quinta-feira, 27 de abril de 2017

No meu copo 599 - Quinta do Valdoeiro, Cabernet Sauvignon 2011

Já tinha saudades de beber um Cabernet assim, com um aroma clássico e a fugir da modernidade e dos exageros aromáticos dos pimentos. Apresentou notas especiarias, de cacau e frutos vermelhos, com boa estrutura e taninos firmes e redondos.

Na boca mostrou-se encorpado e persistente, com elegância e alguma adstringência contida, num conjunto muito equilibrado.

Estava num ponto óptimo de consumo, pelo que o tempo de garrafa lhe foi favorável, e revelou ser uma boa aposta das Caves Messias neste registo monocasta.

Para mim, que sou fã da Bairrada e do Cabernet Sauvignon, juntam-se nesta garrafa duas paixões para repetir.

Bom trabalho da Messias neste Quinta do Valdoeiro.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta do Valdoeiro, Cabernet Sauvignon 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8


terça-feira, 25 de abril de 2017

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Penso que já aqui o referi - todas as datas comemorativas, por mais importantes que sejam, estão condenadas a perder uma boa parte do seu significado à medida que se perde a memória directa.

Portanto é aproveitar enquanto estamos vivos e nos lembramos das diferenças do antes e depois, e continuar a celebrar a Liberdade que o dia 25 de Abril de 1974 nos deu!

Bem haja quem o fez, bem haja quem o manteve!

Nós continuaremos por aqui, melhor ou pior, a debitar as nossas opiniões, políticas ou enófilas, sem medo de que alguém nos corte a palavra.

Tenham um excelente 25 de Abril.


tuguinho e Kroniketas, diletantes de cravo ao peito

domingo, 23 de abril de 2017

No meu copo 598 - Casa de Saima Garrafeira, Baga 2008

Adquirido na garrafeira Wines 9297, onde restava apenas uma meia-dúzia de exemplares, não resisti a experimentar este garrafeira da Casa de Saima, feito exclusivamente de Baga e a caminho dos 9 anos de idade. Talvez merecesse esperar mais uns anos, mas se ficamos todo o tempo à espera da melhor ocasião nunca sabemos quando ela chega.

Não tendo sido decantado, o que provou não ser a melhor opção, foi evoluindo como se esperava à medida que se esvaziava a garrafa.

Apresentou uma cor granada muito concentrada e no início mostrou-se muito fechado de aromas. À medida que se foi libertando revelaram-se aromas de compotas e frutos do bosque. Ao mesmo tempo foi mostrando mais acidez e estrutura, com alguma adstringência a ser amaciada.

No final, ficou a sensação de que se podia ter usufruído algo mais dando-lhe mais tempo para respirar, e estando mais tempo à mesa a apreciá-lo. Não houve tempo, mas numa próxima ocasião voltaremos a esta Casa de Saima, que agora ressurge sob a batuta de Paulo Nunes, o conhecido enólogo da Casa da Passarela.

Tal como aconteceu com outros produtores da Bairrada que estiveram como que “hibernados” durante algum tempo, este ressurge a querer ocupar o lugar que lhe deve pertencer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Casa de Saima Garrafeira, Baga 2008 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Graça Miranda
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Baga
Preço: 29,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 20 de abril de 2017

No meu copo 597 - Campobarro Reserva 2011

No seguimento do evento Extremadura/Alentejo, tive a possibilidade de provar um vinho, à minha escolha, que levei para casa. Dentro dos disponíveis escolhi uma das marcas mais referidas da noite, o Campobarro. Neste caso tratou-se de um monocasta de Tempranillo, a equivalente à nossa Tinta Roriz/Aragonês.

(Aliás, o nome Aragonês que lhe é dado no sul de Portugal talvez tenha a sua origem no reino de Aragão. Será?)

Foi uma escolha que de certa forma me surpreendeu, porque o vinho revelou um perfil algo diferente da maioria dos restantes, mas com as características que costumam ser típicas do Tempranillo nos vinhos mais a norte de Espanha, nomeadamente em Ribera del Duero.

Mostrou-se bem estruturado mas aberto, persistente, com final longo, um toque a especiarias e com predominância a frutos vermelhos. Mas o que mais me impressionou neste vinho foi a robustez e estrutura, em linha com os 14,5% de álcool que, apesar de tudo, estavam bem envolvidos no conjunto.

Em conclusão, um bom vinho, que deixa uma boa imagem desta região vitivinícola.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Campobarro Reserva 2011 (T)
Região: Ribera del Guadiana (Espanha)
Produtor: Bodega San Marcos
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Tempranillo
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 17 de abril de 2017

XIV Encontro de vinhos Extremadura/Alentejo



Em Outubro de 2016 decorreu no El Corte Inglés, em Lisboa, o evento Experimenta Extremadura EXT’16, numa organização da Junta de Extremadura com o objectivo de dar a conhecer aquela província espanhola. O certame contou com mostras de cinema, literatura, flamenco, cozinha e não podiam faltar os vinhos.

Neste âmbito, realizou-se no dia 25 de Outubro, no restaurante do 7º piso, o XIV Encontro de vinhos Extremadura/Alentejo numa organização conjunta da Câmara do Comércio da Extremadura e do Turismo de Portugal. Esta prova teve como finalidade permitir aos participantes fazer uma prova comparada dos vinhos alentejanos e os daquela região espanhola que é vizinha do Alentejo.

Foram também entregues os prémios Arabel aos vinhos seleccionados por um júri que contou com a presença de especialistas dos dois lados da fronteira, entre os quais Fernando Melo, da Revista de Vinhos.

Durante a prova foram servidos alguns acepipes, como tostas, queijo e presunto.

Dada a elevada quantidade de vinhos presentes, torna-se impossível mencionar aquilo que foi provado, pois tentou-se provar um pouco de tudo, com especial incidência nos vinhos de Espanha, pois a maioria dos alentejanos presentes já são sobejamente conhecidos.

O que resultou da prova realizada pode descrever-se assim: a maioria dos vinhos da Extremadura espanhola mostraram-se menos encorpados e mais macios que os portugueses, mas com menos intensidade aromática. Comparativamente, os alentejanos são mais robustos e encorpados e também mais exuberantes no aroma.

Houve alguns exemplares que me agradaram bastante, com destaque para os tintos da Bodega San Marcos. No final do evento os presentes puderam escolher um dos vinhos presentes para levar para casa.
Foi um evento interessante e agradável, não só por colocar em confronto duas regiões contíguas dos dois países mas particularmente pelo facto de dar a conhecer uma região vitivinícola de Espanha que não é das mais conhecidas, e que assim pôde mostrar o seu potencial.
Resta agradecer à empresa promotora “Message in a bottle” pelo convite e aos participantes no evento que nos proporcionaram esta prova invulgar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

A lista de vinhos premiados foi a que se segue:

Alentejo

Vinhos Brancos Jovens
Alenvinus – J. Costa Vargas A. Vaz 2015 – Arabel de Ouro
Monte da Comenda Agroturismo – Comenda Grande Branco 2015 – Arabel de Prata
Adega Mayor – Monte Mayor Branco 2015 – Arabel de Honra

Vinhos Brancos Maduros
Sociedade Agrícola de Pias – Encostas do Enxoé Branco 2015 – Arabel de Ouro
J. Protugal Ramos – Vila Santa Reserva – Arabel de Prata
Adega Mayor – Reserva do Comendador Branco 2015 - Arabel de Honra

Vinho Rosé

Fita Preta Vinhos - Rosé da Fita Preta – Arabel de Prata

Vinho Biológico (Tinto)
Soc. Agrícola Herdade de Lagos – HDL Touriga Nacional 2015 – Arabel de Ouro
Vinho Tinto Jovem
JJMR – Sociedade Agrícola - SEI LÁ! - Arabel de Prata
Companhia das Quintas – Portal da Vinha – Arabel de Honra

Vinho Tinto de 3-6 meses
Adega Mayor – Monte Mayor Reserva Tinto 2014 – Arabel de Ouro
Carmim – Monsaraz Millennium 2015 – Arabel de Prata
JJMR – Sociedade Agrícola - Herdade dos Veros Selection 2014 – Arabel de Honra

Vinho Tinto com mais de 6 meses
Soc. Agrícola D. Dinis – Monte da Ravasqueira Reserva Tinto 2014 – Arabel de Ouro
Adega Mayor – Reserva do Comendador Tinto 2013 – Arabel de Prata
Carmim – Monsaraz Reserva 2014 – Arabel de Honra


Extremadura

Vinho Branco Maduro
Parfoex – Encinablanca de Albuquerque (Vino Verdejo) - Arabel de Ouro
Santa Marta - Blasón del Turra Pardina Cayetana – Arabel de Prata
Bodegas Romale - Viña Romale – Arabel de Honra

Vinho Rosé
San Marcos – Campobarro Rosado – Arabel de Prata
Viñaoliva - Zaleo Rosado – Arabel de Honra

Vinho Biológico
Bodegas Fuentes – Leneus Reishi – Arabel de Ouro
Bodegas Castelar – Pago de las Mojas – Arabel de Honra

Vinho Tinto Jovem
San Marcos – Campobarro Tempranillo – Arabel de Ouro
Viñaoliva - Zaleo Tinto – Arabel de Prata
Santa Marta - Blasón del Turra Tempranillo – Arabel de Honra

Vinho Tinto de 3-6 meses
Parfoex – Encinablanca de Albuquerque – Arabel de Ouro
Bodegas Carabal – Carabal Rasgo – Arabel de Prata
Sat San Antonio – Talmo Roble – Arabel de Honra

Vinho Tinto com mais de 6 meses
Bodegas y Viñedos Pozanco – 10|12 Selección - Arabel de Ouro
San Marcos – Campobarro Crianza – Arabel de Prata
Bodegas Carabal – Carabal Cávea 2012 – Arabel de Honra

quinta-feira, 13 de abril de 2017

No meu copo 596 - Barrancos - Castelo de Noudar Colheita Seleccionada 2011

Terminamos esta longa viagem pelos vinhos do Alentejo, que começou em Campo Maior, descendo até Barrancos, junto à fronteira espanhola no distrito de Beja. Passámos por Vidigueira, Reguengos de Monsaraz, Estremoz, Sousel e Portalegre.

O produtor Manuel Baleizão Chamorro produz na Quinta de S. João, situada na margem esquerda do Guadiana, este vinho designado Castelo de Noudar em referência à fortaleza de Noudar, monumento nacional desde 1970 e marco importante da história local.

Não pertencendo a nenhuma das sub-regiões demarcadas, o concelho de Barrancos tem como vizinha mais próxima a sub-região da Granja-Amareleja, uma das zonas mais quentes do país e onde se registam máximos de temperatura ao longo do Verão, sendo também uma das zonas com menos pluviosidade. Esta circunstância deu origem a um pormenor curioso indicado no contra-rótulo: a vindima destas uvas foi a primeira da Europa em 2011.

Temos assim uma zona donde saiu este tinto de elevado grau alcoólico mas que, em função das castas utilizadas, permite obter um vinho de aroma vinoso intenso, com alguma frescura dada pela Touriga Nacional equilibrada com a estrutura do Alicante Bouschet, sem perder o carácter robusto e encorpado do Alentejo, com final persistente e complexo.

Foi uma oportunidade rara para provar este vinho da vila raiana, que pelo preço no produtor merece ser conhecido. Um alentejano de perfil clássico que não desmerece de outras marcas mais conceituadas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Barrancos - Castelo de Noudar Colheita Seleccionada 2011 (T)
Região: Alentejo (Barrancos - Granja-Amareleja)
Produtor: Manuel Baleizão Chamorro
Grau alcoólico: 15%
Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço no produtor: 5,00 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 8 de abril de 2017

No meu copo 595 - Terrenus: branco 2013; tinto 2012

Continuamos este périplo por terras alentejanas com uma incursão ao Alto Alentejo, para pequenas vinhas localizadas na Serra de S. Mamede e trabalhadas pelo ribatejano Rui Reguinga.

Falamos do Terrenus, branco e tinto. Há alguns anos tive o primeiro contacto com os vinhos de Rui Reguinga, lá mesmo em Portalegre. Desde então nunca mais me tinha cruzado com eles à mesa.

O Terrenus branco 2013 fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês. Apresenta-se com alguma mineralidade, aroma frutado, boca com boa estrutura, frescura e final médio.

O Terrenus tinto 2012 fermentou 14 meses em barricas de carvalho francês. Mostrou-se macio, encorpado mas de aroma algo discreto. Na boca é equilibrado, fresco, com final suave e persistente.

São dois alentejanos de altitude, que mostram assim um perfil mais fresco e mais leve que os mais encorpados das zonas mais quentes. Não sendo excelentes, são agradáveis para fugir a um perfil mais pesado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga Enologia

Vinho: Terrenus 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires, Roupeiro
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Terrenus 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 10,45 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 4 de abril de 2017

No meu copo 594 - Mouchão 2005

Subimos mais um bocadinho e paramos em Sousel, na Herdade do Mouchão, um dos clássicos e mais prestigiados tintos portugueses.

Não tenho tido muitas oportunidades de provar este vinho, mas aquelas que tive não me encantaram. Ainda no final do ano passado, no evento “Alentejo em Lisboa”, provei a colheita de 2011.

Mais recentemente abri esta garrafa que estava guardada, e provei-a com o tuguinho. Não é que o vinho não seja bom. Ou mesmo muito bom. É, sim senhor. É bem estruturado, longo, suave, os taninos são redondos e elegantes. Mas parece que lhe falta talvez... personalidade.

Comparando-o com outros no mesmo patamar de preço, ou mesmo mais abaixo (estou a lembrar-me por exemplo do Esporão Reserva e do Tapada de Coelheiros, que custam pouco mais de metade, do Duas Quintas Reserva, que é mais barato, ou do Quinta da Leda, que tem um preço semelhante), parece-me sempre que lhe falta mais qualquer coisa, aquele plus que o torne o grande vinho que passa por ser.

Não sei, o defeito pode ser meu, se calhar ainda não consegui compreender este vinho. Põe-se à temperatura adequada, decanta-se, areja-se, espera-se, aspira-se, prova-se, espera-se outra vez à espera de algo mais... que não aparece. Não encontro ali nada que me impressione particularmente, que me deixe uma memória marcante, que me diga claramente o que é este vinho.

Tenho sempre a sensação de que é demasiado caro para aquilo que vale. Mas pronto, limito-me a remeter-me à minha insignificância, e deixar a melhor apreciação deste vinho para aqueles que sabem mais do que eu e conseguem dar-lhe o devido valor. Se calhar, se custasse metade não esperaria tanto dele...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Mouchão 2005 (T)
Região: Alentejo (Sousel)
Produtor: Vinhos da Cavaca Dourada - Herdade do Mouchão
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira
Preço em hipermercado: 30,99 €
Nota (0 a 10): 8