domingo, 29 de julho de 2018

No meu copo 689 - Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012

Continuamos na vasta região vitivinícola de Lisboa, agora rumando bem mais para norte, para um dos nomes mais importantes da região.

A Quinta do Gradil, situada junto à povoação de Vilar, próxima do Cadaval, possui um largo portefólio de vinhos brancos, tintos e rosés, com destaque para vários mono ou bi-varietais, geralmente com uma qualidade acima da média. Já aqui provámos mais de uma vez o belíssimo branco de Arinto e Sauvignon Blanc, um dos nossos preferidos e que nunca nos deixou ficar mal, e já estivemos no restaurante da quinta, mas dessa ocasião falaremos oportunamente.

Desta vez falamos dum tinto monocasta Petit Verdot, uma casta originária de Bordéus que tem vindo a aparecer de modo algo esparso em Portugal, sendo poucos os produtores que apostam nela a solo. Já provámos um do Esporão e pouco mais que isso.

É uma casta que talvez ainda não esteja tão bem estudada como outras, e por isso aparece timidamente. Mas as provas realizadas são satisfatórias. Os vinhos são bastante encorpados, de cor grená opaca, mostrando-se de aroma fechado no início e com os taninos algo agrestes.

Esta colheita de 2012 precisou de respirar algum tempo para se mostrar no copo. Algum tempo depois de aberto os aromas libertaram-se e o corpo amaciou, mostrando-se então mais redondo e suave. Na boca uma estrutura robusta envolvia taninos bem firmes mas já mais redondos, com persistência num fim de boca longo. No aroma mostrou notas de fruta preta e do bosque, com madeira muito discreta.

É um vinho para acompanhar pratos exigentes de carne, bem temperados, pois a sua estrutura e acidez batem-se bem com temperos desafiantes. Tudo intenso mas sem exageros, sem ser daqueles vinhos muito extraídos e cansativos. E com um preço bastante simpático para aquilo que temos na garrafa.

Prova do tempo superada com distinção, pois mostrou ainda evidentes sinais de juventude.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13%
Casta: Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de julho de 2018

No meu copo 688 - HM Lisboa branco 2016; HM Lisboa branco 2017

Às portas de Lisboa surgiu um projecto dum “ainda” jovem enólogo que colabora com a Quinta das Carrafouchas, em Loures, e com a Quinta da Murta, ambas nas proximidades de Bucelas.

Hugo Mendes resolveu lançar-se num projecto individual, para o qual angariou alguns patronos que ajudaram a colocar o projecto em andamento. O primeiro vinho a ser colocado no mercado foi o HM Lisboa 2016, um vinho regional de Lisboa elaborado com duas castas emblemáticas da região, Arinto e Fernão Pires.

As primeiras garrafas foram disponibilizadas há cerca de um ano, tendo-se o vinho apresentado ainda algo delgado e curto de aroma. Foi feita uma segunda prova mais recentemente, já em 2018, e embora tivesse crescido claramente, o vinho mostrou-se ainda algo “cru”, claramente a precisar de crescer e ganhar um pouco de complexidade. Também apresentou um grau alcoólico bastante reduzido, o que pode não ter ajudado a dar-lhe um pouco mais de vivacidade.

Entretanto surgiu a colheita de 2017, que chegou às nossas mãos há poucas semanas. Já tive oportunidade de provar uma garrafa, e este mostrou-se claramente superior. Um vinho mais adulto, mais estruturado, com aromas cítricos e florais mais intensos e vivos, com melhor prova de boca e a mostrar também que está ali para crescer. O final é bem mais prolongado e vibrante, na boa tradição dos vinhos “made in” Bucelas, embora não seja um DOC Bucelas. Mas a marca indelével do Arinto está lá bem impressa. Podia perfeitamente ser um DOC Bucelas que certamente as sensações não seriam muito diferentes. O Fernão Pires aparece aqui como um complemento importante (a casta entra em 40% do lote), conferindo-lhe um acréscimo de estrutura que transmite mais personalidade ao vinho. 30% do lote fermentou em barricas de carvalho francês usadas.

Penso que o Hugo terá encontrado nesta segunda colheita o caminho para a fórmula certa, e esse caminho terá com certeza um bom destino.

Vamos continuar a acompanhar este projecto que é bem interessante e tem tudo para crescer e impor-se junto dos aficionados do Arinto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa
Produtor: Hugo Mendes Wines

Vinho: HM Lisboa 2016 (B)
Grau alcoólico: 11%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 9 € (patronos)
Nota (0 a 10): 7

Vinho: HM Lisboa 2017 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 8 € (patronos)
Nota (0 a 10): 8

domingo, 22 de julho de 2018

No meu copo 687 - Quinta de S. Sebastião tinto 2014; branco 2016

Continuamos pela região vitivinícola de Lisboa, agora mas próximo de Arruda dos Vinhos, onde se encontra a Quinta de S. Sebastião, outro produtor emergente.

Tivemos oportunidade de provar um branco e um tinto, situados no mesmo patamar de preços.

Desta vez o branco agradou mais. Com uma cor dourada bem vincada, mostrou um bom aroma a frutos do pomar, com boa acidez, elegância na boca e persistência média. O lote de castas usadas deu um conjunto com um ligeiro toque floral e com notas tropicais do Sauvignon Blanc muito discretas.

O tinto agradou menos. Pareceu faltar-lhe alguma garra. Muito encorpado na boca, mas ao mesmo tempo algo liso, talvez com pouca acidez, e com a fruta a aparecer com sinais de sobrematuração. A cor é muito carregada e concentrada, o que confirma as impressões gustativas.

Talvez seja um perfil a precisar de ser revisto e afinado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Arruda)
Produtor: Quinta de S. Sebastião

Vinho: Quinta de S. Sebastião 2014 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Cercial, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta de S. Sebastião 2016 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Porque é que as garrafas de vinho têm a capacidade de 75 cl?


Já alguma vez se perguntaram porque é este o tamanho normal duma garrafa de vinho? E a chamada “meia garrafa” é metade disto, ou seja, 37,5 cl, e a magnum 1,5 L?

Sendo mais ou menos universal a utilização de unidades de medida padrão para comprimentos, volumes, pesos, temperaturas, etc., com base em metros, quilos e litros, implementadas com base em medidas relacionadas com o planeta ou substâncias existentes na natureza – e com a óbvia excepção dos países anglófonos que usam milhas, jardas, pés, polegadas, onças, libras e galões, e até inventaram as braças e os nós para medir a profundidade e a velocidade no mar, com base em medidas relacionadas com o corpo humano – podemos questionar-nos porque não têm as garrafas de vinho vulgares a capacidade de, por exemplo, 1 litro.

Esta capacidade foi normalizada no século XIX, e desde então surgiram as mais variadas explicações para este facto:

- A capacidade pulmonar dum vidreiro;
- O consumo médio numa refeição;
- Capacidade de conservar o vinho;
- Facilidade de transporte...

A verdade é bem mais simples e tem, como não podia deixar de ser, relação com as medidas imperiais britânicas. Desde há muito (veja-se o caso do vinho do Porto) que os principais clientes dos viticultores franceses eram os ingleses, que até hoje usam um sistema de medida diferente (ver nos jogos de ténis a indicação que um jogador serviu a 130 milhas por hora é uma coisa difícil de perceber...).

A unidade de volume para os ingleses era o galão imperial, que equivale a 4,54609 litros (vamos simplificar para 4,5 L). Para facilitar a conversão das medidas no transporte, este era feito em pipas de 50 galões, ou seja, cerca de 225 litros (medida ainda hoje utilizada para as barricas onde o vinho é estagiado).

Ora estes 225 litros correspondem a 300 garrafas de 75 cl, sendo que 300 é um número muito mais cómodo para efeitos de cálculo do que 225. Portanto, uma pipa de 50 galões comporta um número certo de 300 garrafas com a capacidade de 75 cl. Assim sendo, um galão corresponde a 6 garrafas, razão pela qual, até hoje, as caixas de vinho contêm habitualmente 6 ou 12 garrafas!

Simples... Ou não?

Vinho também é cultura.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Imagem obtida através dum motor de busca

segunda-feira, 16 de julho de 2018

No meu copo 686 - Dory Reserva tinto 2013; Dory branco 2015

A região vitivinícola de Lisboa movimenta-se.

Por toda a extensa área aparecem produtores com vinhos de qualidade e ganham o seu espaço no mercado. Nomes como AdegaMãe, Casa Santos Lima, Companhia Agrícola do Sanguinhal, Enoport, Quinta do Monte d’Oiro, Quinta de Chocapalha, Quinta de Pancas, Quinta do Gradil, Quinta de Sant´Ana do Gradil, Wine Ventures, são alguns dos que se destacam no actual panorama com vinhos de qualidade e que deixaram definitivamente para trás a era do vinho a granel, muito e mau.

Hoje falamos pela primeira vez dum dos produtores mais recentes entre os referidos. A AdegaMãe surgiu próximo de Torres Vedras, na freguesia da Ventosa, pela mão do grupo Riberalves, dispondo de 30 hectares de vinha e uma capacidade de produção de 1,2 milhões de litros por ano.

Uma das suas marcas de destaque é esta, Dory. Composta por várias referências, tivemos oportunidade de provar recentemente o colheita branco e o Reserva tinto.

Sendo dois vinhos substancialmente diferentes no preço, o mesmo se verifica na qualidade. O Reserva tinto 2013 apresenta-se pujante, com aroma vinoso e alguma salinidade a fazer lembrar o ar atlântico, com notas de fruta madura. Na cor apresenta-se carregado e compacto, e na boca mostra uma estrutura envolvente, persistente e arredondada, com final fresco, intenso e longo. Muito bem no estado de evolução, mostrou estar num ponto óptimo de consumo com pratos de carne bem temperados e algo desafiantes.

O branco 2015, pelo contrário, mostrando a acidez e frescura habituais por estas paragens da Estremadura, apresentou-se delgado e de corpo, com aroma discreto, corpo médio e final suave mas curto. Nada de surpreendente dada a diferença de patamar entre os dois vinhos provados.

Dito isto, há que experimentar as alternativas, e investir no branco Reserva. A julgar pelo tinto, promete.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Torres Vedras)
Produtor: AdegaMãe, Soc. Agrícola

Vinho: Dory Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Dory 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Alvarinho, Arinto, Viognier
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7


sexta-feira, 13 de julho de 2018

No meu copo 685 - Pouca Roupa branco 2017

Continuamos no Alentejo e no universo João Portugal Ramos, com mais uma oferta gentilmente enviada pelo produtor.

Trata-se da mais recente colheita do Pouca Roupa branco, um vinho que tem vindo a melhorar e que parece ter atingido nesta versão de 2017 o ponto óptimo.

Bastante fresco e aromático, boa estrutura e final intenso e vibrante. Equilibrado na prova de boca, com notas de frutos cítricos e tropicais, medianamente seco.

Um vinho cujo nome casa perfeitamente com a época do ano que se quer com menos roupagem. Muito bem para o patamar em que se encontra, tem tudo para ganhar pontos nas preferências dos consumidores.

Este é mais um belo exemplo de como na planície alentejana se podem fazer belíssimos vinhos brancos que enganam o calor do interior. Sob o lema “Vista o Verão com Pouca Roupa”, a empresa aposta nesta gama para a época estival, lembrando que “O vinho Pouca Roupa é trendy, irreverente, ousado e obrigatório num jantar entre amigos. Na versão “branco” ideal para pratos de peixe, mariscos, carnes brancas ou pastas; na versão “rosé” um must para aperitivos ou culinária oriental.”

Entra para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pouca Roupa 2017 (B)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Sauvignon Blanc, Verdelho
Preço em hipermercado: 3,85 €
Nota (0 a 10): 7,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor

terça-feira, 10 de julho de 2018

João Portugal Ramos, 25 anos - Adega Vila Santa (3ª parte)




Os 25 anos da João Portugal Ramos Vinhos ficam também assinalados por uma reconversão das instalações da Adega Vila Santa, no Monte da Caldeira, mesmo ao lado de Estremoz.

Numa visita que tivemos oportunidade de fazer ao monte, a convite da empresa, pudemos constatar as alterações introduzidas na zona dos lagares fermentação, na adega e na linha de engarrafamento.

Esta, principalmente, é um modelo exemplar de tecnologia ao serviço da distribuição: todo o processo de engarrafamento, rolhagem, rotulagem e embalamento das garrafas é completamente mecânico e automático, desde a colocação das garrafas na linha de engarrafamento a partir das paletes, até ao fecho das caixas com as garrafas. Pelo meio, claro, existem alguns operadores a controlar o percurso e a parar o sistema se houver... engarrafamento na linha de engarrafamento (uma caixa que dobra, uma garrafa que tomba...).

O actual projecto, denominado Caldeira 6 (o primeiro foi em 1997) consiste também em concentrar todas as linhas de engarrafamento em Estremoz, incluindo aqui os projectos dos Vinhos Verdes, Duorum e Foz de Arouce. Simultaneamente estão a ser concluídos 6 novos lagares de cimento que já deverão ser utilizados para a pisa na próxima vindima.

Finalmente, o enólogo/produtor separou-se da Falua e encerrou o capítulo do seu projecto de vinhos no Tejo, embora ainda mantenha a mesma imagem nas garrafas durante os próximos dois anos.

Terminado o percurso pela adega e junto às vinhas, parámos num alpendre onde nos aguardavam alguns acepipes para aconchegar o estômago, como uma espécie de paté de caça, queijos e enchidos, acompanhados pelo mais recente espumante da casa, o Marquês de Borba bruto rosé 2014. Elaborado com duas castas tintas, Pinot Noir e Touriga Nacional, é um rosé seco, elegante e vibrante na boca, revelando uma boa frescura e vivacidade. Nota: 8

Passámos então à sala onde decorreu o almoço, onde os convidados foram distribuídos por quatro mesas indicadas nos rótulos de garrafas estrategicamente dispostas à entrada. Em cada mesa ficou pelo menos um representante da casa, e no meu caso tive a companhia duma das responsáveis pela exportação, Maria Pica, que já passou antes pela enologia.

O prato de entrada foi um bacalhau confitado sobre cama de caldo verde, acompanhado pelo novo Marquês de Borba Vinhas Velhas branco 2017. Esta nova marca já tem o dedo do filho mais velho de João Portugal Ramos, João Maria, que já participa activamente na enologia. Elaborado com Arinto, Antão Vaz, Alvarinho e Roupeiro, é um vinho com estrutura e com boa acidez mas que neste momento ainda está demasiado marcado pela madeira. Precisa claramente de tempo em garrafa para crescer e amaciar. Nota: 7

Seguiu-se o prato de carne, galinhola estufada (uma delícia), que foi acompanhada por dois tintos: um vinho surpresa, servido a partir de decanter para não criar expectativas antecipadas, e que se revelou ser o mais recente Marquês de Borba DOC tinto 2017, que a partir de agora passará a ostentar a palavra “Colheita” no rótulo. João Portugal Ramos explicou que considera esta uma das melhores colheitas já realizadas do Marquês de Borba, pelo que resolveu dá-lo a conhecer neste almoço. Foi elaborado com as castas Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot e Merlot, tendo estagiado em meias pipas de carvalho. Apresentou-se bastante frasco e aromático, com aroma intenso a frutos vermelhos maduros, com taninos redondos e suaves. Continua a ser uma referência nesta gama de vinhos. Nota: 7,5

Em seguida um dos vinhos mais esperados do dia, o Marquês de Borba Vinhas Velhas tinto 2016, já referido no post anterior.

Para terminar, uma repetição do jantar comemorativo dos 25 anos, o Porto Vintage Dourum 2007. Excelente como sempre. Nota: 8,5

Foi uma magnífica e agradável jornada, a qual agradecemos a toda a equipa da João Portugal Ramos Vinhos e em especial ao enólogo-produtor, que ainda nos agradeceu no final por termos lá estado. Nós é que agradecemos por toda a simpatia com que nos têm tratado, com uma palavra para Marta Lopes que nos mantém sempre em contacto. Só podemos deixar aqui uma enorme vénia a esta família e a esta equipa, e os votos de que venham pelo menos outros 25 anos com tanto ou mais sucesso como até aqui.

O nosso muitíssimo obrigado, e até ao próximo evento ou ao próximo vinho.

Kroniketas, enófilo itinerante

Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

quarta-feira, 4 de julho de 2018

No meu copo 684 - Marquês de Borba Vinhas Velhas tinto 2016

No seguimento da recente visita à Adega Vila Santa, onde fomos presenteados com uma garrafa do novo Marquês de Borba Vinhas Velhas branco e outra de tinto, já tive oportunidade de provar o tinto em casa.

Ainda na senda dos 25 anos, que ficou igualmente marcada pela reestruturação da adega, foi lançada esta nova marca, já com a mão do filho mais velho, João Maria.

É um vinho mais estruturado que o Marquês de Borba colheita, com uma intensidade aromática mais evidente, com notas de frutos pretos e especiarias. Na boca é encorpado e estruturado, com um final longo e com taninos bem firmes mas já suaves. Fermentou em lagares de mármore, com pisa a pé, estagiando posteriormente um ano em barricas de carvalho francês e americano.

Embora seja já perfeitamente bebível, é um vinho com características para crescer em garrafa, que lhe deve proporcionar alguma complexidade acrescida.

O preço é ambicioso, pelo que precisa de se afirmar neste patamar de preços, onde tem concorrência de peso.

Quanto ao branco, de que também temos uma garrafa, vai esperar pelo menos um ano, pois está claramente a precisar de amaciar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2016 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Syrah
Preço: 15 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor