quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

No meu copo 650 - Caladessa Escolha branco 2014; Caladessa Escolha tinto 2012

Duma combinação de castas que mistura várias origens regionais nasceram estes dois vinhos da Herdade da Calada com a designação Escolha.

No caso do branco “importou-se” o Alvarinho para fazer o lote com o Arinto e o Fernão Pires. Acontece que, não obstante a marcada acidez das castas, em especial o Alvarinho e o Arinto, essa característica não estava evidente dentro da garrafa. O aroma mostrou-se discreto, com notas de citrinos e alguma fruta branca, o vinho pouco expressivo e exuberante na boca, o final curto.

No caso do tinto, foi-se buscar a Touriga Nacional para lotear com a Tinta Caiada e o Alfrocheiro. Resultou um vinho elegante e suave, de aroma discreto com predominância a frutos vermelhos e persistência média.

Feito o balanço, ambos ficaram aquém das expectativas e de alguma forma desiludiram. Precisarão, provavelmente, duma segunda oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade da Calada

Vinho: Caladessa Escolha 2014 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alvarinho, Arinto, Fernão Pires
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Caladessa Escolha 2012 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Tinta Caiada, Alfrocheiro, Touriga Nacional
Preço: 7,11 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 27 de janeiro de 2018

No meu copo 649 - Quinta do Boição Espumante Extra Bruto 2010


Este espumante foi uma gentil oferta da Enoport, no final dum evento de apresentação de novos vinhos brancos (a relatar em breve).

Foi aproveitado para comemorar uma efeméride de fim de ano, e cumpriu bem a função, mostrando tudo aquilo que se espera dum espumante bruto. Extra bruto, neste caso.

Suave, elegante, macio e redondo, com bolha fina e persistente, boa acidez e frescura na boca, final persistente e vivo. Muito mais do que uma bebida apenas para celebração, é uma bebida para a mesa mas que fica muito bem com sobremesas devido à sua boa acidez e secura. O Arinto no seu melhor no seu terroir de excelência.

O preço de referência torna-o um produto muito apetecível.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta do Boição Espumante Extra Bruto 2010 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de Bebidas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço: 5,85 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

No meu copo 648 - Padre Pedro Reserva branco 2015

Um branco recente da Casa Cadaval, produzido com 90% de Viognier e 10% de Arinto que lhe confere a frescura e acidez suplementar. Aroma intenso, alguma mineralidade e algum citrino, bom volume de boca, com boa acidez e persistência, com final elegante e com alguma complexidade.

É um branco interessante, de meia-estação, que parece apresentar alguma polivalência em termos de pratos para acompanhar. A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Padre Pedro Reserva 2015 (B)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viognier (90%) Arinto, (10%)
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

No meu copo 647 - Lagoalva Reserva tinto 2013; Lagoalva Talhão 1 branco 2016

Temos provado bons vinhos da Quinta da Lagoalva, tintos, brancos e rosados. Os brancos e rosés têm sido particularmente bem conseguidos.

Este tinto Reserva ficou aquém das expectativas. Mostrou aroma discreto, encorpado e suave mas com final algo curto.

Faltou-lhe alguma coisa para ser verdadeiramente interessante, mas damos-lhe o benefício da dúvida e veremos se noutras colheitas o resultado é mais convincente.

Já o branco confirmou as boas impressões de provas anteriores, que referimos aqui. É um branco muito fresco e aromático, suave e de aroma intenso e vivo na boca. Tem uma excelente relação qualidade-preço e merece constar nas nossas sugestões.

Um produto bem conseguido e bem acabado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima

Vinho: Lagoalva Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,0%
Castas: Alfrocheiro, Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Lagoalva Talhão 1 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Alvarinho, Fernão Pires, Sauvignon Blanc e Verdelho
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

No meu copo 646 - Frei João 1996

Mais um regresso a um clássico, com este Frei João com mais de 20 anos em versão meia-garrafa. Foi necessário filtrá-lo pois apresentava bastante depósito, mas apresentou-se ainda de cor granada com ligeiros laivos atijolados, mas a não revelar traços da idade que já tem.

No nariz apresentou-se com aromas terciários algo fechados, e na boca mostrou-se com boa estrutura e macio com final persistente e suave. Mais uma boa edição para revisitar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 1996 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

No meu copo 645 - Ramos Pinto Collection 2006, 2008, 2009

Depois da prova anterior do Ramos Pinto Collection, houve oportunidade de fazer uma prova vertical com as colheitas de 2006, 2008, 2009 e 2010 a acompanhar um repasto de lombo de porco no forno com coentros.

Começou-se pelo 2006, que deixou toda a gente extasiada! Apresentou-se com grande exuberância aromática, muito estruturado e persistente. Curiosamente, sendo o mais antigo dos quatro foi o que apareceu mais pujante e com menos evolução. Um par perfeito para o prato.

Prosseguindo na ordem cronológica, passou-se ao 2008, que foi o mais suave e elegante, e mereceu a preferência de alguns dos provadores. Apareceu num estado de evolução mais delicado e a pedir carnes mais requintadas.

O 2009 foi o mais neutro em termos de aroma e corpo. Mais elegante mas menos definido nas suas componentes, talvez num ponto de evolução mais incerto.

Finalmente foi possível repetir o 2010, que voltou a mostrar a grande exuberância que já tinha apresentado na prova anterior.

Num panorama geral, o que marca estes vinhos é por um lado a estrutura e persistência, com taninos bem marcados mas redondos; por outro a elegância subjacente que. mesmo nas colheitas donde resultaram vinhos mais poderosos, está sempre presente no modo como o vinho arredonda na prova de boca e no final. Com estas idades as notas frutadas já não são muito evidentes, mas tendo em conta as castas os traços essenciais são de frutos vermelhos maduros com ligeiras notas mentoladas e florais. Em todo o caso, excelentes vinhos em qualquer uma das colheitas, todas diferentes umas das outras.

Ainda restam alguns exemplares noutra garrafeira, pelo que qualquer dia poderemos repetir uma vertical para testar novamente o estado de evolução.

O rótulo de 2008, inspirado no tema “Tentação de Santo Antão”, foi desenhado em 1907 por Leopoldo Metlicovitz. O de 2009, que deixa para trás a Belle Époque para se render à idade do Jazz Band (descrição presente no contra-rótulo), chama-se Farandolle e é uma obra de 1926 de Leonetto Cappiello, considerado o melhor “cartazista” do seu tempo. O de 2010 mostra uma imagem de bacantes com tigres, obtida num postal de 1916.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Preço: 9,75 € (em 2013)

Vinho: Ramos Pinto Collection 2006 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Ramos Pinto Collection 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (30%), Touriga Franca (30%), outras (40%)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ramos Pinto Collection 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (25%), outras (25%)
Nota (0 a 10): 8


sábado, 6 de janeiro de 2018

No meu copo 644 - Castelo do Sulco Reserva 2013

Este foi um vinho que surpreendeu, pois as expectativas eram poucas, ou quase nenhumas.

Não sendo um vinho dos mais conhecidos provenientes da Quinta do Gradil, surpreendeu pelo corpo, pela robustez e persistência. No aroma mostrou-se vinoso e com alguma profundidade, com algumas notas balsâmicas e a frutos vermelhos. O final é persistente e com alguma complexidade.

Bastante bem conseguido para aquilo que se esperava.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Castelo do Sulco Reserva 2013 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah
Preço: 5,14 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

No meu copo 643 - Porta dos Cavaleiros 1983; Frei João 1984

Para iniciar o ano, revisitamos dois clássicos das Caves São João já com mais de 30 anos, e que eram referências na sua época.

Não são, nem nunca foram, vinhos de topo da casa, mas eram e continuam a ser dois emblemas. Passados todos estes anos tivemos oportunidade de adquiri-los, tal como o Garrafeira dos Sócios referido no post anterior (felizmente vai havendo umas garrafeiras que disponibilizam estas relíquias).

Nesta altura já não são vinhos que encantam, porque não têm exuberância, têm pouco corpo e pouca persistência. Mas têm elegância, suavidade e aquele corpo e persistência especial dos velhos tintos do Dão e da Bairrada, e aquele final de boca que nos deixa a saborear o vinho já depois dele ser ter ido embora.

É sempre bom recordar estes vinhos que já quase não existem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Caves São João

Vinho: Porta dos Cavaleiros 1983 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço em garrafeira: 9,98 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Frei João 1984 (T)
Região: Bairrada
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: não indicadas
Preço em garrafeira: 9,98 €
Nota (0 a 10): 7