quarta-feira, 30 de maio de 2018

7º Festival do Vinho do Douro Superior

Decorreu no passado fim-de-semana, em Vila Nova de Foz Côa, a 7ª edição do já clássico Festival do Vinho do Douro Superior, como habitualmente organizado pela revista Vinho Grandes Escolhas.

Contando com um número record de participações no Concurso de Vinhos do Douro Superior, que este ano ascendeu a 184, a edição de 2018 superou também o máximo de visitantes, que ultrapassou os 9000.

Esta edição teve ainda um atractivo especial, que foi a presença do Master of Wine Dirceu Vianna Júnior, “que contactou com muitos dos produtores presentes e teve oportunidade de provar muitas dezenas de vinhos, tendo ficado impressionado com a qualidade geral exibida e com o forte dinamismo do Douro Superior” (informação oficial).

No capítulo do concurso de vinhos, porventura o evento que desperta mais curiosidade, os vencedores nas três categorias foram o Duas Quintas Reserva branco 2016 (Adriano Ramos Pinto), o ZOM Touriga Nacional Grande Reserva tinto 2011 (Barão de Vilar), e o Duorum Porto Vintage 2011 (Duorum Vinhos).

Foram ainda entregues mais 22 Medalhas de Ouro (6 para brancos, 12 para tintos e 4 para vinho do Porto) e 41 Medalhas de Prata (12 para brancos, 25 para tintos e 4 para vinho do Porto). A soma totaliza 66 vencedores (mais 15 do que no ano passado).

Obrigado a Joana Pratas – Consultoria em Comunicação pelo envio da informação e das fotos do evento.

Foto dos vinhos vencedores: Ricardo Palma Veiga.

Kroniketas, enófilo informado

sábado, 26 de maio de 2018

No meu copo 677 - Novidades da Adega Cooperativa da Vidigueira (2ª parte)

Os brancos monocasta




Foram estas as grandes novidades no portefólio da Adega Cooperativa. Com o lema White Inspiration gravado na caixa, esta nova marca VDG foi apresentada no formato de vinhos brancos monocasta da colheita de 2016 e, amavelmente, a empresa ofereceu uma caixa com os seis vinhos a cada um dos presentes.

Só agora tive oportunidade de degustá-los a todos à refeição. Provei-os em mais de uma ocasião, com entradas e com pratos de peixe. As impressões recolhidas não diferiram muito daquelas que tinha obtido durante o período de welcome drink antes do almoço no Espelho d’Água e depois no próprio almoço.

Seguindo a ordem alfabética, comecemos pelo Alvarinho. Foi uma belíssima surpresa, a confirmar que esta casta oriunda do verde Minho dá-se muito bem por terras alentejanas e traz para a planície a acidez, frescura e tropicalidade que outras castas autóctones nem sempre conseguem. Foi um dos melhores deste grupo de seis. Muito bem conseguido.

O Arinto, embora agradável e mostrando as características típicas da casta, ficou atrás do Alvarinho, com os aromas mais contidos e a acidez menos marcada. Algo delgado e corpo.

O Chardonnay não se mostrou muito expressivo em termos aromáticos, com nuances tropicais discretas, alguma estrutura sem grande complexidade e final algo curto.

O Verdelho mostrou mineralidade, boa intensidade aromática, corpo médio e final de média intensidade.

O que menos me agradou foi a novidade absoluta, o Vermentino, uma casta italiana típica da costa mediterrânica, da ilha da Sardenha e também da francesa Córsega. Talvez por não estar habituado ao perfil desta casta, achei o vinho bastante delgado, curto de boca e com sabor algo incaracterístico. A prova em casa voltou a mostrar o mesmo perfil, não me convencendo.

Finalmente, o Viognier, que disputou com o Alvarinho a primazia. Muito bom aroma, mineral, intenso, vivo e cheio na boca, final longo e persistente.

Em resumo, este conjunto de seis vinhos mostrou-se uma opção interessante para conhecer o comportamento destas castas no terroir da Vidigueira. O nível médio é bastante interessante, mas se tivesse de escolher os “meus” melhores a opção recairia no Alvarinho e no Viognier, em primeiro lugar, seguidos do Arinto no último lugar do pódio.

Quanto ao Vermentino, será preciso conhecer melhor a casta para poder compreendê-la e apreciar o seu perfil.

Obrigado aos responsáveis da Adega Cooperativa e aos organizadores pelo convite para este excelente momento e pela oferta destes vinhos. As provas mais recentes mostram que esta cooperativa está a renovar-se e a renascer no panorama vínico português. O caminho que está a ser percorrido vai certamente conduzir os destinos da empresa a um bom porto.

Vamos continuar a explorar estes vinhos, que nos ajudam igualmente a mostrar um novo Alentejo, como nas mais recentes provas dos vinhos desta sub-região.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: VDG, Alvarinho 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alvarinho
Nota (0 a 10): 8

Vinho: VDG, Arinto 2016 (B)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Arinto
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: VDG, Chardonnay 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 7

Vinho: VDG, Verdelho 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Verdelho
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: VDG, Vermentino 2016 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Vermentino
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: VDG, Viognier 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Viognier
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 23 de maio de 2018

No meu copo 677 - Novidades da Adega Cooperativa da Vidigueira (1ª parte)

No Espaço Espelho d’Água




É verdade que já passou bastante tempo, e que este post já poderia ter sido publicado. No entanto, com a presença em diversos eventos que têm ocorrido no último ano, resolvi estabelecer para alguns um critério de publicação que junte os vinhos provados durante o evento com os vinhos que nos foram oferecidos, uma vez que estes também constituíram novidade.

Assim, vamos aqui falar das novidades que, numa tarde de Primavera como as que temos nesta época do ano, a Adega Cooperativa da Vidigueira trouxe a Lisboa para apresentar aos convidados durante um almoço no Espaço Espelho d’Água, em Lisboa, ali mesmo em frente aos Jerónimos e com o Tejo quase aos nossos pés.

As boas-vindas foram dadas ao ar livre, junto ao rio, com a prova dum conjunto de novos brancos, que ficarão para a segunda parte deste artigo.

Após as degustações iniciais passámos à sala de refeições, onde pudemos provar esses e vários outros vinhos durante o almoço.

Um dos vinhos provados foi o branco Antão Vaz, que já tivemos oportunidade de provar posteriormente em mais que uma ocasião (publicado aqui).

Bem conseguido o espumante, com bastante frescura, suavidade e acidez típicas da região.

No caso dos tintos, mostraram-se ambos bastante interessantes. Gostei mais do Grande Escolha, marcado pelo Alicante Bouschet, com mais complexidade e aromática e estrutura. Achei o Reserva, composto apenas por Syrah, um pouco mais linear, conquanto apresente também algum potencial evolutivo.

Com as entradas e durante o almoço pudemos também degustar os novos brancos, que nos foram oferecidos numa caixa de 6 no final do almoço. É desses que vamos falar mais em detalhe no post seguinte.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 20 de maio de 2018

No meu copo 676 - Marquês de Marialva Colheita Selecionada tinto 2014

Um vinho barato e bom. Cor granada, boa estrutura na boca, complexidade quanto baste pontuada por alguma elegância e suavidade.

Um bom exemplar da moderna Bairrada num perfil mais macio para aqueles que têm dificuldades em entender-se com a Baga, aqui “amansada” pela Touriga Nacional com a qual costuma fazer boa ligação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Marialva Colheita Selecionada 2014 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,24 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 17 de maio de 2018

No meu copo 675 - Valle Pradinhos rosé 2016

Eis um rosé dos novos tempos e que reflecte aquilo que, na minha opinião de consumidor, deve ser um rosé.

Abstraindo da cor desmaiada, a tender quase para o incolor (uma moda que, como todas as modas, será apenas uma tendência passageira), o que interessa verdadeiramente, o aroma, o corpo e o sabor, estão no ponto certo.

O aroma é frutado e delicado, com notas florais e de frutos vermelhos silvestres. Na boca é leve, suave e macio, com boa e refrescante acidez, com um final elegante e vivo.

Foi muito apreciado, até por quem diz que não gosta de rosés...

Muito apelativo para ocasiões descontraídas. Uma excelente opção para o Verão, e mais um para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valle Pradinhos 2016 (R)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,35 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Paixão pelo Vinho Awards & Wine Party 2018



No dia 24 de Março de 2018 a revista Paixão pelo Vinho fez a entrega dos seus prémios aos vinhos portugueses numa cerimónia que teve lugar a partir do meio da tarde no espaço Beatus, em Lisboa.

Para além da entrega de prémios, cuja lista é impossível reproduzir aqui (fica apenas a foto de família) houve direito a provas de vinhos de diversos produtores, degustação de petiscos e ainda conversas curtas com enólogos.

No nosso caso, tivemos oportunidade de provar o vinho Villa Oeiras, um DOC Carcavelos com 15 anos, apresentado pelo enólogo Tiago Correia.

Este generoso de Carcavelos foi elaborado com as castas Galego Dourado e Ratinho e incorpora aguardente vínica da Lourinhã a 77% de álcool.

Provou-se também um Colheita 2004 que recebeu um prémio prestígio, um vinho a fazer lembrar os generosos da madeira.

Relativamente aos produtores presentes, foi possível provar os vinhos Serra Brava, da Herdade Canal Caveira, uma novidade.

E não houve tempo para mais. Obrigado à Paixão pelo Vinho por mais esta oportunidade.

Kroniketas, enófilo em degustações

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Vinhos em cena 2018 – 2ª edição



Nos dias 23 a 25 de Março de 2018 decorreu a 2ª edição dos Vinhos em Cena, no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa.

Entre os muitos eventos vínicos que vão decorrendo pela capital, este distingue-se por utilizar o palco da sala de espectáculos para receber alguns dos produtores. Outros distribuem-se pelos corredores e outras salas do edifício. Ainda houve lugar a momentos musicais no palco, ao mesmo tempo que os visitantes provavam os vinhos.

A parte mais significativa, contudo, reside no facto de estarem presentes vários produtores que são quase desconhecidos do grande público, sendo assim uma oportunidade para se darem a conhecer.
Neste sentido, quero destacar um produtor do Algarve que me era completamente desconhecido, localizado perto de Loulé, que dá pelo nome de Quinta da Tôr. A grande novidade prende-se com o facto, assumido conscientemente, de apresentar dois vinhos tintos, monocasta Syrah, com elevados teores alcoólicos: 16% e 17%.

Em destaque, igualmente, os vinhos da Quinta Brejinho da Costa, localizada próximo de Grândola e próximo do mar. Com um portefólio muito interessante, destaque para os brancos monocasta Alvarinho e Sauvignon Blanc, e um tinto de Baga, um belo vinho que demonstra muita coragem! Haja coragem para arriscar num vinho de Baga na costa alentejana, e com tão bons resultados.

A Quinta Brejinho da Costa destaca-se também por possuir um programa de enoturismo em que os visitantes são convidados a provar os vinhos disponíveis e criar o seu próprio lote para degustar durante o almoço.

Finalmente, foi ainda possível provar ostras da costa de Setúbal, fornecidas pela antiga champanheria, agora Ostradomus, acompanhadas por um espumante.

Como atracção adicional, decorreram ainda alguns workshops em paralelo com a presença dos enólogos Osvaldo Amado, Vera Moreira e Mário Louro.

À sua dimensão, relativamente reduzida em comparação com outros eventos, este Vinhos em Cena pode e deve apostar na diferença e na inovação, de que a música em palco e a prova de ostras são bons exemplos a seguir.

Kroniketas, enófilo em degustações

domingo, 6 de maio de 2018

No meu copo 674 - Julian Reynolds 2006

Três anos depois, regressei a este Julian Reynolds que me encantou desde o primeiro encontro.

Esta era a última garrafa e ficou à espera durante algum tempo, para testar a prova do tempo. E passou com distinção.

Já não mostrando a robustez inicial, não apresentou quaisquer sinais de declínio nem demasiada evolução, mantendo uma cor rubi brilhante e um aroma saudável e com bastante frescura.

Na boca apresentou-se sedoso e macio, com a elegância a dominar o conjunto e aromas a especiarias a mostrar-se discretamente por trás duma predominância frutada.

Já não existe com este mesmo nome; agora há um Julian Reynolds Reserva 2009, que ainda não tive oportunidade de conhecer, quase com as mesmas castas (falta o Aragonês). Se o perfil for o mesmo, de certeza que vale a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Julian Reynolds 2006 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Bairrada@LX – 2ª edição




Decorreu no passado dia 10 de Março de 2018 no Mercado da Ribeira, ao Cais do Sodré, em Lisboa, a 2ª edição do Bairrada@LX, um evento que pretende trazer à capital o melhor que se faz naquela tão tradicional região vitivinícola do país – uma das mais antigas, demarcada desde 1979.

A primeira edição tinha decorrido em 2015, e nesta segunda edição “a aposta foi num evento com um número restrito de produtores (20), a ter lugar num espaço maior e com excelentes acessos. Comodidade e conforto foram palavras de ordem para nós! Somos acérrimos frequentadores deste tipo de eventos e sabíamos o que queríamos e o que tínhamos que evitar. São vinte os projectos vínicos presentes é fundamental que os visitantes circulem à vontade, possam conversar com os produtores, conhecendo as suas histórias, e provar os seus vinhos sem constrangimentos. Isto aliado à degustação de sabores da Bairrada”, afirmou Ema Martins, porta-voz da Eira na Beira, empresa que organizou o certame e contou com o apoio da Comissão Vitivinícola da Bairrada.

Da press release enviada aos media constavam os nomes dos seguintes produtores:

• Adega de Cantanhede
• Ataíde Semedo
• Campolargo
• Carvalheira Wine Creators
• Casa de Saima
• Casa do Canto
• Caves Messias
• Caves São Domingos
• Caves São João
• Filipa Pato
• Kompassus
• Luís Pato
• LusoVini
• Quinta das Bágeiras
• Quinta de Baixo
• Quinta do Ortigão
• Rama & Selas
• Sidónio de Sousa
• Vadio
• VPuro


Dentro do tempo disponível para percorrer o espaço, foi possível ficar a conhecer algumas novidades muito interessantes, a começar pelos brancos e espumantes Luís Pato e Kompassus. Destaque para o novo 97 Anos de História das Caves São João, o mais recente lançamento das edições anuais a caminho do centenário e que se mostrou com muito tempo de vida pela frente, com grande robustez mas com aquela elegância que as Caves São João conseguem imprimir aos seus vinhos.

Destaque também para os vinhos Carvalheira Wine Creators, vinhos a solo do enólogo das caves, José Carvalheira, com perfil mais irreverente e a fugir ao clássico e com nomes alusivos às estações do ano e fases da lua: Hibernum, Ante Aequiontium, etc. Vinhos para explorar noutras ocasiões, com mais tempo e paciência, que normalmente não se compadecem com este tipo de eventos. Debaixo de olho ficou o Vigesimum Grande Reserva, que assinala a 20ª colheita do enólogo em nome próprio.

Passagem pelas Caves Messias, Rama & Selas, Quinta do Ortigão, sempre uma referência nos espumantes, Campolargo, Adega de Cantanhede (um nome em ascensão), Filipa Pato e, claro, pelo imperdível Quinta das Bágeiras Garrafeira tinto, com o Avô Fausto a fazer companhia.

Não deu para provar tudo, nem para assistir às conversas curtas que decorriam a intervalos mais ou menos regulares, mas deu para confirmar o que eu já sabia (e todos os fãs da Bairrada sabiam): que os vinhos bairradinos não ficam a dever nada aos de nenhuma outra região do país em qualidade e longevidade, mas não são para toda a gente apreciar num único trago. São vinhos para descobrir, explorar, compreender, saborear, e principalmente dar tempo para mostrarem tudo o que têm.

Pela minha parte, como fã desde sempre da Bairrada, não fazendo parte de nenhuma confraria nem de nenhum grupo de Bairrada winelovers ou Baga friends, continuarei sempre a divulgar aqui tudo o que de bom a Bairrada tem para oferecer aos enófilos, e manter-me-ei fiel a este meu princípio: quem nunca provou vinhos velhos da Bairrada não sabe o que está a perder.

Para os que ainda não estão convencidos pelos vinhos da Bairrada, este tipo de certame, à semelhança do Dão Capital (não confundir com o Bairradão, que é uma organização da garrafeira Néctar das Avenidas que junta as duas regiões e vai decorrer já no final da próxima semana), é uma excelente oportunidade para conhecer o que há, desde que vão sem preconceitos, de mente e sentidos abertos. Se começarem logo por “eu só gosto de tintos”, “eu só gosto de vinhos novos”, “eu só gosto de Douro e Alentejo”, “eu não gosto de espumantes”... então esqueçam, e nem vale a pena aparecer lá.

Kroniketas, bairradino indefectível