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terça-feira, 25 de agosto de 2015

No meu copo 471 - Brancos do Algarve

Foral de Portimão 2013; Quinta da Penina 2013; Salira 2012; Lagoa Estagiado 2012




Os brancos do Algarve, que tenho provado com maior frequência que os tintos, têm-se revelado mais agradáveis que estes. Dum modo geral apresentam uma frescura e uma acidez que os tornam mais apelativos. Talvez as uvas brancas se adaptem melhor ao clima e aos solos que as tintas. Ou talvez as castas tintas precisem de outro trabalho de viticultura... Quem souber que responda, mas a verdade é que seja pela influência marítima, pelos ventos ou por outra razão qualquer os brancos que tenho provado quase sempre me agradam, e dos tintos poucos o têm conseguido.

Falamos aqui de três brancos, um deles em repetição e que já tinha agradado em duas ocasiões anteriores.

O Foral de Portimão mostrou-se leve, suave, pouco persistente e delgado.

À semelhança do que aconteceu com os tintos, também neste caso o Quinta da Penina, já nosso conhecido, mostrou-se bem melhor que o Foral de Portimão.

O Salira, que já tinha sido objecto de uma tentativa mal sucedida com uma garrafa em más condições, desta vez cumpriu com o exigível. Suave, macio e elegante na boca, com aroma não muito exuberante, persistência média e final fresco. Bom para os meses de Verão e para as refeições de férias.

Finalmente, a versão em branco do Lagoa Estagiado mostrou-se o mais simples de todos. Corpo médio, aroma discreto, algo curto no fim de boca. Qualidade ao nível do preço ou pouco mais.

Em resumo, no panorama dos vinhos algarvios já há opções para vários gostos e vários perfis, bem como para várias bolsas. A região vai-se afirmando e fazendo o seu caminho, embora ainda haja muito para percorrer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Foral de Portimão 2013 (B)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Viognier
Preço em hipermercado: 4,95 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Quinta da Penina 2013 (B)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 13%
Castas: Crato Branco, Arinto
Preço em hipermercado: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Salira 2012 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Moscatel
Preço em hipermercado: 3,39 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Lagoa Estagiado 2012 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 1,99 €
Nota (0 a 10): 6

domingo, 16 de agosto de 2015

No meu copo 470 - Tintos do Algarve

Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011; Quinta da Penina Reserva 2010; Lagos 2012; Lagoa Estagiado 2012




O Algarve é uma região vinícola em ascensão. Pouco a pouco, vão sendo dados a conhecer os vinhos produzidos na região mais a sul do país, a zona turística de Portugal por excelência. A produção é pequena, e quase invisível fora da região, mas o número de produtores aumenta a cada passo, enquanto alguns alargam o seu portefólio e diversificam as marcas que disponibilizam no mercado, como é o caso dos dois mencionados neste post, sendo que a agora denominada Única - Adega Cooperativa do Algarve é a sucessora da Adega Cooperativa de Lagoa, e alargou já a sua área de actuação às sub-regiões de Lagos e Portimão.

Assim sendo, tenho aproveitado as férias algarvias de Verão para comprar alguns vinhos, que só se encontram por lá, e mesmo assim só em certas lojas.

No caso dos tintos, a qualidade não me tem convencido grandemente. São geralmente adocicados, pouco estruturados e pouco frescos, tornando-se algo chatos e enjoativos. Os que tenho provado ficam-se, normalmente, pela mediania.

Os quatro vinhos cuja prova se descreve confirmaram um pouco esse panorama.

O Foral de Portimão Colheita Seleccionada, com um grau alcoólico elevado e um lote de castas prometedor, apresentou-se aberto e suave, e ao mesmo tempo pouco estruturado, delgado na boca e com final curto. Tudo somado, um vinho mediano.

Já o Quinta da Penina Reserva, do mesmo produtor, apresentou-se com boa estrutura e persistência, aroma intenso e frutado quanto baste. É vinho capaz de se alcandorar a voos um pouco mais ambiciosos.

O vinho de Lagos – quase uma raridade desde há décadas – foi o mais discreto de aroma e menos exuberante no nariz e na boca. Não deixa grandes memórias.

Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa.Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa. Encorpado, com alguma estrutura, robustez e complexidade, persistente e com aroma a frutos vermelhos, mostrou-se um vinho com alguma personalidade e capaz de acompanhar pratos fortes de carne.

No conjunto, estes vinhos não apresentam uma grande robustez nem complexidade de aromas, nalguns casos tendem mais para o delgado e com final de boca algo curto, mas com alguma sorte consegue-se sempre encontrar alguns exemplares mais interessantes. Nestas provas os mais interessantes foram o Quinta da Penina Reserva e o Lagoa Estagiado. Em conjunto são tendencialmente medianos.


Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 6,19 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Penina Reserva 2010 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet, Petit Verdot
Preço em hipermercado: 7,09 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Lagos 2012 (T)
Região: Algarve (Lagos)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 4,89 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Lagoa Estagiado 2012 (T)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 2,14 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

No meu copo 403 - Porches branco 2012; Quinta da Penina branco 2012 (2ª vez)

Um ano depois da apreciação aqui feita pelo Politikos acerca destes dois vinhos, é a minha vez de apreciá-los. A crónica então publicada despertou-me a curiosidade e quando tive oportunidade adquiri estes dois vinhos na zona, tendo-os provado durante este Verão. E a minha impressão acerca dos mesmos é melhor que a do Politikos.

O Porches branco 2012 apresentou-se fresco, frutado e elegante, com boa acidez, seco, persistente e com alguma complexidade na boca. Apropriado para pratos leves e de Verão.

Quanto ao Quinta da Penina 2012 mostrou-se mais longo e aromático, muito marcado pelo aroma de frutos brancos, com bom volume de boca, com grande acidez a dar-lhe uma frescura excelente. Perfeito para entradas, peixes ou mariscos. No caso vertente, foi apreciado duas vezes, sendo que numa delas casou na perfeição com uns berbigões.

Fiquei, assim, convencido que temos aqui dois bons brancos algarvios, ideais para consumir durante as férias ou para comprar e trazer para o resto do ano. No caso do Quinta da Penina, merece constar na nossa lista de sugestões.

O Algarve começa a dar algumas cartas a nível de brancos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Algarve (Lagoa)

Vinho: Porches 2012 (B)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Boal Branco e Manteúdo
Preço em hipermercado: 3,15€
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta da Penina 2012 (B)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco/Síria (90%), Arinto (10%)
Preço em hipermercado: 3,95 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 31 de agosto de 2013

No meu copo 334 - Salira branco 2011; Porches branco 2012; Quinta da Penina branco 2012

Desta vez temos um relato de provas realizadas em férias algarvias, contadas pelo Politikos.

De férias no Algarve, e para consumir no dia-a-dia, portanto na gama baixa de preços (inferior a 5€), decidi-me a sair dos brancos de refúgio, já conhecidos e com provas dadas, e aventurar-me nalguma da oferta de vinhos do Algarve, ao dispor nas grandes superfícies locais. Assim, comprei um Salira 2011, um Porches 2012 e um Quinta da Penina 2012, os dois primeiros produzidos pela Única - Adega Cooperativa do Algarve (antiga Adega Cooperativa de Lagoa) e o último produzido pela Quinta do mesmo nome, que também produz o Foral de Portimão.

O Salira 2011 estava “passado”. Foi comprado no novo Continente da Quinta do Mocho, que veio substituir o que existia no Retail Park de Portimão e que ardeu há uns meses. Não tinha tempo de prateleira em hipermercado para isto, mas deveria ter um ano de garrafa, o que prova que nos vinhos brancos desta gama de preços, por uma questão de segurança, convém comprar os da colheita mais recente, para não apanharmos surpresas desagradáveis como esta. O dito Salira é feito de Crato Branco e Moscatel e possui uns ajuizados 12,5%. De brancos, é a segunda vez que me acontece comprá-los “passados”. Curiosamente da primeira vez também foi com um vinho feito com Moscatel (tivemos oportunidade de referir esse facto aqui).

O Porches 2012, com enologia de Mário Andrade, é feito com Crato Branco, Boal Branco e Manteúdo. Apresenta uma cor palha carregada e frutas maduras no nariz. É um vinho com alguma personalidade e alguma presença na boca, parecendo ter madeira – o contra-rótulo é nisso omisso –, a fazer lembrar um Chardonnay. Confesso que me pareceu uma espécie de Chardonnay rústico e com alguma tipicidade. Bater-se-ia galhardamente com comidas mais condimentadas: um peixe assado, uma caldeirada ou afim. Não me fascinou mas também não me desagradou. Quem sabe, a rever no futuro.

Por último, o Quinta da Penina 2012, com viticultura de João Mariano e enologia Luís Rodrigues, em parceria com o primeiro, é feito com Crato Branco/Síria (90%) e Arinto (10%). Foi o que mais me agradou. Aromático, com notas cítricas quanto baste, não muito exuberantes, muito fresco na boca, com acidez presente mas domada, diria até delicada. Também possui uma graduação assisada (12,5%) o que faz dele uma boa companhia para as noites de Verão, seja a solo ou a acompanhar pratos não muito condimentados. No caso acompanhei-o com umas amêijoas à Bulhão Pato e soube-me muito bem. E, com uma ligeira ajuda da consorte, esvaziei com proveito 2/3 da botelha ao jantar, tendo saído da liça em perfeito estado.

E assim vamos conhecendo as novas tendências do vinho por terras algarvias, que há meia-dúzia de anos parecia ser uma região extinta. E foram novamente estes que estiveram em destaque no jantar anual de férias dos Comensais Dionisíacos...

Politikos, enófilo convidado em férias algarvias

Região: Algarve (Lagoa)

Vinho: Porches 2012 (B)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Boal Branco e Manteúdo
Preço em hipermercado: 3,15 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Quinta da Penina 2012 (B)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Arinto
Preço em hipermercado: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5


PS: Não encontramos explicação para o facto de o Quinta da Penina, que para quem conhece a zona tem origem junto à estrada nacional 125 na zona do hotel da Penina, próximo de Alvor e portanto bem dentro da zona de influência de Portimão, ser apresentado com denominação de origem DOP Lagoa. Certamente, malhas que a nossa intrincada legislação tece...