E agora para algo completamente diferente, como diriam os Monty Python...
Saltamos na sub-região mais a sul no Alentejo para a sub-região mais a norte. Da Vidigueira para Portalegre, onde as vinhas nascem em altitude, na serra de São Mamede, chegando a atingir os 700 metros.
Já desde as últimas décadas do século XX os vinhos de Portalegre ganharam fama pela diferença que apresentavam em relação aos da planície. Diz, quem teve oportunidade de bebê-los, que os da Tapada do Chaves e da Adega Cooperativa de Portalegre ofereceram algumas colheitas memoráveis, sendo que algumas ainda se encontram por aí.
Entretanto os novos tempos trouxeram novos ventos e estes sopraram -se mais para sul, onde proliferaram novos produtores e novos vinhos. Já no século XXI redescobriu-se Portalegre: primeiro a Murganheira e agora a Fundação Eugénio de Almeida tomaram em mãos a produção na Tapada de Chaves, surgiram novos projectos como os de Rui Reguinga, João Afonso e Altas Quintas, recentemente a Sogrape comprou a Quinta do Centro, que começou por ser um projecto conjunto de Richard Mayson e Rui Reguinga, a Adega Cooperativa entrou em declínio mas também mudou de mãos e agora está com um novo fôlego, revitalizando as marcas que fizeram sucesso algumas décadas antes.
Este Portalegre tinto, habitualmente conhecido como Portalegre DOC, tem a missão de reflectir a ancestralidade da produção de vinho nesta região, vincando o carácter fresco e elegante que a altitude proporciona.
Foi vinificado com desengace total, fermentação em cuba e lagar de aço inox com controlo de temperatura a 26º C. Estagiou 18 meses em barricas usadas de carvalho francês.
Apresentou um aroma profundo com notas de fruta preta e alguma especiaria, boca volumosa com muita frescura, acidez marcada e taninos firmes mas redondos. Fim de boca elegante, longo e vibrante. Sem dúvida um tinto diferente do padrão mais habitual na região, que fez sucesso à mesa.
Auguram-se os melhores auspícios a esta nova geração de tintos de Portalegre. Muito boa relação qualidade-preço, e entra directamente para a nossa lista de sugestões.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Portalegre DOC 2015 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega de Portalegre Winery
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira, Grand Noir, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,39 €
Nota (0 a 10): 8,5
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domingo, 3 de março de 2019
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
No meu copo 700 - Portalegre DOC tinto 2004; Quinta da Cabaça 2007
Atingimos com este post o redondo número de 700 artigos sobre provas, redigidos ao longo dos últimos 13 anos (menos 3 mesitos...). Como tem sido habitual (porque assim se resolveu fazer), os posts “centenários” são sempre dedicados a vinhos ou provas com alguma coisa de especial. Os dois vinhos de que aqui se fala entram nesse lote devido ao enquadramento em que foram conhecidos e mais tarde adquiridos.
Aquando da minha permanência por terras de Portalegre, em finais de 2007/princípio de 2008, tive oportunidade de conhecer bastante bem a gastronomia da região, de que não era frequentador habitual, e fazer algumas visitas a produtores do distrito de Portalegre e do vizinho distrito de Évora (posts com o título “Krónikas do Alto Alentejo”, ou com a etiqueta “Alto Alentejo” ou “Viagens”).
Nessa altura, por exemplo, a Adega Mayor ainda estava a dar os primeiros passos e ainda não tinha o seu nome e os seus vinhos bem implantados no mercado. Agora teria merecido uma visita.
O trabalho que estive a realizar em Portalegre, mesmo nada tendo a ver com o vinho, teve a sua base nas instalações da Adega Cooperativa de Portalegre, o que me permitiu conhecer in loco como a adega funcionava (estávamos em época pós-vindimas) e conhecer mais de perto o portefólio da Adega. Um dos locais que na ocasião visitei foi a Adega da Cabaça, anteriormente berço dos vinhos D’Avillez, e que tinha sido adquirida pela Adega Cooperativa para aí estabelecer a produção duma nova marca. Essa marca surgiu precisamente com o nome “Quinta da Cabaça”, e este é um dos vinhos de que agora falamos. O outro é o principal vinho da casa, o Portalegre DOC.
No momento em que este post foi escrito ainda se podia aplicar todos estes verbos no presente. Agora já é passado, porque entretanto a Adega Cooperativa de Portalegre deixou de sê-lo enquanto tal, foi adquirida por outra entidade e agora chama-se Adega de Portalegre Winery. Mas estas duas marcas mantêm-se e recentemente ganharam novo fôlego. Os tradicionais vinhos de Portalegre parecem querer retomar o caminho que lhes deu fama há duas décadas, e já há novas colheitas no mercado. Mas esse será assunto (e prova) para outra ocasião, porque estes ainda foram lançados sob os auspícios da antiga Adega Cooperativa.
Falando dos vinhos propriamente ditos...
O Portalegre DOC mostra um perfil alentejano mais clássico, bem encorpado, estruturado e robusto, pujante na prova de boca, um vinho claramente a pedir pratos típicos alentejanos, bem temperados, e muito adequado para pratos de caça.
Já o Quinta da Cabaça mostrou um perfil mais moderno, com maior vivacidade na prova de boca e não tão compacto na estrutura, ligeiramente mais aberto na cor e com os taninos um pouco mais presentes, embora bem domados.
Eram dois excelentes vinhos naquela altura. Resta-nos aguardar que as novas versões façam jus ao nome que ostentam.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre
Vinho: Portalegre DOC 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Grand Noir
Preço: 12,15 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta da Cabaça 2007 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Cinsault
Preço em feira de vinhos: 6,38 €
Nota (0 a 10): 8
Aquando da minha permanência por terras de Portalegre, em finais de 2007/princípio de 2008, tive oportunidade de conhecer bastante bem a gastronomia da região, de que não era frequentador habitual, e fazer algumas visitas a produtores do distrito de Portalegre e do vizinho distrito de Évora (posts com o título “Krónikas do Alto Alentejo”, ou com a etiqueta “Alto Alentejo” ou “Viagens”).
Nessa altura, por exemplo, a Adega Mayor ainda estava a dar os primeiros passos e ainda não tinha o seu nome e os seus vinhos bem implantados no mercado. Agora teria merecido uma visita.
O trabalho que estive a realizar em Portalegre, mesmo nada tendo a ver com o vinho, teve a sua base nas instalações da Adega Cooperativa de Portalegre, o que me permitiu conhecer in loco como a adega funcionava (estávamos em época pós-vindimas) e conhecer mais de perto o portefólio da Adega. Um dos locais que na ocasião visitei foi a Adega da Cabaça, anteriormente berço dos vinhos D’Avillez, e que tinha sido adquirida pela Adega Cooperativa para aí estabelecer a produção duma nova marca. Essa marca surgiu precisamente com o nome “Quinta da Cabaça”, e este é um dos vinhos de que agora falamos. O outro é o principal vinho da casa, o Portalegre DOC.
No momento em que este post foi escrito ainda se podia aplicar todos estes verbos no presente. Agora já é passado, porque entretanto a Adega Cooperativa de Portalegre deixou de sê-lo enquanto tal, foi adquirida por outra entidade e agora chama-se Adega de Portalegre Winery. Mas estas duas marcas mantêm-se e recentemente ganharam novo fôlego. Os tradicionais vinhos de Portalegre parecem querer retomar o caminho que lhes deu fama há duas décadas, e já há novas colheitas no mercado. Mas esse será assunto (e prova) para outra ocasião, porque estes ainda foram lançados sob os auspícios da antiga Adega Cooperativa.
Falando dos vinhos propriamente ditos...
O Portalegre DOC mostra um perfil alentejano mais clássico, bem encorpado, estruturado e robusto, pujante na prova de boca, um vinho claramente a pedir pratos típicos alentejanos, bem temperados, e muito adequado para pratos de caça.
Já o Quinta da Cabaça mostrou um perfil mais moderno, com maior vivacidade na prova de boca e não tão compacto na estrutura, ligeiramente mais aberto na cor e com os taninos um pouco mais presentes, embora bem domados.
Eram dois excelentes vinhos naquela altura. Resta-nos aguardar que as novas versões façam jus ao nome que ostentam.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre
Vinho: Portalegre DOC 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Grand Noir
Preço: 12,15 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Quinta da Cabaça 2007 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Cinsault
Preço em feira de vinhos: 6,38 €
Nota (0 a 10): 8
domingo, 6 de maio de 2018
No meu copo 674 - Julian Reynolds 2006
Três anos depois, regressei a este Julian Reynolds que me encantou desde o primeiro encontro.
Esta era a última garrafa e ficou à espera durante algum tempo, para testar a prova do tempo. E passou com distinção.
Já não mostrando a robustez inicial, não apresentou quaisquer sinais de declínio nem demasiada evolução, mantendo uma cor rubi brilhante e um aroma saudável e com bastante frescura.
Na boca apresentou-se sedoso e macio, com a elegância a dominar o conjunto e aromas a especiarias a mostrar-se discretamente por trás duma predominância frutada.
Já não existe com este mesmo nome; agora há um Julian Reynolds Reserva 2009, que ainda não tive oportunidade de conhecer, quase com as mesmas castas (falta o Aragonês). Se o perfil for o mesmo, de certeza que vale a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Julian Reynolds 2006 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
Esta era a última garrafa e ficou à espera durante algum tempo, para testar a prova do tempo. E passou com distinção.
Já não mostrando a robustez inicial, não apresentou quaisquer sinais de declínio nem demasiada evolução, mantendo uma cor rubi brilhante e um aroma saudável e com bastante frescura.
Na boca apresentou-se sedoso e macio, com a elegância a dominar o conjunto e aromas a especiarias a mostrar-se discretamente por trás duma predominância frutada.
Já não existe com este mesmo nome; agora há um Julian Reynolds Reserva 2009, que ainda não tive oportunidade de conhecer, quase com as mesmas castas (falta o Aragonês). Se o perfil for o mesmo, de certeza que vale a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Julian Reynolds 2006 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
sábado, 8 de abril de 2017
No meu copo 595 - Terrenus: branco 2013; tinto 2012
Continuamos este périplo por terras alentejanas com uma incursão ao Alto Alentejo, para pequenas vinhas localizadas na Serra de S. Mamede e trabalhadas pelo ribatejano Rui Reguinga.
Falamos do Terrenus, branco e tinto. Há alguns anos tive o primeiro contacto com os vinhos de Rui Reguinga, lá mesmo em Portalegre. Desde então nunca mais me tinha cruzado com eles à mesa.
O Terrenus branco 2013 fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês. Apresenta-se com alguma mineralidade, aroma frutado, boca com boa estrutura, frescura e final médio.
O Terrenus tinto 2012 fermentou 14 meses em barricas de carvalho francês. Mostrou-se macio, encorpado mas de aroma algo discreto. Na boca é equilibrado, fresco, com final suave e persistente.
São dois alentejanos de altitude, que mostram assim um perfil mais fresco e mais leve que os mais encorpados das zonas mais quentes. Não sendo excelentes, são agradáveis para fugir a um perfil mais pesado.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga Enologia
Vinho: Terrenus 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires, Roupeiro
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Terrenus 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 10,45 €
Nota (0 a 10): 7
Falamos do Terrenus, branco e tinto. Há alguns anos tive o primeiro contacto com os vinhos de Rui Reguinga, lá mesmo em Portalegre. Desde então nunca mais me tinha cruzado com eles à mesa.
O Terrenus branco 2013 fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês. Apresenta-se com alguma mineralidade, aroma frutado, boca com boa estrutura, frescura e final médio.
O Terrenus tinto 2012 fermentou 14 meses em barricas de carvalho francês. Mostrou-se macio, encorpado mas de aroma algo discreto. Na boca é equilibrado, fresco, com final suave e persistente.
São dois alentejanos de altitude, que mostram assim um perfil mais fresco e mais leve que os mais encorpados das zonas mais quentes. Não sendo excelentes, são agradáveis para fugir a um perfil mais pesado.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga Enologia
Vinho: Terrenus 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires, Roupeiro
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Terrenus 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 10,45 €
Nota (0 a 10): 7
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terça-feira, 4 de outubro de 2016
No meu copo 554 - Vinha do Almo Escolha 2014
Adquirido com a Revista de Vinhos de Maio, e proveniente da Herdade do Perdigão.
Apesar dos encómios proferidos a seu respeito, não encantou. Apresentou-se de corpo médio, aroma discreto, final algo curto. Mas pronto, gostos são gostos, e não se tem de gostar de tudo o que nos é apresentado como muito bom. Sinceramente, não deixou memórias.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha do Almo Escolha 2014 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7
Apesar dos encómios proferidos a seu respeito, não encantou. Apresentou-se de corpo médio, aroma discreto, final algo curto. Mas pronto, gostos são gostos, e não se tem de gostar de tudo o que nos é apresentado como muito bom. Sinceramente, não deixou memórias.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha do Almo Escolha 2014 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
No meu copo 503 - Vale Barqueiros Limited Edition Garrafeira 2007
A Herdade de Vale Barqueiros está situada na freguesia de Seda, concelho de Alter do Chão, a cerca de 30 km da capital de distrito, Portalegre.
A propriedade é composta por 122ha de vinha, 330ha de olival e uma área florestal composta por sobreiros e pinheiros mansos.
Os vinhos Vale Barqueiros não são dos mais fáceis de encontrar no mercado, apesar de serem normalmente bem conceituados. Das poucas vezes que tive oportunidade de provar estes vinhos fiquei muito bem impressionado pela sua estrutura e corpo, mas há muitos anos que não tinha oportunidade de provar nenhum. Recentemente, através de uma promoção recebida via Internet tive oportunidade de adquirir esta garrafa, cujo anúncio me despertou a atenção.
Elaborado a partir das castas Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, sob a batuta de Paulo Laureano, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês, seguido de um ano em garrafa. Apresenta uma cor granada e mostra-se elegante, estruturado com taninos suaves, aromas de compota e frutos silvestres, com algumas notas de especiarias no final, longo e persistente.
Um vinho de qualidade inquestionável, embora talvez o preço seja algo elevado. Tendo em conta que custa o mesmo que o Esporão Reserva, a comparação é problemática.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vale Barqueiros Limited Edition Garrafeira 2007 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão - Portalegre)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: 14,98 €
Nota (0 a 10): 8
A propriedade é composta por 122ha de vinha, 330ha de olival e uma área florestal composta por sobreiros e pinheiros mansos.
Os vinhos Vale Barqueiros não são dos mais fáceis de encontrar no mercado, apesar de serem normalmente bem conceituados. Das poucas vezes que tive oportunidade de provar estes vinhos fiquei muito bem impressionado pela sua estrutura e corpo, mas há muitos anos que não tinha oportunidade de provar nenhum. Recentemente, através de uma promoção recebida via Internet tive oportunidade de adquirir esta garrafa, cujo anúncio me despertou a atenção.
Elaborado a partir das castas Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet e Touriga Nacional, sob a batuta de Paulo Laureano, estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês, seguido de um ano em garrafa. Apresenta uma cor granada e mostra-se elegante, estruturado com taninos suaves, aromas de compota e frutos silvestres, com algumas notas de especiarias no final, longo e persistente.
Um vinho de qualidade inquestionável, embora talvez o preço seja algo elevado. Tendo em conta que custa o mesmo que o Esporão Reserva, a comparação é problemática.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vale Barqueiros Limited Edition Garrafeira 2007 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão - Portalegre)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: 14,98 €
Nota (0 a 10): 8
segunda-feira, 8 de junho de 2015
No meu copo 459 - Conventual Reserva 2003
Mais um vinho que esteve “esquecido” na garrafeira durante anos. Havia duas garrafas, e uma delas já estava passada para o outro lado: vinho completamente turvo, foi directamente pelo cano abaixo.
A segunda mostrou-se ainda com saúde. Um vinho de perfil tipicamente alentejano, encorpado e macio, final suave, persistência média e estrutura média na boca. Não sendo excepcional, é um vinho agradável e que se bebe com facilidade. Quanto à idade, também estava mais que no tempo de consumo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conventual Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5
A segunda mostrou-se ainda com saúde. Um vinho de perfil tipicamente alentejano, encorpado e macio, final suave, persistência média e estrutura média na boca. Não sendo excepcional, é um vinho agradável e que se bebe com facilidade. Quanto à idade, também estava mais que no tempo de consumo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conventual Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5
sábado, 3 de janeiro de 2015
No meu copo 425 - Julian Reynolds 2006
Iniciamos o ano da melhor forma com este belíssimo tinto. Este foi apenas o segundo vinho desta casa que provei, depois de há uns anos ter provado o Gloria Reynolds 2004. Tomei contacto com ele numa edição da Revista de Vinhos, em 2011, e a surpresa foi tal que quando o reencontrei voltei a comprá-lo.
Depois de provar mais duas ou três garrafas, as impressões mantiveram-se. Trata-se dum excelente vinho, muito vivo e apelativo na boca, robusto e ao mesmo tempo elegante, encorpado e bem estruturado, persistente e com um toque a especiarias, com uma acidez refrescante, taninos muito sedosos e elegantes.
É mais um bom exemplo de como se pode fazer um vinho com robustez e elegância, sem ser uma bomba de fruta e extracção, muita madeira e muito álcool. Tem isso tudo mas apenas na medida necessária, tudo na conta certa. E o preço é excelente para a qualidade que tem.
Boa compra? Não: excelente compra! Entrou de imediato (e de caras) para a nossa lista de sugestões.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Julian Reynolds 2006 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
Depois de provar mais duas ou três garrafas, as impressões mantiveram-se. Trata-se dum excelente vinho, muito vivo e apelativo na boca, robusto e ao mesmo tempo elegante, encorpado e bem estruturado, persistente e com um toque a especiarias, com uma acidez refrescante, taninos muito sedosos e elegantes.
É mais um bom exemplo de como se pode fazer um vinho com robustez e elegância, sem ser uma bomba de fruta e extracção, muita madeira e muito álcool. Tem isso tudo mas apenas na medida necessária, tudo na conta certa. E o preço é excelente para a qualidade que tem.
Boa compra? Não: excelente compra! Entrou de imediato (e de caras) para a nossa lista de sugestões.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Julian Reynolds 2006 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
terça-feira, 4 de junho de 2013
No meu copo 320 - Quinta da Terrugem 2006; Vinha de Saturno 2006; Casal de Santa Maria Colheita Tardia 2010
Em mais um encontro dos Comensais Dionisíacos na casa de Mestre Mancha, acompanhando umas gravatinhas e umas costeletas grelhadas, abrimos dois néctares de alto gabarito, um deles já nosso conhecido de tempos recentes, o Vinha de Saturno.Abertas as garrafas e verificado o estado de cada um dos vinhos, começámos pelo Quinta da Terrugem, mais suave e delicado. Apresentou-se com boa estrutura, bem encorpado, ligeira evolução na cor, macio na boca e com boa persistência. Um vinho caracterizado acima de tudo pela delicadeza e elegância, próprio para pratos requintados.
Já o Vinha de Saturno, provado pela primeira vez num jantar no restaurante Jacinto, já aqui relatado, transporta-nos para outra galáxia. É um daqueles vinhos que conseguem ultrapassar o limiar da excelência e que, quando os bebemos, nos sabem como néctares dos deuses. Obrigatório decantar para não deixar toda a panóplia de aromas presos na garrafa, porque o primeiro ataque, tanto no nariz como na boca, é algo fechado e austero. Concentrado na cor, com grande corpo, grande estrutura, grande persistência, taninos em evidência mas bem integrados no conjunto marcado por alguma especiaria e notas evidentes da madeira (estágio de 12 meses), é um daqueles vinhos que nunca mais acabam na boca e que duram toda a noite, e só ao fim de algum tempo libertam todo o seu esplendor. Notável, de facto!
Para terminar, e a acompanhar a sobremesa, uma garrafa de Colheita Tardia adquirido na Wine O’Clock aquando da prova dos vinhos do Casal de Santa Maria. Este vinho foi mostrado nessa prova e agradou-nos bastante, pelo que tratámos de levar uma garrafa. Muita frescura, algumas notas meladas e compotadas, com uma consistência quase a lembrar xarope mas sem aquela sensação de podridão que por vezes marca estes vinhos, bebe-se com muito agrado. Valerá a pena repetir, embora o preço, para o tamanho da garrafa, não seja dos mais apelativos... No entanto, a nível de colheitas tardias é sem dúvida uma opção a considerar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta da Terrugem 2006 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Caves Aliança
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço: 11,24 € (comprado em 2010)
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Vinha de Saturno 2006 (T)
Região: Alentejo (Fronteira - Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Baga
Preço: 33,60 € (comprado em 2009)
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Casal de Santa Maria, Colheita Tardia 2010 (B) (garrafa de 375 ml)
Região: Lisboa (Colares)
Produtor: Adraga Explorações Vitivinícolas
Grau alcoólico: 11,5%
Casta: Petit Maseng
Preço: 12,32 €
Nota (0 a 10): 8
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sábado, 18 de maio de 2013
No meu copo 316 - Tapada do Chaves: Reserva 2002; Vinhas Velhas Reserva 2002
Este é um clássico alentejano com grandes tradições, mas com o qual tenho tido uma relação dispersa e algo difícil. Provei o tinto Reserva pela primeira vez nos anos 90, impulsionado pelo nome e pela fama do vinho, primeiro com a colheita de 1994 e depois com a de 1996 (na altura custou cerca de 2000 $), e de nenhuma das vezes me encantou, sobretudo tendo em conta o preço. As impressões colhidas foram que não valia aquilo que custava.Passaram alguns anos até que voltasse a arriscar, mais especificamente até ter estado a trabalhar em Portalegre e ter visitado a própria Tapada do Chaves (então já na posse das Caves Murganheira, depois da venda pela família Fino à SLN), e conhecido um pouco melhor a sua história, Voltou então a despertar o meu interesse pelos seus vinhos, o que me levou inclusivamente a provar o espumante ali produzido. Comprei novamente o Reserva, da colheita de 2002, que experimentei uma e outra vez. Posteriormente comprei também o Vinhas Velhas 2002, que conheci também nessa visita às instalações da casa, e mais recentemente comprei o Reserva 2005 e o Reserva 2009 (já com o novo e horrível rótulo).
Continuei com algumas reticências em relação ao resultado das provas efectuadas. Primeiro pareceu-me um vinho inicialmente muito fechado e depois algo cansado, com demasiada evolução. Não convencido, insisti e tentei ajudar com a decantação. Achei-lhe alguma falta de aroma, pouco exuberante.
Recentemente, juntamente com o tuguinho, resolvemos fazer uma prova comparada do Reserva 2002 e do Vinhas Velhas Reserva 2002, a acompanhar umas costeletas de novilho grelhadas na brasa. Sem hesitações, tratámos de decantar as duas garrafas, de modo a dar tempo ao vinho para respirar.
Esperámos por alguma exuberância aromática que não se manifestou no Vinhas Velhas, estando mais evidente no Reserva. Na boca apresentam-se macios mas o corpo é mediano e a persistência também. Para nossa surpresa, sendo de um patamar superior, o Vinhas Velhas voltou a mostrar-se mais contido e mais evoluído, enquanto o Reserva mostrou uma maior frescura. Ambos estagiados em madeira de carvalho nacional, facto realçado no contra-rótulo, esta não apareceu muito marcada, integrando-se bem no conjunto.
Em termos de balanço, pode-se dizer que se esperava mais. Tenho lido várias opiniões desencontradas acerca deste vinho e desta colheita em particular: umas elogiando o seu classicismo e suavidade, mantendo vivo o traço da tradição que nos permite regressar à base “quando já não temos paciência para os vinhos certinhos ou muito concentrados e extraídos, acabamos por encontrar consolo nos vinhos mais frescos, elegantes e complexos que se faziam primeiro”; outras considerando que o vinho não tem uma boa relação qualidade-preço, que é algo desequilibrado em termos de álcool e que decepciona face às expectativas. Tendo a inclinar-me mais para esta última opinião, parecendo-me que é uma marca que vive muito do nome mas a que falta talvez alguma alma. E, no entanto, como eu gosto de regressar aos clássicos...
No caso do Vinhas Velhas, embora teoricamente melhor que o Reserva, também não me parece que justifique o preço. Se para o Reserva ainda se pode questionar ou não o patamar de preço, no caso do Vinhas Velhas não justifica a compra, pois aquilo que perde em frescura com a idade, não ganha em complexidade como seria de esperar.
Os diletantes preguiçosos:
Kroniketas, enófilo esclarecido, com revisão e censura de tuguinho, enófilo preguiçoso
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Tapada do Chaves, Sociedade Agrícola e Comercial
Vinho: Tapada do Chaves Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Castelão
Preço: 12 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Tapada do Chaves Vinhas Velhas Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Castelão, Tinta Francesa
Preço: 17 €
Nota (0 a 10): 8
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
No meu copo 233 - Conde de Palma 2006
Este vinho foi adquirido com a Revista de Vinhos de Janeiro e desta vez resolvi fazer o que raramente faço: experimentar bebê-lo imediatamente para ver como está.Depois das duas provas indicadas nos posts anteriores, aqui está o contra-ponto aos vinhos que tiveram tempo para crescer e amadurecer dentro da garrafa: um vinho ainda novo, com apenas dois anos de idade após a colheita. E confirmou-se aquilo que seria previsível: o vinho está muito “cru” para ser bebido, algo agreste, com os taninos ainda agressivos a torná-lo algo adstringente e difícil.
Parece ter potencial para melhorar e talvez daqui a 2, 3 anos o conjunto esteja mais redondo e polido e aí se possa apreciar melhor os aromas.
Assim se prova mais uma vez que esta tendência para beber os vinhos muito novos é extremamente limitativa do prazer que se obtém. Está na mão dos consumidores inverter esta tendência, ou terão de ser os produtores a tomar a iniciativa?
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Conde de Palma 2006 (T)
Região: Alentejo (Fronteira - Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 6,5
PS: Por coincidência o Pingas no Copo também apresentou há dias uma prova deste vinho. A opinião dele é mais favorável que a minha.
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XX)
No meu copo, na minha mesa 176 - Pedra Basta 2005; Monte da Penha Reserva 2003; Restaurante Sever (Portagem - Marvão)
Não foi a minha última incursão gastronómica em Portalegre, mas foi o último local visitado: o Sever, num lugar chamado Portagem, a caminho de Marvão, cá em baixo no sopé da serra com um rio a embelezar a paisagem. Tinha-me sido muito recomendado principalmente pelos grelhados, mas preferi avançar para pratos mais tradicionais. E que pratos...
Enquanto se esperava, foram servidos uns deliciosos tortulhos (uma espécie de cogumelos) e uma omeleta de espargos, qual deles o melhor. Isto foi-nos aguçando o apetite para o que vinha aí. E o que vinha aí era nem mais nem menos que um coelho bravo com míscaros e o inevitável arroz de lebre. Simplesmente divinais! O arroz de lebre malandrinho, como convém, claramente melhor que o do Tomba Lobos. Dos melhores que já comi. Nas sobremesas escolhi desta vez uma mousse de chocolate que fez bem o seu papel.
Quanto aos vinhos, mantendo o princípio seguido ao longo desta estada, escolhi os da região e mais dois que não conhecia. Comecei pelo Pedra Basta 2005, o outro vinho de Rui Reguniga, em parceria com Richard Mayson na Quinta do Centro, que não tinha tido oportunidade de provar no Tomba Lobos quando provei o Terrenus. Não me convenceu. Este, ao contrário do Terrenus, é o tal vinho moderno e de estilo europeu. Achei-o algo agressivo, demasiado adstringente, mais uma vez com excesso de álcool que o torna francamente cansativo. Se achei que o Terrenus é para repetir, este achei que é para esquecer.
Em seguida experimentei o Monte da Penha Reserva 2003, de Francisco Fino, um dos ex-proprietários da Tapada do Chaves. Também não me convenceu. Por um lado achei-o algo delgado de corpo e ao mesmo tempo demasiado marcado pela madeira, que se sobrepõe aos aromas. Um conjunto algo desequilibrado.
No fim, como remate do serão ainda nos foi oferecido pelo dono um brandy espanhol de nome Luís Felipe. Nunca fui apreciador deste tipo de bebidas, mas dados os encómios que lhe foram feitos lá experimentei. Este quase levanta um morto. O aroma não pode ser aspirado, porque quase nos queima o nariz: é meter à boca e beber de um trago. Depois ficam ali os vapores que nunca mais se vão embora. A cor é parecida com o estanho, com o bordo quase a parecer queimado. De facto nunca tinha visto igual. Acredito que para os aficionados deve ser uma bebida magnífica.
Em suma, uma refeição soberba regada por dois vinhos que não se mostraram à altura de tão deliciosos pitéus. Mas o local vale bem a pena. Um espaço amplo, arejado, num local aprazível (gostava de lá voltar de dia e com bom tempo, ao contrário da noite fria de Inverno em que lá fui) e com um serviço impecável. Excelente!
Kroniketas, enófilo itinerante
Vinho: Pedra Basta 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Sonho Lusitano Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 4
Vinho: Monte da Penha Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Francisco Fino
Grau alcoólico: 13%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Preço no restaurante: 25 €
Nota (0 a 10): 4,5
Restaurante: Sever
Portagem - Marvão
7330-347 São Salvador de Aramenha
Telef: 245.993.318
Preço por refeição: 37 €
Nota (0 a 5): 5
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terça-feira, 1 de abril de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XVIII)
Na minha mesa 172 - O Álvaro (Urra)
Esta foi outra visita quase de última hora a um dos locais recomendados na zona de Portalegre. A localidade da Urra fica a cerca de 10 km para sul e numa praça da rua principal fica o Álvaro. Começou por ser uma casa de petiscos que foi ganhando fama e clientes até se afirmar como restaurante.
O espaço não é muito amplo e a entrada está separada da sala de refeições. Na ementa estava recomendado o lacão assado, uma espécie de pernil de porco, e foi essa a escolha. Veio acompanhado com ovo mexido e batatas às rodelas, numa dose generosa perfeitamente adequada para duas pessoas. Para sobremesa optou-se por uma mousse de chocolate que não desmereceu.
Em destaque estava o vinho do mês, que já aqui elogiámos, o excelente Casa de Alegrete, e foi a escolha óbvia. Mais uma vez saiu-se a preceito da função e correspondeu às expectativas.
Não sendo a última maravilha ao cimo da terra, foi uma boa refeição, que contudo não pode ombrear com outras servidas noutros locais. Talvez o Álvaro continue a ser mais vocacionado para os petiscos, embora como restaurante não desagrade. O preço também não choca, aliás foi mais caro o vinho (15 €) que o prato (9,5 €).
Kroniketas, enófilo itinerante
Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Restaurante: O Álvaro
Largo Capitão António Manuel Simão Redondo, 58
7300-589 Urra
Telef: 245.382.283
Preço por refeição: 17,5 €
Nota (0 a 5): 3
quinta-feira, 20 de março de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XVI)
No meu copo, na minha mesa 170 - Terrenus 2005; Lima Mayer 2005; Restaurante Tomba Lobos (Pedra Basta - Portalegre)
Os últimos tempos em Portalegre foram aproveitados para voltar a lugares marcantes. Um deles foi o Tomba Lobos, um dos primeiros que visitei e também um dos últimos. Propriedade de José Júlio Vintém, que se tem afirmado no panorama gastronómico do Alentejo e já se tornou uma referência incontornável, este restaurante fica numa pequena localidade à saída de Portalegre em direcção ao Reguengo, de nome Pedra Basta, onde aliás fica localizada a Quinta do Centro, de Rui Reguinga e Richard Mayson, e que deu o nome precisamente ao vinho ali produzido.
O Tomba Lobos fica numa espécie de vivenda com um pequeno jardim cá fora e um parque de estacionamento, e permite a entrada pelo balcão ou directamente para a sala de refeições. Deve o seu nome aos lobos que em tempos idos assolavam a região, vindos de Espanha, e dizimavam as ovelhas e os porcos, o que obrigou os homens a organizarem-se para dar caça aos lobos. E ao mais valente apelidaram-no de “tomba lobos”, alcunha que calhou a José Júlio Vintém.
Das duas vezes que lá fui estava pouca gente (o tempo frio durante a semana também não ajudava) mas a refeição justificou o regresso. Na primeira visita comi uma canja de perdiz e um arroz de lebre. Melhor a primeira que o segundo, que talvez por ter repousado no tacho enquanto ainda fervia, acabou por secar, mas estava bastante saboroso.
Para sobremesa comeu-se torrão real, um doce de amêndoa bastante consistente, e bolema de maçã com gelado de baunilha, uma combinação bastante agradável e bem conseguida.
A segunda visita foi um pouco mais elaborada (éramos três pessoas) e as escolhas também: começámos com uma excelente perdiz de escabeche, seguindo-se gamo ao alhinho, muito tenro, suculento e saboroso (difícil parar de comer) e voltámos a terminar com o arroz de lebre, que voltou a secar depressa demais. O melhor da noite foi, indubitavelmente, o gamo ao alhinho, uma excelente revelação.
Para sobremesa tivemos uma mistura de pudim de queijo, bolo de chocolate e um fartes, também uma espécie de bolo com ovos e amêndoa.
O serviço deste restaurante é esmerado e atencioso, com o adicional de haver o aconselhamento dos clientes, tanto para os pratos como para os vinhos e as sobremesas, e nunca nos deixaram ficar mal. Mais um local a (re)visitar.
Quanto aos vinhos, foi aqui que tive o primeiro contacto (também aconselhado na casa) com o Terrenus 2005, produção individual de Rui Reguniga numa outra vinha que possui na serra de São Mamede. Nesta segunda visita voltei a ter a oportunidade única de voltar a provar este vinho. Uma boa revelação, tal como também aconteceu com o Casa de Alegrete. Um vinho bem encorpado mas também macio e muito aromático, elegante, equilibrado entre álcool, acidez e persistência. Os 13,5% certamente contribuem para esse perfil mais soft que a maioria dos muitos vinhos hiper-alcoólicos. Um vinho que promete altos voos.
Na segunda visita provou-se também outra garrafa, mais uma estreia com um vinho da região, o Lima Mayer 2005, das proximidades de Monforte. Este um pouco mais forte e mais dentro do muito que tenho apanhado por aí, mas sem se tornar agressivo nem cansativo. Aroma a frutos vermelhos, alguma especiaria, bastante encorpado e persistente, com os taninos bem domados e envolvidos numa acidez correcta. Pareceu-me, acima de tudo, aquilo que se poderia chamar um vinho honesto, que não pretende ser uma estrela mas que desempenha bem a sua função.
Kroniketas, enófilo itinerante
Vinho: Terrenus 2005 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga Enologia
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 19,50 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Lima Mayer 2005 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Lima Mayer
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Aragonês, Petit Verdot, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 18,50 €
Nota (0 a 10): 7
Restaurante: Tomba Lobos
Pedra Basta, Lote 16 - R/C
7300-529 Portalegre
Telef: 245.331.214
Preço médio por refeição: 30-35 €
Nota (0 a 5): 4,5
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segunda-feira, 10 de março de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XV)
No meu copo, na minha mesa 168 - Gloria Reynolds 2004; Vale Barqueiros Reserva 2005; Rolo Grelhados do Norte Alentejano (Cabeço de Vide)
Já na recta final da minha permanência por terras de Portalegre, tenho feito algumas incursões por fora. A primeira levou-me às termas de Cabeço de Vide, perto de Fronteira, cerca de 20 km para sul de Portalegre, ao encontro do restaurante Rolo Grill, que antes se localizava no coração da cidade, no local onde agora se situa o Cobre, que foi a minha primeira visita desde que aqui assentei arraiais. Usando um antigo edifício de servia de armazém à estação de comboios, o sr. Rolo estabeleceu aqui as novas instalações para o seu restaurante, onde dispõe duma enorme sala em que cabem as mesas, as prateleiras com vinhos a toda a volta da sala e, ao fundo da mesma, o grelhador onde o próprio dono cozinha os grelhados, a especialidade da casa.
Nesta primeira visita que fiz ao local, não escolhi vinhos nem ementa: o sr. Rolo tratou de sugerir o que se iria comer e beber. Para três pessoas, preparou uma lombeta de porco grelhada, uma espetada de novinho e um naco de novilho. Antes disso ainda nos fomos entretendo com algumas entradas quentes e frias num prato rotativo, que já davam para aconchegar os estômagos.
Mas quando chegaram os grelhados, ficámos esmagados pela qualidade. Comecei pela lombeta de porco, que estava tão tenra que quase se desfazia ao cortar. Passei para a espetada de novilho, que ao contrário do que acontece com a maioria das espetadas em que se apanha a carne seca e mais para o rijo, estava muito tenra e suculenta.
Terminei com o naco de novilho, mal passado como se impõe, tenro, delicioso. Fiquei a pensar que talvez tenha sido o melhor bocado de carne de novilho que já comi. Aliás, o mesmo se aplica aos anteriores. Não me lembro de ter encontrado pratos de carne tão boa em algum local. Memorável e talvez irrepetível.
Para sobremesas tivemos acesso a um buffet onde se podia escolher entre vários doces tradicionais, entre os quais leite-creme, encharcada e sericaia.
O serviço é altamente eficiente, se bem que tratava-se de uma noite chuvosa de semana e só duas mesas estavam ocupadas. Ficou por saber como será em ocasiões de maior afluência, mas para já a impressão foi a melhor. Em suma, uma refeição soberba e um restaurante que merece figurar, de caras, na galeria dos melhores do país. Nem que tenha de me deslocar de propósito quando já não estiver por cá, mas hei-de voltar.
Quanto aos vinhos sugeridos pelo sr. Rolo, fomos para duas estreias, ambas da região: um Gloria Reynolds 2004, um vinho bastante conceituado por estas bandas, e depois um Vale Barqueiros Reserva 2005. Gostei mais do primeiro que do segundo, embora nenhum me tenha enchido as medidas.
O Gloria Reynolds 2004 apresentou-se mais suave e equilibrado, com uma cor rubi carregada, algum frutado na boca no primeiro ataque evoluindo depois para alguma predominância a especiarias. Dando-lhe algum tempo começam a sobressair os taninos que conferem alguma consistência ao conjunto sem contudo imporem a sua presença em demasia. É um vinho que precisa de algum tempo para se mostrar, tornando-se mais persistente quando se procuram as segundas e terceiras impressões.
Já o Vale Barqueiros Reserva 2005, um lançamento mais recente da casa, pareceu ir atrás dos ditames da moda, sendo mais um daqueles vinhos em que tudo é álcool, fruta e taninos a abafarem tudo o resto. Talvez mais alguns anos de garrafa o amaciem, mas para já achei-o algo desequilibrado e cansativo. Aliás, os 15 graus de álcool não enganam, e se é preciso um bom trabalho de enologia para que um vinho destes se torne agradável de beber, parece-me que neste caso o resultado da batuta de Paulo Laureano não foi muito bem conseguido. Já aqui o disse por mais de uma vez, para mim a mania do excesso de álcool já deu o que tinha a dar e não contem comigo para suportar essa moda.
Kroniketas, enófilo viajante
Vinho: Gloria Reynolds 2004 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Julian Cuellar Reynolds
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Vale Barqueiros Reserva 2005 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão - Portalegre)
Produtor: Sociedade Agrícola Vale de Barqueiros
Grau alcoólico: 15%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 6
Restaurante: Rolo Grelhados do Norte Alentejano
Sítio da Estação - Cabeço de Vide
Telef: 245.638.030
Preço por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 5
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domingo, 24 de fevereiro de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XIV)
Altas Quintas
Finalmente o momento há tanto tempo esperado: a visita às Altas Quintas. Na realidade o local chama-se Quinta da Queijeirinha e fica na estrada de Portalegre para Alegrete. Passei lá várias vezes mas só há pouco tempo tive oportunidade de visitar o local, sob a orientação do próprio João Lourenço, o produtor que vendeu a Herdade do Perdigão e encontrou ali, a meio da serra de São Mamede, o local ideal para o seu novo projecto.
Toda a zona envolvente, um pouco acima de Portalegre, está situada num planalto ali a meia encosta, que é por onde se distribuem as várias quintas de produção vitivinícola por onde passei nestes últimos meses: a Herdade dos Muachos, a Herdade do Porto da Bouga, a Adega da Cabaça, a Quinta do Centro de Rui Reguniga e Richard Mayson, a Quinta do Seixo de Jorge d’Avillez, e esta Quinta da Queijeirinha. O Monte das Cortês, berço do Casa de Alegrete, já fica lá no alto da encosta.
Estava um dia de sol e céu limpo, depois de várias semanas de frio intenso e nevoeiro, e o ar que se respirava até revigorava a alma. Enquanto esperava que João Lourenço dispusesse de alguns minutos do seu tempo para me atender, dei uma volta pelo casario, olhei a vinha ao longe, agora despida de folhagem, mais ao longe ainda uma pequena barragem, algumas árvores de fruto a integrarem-se na vegetação da encosta e uma pequena segunda quinta mais acima, donde saiu o nome Altas Quintas. Ali ao pé alguns cavalos davam o toque do que resta da antiga vocação agro-pecuária da quinta. Por instantes fiquei a pensar como será viver ali, na própria quinta, levantar e já estar no local de trabalho, com uma paisagem paradisíaca para olhar e livre do bulício das cidades...
Desde 2003 que a propriedade foi reconvertida para a produção vitivinícola. Dessa altura resta alguma cultura de laranjeiras, castanheiros e oliveiras. A vinha domina, com 80 hectares já em produção e 25 novos. As instalações existentes foram igualmente aproveitadas para o novo projecto. A antiga vacaria foi reconvertida em sala de barricas, enquanto ao lado vai surgir uma sala de provas. Noutra casa encontram-se as cubas de fermentação para tintos, brancos e rosés, à mistura com alguns balseiros de madeira igualmente destinados à fermentação dos tintos, numa sucessão impressionante de salas repletas do mais moderno equipamento que me foi dado observar. Numa parede um painel mostra a temperatura das cubas, controlada por computador.
Por uma porta sai-se duma sala de fermentação e entra-se na zona de engarrafamento e embalamento. A linha de engarrafamento é maior que a da Adega Cooperativa de Portalegre e da Herdade dos Muachos e totalmente automatizada. Na altura estavam na ponta da linha os rótulos dum novo vinho a ser lançado pela casa: Mensagem de Aragonês, que tinha lançamento previsto, já com algum atraso devido a problemas com a feitura do original rótulo, para o final de Janeiro (nesta altura, a confirmarem-se as previsões do produtor, já deverá ter chegado ao mercado e o Pingas no Copo já apresentou uma prova). O embalamento e arrumação do vinho em caixas passa-se numa antiga sala de gado caprino. Saindo por outra porta entra-se na adega onde repousam milhares de garrafas. Mais ao lado ainda, há uma entrada em rampa para camiões.
A produção anual ronda as 200.000 garrafas, havendo muito trabalho na vinha para limitar a produção e melhorar a qualidade. Todos os tintos fermentam em madeira, entre 6 meses e 1 ano. As castas predominantes são as tradicionais Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro e Alicante Bouschet, esta muito por influência do enólogo Paulo Laureano. Nos tintos em produção encontram-se o Crescendo, o Altas Quintas e o Altas Quintas Reserva, e agora o Mensagem de Aragonês. Nos restantes, a aposta para já limita-se ao Crescendo.
Pelo que tive oportunidade de ver o vinho Altas Quintas já chegou ao oriente: numa prateleira no escritório estão alguns exemplares representativos de garrafas do Reserva exportado para a China e Hong-Kong. No final, João Lourenço ainda teve a amabilidade de me presentear com uma garrafa do novel Mensagem de Aragonês dentro duma caixinha toda catita. Está guardada à espera duma boa ocasião para a abrir.
Foi uma visita bastante enriquecedora, onde pude ver a grandiosidade duma empreitada destas, que deve ter custado umas boas dezenas ou centenas de milhares de euros, com a mais alta tecnologia ao serviço da elaboração dum grande produto. Só me restou agradecer a atenção dispensada e a oferta que me foi feita e desejar continuação do sucesso que a marca Altas Quintas tem vindo a obter no pouco tempo que tem de existência no mercado.
Kroniketas, enófilo itinerante
Altas Quintas Exploração Agrícola e Vinícola
Quinta da Queijeirinha, Estrada de Alegrete
7300-563 Portalegre
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XIII)
No meu copo, na minha mesa 165 - Monte da Cal Reserva 2004; Restaurante A Gruta (Portalegre)
Outro restaurante que teve direito a repetição, tão boa foi a impressão da primeira visita. A Gruta tem sido o restaurante que representa o norte do Alentejo no festival de gastronomia de Santarém e é um dos incontornáveis da cidade.
Logo na entrada, um corredor profusamente preenchido com livros, revistas e garrafas, tudo relacionado com o vinho. Ao entrar na sala, deparamos com um cenário ainda mais preenchido. Algumas das paredes estão repletas de estantes com dezenas de garrafas, existem várias mesas com entradas e sobremesas, o que nos faz sentir quase como estando num santuário gastronómico. Para o cliente mais interessado, estão ali praticamente todos os vinhos alentejanos que se possa imaginar. Foi numa dessas prateleiras que encontrei o Garrafeira dos Sócios de 1996 que começou a acompanhar esta refeição, e que já mereceu um post à parte (se ampliarem a segunda foto e olharem bem para a segunda prateleira da estante mais à direita, podem encontrar lá a garrafa junto a uns varietais de Aragonês e Trincadeira do Esporão...).
Passando aos sólidos, a mesa já estava preenchida com uns pratinhos de presunto Pata Negra. A escolha do prato foi difícil, tão variadas e tentadoras eram as propostas, pelo que nos aconselhámos com o sr. Felício, o dono do local. As opções incidem sobretudo nos pratos regionais, como é óbvio, com alguns toques de requinte. Acabámos por escolher uma canja de pombo para começar, seguindo-se um polvo à Lagareiro e eu escolhi nacos de porco preto, que estavam tenríssimos e muito bem apaladados. Entre as várias sobremesas optei por um doce Dom Duarte, que é uma espécie de fatia de bolo de doce de ovos com cobertura de amêndoa.
Quando o Garrafeira dos Sócios acabou, mudámos radicalmente e experimentámos o Monte da Cal Reserva 2004. É proveniente da Herdade Monte da Cal, propriedade da Dão Sul próximo de Fronteira. Sinceramente não me despertou grande simpatia. É mais um vinho hiperalcoólico e hiperfrutado, com grande predominância a especiarias. Enfim, começa a ser mais do mesmo sempre que encontro este tipo de vinhos que já cansa. Acho que vou começar a olhar para o grau alcoólico antes de comprar, pois esta profusão de vinhos com 14 graus ou mais já começa a não ter graça. Nos últimos tempos, então, principalmente com as colheitas de 2003 e 2004, tem sido demais. Já começo a estar farto.
A segunda visita à Gruta pautou-se por um jantar diferente, em grupo e com ementa já escolhida mas com um buffet de frios e quentes à disposição. Tivemos uma grelhada mista de porco e a acompanhar vinho da casa, em jarro. Como quase sempre acontece com estes vinhos, era bebível... e só isso. Para terminar, buffet de sobremesas à discrição.
Em suma, um restaurante com um excelente serviço e excelente confecção. Tudo levado muito a sério e com muita qualidade. É mais um local a repetir se houver oportunidade para isso.
Kroniketas, enófilo itinerante
Vinho: Monte da Cal Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Fronteira - Portalegre)
Produtor: Herdade Monte da Cal - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 22 €
Nota (0 a 10): 6
Restaurante: A Gruta
Bairro do Atalaião Velho, 8-A
7300 Portalegre
Tel: 245.201.402
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XII)
Casa de Alegrete
Para lá da povoação de Alegrete a caminho de Besteiros, bem lá no alto da serra de S. Mamede e para cima dos 600 metros de altitude, fica a vinha donde sai o Casa de Alegrete, a grande revelação desta minha permanência por terras de Portalegre. O dono, João Torres Pereira, era um vendedor de maquinaria industrial em Lisboa onde viveu durante 37 anos, até que o sogro, proprietário de 60 hectares de vinha no Monte das Cortês - um terreno de xisto em plena encosta da serra - pôs a propriedade em nome da filha.
Durante anos as uvas foram vendidas à Adega Cooperativa de Portalegre, até que em 2003, apercebendo-se de algumas dificuldades por que passava a Adega, João Torres Pereira propôs à mulher que fizessem o seu próprio vinho com aquelas uvas. Para isso chamou o enólogo Paulo Fíuza Nigra (da família Fiúza, produtora de vinhos no Ribatejo) para avaliar as potencialidades das uvas. E assim se avançou para a produção do primeiro vinho na colheita de 2004.
Não dispondo de equipamento próprio para a vinificação das uvas (o terreno e o casario era essencialmente destinado ao pastoreio de ovelhas), estas foram transportadas para a adega da Farizoa, na Terrugem, propriedade da Companhia das Quintas. Para fazer face às necessidades de produção (e minimizar os custos que a produção à distância acarreta), João Torres Pereira, que entretanto se apaixonou pela vinha e pelo Alentejo, está a planear a construção de uma adega no antigo casario do monte.
A evolução do vinho, acompanhada pelo enólogo, recomendou a aquisição de barricas para lhe permitir um estágio de modo a desenvolver as suas potencialidades. O estágio acabou por chegar a um ano de duração antes de ser engarrafado. Com uma produção inicial pouco acima das 10.000 garrafas, a primeira colheita foi desde logo um êxito na região, seguindo-se a de 2005, já mais volumosa, que já tive oportunidade de provar por três vezes. As seguintes, 2006 e 2007, ainda aguardam o que o futuro lhes irá reservar.
Composta por três parcelas de vinhas com 10, 20 e 30 anos com as castas tradicionais misturadas, começa agora uma fase de alguma reconversão e melhoramento na vinha com a implantação de novas cepas e a instalação de varas e arames de modo a aumentar a altura das cepas e melhorar a exposição solar. Para já não é feita rega da vinha, deixando ao solo e ao clima o desenvolvimento da uva, pois o produtor considera que o terreno lhe dá todas as possibilidades de obter um excelente produto. Para ajudar a natureza é dada muita atenção à poda, o que implica deitar muita uva para o chão, limitando a produção. A colheita de 2006 rendeu 25.000 garrafas, enquanto 2007 irá render apenas 16.000, pois a aposta é na manutenção dum nível de qualidade que permita afirmar a marca sem procurar crescer desmesuradamente em quantidade.
A intenção de João Torres Pereira é manter os pés bem assentes na terra e não querer chegar ao céu rapidamente. A julgar pelas provas que fiz deste vinho, parece-me que vai no bom caminho e tem todas as condições para se afirmar no mercado, mantendo um preço muito aceitável. Consegui comprar ao produtor a 7 € por garrafa.
Fixem este nome, pois é muito bem capaz de vir a dar que falar.
Kroniketas, enófilo itinerante
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Krónikas do Alto Alentejo (XI)
No meu copo, na minha mesa 163 - Muachos Reserva 2003; Casa de Alegrete 2005; Restaurante O Escondidinho (Portalegre)
Este foi um dos restaurantes a merecer repetição. Fica perto duma das praças principais da cidade, o Rossio, mas à entrada duma rua estreitinha onde quase passa despercebido ao olhar dos transeuntes. Ao entrar deparamos com uma pequena sala com 4 mesas, prolongando-se o espaço para a direita, onde se encontra um bar, a cozinha e as casas de banho e uma sala mais espaçosa, e para a esquerda onde fica a sala mais recatada e acolhedora.
A primeira visita foi antes do Natal e fi-la sozinho. Seguindo a sugestão da casa, escolhi uma das especialidades da casa, um bife vira-vira de coentrada, frito em azeite e temperado com coentros. Extremamente tenro e saboroso. Para sobremesa escolhi um doce tradicional, o fidalgo, uma fatia de doce de ovos verdadeiramente irresistível. Estando sozinho, não houve grande originalidade na escolha do vinho, tendo optado por um jarro de meio-litro de vinho da casa, da Fundação Abreu Callado. Nada de extraordinário mas perfeitamente aceitável por apenas 2,50 €.
Enquanto jantava na sala mais recatada, fui reparando num armário perto da minha mesa onde algumas garrafas se encontravam em exposição. Foi ali que vi pela primeira vez o Casa de Alegrete, já referido anteriormente, e que mais tarde se tornaria escolha recorrente.
A segunda visita já foi mais preparada, merecendo reserva e encomenda antecipada. Lebre com feijão foi o prato de resistência, não sem que antes aparecessem na mesa alguns acepipes para entrada, entre os quais pernas de rã (sinceramente, não fiquei fã). Como mandam os cânones, a lebre vinha em tacho de barro e deu para ir comendo, comendo, comendo... até fartar. Para sobremesa repetiu-se o inevitável fidalgo, certamente um dos melhores doces à base de ovo que existem, complementado por um bolo de chocolate regado com creme de chocolate que mais parecia mousse... É de lamber os beiços!
O serviço é esmerado e cuidado, sem nada a apontar. Escolhidos os petiscos certos, pode-se ter ali uma excelente refeição com um óptimo atendimento.
Para o vinho, não resisti a repetir o Casa de Alegrete 2005. Confirmou a excelente impressão da primeira prova, e voltou a ser bebido quase com sofreguidão. Para complementar com algo diferente escolheu-se um Herdade dos Muachos Reserva 2003. De cor rubi bastante intensa, mostrou-se com bom corpo e estrutura, suave e aromático, com taninos bem domados mas a suportarem um todo persistente sem deixar de ter alguma elegância. Um vinho equilibrado que se bateu bem com o prato de lebre mas que também pode mostrar-se com outros pratos um pouco mais delicados. A rever noutra ocasião.
Em resumo, duas boas refeições, bem acompanhadas por dois bons representantes dos vinhos de Portalegre. Um local que vale a pena (re)visitar.
Kroniketas, enófilo itinerante
Vinho: Casa de Alegrete 2005 (T)
Preço no restaurante: 15 €
Vinho: Muachos Reserva 2003 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: José Carvalho - Sociedade Agrícola (Herdade dos Muachos)
Grau alcoólico: 13,5% Castas: Trincadeira, Alfrocheiro, Cabernet Sauvignon (15%)
Preço em hipermercado: cerca de 9 €
Nota (0 a 10): 7,5
Restaurante: O Escondidinho
Travessa das Cruzes, 1 e 3
7300 Portalegre
Preço por refeição: 20-25 €
Nota (0 a 5): 4
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