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quarta-feira, 7 de março de 2018

No meu copo 660 - Reguengos Reserva tinto: 2008 e 2013

Descemos uns patamares para chegar a outro clássico, passando por cima do novo Reserva dos Sócios (também lá chegaremos), do Bom Juiz e dos monocastas, para chegar a outro clássico, o Reserva, neste caso com duas colheitas separadas por 5 anos. Muito mais barato que o topo de gama da casa, mas com uma qualidade irrepreensível que o preço não reflecte.

Tal como o Garrafeira dos Sócios, este também é um bom vinho de guarda. O 2008 mostrou-se mais estruturado e encorpado que o 2013, com um aroma vinoso profundo e intenso, muito pujante na boca.

Já o 2013, conquanto mais novo e até mais alcoólico, revelou-se menos complexo. Mais frutado, ainda com os aromas primários bem evidentes com notas de frutos pretos e especiarias, mas a mostrar que mais tempo em garrafa lhe faria bem. São assim estes vinhos da CARMIM, e o melhor é mesmo dar-lhes tempo de repouso.

Como bons alentejanos...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Preço em feira de vinhos: 3,24 €

Vinho: Reguengos Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Reguengos Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

No meu copo 650 - Caladessa Escolha branco 2014; Caladessa Escolha tinto 2012

Duma combinação de castas que mistura várias origens regionais nasceram estes dois vinhos da Herdade da Calada com a designação Escolha.

No caso do branco “importou-se” o Alvarinho para fazer o lote com o Arinto e o Fernão Pires. Acontece que, não obstante a marcada acidez das castas, em especial o Alvarinho e o Arinto, essa característica não estava evidente dentro da garrafa. O aroma mostrou-se discreto, com notas de citrinos e alguma fruta branca, o vinho pouco expressivo e exuberante na boca, o final curto.

No caso do tinto, foi-se buscar a Touriga Nacional para lotear com a Tinta Caiada e o Alfrocheiro. Resultou um vinho elegante e suave, de aroma discreto com predominância a frutos vermelhos e persistência média.

Feito o balanço, ambos ficaram aquém das expectativas e de alguma forma desiludiram. Precisarão, provavelmente, duma segunda oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade da Calada

Vinho: Caladessa Escolha 2014 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alvarinho, Arinto, Fernão Pires
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Caladessa Escolha 2012 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Tinta Caiada, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço: 7,11 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 6 de maio de 2016

No meu copo 526 - Monsaraz Reserva 2011; Reguengos Reserva 2011

Temos aqui dois vinhos de Reguengos, da mesma casa e da mesma colheita. Um clássico e um moderno.

Proveniente da junção das castas Alicante Bouschet (50%), Trincadeira (30%) e Touriga Nacional (20%), o Monsaraz Reserva 2011 é um vinho de cor granada carregada, com aroma de amora e framboesa, na boca é encorpado, de profundidade e estrutura médias e final discreto. Estagia em barricas de carvalho francês e americano durante 9 meses.

Não parece ser melhor que o já clássico Reguengos Reserva, pelo que até prova em contrário este continuará a merecer a nossa preferência.

Já este mantém o perfil habitual: encorpado e com alguma robustez, adstringência domada e boa persistência, com alguma complexidade na boca, predominando as notas de especiarias e frutos pretos, com um toque de madeira muito ligeiro a dar uma boa envolvência ao conjunto.

Continua a ser uma boa aposta que vale muito mais do que aquilo que custa, e continua também a ser uma vinho com apetência para guardar, pois aguenta muito bem o tempo em garrafa.

Conclusão: o classicismo e a tradição ganharam à modernidade, e o mais barato ganhou ao mais caro.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz

Vinho: Monsaraz Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Reguengos Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,36 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

No meu copo 422 - Reguengos: Reserva tinto 2005; Reserva branco 2011

Iniciamos agora um pequeno périplo por alguns vinhos alentejanos, uns mais conhecidos que outros.

Começamos por Reguengos de Monsaraz, uma das nossas sub-regiões preferidas. Da Cooperativa Agrícola sai há longos anos este Reguengos Reserva tinto que tem mantido um perfil e uma qualidade consistentes (ver aqui colheitas anteriores). O preço, entretanto, foi baixando, ao ponto de chegar a um patamar onde o vinho é muito melhor do que aquilo que custa. Continua também a ser um vinho que vale a pena guardar algum tempo em vez de o beber em novo, pois normalmente melhora com o tempo em garrafa.

Esta colheita de 2005 confirmou essa impressão. Com 9 anos de idade, apresentou-se com grande frescura, com todos os aromas e sabores bem integrados, taninos macios embora ainda presentes. Aroma vinoso, intenso, com notas de frutos pretos. Encorpado, bem estruturado e robusto, persistente e com final marcado por um toque de madeira e especiarias.

Continua a ser um bom vinho para pratos de carne fortes e bem temperados, como a típica cozinha alentejana. E continua a ser um vinho que gostamos de ter sempre em stock, pois normalmente porta-se à altura.

Novidade, desta vez, foi a prova do Reserva branco, que nunca tínhamos experimentado. Apresentou um volume de boca interessante, aroma discreto com notas a frutos brancos e amarelos, um ligeiro toque vegetal e herbáceo, acidez suave e final mediano. Não é um vinho de qualidade média/alta ao nível do tinto, mas faz uma boa companhia a pratos de peixe não muito complexos nem condimentados. Não desilude e não é um daqueles brancos pesados que aparecem muitas vezes no Alentejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz

Vinho: Reguengos Reserva 2005 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Reguengos Reserva 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 2 de maio de 2013

No meu copo 312 - Esporão Reserva 2008; Quatro Castas Reserva 2007; Quatro Castas 2010

Depois da recente prova do Quatro Castas Reserva 2002, damos um salto no tempo para falar de colheitas mais recentes provenientes da Herdade do Esporão: o Reserva 2008 e o Quatro Castas 2007 e o 2010, este agora em nova versão.

Durante alguns anos considerámos que o Quatro Castas estava a dar melhores resultados do que a marca ex-libris da casa. Mais recentemente, a prova do Esporão Reserva da colheita de 2006, posteriormente repetida em mais do que uma ocasião, reconciliou-nos com a marca e levou-nos a apostar nas colheitas seguintes.

Entretanto, os monocastas, que emparelhavam com o Quatro Castas, passaram por uma fase em que eram vendidos em garrafas de meio-litro, depois voltaram ao formato de 7,5 dl, ao mesmo tempo que começavam a surgir os monocastas brancos. Nos últimos anos a roupagem duns e doutros mudou, os monocastas foram reposicionados em termos de preço (passando a custar entre cerca de 23 euros) e nos brancos surgiu o Duas Castas para emparelhar com o seu homólogo tinto. O que durante cerca de duas décadas foram vinhos relativamente acessíveis, tornaram-se produtos de luxo, tornando-se mais caros que a principal marca da casa por uma opção de marketing que me custa a entender... mas se calhar não tenho que a entender.

A verdade é que, nos tintos, só o Quatro Castas se manteve no mesmo patamar de preços, pelo que continuo a comprá-lo. Recentemente tive oportunidade de fazer uma prova comparada de colheitas recentes destas duas marcas e aferir do “estado da arte” em relação a estes dois vinhos.

O Esporão Reserva 2008 mostrou aquilo que se esperava dele e manteve o perfil que, com uma ou outra oscilação, sempre o caracterizou. A base andou sempre à volta de Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, com algumas incursões também pelo Alicante Bouschet. A colheita de 2008 voltou a ser constituída pelo trio base, sem a presença do Alicante, o que lhe dá um perfil mais aberto e ligeiramente mais leve. As 3 castas continuam a funcionar muito bem em conjunto, com uma boa profundidade aromática associada a um toque de madeira sempre em dose moderada, que ajuda a conferir alguma estrutura e persistência na prova de boca mas sem marcar o conjunto, que é dominado pelo fruto vermelho maduro, alguma especiaria e um final longo pontuado pelas notas da madeira, tudo bem suportado por taninos poderosos mas redondos.

O Quatro Castas aparece agora com outro perfil. Além da roupagem, também o conteúdo está diferente. Desde sempre foi um vinho diferente da corrente dominante, mesmo dentro dos vinhos da casa. A colheita de 2007, também provada recentemente, mantém ainda um perfil relativamente clássico com algumas semelhanças com as anteriores – podem ser vistas aqui (2005), aqui (2002), aqui e aqui (2001). No entanto, em comparação com o 2002, mostrou-se menos exuberante de aromas, menos persistente, menos estruturado, um vinho a prometer menor longevidade. Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah compõem este lote, que já lhe alterava o perfil habitual.

Já o 2010, dentro da nova roupagem e a nova variedade castas incorporadas e que até há poucos anos não entravam no lote, está mais frutado e mais fácil, mas quanto a mim perdeu algum encanto. Revendo todos os encómios que aqui fomos debitando ao longo dos anos acerca das provas que fazíamos deste vinho, dificilmente os reconheço neste novo perfil. Continua a ser agradável de beber, mas temo que agora seja apenas mais um.

O contra-rótulo anuncia que “o Aragonez confere estrutura, o Alfrocheiro aromas finos e vibrantes, a Tinta Caiada aveluda o palato e a Tinta Miúda acrescenta-lhe a elegância final”. Vinificaram separadamente e estagiaram 9 meses em barricas de carvalho americano. Tudo isso pode ser verdade, mas... parece que lhe falta qualquer coisa. Talvez a alma que eu encontrava nos outros, feitos à maneira clássica. Continua a ser bom, mas já não o acho encantador nem surpreendente como os antecessores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Esporão Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quatro Castas 2007 (T)
Grau alcoólico: 14 %
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,84 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quatro Castas 2010 (T)
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Tinta Miúda, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,84 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

No meu copo 259 - Cartuxa 2005

Este não tem sido um dos vinhos mais provados cá pela casa, embora seja um dos que mais prestígio ostenta em terras do Alentejo. Não sendo o topo de gama da Fundação Eugénio de Almeida (esse lugar está reservado para o Pêra Manca branco e tinto), será contudo o seu principal ícone, assim como uma espécie de “Esporão da Adega da Cartuxa”.

Com ele tenho mantido uma relação algo distante e nem sempre fácil. Conheço-o há muitos anos mas nem sempre me convenceu de que valia a pena pagar por ele o preço que custa (e a comparação com os vinhos do Esporão é quase inevitável neste patamar de preços). A última prova, contudo, já tinha deixado uma óptima impressão com a colheita de 2006. Agora este 2005 que estava guardado, bebido em quadra natalícia a acompanhar uma perna de borrego, esteve excelente. Pujante, vigoroso, com grande estrutura e um longo fim de boca, muito fechado no início ganhou bastante com a decantação quando começou a libertar os aromas e a amaciar um pouco os taninos.

Mostrou estar ali para durar, parecendo ser um vinho para durar uns 10 anos em plena forma e até pareceu estar mais vivo que o de 2006 que tínhamos provado em Maio. Ou já tinha evoluído melhor ou então a idade faz-lhe bem e está ainda na fase ascendente. Se assim for teremos um grande vinho (que já é) daqui por uma boa meia-dúzia de anos.

A verdade é que esta garrafa convenceu-me plenamente, pelo que o Cartuxa passará a ser um vinho a revisitar com maior frequência.

Kroniketas, enófilo natalício

Vinho: Cartuxa 2005 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 14,85 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

No meu copo 217 - Montes Claros Reserva 2004

Eis que finalmente tive oportunidade de provar o vinho da polémica. Classificado com 18 pontos pela Blue Wine, foi alvo de variadas apreciações na blogosfera por parte dos comparsas eno-bloguistas. A maioria em sinal de discordância.

E o que posso eu dizer sobre o dito cujo? Para não repetir o que já foi dito no Copo de 3 e no Pingas no Copo em parceria, no Pingamor, no Vinho a Copo e no Vinho da Casa, prefiro remeter para os posts escritos por eles e dizer que não me parece que o vinho justifique tamanha pontuação.

Claro que a nota da Blue Wine é que trouxe o vinho para a ribalta, obrigou a que se falasse dele e fez com que muita gente o fosse provar, o que deve ter rendido uma boa maquia à Adega Cooperativa de Borba.

Medianamente encorpado, com boa persistência e aromas não muito exuberantes, bebe-se com agrado mas se o provarmos com a expectativa de valer 18 pontos vamos apanhar uma desilusão. Numa escala de 20 não lhe daria mais de 15. Assim dou-lhe 7,5 na minha escala de 10. E está tudo dito.

Sim, é bom, mas não exageremos. Prefiro claramente o Reserva do rótulo de cortiça.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Montes Claros Reserva 2004 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 5,77 €
Nota (0 a 10): 7,5


Outras provas:
Copo de 3: 16 (em 20)
Os Vinhos: 15,5/16 (em 20)
Pingamor: 16,5 (em 20)
Pingas no Copo: 15,5 (em 20)
Vinho a Copo: 2 (em 5)
Vinho da Casa: 17 (em 20)

Foto da garrafa obtida no site do produtor

terça-feira, 14 de outubro de 2008

No meu copo, na minha mesa 205 - Monte da Peceguina 2007; Restaurante O Casalinho (Praia da Rocha)



Outro jantar de férias, no passadiço da Praia da Rocha, junto à descida central da praia. Este restaurante era uma das referências há uns anos antes das obras na praia e da remodelação de todos os bares, e ali comi uma refeição fantástica confeccionada à vista e servida num carrinho. Agora tem duas salas separadas, uma mais restaurante e outra mais para pizzas e afins, mas fomos para a parte das pizzas para ficar mais à vontade e com mais espaço.

A escolha é extensa e variada, permitindo um leque de opções que podem ir desde a pizza ao bife pimenta passando por bacalhau no forno. Tal como há anos, escolhi o bife, enquanto outros escolheram um T-bone e bacalhau à Narcisa, que por sinal estava magnífico, talvez o melhor prato da noite.

O bife estava bastante tenro e suculento, mas o serviço não correspondeu ao que se esperava. Nem o serviço de mesa nem o serviço de vinhos, e o facto de estarmos na pizzaria não serve de desculpa. Primeiro o vinho escolhido veio morno para a mesa, pelo que foi necessário pedir um frappé. Depois, à segunda garrafa um dos empregados serviu vinho no copo de um dos comensais onde ainda estava vinho da garrafa anterior, o que como se sabe é um erro primário no serviço de vinhos.

Para fecho da noite, foi pedida uma sobremesa (crepes Suzete) que não pôde ser servida porque... a cozinheira estava ocupada com outras coisas e não tinha tempo para a fazer! Esta é original.

Para o vinho escolhemos um Monte da Peceguina, da Herdade da Malhadinha Nova, que se tem tornado notada pelo seu hotel com SPA, situada ali para os lados de Alberona, a sul de Beja, e próxima da Herdade dos Grous e da Casa da Santa Vitória. Já o tinha provado uma vez e não me encantou, e desta vez voltou a não encantar. É um vinho que se bebe com facilidade, com aquele perfil moderno que tantos (ainda) elogiam, ainda com o resquício do excesso de álcool e muita fruta. Estagiou parcialmente 7 meses em barricas de carvalho francês e é predominantemente frutado, sem que a madeira se sobreponha aos aromas e relativamente equilibrado entre a acidez e o álcool que neste caso está bem disfarçado. Em suma, é fácil de beber mas não é marcante.

Quanto ao restaurante, sinceramente esperava melhor. Para o nível de preços praticado e a sofisticação nos nomes dos pratos, exige-se algo mais. Mais profissionalismo e eficiência, sobretudo. Lembrei-me dos muitos restaurantes visitados em Portalegre e Estremoz no último ano, e talvez pudessem ensinar alguma coisa a estes.

Kroniketas, enófilo veraneante

Vinho: Monte da Peceguina 2007 (T)
Região: Alentejo (Albernoa)
Produtor: Herdade da Malhadinha Nova
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,65 €
Nota (0 a 10): 7

Restaurante: O Casalinho
Areal da Praia da Rocha
Portimão
Preço por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 3,5

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

No meu copo 6 - Os varietais de João Portugal Ramos

João Portugal Ramos é um nome que nos últimos anos se tornou uma referência no panorama vinícola nacional, e no Alentejo em particular. Começando por ser enólogo de várias empresas, acabou por criar em Estremoz a sua própria produção donde saem actualmente alguns dos melhores vinhos alentejanos, e mesmo do país. À semelhança do que acontece com alguns dos grandes nomes que nas Krónikas Viníkolas consideramos garantias de qualidade (como a Sogrape, a Ramos Pinto e a Herdade do Esporão), alguns vinhos de João Portugal Ramos também já entram nesse lote, como é o caso do Marquês de Borba.

Na época festiva que agora terminou, houve aniversário comemorado com um jantar de fondue e bife na pedra. Para acompanhar as carnes foram escolhidos os 4 vinhos varietais (ou monocasta, como preferirem) de João Portugal Ramos: Aragonês, Trincadeira, Tinta Caiada e Syrah. Sendo alentejanos, o seu carácter encorpado e elevado grau alcoólico (entre 14 e 14,5º) garantiam, à partida, pujança suficiente para suportar os fritos e grelhados, bem como os molhos de acompanhamento.

E o que se pode dizer de quatro vinhos provados de seguida? Não defraudaram as expectativas dos comensais, embora se possam estabelecer algumas diferenças significativas entre eles. Todas as garrafas foram abertas com alguma antecedência, de forma a permitir aos vinhos arejar um pouco antes de serem bebidos.

No meu caso, o que mais me agradou foi o Trincadeira (de 2002), o mais bem estruturado e mais pujante na prova, com um toque de especiarias que lhe confere uma vivacidade muito interessante e presença de madeira quanto baste para não se tornar excessiva. Parece estar ainda apto a durar algum tempo na garrafa, embora com os vinhos alentejanos não se deva exagerar no tempo de guarda (2 ou 3 anos depois da compra já é bom).

Logo a seguir o Aragonês (de 2001), que segue a linha do seu parceiro, embora estivesse um pouco mais macio, talvez por já estar aberto há mais tempo.

O Tinta Caiada (de 2001) foi o primeiro a ser bebido, tendo-se mostrado bastante suave e já pronto para ser bebido, não me parecendo estar vocacionado para guardar muito mais tempo.

Finalmente o Syrah (de 2001), o último a ser bebido, que me causou uma sensação que já anteriormente tinha sentido com uma garrafa da mesma casta proveniente da Herdade do Esporão: achei-o muito delgado de corpo, com final curto e parco de aroma. Não sei se o Syrah se dá mal com outras provas e tem que ser apreciado isoladamente, ou se é a casta que perde força no Alentejo, porque na Estremadura, por exemplo, encontram-se vinhos bastante adstringentes e até difíceis de beber, num contraste absoluto com o que agora encontramos nestas variedades alentejanas. Por tudo isto, o Syrah foi o que menos agradou e, embora não se possa considerar um mau vinho, para a mesma gama de preços fica a perder para os seus irmãos das outras variedades.

Em resumo, fazendo jus à tradição alentejana, as castas habituais Aragonês e Trincadeira parecem continuar a dar cartas e marcar a sua importância na feitura dos vinhos da região. Tanto se portam bem sozinhas como acompanhadas, não sendo por acaso que quase todos os vinhos alentejanos denotam a presença de, pelo menos, uma delas. Estes monocasta são ideais para acompanhar pratos de carne bem temperados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos

Vinho: João Portugal Ramos, Aragonês 2001 (T)
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: João Portugal Ramos, Trincadeira 2002 (T)
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: João Portugal Ramos, Tinta Caiada 2001 (T)
Casta: Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,22 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vinho: João Portugal Ramos, Syrah 2001 (T)
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 11,22 €
Nota (0 a 10): 6