sexta-feira, 30 de setembro de 2016

No meu copo 553 - Caves São João: 93 Anos de História 2011

Já foi divulgado em muitos locais o lançamento anual dos vinhos das Caves São João que, ao longo de 10 anos, pretendem evocar a história da empresa desde a sua fundação até ao 100º aniversário, que ocorrerá em 2020. Até lá, todos os anos é lançada uma edição especial que assinala uma determinada década.

A garrafa que aqui trazemos refere-se aos anos 50 do século XX e assinala os 93 anos de história da empresa com o lançamento de um vinho feito no Dão, à imagem e semelhança do emblemático Porta dos Cavaleiros. Para isso foi usada apenas a Touriga Nacional da colheita de 2011, tendo o vinho sido lançado em 2014.

O que encontrámos nesta garrafa foi um vinho encorpado, robusto, persistente, frutado e floral, com muitos anos de vida pela frente. De cor muito carregada, aroma intenso no nariz e grande presença na boca.

Se valeu os 25 € que demos por ele? Bem, essa é outra conversa. Tratando-se dum vinho especial, o que está em causa é saber como ele é e estar disposto a pagar por isso, mais pela curiosidade em conhecê-lo do que outra coisa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Caves São João: 93 Anos de História 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 25,00 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

No meu copo 552 - Tapada de Coelheiros 2008

Este é um clássico do Alentejo, um dos vinhos mais afamados da região já com uma longa história.

Foi aberto e degustado numa ocasião especial, a acompanhar uns deliciosos bifes de lombo de novilho, e fez parelha com um parceiro de ocasião igualmente especial, que será referido no próximo post.

Foi decantado com cerca de duas horas de antecedência e arrefecido para ficar à temperatura apropriada. A cor apresentou-se granada com ligeira evolução, tons acastanhados ainda não muito marcados mas já bem visíveis na orla do decanter (menos evidentes no copo).

No aroma mostrou aromas secundários, frutos vermelhos discretos e ligeira especiaria Na boca mostrou-se encorpado, complexo e envolvente, persistente e longo, com um final onde os taninos aparecem redondos mas bem presentes.

Para um vinho com quase 8 anos de idade, mostrou uma saúde invejável e pareceu estar num patamar óptimo de evolução. Poderia certamente aguentar muitos mais anos em garrafa, mas foi consumido num ponto bastante favorável, pelo que não se perdeu nada em bebê-lo agora.

Dentro desta gama de preços, é um valor seguro e em que vale a pena apostar para deixar repousar na garrafeira. Vai para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tapada de Coelheiros 2008 (T)
Região: Alentejo (Arraiolos)
Produtor: Herdade dos Coelheiros, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 13,59 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

No meu copo 551 - A Jovem Calda Bordaleza 2011

Este é mais um vinho produzido sob a batuta de Carlos Campolargo e a fugir ao padrão tradicional da Bairrada. Neste caso, como o próprio nome indica, pretende-se obter um vinho de perfil bordalês, e assim se compreende a inclusão unicamente de castas francesas, com duas delas – Cabernet Sauvignon e Merlot – a constituírem a base dos vinhos tintos da região de Bordéus.

Fez a fermentação alcoólica separada por castas, com desengace total, em pequenos lagares com pisa mecânica ou manual, e fermentação maloláctica em madeira nova e usada. Estagiou depois em barricas de carvalho francês até 14 meses.

Apresenta uma cor rubi concentrada, aroma a frutos vermelhos com algumas notas compotadas e um ligeiro toque balsâmico. Na boca é fresco e envolvente, com boa acidez e final persistente e elegante.

É de facto um vinho de perfil menos habitual naquelas paragens mas que, mesmo não sendo extraordinário, vale a pena conhecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: A Jovem Calda Bordaleza 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 18 de setembro de 2016

No meu copo 550 - Paço dos Cunhas de Santar Nature 2012

Foi a segunda prova que tive oportunidade de fazer deste vinho, depois da colheita de 2010. Esta garrafa da colheita de 2012, adquirida com a Revista de Vinhos, mostrou o mesmo perfil da anterior.

Frutado, elegante, aromático e persistente, muito equilibrado entre todas as componentes. Um vinho muito agradável, com o perfil dos melhores e mais típicos tintos do Dão, por um preço simpático para a qualidade que tem. Recomenda-se sem hesitações, e está na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Paço dos Cunhas de Santar Nature 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Paço de Santar - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

No meu copo 549 - Marquês dos Vales Primeira Selecção branco 2013

Na sequência de algumas provas de vinhos do Algarve provados o ano passado, ainda ficou este, proveniente de Estômbar, no concelho de Lagoa. A Quinta dos Vales tem merecido algum destaque na imprensa da especialidade devido ao seu enquadramento paisagístico e ao modo como está decorada, com esculturas diversas a marcar o espaço, conjugando a arte com a vitivinicultura e o turismo.

Este branco apresenta-se medianamente encorpado, com acidez média e final persistente, mostrando alguma complexidade na boca a par com uma certa suavidade e delicadeza. Foi provado a acompanhar uma caldeirada e cumpriu bem a função. Esta combinação de castas, embora não lhe confira um aroma muito exuberante, dá-lhe alguma estrutura e torna-o adequado para confecções de peixe não muito simples.

No panorama dos vinhos algarvios, poderá posicionar-se num patamar de qualidade médio-alto. É interessante e merecerá ser degustado com calma e paciência. Atenção à temperatura: deve ser bebido bem fresco para se expressar em pleno.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Marquês dos Vales Primeira Selecção 2013 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Quinta dos Vales
Grau alcoólico: 12%
Castas: Alvarinho, Viognier, Arinto, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 10 de setembro de 2016

No meu copo 548 - Quinta da Calçada Reserva 2013

Produzido em Amarante, com fermentação e estágio em barricas de carvalho francês durante 9 meses.

No aroma apresenta notas citrinas com algum tostado. Na boca é equilibrado, suave e com alguma frescura, embora pareça que lhe falta mais qualquer coisa para dar um salto qualitativo.

Bebe-se bem, mas não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Calçada Reserva 2013 (B)
Região: Regional Minho
Produtor: Agrimota, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 12%
Castas: Alvarinho, Loureiro, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 3 de setembro de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (6ª parte)

Quinta das Bandeiras




Terceiro e último dia.

Bagagem arrumada e transportada para o autocarro, onde irá permanecer até apanharmos o comboio no Porto para o regresso a Lisboa.

O percurso começa já em direcção a norte e dura poucos minutos, até voltarmos a um percurso pedonal: vamos visitar a Quinta das Bandeiras, propriedade de Sophia e Tim Bergqvist e integrada no projecto da Quinta de La Rosa, onde o enólogo é o conhecido Jorge Moreira, autor dos vinhos Poeira em produção própria e enólogo residente na Real Companhia Velha.

Vamos subir e descer, por entre vinhas, montes, vales e por baixo dos enormes cabos de alta tensão que atravessam o monte. Na vinha, as uvas começam a despontar e já se vêem cachos com frutos pouco maiores que uma cabeça de alfinete – um bom desafio para os mais bem equipados para a fotografia tirada com detalhe.

Quando se acaba de subir, dum lado vê-se lá em baixo o Centro de Alto Rendimento onde estivemos alojados, no Pocinho, e em frente vislumbram-se algumas edificações antigas... da Quinta do Vale Meão. Ali só com calçado desportivo, e com veículos todo-o-terreno.

Desce-se, desce-se e desce-se. Curva e contracurva. As vinhas desaparecem a aparece vegetação mais densa. O caminho é íngreme e tortuoso, o que de repente me levanta a dúvida inquietante: será que vamos ter de fazer o caminho de regresso da mesma forma??? Felizmente não, porque o percurso vai terminar no fundo da encosta contrária e junto à estrada nacional que nos levará em direcção ao Porto.

As conversas sucedem-se sobre vinhas, sobre vinho, sobre caça, sobre árvores e terrenos, e até sobre linhas do caminho-de-ferro. Já quase chegados ao nosso destino atravessamos uma velha linha férrea que em tempos serviu para os comboios contornarem os montes...

Finalmente chegamos cá abaixo e do outro lado do rio temos a Quinta do Vale Meão. Num baixio mais plano foi montada uma espécie de tenda com duas mesas para almoçarmos. Jorge Moreira assume o topo de uma das mesas e vai contar-nos a história dos vinhos que iremos provar.

É nesta altura, quando estamos a provar o excelente Passagem Reserva branco, que somos informados em primeira mão de que este vinho foi o vencedor do concurso de vinhos na categoria de brancos. Provámos o Passagem Reserva branco, o Reserva tinto e o Grande Reserva tinto e um Porto LBV e um Porto Vintage. No prato, o destaque foi para um delicioso lombo de vitela com batatas assadas e salada.

Pela amostra, ficou a sensação de que este projecto tem boas pernas para andar, pois os vinhos provados foram excelentes e prometem impor-se no panorama dos vinhos do Douro. Na caso do Passagem Reserva branco, em especial, agradou-me particularmente, e pelo preço de venda indicado (10,20 €) pode ir longe.

Fim do almoço, é altura de atravessar a estrada e apanhar o autocarro que nos espera para nos levar ao Porto. Obrigado a todos os que nos receberam e acompanharam, obrigado aos companheiros de viagem pelo excelente convívio e, naturalmente obrigado à organização, com destaque para a incansável Joana Pratas, e à Revista de Vinhos pelo convite que me foi enviado para participar nesta experiência inédita.

Até uma próxima oportunidade.

Kroniketas, enófilo viajante


Foto dos vinhos vencedores do concurso: Ricardo Palma Veiga

Quinta de la Rosa
5085-215 Pinhão
Tel. 254.732.254