quinta-feira, 31 de outubro de 2019

No meu copo 800 - Quinta da Leda 2016

Terminamos a oitava centena de provas com uma inevitável visita a um dos nossos vinhos de eleição, como é da tradição aqui no blog.

Neste caso voltámos à Sogrape e à Casa Ferreirinha para provar um dos grandes vinhos produzidos na Quinta da Leda, no Douro Superior: é precisamente aquele que tem o nome da quinta, neste caso a colheita mais recente, de 2016.

O vinho está em excelente momento para se beber mas poderá ainda crescer em garrafa. Os taninos ainda têm algumas (pequenas) arestas que poderão amaciar, mas revelam-se já muito sedosos e equilibrados. A madeira (18 meses de estágio em barricas de carvalho francês, metade novas e metade usadas) está muito bem integrada no conjunto, quase sem se fazer notar.

O aroma é complexo e profundo, com notas balsâmicas e de frutos pretos juntamente com algum floral e um fundo a especiarias. Com grande volume de boca e bem estruturado mas ao mesmo tempo macio, vai-se revelando ao longo da prova com maior complexidade e acidez correctíssima.

O final é longo e intenso, pontuado por uma ligeira adstringência.

Enfim, tal como nos habituou, é um grande vinho que, apesar de caro, merece cada cêntimo pago por ele.

Saúde!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Leda 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 35 €
Nota (0 a 10): 9


Foto da garrafa obtida no site do produtor

domingo, 27 de outubro de 2019

No meu copo 799 - Esporão Reserva tinto 2016

Mais um superclássico, um vinho que é uma bandeira no Alentejo e mesmo no país.

É uma das marcas de destaque que há mais tempo se produz em Portugal, tendo visto a luz do dia no já longínquo ano de 1985, e foi também uma das primeiras marcas que me cativaram. Provavelmente já tudo foi dito sobre o Esporão Reserva tinto e não haverá mais nada a acrescentar, mas cada prova parece sempre guardar-nos um prazer renovado que se redescobre a cada copo.

Durante algum tempo, na primeira década deste século, chegou a parecer ter perdido algum encanto, quando algumas colheitas do Quatro Castas Reserva estavam mais interessantes. Mas na colheita de 2006 (há precisamente 10 anos) reencontrei-me com ele em todo o seu esplendor, e nunca mais lhe perdi o rasto.

A verdade é que de ano para ano o Esporão mantém-se como uma referência na gama de vinhos que andam ali à volta dos 15 €. E quando encontro vinhos que oscilam nesse patamar entre os 10 e os 20 €, o meu termo de comparação para a relação qualidade-preço é quase sempre o Esporão Reserva. Basta fazer esta simples pergunta: vale mais que o Esporão?

Esta colheita de 2016, a mais recente disponível no mercado, está prontíssima a beber. A cor é rubi brilhante, o aroma frutado intenso com notas de especiarias e frutos silvestres, boa textura com acidez equilibrada e taninos macios, madeira muito discreta e integrada, final longo e sedoso, tudo parece estar no ponto e no sítio certo. Nem de mais, nem de menos.

Estagiou 1 ano, 60% em carvalho americano e 40% em carvalho francês, seguindo-se mais 8 meses em garrafa.

É um vinho delicioso, duma elegância invulgar, em que é difícil encontrar defeitos. Pura seda! Beba-se, portanto, sem hesitações!

Uma referência incontornável. Um must.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2016 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,98 €
Nota (0 a 10): 8,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

No meu copo 798 - Cabriz Reserva tinto 2009

Voltamos aos clássicos do Dão e ao mundo da Global Wines, agora para o outro tinto emblemático da empresa, produzido na Quinta de Cabriz (é verdade, não está aqui o Paço dos Cunhas de Santar, mas esse é outro campeonato).

Tal como o Casa de Santar Reserva, este Reserva da Quinta de Cabriz tem-nos acompanhado ao longo dos anos, frequentemente em provas comparadas. Desta vez não foi em simultâneo, mas aconteceu com pouco tempo de intervalo provarmos os dois, ambos da colheita de 2009.

Mais uma vez foi ao encontro das nossas expectativas. Apresentou-se com uma estrutura bem firme e alguma robustez, mas já amaciado pelo tempo. As notas frutadas já não estavam tão evidentes mas ainda se encontra ali uns sinais de frutos pretos e vermelhos lá no fundo, envolvidos por taninos arredondados e um leve toque de madeira.

O final é longo e amplo, com alguma complexidade e revelando alguma suavidade dada pelo tempo.

Muito bem como sempre, nada mais a acrescentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Cabriz Reserva 2009 (T)
Região: Dão
Produtor: Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 19 de outubro de 2019

No meu copo 797 - Quinta da Bacalhôa tinto 2014

Mais um clássico, que apareceu no panorama nacional como um dos primeiros tintos produzidos com perfil bordalês, para o que lhe são adicionadas as duas castas tintas mais importantes da região mais famosa do mundo. O Cabernet Sauvignon predomina, mas também há uma percentagem de Merlot incluída no lote, tal como habitualmente acontece em Bordéus.

Ao longo dos anos tenho tido uma relação difícil com este vinho. Houve tempos em que o achava excessivamente marcado pela madeira, que se sobrepunha a tudo o resto.

Entretanto os métodos evoluíram, os gostos também. Hoje continua a ser uma das marcas mais prestigiadas no país, de tal forma que a própria empresa (que antes se chamava J. P. Vinhos) lhe adoptou o nome e actualmente já produz diversas marcas agrupadas sob o nome Bacalhôa.

Está um vinho mais amigável, mais frutado, menos amadeirado. Bem estruturado na boca, apresenta alguma elegância.

Não se pode dizer que não é um bom vinho, porque é. Mas, como acontece com outras marcas bem cotadas, fico sempre com a sensação de que lhe falta mais qualquer coisa para ser um grande vinho, e não apenas mais um bom vinho...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Bacalhôa 2014 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço em feira de vinhos: 14,68 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 15 de outubro de 2019

No meu copo 796 - Duas Quintas tinto 2010

Este é uma espécie de superclássico, cujo lançamento remonta à colheita de 1990. Faz parte da história, e provavelmente os mais bem informados saberão que foi o primeiro vinho tinto produzido com uvas da Quinta de Ervamoira sob a batuta enológica de João Nicolau de Almeida.

Tive a felicidade de provar essa primeira colheita e desde então sempre o acompanhei com regularidade. É um daqueles vinhos em que podemos confiar que nunca nos irão desiludir.

Também aqui foi um pouco posto à prova, perante o juízo do tempo. Bastante mais fechado no início do que o Casa de Santar Reserva, referido no post anterior. Alguns aromas de redução fizeram com que fosse necessário esperar pelo devido arejamento, de modo a que o vinho voltasse à normalidade.

Ultrapassado esse período inicial, reencontrámos então o clássico: bastante concentrado na cor, com frutos vermelhos predominantes no aroma, complexo e amplo na boca e com final persistente, ainda a mostrar alguma robustez.

Mesmo já com alguma idade, mostrou que estava ali para as curvas, embora, também neste caso, não pareça valer a pena guardá-lo por mais tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Duas Quintas 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta da Barca
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

No meu copo 795 - Casa de Santar Reserva tinto 2009

Damos agora uma volta por alguns clássicos, e começamos pelo Dão, com uma das marcas mais prestigiadas da região.

Este é um dos vinhos emblemáticos do Dão e da antiga Dão Sul, agora Global Wines. Ao longo dos anos tem mantido uma consistência qualitativa assinalável, sempre num patamar médio/alto.

A característica mais marcante dos vinhos da Casa de Santar – até por contraponto com os da Quinta de Cabriz, a outra marca clássica da empresa – é a elegância que apresentam, a par com notas frutadas onde predominam os aromas do bosque e de frutos vermelhos.

No caso desta garrafa em concreto, forcei um pouco a nota ao deixar o vinho tantos anos à espera para ver como se comportava.

É verdade que perdeu alguma frescura e inicialmente os aromas estavam fechados, mas foi-se libertando depois da abertura. A cor continua a mesma, dum rubi brilhante e suave, e na prova de boca mantém-se a elegância como característica predominante.

Em conclusão, aguentou-se bem mas não ganhou em esperar tanto tempo. Beba-se um pouco mais jovem para o encontrar com mais vivacidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa de Santar Reserva 2009 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola de Santar - Global Wines
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 9,14 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

No meu copo, na minha mesa 794 - Fiúza, Sauvignon Blanc 2018; La Fragata (Vilamoura)




Ainda em período de férias, um fim de tarde levou-nos à marina de Vilamoura onde quase por acaso abancámos numa esplanada. Visto de fora, o aspecto do local era bom, a ementa no exterior também, e assim se avançou para uma refeição com tudo de inesperado.

Tal como acontece com muitos outros estabelecimentos da marina, este restaurante tem um espaço interior, no edifício propriamente dito, e do outro lado da rua uma esplanada que termina mesmo em cima da marina, a meia-dúzia de metros dos iates ali ancorados. O enquadramento não poderia ser melhor.

O menu e o serviço estão na mesma linha. Não se pode esperar comer barato naquele local, portanto é melhor dar uma olhadela à carta afixada no exterior. O único senão é que a versão inglesa do menu tem alguns “portuguesismos” um bocadinho mal-amanhados. Um bom dicionário teria ajudado...

Começou-se por uma entrada de cocktail de camarão, que cumpriu perfeitamente o que se esperava e ligou na perfeição com o vinho escolhido.

Seguiram-se os pratos principais, neste caso filetes de robalo e filetes de espadarte. Aquele melhor que este, que estava um pouco seco. De resto, o conjunto estava bastante bom.

Finalmente a sobremesa, com um preço quase pornográfico (7 €) mas de acordo com o resto. Um crème-brulée, nome pomposo para o leite-creme, mas não desmereceu.

Serviço atencioso, simpático e eficiente. Destaca-se o elevado profissionalismo com que tudo é feito, o que é de realçar sabendo-se que o nosso turismo deixa muito a desejar em termos de procura da excelência.

O local é bastante frequentado e ao entardecer a esplanada estava cheia. Já o espaço interior do restaurante estava meio vazio, o que se compreende. Nestas circunstâncias, a refeição foi bastante satisfatória, com o preço a condizer.

Para acompanhar estes acepipes socorri-me dum valor garantido e duma das minhas castas preferidas. O Fiúza Sauvignon Blanc é um daqueles vinhos que são sempre apostas seguras, e neste caso ligou na perfeição com a entrada e os filetes.

Muita frescura na boca, aroma frutado com notas tropicais e florais e um ligeiro toque vegetal, boa amplitude e acidez, com um final vibrante e intenso.

Muito bem como se esperava, um excelente vinho de Verão para peixes delicados. A manter sempre debaixo de olho.

Kroniketas, enófilo itinerante

Vinho: Fiúza, Sauvignon Blanc 2018 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,06 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: La Fragata
Avenida da Marina, Edifício Marina Garden, Loja A
Vilamoura
8125-401 Quarteira
Preço por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 4,5

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Na minha mesa 793 - Bulli & Pupe (Praia da Rocha)




Este restaurante já tem uns anos e é uma referência da cozinha italiana na zona.

Com uma vasta ementa composta por quase todas as opções possíveis, incluindo pizzas, pastas e massas, é uma opção interessante para quem quiser explorar uma cozinha italiana que não se esgota no trivial da pizza, da lasanha de carne ou do esparguete à bolonhesa.

Existem muitas variedades de pratos com diferentes composições e diversos tipos de massa. Do que já se experimentou, a confecção é irrepreensível, com uma qualidade a que é difícil apontar defeitos.

Em época de férias de Verão, como é típico, a sala enche cedo e não aceitam reservas, pelo que é conveniente optar por um horário de jantar antecipado.

No que respeita às bebidas, existem algumas opções de sangria de espumante que podem fazer boa parceria com os pratos. A carta de vinhos não é especialmente aliciante, e o vinho da casa, se for tinto, é servido quente, portanto é melhor esquecê-lo.

Não sei se foi da época, mas dos vários empregados que vieram à mesa cada um falava um idioma diferente. E nenhum deles português... Talvez não seja má ideia ensinar-lhes o idioma do país onde trabalham para falar com os clientes.

Kroniketas, gastrónomo itinerante

Restaurante: Bulli & Pupe (italiano)
Avenida Tomás Cabreira
Praia da Rocha
8500-502 Portimão
Telef: 282.415.645
Preço por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

terça-feira, 1 de outubro de 2019

No meu copo 792 - Quinta do Gradil, Sauvignon Blanc e Arinto 2018

Um convite da Parras Wines levou-me, juntamente com outros dois enófilos e bloggers, à Quinta do Gradil para uma apresentação de alguns novos vinhos e novas colheitas de vinhos já existentes.

O evento consistiu numa pequena visita às instalações principais, uma prova de alguns vinhos a acompanhar entradas e finalmente um jantar com menu elaborado para a ocasião. Disto falaremos proximamente num post específico.

No final do jantar ainda nos foram oferecidos alguns vinhos (dois brancos, um tinto e um rosé) para trazermos para casa. É dum desses brancos que agora aqui se fala.

Este é mais ou menos um clássico nas nossas mesas, embora a última prova remonte há cerca de 3 anos, mas sempre se constituiu como uma aposta segura numa gama abaixo dos 5 €.

Mantém as características que dele esperamos: boa acidez e frescura na boca, aromas com notas de algum citrino, frutos brancos e tropicais, estrutura média e final com boa persistência e vivacidade.

E não há muito mais para acrescentar, é um vinho que vale sempre a pena revisitar e nunca nos desilude.

Surpresa, surpresa, foi o Alvarinho, anunciado como “um branco que vai dar que falar”... Mas esse ainda está guardado à espera duma segunda prova.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil, Sauvignon Blanc e Arinto 2018 (B)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon Blanc, Arinto
Preço em feira de vinhos: 4,79 €
Nota (0 a 10): 7,5