Continuamos na zona da Vidigueira, agora com um salto à Herdade do Peso, a propriedade da Sogrape na região.
Na nova linha de vinhos que tem vindo a ser paulatinamente reformulada nesta herdade alentejana (com uma ou duas apostas que não me pareceram totalmente bem conseguidas), e no esforço para pôr este nome com maior destaque no mercado, onde perde claramente para as marcas do Dão, com a Quinta dos Carvalhais, e principalmente para o Douro, com a Casa Ferreirinha, tem havido algumas oscilações de qualidade mas a marca que ostenta o nome da herdade parece agora estar a assentar e a manter uma consistência de qualidade.
Este Herdade do Peso tinto revela-se logo no primeiro aroma, com os frutos vermelhos e pretos a destacarem-se no primeiro contacto. Na prova de boca revela alguma especiaria, intensidade e estrutura, com bom volume envolvido em taninos firmes mas macios.
Apresenta um final persistente e vivo, com alguma elegância.
Uma boa aposta, que se espera seja para continuar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Herdade do Peso 2014 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8
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segunda-feira, 27 de maio de 2019
quarta-feira, 1 de maio de 2019
No meu copo, na minha mesa 758 - Callabriga 2016; Restaurante Nogueira’s (Lisboa)

Depois da cozinha moderna, passamos para a comida a sério. Este é um restaurante junto ao rio Tejo que já andava debaixo de olho há algum tempo mas que ainda não tinha tido oportunidade de visitar.
O espaço é amplo, bem decorado, atractivo e com bom gosto. O atendimento rápido, atencioso e eficiente.
Sem desprezar os pratos do dia, que nos são apresentados inicialmente e têm um preço bem mais modesto que o resto da carta, o grande trunfo da casa parecem ser mesmo as carnes grelhadas, de grande qualidade, variedade e confeccionadas no ponto ideal. Depois de percorrer as opções que incluem, entre outras coisas, um chuletón de 900 g e um Legendary Tomahawk de 1 kg, optámos, para duas pessoas, por uma dose de maminha laminada e uma posta de vitela, ambas com 300 g de peso. Os preços, naturalmente, têm um “peso” correspondente ao da carne...
Os acompanhamentos são pedidos à parte, pelo que são mais uns euros a somar. Optou-se por batatas fritas, como era mister, e legumes grelhados.
Para não carregar muito mais na conta, optámos por um velho conhecido, e em vez do Esporão fomos para a Casa Ferreirinha e bebemos um Callabriga. Um vinho que está logo acima do Vinha Grande no portefólio da casa mas cujo perfil se aproxima muito mais do Quinta da Leda. É um vinho de cor rubi profunda, com aroma intenso a frutos vermelhos com algumas notas florais, grande concentração e volume de boca, com taninos bem integrados e macios. Precisa de tempo no copo para amaciar e libertar os aromas, mostrando-se depois mais sedoso e com um final persistente.
Depois de tudo servido à mesa, o conjunto ficou com o aspecto que se vê na primeira imagem.
No meio desta panóplia, as sobremesas ficaram um pouco aquém da qualidade do resto, não encantando. O Petit Gâteau de doce de leite argentino não encantou nem surpreendeu.
Não é para todos os dias, mas este restaurante merece uma visita sem pressas e em boa companhia. No tipo de refeição pelo qual optámos, é caro, claro! Mas desta vez comeu-se comida a sério!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: Nogueira’s
Av. 24 de Julho, 68-F
1200-869 Lisboa
Telef: 915 181 515
Preço médio por refeição: 40 - 50 €
Nota (0 a 5): 4,5
Vinho: Callabriga 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca (60%), Touriga Nacional (25%), Tinta Roriz (15%)
Preço em feira de vinhos: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8,5
terça-feira, 26 de março de 2019
No meu copo 750 - Mateus Rosé Original
É tempo de revisitarmos o vinho português mais vendido em todo o mundo e o mais mal amado no país que o produz.
O célebre Mateus Rosé, criado em 1942 por Fernando Van Zeller Guedes e pioneiro da marca Sogrape, continua a ser um caso de sucesso apesar de muito desvalorizado intramuros.
A verdade é que o vinho da garrafa em forma de cantil foi concebido para ser um vinho agradável e fácil de beber, de forma descontraída. Nesse pressuposto, é difícil encontrar muitos que o batam ou mesmo que o igualem.
A melhor forma de desmistificar o Mateus aconteceu há uns bons pares de anos num curso de prova que frequentei no Instituto Superior de Agronomia com o Prof. Virgílio Loureiro. As conversas à volta do Mateus Rosé sucediam-se (quase sempre em tom depreciativo) até ao dia em que nos foram apresentadas algumas harmonizações de vinhos com comida.
Foram-nos servidas tâmaras enroladas em bacon e um vinho desconhecido em copo preto. Nem fresco nem natural. Foi-nos pedido que avaliássemos a parceria, e todos os presentes – sem excepção – consideraram que a harmonização estava perfeita. Quando foi mostrada a garrafa, voilà!, era Mateus Rosé. E assim se destroem os mitos, para o bem ou para o mal.
Dito isto, resta acrescentar que a prova mais recente aconteceu com cozinha oriental, no caso num restaurante coreano, e como não podia deixar de ser o Mateus Original ligou na perfeição com os vários pratos experimentados. Mesmo a solo é um vinho que se bebe com facilidade e sem dar por isso despejamos a garrafa. Está no registo meio-seco, é leve, fresco e refrescante.
Beba-se, pois!
Um brinde à Casa de Mateus, inspiradora do nome e do rótulo, agora em tempo de mudança de imagem com novo rótulo e nova garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Mateus Rosé Original (R)
Região: Sem denominação de origem
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 11%
Castas: Baga, Rufete, Tinta Barroca, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 3,87 €
Nota (0 a 10): 7
Fotos das garrafas (antiga e nova) obtidas no site do produtor
O célebre Mateus Rosé, criado em 1942 por Fernando Van Zeller Guedes e pioneiro da marca Sogrape, continua a ser um caso de sucesso apesar de muito desvalorizado intramuros.
A verdade é que o vinho da garrafa em forma de cantil foi concebido para ser um vinho agradável e fácil de beber, de forma descontraída. Nesse pressuposto, é difícil encontrar muitos que o batam ou mesmo que o igualem.
A melhor forma de desmistificar o Mateus aconteceu há uns bons pares de anos num curso de prova que frequentei no Instituto Superior de Agronomia com o Prof. Virgílio Loureiro. As conversas à volta do Mateus Rosé sucediam-se (quase sempre em tom depreciativo) até ao dia em que nos foram apresentadas algumas harmonizações de vinhos com comida.
Foram-nos servidas tâmaras enroladas em bacon e um vinho desconhecido em copo preto. Nem fresco nem natural. Foi-nos pedido que avaliássemos a parceria, e todos os presentes – sem excepção – consideraram que a harmonização estava perfeita. Quando foi mostrada a garrafa, voilà!, era Mateus Rosé. E assim se destroem os mitos, para o bem ou para o mal.
Dito isto, resta acrescentar que a prova mais recente aconteceu com cozinha oriental, no caso num restaurante coreano, e como não podia deixar de ser o Mateus Original ligou na perfeição com os vários pratos experimentados. Mesmo a solo é um vinho que se bebe com facilidade e sem dar por isso despejamos a garrafa. Está no registo meio-seco, é leve, fresco e refrescante.
Beba-se, pois!
Um brinde à Casa de Mateus, inspiradora do nome e do rótulo, agora em tempo de mudança de imagem com novo rótulo e nova garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Mateus Rosé Original (R)
Região: Sem denominação de origem
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 11%
Castas: Baga, Rufete, Tinta Barroca, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 3,87 €
Nota (0 a 10): 7
Fotos das garrafas (antiga e nova) obtidas no site do produtor
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
No meu copo 716 - Tintos velhos do Dão (2)
Dão Sogrape Reserva 1985; Dão Sogrape Reserva 1999
Estamos de regresso a um clássico.
De vez em quando há umas garrafeiras que anunciam estes vinhos velhos a preços atractivos, que são sempre uma boa oportunidade para recordar algumas preciosidades que provámos há mais de 20 anos...
Este é um vinho que sempre fez parte do nosso imaginário, e tivemos a possibilidade de voltar a degustá-lo, alguns anos depois das últimas provas.
Tal como anteriormente, voltou a deliciar-nos com a sua elegância, o seu bouquet e profundidade aromática.
O Reserva 1985 apresentou-se extremamente macio sem estar chato nem demasiado linear, ainda com uma acidez bem evidente a conferir vivacidade ao conjunto, com um final muito macio. É um daqueles vinhos que parece que vão durar para sempre, e dá-nos sempre um prazer renovado voltar a degustá-lo.
Já o Reserva 1999, como disse o tuguinho, é um vinho velho sem estrutura de velho, nem quaisquer sinais de velhice. Pelo contrário, mostrou ainda sinais de alguma juventude, uma frescura notável para um vinho de quase 20 anos, com os taninos macios mas presentes a conferirem-lhe alguma vivacidade. Envolvente, macio e estruturado na boca, parece ter crescido na garrafa.
Felizmente nesta compra houve oportunidade de adquirir mais algumas garrafas, pelo que ainda temos mais vinho para revisitar estas belíssimas memórias.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Vinho: Dão Sogrape Reserva 1985 (T)
Grau alcoólico: 12%
Preço: 5,00 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Dão Sogrape Reserva 1999 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Preço: 10,00 €
Nota (0 a 10): 8,5
sábado, 2 de junho de 2018
No meu copo 678 - Quinta dos Carvalhais tinto 2010
Nem sempre este Colheita da Quinta dos Carvalhais nos tem convencido. Por vezes parece faltar-lhe alguma personalidade, alguma tipicidade do Dão, mostrando-se algo incaracterístico e indefinido.
A verdade é que quase sempre o provamos relativamente novo, com a colheita que está no mercado. Esta garrafa foi adquirida em 2015 e, provada agora em 2018, pareceu que o tempo lhe fez bem.
Apresentou-se um vinho de cor rubi carregada, muito bem equilibrado, com aromas intensos a frutos vermelhos maduros e do bosque e um bouquet amplo e profundo.
Na boca mostrou boa estrutura, com os taninos firmes mas muito redondos e equilibrados sem marcarem o conjunto, com as notas de madeira muito discretas.
Perante esta prova, parece-nos estar claramente perante um vinho de guarda e não de consumo imediato. Precisa de evoluir na garrafa, pois esse tempo fá-lo crescer para mostrar aquilo que pode dar. Neste caso, com quase 8 anos, pareceu estar no ponto óptimo de consumo, pelo que não vale a pena ter pressa em bebê-lo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Carvalhais 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 8
A verdade é que quase sempre o provamos relativamente novo, com a colheita que está no mercado. Esta garrafa foi adquirida em 2015 e, provada agora em 2018, pareceu que o tempo lhe fez bem.
Apresentou-se um vinho de cor rubi carregada, muito bem equilibrado, com aromas intensos a frutos vermelhos maduros e do bosque e um bouquet amplo e profundo.
Na boca mostrou boa estrutura, com os taninos firmes mas muito redondos e equilibrados sem marcarem o conjunto, com as notas de madeira muito discretas.
Perante esta prova, parece-nos estar claramente perante um vinho de guarda e não de consumo imediato. Precisa de evoluir na garrafa, pois esse tempo fá-lo crescer para mostrar aquilo que pode dar. Neste caso, com quase 8 anos, pareceu estar no ponto óptimo de consumo, pelo que não vale a pena ter pressa em bebê-lo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta do Carvalhais 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 8
domingo, 26 de fevereiro de 2017
No meu copo 586 - Herdade do Peso: Aragonês 2000; Colheita 2003; Reserva 2003
Continuamos na sub-região vitivinícola da Vidigueira.
Esta foi uma incursão por alguns clássicos alentejanos da Herdade do Peso. Não tanto pela idade dos vinhos ou pela antiguidade das marcas, mas pelo perfil dos vinhos, antes da reformulação do portefólio, dos rótulos e do estilo dos próprios vinhos.
Tivemos à disposição um monocasta de 2000 e dois lotes de 2003, um Colheita e um Reserva.
Seguindo a ordem indicada, começamos pelo Aragonês 2000. Apresenta-se de cor rubi intensa, com aroma a compotas e frutos vermelhos, delicado mas não muito exuberante. Na boca mostrou corpo médio, taninos redondos e complexidade, com final macio. Boa evolução em garrafa, com delicadeza e sem declínio.
O Colheita 2003 mostrou aroma intenso floral e frutado, com algumas notas mentoladas e de especiarias. Bem estruturado, com final médio e algo discreto.
Finalmente o Reserva 2003. Cor vermelho-violeta profunda, aroma a frutos vermelhos maduros, algumas nuances balsâmicas e especiadas. Muito boa estrutura e persistência, cheio e pujante com final longo. Claramente o melhor dos três, o que não surpreende.
Em suma, uma boa prova que permitiu rever umas preciosidades daquelas que já não são fáceis de encontrar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Vinho: Herdade do Peso, Aragonês 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Herdade do Peso 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 7,97 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Herdade do Peso Reserva 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8,5
Esta foi uma incursão por alguns clássicos alentejanos da Herdade do Peso. Não tanto pela idade dos vinhos ou pela antiguidade das marcas, mas pelo perfil dos vinhos, antes da reformulação do portefólio, dos rótulos e do estilo dos próprios vinhos.
Tivemos à disposição um monocasta de 2000 e dois lotes de 2003, um Colheita e um Reserva.
Seguindo a ordem indicada, começamos pelo Aragonês 2000. Apresenta-se de cor rubi intensa, com aroma a compotas e frutos vermelhos, delicado mas não muito exuberante. Na boca mostrou corpo médio, taninos redondos e complexidade, com final macio. Boa evolução em garrafa, com delicadeza e sem declínio.
O Colheita 2003 mostrou aroma intenso floral e frutado, com algumas notas mentoladas e de especiarias. Bem estruturado, com final médio e algo discreto.
Finalmente o Reserva 2003. Cor vermelho-violeta profunda, aroma a frutos vermelhos maduros, algumas nuances balsâmicas e especiadas. Muito boa estrutura e persistência, cheio e pujante com final longo. Claramente o melhor dos três, o que não surpreende.
Em suma, uma boa prova que permitiu rever umas preciosidades daquelas que já não são fáceis de encontrar.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Vinho: Herdade do Peso, Aragonês 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Herdade do Peso 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 7,97 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Herdade do Peso Reserva 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8,5
terça-feira, 29 de novembro de 2016
No meu copo 567 - Planalto Reserva 2015
Um branco todo-o-terreno, de todas as estações e para todos os pratos, um valor seguro, uma aposta garantida. Leve, seco, delicado, elegante, vivo e com estimulante acidez.
Uma escolha que nunca nos desilude. Desta vez foi com bacalhau à lagareiro, e portou-se como gente grande. Não é preciso dizer mais nada.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Planalto Reserva 2015 (B)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio, Códega, Arinto, Rabigato, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
Uma escolha que nunca nos desilude. Desta vez foi com bacalhau à lagareiro, e portou-se como gente grande. Não é preciso dizer mais nada.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Planalto Reserva 2015 (B)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio, Códega, Arinto, Rabigato, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
No meu copo 556 - Herdade do Peso 2013
No seguimento das provas mais recentes, é oportuno regressar à Herdade do Peso para ver como está o Colheita tinto. A prova anterior, da colheita de 2009, convenceu sobremaneira.
A verdade é que este lote é quase completamente diferente do anterior: em três castas, apenas se manteve o Alicante Bouschet. Saíram o Aragonês e o Alfrocheiro e entraram a Syrah e a omnipresente Touriga Nacional, uma espécie de emplastro nos vinhos nacionais: aparece em todo o lado.
Tirando as castas locais e entrando as castas da moda, o vinho, quanto a mim, ficou a perder. Perdeu personalidade, perdeu tipicidade. Está mais macio, mais suave, mas menos expressivo, mais delgado e mais curto. Em suma, não é um vinho do Alentejo mas mais um vinho igual a quase todos os outros.
Permitam-me a franqueza (quem sou eu para mandar palpites à maior empresa vinícola do país?), mas este não me parece ser o caminho para a Herdade do Peso se impor.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Herdade do Peso 2013 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,39 €
Nota (0 a 10): 7,5
A verdade é que este lote é quase completamente diferente do anterior: em três castas, apenas se manteve o Alicante Bouschet. Saíram o Aragonês e o Alfrocheiro e entraram a Syrah e a omnipresente Touriga Nacional, uma espécie de emplastro nos vinhos nacionais: aparece em todo o lado.
Tirando as castas locais e entrando as castas da moda, o vinho, quanto a mim, ficou a perder. Perdeu personalidade, perdeu tipicidade. Está mais macio, mais suave, mas menos expressivo, mais delgado e mais curto. Em suma, não é um vinho do Alentejo mas mais um vinho igual a quase todos os outros.
Permitam-me a franqueza (quem sou eu para mandar palpites à maior empresa vinícola do país?), mas este não me parece ser o caminho para a Herdade do Peso se impor.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Herdade do Peso 2013 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,39 €
Nota (0 a 10): 7,5
sábado, 8 de outubro de 2016
No meu copo 555 - Sossego branco 2015; Sossego tinto 2014
Já se falou sobre estes novos vinhos da Herdade do Peso. Passei num supermercado e vi uma promoção que permitia provar o branco e o tinto gratuitamente, mediante o envio do talão de compra e posterior reembolso. Na pior das hipóteses, não perderia muito; na melhor, não gastava nada.
A Herdade do Peso, propriedade da Sogrape do Alentejo na sub-região da Vidigueira, próximo de Pedrógão, tem sido a mais recente aposta da empresa na renovação do portefólio de vinhos. Alargou-se a oferta na gama Herdade do Peso, com a mais recente aposta a ser feita num branco Colheita, entre o Vinha do Monte (vinho de entrada de gama) e o Herdade do Peso Colheita foi lançado o Trinca Bolotas tinto e agora aparece este Sossego em branco, tinto e rosé, acima do Vinha do Monte e abaixo do Trinca Bolotas.
A questão, já levantada pelo Pingus Vinicus, é esta: havia necessidade? O que trazem estes vinhos de novo, o que acrescentam em qualidade ou em leque de escolha?
Neste momento, a gama da Herdade do Peso mostra-nos isto:
- Vinha do Monte, branco e tinto: 2,99 €
- Sossego, branco, tinto e rosé: 3,99 € a 4,99 €
- Trinca Bolotas tinto: 5,49 € a 5,99 €
- Herdade do Peso, branco e tinto: 6,39 € a 7,49 €
Para que serve este escalonamento, que não mostra grandes diferenças qualitativas dum patamar para o seguinte? É que entre o Trinca Bolotas e o Herdade do Peso, prefiro pagar mais 1 ou 2 € por este. Entre o Sossego e o Vinha do Monte, prefiro este, apesar de ser mais barato.
O Sossego branco ainda cumpriu minimamente sem encantar. Mostrou-se suave e macio, com aroma discreto e final médio.
Já o Sossego tinto foi uma quase completa desilusão: delgado de corpo, com final curto, pouco aromático, desinteressante. Um vinho quase neutro, que não deixa vontade de repetir.
Estratégia de marketing, para pôr a Herdade do Peso no mapa? Claro que sim. Mas não exagerem na quantidade do que põem cá fora. É que, como aqui se comprova, da quantidade não nasce necessariamente a qualidade.
Como dizia o Diácono Remédios: não havia necessidade.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Vinho: Sossego 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Roupeiro, Antão Vaz
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Sossego 2014 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5
A Herdade do Peso, propriedade da Sogrape do Alentejo na sub-região da Vidigueira, próximo de Pedrógão, tem sido a mais recente aposta da empresa na renovação do portefólio de vinhos. Alargou-se a oferta na gama Herdade do Peso, com a mais recente aposta a ser feita num branco Colheita, entre o Vinha do Monte (vinho de entrada de gama) e o Herdade do Peso Colheita foi lançado o Trinca Bolotas tinto e agora aparece este Sossego em branco, tinto e rosé, acima do Vinha do Monte e abaixo do Trinca Bolotas.
A questão, já levantada pelo Pingus Vinicus, é esta: havia necessidade? O que trazem estes vinhos de novo, o que acrescentam em qualidade ou em leque de escolha?
Neste momento, a gama da Herdade do Peso mostra-nos isto:
- Vinha do Monte, branco e tinto: 2,99 €
- Sossego, branco, tinto e rosé: 3,99 € a 4,99 €
- Trinca Bolotas tinto: 5,49 € a 5,99 €
- Herdade do Peso, branco e tinto: 6,39 € a 7,49 €
Para que serve este escalonamento, que não mostra grandes diferenças qualitativas dum patamar para o seguinte? É que entre o Trinca Bolotas e o Herdade do Peso, prefiro pagar mais 1 ou 2 € por este. Entre o Sossego e o Vinha do Monte, prefiro este, apesar de ser mais barato.
O Sossego branco ainda cumpriu minimamente sem encantar. Mostrou-se suave e macio, com aroma discreto e final médio.
Já o Sossego tinto foi uma quase completa desilusão: delgado de corpo, com final curto, pouco aromático, desinteressante. Um vinho quase neutro, que não deixa vontade de repetir.
Estratégia de marketing, para pôr a Herdade do Peso no mapa? Claro que sim. Mas não exagerem na quantidade do que põem cá fora. É que, como aqui se comprova, da quantidade não nasce necessariamente a qualidade.
Como dizia o Diácono Remédios: não havia necessidade.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Vinho: Sossego 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Roupeiro, Antão Vaz
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7
Vinho: Sossego 2014 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5
segunda-feira, 6 de junho de 2016
No meu copo 533 - Herdade do Peso branco 2014
Continuamos na zona da Vidigueira, agora para falar do primeiro branco lançado pela Sogrape na Herdade do Peso.
Situada próximo de Pedrógão, cerca de 13 km a sueste da Vidigueira e algures entre as Cortes de Cima e a Herdade do Sobroso, a Herdade do Peso foi pioneira dentro do universo Sogrape na implantação da chamada “viticultura de precisão”, com a instalação de estações meteorológicas e a monitorização permanente dos vários terroirs da propriedade, de modo a adaptar cada casta à parcela mais adequada e acompanhar em permanência o estado de maturação das uvas.
Depois da reconversão do portefólio de tintos, que começou com a substituição dos Sogrape Reserva do Alentejo (à semelhança do que aconteceu no Dão com a substituição pela marca Quinta dos Carvalhais e no Douro com as marcas da Casa Ferreirinha) pela marca Herdade do Peso (passando pelo Colheita, o Reserva, o Ícone, alguns varietais e mais recentemente o Trinca Bolotas), chega agora a vez deste branco produzido unicamente com uma casta típica do Alentejo e particularmente associada à sub-região da Vidigueira, o Antão Vaz.
De cor amarela-esverdeada, equilibrado, macio, persistente, com aroma predominante a frutos brancos e ligeiro citrino, apresenta-se contudo algo discreto no nariz, medianamente encorpado na prova de boca e final fresco mas pouco longo.
É um vinho a rever com alguma atenção, pois poderá ter alguma evolução para melhor, faltando-lhe alguma complexidade e um aroma mais exuberante. Pontuamo-lo ligeiramente em baixa, mas com margem para subir.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Herdade do Peso 2014 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 7
Situada próximo de Pedrógão, cerca de 13 km a sueste da Vidigueira e algures entre as Cortes de Cima e a Herdade do Sobroso, a Herdade do Peso foi pioneira dentro do universo Sogrape na implantação da chamada “viticultura de precisão”, com a instalação de estações meteorológicas e a monitorização permanente dos vários terroirs da propriedade, de modo a adaptar cada casta à parcela mais adequada e acompanhar em permanência o estado de maturação das uvas.
Depois da reconversão do portefólio de tintos, que começou com a substituição dos Sogrape Reserva do Alentejo (à semelhança do que aconteceu no Dão com a substituição pela marca Quinta dos Carvalhais e no Douro com as marcas da Casa Ferreirinha) pela marca Herdade do Peso (passando pelo Colheita, o Reserva, o Ícone, alguns varietais e mais recentemente o Trinca Bolotas), chega agora a vez deste branco produzido unicamente com uma casta típica do Alentejo e particularmente associada à sub-região da Vidigueira, o Antão Vaz.
De cor amarela-esverdeada, equilibrado, macio, persistente, com aroma predominante a frutos brancos e ligeiro citrino, apresenta-se contudo algo discreto no nariz, medianamente encorpado na prova de boca e final fresco mas pouco longo.
É um vinho a rever com alguma atenção, pois poderá ter alguma evolução para melhor, faltando-lhe alguma complexidade e um aroma mais exuberante. Pontuamo-lo ligeiramente em baixa, mas com margem para subir.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Herdade do Peso 2014 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 7
quarta-feira, 22 de julho de 2015
No meu copo 467 - Vinha Grande 2012
Mais um clássico nas nossas provas. Ainda há colheitas de 2009 e 2010 lá em casa, mas por vezes as circunstâncias levam-nos ao encontro de colheitas mais recentes, embora eu prefira deixá-las esperar...
Depois da prova da colheita de 2011 no jantar da última passagem de ano, agora cruzei-me com a colheita de 2012. As impressões recolhidas não diferiram muito. Aliás, quase se poderia copiar na íntegra o que foi dito anteriormente.
O perfil do vinho mantém-se, consistente e estável, sem surpresas e sem defraudar as expectativas. Destaque para o aroma a frutos vermelhos maduros, a par com algum floral e algum balsâmico.
Na boca a madeira é muito discreta e os taninos arredondados, com um fundo a especiarias. Final vivo e intenso mas suave.
Mais macio que o de 2011, não deixa de ganhar com a abertura da garrafa algum tempo antes do consumo. E ganhará, certamente, com mais algum tempo de garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha Grande 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8
Depois da prova da colheita de 2011 no jantar da última passagem de ano, agora cruzei-me com a colheita de 2012. As impressões recolhidas não diferiram muito. Aliás, quase se poderia copiar na íntegra o que foi dito anteriormente.
O perfil do vinho mantém-se, consistente e estável, sem surpresas e sem defraudar as expectativas. Destaque para o aroma a frutos vermelhos maduros, a par com algum floral e algum balsâmico.
Na boca a madeira é muito discreta e os taninos arredondados, com um fundo a especiarias. Final vivo e intenso mas suave.
Mais macio que o de 2011, não deixa de ganhar com a abertura da garrafa algum tempo antes do consumo. E ganhará, certamente, com mais algum tempo de garrafa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha Grande 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8
quarta-feira, 15 de abril de 2015
No meu copo 446 - Tintos velhos da Bairrada (6)
Bairrada Sogrape Reserva 1995; Caves São João Reserva 2005; Frei João Reserva 2005
Voltamos aos clássicos da Bairrada, entre os dois resistentes deste blog, tripartida entre três vinhos e repartida entre dois nomes de peso: a Sogrape e as Caves São João.
Esta colheita de 1995 de um dos antigos Reservas da Sogrape, ainda com o rótulo branco original, tinha sido objecto duma prova em 2014, graças a umas garrafas que encontrámos na Garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, onde existe um autêntico maná para os apreciadores de vinhos velhos. Mostrou-se em excelente forma, com aroma profundo e intenso, aberto na cor e macio na boca, apresentou uma cor granada com nuances atijoladas, a denotar evidente evolução mas sem sinais de cansaço. Um ligeiro apimentado marca um final prolongado e elegante. A madeira, em que envelhece durante um ano, há muito que deixou de marcar o vinho, que ainda apresenta alguns sinais de fruta madura. Saúde notável para um vinho com quase 20 anos de idade.
Passando aos clássicos das Caves São João, avançámos 10 anos para duas das marcas tradicionais. O Caves São João Reserva, feito a partir de Baga da Bairrada e de Touriga Nacional do Dão, apresentou-se aromático, encorpado, macio e persistente, mas evoluiu para uma estrutura mais robusta e com taninos mais evidentes passadas 24 horas. De cor rubi profunda, aroma delicado e dominado por notas de frutos vermelhos, florais e alguma tosta proveniente do estágio de 10 meses em pipas de carvalho francês, é acima de tudo um vinho que prima pela elegância e pela complexidade e que, como é habitual, apresenta uma saúde notável, a mostrar que podemos contar com ele em pleno por mais uns bons anos.
A fazer páreo com este misto Dão/Bairrada, um Bairrada tradicional, o Frei João Reserva, que tantas provas notáveis nos tem proporcionado. Foi elaborado com uvas de Baga, Camarate e Cabernet Sauvignon provenientes da Quinta do Poço do Lobo. Estas foram vinificadas com desengace total, maceração pré-fermentativa, fermentação alcoólica com temperatura controlada e maceração pós-fermentativa. Estagiou durante 10 meses em pipas de carvalho francês.
Apresentou uma cor a tender para o granada, aroma complexo com notas de frutos secos e vermelhos, taninos bem presentes e marcados mas macios, encorpado, robusto e persistente. Faz um interessante contraste com o Caves São João Reserva, tornando muito curiosa a prova comparada e alternada dos dois vinhos.
Em suma, dois belos representantes dos clássicos das Caves São João. Qual preferimos? Ambos!
Felizmente ainda há mais umas garrafas destas para beber.
tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos
Região: Bairrada
Vinho: Sogrape Reserva 1995 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,%
Castas: não indicadas
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Caves São João Reserva 2005 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 11,90 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Frei João Reserva 2005 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Camarate, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,79 €
Nota (0 a 10): 8,5
terça-feira, 7 de abril de 2015
No meu copo 444 - Trinca Bolotas 2013
A Sogrape continua a acrescentar novidades ao seu portefólio com o lançamento de novas marcas. Depois de o Papa Figos ter integrado a gama da Casa Ferreirinha, com uma referência a uma ave do Douro, chegou agora a vez da Herdade do Peso apresentar um novo rótulo, o Trinca Bolotas, numa homenagem ao suíno alentejano.
Este novo vinho entra na gama média, próximo do Herdade do Peso Colheita. Com um perfil robusto e algo agreste, em que o álcool está bastante presente e os taninos com muitas arestas, parece ser um vinho demasiado novo para consumir e a que falta tempo de garrafa.
Claro que após uma única prova deste vinho é prematuro tirar conclusões definitivas, pois esta foi a primeira colheita lançada no mercado, outras se seguirão e poderá haver alguns ajustes no perfil do vinho. No entanto, não convenceu grandemente e, principalmente, não pareceu acrescentar nada de relevante à gama da marca, pois o Herdade do Peso Colheita parece ser mais equilibrado e com uma relação qualidade/preço mais atractiva. Na generalidade, os vinhos provenientes da Herdade do Peso têm primado por uma qualidade elevada (impossível esquecer o fabuloso Alfrocheiro de 2000), pelo que fica a dúvida acerca do lugar onde este Trinca bolotas se irá encaixar.
A Sogrape sempre nos habituou a vinhos de qualidade acima da média e com excelentes relações qualidade/preço, pois “não sabe fazer vinhos maus” (a frase é nossa). No entanto, num portefólio tão vasto, que engloba várias regiões e dezenas de marcas que vão desde o Mateus Rosé ao Barca Velha, nem todos podem ser excelentes e haverá sempre alguns produtos menos bem conseguidos. Resta-nos aguardar por novas colheitas para fazer a contraprova.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Trinca Bolotas 2013 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7
Este novo vinho entra na gama média, próximo do Herdade do Peso Colheita. Com um perfil robusto e algo agreste, em que o álcool está bastante presente e os taninos com muitas arestas, parece ser um vinho demasiado novo para consumir e a que falta tempo de garrafa.
Claro que após uma única prova deste vinho é prematuro tirar conclusões definitivas, pois esta foi a primeira colheita lançada no mercado, outras se seguirão e poderá haver alguns ajustes no perfil do vinho. No entanto, não convenceu grandemente e, principalmente, não pareceu acrescentar nada de relevante à gama da marca, pois o Herdade do Peso Colheita parece ser mais equilibrado e com uma relação qualidade/preço mais atractiva. Na generalidade, os vinhos provenientes da Herdade do Peso têm primado por uma qualidade elevada (impossível esquecer o fabuloso Alfrocheiro de 2000), pelo que fica a dúvida acerca do lugar onde este Trinca bolotas se irá encaixar.
A Sogrape sempre nos habituou a vinhos de qualidade acima da média e com excelentes relações qualidade/preço, pois “não sabe fazer vinhos maus” (a frase é nossa). No entanto, num portefólio tão vasto, que engloba várias regiões e dezenas de marcas que vão desde o Mateus Rosé ao Barca Velha, nem todos podem ser excelentes e haverá sempre alguns produtos menos bem conseguidos. Resta-nos aguardar por novas colheitas para fazer a contraprova.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Trinca Bolotas 2013 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7
quarta-feira, 18 de março de 2015
No meu copo 439 - Quinta dos Carvalhais Único 2005
Inicialmente muito fechado e austero, um portento de concentração. Tem uma cor carregada, a fazer lembrar o vinho do Porto. Só a decantação o libertou da prisão dos aromas na garrafa.
Ao evoluir começa a mostrar alguma elegância, mostrando uma enorme persistência, taninos firmes mas elegantes.
Não é um vinho fácil de provar, e muito menos de comprar, por aquilo que custa. É antes um vinho desafiante, programado para altos voos, que precisa do tempo certo e da ocasião para que possa ser apreciado em todo o seu esplendor. A Sogrape anda à procura do seu Barca Velha do Dão, e este foi talvez o que mais se aproximou, mas ainda lhe falta algo para lá chegar...
Tínhamo-lo conhecido há uns anos numa prova na Wine O’Clock, e o tempo de garrafa moldou-lhe o perfil, retirando-lhe alguma pujança e fazendo sobressair mais a elegância. Passado este tempo é, sem dúvida, um belo exemplar da Touriga Nacional no seu melhor registo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais Único 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 49,09 €
Nota (0 a 10): 9
Ao evoluir começa a mostrar alguma elegância, mostrando uma enorme persistência, taninos firmes mas elegantes.
Não é um vinho fácil de provar, e muito menos de comprar, por aquilo que custa. É antes um vinho desafiante, programado para altos voos, que precisa do tempo certo e da ocasião para que possa ser apreciado em todo o seu esplendor. A Sogrape anda à procura do seu Barca Velha do Dão, e este foi talvez o que mais se aproximou, mas ainda lhe falta algo para lá chegar...
Tínhamo-lo conhecido há uns anos numa prova na Wine O’Clock, e o tempo de garrafa moldou-lhe o perfil, retirando-lhe alguma pujança e fazendo sobressair mais a elegância. Passado este tempo é, sem dúvida, um belo exemplar da Touriga Nacional no seu melhor registo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Quinta dos Carvalhais Único 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 49,09 €
Nota (0 a 10): 9
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
No meu copo, na minha mesa 432 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012; Vinha Grande tinto 2011; A Travessa do Rio (Lisboa)

No final do ano voltei a fazer uma incursão a um restaurante que frequento de vez em quando, A Travessa do Rio, em Benfica, para mais uma excelente refeição em grupo. Após várias indecisões nos pedidos, estes acabaram por recair em apenas dois pratos: um arroz de lagosta e um bife do lombo com pimenta acompanhado de batatas fritas e esparregado, apenas para mim e para o Pirata. E como o bife causou impacto! Os restantes comensais ficaram de olhos (e papilas também) arregalados com a suculência deste bife, que estava simplesmente divinal! Quem comeu o arroz de lagosta ficou com pena de não ter escolhido o bife...
Como habitualmente neste restaurante, tivemos um belíssimo repasto, bem comido e bem bebido, mantendo o nível a que nos habituou.
Quanto aos líquidos, a primeira opção foi para um branco enquanto nos entretínhamos com as entradas. A escolha recaiu num monocasta da José Maria da Fonseca, o Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2012, que nunca nos deixa ficar mal. Com excelente acidez e aroma em que predomina um misto de frutos citrinos e tropicais, esta colheita apresentou-se com um grau alcoólico mais baixo que as anteriores, mantendo uma boa persistência e frescura e tornando-se mais leve e mais suave, muito guloso e apelativo. Apetece sempre beber mais um copo, e por isso houve que repetir garrafas.
Para o bife do lombo com pimenta escolhemos um Vinha Grande 2011, também uma aposta sempre segura. Esta versão apresentou-se um pouco mais robusta que o habitual, com muita concentração e álcool um pouco excessivo, tornando a prova inicial algo agreste. Foi necessário dar-lhe tempo para arejar e amaciar um pouco, quando se começaram a notar os aromas a frutos vermelhos, arbustos e folhas do bosque. Os taninos estão bem presentes e muito vivos, embora sem se tornarem demasiado agressivos, e a madeira está muito discreta sem marcar o vinho. Talvez dois ou três anos na garrafa o tornem mais elegante, dando-lhe um perfil mais próximo daquele a que nos habituou, em que predomina a elegância e a suavidade. No entanto não deixou de constituir uma boa escolha, que ligou perfeitamente com a carne.
Em suma, um restaurante e dois vinhos que não deixaram os seus créditos mal vistos, proporcionando um fecho de ano em beleza.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Restaurante: A Travessa do Rio
Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Vinha Grande 2011 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
No meu copo 420 - Planalto Reserva 2013; Vinha Grande rosé 2013

Planalto: eis um vinho que nunca nos desilude. É um daqueles vinhos consistentes de ano para ano, que ao longo do tempo se vão revelando como apostas sempre seguras, em que se pode confiar numa boa compra sem grande risco de decepções.
Aromático, equilibrado, perfumado, ligeiramente floral. Bebe-se sempre com agrado, no Verão ou no Inverno, com frio ou com calor. Não é o vinho mais brilhante que existe, mas nunca nos desilude.
Quanto ao Vinha Grande rosé, foi uma novidade absoluta em termos de prova, e desde logo começou por uma surpresa na cor: o vinho é dum rosa completamente desmaiado, quase branco. A cor pode não ser apelativa quando se está à espera dum vinho rosado, mas a prova contraria a possível má impressão inicial. O vinho apresenta-se com bastante frescura e acidez, com aroma ligeiro a flores e notas a frutos vermelhos e tropicais, boa estrutura e final persistente. A falta de cor deve-se às condições da colheita, que fizeram as uvas perder grande parte da coloração, mas não é por aí que o vinho deixa de ser agradável.
Segundo fomos informados, o vinho não esteve à prova no Encontro com o Vinho e os Sabores porque os clientes, aparentemente, estão a reagir mal à falta de cor. Pois é, mas o que conta é o que está dentro da garrafa... Esqueçam a cor e provem-no, porque vale a pena.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Vinho: Planalto Reserva 2013 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio, Códega, Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5
Vinho: Vinha Grande 2013 (R)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8
sábado, 30 de agosto de 2014
No meu copo 400 - Tintos velhos da Bairrada (5)
Sogrape Reserva 1995; Sogrape Garrafeira 1999; Império Reserva 2001


Fechamos a quarta centena de posts dedicados a provas com mais uma incursão por algumas relíquias da Bairrada. Desta vez houve a possibilidade de ter dois exemplares da Sogrape, sendo que um deles foi uma repetição de uma prova já com alguns anos, que não tinha convencido grandemente. Refiro-me concretamente ao Garrafeira de 1999, provado aqui. Outra garrafa foi esperando, esperando, esperando... até que foi aberta para acompanhar uns bifes com molho pimenta. E a verdade é que se confirmou mais uma vez que, muitas vezes, as verdades que temos como certas em relação aos vinhos, não duram mais que o tempo que medeia entre uma prova e outra...
Foi o caso desta segunda garrafa que, contrariamente ao que tinha acontecido na prova de há 6 anos, nos mostrou um vinho pujante e de grande estrutura, encorpado e cheio, com aroma profundo e exuberante e um longo fim de boca pontuado por especiarias e algum fumado, com os taninos bem presentes mas macios. Excelente, sem dúvida. Fica apenas a dúvida: o anterior foi bebido demasiado cedo? Como havíamos nós de saber o seu estado de evolução? Enfim, fica sempre este mistério por esclarecer quando ocorrem situações do género. A única verdade é que nunca o saberemos...
O outro exemplar da Sogrape, um Reserva 1995, ainda com o mesmo rótulo dos célebres Reservas da Sogrape do Douro, Dão e Alentejo, tantas vezes aqui referidos, mostrou um perfil semelhante embora muito mais amaciado, não tão exuberante no aroma mas muito redondo na boca.
Desconhecíamos este exemplar das Caves Império, uma das casas que entretanto deixaram de aparecer nos rótulos com as várias fusões e aquisições no mercado do vinho. Composto quase em exclusivo pela Baga, mostrou o perfil clássico dos vinhos desta tão polémica casta, amada por uns e desprezada por outros. Taninos firmes mas redondos, alguma adstringência, aroma profundo, encorpado e persistente com final longo. Nada de surpreendente, apenas a constatação de como estes vinhos envelhecem nobremente e melhoram ao longo do tempo.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Região: Bairrada
Vinho: Sogrape Reserva 1995 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 8
Vinho: Sogrape Garrafeira 1999 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Alfrocheiro, Jaen
Preço em feira de vinhos: 5,19 €
Nota (0 a 10): 8,5
Vinho: Império Reserva 2001 (T)
Produtor: Caves Império
Grau alcoólico: 13%
Casta: Baga
Nota (0 a 10): 8
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
No meu copo 353 - Vinha Grande 2008
Este vinho é um daqueles clássicos acerca dos quais já pouco começa a haver para dizer de novo, à medida que vamos fazendo sucessivas provas. O perfil é conhecido e vai-se mantendo de colheita para colheita, na linha da tradição da Casa Ferreirinha. São vinhos que primam sobretudo pela elegância, suavidade, muito longe das bombas de fruta e álcool que dominam a região.
Sem descurar uma boa estrutura e persistência, tem um aroma profundo a frutos vermelhos, algum floral, um toque a especiarias que lhe dá alguma vivacidade, taninos arredondados e boa integração com a madeira, em que estagia durante cerca de um ano em barricas usadas.
Dentro da gama em que se enquadra, é daqueles que por vezes se encontra a muito bom preço e um valor seguro, nunca nos deixando ficar mal. Deixe-se respirar, de preferência após decantação, para que liberte todos os aromas, e aprecie-se com carnes requintadas e não demasiado temperadas. Um bom companheiro para a mesa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha Grande 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 7,23 €
Nota (0 a 10): 8
Sem descurar uma boa estrutura e persistência, tem um aroma profundo a frutos vermelhos, algum floral, um toque a especiarias que lhe dá alguma vivacidade, taninos arredondados e boa integração com a madeira, em que estagia durante cerca de um ano em barricas usadas.
Dentro da gama em que se enquadra, é daqueles que por vezes se encontra a muito bom preço e um valor seguro, nunca nos deixando ficar mal. Deixe-se respirar, de preferência após decantação, para que liberte todos os aromas, e aprecie-se com carnes requintadas e não demasiado temperadas. Um bom companheiro para a mesa.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Vinha Grande 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 7,23 €
Nota (0 a 10): 8
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
No meu copo 347 - Dão Pipas Reserva 1999
Para finalizar este périplo pelo Dão, e continuando no universo Sogrape, voltamos aos clássicos.
Ainda antes do evento na Quinta da Espinhosa à volta dos vinhos do século XX, tinha sido consumida com os comensais habituais o último exemplar de Dão Pipas, adquirido em 2008 aproveitando uns restos de colecção no Jumbo a um preço muito atractivo. E depois de provar este último exemplar, como lamentei não ter comprado todas as garrafas que lá estavam...
Prudentemente decantado com a antecedência suficiente para libertar os aromas aprisionados por tão longa permanência em garrafa, rapidamente o vinho se guindou a um nível de exuberância aromática surpreendente e com uma vivacidade e estrutura na boca que em nada indiciavam estarmos perante um vinho já com 14 anos. A cor estava lindíssima, com um rubi brilhante que era característico de muitos clássicos do Dão em novos, o aroma limpíssimo e jovem, ainda com bastante presença de fruta e um final longo, longo, longo... Mais uma vez se confirmou que estes vinhos eram autênticas preciosidades feitas para durar e apreciar durante longos anos.
Depois desta prova e da que se realizou na Quinta da Espinhosa, ficou a vontade de voltar a procurar estes vinhos nas garrafeiras. Porque estes nos deixam memórias quase irrepetíveis.
Notável!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Dão Pipas Reserva 1999 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Preço: 8,57 € (em 2008)
Nota (0 a 10): 9
Provas de outras colheitas deste vinho:
Dão Pipas 1985
Dão Pipas 1983 e 1997
Dão Pipas 1996
Ainda antes do evento na Quinta da Espinhosa à volta dos vinhos do século XX, tinha sido consumida com os comensais habituais o último exemplar de Dão Pipas, adquirido em 2008 aproveitando uns restos de colecção no Jumbo a um preço muito atractivo. E depois de provar este último exemplar, como lamentei não ter comprado todas as garrafas que lá estavam...
Prudentemente decantado com a antecedência suficiente para libertar os aromas aprisionados por tão longa permanência em garrafa, rapidamente o vinho se guindou a um nível de exuberância aromática surpreendente e com uma vivacidade e estrutura na boca que em nada indiciavam estarmos perante um vinho já com 14 anos. A cor estava lindíssima, com um rubi brilhante que era característico de muitos clássicos do Dão em novos, o aroma limpíssimo e jovem, ainda com bastante presença de fruta e um final longo, longo, longo... Mais uma vez se confirmou que estes vinhos eram autênticas preciosidades feitas para durar e apreciar durante longos anos.
Depois desta prova e da que se realizou na Quinta da Espinhosa, ficou a vontade de voltar a procurar estes vinhos nas garrafeiras. Porque estes nos deixam memórias quase irrepetíveis.
Notável!
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Dão Pipas Reserva 1999 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Preço: 8,57 € (em 2008)
Nota (0 a 10): 9
Provas de outras colheitas deste vinho:
Dão Pipas 1985
Dão Pipas 1983 e 1997
Dão Pipas 1996
domingo, 10 de novembro de 2013
Na GN Cellar 3 - Quinta dos Carvalhais
Mesmo na véspera do arranque do Encontro com o Vinho e os Sabores 2013, ainda houve oportunidade de passar pelas instalações da Garrafeira Nacional na Rua da Conceição para uma prova de vinhos da Quinta dos Carvalhais, com a presença do enólogo-chefe Manuel Vieira e da enóloga Beatriz Cabral de Almeida.
Em prova estiveram dois brancos e quatro tintos, que foram sendo apresentados pelo Eng. Manuel Vieira à medida que cada um deles era servido no copo. Nesta provas tivemos a curiosidade de serem provados vinhos monocasta e vinhos de lote de forma intercalada, o que permitiu diferenciar claramente as características duns e doutros.
Nos brancos tivemos em primeiro lugar um monocasta de Encruzado. Pareceu-me algo linear na prova de boca, embora melhor no aroma, mais exuberante e mineral. Lembrei-me ainda do Encruzado da Quinta da Falorca que tinha provado na semana anterior, e tinha-me agradado mais, revelando-se mais estruturado e persistente.
Bem diferente foi o segundo branco, um Colheita Selecionada de Encruzado e Verdelho, que mostrou bem a diferença em relação ao anterior. Teve estágio em madeira, o que lhe dá outra complexidade, sendo que a madeira não se impõe nos sabores nem nos aromas. Este provou melhor, revelou-se com outro porte, estando mais vocacionado para a mesa, com aromas mais tropicais e maior persistência. Não conhecia esta versão e fiquei bastante agradado.
Passando aos tintos, começámos pelo Colheita, o mais barato dos quatro e feito a partir de um lote de Tinta Roriz, Trincadeira e Alfrocheiro. Um vinho equilibrado mas consistente, estruturado quanto baste e feito para se gostar. Um Dão típico, à moda clássica.
Seguiu-se um monocasta de Touriga Nacional, com aquelas características florais típicas da casta. Confesso, no entanto, que este perfil de vinhos já me começa a cansar, porque apesar de todas as loas que são cantadas a esta casta, a solo começa a tornar-se monocórdica, sempre igual, nunca se espera nada de novo. Não há muito tempo tinha bebido um Alfrocheiro de 2006, que se revelou muito mais vibrante que este. Após muita insistência, a Touriga já cansa, principalmente porque se seguiu o Reserva, outro vinho de lote entre a Tinta Roriz e a Touriga Nacional, que se apresentou muito mais complexo e estruturado, com outra persistência, um vinho a requerer mais tempo no copo para melhor lhe apreciar as características.
Finalmente, o topo da gama dos Carvalhais: o Único 2009, apenas a segunda colheita depois da de 2005 que tínhamos provado há uns anos em estreia na Wine O’Clock. Na altura achámo-lo extraordinário, quase ao nível dum Vinho do Porto, e pareceu estar ali o potencial e ansiado Barca Velha do Dão. Nesta prova apareceu menos exuberante, com os aromas algo escondidos, porque ao contrário da ocasião anterior não houve tempo para libertar todas as suas características aromáticas e estruturais. Mas o potencial pareceu novamente estar lá.
Manuel Vieira foi explicando as características de cada vinho e o modo como é produzido e como são escolhidas as uvas, dando realce a duas vinhas da Quinta dos Carvalhais: a vinha da Palmeira e a vinha da Anta, que parece ser aquela que apresenta as características ideais para a escolha das uvas para fazer vinhos de excepção. Foi dali que saíram as uvas para o Único, que deveria ser um lote mas em que as uvas de Touriga se impuseram ao enólogo, nas palavras do próprio.
E assim ficámos a conhecer as novidades da Sogrape no Dão, numa antecipação do evento que se ia seguir. No dia seguinte marchámos para a 14ª edição do Encontro com o Vinho e os Sabores.
Em aberto ficou ainda a hipótese de marcar uma visita conduzida pelo Eng. Manuel Vieira à garrafeira da Quinta dos Carvalhais, para descobrir as relíquias que por lá estão...
Kroniketas, enófilo esclarecido
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