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terça-feira, 19 de março de 2013

No meu copo, na minha mesa 306 - Jantar Dão Sul no restaurante Jacinto

Encontro espumante bruto 2006; Vinha de Saturno branco 2009;
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco 2009; Four C tinto 2007;
Vinha de Saturno tinto 2007; Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007


   
  
  
 

A visita ao Rubro para um jantar com vinhos da Quinta do Encontro, relatada no post anterior, reavivou-nos as memórias dum outro jantar ocorrido em Dezembro de 2010, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino.

Esteve presente o enólogo Carlos Lucas, que à data estava à frente da enologia da empresa, que nos recebeu com a apresentação do já citado espumante Encontro Bruto, e que já nessa ocasião nos agradou sobremaneira. Para além do espumante tivemos aí, também, o primeiro contacto com alguns vinhos de topo da empresa, como o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco, o Four C tinto, o Vinha de Saturno, branco e tinto, e para finalizar um Porto Vintage Quinta das Tecedeiras. Fica aqui o registo para a posteridade e as fotos a assinalar o evento.

Socorrendo-nos do registo no site da garrafeira, dos nossos apontamentos da altura e dos registos fotográficos, recordamos como decorreu a função.

  • Entradas: Os Jacintinhos (pastelinhos de bacalhau, rissóis de camarão, croquetes de carne, chamuças)
  • Vinho: Encontro espumante bruto 2006 (B) Região: Bairrada Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes Grau alcoólico: 12% Nota (0 a 10): 8 Bolha fina, aroma delicado, medianamente encorpado, fresco, suave e apelativo.
  • Prato: Portobelos recheados com queijo de cabra, rúcula e pesto
  • Vinho: Vinha de Saturno 2009 (B) Região: Alentejo Casta: Alvarinho Grau alcoólico: 13,5% Nota (0 a 10): 8,5 Um branco alentejano surpreendente, feito apenas da casta Alvarinho e fermentado em madeira mas sem marcar minimamente o perfil do vinho. Robusto, bem estruturado mas com a acidez e frescura do Alvarinho a dar uma ligação perfeita com o prato.
  • Prato: Tacos de bacalhau confitado em cama de espinafres e pasta de azeitonas
  • Vinho: Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 (B) Região: Dão Castas: Encruzado, Bical, Cerceal Grau alcoólico: 14% Nota (0 a 10): 8,5 Encorpado, final mais pesado mas elegante, excelente acidez e profundidade. Fermentado em madeira com micro-oxigenação, resultando em ligeira tosta no final. Um branco clássico.
  • Prato: Bochechas de novilho estufadas em vinho tinto com chalotas e batata gratinada
  • Vinho: Vinha de Saturno 2007 (T) Região: Alentejo Casta: Baga Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 9 Discreto no início mas abrindo-se num perfil robusto, poderoso, com grande estrutura na boca e final longo. Um corredor de fundo. Vinho: Four C 2007 (T) Região: Dão Castas: Baga, Touriga Nacional, Tinto Cão, Trincadeira Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 8,5 Aroma de ataque exuberante e profundo, taninos firmes mas sedosos, garra, persistência, mas acabando por se desvanecer um pouco. Favorece uma prova mais imediata e menos prolongada.
  • Sobremesa: Chiffon de chocolate com gelado de baunilha e espuma de frutos silvestres
  • Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007 Região: Douro/Porto Grau alcoólico: 20% Nota (0 a 10): 9 Doce, untuoso, vibrante, grande concentração de aromas e sabores a frutos vermelhos, sem sombra de aguardente, vibrante, sedoso, aveludado e redondo na boca. Novo mas com grande potencial de envelhecimento. Quase perfeito.


Do que nos recordamos desta ocasião, este jantar esteve praticamente ao nível do realizado uns meses antes com vinhos Niepoort, primando pela excelente confecção dos pratos e pelo nível dos vinhos apresentados, todos de qualidade a roçar o excepcional. Difícil é destacar algum, sendo que tanto os dois brancos (o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, do Dão, e o Vinha de Saturno, do Alentejo) como os tintos (o Four C do Dão e de novo o Vinha de Saturno) se apresentaram em elevadíssimo nível, cada um dentro do seu perfil. São vinhos de excepção que merecem uma degustação adequada e demorada. O mesmo se aplica quanto ao Porto Vintage da Quinta das Tecedeiras, um vintage ainda em fase de crescimento e a caminho do seu melhor.

Os preços estão em conformidade, o que torna menos apelativa a sua aquisição, mas neste tipo de jantares consegue-se tirar partido da qualidade apresentada, conjugada com um conjunto de pratos de confecção a condizer, pelo que o custo compensa. Depois do jantar Niepoort (contado aqui - 1ª parte - e aqui - 2ª parte) - e das últimas visitas ao restaurante Jacinto, este voltou a fazer jus à escolha e impõe-se como um ponto de referência para eventos do género.

Kroniketas, enófilo saudoso e satisfeito

domingo, 10 de fevereiro de 2013

No meu copo 302 - Porto Quinta de Ervamoira Vintage 2002

Voltando à senda das provas, falta referir um Porto Vintage da Quinta de Ervamoira, degustando entre o plenário dos provadores e mastigadores por ocasião do repasto festivo regado com vinhos da Casa Ferreirinha.

Entre a gama de vinhos do Porto que temos provado, os da Ramos Pinto são sempre dos que mais nos agradam, revelando uma macieza e um equilíbrio difíceis de encontrar, não brilhando tanto pela pujança mas antes pela suavidade e pelo fruto doce que habitualmente definem o estilo da casa.

Este Vintage de 2002 apresentou-se em pleno e muito apelativo, bebendo-se de forma gulosa e tendo desaparecido rapidamente dos copos. Pelo que custou, apresenta uma relação qualidade/preço difícil de bater dentro do género.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Quinta de Ervamoira Vintage 2002
Região: Douro/Porto
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 20%
Preço: 25,00 €
Nota (0 a 10): 9

terça-feira, 28 de julho de 2009

No meu copo, na minha mesa 250 - Jantar Niepoort no restaurante Jacinto (2ª parte)

Vertente 2007; Redoma tinto 2006; Charme 2007; Batuta 2007; Porto Niepoort Vintage 2007; Porto Niepoort Colheita 1998





Finalmente, chegaram as carnes e os tintos, servidos aos pares: um representante da gama intermédia da casa com outro da gama alta. Assim começámos com um Vertente 2007 e um Charme 2007, para acompanhar o mil-folhas de pato com alecrim. Em seguida, para o javali estufado com torta de legumes, uma parelha Redoma 2006 e Batuta 2007 (em garrafa ainda sem rótulo).

Tanto o Vertente como o Redoma são vinhos para um consumo mais imediato, com um perfil mais frutado e encorpado. O Vertente será talvez o mais simples e menos ambicioso, enquanto o Redoma apresenta outra complexidade. Sendo estes dois bons vinhos, não deixam de ser ofuscados pelos dois de topo. O Charme faz inteiro jus ao nome que ostenta: todo ele é charme desde a primeira impressão olfactiva até à prova de boca, marcada por extrema elegância, a pedir pratos plenos de requinte. Foi bem escolhido para o folhado de pato. Já o Batuta apresenta-se mais pujante e complexo, a pedir tempo para se mostrar em plenitude e a prometer longa vida e grandes voos.

Para as sobremesas ainda houve direito a um Porto Vintage de 2007, um Colheita de 98 e uma aguardente vínica. Só provei os Portos que não deixaram os créditos por copos alheios. Um dos primeiros Portos Vintage que me lembro de beber foi um Niepoort de 2003 que estava notável, e este não fugiu à regra. Grande corpo, grande profundidade, um vinho cheio de pujança que nunca mais acaba na boca, apresentando uma exemplar ligação entre a fruta e o álcool. Possivelmente um dos melhores Portos Vintage do país. O Colheita também não se saiu mal da função, com uma predominância a frutos secos e bastante elegante na prova. Já o Politikos, ainda molhou os lábios na aguardente vínica e reputou-a de excelente, aveludada e elegante, com a madeira muito presente mas sem ser agressiva.

Resta falar dos sólidos, onde não é fácil escolher, de tão bem confeccionados estavam. O bacalhau muito bem enquadrado com a pasta de azeitona, o mil-folhas de pato muito saboroso e macio e finalmente o javali, talvez o ponto alto da noite, bastante apetitoso e suculento.

Para as sobremesas veio uma encharcada alentejana em duelo com um pão de rala, irrepreensíveis, e para terminar com o Porto um Petit gâteau com gelado de baunilha que fechou a noite da melhor forma.

Serviço impecável, rápido e eficiente, tanto nos vinhos como nos pratos, não falhou nada nesta refeição magnífica onde todos estão de parabéns. A Wine O’Clock porque promoveu, a Niepoort porque forneceu os vinhos, o Jacinto porque serviu, e nós, os felizardos que lá estivemos porque pudemos participar numa refeição notável. Parece que o Jacinto, que atravessou tempos difíceis, está de volta aos melhores dias e a tornar-se um ponto de referência na gastronomia lisboeta.

Kroniketas, enófilo e gastrónomo satisfeito, com Politikos

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Telef: 21.759.17.28
Nota (0 a 5): 4,5

Região: Douro
Produtor: Niepoort Vinhos

Vinho: Vertente 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Amarela, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Redoma 2006 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Charme 2007 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Batuta 2007 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Vintage 2007
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Niepoort Colheita 1998
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Francisca, Tinta Amarela, Sousão, Tinta Roriz
Nota (0 a 10): 8

domingo, 17 de maio de 2009

No meu copo 239 - Porto Graham’s Vintage 1994

Continuando no registo dos Portos, temos aqui outro Vintage que fez sucesso entre os degustantes cá do grupo. Com um perfil completamente diferente do Taylor’s Vargellas referido no post anterior, e também com mais idade, este Graham’s é marcado pela suavidade e elegância, sem deixar de mostrar alguma robustez.
Na prova apresenta uma predominância a frutos secos com um final longo e marcado por um toque amendoado. É um Vintage em plena maturidade que parece ter entrado num patamar estável de evolução, que dá uma prova muito agradável. Não é fácil encontrá-lo nem é barato, mas pelo prazer que dá é uma aposta inteiramente ganha e que merece uma abertura dos cordões à bolsa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Graham’s Vintage 1994
Região: Douro/Porto
Produtor: Graham’s Port
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 55,80 €
Nota (0 a 10): 9

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Perdizes por um, perdizes por mil

No meu copo 238 - Hexagon 2000; Cartuxa 2006; Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005


Os Comensais Dionisíacos, braço político gastro-etilista que integra os escribas das KV, além dos repastos “oficiais” entre membros celebra também refeições não menos bem regadas, mas mais alargadas em termos de mastigantes, sendo estes supranumerários geralmente os familiares mais próximos.

Sendo caçador um dos associados, é normal que por vezes nestas refeições intervenham como mastigados espécimes das nobres raças abatidas pelo dito cujo ou pelo grupo de caçadores a que se junta na função, geralmente perdizes, lebres ou javalis. Fomos portanto reunidos em casa do Kroniketas (que não é o membro caçador – é mais deglutidor) para degustar um grupo de perdizes incautas, cozinhadas pela consorte do caçador de formas simples mas saborosas: umas com um molho à base de natas e whisky com cogumelos, outras envolvidas em couve lombarda acolitada por tirinhas de bacon.

Outro objectivo que se mantém nestes repastos alargados é acompanhá-los de bons néctares – também conhecido no meio como “desbaste da garrafeira”! Para este em particular escolheram-se, além de alguns brancos sortidos e fresquinhos – provenientes da sempre bem recheada garrafeira do anfitrião (Alvor 2007, Quinta de Camarate branco seco 2007, Murganheira 2007) – para acompanharem as entradas, um Esporão Reserva 2006, um Hexagon de 2000 em formato magnum (o tal vinho das 6 castas e 6 gerações) e um Cartuxa de 2006 que apareceu à última hora pela mão de um dos convivas. Para as sobremesas abriu-se um Porto Taylor’s Vargellas Vintage de 2005.

Coleccionando as reacções dos presentes, poderá dizer-se que o Esporão Reserva, após a recente experiência, re-deslumbrou, depois de uma travessia do deserto em algumas colheitas anteriores, com o Alicante Bouschet a dar-lhe um toque muito especial. Definitivamente um regressado aos mais altos lugares da nossa consideração vínica. O Hexagon, completamente diferente do anterior, mostrou-se um vinho de alto gabarito, com um perfil austero, ainda mais depois da festa que o Esporão tinha provocado no nariz e na boca dos beberrões, mas com uma estrutura extraordinária e a deixar-nos desconfiados de que ainda havia por ali muita coisa escondida. Comprem e bebam, porque é assim que um vinho excelente deve ser (uma das maneiras de o ser, como é óbvio). (Mete aqui a colherada o Kroniketas para ser mais generoso mas sucinto nos encómios. Só uma palavra: extraordinário!).

Ficou o Cartuxa para o final – uma ou outra ordem teria sempre justificação ou recusa – e não se deixou diminuir perante os outros dois. Sendo mais novo que o Hexagon e da mesma colheita que o Esporão, justificou-se plenamente a vivacidade exuberante, mostrando-se mais corpulento, mais fechado e mais robusto que o seu compadre alentejano, disse bem alto que estava ali para lutar: um vinho excelente que seria o centro das atenções se estivesse só. Teve um pouco de azar com os competidores.

Enfim, para não vos causar mais inveja, direi que, embora pessoalmente prefira os Vintage com um perfil como o utilizado pela Ramos Pinto, o Porto Vintage Vargellas cumpriu em pleno. Um festival de aromas a frutos vermelhos, de grande exuberância na boca e no nariz, pleno de vigor e juventude, a mostrar que está ali pronto para altos voos e longa vida na garrafa. O nosso único problema é comprá-lo e esperar uns 10 ou 20 anos até voltar a prová-lo. A verdade é que nem os morangos, nem a mousse de chocolate ou o bolo rançoso se queixaram.

Em resumo, um repasto que se pautou pela delícia gastronómica e pela excelência vínica. Para recordar.

tuguinho, enófilo impenitente e bloguista intermitente

Vinho: Hexagon 2000 (T) (garrafa magnum)
Região: Terras do Sado
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinto Cão, Syrah e Tannat
Preço em supermercado: 53,89 €
Nota (0 a 10): 9,5

Vinho: Cartuxa 2006 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Porto Taylor’s Vargellas Vintage 2005
Região: Douro/Porto
Produtor: Taylor’s
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: 33,48 €
Nota (0 a 10): 9

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

No meu copo 201 - Porto Dow’s Quinta do Bomfim Vintage 1987

Nos nossos repastos dos Comensais Dionisíacos temos vindo a introduzir cada vez mais frequentemente a componente do vinho do Porto para rematar a refeição, induzidos pelas escolhas do Politikos.

Este por acaso não foi uma escolha dele, e prometia, dada a idade e a marca. No entanto, à medida que vamos provando mais, vamos ficando mais exigentes. Ainda há pouco mais de dois anos eu escrevia aqui que não me sentia habilitado sequer a classificar um Porto LBV. Agora o leque tem-se alargado e já há alguns termos de comparação bastante interessantes.

Este Vintage da Dow’s mostrou-se uns furos abaixo de outros que temos vindo a provar. Algo parco de aromas e com o fruto meio desaparecido, sem aquela força que normalmente esperamos de um Vintage devido à idade, antes apresentando-se amaciado, mas pareceu que lhe faltava ali qualquer coisa, talvez uma personalidade mais marcada. Talvez a evolução não tenha sido a esperada, ou então não foi tão bom logo desde início.

Enfim, como em todas as categorias, há sempre uns melhores que outros. A verdade é que a Dow’s tem outros produtos de grande categoria, e não é por este não nos ter encantado que não voltaremos à carga.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porto Dow’s Quinta do Bomfim Vintage 1987
Região: Douro/Porto
Produtor: Dow’s
Grau alcoólico: 20%
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

No meu copo 149 - Porto Fonseca Vintage 1994; Porto Cálem 10 anos

O jantar de prova dos 3 Douros de 2001 foi balizado por dois Vinhos do Porto, um antes e um depois. Há alguns meses tínhamos adquirido meia garrafa de um Porto Fonseca Vintage de 1994, o ano perfeito dos Vintage segundo os especialistas. Este foi um dos vinhos portugueses mais pontuados de sempre na Wine Spectator e resolvemos dividir o mal pelas aldeias, que é como quem diz, os 100 € que custava a garrafa por 4.

Perante a preciosidade que tínhamos entre mãos, resolvemos degustá-lo antes do jantar, o que se afigurou assaz difícil porque a rolha se desfez à primeira tentativa, obrigando os outros comparsas a entreterem-se a tentar sacar a rolha e depois coar o vinho, enquanto eu me entretinha com os bifes à café.

A exígua quantidade disponível foi criteriosamente dividida pelos copos (enquanto eu continuava entretido com os bifes) e fomos deixando os aromas libertarem-se (enquanto eu acabava os bifes...). O primeiro contacto foi quase sublime. Uma cor carregada, opaca, aroma marcado a frutos secos (nozes) e algum caramelo. Na boca, o que se espera dum vinho destes: corpo interminável, grande estrutura mas também muita macieza para um vinho ainda não muito velho, terminando com alguma doçura. No fundo do copo os aromas ainda ficaram lá. Em suma, um vinho que nunca mais acaba.

O Porto Cálem foi trazido pelo Politikos, como vem sendo habitual, e ficou naturalmente para a sobremesa. Aqui o perfil é completamente diferente e não é possível comparar. Já bebi outros Portos de 10 anos e este não foi dos melhores. Uma cor acobreada, aroma também marcado por frutos secos e mel, mas pouco elegante na boca. Não é um vinho muito apetitoso, daqueles que apetece beber sempre mais, por isso sobrou quase metade da garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro/Porto

Vinho: Porto Fonseca Vintage 1994
Produtor: Fonseca Guimaraens
Grau alcoólico: 20,5%
Preço em hipermercado: 102 € (garrafa de 37,5 cl)
Nota (0 a 10): 10

Vinho: Porto Cálem 10 anos
Produtor: A. A. Cálem & Filho
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 10 €
Nota (0 a 10): 6

quinta-feira, 19 de julho de 2007

No meu copo 130 - Porto Quinta do Castelinho Vintage 1999; Porto Burmester LBV 2001; Porto Quinta da Pacheca LBV 2002

Estes três Portos foram apreciados em outras tantas ocasiões diferentes pelos Comensais Dionisíacos, no fim dos repastos e mesmo acompanhando os doces para alguns dos mastigantes. As peças foram fornecidas pelo Politikos, já membro de facto do referido grupo de bandalhos.

Mostraram carácter diferenciado, embora dentro dos parâmetros de um Vintage e de Late Bottled Vintage, respectivamente.

O Quinta do Castelinho mostrou-se contido de aroma, de travo seco um pouco invulgar neste tipo de Porto. Sendo um vinho de nível aceitável, com boa cor e corpo mediano, o escriba prefere-os mais encorpados e a rescenderem a frutos vermelhos muito maduros, o que não seria invulgar num Vintage com esta (pouca) idade.

O LBV da Burmester mostrou-se mais “mainstream” em relação ao seu tipo, fácil de beber mas sem grande corpo para um vinho deste tipo. Cor profunda sem ser retinta, aroma agradável mas um pouco linear.

O Quinta da Pacheca esteve um pouco acima do anterior, com boa cor e aroma um pouco mais rico, e corpo bastante para se ter aguentado bem no fim de um repasto farto e com várias sobremesas.

O meu defeito é que depois de ter bebido Vintage e LBV’s que nos inundam as narinas de aromas e deixam o copo vermelho, quaisquer outros sabem a pouco… Portos da Ramos Pinto e da Fonseca Guimaraens, voltem que estão perdoados!

tuguinho, enófilo esforçado

Região: Douro/Porto

Vinho: Porto Quinta do Castelinho Vintage 1999
Produtor: Quinta do Castelinho
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 25 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Porto Burmester LBV 2001
Produtor: Casa Burmester - Sogevinus
Grau alcoólico: 20%
Preço em hipermercado: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Porto Quinta da Pacheca LBV 2002
Produtor: Quinta da Pacheca
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço em hipermercado: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 10 de fevereiro de 2007

No meu copo 87 - Porto Niepoort Vintage 2003

Já aqui o referi anteriormente, não sou muito versado em termos de Vinho do Porto. Tenho bebido poucos ao longo da minha experiência enófila e quase nunca por minha iniciativa ou escolha, e na maioria Tawny’s que não me provocaram grandes sensações. Só recentemente comecei a dar mais atenção ao produto e resolvi comprar duas ou três garrafas de LBV, 10 anos e colheita. Isto leva tempo até se aprender.

Recentemente em casa de um amigo, ele resolveu começar o almoço com um Porto Vintage a acompanhar... as entradas. Disse que lhe apetecia um Porto como aperitivo e, se assim o pensou, melhor o fez. Na mesa, a par das fatias de salmão, tostas e patés, apareceu um Vintage de 2003 da Niepoort. E que posso dizer deste Vintage? Que estava óptimo, com toda a elegância que se espera dum vinho destes, e simultaneamente com alguma robustez na prova.

Claro que o problema foi passar depois para o vinho de mesa, pois este abafou um bocado o paladar. Foi preciso beber alguma água para começar de novo. Mas valeu a pena a experiência.

Kroniketas, enófilo ainda em aprendizagem sobre vinho do Porto

Vinho: Porto Niepoort Vintage 2003
Região: Douro/Porto
Produtor: Niepoort Vinhos
Grau alcoólico: 20%
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 9

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

No meu copo 10 - Quinta da Terrugem 97; Herdade Grande 02; Esporão Aragonês 02; Alentejo Sogrape Reserva 00; Murganheira Reserva Bruto 02; Porto Real Companhia Velha Vintage 01



Fomos atraídos por duas lebres, quais cães de caça em serviço. A diferença foi que neste caso as lebres já tinham entregue a alma ao criador e esperavam por nós dentro da panela, na casa do anfitrião, o famigerado Kroniketas.

Isto que vos vou contar foi no passado sábado, ao jantar, e tratou-se de uma reunião plenária do Grupo Gastrónomo-Etilista “Os Comensais Dionisíacos”, acrescentados das consortes e respectiva filiação. Ao todo onze crescidos, que são os que nos interessam para o caso, porque as criancinhas não degustaram os vinhos que acompanharam as lebres ao seu local de descanso final, os estômagos dos convivas.

Os lagomorfos (a terminação “morfos” não tem nada a ver com comida) estavam devidamente separados em pedaços em jeito de ensopado, com batata cozida e molho espesso, de que não guardo o segredo – só comi, não cozinhei! Também compareceram, para abrilhantar a festa, três perdizes perdidas escondidas no meio de lombarda e assaz (não assadas) apetitosas.

Os vinhos provieram dessa afamada adega que é a vasta garrafeira do Kroniketas (se bem que a do tuguinho não lhe fique atrás), reforçada com umas ofertas de peso. Depois das cervejolas da praxe e das entradas, iniciou-se o repasto propriamente dito com um Quatro Regiões 97 da Sogrape. A apreciação do néctar foi díspar, e portanto resolvemos não atribuir nota. Iremos abrir outra botelha proximamente e então diremos de nossa justiça. Os pormenores sobre este vinho peculiar serão escalpelizados nessa próxima nota de prova.

Continuámos com um Quinta da Terrugem 97, das Caves Aliança, que se mostrou um tanto delgado para o que se esperava dele. Boa cor, aroma razoável. Talvez seja já da idade, porventura demasiado avançada para um vinho alentejano.

A saga prolongou-se num Herdade Grande 2002, um Vidigueira produzido por António Manuel Lança, que nos surpreendeu pela positiva: excelente corpo, bom aroma e uma estrutura sólida com um fim de boca razoável provaram-nos mais uma vez que não é apenas o preço que distingue os vinhos.

Antes que nos chamem bêbedos, lembrem-se que eram onze pessoas, das quais sete beberam vinho tinto. É incrível como uma garrafa se esvazia depressa nestas circunstâncias!

O percurso etílico atravessou um Aragonês 2002 do Esporão, que cumpriu, como aliás é hábito. Um ligeiro aroma a mofo desvaneceu-se rapidamente no copo e deixou apreciar na sua plenitude este monocasta que é um valor seguro, com bom aroma característico da variedade, com evolução e uma cor espessa que teve tradução na boa estrutura e nos taninos.

Finalmente, fizemos uma paragem numa garrafa de Alentejo Sogrape Reserva 2000. E em boa hora o deixámos para o fim! Ao contrário do esperado, suplantou o Aragonês do Esporão e guindou-se ao posto de melhor vinho da noite. Uma estrutura espantosa para um vinho do Alentejo com cinco anos, uma cor retinta, aromas secundários e terciários para dar e vender. Acima das expectativas portanto, se bem que as iniciais já fossem boas.

Houve também um D.O.A. (Death On Arrival), um Vale Barqueiros 1998 que, pelo odor e pela cor quase de tijolo, serviria apenas para temperar qualquer coisa, não para beber.

Para aquela zona dos brindes e da sobremesa, começámos com um espumante Murganheira Reserva Bruto 2002, de bolha fina e sabor elegante, que não causou estragos nos estômagos já quase repletos.

A sobremesa propriamente dita constou de bolo rançoso e de charlotte de chocolate – tudo coisas sem calorias e que não engordam de forma nenhuma. Para as acompanhar, além do dito espumante, um Porto Vintage 2001 da Real Companhia Velha – um vintage moderno, sem arestas, de cor carmim carregado e ainda com laivos de doce, que se portou muito bem –, e um whisky de malte Famous Grouse Single Malt de 12 anos, para os comensais que apreciam. Ainda vi por lá passar uma garrafa de aguardente bagaceira do I.V.V., com cerca de 13 anos de idade e bastante para contar sobre os cascos que a tornaram amarela.

E pronto. Depois de muita conversa animada que prolongou o plenário quase até às duas da manhã, cada um foi para sua casa com a sensação do dever cumprido. Sim, porque nós somos uns escravos do dever!

tuguinho, enófilo sóbrio e escravo do dever
Kroniketas, anfitrião famigerado


Vinho: Quinta da Terrugem 1997 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Aliança Vinhos
Preço em feira de vinhos: 17,5 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Herdade Grande 2002 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: António Manuel Lança
Preço em feira de vinhos: 9,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Aragonês (Esporão) 2002 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Herdade do Esporão
Preço em feira de vinhos: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Alentejo Sogrape Reserva 2000 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Preço em feira de vinhos: 9,89 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Murganheira Reserva espumante bruto 2002 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa
Preço em feira de vinhos: 8,75 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Porto Real Companhia Velha Vintage 2001
Região: Douro/Porto
Produtor: Real Companhia Velha
Preço em feira de vinhos: 17,5 €
Nota (0 a 10): 7,5