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terça-feira, 2 de julho de 2019

No meu copo 773 - Reguengos Reserva dos Sócios 2014

Este vinho é uma novidade relativamente recente da CARMIM (Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz), e foi adicionado ao portefólio como parceiro do clássico Garrafeira dos Sócios. A primeira colheita com que tive contacto foi a de 2012, e desde logo me agradou.

À semelhança do que já acontece com alguns vinhos emblemáticos do país (na Sogrape, o que não é seleccionado para ter o rótulo de Barca Velha vai para Reserva Especial; nas Cortes de Cima, o que não é seleccionado para ter o rótulo de Incógnito vai para Homenagem a Hans Christian Andersen), este vinho aparece como aquele que não foi seleccionado para ter o rótulo de Garrafeira dos Sócios.

Depois dum primeiro estágio de um ano, onde é sujeito a provas regulares, o vinho dá origem a dois lotes em que o melhor irá para Garrafeira dos Sócios e o segundo melhor irá para Reserva. É neste momento que se estabelece a diferença, pois o Garrafeira continuará em estágio por mais 8 a 12 meses passando ainda por um período posterior de repouso em garrafa, enquanto o Reserva será então engarrafado. Em resumo, a diferença essencial entre os dois vinhos prende-se com o tempo de estágio em barrica e em garrafa.

Daqui resulta que este Reserva dos Sócios se apresentará, em princípio, como um vinho um pouco mais jovem, mais robusto e adstringente, com aromas mais frutados. Assim nos pareceu a primeira prova da colheita de 2012 e agora, à mesa, com este 2014.

Muito carregado na cor (com o contributo de 50% de Alicante Bouschet para o lote), denota aromas de fruta preta e silvestre bem como especiarias, dando um prova longa e com boa amplitude. No primeiro contacto apresenta-se com os aromas bastante fechados, evoluindo para uma boca mais macia e aromas mais intensos ao longo da prova.

Dada a sua estrutura e robustez, bate-se bem com pratos de carnes fortes, em que a caça poderá ser a parceria ideal.

É mais um excelente produto proveniente da sub-região de Reguengos de Monsaraz e uma boa alternativa ao Garrafeira dos Sócios por um preço mais atractivo. Um vinho para acompanhar com atenção e que merece entrada directa nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Reserva dos Sócios 2014 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 6,50 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor

quinta-feira, 18 de abril de 2019

No meu copo 755 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Grand Noir 2015

Este vinho é uma novidade, provavelmente única, no portefólio que Domingos Soares Franco baptizou como “Colecção Privada”.

O enólogo-chefe e vice-presidente da José Maria da Fonseca tem sido um dos pioneiros na utilização de castas menos faladas e menos conhecidas em Portugal, e tem-nas usado para os seus “Colecção Privada”. Foi um dos primeiros a lançar um branco monocasta de Verdelho, foi um dos responsáveis pela recuperação do quase desaparecido Moscatel Roxo tendo a ousadia de lançá-lo num rosé, lançou vinhos brancos e tintos com misturas de centenas de castas, e agora apresenta-nos este primeiro Colecção Privada elaborado no Alentejo com a casta Grand Noir.

Segundo o próprio, esta experiência foi a primeira e única e não se repetirá, pois necessita da casta para os lotes dos vinhos da empresa em Reguengos, os da marca José de Sousa, da antiga Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes.

Como estas Colecções Privadas nos têm oferecido sempre novidades muito interessantes, pareceu-nos que esta seria uma oportunidade a não desperdiçar.

Este Grand Noir apresenta-se com uma cor vermelha profunda, quase retinta, corpo forte e bem estruturado, complexo no aroma e na prova de boca, com notas de frutos pretos, final de duração média mas intenso e complexo.

Foi vinificado em lagar de inox, sem filtração nem estabilização pelo frio, e foi engarrafado ao fim de 8 meses sem ter estagiado em madeira.

É, portanto, um vinho puro de cuba e que demonstra que a madeira é demasiadas vezes usada em exagero e sem necessidade. Este parece ser um vinho com boa capacidade para envelhecer e muito gastronómico, onde os taninos estão presentes mas equilibrados.

Pergunta-se se a madeira poderia melhorar o vinho e a resposta é duvidosa. Seria certamente diferente, mas não necessariamente melhor.

Mas esta é uma opinião que já tenho há muitos anos: acho que se abusa da madeira nos vinhos portugueses, sendo que nos brancos por vezes é um despautério. Mas isto sou eu, que só os bebo e não os faço.

Em suma: excelente vinho, se possível a repetir, se ainda houver por aí.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Grand Noir 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Grand Noir
Preço: 13,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 14 de abril de 2019

No meu copo 754 - CARMIM, Bastardo 2000

Outro clássico da CARMIM, mas um pouco menos clássico que o Trincadeira. Este monocasta de Bastardo, que também aparece (mesmo no Alentejo) com a designação de Tinta Caiada, mostra-se com um perfil mais robusto e estruturado, mas agora já muito macio e também com elegância.

Na cor apresenta-se muito aberto, com um tom rubi brilhante e aberto, com notórios laivos de envelhecimento.

O nariz aparece intenso e ainda com algumas notas (as possíveis) de juventude, e na boa apresenta-se muito saudável, sem sinais de declínio e a não precisar de muito arejamento para se mostrar.

A sua estrutura e os taninos ainda presentes, apesar da idade, aconselham-no para pratos fortes e bem temperados, porque ele promete aguentar-se no confronto.

Mais um vinho velho a mostrar o quanto podemos retirar prazer destes vinhos quando apanhamos boas garrafas. Tal como o Trincadeira, valeu bem a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: CARMIM, Bastardo 2000 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Casta: Bastardo
Preço em garrafeira: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 5 de abril de 2019

No meu copo 753 - CARMIM, Trincadeira 2000

Este é um clássico de há muitos anos, que de vez em quando se consegue encontrar por aí esquecido nos stocks antigos de algumas garrafeiras.

Como sempre fomos aficionados destes vinhos, vamos aproveitando para voltar a prová-los por um preço convidativo.

Por vezes temos boas surpresas, e doutras vezes temos más. Esta foi uma das boas e ficou muito acima das expectativas.

Descontando o facto da rolha se ter desfeito, o que obrigou desde logo a decantar e filtrar o vinho, todo o resto do processo decorreu da melhor forma.

Inicialmente com o aroma muito fechado, pouco depois começou a mostrar um toque algo terroso que rapidamente evoluiu para algum frutado discreto com predominância mais compotada e um fundo de especiarias.

Na boca mostrou-se redondo e macio, ao mesmo tempo que cheio e bem estruturado, com os taninos muito suaves. Final de boca longo e elegante.

Para um vinho com esta idade, toda a envolvência do conjunto mostrou-se muito bem, conseguindo juntar ainda alguma vivacidade com a suavidade que a evolução lhe conferiu. Foi uma aposta muito feliz e bem conseguida.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: CARMIM, Trincadeira 2000 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Casta: Trincadeira
Preço em garrafeira: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 7 de março de 2019

No meu copo 745 - Esporão Reserva branco 2016

Esta não foi a primeira prova que fiz do Esporão Reserva branco, mas foi a primeira garrafa aberta em casa, aproveitando uma ocasião festiva. Foi escolhido para acompanhar um bacalhau com natas e fez as delícias dos presentes.

Claro que a grande referência do Esporão é o Reserva tinto, pelo que o branco tem vivido um pouco na sombra daquele, mas as referências são invariavelmente elogiosas. E o vinho não deixa de justificá-lo.

Apresenta-se com uma cor palha clara, aroma com algumas notas cítricas mas com a madeira bem marcada e evidente logo no primeiro contacto. Na boca é cremoso, estruturado e volumoso, com final intenso mas redondo. Acidez equilibrada em dose quanto baste para conferir frescura ao conjunto.

É um vinho que faz jus ao nome da casa, embora a madeira talvez pudesse ser mais bem doseada, pois marca demasiadamente o conjunto. Talvez seja esse o ponto menos bom.

Em todo o caso continuo a preferir o tinto, que está uns furos acima.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2016 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 11,99 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 16 de fevereiro de 2019

No meu copo 739 - Defesa do Esporão tinto 2014

Aquele que durante bastantes anos se chamou Vinha da Defesa, chama-se agora Defesa do Esporão. No site da empresa está a explicação da origem do nome Defesa, que reza assim:

“No século XIII, D. João de Aboim, descendente de Egas Moniz e figura central no tempo do rei D. Afonso III, formou, a partir de vários territórios doados pelos concelhos de Monsaraz e de Portel, a Defesa do Esporão – uma das mais antigas propriedades no Sul de Portugal.

As Defesas eram grandes propriedades coutadas, defendidas das pastagens de gado vindo de outras paragens, e estão directamente ligadas à formação de Portugal, no período da reconquista cristã do Sul. Exemplos de sistemas agrosilvopastoris, as Defesas caracterizavam-se por uma diversidade de utilização. Derivando do bosque mediterrânico, as Defesas conquistaram, nesses tempos fundadores, terrenos aos bosques para pastagens.

A Defesa do Esporão foi um dos grandes exemplos deste tipo de propriedades ligadas à formação de Portugal. A sua delimitação por carta de finais do século XIII, guardada na Torre do Tombo, permanece até hoje inalterada com séculos de práticas agrosilvopastoris, baseadas na conservação da biodiversidade e numa multifuncionalidade que o Esporão continua hoje a eleger como boa prática na protecção do nosso ecossistema.”


Sobre o vinho, já aqui falámos desta nova composição do lote, que lhe mudou o perfil. Está mais moderno (será isso que “o mercado pede”?), nenhuma das castas é da região, mas não está, actualmente, um vinho que me atraia particularmente.

Parte do lote estagiou em cubas de inox, outra parte em madeira de carvalho francês durante 6 meses, seguindo-se mais 6 meses de estágio em garrafa.

Apresenta-se de cor rubi intensa, com aromas de fruto maduro e alguma especiaria, com taninos macios e final médio. Na boca aparece redondo e suave.

Aparentemente tem tudo no sítio. No entanto parece que lhe falta alguma coisa que o torne verdadeiramente apelativo... Já me convenceu mais do que agora. Parece ser daqueles vinhos que não se sabe bem o que é nem para que lado vai cair.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Defesa do Esporão 2014 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

No meu copo 738 - Reguengos Reserva tinto 2015

Este é porventura um dos vinhos menos valorizados no panorama nacional. Ao longo dos anos habituei-me a bebê-lo sempre como uma garantia de qualidade acima da média e muito acima daquilo que custa.

A verdade é que a CARMIM sempre o posicionou numa faixa de preços muito competitiva e ao lado de outros vinhos de gama média-baixa. E nesse patamar sempre se destacou, tendo mesmo vindo a baixar o preço ao contrário das tendências habituais.

Seguindo os novos tempos, as versões mais recentes incorporam o Alicante Bouschet (aqui em 50% do lote), quando antes predominavam o Castelão, o Aragonês e a Trincadeira.

Com este novo lote o vinho mudou. Está mais aberto, mais leve e mais suave, perdendo aquela estrutura que o tornava claramente um vinho fadado para a cozinha alentejana mais típica, saindo-se sempre muito bem de pratos de borrego ou cabrito no forno, por exemplo.

Continua a ser um vinho muito agradável de beber, mas perdeu alguma tipicidade e aquela identidade que o distinguia. Pessoalmente, confesso, preferia a versão anterior.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,24 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

No meu copo 723 - Esporão: monocastas em garrafa de 0,5 L

Aragonês 2000; Bastardo 1999; Bastardo 2000; Cabernet Sauvignon 1998; Trincadeira 2000


Passados alguns anos de ausência, tive oportunidade de voltar a provar calmamente estes monocastas do Esporão lançados durante a década de 90 em garrafas de meio-litro. Foram, na altura, algumas das melhores garrafas a que tivemos acesso em vinhos monocastas, e também se revelaram importantes para o conhecimento das características de cada casta per se.

Agora que os monocastas tintos do Esporão mudaram para um patamar de preços completamente diferente e por isso inacessível com a frequência com que acedíamos a estes, é sempre uma boa oportunidade adquirir estas garrafinhas pela singela quantia de 5€ a unidade.

As cinco garrafas de que se fala abaixo foram adquiridas por esse valor e degustadas ao longo dos últimos meses. Não desiludiram, bem pelo contrário: algumas superaram em muito as expectativas.

Por ordem alfabética:

  • Aragonês 2000: grande aroma, grande corpo, pujante e robusto na boca com alguma adstringência ainda evidente, final prolongado. Em belíssima forma.
  • Bastardo 1999: encorpado e macio, ligeiramente delgado de corpo em comparação com os restantes, mas muito elegante e sem sinais de declínio.
  • Bastardo 2000: um pouco mais estruturado e persistente que o de 1999, mas bastante mais macio e aveludado do que os 14,5º de álcool poderiam pressupor.
  • Cabernet Sauvignon 1998: a estrela da companhia. Brilhou a grande altura, com tudo no sítio certo. Com 20 anos de idade, pareceu ser um vinho quase perfeito e curiosamente em melhor forma do que as últimas garrafas desta colheita (a última de Cabernet Sauvignon como monocasta) que me tinha sido possível provar. Belíssimo equilíbrio entre corpo, estrutura, acidez e macieza, com aroma intenso e um bouquet quase inebriante. A expressão que soltei quando o provei foi “que delícia!”
  • Trincadeira 2000: uma bela estrutura na boca mas ao mesmo tempo elegante e redondo. Final persistente e complexo.

Belos vinhos, em suma. Oxalá possa encontrar mais destes.

Kroniketas, enófilo embevecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Esporão, Aragonês 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Esporão, Bastardo 1999 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Bastardo
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Esporão, Bastardo 2000 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Bastardo
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Esporão, Cabernet Sauvignon 1998 (T)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Esporão, Trincadeira 2000 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Trincadeira
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

No meu copo 715 - Esporão Colheita tinto 2015

Esta é uma estreia absoluta nas Krónikas Viníkolas.

Lançado recentemente no portefólio da Herdade do Esporão, este Esporão Colheita, vinho de produção biológica e irmão mais novo do emblemático Esporão Reserva, é um vinho com um perfil bem diferente do Esporão clássico, a começar desde logo no lote de uvas utilizadas.

Com uma mistura inusual de Cabernet Sauvignon e Touriga Franca, é um vinho de cor rubi brilhante, com aromas intensos de frutos vermelhos a predominar sobre um fundo vegetal. Apresenta-se com uma grande frescura na prova de boca, com boa estrutura e taninos suaves com final elegante e persistente.

Tem origem em solos xistosos, vinhas com 6 anos de idade e fermentou em tulipas de betão, onde posteriormente estagiou durante 6 meses.

Foi uma bela revelação, com um carácter jovem mas adulto a revelar um vinho com todas as condições para se afirmar rapidamente no mercado português. Como tudo o que sai do Esporão costuma ser bom, aguardamos com expectativa as próximas colheitas e as próximas provas, para vermos se se confirma esta boa novidade.

Pelas impressões já colhidas, é mais um vinho para acrescentar à nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Colheita 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

No meu copo 708 - Reguengos Selecção branco e tinto 2016

Estes dois vinhos foram provados em restaurante, ao almoço, durante a semana. Trata-se de duas novas marcas intermédias deste vinho clássico, que fizeram provas agradáveis.

O branco mostrou-se particularmente interessante pela acidez que revelou. Ao tradicional Antão Vaz, casta branca emblemática do Alentejo, juntou-se o Gouveio, típico do Douro, do que resultou um lote com boa frescura, acidez e algum floral (por acaso gostava de saber se ou Gouveio já é uma casta autorizada, pois o vinho é DOC Alentejo). De cor amarelo palha aberto, mostrou-se persistente na boca e com notas de frutos tropicais, com final elegante e fresco.

O tinto, com um lote mais típico da região, apresentou-se de cor granada, igualmente fresco na prova de boca e com boa estrutura, encorpado e macio como é habitual nestes vinhos, com aromas de frutos silvestres e final redondo mas persistente.

São dois vinhos interessantes para consumo diário por uma qualidade bastante satisfatória. Surpreenderam pela positiva. Em relação ao Reguengos DOC habitual, nota-se um acréscimo de qualidade evidente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz

Vinho: Reguengos Selecção 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Antão Vaz, Gouveio
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Reguengos Selecção 2016 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 7

sábado, 23 de junho de 2018

No meu copo 682 - Quatro Castas Reserva 1998

“Resultou um vinho rico e encorpado, com uma grande profundidade e complexidade sugerindo compotas, tostados e especiarias resultantes da integração da fruta com a madeira.”

Assim reza o contra-rótulo deste vinho produzido há 20 anos!

Conhecemo-lo desde essa altura, ou antes, e nesta versão Reserva e com este rótulo sempre foi um vinho que nos encheu as medidas, bem mais do que as novas e mais modernas versões.

Em comparação com outras colheitas entretanto provadas, já não revela a pujança e a vivacidade que era característica desta versão, mas mostrou ainda grande saúde, bastante elegância e suavidade mas ainda alguma estrutura e persistência.

Não é um grande vinho velho, mas ainda é um belíssimo vinho velho.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quatro Castas Reserva 1998 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 13 de março de 2018

No meu copo 662 - Esporão, Verdelho 2015

Ali ao lado, ainda junto a Reguengos de Monsaraz, nascem outros vinhos típicos e clássicos, a par com uma nova geração de vinhos modernos.

Um deles é este, que também já se tornou obrigatório na garrafeira. Inclusivamente já foi eleito o melhor vinho português num recente concurso de vinhos nacionais.

Desde a primeira vez que o provei, há uns anos numa incursão à Herdade do Esporão, fiquei conquistado. A partir daí tornou-se compra regular e quase sempre tem brilhado a grande altura.

Quando assim é, torna-se repetitivo estar a descrever sempre as mesmas qualidades do vinho. Acidez, mineralidade, aromas tropicais e citrinos, estrutura, persistência, vivacidade na prova de boca, está lá tudo aquilo que se espera.

No caso concreto desta garrafa, a primeira abordagem mostrou vivacidade na boca e boa acidez, mas o aroma apareceu mais contido do que habitualmente, e o final não foi tão intenso. Uma questão de garrafa, ou uma questão de tempo, não saberemos. A temperatura estava correcta e não foi sujeito a choques térmicos, portanto não foi por aí que perdeu qualidades.

Só por isso fica um pouco penalizado na avaliação, mas certamente tratou-se apenas dum caso pontual. Já há outras colheitas à espreita.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão, Verdelho 2015 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 6,77 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 10 de março de 2018

No meu copo 661 - Reguengos DOC tinto 2016

Descemos ainda mais, quase até à base da pirâmide. Numa passagem por um restaurante, este era o vinho da casa a 7 €. Como as alternativas não eram particularmente atractivas, experimentou-se.

Estamos a falar dum vinho abaixo dos 3 €, preço de mercado. Não se pode esperar qualquer semelhança com os que estão nos patamares acima.

Produzido com o mesmo lote clássico Garrafeira dos Sócios, os primeiros goles, enquanto se espera por um bife, não convencem. Estamos perante um vinho vulgar, em que nada o distingue de outros da mesma gama.

Já com o prato na mesa, o vinho parece diferente. Há alguma estrutura e uma certa persistência, com algumas notas a frutadas e a especiarias, com algum tanino lá ao fundo a querer mostrar-se.

Bebeu-se, sem encantar e sem esperar muito mais.

Apenas para confirmar que há um patamar abaixo do qual é quase indiferente aquilo que se escolhe. Do Douro ao Alentejo...

Depois de ter saboreado um Garrafeira dos Sócios, beber um Reguengos DOC é como passar dum Ferrari para um Fiat Panda...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos 2016 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13%
Castas: Trincadeira (40%), Aragonês (40%), Castelão (20%)
Nota (0 a 10): 6,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor

quarta-feira, 7 de março de 2018

No meu copo 660 - Reguengos Reserva tinto: 2008 e 2013

Descemos uns patamares para chegar a outro clássico, passando por cima do novo Reserva dos Sócios (também lá chegaremos), do Bom Juiz e dos monocastas, para chegar a outro clássico, o Reserva, neste caso com duas colheitas separadas por 5 anos. Muito mais barato que o topo de gama da casa, mas com uma qualidade irrepreensível que o preço não reflecte.

Tal como o Garrafeira dos Sócios, este também é um bom vinho de guarda. O 2008 mostrou-se mais estruturado e encorpado que o 2013, com um aroma vinoso profundo e intenso, muito pujante na boca.

Já o 2013, conquanto mais novo e até mais alcoólico, revelou-se menos complexo. Mais frutado, ainda com os aromas primários bem evidentes com notas de frutos pretos e especiarias, mas a mostrar que mais tempo em garrafa lhe faria bem. São assim estes vinhos da CARMIM, e o melhor é mesmo dar-lhes tempo de repouso.

Como bons alentejanos...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Preço em feira de vinhos: 3,24 €

Vinho: Reguengos Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Reguengos Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 4 de março de 2018

No meu copo 659 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007

Um clássico dos clássicos, desta vez revisitado mais depressa do que habitualmente. Uma ou duas vezes por ano é sempre chamado à nossa mesa.

Já aqui contámos por mais de uma vez a história de como conhecemos este vinhos e da nossa paixão por ele. Então, o que haverá ainda para dizer?

Em primeiro lugar, a prova do tempo. Só os grandes vinhos superam a prova do tempo, e poucos o fazem com distinção.

O que acaba por impressionar mais neste vinho é a consistência qualitativa de colheita para colheita. O lote de uvas que o compõem tem-se mantido estável, com castas típicas da região (a partir da colheita de 2011 já houve alterações, mas a seu tempo lá chegaremos), o que permite manter sempre um mesmo perfil ao longo de mais de duas décadas.

No caso desta garrafa, é um vinho com 10 anos, comprado em 2014. Compramo-lo quase sempre para guardar, ficando esquecido na garrafeira até que a oportunidade surja. Ao fim deste tempo, os aromas primários mais frutados já lá não estão, mas a profundidade aromática acaba por surgir.

Neste caso foi decantado uma hora e meia antes da refeição, sendo que apenas quase uma hora depois de começar a ser bebido é que se libertou e abriu os aromas. Apareceu muito contido, de aroma muito fechado. No entanto, aquela suavidade que sempre o marcou, uma espécie de elegância rústica que sempre o caracterizou, estava bem presente. Lembro-me sempre da frase do saudoso Mancha (que hoje faria 53 anos se ainda estivesse entre nós), que dizia “este vinho é veludo”. E continua a ser, independentemente de gostarmos mais ou menos de cada colheita.

Não é apenas um vinho para beber: é um vinho para degustar, saborear e apreciar.

Com tempo, muito tempo. Com calma, muita calma. Com paciência, muita paciência.

Como um bom e típico alentejano.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,29 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 30 de dezembro de 2017

No meu copo 642 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 1993

Para terminar o ano, tinha de ser em grande! E para isso fomos buscar uns dos nossos vinhos míticos, um daqueles que há mais tempo conhecemos, provamos e veneramos.

Trata-se duma colheita antiga do Reguengos Garrafeira dos Sócios, precisamente do ano em que o bebemos pela primeira vez (nessa altura a colheita que provámos era de 1989).

É um clássico que para nós é incontornável. Claro que com esta idade já perdeu alguma frescura e exuberância aromática, mas ganhou em elegância e suavidade e mantém um “bouquet” profundo e longo, a pedir copos largos e tempo de espera para libertar todos os aromas terciários. A madeira está lá mas apenas confere um certo tempero e estrutura ao vinho.

Ainda e sempre, para nós, um grande vinho!

E atenção, que agora já aí está o novo Reserva dos Sócios, que é uma espécie de irmão mais novo e que também promete altos voos. Já o provámos mas ainda não o bebemos à mesa. A seu tempo aqui falaremos dele.

Como sempre, os vinhos da CARMIM a deixarem-nos... com água na boca.

Bom ano para todos os nossos leitores e amigos. E boas provas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Garrafeira dos Sócios 1993 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em garrafeira: 14,90 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

No meu copo 633 - Casa de Sabicos Reserva 2013

Localizada no concelho de Redondo, mas mais perto de Reguengos de Monsaraz, a Casa Agrícola Santana Ramalho produz os vinhos Casa de Sabicos em homenagem à matriarca Avó Sabica, bisavó dos actuais produtores, que introduziu na propriedade o cultivo da vinha ainda no século XIX.

Este Casa de Sabicos Reserva tinto 2013, produzido com um lote mais ou menos clássico do Alentejo e em particular da sub-região de Reguengos, apresenta-se de cor granada intensa, aromas a frutos vermelhos maduros e compotas.

Na boca é bem estruturado mas redondo, com ligeiras notas de madeira bem integradas no conjunto e taninos firmes mas equilibrados. O final é longo e harmonioso.

Estagia 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Para primeira prova dos vinhos desta casa, não esteve nada mal e certamente merecerá novas abordagens.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa de Sabicos Reserva 2013 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Casa Agrícola Santana Ramalho
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon
Preço: 8,50 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida através de motor de busca

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

No meu copo 618 - Esporão, Duas Castas 2015

Depois duma pausa para férias, tivemos de fazer outra pausa por motivos de luto, que arrefeceram o ânimo da escrita.

Passada uma semana da infausta ocorrência, voltamos com outro vinho branco pós-férias. Trata-se do Duas Castas 2015, um branco produzido no Esporão com base nas duas melhores castas do ano.

Já tivemos oportunidades de provar diversas colheitas deste vinho, umas mais entusiasmantes e outras menos. Mas esta, provavelmente, superou todas!

Produzida com 65% de Roupeiro e 35% de Alvarinho, revelou uma excelente frescura e uma acidez vibrante e crocante, aroma intenso com notas tropicais, final vivo e prolongado.

Esta poderá ter sido a melhor edição deste Duas Castas, e só tenho pena de não ter mais garrafas… Se o encontrarem por aí, comprem-no sem hesitação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão, Duas Castas 2015 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Roupeiro, Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 23 de março de 2017

No meu copo 591 - Invisível, Aragonês 2013

Ainda na sub-região de Reguengos de Monsaraz, passamos de dois produtores clássicos para um produtor de uma geração mais nova.

A Ervideira foi inovadora em Portugal no lançamento deste branco de tintas como vinho tranquilo (uma vez que, como se sabe, isso é prática comum na produção de espumantes), e mais recentemente na criação de um “vinho de água” que repousa no fundo das águas do Alqueva.

A primeira prova deste Aragonês vinificado em branco mostrou um vinho com um leve rosado e parecendo quase um espumante sem borbulhas. Curiosamente, este foi bebido bastante mais tarde, já com mais de 3 anos depois da colheita. Por essa razão ou não, a verdade é que mostrou-se um vinho com outra personalidade.

Elegante mais estruturado, vivo e com boa acidez na boca, persistente e vibrante, com alguma mineralidade.

Um vinho claramente gastronómico e que é muito mais do que uma simples curiosidade por ser invulgar. Por esta prova mostrou também que é um vinho para guardar algum tempo antes e beber, pois cresce notoriamente na garrafa.

Muito bem conseguido. É mais um para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Invisível, Aragonês 2013 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 19 de março de 2017

No meu copo 590 - Terra Lenta Premium 2015

Continuando em Reguengos, passamos da Herdade do Esporão para a CARMIM.

A Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz tem vindo a aumentar o seu portefólio nos últimos anos, saindo daquele circuito fechado Monsaraz-Reguengos Reserva-Garrafeira dos Sócios, com mais algumas marcas a serem lançadas de vez em quando, como os monocastas. Agora há o Millennium, um novo Reserva dos Sócios e este Terra Lenta, nome ou alcunha dada a uma parcela de uma vinha que tardou em produzir.

Desta vinha surgiu o vinho que aqui aparece, com recurso às castas mais tradicionais.

Encorpado mas não muito concentrado, mais aberto, suave e macio.

A cor apresenta um granada não muito profundo, no nariz predominam os frutos silvestres, com final elegante e taninos redondos.

É um vinho interessante, que poderá valer a pena revisitar, embora o preço antes do desconto seja um pouco elevado. Continua o mistério dos descontos de 60 e 70% num determinado hipermercado...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terra Lenta Premium 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão
Preço em hipermercado: 9,99 € (em promoção: 3,49 €)
Nota (0 a 10): 7