Mostrar mensagens com a etiqueta Tras-os-Montes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tras-os-Montes. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de maio de 2018

No meu copo 675 - Valle Pradinhos rosé 2016

Eis um rosé dos novos tempos e que reflecte aquilo que, na minha opinião de consumidor, deve ser um rosé.

Abstraindo da cor desmaiada, a tender quase para o incolor (uma moda que, como todas as modas, será apenas uma tendência passageira), o que interessa verdadeiramente, o aroma, o corpo e o sabor, estão no ponto certo.

O aroma é frutado e delicado, com notas florais e de frutos vermelhos silvestres. Na boca é leve, suave e macio, com boa e refrescante acidez, com um final elegante e vivo.

Foi muito apreciado, até por quem diz que não gosta de rosés...

Muito apelativo para ocasiões descontraídas. Uma excelente opção para o Verão, e mais um para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valle Pradinhos 2016 (R)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,35 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

No meu copo 627 - Flor do Tua Reserva tinto 2014

Os vinhos com denominação Trás-os-Montes estão agora a fazer o seu caminho desde que, de certa forma, se autonomizaram dos vinhos com denominação Douro – ainda não há muito tempo tivemos oportunidade de provar um branco de Valpaços que foi uma excelente surpresa. Não há muitos anos, o que não cabia nos DOC Douro era classificado como Regional Trás-os-Montes (um exemplo claro era o Bons Ares, da Ramos Pinto, que não é DOC porque tem o Cabernet Sauvignon no lote que o compõe).

Entretanto os regulamentos vão mudando (em Portugal regula-se tudo um pouco e nos vinhos não é excepção), aparecem regiões, desaparecem sub-regiões ou muda tudo de nome (ainda estou para perceber para que é que há tanta região e sub-região num país com uma área de vinha total menor que a da região de Bordéus, mas essa é outra conversa). Agora temos vinhos regionais durienses, transmontanos, minhotos, beira atlântico, terras do Dão e sei lá que mais. E temos, então, também os DOC Trás-os-Montes.

É o caso deste Flor do Tua, provado ao almoço num restaurante em Lisboa a acompanhar umas belas costeletas de novilho. Os tintos têm algumas características semelhantes aos do Douro (o que é normal, pois a quase totalidade da região fica geograficamente situada em Trás-os-Montes), mas frequentemente apresentam um perfil menos concentrado e menos carregado de cor, com menos álcool e mais suaves na prova de boca.

Proveniente da zona de Mirandela, este Flor do Tua fica algures a meio caminho. É realmente um vinho mais aberto e macio, embora bastante alcoólico. No aroma evidencia frutos vermelhos e na boca mostra-se bem estruturado embora não pesado, com taninos redondos a moldarem o conjunto.

Um vinho e um produtor para acompanhar com alguma atenção.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Flor do Tua Reserva 2014 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Essência do Douro, Wines and Gourmet
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 7 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 26 de setembro de 2017

No meu copo 619 - Quinta do Sobreiró de Cima branco 2016

Mais um vinho pós-férias que surpreendeu. Pediu-se num almoço a acompanhar bacalhau assado na brasa e casou perfeitamente.
É um vinho fresco, aromático, guloso. Relativamente leve, bebe-se quase sem dar por isso, mas a sua frescura e acidez tornam-no apropriado para um prato mais exigente como o bacalhau, pois compensam a menor estrutura na boca. O final é elegante e suave mas persistente.
Requer nova prova para confirmar esta primeira boa impressão, mas para já recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta do Sobreiró de Cima 2016 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Quinta do Sobreiró de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Códega do Larinho, Moscatel Galego, Verdelho
Preço: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

No meu copo 213 - Bons Ares 2003

Este já é um clássico cá em casa. Este ano apareceu na feira de vinhos do Jumbo a um preço imbatível (normalmente está 2 ou 3 euros acima) e é um daqueles que dificilmente nos desilude. Depois da última experiência com a colheita de 1999, comprada em 2003 e provada em 2007, agora resolvi não esperar mais de um ano para provar a colheita de 2003.

Proveniente da Quinta dos Bons Ares, situada a 600 m de altitude na freguesia da Touça, no Douro Superior, uma das duas quintas que dão origem ao principal ícone da Ramos Pinto, precisamente chamado Duas Quintas (a outra é a Quinta de Ervamoira), feito de um casamento entre a Touriga Nacional (60%) e o Cabernet Sauvignon (40%) e com 6 meses de estágio em madeira, continua com o perfil habitual, encorpado e persistente, embora desta vez tenha aparecido mais macio na boca, menos pujante do que é costume. Mais uma vez fica a dúvida: estará a atravessar um patamar de evolução para cima, para baixo ou no ponto ideal? Curioso que me surja esta dúvida com sucessivas colheitas de 2003 no Douro...

Este 2003 pareceu-me uns pozinhos abaixo do 2002 (provado em 2006) mas não desmerece o nome que ostenta. Como foi experiência única com esta colheita, vamos ver o que nos dá a de 2005, última garrafa adquirida (agora com a denominação de Vinho Regional Duriense).

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bons Ares 2003 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 9,57 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

No meu copo 212 - Evel Grande Escolha 2003; Grantom 2001

Continuamos nos domínios da Real Companhia Velha, com mais dois tintos. Um é uma versão nova de um vinho antigo, o Evel; o outro, o Grantom, é um regional Trás-os-Montes.

Este Evel Grande Escolha, existente há menos de 10 anos e que pretende ser o topo de gama da casa, pôs-me algumas dúvidas quanto ao momento de consumo. Adquirido com a Revista de Vinhos em 2006, portanto ainda relativamente novo, decidi esperar algum tempo, seguindo aliás o conselho que a revista dava, mas a dúvida era sempre a mesma, uma vez que não conhecia o vinho: até quando?

A verdade é que quando eu e o tuguinho resolvemos abri-lo, com menos de 5 anos de idade, revelou-se algo decepcionante. Estávamos à espera dum vinho pujante e com alguma exuberância aromática, mas não foi nada disso que encontrámos. Apareceu com os aromas algo escondidos e muito redondo e linear na boca. É, aliás, uma situação algo recorrente em certos vinhos do Douro, possivelmente terá acontecido o mesmo com a prova do Quinta dos Aciprestes Reserva 2003, referido no post anterior, ou então já passou a melhor fase, o que é duvidoso dada a sua idade.

Como havia mais vinhos em prova acabou por ficar ainda uma boa parte na garrafa. A surpresa veio no dia seguinte, em que o vinho estava muito melhor. Aí sim, mostrou maior complexidade e maior persistência, com a fruta bem integrada na madeira. Dito isto, e voltando a comparar as minhas impressões com as provas de outros blogues (Saca-a-rolha, prova de Setembro de 2006 e Pingas no Copo, colheita de 2001 provada em Maio de 2006), fico com a sensação de que estou com azar no momento das provas ou nas garrafas que me calham. E tendo em conta que não fiz nenhuma das provas sozinho (o problema podia ser só meu), a sensação foi partilhada. Portanto, fico a pensar porque é que dois vinhos adquiridos com a Revista de Vinhos e bastante elogiados pelos comparsas eno-bloguistas me passaram mais ou menos ao lado. Será que os deveria ter provado mais cedo? Deveria tê-los decantado uma ou duas horas antes? Neste caso do Evel Grande Escolha 2003, tendo em conta que só passadas 24 horas é que o vinho se revelou, como prepará-lo para a prova sem saber o que ia encontrar? Sendo assim, a nota que atribuímos é sob reserva.

Já o Grantom 2001 mostrou logo o que era. Este sim, mais pujante, mais exuberante nos aromas e mais complexo, com boa estrutura na boca e final longo, taninos presentes a dar firmeza ao conjunto mas sem ofuscarem o perfil aromático e o equilíbrio da prova. Muito bom para o preço que custa e adequado para acompanhar pratos fortes de carne.

Dito isto, fica a pergunta: o que é que me está aqui a faltar para usufruir na plenitude do que supostamente seriam dois belos vinhos, tendo em conta que a temperatura de serviço, os copos e até os pratos servidos à refeição estavam adequados? Alguém quer dar um palpite? Será que faltou decantar uma hora ou duas antes? Mas como saber sem conhecer o vinho? O produtor não deveria dar essa indicação no contra-rótulo quando tal se justifica? São raríssimos (menos de 1%, diria eu) os casos em que isso acontece.

Kroniketas, enófilo desconfiado

Produtor: Real Companhia Velha

Vinho: Evel Grande Escolha 2003 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em feira de vinhos: 12,38 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Grantom 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 14 de julho de 2008

No meu copo 190 - Bons Ares branco 2005

Estamos na época em que os vinhos frescos apetecem mais, e daqui até ao fim do Verão vou ter oportunidade de provar brancos e rosés certamente em maior quantidade que os tintos. Mas este de que vou falar é mais um branco de Inverno que de Verão.

Ramos Pinto, um nome sobejamente conhecido, que dispensa grandes considerandos acerca da casa e do responsável pelos seus vinhos, um dos produtores mais referidos neste blog, é desta casa este branco Bons Ares, parceiro do tinto do mesmo nome e do “primo” Duas Quintas.

Se o Bons Ares tinto é uma das nossas referências permanentes, já este branco me pareceu alguns furos abaixo. Predominam algumas notas tropicais num todo envolvente com final persistente. Tem uma boa estrutura e alguma frescura, é nitidamente um vinho gastronómico, a pedir pratos com alguma substância, mas não é bem o perfil de branco que mais me agrada. Disso o vinho não tem culpa, naturalmente, mas eu gosto deles mais leves e aromáticos, e este não era particularmente aromático. Mas não quer dizer que o rejeite noutra ocasião, tem é de ser com um prato bem escolhido para lhe fazer companhia de modo a mostrar-se em pleno, caso contrário pode ter um peso excessivo na boca.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bons Ares 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,45 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 8 de julho de 2008

No meu copo 188 - Valle Pradinhos 2001

Poucas vezes um vinho feito com um lote de castas me mostra o que lá tem logo à primeira. Vou tentando umas aproximações, às vezes consegue-se perceber melhor o que lá está, outras vezes tentamos adivinhar mas atiramos ao lado. Há algum tempo eu e o tuguinho abrimos uma garrafa de Valle Pradinhos, vinho transmontano de Macedo de Cavaleiros que já tinha provado há muitos anos mas de que não tinha memória.

Ao aspirar os aromas, e sem sequer olhar para a informação da garrafa, soltei esta sugestão: “parece-me Cabernet...”. Depois fiz outra aproximação e acrescentei: “ou então Touriga...”. Para tirar as dúvidas olhámos ao contra-rótulo. Para minha própria surpresa, encontrei lá precisamente as duas! Desta vez a impressão foi correcta, o que é quase acertar no bingo...

Passando da prova olfactiva para a gustativa, o vinho acabou por ficar um pouco aquém das expectativas. Já com alguma evolução, o corpo apareceu um pouco para o delgado e o final algo curto. Os traços mais marcantes das castas menos pronunciados que no nariz, já algo desmaiados.

Não sei se o vinho não aguenta esta idade, pelo que vou voltar à carga com uma colheita mais recente. O potencial pareceu estar lá mas ter fugido. Vamos aguardar pela próxima.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valle Pradinhos 2001 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Tinta Amarela
Preço em feira de vinhos: 7,28 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

No meu copo 141 - Terra Quente 1999

Há muitos anos, nas férias, em casa dum amigo, ele trouxe para a mesa um vinho de Valpaços de nome Terra Quente. Na altura eu nem sabia que havia vinho em Valpaços. O jantar era uma carne no forno, bem temperada, a pedir um vinho pujante.

Pois este Terra Quente deixou-me siderado, com um corpo fortíssimo, pujante, aroma vinoso, grande persistência, uma surpresa saída do nada...

Ainda bebi mais umas quantas vezes mas depois o vinho desapareceu. Julguei que já não existia, até que há um ano, nas feiras de vinhos, encontrei umas garrafas da colheita de 1999 no Feira Nova. Comprei duas, para ver como ele estava. Claro que sem demasiadas expectativas.

Nas férias lá abri uma das garrafas, na noite dos vinhos transmontanos. Ainda tentei encontrar alguns resquícios do que me lembrava nele de há uns 10 anos, mas já não tinha a exuberância de outros tempos, com um corpo já delgado e o aroma muito evoluído. Um pouco à semelhança do Bons Ares de 1999, referido no post anterior, já em curva descendente. Ainda se houvesse por aí uma colheita recente, para tirar dúvidas...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terra Quente 1999 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Adega Cooperativa de Valpaços
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Trincadeira Preta, Tinta Carvalha, Mourisca, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 6

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

No meu copo 140 - Bons Ares 1999

Este estava guardado há algum tempo. Tempo demais, porventura. Foi comprado em 2003, esperou 4 anos. Mas embora tenha mostrado já sintomas de algum declínio, não deixou de revelar todo o seu potencial, que faz dele um dos meus preferidos na região de Douro e Trás-os-Montes.

Já tínhamos falado da colheita de 2002, provada em restaurante, e este, mesmo denotando já um certo cansaço, ainda apresentou alguma da pujança que o caracteriza e bateu-se claramente com o José Preto, falado no post anterior, e com o que abordaremos no post seguinte.

Os aromas ainda estavam lá, embora com alguma evolução, a persistência também, ainda com bom corpo e cor muito concentrada, embora tudo muito mais discreto. Já não tinha toda a pujança nem a exuberância aromática que habitualmente ostenta quando está no ponto ideal, mas não engana.

E foi por isso que na primeira oportunidade (leia-se feira de vinhos) tratei logo de adquirir a colheita mais recente à venda. Porque este nunca pode faltar, e agora não vou esperar mais 4 anos para prová-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bons Ares 1999 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 11,79 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 6 de julho de 2007

No meu copo 127 - Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005

Depois do branco Chardonnay, que não agradou, tentei o Sauvignon Blanc. Na verdade, agradou pouco mais. Volto à mesma questão já aqui levantada: a estes brancos portugueses de castas estrangeiras falta frescura, elegância, vivacidade, em suma, finesse.

Embora mais fresco que o Chardonnay, apresentou-se também um pouco rústico, com aromas pouco exuberantes. Tentei apreciá-lo com vários pratos em diferentes dias, mas o resultado foi o mesmo. Não me convenceu. Definitivamente, tenho de procurar outros brancos de castas nacionais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2005 (B)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 6,5

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

No meu copo 64 - Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2004

Já há bastante tempo que não bebia um vinho exclusivamente da casta Chardonnay. Este Quinta de Cidrô foi uma das promoções que acompanham a Revista de Vinhos, a 5,95 €.

Trata-se dum vinho fermentado em madeira, com 14% de álcool. Apresenta uma cor palha, um pouco carregada, e aromas amanteigados. Na boca o elevado grau alcoólico torna-se um pouco agressivo, ao mesmo tempo que a madeira o torna mais robusto do que é habitual nos vinhos brancos. O toque amanteigado faz-se também sentir na boca, formando um conjunto que se torna enjoativo para o meu paladar.

Só na segunda prova, com um prato de bacalhau no forno regado com azeite, é que o vinho se mostrou adequado para o prato. Trata-se, efectivamente, de um daqueles brancos que pedem um prato forte, como o bacalhau ou um pargo no forno, com uma boa dose de temperos, pois com pratos mais delicados o vinho sobressai em demasia, abafando os sabores do prato.

Em todo o caso, o conjunto não me encantou. Não é o meu género de branco, porque, seguindo a moda actual, tem álcool em excesso, a meu ver desnecessariamente. 14 graus de álcool para um branco parece-me francamente exagerado. Gosto de brancos mais suaves e delicados, necessariamente com menor grau alcoólico. No entanto, esta característica poderá ser compensada com o prato. O que menos me agradou, definitivamente, foi esta predominância da manteiga, típica do Chardonnay, de que já não me recordava e que é um dos aromas que não me agradam num vinho. Por isso estarei atento para evitar os vinhos desta casta vinificada isoladamente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô Reserva, Chardonnay 2004 (B)
Região: Trás-os-Montes (regional)
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 4,68 €
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 28 de julho de 2006

No meu copo 55 - Bons Ares 2002; Passadouro 2003

Um convívio interbloguista levou o núcleo duro do Grupo Gastrónomo-Etilista ao Vasku’s, um dos nossos restaurantes preferidos da capital. Fugindo ao habitual fondue, os quatro comensais optaram por um bife do lombo com molho pimenta, que estava delicioso como se esperava.

Claro que o grande tema do repasto não se fez à volta do prato mas à volta do copo. Para fugirmos também aos habituais alentejanos onde já não há muito por descobrir, e face à escassez de opções em regiões como a Bairrada, o Dão, o Ribatejo e a Estremadura (da Península de Setúbal não havia um único tinto), fomos para o Douro e começámos por escolher um Bons Ares tinto. Foi-nos apresentada pelo chefe de serviço uma sugestão, que dava pelo nome de Passadouro, como valendo a pena experimentar. Como se tratava de uma marca desconhecida de todos, resolvemos seguir a sugestão e começar por este.

É um vinho da zona do Pinhão, de cor muito escura, compacta, a tender para o violeta. Foi um pouco decepcionante. É um daqueles vinhos que, como já tenho aqui referido, me fazem questionar porque é que o Douro tem assim tanta fama nos vinhos de mesa. Pareceu-me (e não foi só a mim) perfeitamente vulgar e, tratando-se dum vinho de 2003, os aromas apresentaram-se ainda muito crus, pouco definidos e pouco exuberantes. O final de boca também é curto e não deixa grandes memórias, apesar dos 14% de álcool que não me pareceu que o beneficiem grande coisa. Pode ser que ainda melhore muito na garrafa mas daí até ser um excelente vinho vai uma grande distância. O meu comentário foi simples: não é vinho que me vá apetecer ter na garrafeira.

Esgotado o líquido da primeira garrafa, insistimos no Bons Ares, da Ramos Pinto. Esta é sempre daquelas casas que nos oferecem apostas seguras e tal como o seu primo Duas Quintas, aqui amplamente divulgado, este não nos deixou ficar mal na escolha. A Quinta dos Bons Ares é uma das duas donde saem as uvas para o Duas Quintas (a outra é a de Ervamoira, já por nós visitada). Neste caso a Ramos Pinto fez outro vinho apenas com uvas desta quinta, mais a jusante no rio Douro e situada em maior altitude, o que confere mais frescura e vivacidade aos vinhos ali produzidos. Curiosamente, por uma dessas particularidades em que é fértil a nossa legislação, este vinho não tem denominação de origem Douro mas sim Regional Trás-os-Montes, porque uma das castas usadas é o Cabernet Sauvignon. Mesmo sendo usada de norte a sul do país, vinho onde entre passa a ser vinho regional, porque não faz parte das castas recomendadas. Em nenhuma região. Vá lá saber-se porquê! Há uns 15 anos que bebo vinhos de Cabernet e esta casta tem-me proporcionado alguns dos melhores que tive oportunidade de provar...

Misturada em 40% com a famosa Touriga Nacional (60%), daí resultou um vinho, este sim, excelente. Cheio de estrutura e corpo, com um final prolongado e aromas muito mais exuberantes, extremamente equilibrado em todas as componentes, depois de se beber ainda se fica a saborear. Este é daqueles que não enganam e obviamente faz parte da minha garrafeira e das nossas escolhas. E é vinho para se bater bem com pratos mais pesados e condimentados. Um dos convivas comentou que “daria um excelente vinho do Porto”. Pois, dali também saem desses...

Considero que este vinho não é inferior ao Duas Quintas, pelo contrário, é até ligeiramente superior, pelo que o classifico uns pozinhos acima. O que até faz sentido, pois é mais caro.

No final do repasto foram apresentadas aos comparsas as duas garrafas de Reserva Ferreirinha recentemente compradas. Puderam admirá-las e manipulá-las, mas não apreciar o conteúdo, porque agora vão repousar na garrafeira do tuguinho, que fica como fiel depositário (é mesmo o que se pode chamar o fiel de armazém). Quando já não fizer calor, então iremos abri-las. Agora foi só para abrir o apetite…

E não digo mais nada porque vou de férias. O tuguinho que trate do estaminé durante o mês de Agosto. Boas provas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bons Ares 2002 (T)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 11,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Passadouro 2003 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Passadouro - Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14%
Preço no restaurante: 21 €
Nota (0 a 10): 6,5


PS - Este post foi escrito acompanhado do som e da imagem do DVD do ano: Pink Floyd - Pulse. Para falar de grandes vinhos, nada como encontrar inspiração em grandes músicas.