segunda-feira, 16 de outubro de 2017

No meu copo 624 - Periquita Reserva 2012

Há vinhos assim. Esta foi a terceira ou quarta tentativa. Fui ver o que tinha escrito acerca das anteriores. Havia a esperança de que fosse diferente desta vez.

Não foi. Este Periquita Reserva tinto ainda não me conseguiu mostrar nada de especial, que o distinga (para melhor) de qualquer outro do enorme portefólio da José Maria da Fonseca, e eu vou repetindo na esperança de que “desta vez é que é”.

Mas as impressões mantêm-se. Estrutura mediana, aroma pouco expressivo, final algo indefinido e pouco longo.

Não é caro nem é mau, mas pelo mesmo preço há muitos outros bastante melhores. Se os anteriores não me tinham convencido grandemente, este ainda menos.

Uma aposta algo decepcionante, tendo em conta o prestígio quer da marca quer da casa. Ou sou eu que estou completamente enganado, ou a equipa de enologia anda um bocado às aranhas com o caminho a dar a este vinho.

Acho que não vale muito a pena continuar a insistir nele, porque já se viu que não dá mais que isto...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Periquita Reserva 2012 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,59 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

No meu copo 623 - Quinta dos Aciprestes 2014


Já há alguns anos que não provava este vinho. Normalmente apresenta-se como uma garantia de qualidade por um preço razoável, e desta vez confirmou essa expectativa.

Muito aromático e equilibrado, frutado quanto baste com notas de frutos maduros e com boa estrutura, é um vinho que se bebe com facilidade e muito versátil para acompanhar pratos de carne.

Na cor não é muito concentrado, mostrando antes um perfil mais aberto. Na boca mostra-se redondo e elegante, com notas de frutos maduros e madeira muito discreta e bem integrada num conjunto harmonioso.

Mais um vinho com uma óptima relação qualidade/preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta dos Aciprestes 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,16 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

No meu copo 622 - Quinta da Soalheira 2013



Foi a primeira prova deste vinho da Borges produzido no Douro. Já provámos diversos vinhos desta empresa, mas nunca esta marca. A Quinta da Soalheira situa-se nas margens do rio Torto, próximo de São João da Pesqueira.

O vinho mostra uma cor e um aroma que revelam o perfil típico do Douro naquilo que ele tem de melhor.

Encorpado, persistente, estruturado e longo, apresenta aromas a frutos do bosque, taninos bem presentes e sólidos e final com notas a especiarias.

Pelo preço que custa é uma excelente aposta.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta da Soalheira 2013 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Sousão
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

No meu copo 621 - Crasto Superior branco 2014

Mais um belo branco do Douro, proveniente das vinhas localizadas no Douro Superior na Quinta da Cabreira, próximo de Castelo Melhor, que tivemos oportunidade de visitar por ocasião do Festival de Vinho do Douro Superior de 2016.

Esta garrafa foi oferecida pela empresa nessa ocasião, e houve agora oportunidade de provar o vinho com mais calma. Confirmou as impressões colhidas por altura desse evento. É um vinho com boa frescura e boa acidez, o que não surpreende dado ser produzido em altitude.

Na boca mostra-se bem estruturado mas elegante, com final persistente e vibrante mas suave. Estagiou 6 meses em barricas da carvalho francês, aparecendo este muito discreto e a arredondar o conjunto.

À semelhança do Crasto Superior tinto, é um vinho para afirmar-se nas novas tendências do Douro, com vinhos mais frescos, mais suaves e mais gastronómicos, onde a madeira é apenas um tempero do vinho e não “o vinho”.

Obrigado à Quinta do Crasto por esta oferta e por este bom produto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Crasto Superior 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Verdelho, Viosinho
Preço: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 30 de setembro de 2017

No meu copo 620 - Vallado: tinto 2015; rosé Touriga Nacional 2016; branco 2016

Três vinhos da Quinta do Vallado consumidos durante as férias. Curiosamente, sendo a marca conhecida principalmente pelos tintos, esta prova das três variedades de vinho de mesa foi mais bem sucedida com o branco e o rosé.

Concretizando:

O tinto 2015 mostrou os traços típicos dos tintos do Douro, com bastante concentração na cor e na estrutura e aroma frutado e floral, final de boca médio mas discreto, sem encantar. Bebe-se com facilidade, mas não se distingue por nenhuma característica que o realce em relação a muitos outros tintos do Douro com perfil semelhante.

Já o rosé mostrou-se suave, leve, aberto e aromático, bastante floral, com boa acidez e final vivo e vibrante. Já se tinha revelado como um rosé de boa categoria, e confirmou as impressões anteriores. Muito bem conseguido, é uma referência incontornável neste tipo de vinho.

Finalmente o branco, que também confirmou as boas impressões anteriores. Aromático e suave, com boa frescura e acidez, final elegante e persistente e uma boa estrutura que o tornam adequado para pratos requintados de peixe. Outra boa referência desta quinta. Não tem a classe do Vallado Prima, mas não lhe fica muito atrás.

Em resumo, fizeram melhor figura os vinhos menos referenciados mas que se distinguem por outra personalidade que o tinto não apresenta. Destaque para o grau alcoólico bastante moderado do branco e do rosé, que os tornam vinhos mais fáceis de beber e mais apetitosos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado

Vinho: Vallado 2015 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 6,61 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2016 (R)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,96 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado 2016 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Códega, Gouveio, Rabigato, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 5,75 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 26 de setembro de 2017

No meu copo 619 - Quinta do Sobreiró de Cima branco 2016

Mais um vinho pós-férias que surpreendeu. Pediu-se num almoço a acompanhar bacalhau assado na brasa e casou perfeitamente.
É um vinho fresco, aromático, guloso. Relativamente leve, bebe-se quase sem dar por isso, mas a sua frescura e acidez tornam-no apropriado para um prato mais exigente como o bacalhau, pois compensam a menor estrutura na boca. O final é elegante e suave mas persistente.
Requer nova prova para confirmar esta primeira boa impressão, mas para já recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta do Sobreiró de Cima 2016 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Quinta do Sobreiró de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Códega do Larinho, Moscatel Galego, Verdelho
Preço: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

No meu copo 618 - Esporão, Duas Castas 2015

Depois duma pausa para férias, tivemos de fazer outra pausa por motivos de luto, que arrefeceram o ânimo da escrita.

Passada uma semana da infausta ocorrência, voltamos com outro vinho branco pós-férias. Trata-se do Duas Castas 2015, um branco produzido no Esporão com base nas duas melhores castas do ano.

Já tivemos oportunidades de provar diversas colheitas deste vinho, umas mais entusiasmantes e outras menos. Mas esta, provavelmente, superou todas!

Produzida com 65% de Roupeiro e 35% de Alvarinho, revelou uma excelente frescura e uma acidez vibrante e crocante, aroma intenso com notas tropicais, final vivo e prolongado.

Esta poderá ter sido a melhor edição deste Duas Castas, e só tenho pena de não ter mais garrafas… Se o encontrarem por aí, comprem-no sem hesitação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão, Duas Castas 2015 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Roupeiro, Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

No meu copo 617 - Poço do Lobo, Arinto 1995

Depois duma pausa para férias, voltamos à escrita a tentar pôr a escrita em ordem. E não resisto a começar por um branco pós-férias, adquirido na Garrafeira Néctar das Avenidas que de vez em quando proporciona a aquisição de vinhos velhos e em particular das Caves São João.

Este é um monocasta Arinto de 1995 da Quinta do Poço do Lobo, que mostrou uma frescura e uma juventude surpreendentes. De cor amarelo carregado e aroma limpo, apresentou-se com boa frescura e acidez mas sem sinais de redução, corpo redondo e elegante, boa estrutura e final persistente.

Nem sempre me é fácil apreciar vinhos brancos velhos, que ficam muitas vezes com aromas apetrolados e algum mofo, mas este quase parecia jovem. Um jovem de 22 anos cheio de saúde e aparentemente com muita vida pela frente.

Se tiver oportunidade, voltarei a prová-lo. Mais uma vez, parabéns às Caves São João pela excelente conservação que faz dos seus vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Poço do lobo, Arinto 1995 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Casta: Arinto
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

No meu copo 616 - Pouca Roupa rosé 2016

Continuando na esfera da João Portugal Ramos Vinhos, recebemos este Pouca Roupa rosé, que mantém o perfil leve e descontraído com que foi criado. Aromático quanto baste, simples, leve e suave, com acidez suficiente para dar frescura na prova de boca e final agradável. Leves notas de frutos vermelhos e algum floral marcam o aroma. Foi especialmente apreciado pelo sector feminino que o provou.

Um vinho para, decididamente, beber com pouca roupa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pouca Roupa 2016 (R)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

domingo, 30 de julho de 2017

No meu copo 615 - Tons de Duorum branco 2016

Um branco de entrada de gama na Duorum Vinhos que tem vindo a manter uma consistência de qualidade surpreendente para o preço que custa.

Apresenta-se com muito boa frescura e acidez, vivo na prova de boca com aromas florais e cítricos intensos, com final de boca vibrante longo.

Não parece ter a qualidade que tem nem ser falado para aquilo que é mas a verdade é que dentro deste patamar de preços, não se encontra muito melhor, e também não é falado nem tem o estatuto que o conteúdo da garrafa justifica.

Um salto qualitativo surpreendente.

Obrigado à João Portugal Ramos Vinhos por esta garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Tons de Duorum 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Duroum Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,19 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 26 de julho de 2017

No Le Consulat (1) - Novas colheitas da Quinta de Cidrô



Mais um evento, mais uma extensa prova. Não há mãos a medir.

Foi num novo espaço surgido no Chiado, na Praça Luís de Camões, no edifício de um antigo hotel, que no passado dia 20 a Real Companhia Velha apresentou as suas novas colheitas da Quinta de Cidrô, constituídas por 4 vinhos brancos, 3 tintos e um rosé.

No 1º andar do nº 22 daquela emblemática praça lisboeta, está a surgir um novo conceito que, ao que parece, ainda vai ter mais novidades. Para além duma zona comum onde os muitos convidados – entre bloggers, jornalistas, escanções ou profissionais de marketing e comunicação – puderam provar os vinhos apresentados e degustar alguns petiscos que entretanto uma equipa de sala ia fazendo desfilar em pequenas travessas, existe também do lado direito um winebar (a visitar quando houver mais tempo) gerido por André Ribeirinho, conhecido criador do site Adegga e do evento Adegga Wine Market e agora parceiro tecnológico da nova revista Vinho – Grandes Escolhas, e do lado esquerdo irá surgir um restaurante gerido pelo Chef André Magalhães, que confeccionou os petiscos que pudemos provar (delicioso o de pato desfiado). Nesse mesmo espaço do lado esquerdo, numa pequena sala, decorreu uma prova comentada destes mesmos vinhos, destinada a profissionais do sector.

Terminada essa apresentação específica, os três representantes da Real Companhia Velha juntaram-se aos restantes convivas onde se provou os vinhos mais ou menos a gosto. Presentes estiveram o agrónomo responsável pelas vinhas, Rui Soares, o director comercial Pedro Silva Reis (filho) e o enólogo Jorge Moreira (na foto, da esquerda para a direita por esta ordem).

Em prova, os brancos monocasta da colheita de 2016, apresentados por ordem alfabética: Alvarinho, Chardonnay, Gewürztraminer e Sauvignon Blanc; o rosé de 2016, agora com a Touriga Franca a acompanhar a já habitual Touriga Nacional; e os tintos Pinot Noir de 2014, Touriga Nacional de 2015 e a grande surpresa, o Cabernet Sauvignon & Touriga Nacional de... 2008!

Quanto aos vinhos propriamente ditos, o que se pode dizer é que a Real Companhia Velha não deixou os seus créditos por mãos alheias e brindou-nos com mais 8 belíssimos vinhos, todos diferentes entre si mas com características e qualidades muito próprias que merecem ser apreciadas.

No que respeita aos brancos, sendo eu fã incondicional do Sauvignon Blanc da casa, confesso que o vinho que me encheu as medidas foi o surpreendente Gewürztraminer (ainda não aprendi a pronunciar este nome...), com uma acidez, um aroma e uma persistência notáveis, que o colocaram num patamar acima de todos os outros (são gostos, claro). Enquanto o Sauvignon Blanc cumpriu o que se esperava mas pareceu precisar de crescer algum tempo em garrafa, pois os aromas parecem estar um pouco presos, o Chardonnay também não surpreendeu, com um ligeiro aroma a madeira a sobressair no início mas a desvanecer-se no copo depois de algum tempo a arejar, ficando o Alvarinho como o mais discreto, tanto no nariz como na boca. Pelo menos na comparação com as outras três castas, todas elas de aroma muito intenso, ficou algo atrás.

O rosé, um dos meus preferidos, não pareceu ganhar com a incorporação da Touriga Franca, ficando um pouco mais dose. Prefiro-o mais seco como antes, embora a diferença não seja significativa.

Quanto aos tintos, o Pinot Noir apresenta aquele perfil mais delgado e menos concentrado que é habitual na casta, pedindo pratos delicados para se expressar. O Touriga Nacional é o que é, não surpreende com as notas florais e a frutos vermelhos a predominar.

O grande vinho foi mesmo o mais antigo, o lote de 2008 de Cabernet e Touriga. Disse Jorge Moreira que era pena não poderem vender todos os seus tintos com 9 anos de idade, como este. A verdade é que o vinho está... enorme! Aroma intenso e vinoso, grandes estrutura e persistência, ao mesmo tempo redondo na boca e com taninos elegantíssimos. Um portento! Este e o branco Gewürztraminer entram imediatamente para a lista das compras a fazer numa próxima oportunidade!

A título informativo, junto às fotos publicadas a informação técnica sobre cada um dos vinhos, fornecida na nota de imprensa. Os preços indicados são os recomendados pelo produtor, sabendo-se que no comércio podem existir grandes variações entre este PVP e aquele que está na prateleira.

Está de parabéns a equipa que deu vida a estes vinhos. A aposta na marca Quinta de Cidrô – na posse da Real Companhia Velha desde 1972, com 140 ha de vinha a servirem de base para um campo de experimentação vitivinícola, como é descrito na nota de imprensa – com origem em vinhos monovarietais ou bi-varietais tem dado excelentes resultados, com novos perfis de vinho a contribuírem para a imagem dum Douro mais moderno e mais variado, mostrando que é possível produzir vinhos elegantes e suaves, sem os excessos que marcaram a região há uma década, e que as castas vindas de fora também têm boas condições para vingar. Assim a mão do homem dê uma ajudazinha.

Obrigado à equipa da Real Companhia Velha e, como não podia deixar de ser, à incansável Joana Pratas, sempre na linha da frente na comunicação, pelo convite para este interessante (e importante) evento.

Kroniketas, enófilo assoberbado com provas

domingo, 23 de julho de 2017

No meu copo 614 - Stanley branco 2015; Stanley tinto 2013

Mais dois vinhos que desconhecia, a não ser pelo nome. Tive oportunidade de prová-los no restaurante da Fundação Oriente, e não deslustraram.

O branco, com duas das melhores castas portuguesas, mostrou-se à altura das exigências. Aroma com algum fruto tropical e algum floral, boa acidez e persistência, com final fresco e elegante. Um exemplar interessante da nova geração de brancos da região de Lisboa.

O tinto, por seu lado, foi produzido em terrenos arenosos da Península de Setúbal mas com castas exteriores à região (o mesmo acontece com o branco, mas aqui a proliferação e variedade de castas já é mais habitual): duas vieram do Douro e a Syrah veio de França.

Estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês apresentando as notas de madeira bem integradas no conjunto. Bom volume de boca, taninos suaves e final longo com alguma adstringência. Igualmente interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Fundação Stanley Ho

Vinho: Stanley 2015 (B)
Região: Lisboa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Verdelho, Alvarinho
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Stanley 2013 (T)
Região: Península de Setúbal
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de julho de 2017

No meu copo 613 - Quinta Vista tinto 2013

Não conhecia este vinho, não sabia de onde era, nunca tinha ouvido falar nele.

Numa ida esporádica à marina de Cascais, num almoço mais ou menos improvisado, pedi um copo de vinho e serviram-me o vinho da casa, que se veio a revelar... este.

Depois de procurar mais informação, fiquei então a saber que é da região de Alenquer. Não é um vinho surpreendente, nem que nos encante, mas revelou alguma personalidade e consegue-se beber com o agrado suficiente para justificar ser mencionado.

Em traços gerais, apresenta as características habituais nos vinhos da região de Lisboa. Alguma frescura a par duma certa adstringência, medianamente encorpado com alguma estrutura e persistência, com final medianamente longo marcado por algum tanino.

Não é especial, mas para aquilo que é bebe-se bem. Talvez valha a pena conhecer melhor este produtor.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta Vista 2013 (T)
Região: Lisboa
Produtor: Sociedade Agrícola Quinta do Conde
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Castelão, Syrah
Preço: 4 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 11 de julho de 2017

No meu copo 612 - Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas branco 2015

Este vinho foi comprado há um ano, na habitual promoção da Revista de Vinhos. Foi agora bebido a acompanhar peixe grelhado e superou todas a expectativas.

Revelou-se um vinho absolutamente gastronómico, a pedir até um prato mais elaborado e complexo. Com aroma predominantemente cítrico e alguma mineralidade, foi sobretudo na boca que surpreendeu, pela estrutura e complexidade apresentadas, com final longo, vivo e fresco, com boa estrutura mas macio e redondo, com um leve toque amadeirado muito bem integrado no conjunto.

É um daqueles raros vinhos que me conseguem sempre surpreender quando conseguem conjugar estrutura e persistência com suavidade e elegância. Merece ser novamente provado mas agora com um prato mais exigente, pois revela potencial para se bater com um repasto mais elaborado e complexo.

Muito bem esta combinação de castas, na linha da aposta de Paulo Laureano nas castas portuguesas. Este foi um tiro bem certeiro.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2015 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Fernão Pires
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 8 de julho de 2017

4º Bairradão em Lisboa


No final do passado mês de Maio decorreu no Hotel Real Palácio mais uma edição do Bairradão em Lisboa, que juntou produtores do Dão e da Bairrada no mesmo espaço.

Estiveram presentes alguns produtores dos mais representativos daquelas duas regiões, como se pode ver pela lista da imagem anexa.

Desta vez não houve oportunidade para participar na prova especial das colheitas de Cabernet Sauvignon da Caves São João, porque o dia era muito preenchido e apenas pude cirandar pelas mesas dos produtores com alguma brevidade. Detive-me sobretudo na mesa das Caves Messias, da Casa de Saima e da Casa da Passarela, da Adega de Cantanhede e no da Dão Sul/Global Wines, com a larga panóplia de vinhos da Quinta do Encontro e das várias marcas produzidas no Dão.

Num breve balanço da minha curta passagem pelo evento, ficou patente mais uma vez a importância deste evento e a participação massiva dos produtores, de modo a trazer estas duas fantásticas regiões ao encontro do público e aumentar a sua visibilidade. A qualidade dos vinhos está lá e é inegável, como os apreciadores sobejamente sabem. Falta apenas que o grande público também saiba e comece e render-se a estes vinhos que, sendo significativamente diferentes entre si, também não têm igual no país.

Mais uma vez está de parabéns a garrafeira Néctar das Avenidas, que continua a lutar contra a menor atenção que o consumidor dispensa a estas duas regiões. Pela nossa parte, aqui neste cantinho, continuaremos também a apoiar esta missão dentro do que nos for possível.

Continuem e contem connosco.

Kroniketas, enófilo esclarecido

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Hello Summer Wine Party 2017 no Hotel Marriott



Os eventos ligados ao vinho sucedem-se a um ritmo alucinante, superior à minha capacidade de comparência e ainda mais superior à minha capacidade de escrita com a frequência requerida. Tenho descrições para fazer… desde o ano passado, e ainda não consegui publicá-los...

Para tentar pôr alguma escrita em dia, vou começar pelo mais recente onde estive: a Hello Summer Wine Party 2017, que decorreu no dia 9 de Junho de 2017 no Hotel Marriott, em Lisboa, organizada pela revista Paixão pelo Vinho.

À semelhança de edições anteriores, o evento conta com a participação de vários produtores de vinho menos badalados, que não aparecem muitas vezes nos certames mais concorridos, além da possibilidade de provar alguns petiscos que vão sendo confeccionados no jardim. Desta vez pude participar em duas provas especiais que decorreram em paralelo, e acabaram por ocupar a maior parte do meu tempo: vinhos da casta Castelão apresentados por António Saramago e vinhos de Baga apresentados por Osvaldo Amado.

Relativamente aos stands, acabei por dar uma volta mais demorada pelos vinhos da Serenada, da Adega Cooperativa da Vidigueira e da Companhia das Lezírias, saltitando um pouco pelos outros mas sem possibilidade de grande permanência. Como vai sendo, infelizmente, habitual nestes eventos, os vinhos tintos quase nunca estão à temperatura adequada, o que obriga a nos centrarmos quase exclusivamente nos brancos e rosés. Entretanto as provas especiais começavam, pelo que me saí rapidamente do jardim...

A primeira prova constou da apresentação dos vinhos da casta Castelão produzidos por António Saramago na Península de Setúbal. O enólogo começou por caracterizar a casta e a sua história, passando-se depois à prova de vários néctares que abrangeram vários anos do século XXI. No geral os vinhos apresentaram-se bastante saudáveis e longevos, com as características aromáticas e de estrutura bem marcadas. Como é normal nestas ocasiões, os vários anos em prova apresentaram discrepâncias que não têm necessariamente relação com a idade dos vinhos, com diferentes tipos de evolução.

Quanto à prova dos vinhos de Baga da Adega Cooperativa de Cantanhede, tivemos a possibilidade de apreciar estes bairradinos em todo o seu esplendor, numa prova para verdadeiros apreciadores. Sem prejuízo para os magníficos aromas terciários dos vinhos mais velhos, o grande vinho em prova foi o da colheita de 2011, um néctar de excelência!

O que ficou desta prova foi o grande crescimento qualitativo da Adega Cooperativa de Cantanhede, que está a produzir vinhos que lhe permitirão guindar-se a um patamar entre os melhores da Bairrada. E mais uma vez o dedo de Osvaldo Amado contribui para este crescimento.

Ainda houve uma terceira prova especial com vinhos da Madeira, mas já não havia tempo nem estômago para mais.

Obrigado à equipa da Paixão pelo Vinho, e em particular à Maria Helena Duarte, por mais este evento.

Kroniketas, enófilo assoberbado

domingo, 2 de julho de 2017

No meu copo 611 - Tormaresca, Chardonnay 2016

Foi a segunda vez que tive oportunidade de provar este vinho, no mesmo local da primeira vez: o restaurante Come Prima.

Confirmou as boas impressões da prova anterior. Boa acidez, muita frescura na boca, aromas citrinos e tropicais, redondo na boca e com final vivo.

A repetir em mais ocasiões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tormaresca, Chardonnay 2016 (B)
Região: Puglia (Itália)
Produtor: Tormaresca, Soc. Agr. – Lecce
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 27 de junho de 2017

No meu copo 610 - Ninfa, Sauvignon Blanc 2015

Este foi a terceira experiência com este vinho, depois da prova das colheitas de 2013 e 2014.

Se as provas anteriores mostraram um vinho surpreendente e com potencial para se afirmar no panorama dos brancos, este 2015 parece mostrar já um valor seguro e que, ou muito me engano, ou ainda melhorou em relação aos anteriores.

Todo ele é elegância, harmonia e equilíbrio. Não prima por um aroma demasiado exuberante, mas mostra toda a frescura cítrica do Sauvignon Blanc com notas vegetais muito discretas, muito redondo na boca mas com boa estrutura e final vibrante mas suave.

O Fernão Pires parece, aqui, colocar algum travão no lado mais vegetal do Sauvignon, por um lado, e por outro confere-lhe uma estrutura mais envolvente. Um lote muito bem conseguido.

Em resumo: já é um dos meus brancos preferidos no país, e não tenho mais nada a acrescentar. Agora há que começar a explorar os outros vinhos deste produtor, mas a seu tempo lá chegaremos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Ninfa, Sauvignon Blanc 2015 (B)
Região: Tejo
Produtor: Sociedade Agrícola João Matos Barbosa & Filhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Sauvignon Blanc (95%), Fernão Pires (5%)
Preço em feira de vinhos: 6,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 23 de junho de 2017

No meu copo 609 - Quinta dos Termos tinto 2013

Também foi o primeiro contacto com os vinhos da Quinta dos Termos. E não começou bem.

Este tinto da colheita de 2013 mostrou-se muito aquém do expectável. Demasiado rústico na boca, sem ponta de elegância, parco de aromas, delgado na boca mas ao mesmo tempo cheio de arestas.

Espero que os Reserva façam outro jus à marca. Este é para esquecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Termos 2013 (T)
Região: Beira Interior
Produtor: Quinta dos Termos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Trincadeira, Tinta Roriz, Jaen
Preço em hipermercado: 3,99 €
Nota (0 a 10): 5

segunda-feira, 19 de junho de 2017

No meu copo 608 - Vallado Prima 2016

Este vinho chamava-se Vallado Moscatel Galego, tendo passado a chamar-se Vallado Prima e continuando a ser produzido apenas com esta casta.

Tal como na versão anterior, mantém-se com grande frescura e um belíssimo aroma frutado com algum floral. Apresenta aromas exóticos exuberantes e grande elegância. O grau alcoólico baixou para níveis ajuizados, que tornam o vinho mais leve e mais gastronómico.

Excelente para o tempo quente, apresenta uma estrutura e persistência que o tornam adequado para uma vasta gama de pratos e vai muito para além do vinho de Verão. Com pratos de peixe ou marisco, pode ser uma escolha universal adequada.

O preço poderá não ser dos mais simpáticos, mas a qualidade que apresenta justifica-o largamente e torna-o até barato para o prazer que proporciona. Um dos melhores brancos que bebi nos últimos tempos, e sem dúvida uma aposta garantida.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Vallado Prima 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 8,39 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 15 de junho de 2017

No meu copo 607 - Marka branco 2013

Este foi o primeiro contacto com um vinho deste produtor, Carlos Agrellos.

Adquirido por um preço simpático, apresenta-se com três castas tradicionais do Douro, que habitualmente marcam os vinhos com uma forte componente mineral.

Apresenta-se com aroma com algumas notas cítricas e algum floral, elegante e macio na boca, medianamente estruturado, persistência média e final fresco. Não é muito exuberante de aroma nem muito longo, mostrando-se assim como um vinho adequado para refeições ligeiras e pratos de Verão, não muito complexos.

Poderá ser interessante prová-lo nos dias mais quentes. Com o seu moderado grau alcoólico, poderá fazer uma boa parceria com saladas ou mariscos.

O preço é atractivo. A rever noutra oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Marka 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Durham-Agrellos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Gouveio, Viosinho, Moscatel Galego
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 11 de junho de 2017

No meu copo 606 - Quinta dos Quatro Ventos 2008

Um vinho das Caves aliança no Douro, já aqui anteriormente provado, e bebido agora já com uma idade respeitável.

Apresenta-se elegante e macio na boca, mas com boa estrutura e persistência média, taninos firmes mas suaves. No aroma predominam frutos vermelhos maduros, com algumas notas de especiarias. Um bom vinho do Douro para quem gosta dos mais elegantes, mas com um preço algo elevado na relação qualidade-preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Quatro Ventos 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Aliança - Vinhos de Portugal
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 11,99 €
Nota (0 a 10): 8


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Hello Summer Wine Party 2017


É já amanhã, noite de lua cheia, que se realiza mais uma edição da Hello Summer Wine Party, numa realização conjunta da revista Paixão Pelo Vinho e do Hotel Marriott, em Lisboa.

O evento decorrerá entre as 17 e as 23 horas nos jardins do hotel e para além de muitos dos melhores vinhos portugueses permitirá também provar vinhos da Moldávia e assistir a provas especiais, mediante a aquisição do respectivo ingresso.

As Krónikas Viníkolas estarão lá, e aguardamos a informação sobre a possibilidade de assistir a uma das provas especiais, pois o número de lugares é limitado.

Será possível também provar alguns petiscos e iguarias da autoria de António Alexandre, Chef Executivo do Lisbon Marriott Hotel.

Mais informações na página do evento no Facebook.

Kroniketas, enófilo informado

terça-feira, 6 de junho de 2017

Vinhos biológicos, naturais e outros que tais



No filme 007 - Moonraker (Uma aventura no espaço), de 1979, com Roger Moore no protagonista, lá para o fim do filme o vilão Drax encontra James Bond no seu vaivém espacial, depois de várias tentativas para o matar ao longo do filme, e diz-lhe:
“James Bond! Aparece com a regularidade inevitável duma estação indesejada”.

Lembrei-me desta frase a propósito das modas do vinho. Também é cíclico: já se sabe que, com uma regularidade inevitável, lá somos “educados” com os ditames da “moda”, do que “o mercado quer”, dos “gostos do consumidor” – coisa tão comprovável como as aparições de Fátima ou a existência de homenzinhos verde em Marte com antenas na cabeça...

Isto para já não falar, obviamente, do chavão parolo instituído no país sobre o “melhor vinho do mundo” sempre que algum vinho português ganha uma medalha de ouro num qualquer concurso lá fora...

Basta recuar uma década para chegarmos ao tempo da “moda” dos vinhos feitos segundo “o que o mercado quer”, com carradas de álcool, toneladas de madeira e montanhas de açúcar, que invadiram as prateleiras durante anos, porque um senhor de nome Robert Parker – uma espécie de guru da enocrítica – decidiu que esses vinhos é que eram bons e portanto toda a gente tinha de fazer vinhos para agradar ao senhor Robert Parker. O exagero chegou a um ponto em que comecei a olhar para a graduação alcoólica dos vinhos antes de os comprar e a rejeitar todos os vinhos a partir de 14º (coisa complicada a certa altura, pois quase não havia outros), porque já estava farto de beber xaropadas e aquilo que alguém de forma muito feliz baptizou como “pau líquido”. Agora parece que, afinal, a “moda” já está a ir no sentido contrário.

Veio depois a unanimidade sobre a Touriga Nacional. Foi “decretado” que esta é A GRANDE casta tinta portuguesa e a única que deve ser mostrada ao mundo como lídima representante das castas tintas nacionais. Vai daí, toca a plantar Touriga Nacional de norte a sul, esquecendo o Aragonês, a Trincadeira, a Tinta Caiada, a Baga, o Castelão, o Alfrocheiro, o Jaen, a Touriga Franca, o Tinto Cão ou a Tinta Barroca, numa verdadeira touriguização dos vinhos portugueses que levou mesmo o director da Revista de Vinhos, Luís Lopes, a escrever um artigo de opinião na edição de Novembro de 2008 em que a comparava a uma epidemia, e a sugerir, meio a sério meio a brincar, que se criasse uma ZLTN (Zona Livre de Touriga Nacional) nas vinhas e nos vinhos portugueses que lhe permitisse livrar-se da touriguite aguda de que já padecia.

Mais recentemente, no mundo dos brancos, descobriu-se o Encruzado no Dão. Toca a fazer monocastas de Encruzado em todo o lado, porque o Encruzado é que é. Esqueçam lá isso da Malvasia Fina, do Cerceal, da Bical, do Arinto ou do Verdelho.

Vem isto tudo a propósito daquilo que agora nos é anunciado como o novo paraíso, the next big thing: os vinhos naturais e os vinhos biológicos. Até está anunciado para estes dias em Cascais um colóquio, o Wine Summit Cascais'17, que vai debater o tema, tal a sua relevância.

Ou não? Parece que há alguma confusão logo na designação, porque os biológicos podem não ser naturais e os naturais podem não ser biológicos. Parece que o preço de tais vinhos também não será um grande atractivo.

Então porquê esta doutrina? Dizem-nos que é por causa da não utilização de produtos artificiais. Nem conservantes que impeçam o vinho de se tornar vinagre dentro da garrafa rapidamente, nem controlo de doenças nem de pragas. Porque, parece, dizem-nos, é com isso que o consumidor está preocupado...

Está???

Perante isto, fico cheio de dúvidas – eu sou um tipo que, ao contrário do outro, tenho muitas dúvidas e engano-me frequentemente. Se a intenção é deixar que toda a natureza faça o trabalho na vinha, será que a rega é permitida? Para que serve, então, o enólogo? Para que servem os cursos de enologia e os estágios em Bordéus, na Califórnia, na Austrália e na Nova Zelândia? Serão o Barca Velha, o Petrus ou o Romanée Conti indignos de apreço e do preço que custam por serem “vinhos não naturais”? E não será a utilização de porta-enxertos de vinhas americanas artificial? Porque não voltar às vinhas em pé-franco e rezar para que a filoxera não apareça outra vez por aí? Se calhar vem já aí a seguir o regresso ao inefável “vinho caseiro” que se faz nas aldeias, por métodos ancestrais absolutamente naturais, e que produz excelentes zurrapas que não aguentam 3 meses no garrafão!

Não sei porquê, mas toda esta conversa faz-me lembrar outras do género. Porque não deixar de vacinar as crianças, como alguns pais já fazem, e esperar que as doenças se curem por métodos naturais e não matem as pessoas? Porque não deixar de usar antibióticos e outros medicamentos que serviram para erradicar doenças como a varíola? Porque não deixar de usar desinfectantes nas feridas e esperar que se curem sozinhas? Porque não deixar de ter filhos nas maternidades e voltar a tê-los em casa com uma parteira, como no tempo dos nossos avós? E já agora, porque não acabar também com os contraceptivos e usar apenas os “métodos naturais”, como sempre defendeu a igreja católica?

Desculpem lá o desabafo, mas isto sou eu que não percebo nada disto, sou apenas um comprador que gosta de saber se aquilo que bebe justifica aquilo que paga. Não sei donde é que estas coisas surgem e, francamente, não estou nada preocupado com isso. Mas causa-me uma certa urticária que, de cada vez que alguém se lembra de decretar uma nova “moda”, surja imediatamente uma farta legião acrítica de seguidores, que alinham bovinamente naquilo que lhes é transmitido. Quanto à suposta preocupação do consumidor com os tais vinhos “naturais”, vou esperar para ver. E já agora, gostava de saber que estudos há – se é que os há – que comprovem que o consumidor está muito preocupado com a sustentabilidade da agricultura que dá origem aos vinhos que bebe.

Eu só gostava que deixassem de pensar que os consumidores são todos parvos e ignorantes e que engolem (literalmente) todas as patranhas que lhes querem vender. Como sempre fui avesso às modas, considero que estas só têm uma coisa boa: é que, por serem apenas isso, passam de moda. Felizmente. E felizmente que ainda vão subsistindo uns resistentes, qual aldeia gaulesa do Astérix, que teimam em vogar contra a corrente. Como Dirk Niepoort que se atreve a dizer que “menos é mais” (menos concentração, menos doçura, menos álcool, menos madeira); como Luís Seabra que tem o arrojo de dizer que não gosta muito da Touriga Nacional porque tem tendência a marcar demasiado os vinhos e torna-los quase iguais; como Luís Pato, que teima em fazer tintos de Baga na Bairrada e deixá-los envelhecer; ou como Mário Sérgio Nuno que se está nas tintas para a certificação Bairrada nos rótulos. Ainda bem que estes nunca estão na moda, pois fazem vinhos que nunca passam de moda e, por isso, podem beber-se em qualquer altura.

Kroniketas, enófilo fora de moda

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Vinho - Grandes Escolhas



No passado dia 12 de Maio foi apresentada a nova revista dedicada essencialmente ao tema do vinho: Vinho - Grandes Escolhas.

A história é conhecida dos enófilos e conta-se rapidamente. A equipa redactorial da Revista de Vinhos saiu em bloco em Março passado, deixando nas mãos da administração da Masemba o futuro da revista. Esta estabeleceu uma parceria com a Essência do Vinho que tomou conta do projecto, fazendo transitar para a RV o corpo redactorial da revista Wine, que deixou de ser publicada com este nome.

A equipa demissionária da RV, entretanto, meteu mãos à obra e criou um novo projecto a que deu o nome Vinho - Grandes Escolhas. Foi essa equipa em peso que esteve na apresentação em Montes Claros, no parque de Monsanto em Lisboa, onde se juntaram apreciadores, jornalistas, bloggers, produtores e enólogos. Usaram da palavra o director e fundador da antiga revista e agora da nova revista, Luís Ramos Lopes, e o director da área de negócios, João Geirinhas Rocha, que o acompanhou ao longo destas quase três décadas.

A expectativa era grande, o primeiro número da nova revista estava disponível e as primeiras impressões pareceram trazer alguma linha de continuidade com algumas adaptações gráficas, mantendo-se o essencial do tipo de conteúdos e trazendo algumas novidades que ainda parecem estar por estabilizar. Pelo que foi possível saber das opiniões recolhidas, o futuro promete e os mais fiéis da antiga RV vão provavelmente continuar a acompanhar a mesma equipa na nova revista.

Quanto à antiga revista com a nova equipa, após dois números publicados a polémica já anda no ar devido a algumas práticas algo questionáveis, sendo que a capa e o nome se mantiveram mas o conteúdo não tem nada a ver com o anterior. Fica a pairar a pergunta se terá valido a pena manter um nome histórico no panorama editorial do mundo vinícola em vez de simplesmente acabar com ele...

Daqui para a frente, iremos ter duas entidades a realizar eventos com nomes parecidos em datas quase sobrepostas. Esse será, provavelmente, o grande barómetro da adesão do público. Em Outubro e Novembro haverá dois “encontros com o vinho”: o antigo no mesmo local, Centro de Congressos de Lisboa, organizado pela antiga RV com a nova equipa, e um novo noutro local, a FIL no Parque das Nações, organizado pela nova revista com a antiga equipa. Para já, esta parece ter partido à frente: já organizou a 6ª edição do Festival de Vinho do Douro Superior e marcou o próximo encontro com o vinho não só para um local maior e de mais fácil acesso como para uma data anterior. Mesmo tendo montado um novo projecto em apenas dois meses, a nova Vinho - Grandes Escolhas parece ter já partido à frente.~

Boa sorte é o que lhes desejamos. Quanto à concorrência, os meses que vão decorrer até ao fim deste ano dar-nos-ão, certamente, boas pistas sobre quem vai marcar mais pontos junto dos leitores. Mas a percepção que se colhe é que a mudança de revista também vai arrastar consigo uma grande mudança de leitores. Há uma tradição que gera confiança dum lado e desconfiança do outro. A ver vamos.

Kroniketas, enófilo expectante

sábado, 27 de maio de 2017

No meu copo 605 - Vinha Maria Premium 2015

Este foi um vinho comprado numa promoção de hipermercado, daquelas que deixam qualquer um de pé atrás: o preço de prateleira era 9,99 € com um desconto imediato de 7 €. Sendo assim, o preço de venda real era de 2,99 €. No contra-rótulo a indicação de que é produzido e engarrafado por Global Wines em Carregal do Sal, e é tudo.

Perante tal pechincha, e mais por curiosidade que outra coisa, resolvi comprar uma garrafa para ver o que estava ali. Entretanto fiquei a saber que esta é uma gama que foi criada especificamente para o grupo Sonae e só estará à venda nos supermercados do grupo, pelo que a política de preços é de exclusiva responsabilidade do revendedor.

Tudo somado, o vinho até não é mau. O primeiro impacto olfactivo é agradável e intenso, com predominância a frutos vermelhos, Na boca aparece algo fechado no início, abrindo depois no copo para um vinho elegante mas com alguma estrutura e boa persistência, apresentando-se suave e redondo.

No balanço, e embora estas megapromoções sejam sempre de desconfiar, o vinho não vale os 9,99 € que estão na etiqueta mas vale um pouco mais que os 2,99 € que se dá por ele. Mas se é este o pressuposto do negócio, as partes saberão as linhas com que se cosem. Apesar de tudo, quem o levar para casa não fica mal servido.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha Maria Premium 2015 (T)
Região: Dão
Produtor: Global Wines
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em hipermercado: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


terça-feira, 23 de maio de 2017

No meu copo 604 - Pedra Cancela Castas Nativas 2012

A prova deste vinho foi algo decepcionante, coisa a que não estamos habituados nos vinhos Pedra Cancela.

No aroma apresentou-se discreto, o corpo ligeiro, na boca com pouca estrutura, final curto. Não há muito mais para dizer, certamente foi apenas uma excepção ao bom nível que costuma ser norma desta casa. Pode ter sido apenas azar com uma garrafa que não evoluiu como se esperava. Esperemos pela próxima.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pedra Cancela Castas Nativas 2012
Região: Dão
Produtor: Pedra Cancela Vinhos do Dão
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 19 de maio de 2017

No meu copo 603 - Quinta do Cerrado: Reserva tinto 2011; Encruzado branco 2012

Eis uma marca que conheço há um ror de anos, mas que tenho bebido pouco. A única menção neste blog a um vinho deste produtor já data de há mais de 7 anos, e foi um branco de Malvasia Fina.

Agora surgiu esta ocasião para provar (por duas vezes) o branco de Encruzado e o tinto Reserva.

O Reserva tinto mostrou uma cor granada com aroma predominante a frutos vermelhos e alguma notas de madeira. Na boca apresenta-se com boa estrutura mas com elegância, taninos redondos e final médio a longo. É bom sem ser excelente.

Quanto ao branco de Encruzado, do qual já tinha boas referências, foi uma bela revelação. Um excelente exemplar da casta da moda no Dão, que se apresenta aqui com vários anos de garrafa pleno de saúde, frescura, acidez e persistência, com uma cor citrina brilhante sem sinais de oxidação tanto na cor como no aroma.

Fermentou em 30% em barricas de carvalho, sem dar quaisquer sinais de excesso de madeira, muito bem integrada no conjunto.

Para saber o que o Encruzado nos pode dar de melhor e como pode evoluir bem em garrafa, aqui está um excelente exemplar. Poderá ser um dos melhores brancos do Dão e, porventura, do país.

Imperdível! Recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: União Comercial da Beira

Vinho: Quinta do Cerrado Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz e Jaen
Preço em feira de vinhos: 6,85 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta do Cerrado, Encruzado 2012 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Encruzado
Preço em feira de vinhos: 5,62 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 15 de maio de 2017

No meu copo 602 - Casa da Passarela Vinhas Velhas 2008

Esteve em repouso na garrafeira, à espera de ser bebido em boa ocasião e boa companhia. Ao contrário da generalidade dos vinhos da casa, não se mostrou muito exuberante de aromas nem muito expressivo na boca, com final algo curto.

Poderia estar a atravessar uma fase de evolução menos favorável, talvez num patamar de instabilidade, pois as expectativas eram superiores. A rever numa próxima ocasião.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela Vinhas Velhas 2008 (T)
Região: Dão
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: provenientes de vinhas velhas
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 11 de maio de 2017

No meu copo 601 - Bella Superior 2012

Este tinto do Dão foi adquirido com a Revista de Vinhos de Fevereiro de 2014. Desconhecia em absoluto esta marca e este produtor.

Esperei estes anos para abri-lo com a intenção de não o beber demasiado jovem. Bebido agora com 5 anos de idade mostrou estar a caminho da maturidade. Apresentou-se macio, suave e redondo, com boa presença na boca, taninos macios e final elegante com boa persistência. Para novidade, portou-se bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bella Superior 2012 (T)
Região: Dão
Produtor: Quinta do Dão Bella Encosta, Soc. Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 5 de maio de 2017

600 provas - Resumo de vinhos

Foram estes os vinhos provados durante a sexta centena de posts.

Espumantes
Herdade do Perdigão Bruto 2014 - 8
Marquês de Borba Bruto rosé - 8
Montanha Real Grande Reserva Bruto 2009 - 8



Rosé

Douro
Quinta de Cidrô rosé 2014 - 8

Bairrada
Frei João 2013 - 7,5

Tejo
Lagoalva 2014 - 7,5
Quinta do Casal Monteiro 2015 - 3

Alentejo
Pouca Roupa 2014 - 7



Brancos

Verdes
Aveleda Colheita Selecionada, Alvarinho 2014 - 7,5
Follies, Alvarinho-Loureiro 2012 - 7,5
Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2014 - 7
Quinta da Calçada Reserva 2013 - 7,5

Douro
Aveleda 2013 - 7,5
Planalto Reserva 2015 - 7,5
Quinta de Cidrô, Alvarinho 2013 - 8

Dão
Pedra Cancela Seleção do Enólogo branco 2012 - 7,5

Bairrada
Aveleda Reserva da Família 2011 - 7,5
Campolargo 2015 - 7,5
Diga? 2009 - 8,5

Tejo
Cabeça de Toiro Reserva 2015 - 7
Fiúza 3 Castas branco 2013 - 7,5
Fiúza, Chardonnay 2015 - 7
Lagoalva Talhão 1 2014 - 7,5
Ninfa, Sauvignon Blanc 2014 - 8
Quinta da Alorna, Arinto 2010 - 7,5

Lisboa
Quinta de Pancas 2015 - 7
Quinta do Gradil, Sauvignon Blanc e Arinto 2013 - 7,5
Quinta dos Plátanos 2013 - 7,5

Bucelas
Quinta do Boição Reserva, Arinto 2012 - 8

Península de Setúbal
Adega de Pegões, Chardonnay e Arinto 2011 - 5
BSE (Branco Seco Especial) 2014 - 7
Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc e Verdelho 2012 - 8
Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2014 - 8,5
Quinta da Bacalhôa 2012 - 8
Quinta de Camarate Seco 2014 - 7
Terras do Pó, Chardonnay e Viognier 2014 - 6,5

Alentejo
Herdade do Peso 2014 - 7
Invisível, Aragonês 2013 - 8
Monte Velho Edição Manta Alentejana 2015 - 7,5
Pouca Roupa 2014 - 7,5
Sossego 2015 - 7
Terrenus 2013 - 7
Vidigueira Grande Escolha (Ato V - A Decisão) 2014 - 8
Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 - 7,5
Vila dos Gamas, Antão Vaz (Ato II - A Partida) 2015 - 7
Vila Santa Reserva 2015 - 8

Algarve
Marquês dos Vales Primeira Selecção 2013 - 7,5



Tintos

Douro
Cabeça de Burro Reserva 2011 - 7,5
Desconhecido 2013 - 8
Douro Sogrape Reserva 2000 - 8,5
Escada Reserva 2007 - 8
Tons de Duorum - 6,5

Dão
Casa da Ínsua 2012 - 7,5
Casa da Passarela Reserva 2009 - 8
Caves São João: 93 anos de história 2011 - 8
Paço dos Cunhas de Santar Nature 2012 - 8
Pedra Cancela Eco-Friendly 2011 - 8
Quinta do Sobral Reserva 2010 - 5

Bairrada e Beiras
2221 Terroir de Cantanhede 2011 - 9
A Jovem Calda Bordaleza 2011 - 8
Casa de Saima Garrafeira, Baga 2008 - 8
Caves São João Reserva Particular 1975 - 8,5
CR&F Garrafeira 1980 - 8
Dom Teodósio Garrafeira 1985 - 9
Frei João 1990 - 8
Frei João Reserva 1978 - 8,5
Messias Garrafeira 1983 - 8
Quinta do Valdoeiro, Cabernet Sauvignon 2011 - 8
Vilarinho do Bairro Garrafeira 1983 - 8

Tejo
Cabeça de Toiro Reserva 2012 - 8
Conde de Vimioso Reserva 2012 - 8,5
Coudel-Mor Reserva 2011 - 8
Fiúza, 3 Castas 2014 - 7,5
Fiúza Premium, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 - 7,5
Marquesa de Alorna Reserva 2008 - 8,5
Quinta da Lagoalva de Cima, Syrah e Touriga Nacional 2010 - 7,5

Lisboa
Gaeiras Colheita Seleccionada 2010 - 7,5
Quinta de Pancas 2014 - 7,5
Quinta de Pancas Reserva 2008 - 7
Quinta do Gradil, Touriga Nacional e Tannat 2009 - 7

Colares
Beira Mar -7,5

Península de Setúbal
Adega de Pegões, Aragonês 2013 - 8
Adega de Pegões, Cabernet Sauvignon 2012 - 8
Adega de Pegões, Touriga Nacional 2013 - 7
Casa Ermelinda Freitas, Alicante Bouschet 2012 - 8
Casa Ermelinda Freitas Reserva, Syrah 2013 - 8
Casa Ermelinda Freitas Reserva, Touriga Franca 2013 - 7
Quinta de Camarate 2012 - 7,5

Alentejo
Alentejo Sogrape Reserva 2000 - 8,5
Barrancos - Castelo de Noudar Colheita Seleccionada 2011 - 8
Cortes de Cima, Homenagem a Hans Christian Andersen 2007 - 9
Esporão Reserva 2009 - 8
Herdade do Peso, Aragonês 2000 - 8
Herdade do Peso 2003 - 7,5
Herdade do Peso Reserva 2003 - 8,5
Herdade do Peso 2013 - 7,5
Loios 2011 - 7
Marquês de Borba 2011 - 8
Monte da Raposinha 2012 - 4
Monsaraz Reserva 2011 - 7
Monte Mayor Reserva 2013 - 6
Monte Mayor Reserva 2014 - 7,5
Monte Velho Edição Manta Alentejana 2015 - 7,5
Mouchão 2005 - 8
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2003 - 8,5
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2004 - 8
Reguengos Reserva 2011 - 8
Sossego 2014 - 5
Tapada de Coelheiros 2008 - 8,5
Terra Lenta Premium 2015 - 7
Terras de Monforte Escolha 2012 - 8
Terras do Marquês 2014 - 8
Terrenus 2012 - 7
Vale Barqueiros Limited Edition Garrafeira 2007 - 8
Vidigueira, Alicante Bouschet (Ato IV - A Inspiração) 2014 - 7,5
Vidigueira Grande Escolha (Ato V - A Decisão) 2012 - 8
Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 - 7,5
Vinha da Tapada de Coelheiros 2013 - 8
Vinha do Almo Escolha 2014 - 7
Vila dos Gamas Master Collection (Ato II - A Partida) 2014 - 7,5
Vinha da Defesa 2011 - 7,5



Estrangeiros

Brancos
Domaine Félix branco 2014 - 8
Sauternes Château de l’École 2010 - 8,5
Villa Maria, Sauvignon Blanc 2015 - 7,5

Tintos
Campobarro Reserva 2011 - 8

segunda-feira, 1 de maio de 2017

No meu copo 600 - Tintos velhos da Bairrada (9)

CR&F Garrafeira 1980; Messias Garrafeira 1983; Vilarinho do Bairro Garrafeira 1983; Dom Teodósio Garrafeira 1985

  

Para assinalar mais uma centena de posts (a 6ª) dedicados a vinhos provados à mesa, nada melhor do que voltar à senda dos vinhos velhos da Bairrada, agora com os restos de colecção de algumas verdadeiras relíquias. São os últimos exemplares que foram ficando guardados durante anos na garrafeira e que agora temos ido desbastando a pouco-e-pouco. Algumas destas marcas já nem sequer existem, tendo sido absorvidas por outros produtores que entretanto foram surgindo.

Uma das empresas clássicas era a Carvalho, Ribeiro & Ferreira, que produzia vinho em várias regiões e um Garrafeira com o próprio nome, que há algum tempo tivemos a possibilidade de provar. Este Bairrada CR&F Garrafeira de 1980 foi um vinho de que adquiri inúmeras garrafas durante a década de 90, em locais diversos. Tornou-se um caso de paixão, que me levou a construir um stock em quantidade suficiente para sobreviver durante cerca de duas décadas. Foi consumido com parcimónia, na companhia de apreciadores do género, que foram acompanhando a sua evolução em garrafa. A partir de certo ponto entrou num patamar de estabilidade donde parece não sair mais. Não decaiu nem melhorou. Era um vinho bem estruturado mas elegante, macio, persistente e de cor rubi aberta. Manteve esse perfil ao longo dos anos, agora naturalmente com muito menor vivacidade mas ainda com acidez suficientemente presente para não se tornar chato nem morto. Devido à sua extrema delicadeza, bebemo-lo preferencialmente com bifes à café, não excessivamente temperados mas bem regados com molho, e foi sempre uma excelente parceria.

Outro caso semelhante foi o Messias Garrafeira de 1983, também com um stock que durou anos. Tivemos, aliás, oportunidade de o partilhar com os participantes no 1º encontro de eno-blogs, há uns anos. Era um vinho mais pujante e muito aromático, mas que entrou também numa fase de equilíbrio precário, precisando por isso de ser tratado com todos os cuidados, mas mostrou que valeu a pena mantê-lo na garrafeira até aqui.

Da mesma idade, outra marca que se vê pouco e do tempo em que os vinhos tinham 11 ou 12% de álcool. Este Garrafeira 1983 da Adega Cooperativa de Vilarinho do Bairro também fez as nossas delícias em tempos, e na sua época foi muito bem classificado no Guia Comporta de Vinhos Portugueses, que se publicava na década de 90 do século passado. Também sobreviveu à prova do tempo e chegou a esta fase pleno de saúde, ainda com alguma pujança (quanto baste...) e aroma “quase” jovem.

Finalmente, um vinho uma década mais novo. As Caves Dom Teodósio foram um dos produtores absorvidos pela actual Enoport, que engloba também as antigas Caves Velhas. Este Dom Teodósio Garrafeira de 1995, oriundo do produtor original, estava fantástico. Cheio de vigor, estrutura e frescura, bouquet profundo, aromas terciários intermináveis. Estagiou primeiro em barricas de carvalho e depois um ano garrafa para obter a designação de “Garrafeira”. Em termos de cor e estrutura fez-me lembrar o Caves São João Reserva Particular de 1959, que provei na visita guiada àquele produtor. Um daqueles Bairrada à moda antiga, provavelmente um dos últimos exemplares que se conseguiu encontrar à venda, e que deixa saudades.

Todos eles deixam saudades.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: CR&F Garrafeira 1980 (T)
Produtor: Carvalho, Ribeiro & Ferreira
Grau alcoólico: 11,5%
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Messias Garrafeira 1983 (T)
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 11,5%
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vilarinho do Bairro Garrafeira 1983 (T)
Produtor: Adega Cooperativa de Vilarinho do Bairro
Grau alcoólico: 11,5%
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Dom Teodósio Garrafeira 1985 (T)
Produtor: Caves Dom Teodósio
Grau alcoólico: 12%
Castas: Baga, Castelão, Tinta Pinheira
Nota (0 a 10): 9