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quarta-feira, 30 de março de 2016

Gala de Vinhos do Tejo 2016





Decorreu no passado dia 5 de Março no CNEMA, em Santarém, a Gala de Vinhos do Tejo 2016, organizada pela Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo.

Durante a cerimónia foram entregues os prémios Empresa Dinamismo, Empresa Excelência e Enólogo do Ano, bem como os prémios do VII Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo e do Tejo Gourmet 2015.

Este blog teve a honra de ser convidado pela organização para estar presente, o que fizemos com todo o prazer, abdicando de assistir em directo ao derby Sporting-Benfica que decorria à mesma hora. Mas, como na altura pensei, derbies há muitos e galas não há assim tantas...

Numa sala decorada em tons de vermelho (parecia premonição…) e com mesas postas para cerca de 320 pessoas, a noite iniciou-se com um cocktail onde pudemos começar a degustar os vinhos premiados, que estavam espalhados por diversas mesas, ao mesmo tempo que provávamos os acepipes que iam passando.

Cerca de uma hora depois, passámos às mesas onde iria ser servido o jantar, continuando a provar os vinhos à discrição.

Se no cocktail me dediquei principalmente a provar alguns brancos, à mesa virei-me para os tintos, seguindo algumas sugestões que me iam chegando. Tive oportunidade de provar um excelente Conde de Vimioso Reserva 2012, que desde logo prometeu ser o vinho da noite, pela pujança, corpo, estrutura, profundidade e persistência demonstradas.

Outro dos tintos provados foi o Mythos 2013, do Casal da Coelheira, encorpado e robusto mas com algumas arestas; provei também o Marufa Reserva 2011, um monocasta de Syrah com aroma intenso a especiarias, alguma tosta e boa concentração na boca; e finalmente o Casal da Coelheira Reserva 2013, com as mesmas castas do Mythos (Touriga Nacional, Touriga Franca e Cabernet Sauvignon) mas muito mais elegante e domado.

Nos brancos provámos ainda um Galileu 2015, um lote de Sauvignon Blanc e Arinto, que foi uma boa surpresa, com uma frescura que se tem tornado uma marca dos brancos do Tejo nos últimos anos.

Durante o jantar, que constou de trouxa de bacalhau com puré de grão e couve lombarda, coxa de pato com polenta de espargos, cogumelos e azeitona preta em redução de vinho tinto, e trilogia de doces do Tejo, foram sendo anunciados a intervalos regulares os premiados nas várias categorias. Destaque para os prémios de excelência, atribuídos aos vinhos Casal da Coelheira Private Collection Branco 2015, do Casal da Coelheira, e Conde de Vimioso Reserva tinto 2012, da Falua – a estrela que mais brilhou na nossa mesa...

Na nota de imprensa divulgada pela CVR Tejo são anunciados os principais premiados:

Com o prémio Empresa Excelência foi distinguida a Adega Cooperativa do Cartaxo, enquanto o Prémio Empresa Dinamismo foi atribuído à Adega Cooperativa de Benfica do Ribatejo, tendo sido Pedro Gil considerado o Enólogo do Ano 2015.

Concorreram 141 vinhos e 36 produtores na sétima edição do Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo, que tem como principal objectivo promover os Vinhos do Tejo, e cujas provas se realizaram no Museu Rural e do Vinho do Cartaxo, nos dias 10 e 11 de Fevereiro.

No âmbito deste concurso foram atribuídas 34 medalhas de ouro e 14 de prata.

Na categoria de Melhores Brancos da Colheita de 2015 o primeiro classificado foi o Cabeça de Toiro Reserva Branco 2015, do produtor Enoport United Wines, seguido pelo Casal da Coelheira Private Collection Branco 2015 (Casal da Coelheira) e pelo Conde de Vimioso 2015 (Falua).

Quanto aos Melhores Rosés da Colheita de 2015, Terra de Lobos Rosé 2015, do produtor Casal Branco, ficou em primeiro lugar, seguindo-se Cabeça de Toiro Reserva Rosé 2015 (Enoport United Wines) e @batista´s Colheita Selecionada Rosé 2015 (Pitada Verde).

Por sua vez, foram também revelados os resultados do Concurso “Tejo Gourmet”, cuja edição 2015 decorreu de 3 a 25 de Outubro, contando com a participação de 41 restaurantes. O concurso continua a desafiar a restauração de todo o país a preparar as melhores receitas harmonizadas com Vinhos do Tejo e este ano distinguiu os restaurantes participantes com 20 diplomas de ouro, 18 de prata e 10 condecorações especiais.

As condecorações especiais foram atribuídas a 11 restaurantes devido ao desempenho que apresentaram em critérios específicos considerados pelo júri.

Deste modo, o prémio “Revelação” foi atribuído aos restaurantes Beef & Wines (Funchal) e Dois Petiscos (Santarém). A distinção “Melhor Promoção” foi para o restaurante O Marisco (Albufeira), e o prémio de “Melhor Carta de Vinhos” foi atribuído ao restaurante Veneza (Albufeira).

Os prémios “Melhor Cozinha de Autor”, “Melhor Tradicional” e “Melhor Internacional” foram entregues aos restaurantes Taberna Ó Balcão (Santarém), Copo 3 (Cartaxo) e Calça Perra (Tomar), respectivamente.

Quanto às receitas propriamente ditas, o troféu “Melhor Entrada” foi para o restaurante Taverna do 8 ó 80 (Nazaré), o prémio “Melhor Prato Principal” foi entregue ao restaurante Sala de Corte (Lisboa) e o Café Alentejo (Évora) recebeu o prémio “Melhor Sobremesa”.

O restaurante Chalet Vicente, no Funchal, recebeu este ano o troféu “O Melhor Restaurante”.


A lista completa dos vinhos premiados pode ser consultada no site da CVR Tejo.

No blog Avinhar, um dos presentes no evento e meu comparsa na 3ª edição do Bloggers Challenge, está a lista completa de premiados no Concurso de Vinhos Engarrafados e os restaurantes distinguidos no Tejo Gourmet 2015.

Foi uma noite agradável, onde tive oportunidade de reencontrar alguns velhos conhecidos destas andanças vínicas e provar bastantes vinhos que ainda não conhecia. Agradeço, por isso, à Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo e à Comissão Vitivinícola Regional do Tejo pelo convite que nos endereçaram, e que permitiu confirmar através do lote de vinhos em presença que existe um novo Tejo vinícola que em nada fica a perder para outras regiões muito mais faladas. Os vinhos do Tejo renasceram, refizeram-se e trouxeram uma nova imagem para o mercado – a imagem da qualidade a bom preço, que é a que mais importa.

Daqui enviamos os nossos votos de sucesso para a região, e as felicitações pelo bom trabalho que tem sido realizado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 17 de abril de 2007

No meu copo, na minha mesa 106 - Casal da Coelheira Reserva 2003; Restaurante Chico Elias (Tomar)



Este é um daqueles restaurantes que aparecem em todos os roteiros gastronómicos, tendo granjeado tal fama que só se consegue lá ir marcando mesa com antecedência. Fica situado no lugar de Algarvias, na periferia de Tomar.

Fui lá almoçar num domingo e cheguei cedo, quando o restaurante ainda estava vazio. Existe uma primeira sala que dá acesso à sala maior, decorada com alguns motivos alusivos ao Ribatejo. Uma das principais referências da ementa é o coelho na abóbora e foi esse o prato previamente encomendado. O dito animal vem cozinhado dentro duma abóbora, cujo tamanho varia com o tamanho da dose, sendo acompanhado por batatas e grelos cozidos. Para quatro adultos e duas crianças calhou-nos uma abóbora... enorme, donde sobrou quase metade.

O coelho vem cozido num molho muito espesso que só é entrecortado pelos legumes do acompanhamento. Come-se, come-se, e aquilo nunca mais acaba. Convém não esquecer que, antes do prato propriamente dito, vêm para a mesa uma série de entradas que desde logo enchem metade do estômago se formos atrás do engodo: feijoada de caracóis (picante), morcela de arroz e petingas no forno foi o que se nos deparou.

Quando finalmente somos derrotados pela quantidade de comida, abre-se outro leque de escolhas para a sobremesa, onde acabámos por cair no tradicional leite-creme.

E depois deste fartanço, perguntam vocês, qual é o balanço? Pois digo que todos esperávamos... não mais, mas melhor. Tudo em grande quantidade, mas a qualidade não é nada de extraordinário que justifique tanta fama. Estaremos perante um daqueles casos em que se adormece à sombra da fama adquirida, ou será que a fama é mais artificial do que merecida?

Já me aconteceram outros casos de grandes famas não corresponderem à realidade encontrada, como foi o caso do Ramalhão, em Montemor-o-Velho. Enfim, vale a pena a experiência, mas fica aquém da expectativa criada por tanta publicidade. O Expresso, por exemplo, deu-lhe “garfo de ouro” em 2004, 2005 e 2006. Vale a pena ir ao site do jornal e ver os comentários dos leitores na secção “Boa cama, boa mesa”.

Quanto ao vinho, as opções não eram muito variadas, e mais uma vez houve alguma dificuldade para encontrar um vinho da região (Ribatejo) de qualidade, como já tinha acontecido no Almourol. Para não cairmos sempre nos alentejanos, escolhemos um tinto Casal da Coelheira Reserva de 2003. Diga-se que não passa da mediania. É um vinho medianamente encorpado, não muito robusto e não muito aromático. Está longe de outros como os Fiúza, os Casa Cadaval ou o Falcoaria, por exemplo, e também não parece querer ir muito mais além.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casal da Coelheira Reserva 2003 (T)
Região: Ribatejo
Produtor: Centro Agrícola de Tramagal
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvigon, Alicante Bouschet
Preço no restaurante: 10 €
Nota (0 a 10): 5,5

Restaurante: Chico Elias
Rua Principal, 70
Algarvias
2300-302 Tomar
Tel: 249.311.067
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 3,5

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

Mais comes e bebes

Ainda decorre até Domingo o 26º Festival Nacional de Gastronomia, na Casa do Campino em Santarém. Hoje mesmo começou o Festival Internacional de Chocolate de Óbidos, que vai decorrer até ao próximo dia 12. São muitos programas em pouco tempo, para quem quiser aproveitar.

Kroniketas, gastrónomo informado

domingo, 23 de abril de 2006

Krónikas duma viagem ao Douro - 1

Na minha mesa 40 - Restaurante Almourol (Tancos)




A pausa da quadra pascal foi aproveitada para uma viagem exploratória ao Douro Superior, com algumas incursões gastronómicas de que iremos dando conta nos próximos dias.

A primeira paragem foi em Tancos, localidade situada à beira-Tejo mais conhecida pelas vastas instalações para instrução militar. Ninguém ali iria de propósito a não ser por indicação expressa para visitar um restaurante. Tem o nome de Almourol, tem janela para o rio e para o castelo de Almourol, algumas centenas de metros para montante.

Visto de fora é uma vivenda com esplanada interior, que funciona como uma espécie de antecâmara do restaurante, onde o visitante é confrontado com algumas referências à gastronomia ribatejana. Franqueada a porta do restaurante propriamente dito, encontramos uma sala não muito grande, onde para além das referências gastronómicas são ainda apresentadas em destaque as referências vinícolas da região. Não deixa de ser curioso, no entanto, que estejam expostos alguns exemplares significativos de vinhos do Alentejo.

Dadas as limitações de espaço, quem for sem marcação deve chegar cedo. Para almoçar é conveniente estar lá até às 13 h, sob pena de não ter mesa. De qualquer ponto da sala vê-se o Tejo a deslizar quase por baixo dos nossos pés, e na margem oposta a localidade de Arrepiado. A recepção é simpática, o ambiente luminoso e arejado.

Ao sentarmo-nos encontramos um pequeno desdobrável na mesa onde é pedido ao cliente que faça a sua apreciação do restaurante sob vários parâmetros: a recepção, o tempo de espera, o asseio e a decoração do espaço, a qualidade e confecção dos produtos consumidos, a relação qualidade/preço, etc. Uma iniciativa interessante que outros deviam seguir.

Escolhidas cuidadosamente as iguarias, vieram uns lombinhos de porco em vinha d’alhos e uma espetada de vitela. Os lombinhos estavam excelentes de sabor e magnificamente tenros, como é raro. Já a espetada estava um pouco seca, embora saborosa. De destacar o facto de, nos acompanhamentos, termos uma travessa de barro com umas excelentes migas com grelos, que ainda sobraram.

No serviço dos vinhos é que aconteceu uma surpresa: pretendia-se beber meia garrafa de um vinho ribatejano, para fazer jus à região onde estávamos. A surpresa é que nos foram anunciados vinhos alentejanos, enquanto do Ribatejo só havia o Capítulo, de Tomar, e o Casal da Coelheira, do Tramagal. Optou-se por este último, que não sendo nada de extraordinário saiu-se satisfatoriamente da função.

Nas sobremesas ficámos extasiados com um doce regional de Tancos, à base de ovos e canela (ilustrado na foto). O preço também não pesa em excesso, ficando-se por cerca de 15 € numa refeição média sem exageros de entradas e digestivos.

No final ainda nos vieram pedir o código postal, para estatísticas internas do restaurante. Curioso foi o facto de o gerente, vendo o guia de restaurantes da Visão em cima da mesa, ter perguntado se o restaurante lá constava e pedir para fotocopiar a respectiva página... Para digerir o almoço, nada como um passeio até ao castelo de Almourol, ali a 5 minutos. Pode-se fazer um passeio de barco à volta da ilha e subir até ao castelo. Em suma, são uns momentos bem passados, onde se pode comer bem e depois respirar ar puro enquanto se vê patinhos a nadar.

Kroniketas, enófilo viajante

Restaurante: Almourol
Rua Cais de Tancos, 6
Tancos - Vila Nova da Barquinha
Tel: 249.720.100
Preço médio por refeição: 15 €
Nota (0 a 5): 4