59 € (comprado em 2007)
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Late Harvest Reserva Privada, Sauvignon Blanc 2006 (B)
Região: Maule Valley (Chile)
Produtor: Concha Y Toro
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Nota (0 a 10): 8