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terça-feira, 19 de março de 2013

No meu copo, na minha mesa 306 - Jantar Dão Sul no restaurante Jacinto

Encontro espumante bruto 2006; Vinha de Saturno branco 2009;
Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco 2009; Four C tinto 2007;
Vinha de Saturno tinto 2007; Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007


   
  
  
 

A visita ao Rubro para um jantar com vinhos da Quinta do Encontro, relatada no post anterior, reavivou-nos as memórias dum outro jantar ocorrido em Dezembro de 2010, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino.

Esteve presente o enólogo Carlos Lucas, que à data estava à frente da enologia da empresa, que nos recebeu com a apresentação do já citado espumante Encontro Bruto, e que já nessa ocasião nos agradou sobremaneira. Para além do espumante tivemos aí, também, o primeiro contacto com alguns vinhos de topo da empresa, como o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador branco, o Four C tinto, o Vinha de Saturno, branco e tinto, e para finalizar um Porto Vintage Quinta das Tecedeiras. Fica aqui o registo para a posteridade e as fotos a assinalar o evento.

Socorrendo-nos do registo no site da garrafeira, dos nossos apontamentos da altura e dos registos fotográficos, recordamos como decorreu a função.

  • Entradas: Os Jacintinhos (pastelinhos de bacalhau, rissóis de camarão, croquetes de carne, chamuças)
  • Vinho: Encontro espumante bruto 2006 (B) Região: Bairrada Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes Grau alcoólico: 12% Nota (0 a 10): 8 Bolha fina, aroma delicado, medianamente encorpado, fresco, suave e apelativo.
  • Prato: Portobelos recheados com queijo de cabra, rúcula e pesto
  • Vinho: Vinha de Saturno 2009 (B) Região: Alentejo Casta: Alvarinho Grau alcoólico: 13,5% Nota (0 a 10): 8,5 Um branco alentejano surpreendente, feito apenas da casta Alvarinho e fermentado em madeira mas sem marcar minimamente o perfil do vinho. Robusto, bem estruturado mas com a acidez e frescura do Alvarinho a dar uma ligação perfeita com o prato.
  • Prato: Tacos de bacalhau confitado em cama de espinafres e pasta de azeitonas
  • Vinho: Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 (B) Região: Dão Castas: Encruzado, Bical, Cerceal Grau alcoólico: 14% Nota (0 a 10): 8,5 Encorpado, final mais pesado mas elegante, excelente acidez e profundidade. Fermentado em madeira com micro-oxigenação, resultando em ligeira tosta no final. Um branco clássico.
  • Prato: Bochechas de novilho estufadas em vinho tinto com chalotas e batata gratinada
  • Vinho: Vinha de Saturno 2007 (T) Região: Alentejo Casta: Baga Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 9 Discreto no início mas abrindo-se num perfil robusto, poderoso, com grande estrutura na boca e final longo. Um corredor de fundo. Vinho: Four C 2007 (T) Região: Dão Castas: Baga, Touriga Nacional, Tinto Cão, Trincadeira Grau alcoólico: 14,5% Nota (0 a 10): 8,5 Aroma de ataque exuberante e profundo, taninos firmes mas sedosos, garra, persistência, mas acabando por se desvanecer um pouco. Favorece uma prova mais imediata e menos prolongada.
  • Sobremesa: Chiffon de chocolate com gelado de baunilha e espuma de frutos silvestres
  • Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras Vintage 2007 Região: Douro/Porto Grau alcoólico: 20% Nota (0 a 10): 9 Doce, untuoso, vibrante, grande concentração de aromas e sabores a frutos vermelhos, sem sombra de aguardente, vibrante, sedoso, aveludado e redondo na boca. Novo mas com grande potencial de envelhecimento. Quase perfeito.


Do que nos recordamos desta ocasião, este jantar esteve praticamente ao nível do realizado uns meses antes com vinhos Niepoort, primando pela excelente confecção dos pratos e pelo nível dos vinhos apresentados, todos de qualidade a roçar o excepcional. Difícil é destacar algum, sendo que tanto os dois brancos (o Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador, do Dão, e o Vinha de Saturno, do Alentejo) como os tintos (o Four C do Dão e de novo o Vinha de Saturno) se apresentaram em elevadíssimo nível, cada um dentro do seu perfil. São vinhos de excepção que merecem uma degustação adequada e demorada. O mesmo se aplica quanto ao Porto Vintage da Quinta das Tecedeiras, um vintage ainda em fase de crescimento e a caminho do seu melhor.

Os preços estão em conformidade, o que torna menos apelativa a sua aquisição, mas neste tipo de jantares consegue-se tirar partido da qualidade apresentada, conjugada com um conjunto de pratos de confecção a condizer, pelo que o custo compensa. Depois do jantar Niepoort (contado aqui - 1ª parte - e aqui - 2ª parte) - e das últimas visitas ao restaurante Jacinto, este voltou a fazer jus à escolha e impõe-se como um ponto de referência para eventos do género.

Kroniketas, enófilo saudoso e satisfeito

sábado, 16 de março de 2013

No meu copo, na minha mesa 305 - Jantar Quinta do Encontro no restaurante Rubro

Encontro espumante bruto 2008; Encontro, Bical branco 2011; Encontro tinto 2010;
Preto Branco Reserva tinto 2009; Encontro 1 branco 2011; Encontro 1 tinto 2008;
Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2008


   
   
 

Recentemente tivemos oportunidade de voltar – em formato de quarteto e com os suspeitos do costume – ao “local do crime”, o restaurante Rubro no Campo Pequeno, desta vez para um jantar vínico com vinhos da Bairrada. À mesa estiveram os vinhos da Quinta do Encontro apresentados pelo enólogo da Dão Sul, Osvaldo Amado. Foi a nossa primeira incursão neste local sem ser com vinhos do Douro e do Alentejo, depois das Cortes de Cima, Symington, Esporão, Niepoort e Paulo Laureano.

Para as entradas e os entreténs-de-boca estiveram disponíveis 3 vinhos: o espumante Encontro Bruto 2008, o branco Encontro Bical 2011 e o tinto Encontro 2010, que foram acompanhando uns croquetes e umas tapas com paio e presunto.

Mas esta é uma história que, como sói dizer-se, já tem barbas. Já tínhamos tido oportunidade de provar o dito espumante aquando duma visita à Quinta do Encontro, em 2009, e num magnífico jantar no restaurante Jacinto com vinhos da Dão Sul em Dezembro de 2010, ainda com a presença de Carlos Lucas na enologia, por ocasião do 8º aniversário da garrafeira Vinodivino. Nessa ocasião estávamos numa espécie de hibernação bloguista pelo que o registo do repasto não foi aqui relatado, mas vale a pena evocar a ocasião, que será contada no próximo post.

Voltando ao espumante, confirmou as boas impressões anteriores. Muito elegante, bolha fina e persistente, equilibrado e com boa acidez e notas cítricas na prova de boca. A Bical dá-lhe algum perfume e elegância, a Maria Gomes confere-lhe mais estrutura e o Arinto complementa o conjunto com a acidez e um final pleno de frescura.

O branco Encontro 100% Bical é equilibrado e mediano de corpo e aroma. Ligeiramente floral, também apresenta persistência média. Não encanta mas não desagrada. Já o Encontro tinto, mantendo a tradição da combinação entre Baga e Merlot, consegue aqui um vinho fácil de apreciar para os mais renitentes à adstringência da Baga, já que o Merlot confere a suavidade necessária para amaciar os taninos da Baga, já bem domados. É um Bairrada tinto simpático, algures entre o clássico e o moderno que poderá ser uma boa opção de entrada na região para quem está pouco identificado com os seus tintos.

Passando às mesas e à refeição propriamente dita, entraram em cena os pesos pesados da noite. Começámos pelo Encontro 1 2011, um branco 100% de Arinto que embora não tenha qualquer referência a uma passagem pela madeira, apresenta-se com uma estrutura tal que levaria a pensar que teve esse estágio. Com bom volume de boca, estrutura, frescura e persistência final, acompanhou muito bem um folhado de maçã, canela e queijo chèvre (algo difícil de deglutir para mim), a que se seguiu um lombo de porco recheado com farinheira e pimenta rosa. Em ambos os casos o branco aguentou-se perfeitamente no duelo com o prato, graças à boa estrutura e à acidez que equilibrou os sabores dos sólidos.

Seguiu-se um mil-folhas de lascas de bacalhau com puré de grão e coentros, delicioso, que quase parecia mousse de bacalhau, acompanhado pelo Preto Branco Reserva 2009, um nome que surgiu da mistura de duas castas tintas e uma branca. Taninos redondos e bem domados, mais um clássico a tender para o moderno mas com pujança e estrutura.

Finalmente o grande vinho da noite, o Encontro 1 tinto 2008, a acompanhar o já tradicional chuleton de boi fatiado, acompanhado com batata assada e com o molho da carne, um prato sempre apetecível e apropriado para os tintos mais robustos. 14% de álcool a suportar uma grande estrutura de corpo e taninos, um Bairrada clássico feito para apreciadores e a prometer uma longa vida em garrafa.

Para a sobremesa tivemos uma blattertarte de frutos silvestres acompanhada por um Porto LBV da Quinta das Tecedeiras, que mostrou o perfil esperado dentro do género, ligando bem com os sabores silvestres.

Tivemos ainda a sorte de ficar na mesma mesa do enólogo Osvaldo Amado, que nos foi contando algumas histórias dos vinhos e nos proporcionou agradáveis momentos de convívio. Ficou para uma próxima oportunidade agendarmos uma visita à Bairrada para que nos guie numa visita pelo museu do vinho.

E assim saímos mais uma vez plenamente satisfeitos desta 6ª incursão pelos jantares vínicos do Rubro. Não se pode ir a todos, mas vamos sempre tentado ir a alguns dos melhores.

tuguinho, Kroniketas, Mancha e Politikos, enófilos de barriga e copo cheio

Região: Bairrada
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul

Vinho: Encontro espumante bruto 2008 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Bical, Arinto, Maria Gomes
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro, Bical 2011 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Bical
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Encontro 2010 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Preto Branco Reserva 2009 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Baga, Bical
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro 1 2011 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Encontro 1 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Porto Quinta das Tecedeiras LBV 2008
Região: Douro/Porto
Produtor: Quinta das Tecedeiras, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 20%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinto Cão, Tinta Amarela
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 14 de junho de 2012

No meu copo 281 - Bairrada: o regresso aos clássicos

Quinta das Bágeiras Garrafeira 2003; Baga Encontro 2005; Quinta das Baceladas 2005;
Quinta da Alorna Reserva, Chardonnay 2008




A propósito dos posts anteriores sobre as provas das Cortes de Cima e da Herdade da Malhadinha Nova, há tempos dizia-me o Politikos que os vinhos alentejanos cada vez o seduzem menos. Lembrei-me desta afirmação ao reflectir sobre as características daqueles vinhos, cada vez mais uniformizados e menos típicos (no sentido de ser possível detectar a sua origem ao prová-los). Não será este um dos motivos para esse interesse decrescente? É que para bebermos vinhos com algum carácter de Alentejo somos “obrigados” a regressar aos clássicos, como os da Cooperativa de Reguengos de Monsaraz, da Adega Cooperativa de Borba, da Tapada do Chaves ou da Cartuxa (o Esporão é um caso à parte de qualidade e modernidade dentro do clássico).

Esta proliferação de vinhos com perfil de novo mundo faz-nos sentir vontade, de vez em quando, de regressar aos clássicos. Desta vez fizemo-lo com aqueles que serão, porventura, os mais clássicos dos clássicos: os tintos da Bairrada à base da casta Baga. Tínhamos em agenda algumas garrafas do stock que resolvemos abrir por ocasião da final da Liga dos Campeões em futebol, no que também se vai tornando um clássico (fizemo-lo pelo 3.º ano consecutivo).

A entrada fez-se com uns camarões fritos por mestre Mancha, acompanhados por um belo branco monocasta Chardonnay da Quinta da Alorna fornecido por um dos comparsas. Para minha satisfação, não revelou aquele travo amanteigado e enjoativo de muitos Chardonnay portugueses, principalmente quando fermentados e/ou estagiados em madeira. Apresentou-se fresco, vivo e persistente, com óptima acidez e a fazer muito boa companhia à gordura dos camarões fritos.

Para a parte mais substancial foram chamadas à liça umas postas mirandesas e umas gravatinhas de porco. Os tintos foram abertos antecipadamente, começando-se pelo Quinta das Bágeiras, previamente decantado, seguindo-se o Baga Encontro e finalmente o Quinta das Baceladas.

O que se pode dizer destes vinhos que seja original? Praticamente nada. Neles podemos apreciar aromas terciários profundos, resultado já de alguma evolução em garrafa, mantendo-se uma estrutura e uma acidez correctas e um grande fim de boca. São vinhos autênticos, genuínos, robustos mas sem serem rústicos. O Quinta das Bágeiras foi naturalmente o que se apresentou com um perfil mais clássico, daqueles Baga bem robustos e com potencial para outros tantos anos. O Baga Encontro pareceu um pouco menos vivo, enquanto o Quinta das Baceladas, um lote de Baga, Merlot e Cabernet Sauvignon, apareceu com grande saúde e com uma acidez mais vibrante do que os anteriores.

Qualquer um destes três vinhos justificou plenamente a aposta, remetendo-nos para os vinhos que se faziam há mais de uma década. Retomando uma frase já aqui dita, ainda bem que nos esquecemos destas garrafas durante uns tempos, para de vez em quando podermos ir buscá-las e apreciar vinhos a sério, de tempos em que não se procurava a superconcentração e as bombas de fruta e álcool. Estes são dos tais que já não se fazem… ou quase.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Chardonnay 2008 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Preço: 8 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta das Bágeiras Garrafeira 2003 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 14%
Casta: Baga
Preço: 17,13 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Baga Encontro 2005 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Baga
Preço: 24,65 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta das Baceladas 2005 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Aliança - Vinhos de Portugal
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Merlot, Cabernet Sauvignon, Baga
Preço: 9,44 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A adega de design da Quinta do Encontro


Num sábado destes, quatro dos Comensais Dionisíacos – Kroniketas, tuguinho, Mancha e Politikos – rumaram à Anadia para visitar a Quinta do Encontro. O Mancha tinha um convite e o encontro foi prévia e convenientemente agendado para meio da tarde, a fim de antes os comensais poderem fazer jus ao título. Após recolha dos convivas, a partida de Lisboa aconteceu pelas 11h00. O carro era confortável e veloz e a auto-estrada venceu-se em menos de nada.

Por volta das 13h30 estávamos já refastelados no Pedro dos Leitões, na Mealhada, frente a uma travessa com pedaços dos mesmos, acompanhada de batata frita e salada. A refeição foi regada primeiro com um espumante branco a que logo se seguiu, por sugestão da casa, um espumante tinto da região. O dia estava quente, aquele néctar fresco é guloso e o leitão pedia. O bicho estava no ponto, com a pele estaladiça, como convém. O serviço também foi competente, com alguma proximidade mas sem nunca ser intrusivo. Dois dos convivas ainda se bateram com duas sobremesas sem história, outro com uma aguardente velha e o restante ficou a zeros. Todos alinharam nos cafés.

Mais uns quilómetros, sem GPS mas com mapa e algumas indicações que trazíamos, e demos com facilidade com a Quinta do Encontro. A dita fica situada em S. Lourenço do Bairro, em pleno coração da Bairrada, e deve o seu nome à chamada Cruz do Encontro, espécie de pelourinho que deve ter sido em tempos um ponto de encontro e que o Portugal modernaço logo transformou em rotunda, quase em frente à entrada da Quinta.

Embora até agora se tenha falado na Quinta do Encontro, na verdade o que os Comensais foram ver foi a adega de design da Dão Sul, situada naquela propriedade. No meio dos vinhedos, e sobre um pequeno outeiro, surge um edifício cilíndrico, imponente e com design moderno a fazer lembrar uma secção de uma barrica. O amplo espaço circundante permite o recuo necessário à apreciação da arquitectura do edifício. Este estranha-se na ruralidade circundante mas, percebendo-se as ligações ao vinho presentes nos mais pequenos detalhes, no exterior e no interior, admira-se o arrojo do projecto.

A adega tem três pisos. O térreo onde tem a loja e uma pequena sala de estar e o restaurante. A sala de estar, circular, tem um cariz intimista mas moderno e uma lareira ao centro, cuja chaminé se projecta verticalmente até à clarabóia por onde a luz zenital ilumina o espaço.

O piso superior, concebido para área multiusos, pode servir para reuniões e festas. As vidraças em redor da sala permitem-nos apreciar os vinhedos à volta e divisar as Serras do Caramulo e Buçaco. Muitas delas dão acesso às varandas onde podemos, ao abrigo da estrutura em madeira a lembrar as aduelas de uma pipa, degustar um vinho, utilizando uma espécie de balcão de apoio que circunda o amplo varandim.

O piso inferior, para o qual se desce por uma rampa espiralada cujas luzes, ao nível do chão, se vão acendendo à nossa passagem, é a adega propriamente dita. À medida que vamos imergindo nesta, vamos sentindo a temperatura a baixar. Segundo nos disseram, a adega tem climatização natural, para o que ajuda a estrutura em betão armado revestida no exterior por paredes de pedra e o facto de em parte se situar abaixo do solo. Está equipada com moderna tecnologia de vinificação em que as temperaturas, a fermentação e outros parâmetros são monitorizados por um programa informático. O monitor do PC que gere o programa é, aliás, a fonte de luz mais forte da adega. Ao centro, cubas de inox de vários tamanhos e no corredor que as circunda barricas de madeira onde os néctares estagiam. Podemos apreciar, ainda que à distância, a «zona suja» onde é descarregada, prensada e desengaçada a uva que para ali entra por esteiras rolantes. Notável é a limpeza imaculada de tudo aquilo. Como se costuma dizer, podia lamber-se o chão...

Como remate da visita e para mais tarde degustar, a comunidade mais restrita dos Comensais Dionisíacos adquiriu na loja alguns dos néctares da Quinta e não só, sobre cujas provas a seu tempo falaremos. E ainda tivemos direito à oferta de um espumante branco Quinta do Encontro!

A visita foi agradável, para o que contribuiu a recepção simultaneamente profissional e calorosa da nossa anfitriã.

Resta dizer que a Quinta do Encontro possui 20 hectares, sendo 10 de vinha. Os solos argilo-calcários têm plantadas as castas tintas Baga, Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Tinta Roriz e Castelão e as brancas Bical, Maria Gomes e Arinto.

Foi pena que a visita à Quinta tenha afinal sido só à Adega. Com alguma imaginação, podia-se fazer uma visita a alguns pontos da propriedade. Um vídeo ilustrando o processo de fabrico e o acesso à «zona suja» da adega seriam também aspectos a ter em conta. Mas foi sem dúvida um dia bem passado a repetir nesta e noutras rotas.

Politikos, no papel de eno-escriba convidado, com Kroniketas e tuguinho, diletantes e desta vez ainda mais preguiçosos

Quinta do Encontro - Sociedade Vitivinícola, Lda.
Apartado 246
S. Lourenço do Bairro
3781-907 Anadia
Tel: 231.527.155
Fax: 232.961.203

domingo, 22 de junho de 2008

No meu copo 184 - Quinta do Encontro, Preto Branco 2004

A Quinta do Encontro é uma das muitas quintas que a Dão Sul, empresa sediada em Carregal do Sal, já possui em várias regiões do país (Douro, Dão, Bairrada, Estremadura e Alentejo), numa estratégia de expansão que a torna já uma das principais produtoras a nível nacional. Neste caso falamos da propriedade situada no coração da Bairrada, em S. Lourenço do Bairro, Anadia, que foi recentemente objecto de investimento substancial.

Desta quinta já tínhamos tido a oportunidade de provar o Quinta do Encontro Merlot-Baga e agora provámos este vinho adquirido o ano passado com um dos números da Revista de Vinhos. Apresenta um conceito invulgar, pois é feito com duas castas tintas e uma casta branca.

Não sendo um Bairrada clássico, não deixa de surpreender de alguma forma pela pujança que apresenta, a fazer lembrar outros estilos, embora com um perfil mais moderno e frutado sem deixar de se apresentar algo fechado. A Baga faz sempre notar os seus efeitos. Boa estrutura na boca, com taninos firmes mas bem domados, acidez muito equilibrada e boa persistência.

Enfim, não sendo de encantar não deixa de ser um vinho capaz de fazer boa figura perante pratos robustos, ao mesmo tempo que pode cativar os mais renitentes perante os vinhos bairradinos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Encontro, Preto Branco 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Bical
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5


PS: outra prova deste vinho no Copo de 3

sexta-feira, 9 de março de 2007

No meu copo 95 - Quinta do Encontro, Merlot-Baga 2001

Se fosse agora este vinho seria certamente um Bairrada. Como é de 2001, apesar de ser duma empresa da Anadia, que fica em pleno coração da Bairrada, é um Regional Beiras porque tem Merlot na sua composição.

Eis aqui uma combinação interessante. Neste vinho a casta Merlot desempenha um papel semelhante àquele que tem nas combinações com Cabernet Sauvignon: amacia a aspereza da casta mais adstringente. Neste Quinta do Encontro nota-se o frutado e a macieza do Merlot sem deixar de se sentir a pujança da Baga, embora já um pouco diluída.

Resultou um vinho equilibrado, com bom corpo e uma boa estrutura, mas suave. Para aqueles que não são apreciadores do Bairrada clássico devido precisamente à adstringência característica dos vinhos de Baga enquanto jovens, este casamento entre Merlot e Baga permite uma abordagem diferente e mais suave. A idade do vinho também ajuda, pois já repousou algum tempo na garrafa, mas ainda mostra uma grande vivacidade, sem sinais de cansaço nem evolução excessiva.

Foi comprado na feira de vinhos do Pingo Doce de 2002 e, por aquilo que custou, apresenta uma boa relação qualidade-preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Encontro, Merlot-Baga 2001 (T)
Região: Beiras
Produtor: Quinta do Encontro, Soc. Vitivinícola - Dão Sul
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Merlot
Preço em feira de vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7