quarta-feira, 29 de novembro de 2017

No meu copo 633 - Casa de Sabicos Reserva 2013

Localizada no concelho de Redondo, mas mais perto de Reguengos de Monsaraz, a Casa Agrícola Santana Ramalho produz os vinhos Casa de Sabicos em homenagem à matriarca Avó Sabica, bisavó dos actuais produtores, que introduziu na propriedade o cultivo da vinha ainda no século XIX.

Este Casa de Sabicos Reserva tinto 2013, produzido com um lote mais ou menos clássico do Alentejo e em particular da sub-região de Reguengos, apresenta-se de cor granada intensa, aromas a frutos vermelhos maduros e compotas.

Na boca é bem estruturado mas redondo, com ligeiras notas de madeira bem integradas no conjunto e taninos firmes mas equilibrados. O final é longo e harmonioso.

Estagia 12 meses em barricas novas de carvalho francês.

Para primeira prova dos vinhos desta casa, não esteve nada mal e certamente merecerá novas abordagens.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa de Sabicos Reserva 2013 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Casa Agrícola Santana Ramalho
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon
Preço: 8,50 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida através de motor de busca

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Novos links

É impossível conhecê-los a todos, é impossível tê-los todos listados.

Mas no passado fim-de-semana conheci os autores de mais três blogues dedicados aos temas do vinho e da gastronomia, e por isso aqui estão os respectivos links, na secção "Outras vinhas".

São eles o Copo meio cheio, o Entre Vinhas e o Travel & Taste.

Boas provas e boas krónikas para todos.

domingo, 26 de novembro de 2017

No meu copo 632 - Grand’Arte, Alicante Bouschet 2009

Há vinhos para beber novos, há vinhos para beber algo envelhecidos, e há aqueles para beber assim-assim...

Por norma (e estou a referir-me aos tintos, porque nos brancos a conversa é outra) gosto de esperar que os vinhos amadureçam 3 ou 4 anos no mínimo, porque tenho apanhado muitos vinhos excessivamente novos que parecem inacabados: os sabores não estão integrados, os taninos muito agressivos, a madeira demasiado impositiva, muita pujança mas pouca elegância. Por vezes parecem como um guisado no qual em vez de cozer todos os ingredientes no mesmo tacho se cozeu cada um separadamente e juntaram-se todos no fim, e nada daquilo se liga...

Às vezes espera-se demais e os vinhos passam do tempo. Neste século, pelo menos, tem sido raro isso acontecer, e não me lembro da última vez que encontrei um vinho “passado” (e os últimos eram dos anos 70, 80 ou 90). Actualmente é mais fácil encontrar um vinho que se aguente bem uma boa meia-dúzia de anos na garrafa sem entrar em declínio, e têm sido mais as boas surpresas proporcionadas pelo tempo do que as más.

Vem isto a propósito deste Alicante Bouschet de 2009 da Grand’Arte. Neste caso esperei demasiado tempo. Foi comprado em 2012 com a edição de Setembro da Revista de Vinhos. O vinho não está morto nem passado, longe disso, mas perdeu fulgor, perdeu frescura, perdeu intensidade.

Sendo o Alicante Bouschet uma casta tintureira que marca os vinhos pela cor e estrutura que lhes confere, nesta garrafa só a cor se mantem evidente, mas os aromas quase desapareceram, há poucos sinais de fruta, sabor a tender para o neutro, pouca estrutura e final algo curto e indefinido.

Enfim, hoje em dia não há maus vinhos, há más garrafas. Esta não foi das melhores que abri.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grand’Arte, Alicante Bouschet 2009 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Grandes Escolhas Vinhos e Sabores 2017 - Prova de champanhes Deutz



No âmbito do evento “Grandes Escolhas Vinhos e Sabores”, realizado na FIL, tive oportunidade de participar numa das provas especiais (entre as 10 agendadas) dedicada exclusivamente aos champanhes Deutz.

Para além de ser um amante desta bebida, o que me chamou a atenção para esta prova em particular foi um jantar em que tive a felicidade de participar há uns anos exactamente por esta ocasião, em que foram provados alguns champanhes da marca.

Foi pois com elevada expectativa que participei nesta prova onde os presentes tiveram oportunidade de degustar 9 champanhes diferentes – 9!!!

Gostos são gostos, e nem toda a gente gosta do vinho com bolhinhas. Mas depois de provar estes vinhos é difícil compreender como é que existe quem não os aprecie.

No caso dos champanhes provados, o nível qualitativo é tão elevado que mesmo os da gama de entrada são excelentes. Quando subimos de patamar, as diferenças são quase mínimas e de pormenor, é difícil distingui-las. É como destrinçar o excelente do sublime.

Este produtor está sediado na região de Aÿ, perto de Épernay, e a casa foi fundada em 1838 por William Deutz (em francês pronuncia-se Dâtz, embora se suponha que o nome seja de origem alemã, em que se pronunciaria Doitz).

Foram provados os seguintes champanhes:

- Brut Classic branco
- Bruta Classic rosé
- Blanc de Blancs 2011
- Brut Vintage Blanc de Blancs 2012
- Brut Vintage rosé 2012
- Prestige Cuvée branco
- Amour de Deutz rosé
- Cuvée William Deutz 2006
- Cuvée William Deutz 1996


Falar dos champanhes provados é difícil, tal a sua semelhança e a qualidade aproximada. A ordem de apresentação foi em qualidade crescente, com alguns pares no mesmo patamar. A partir do Amour de Deutz entramos no mundo dos raros e muito caros, presentes nalguns dos melhores hotéis e restaurantes, não só em França como no resto do mundo.

Como características mais marcantes encontramos uma bolha muito fina, a fazer uma mousse muito suave e elegante. No nariz apresentam-se com algumas notas a tosta, biscoito e um aroma que marca todos os vinhos, um fundo vegetal a trufas ou cogumelos.

São elegantes e discretos, com final suave e longo.

Diferenças? Os rosés são feitos exclusivamente com as melhores uvas de Pinot Noir com o objectivo de produzir um grande rosé, sem qualquer tipo de concessão qualitativa.

Os vinhos de entrada poderão ser adquiridos por cerca de 40 €, subindo até às centenas. Mas estamos perante uma bebida dos deuses. Vale sempre a pena provar, se não se puder comprar.

Kroniketas, enófilo deliciado

Champagne Deutz
Ay - France

domingo, 19 de novembro de 2017

No meu copo 631 - Herdade do Perdigão Reserva branco 2014

Alguns anos depois voltámos a este branco de perfil clássico. Um branco alentejano mais de altitude, produzido exclusivamente com a casta Antão Vaz e fermentado em barricas de carvalho francês, com estágio de 6 meses sobre borras.

Com três anos após a colheita, mostrou-se perfeito para consumo. A madeira está lá mas não se impõe. Apresenta-se com uma cor amarelo palha carregada, aroma profundo mas contido notas cítricas e tropicais, com um tostado muito ligeiro.

Na boca apresenta-se estruturado mas macio e com final longo.

É um branco de meia-estação para o Inverno, para pratos complexos de peixe e bem temperados. A nível de brancos alentejanos, embora não seja dos mais badalados, bate-se certamente com os melhores.

Em complemento apresenta a vantagem de poder perfeitamente ser um branco de guarda, pois alguma evolução já evidente na cor não se reflecte a nível de aroma nem de sabor. É um vinho na idade adulta.

Recomenda-se sem qualquer dúvida.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Perdigão Reserva 2014 (B)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14%
Casta: Antão Vaz
Preço: 11,85 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Vinhos e sabores: escolhas, encontros e desencontros



Estamos em plena época fervilhante de eventos sobre vinho. Desde há cerca de um mês praticamente todos os fins-de-semana há um ou mais eventos sobre vinho.

Exemplos: Mercado de vinhos do Campo Pequeno, Grandes Escolhas Vinhos & Sabores, Dão Capital, Encontro com Vinhos e Sabores, e ainda há-de vir o Wine Fest, o Adegga Wine Market, e devo estar a esquecer-me de alguns.

E qual é o problema, perguntar-se-á? Nenhum problema, a não ser o facto de para os visitantes isto se poder tornar saturante. Tamanha proliferação de eventos pode levar, por um lado, a uma sensação de “déjà vu” e “mais do mesmo”, como até à saturação dos “provadores”. Nós sabemos que muitos dos visitantes destes eventos trabalham ou estão de alguma forma ligados à área, mas a maioria provavelmente são apenas apreciadores, mais ou menos informados, mais ou menos interessados, para quem 3 eventos, 4, 5 ou 6 não adiantam nada, ou adiantam muito pouco.

Poderá justificar-se a realização de alguns eventos menos mediáticos com produtores menos conhecidos, porque aí pode-se conhecer vinhos e produtores menos divulgados. Mas quando entramos no domínio dos grandes eventos, que decorrem durante 3 ou 4 dias, a pergunta é: justifica-se? Vale a pena?

Vem este intróito a propósito dos dois mega-eventos que decorreram em Lisboa apenas com duas semanas de intervalo. Acredito que talvez este ano, por ter sido o primeiro pós-cisão na Revista de Vinhos, tenha sido necessário apalpar terreno e marcar algum território para ver como o mercado se posiciona. Mas depois de ter passado pelos dois eventos, a primeira impressão é que a equipa que criou a nova revista Vinhos – Grandes Escolhas ganhou por 10-0! A começar desde logo pela escolha das datas e do local: a antecipação do evento coloca-o desde logo na dianteira, porque parte à frente. A mudança para a FIL, um espaço por excelência para receber multidões, marcou uma diferença abismal para os anos anteriores no Centro de Congressos na Junqueira.

Na hora de maior afluência, ao fim da tarde de sábado, na FIL circulava-se calmamente pelos corredores. À mesma hora na tarde de sábado na Junqueira as pessoas chocavam umas com as outras nos corredores do meio, como é habitual.

Acresce a isto que na FIL houve espaço para aumentar o número de corredores com stands e ainda sobrou espaço para as provas paralelas. Na Junqueira, por sua vez, cerca de metade do produtores não estavam lá, os stands laterais desapareceram e foram lá colocados bancos e mesas. Mas o espaço para circular manteve-se igual, ou seja, não ocorreu a ninguém aumentar a distância entre corredores uma vez que o espaço sobrava.

Quanto aos vinhos para provar... metade deles desapareceram, e tirando um ou outro produtor menos conhecido, como a Casa do Côro ou a Quinta da Caldeirinha, na Beira Interior, não se viu nada de novo. Os vinhos premiados no concurso Vinhos Grandes Escolhas, que não tive oportunidade de provar na FIL, tirando dois ou três nem sequer estavam na Junqueira.

Até a disposição dos stands na entrada estava igual. Olhando para os produtores mais importantes (quer pelo volume de vendas quer pelo prestígio da marca), parece que a maioria não estava lá. O Esporão, que habitualmente ocupa os 4 lados dum stand central, não estava lá. A Sogrape, com disposição semelhante, estava quase escondida num cantinho da ponta, apenas com vinhos do Dão e Alentejo e quase passava despercebida. Aveleda, Messias, Casa da Passarela, Niepoort, Ramos Pinto, Quinta do Vallado, Quinta do Vale Meão, Enoport, Fiúza, entre outros e para não ser exaustivo, nem vê-los...

Dito isto, posso estar enganado, mas neste primeiro confronto entre eventos organizados pelas duas maiores revistas de vinhos do país, a antiga equipa ganhou por goleada. Agora os números oficiais falam em 18.000 visitantes na Junqueira, número que parece standard pois todos os anos os números anunciados são entre os 17 e os 19.000 visitantes. Custa-me a crer nestes números, mas independentemente do seu rigor acho que só com muito boa vontade se poderá apelidar um evento em que uma parte significativa dos grandes nomes não está presente de “maior evento do país”, a não ser que estejamos a falar do stand das comidas. Só se for em publicidade.

Mas isto sou eu a falar, que estou de fora e não percebo nada do negócio...

Kroniketas, enófilo desconfiado

domingo, 12 de novembro de 2017

No meu copo 630 - Ramos Pinto Collection 2010

Este foi um vinho especial de colecção que só teve algumas edições. À semelhança de outros lançamentos, como um histórico e único Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira, ainda sob a orientação de João Nicolau de Almeida foram colocados no mercado alguns vinhos com edições limitadas, de que este Collection foi um dos exemplos mais recentes.

Evocando diversas épocas dos século XX através dos respectivos rótulos, teve edições desde 2005 a 2010. Foi uma garrafa desta última colheita que tivemos oportunidade de degustar recentemente, a acompanhar um lombo de porco com molho agridoce.

O vinho apresentou uma cor carregada a tender para o grená. No nariz mostrou-se intenso e vinoso no primeiro ataque, aparecendo depois algumas notas de frutos vermelhos e do bosque.

Na boca é pujante mas macio, estruturado mas elegante, com um final simultaneamente delicado e longo, marcado por notas de especiarias e complexidade que vai sobressaindo a cada trago.

Fez um casamento perfeito com o prato, pois a sua complexidade e acidez contrabalançaram de forma excelente o adocicado do molho.

Ao contrário do que nos aconteceu com o Duas Quintas Celebração, deste guardámos mais algumas garrafas de várias colheitas, pelo que ainda poderemos revisitá-lo durante alguns anos, até porque não é vinho para abrir todos os dias e tanto esta prova como as anteriores mostraram claramente tratar-se dum vinho de guarda. Merece um bom prato e uma boa companhia para ser apreciado como merece.

É mesmo uma colecção única, mas para ser devidamente desfrutada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Ramos Pinto Collection 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Touriga Franca (25%), mistura de outras (25%)
Preço em feira de vinhos: 9,75 € (último valor encontrado em 2013)
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

No meu copo 629 - Bom Caminho 2011

Continuando a trilhar um novo caminho, que repôs o nome desta empresa quase secular num lugar de destaque no mapa vinícola nacional depois dum período de alguma obscuridade, a década actual – mais coisa menos coisa – tem-nos mostrado uma empresa com um notável dinamismo e que se reinventou em cima do que chegou a parecer algum imobilismo.

Prova disso são as novidades com que somos brindados regularmente. Depois da revitalização de marcas que pareciam estar esquecidas, como o Frei João Reserva, o Porta dos Cavaleiros Reserva Seleccionada, o Caves São João Reserva ou o Quinta do Poço do Lobo, a empresa lançou-se numa renovação do seu portefólio com o lançamento de novas marcas, alternativas ou complementares às já existentes. Desde variantes do Caves São João até diversos tipos de espumantes, brancos Reserva, Frei João rosé e o primeiro Frei João Clássico, o leque de escolhas tem crescido significativamente.

Como sempre fomos provadores assíduos dos vinhos da casa, temos um vasto lote de vinhos provados e aqui publicados, tanto dos velhos como dos novos, pelo que é escusado estar a enumerá-los – basta procurá-los pela etiqueta “Caves Sao Joao” na secção Contra-rótulos (mais abaixo, do lado direito do ecrã).

Passando pelas já amplamente referidas edições comemorativas dos 100 anos que estão a decorrer até 2020, algures pelo meio apareceu este Bom Caminho de 2011, até agora em edição única e que se destina a homenagear os peregrinos que percorrem os caminhos de Santiago, em cujo percurso a sede das caves se situa.

Não foi coincidência o facto de termos efectuado a prova deste tinto próxima da prova do Frei João Clássico branco 2015. Quisemos mesmo comprovar que o caminho é este.

Em casa foi um sucesso, logo após a abertura, mesmo por quem prova e bebe pouco. Este não tem o rotulo de clássico, mas é autêntico, tanto quanto pode ser um Bairrada. O nosso saudoso Mancha ficaria deliciado com ele. Tem tudo o que um Bairrada clássico tem: estrutura, robustez, persistência, intensidade e profundidade aromática marcada por frutos vermelhos e pretos, taninos firmes e poderosos mas já muito polidos, a dar uma prova de boca harmoniosa, e aquele final longo e persistente característico dos grandes vinhos!

O preço? Esta garrafa foi lançada com a edição de Novembro de 2015 da Revista de Vinhos por 6 €, pelo que não cheguei a saber qual seria o seu real valor de mercado. Uma pechincha, portanto. Quem o tiver, não tenha pressa em bebê-lo, pois este é vinho ainda com muito para dar. Com 6 anos neste momento, está um viçoso jovem em crescimento.

Não há dúvida: com estas novidades e as antiguidades que repousam nas catacumbas a verem paulatinamente a luz do dia, as Caves São João (re)encontraram o Bom Caminho, que se augura auspicioso para os próximos 100 anos...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bom Caminho 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Merlot
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 4 de novembro de 2017

No meu copo 628 - Frei João Clássico branco 2015

Eis que chega, finalmente, o tão ansiado (pelo autor) post acerca do Frei João Clássico branco, o primeiro vinho das Caves São João com esta designação.

A menção no rótulo da palavra “Clássico” obedece a um conjunto de requisitos fixados por diploma legal que seria descabido reproduzir. Quem estiver interessado nos detalhes pode procurar a Portaria n.º 212/2014, Diário da República n.º 198/2014, Série I de 2014-10-14.

Como pontos mais importantes destacam-se a necessidade de, para os vinhos brancos, haver um estágio mínimo de 12 meses, sendo obrigatoriamente 6 deles em garrafa, e o teor alcoólico mínimo ser de 12% (para os tintos aqueles valores são de 30 meses, dos quais 12 em garrafa, e 12,5% de álcool).

Esta categoria pretende, no fim de contas, realçar o que se faz de mais autêntico na região e que melhor representa a identidade da Bairrada (salvaguardadas as devidas diferenças, mas será um pouco um critério como o que levou à instituição da designação Nobre no Dão, embora aí a sua atribuição dependa da classificação obtida na câmara de provadores).

Nota: mais sobre a categoria Bairrada Clássico em Joli - Wine & Food Activist.

Provado pela primeira vez no evento de apresentação do vinho comemorativo dos 96 Anos de História das Caves São João, já mencionado nos dois posts anteriores (aqui e aqui), este Frei João Clássico branco, embora tenha sido provado durante o almoço, deixou-me com uma curiosidade muito particular por uma nova prova, pois mostrou-se diferente de tudo o que já tinha bebido destas caves.

Passaram-se os meses, outros vinhos foram provados e o Frei João Clássico ficou à espera. As notas sobre o evento também. Quando dei por mim já estávamos novamente no Outono, e foi aí que fui saber onde poderia adquiri-lo. Não foi difícil, dada a estreita parceria que a Garrafeira Néctar das Avenidas tem com as Caves São João, o que já me permitiu adquirir mais algumas antiguidades.

Até que, finalmente em frente à dita garrafa, preparei-me para a grande prova, que decorreu em 3 refeições diferentes com 3 pratos diferentes.

Na cor não há grande surpresa: é um amarelo palha claro. Não muito carregado. No aroma não é muito exuberante, mostrando-se algo contido, com algumas notas florais e com ligeira mineralidade. Fermentou e estagiou em barrica usada, mas esta não aparece no aroma de forma impositiva, antes se poderia pensar que não está lá. Apenas serviu, pelo que se percebe melhor na prova de boca, para envolver e ligar o conjunto. É aí, na boca, que o vinho se expressa na plenitude. De uma primeira impressão para um vinho discreto e de certa forma austero, nos tragos seguintes encontramos um vinho vigoroso, vibrante, bem estruturado, que apetece beber mais. A sua acidez discreta dá-lhe uma frescura cativante e um final longo e guloso. “Que belo vinho!”, exclamei várias vezes ao longo da primeira refeição.

Está de parabéns a equipa das Caves São João que produziu este Clássico: para um branco era difícil começar melhor. Parabéns em especial ao enólogo José Carvalheira, um homem que aparece perante nós com a mesma discrição que os “seus” vinhos nos apresentam e que só depois de devidamente descobertos nos mostram todo o seu potencial. Se os vinhos forem a cara do enólogo, aqui está um belo exemplo.

Excelente trabalho e parabéns. Venha o próximo Clássico, porque deste já há outra garrafa à espera de ser bebida! E com vinhos como este, definitivamente as Caves São João estão no... Bom Caminho (à suivre).

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João Clássico 2015 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Castas: Cercial, Bical
Preço: 15 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Caves São João - 96 Anos de História (2ª parte)

Os vinhos


    

Já devidamente acomodados todos os convidados para o evento, passou-se então ao almoço e à degustação dos vinhos escolhidos para a ocasião.

Na imagem anexa estão descritos os pratos e respectivos vinhos. O Frei João Clássico branco foi o primeiro a ser chamado à liça com o prato de entrada, mas merecerá um artigo à parte.

A grande estrela, e o mais aguardado, era naturalmente o vinho comemorativo dos 96 Anos de História: um monocasta Chardonnay de 1983, um vinho difícil de descrever tal a sua complexidade. A cor, passados todos estes anos, já ia muito para lá do âmbar, parecendo antes um vinho do Porto colheita ou um tawny velho. Acobreado, untuoso e delicado, é um branco para verdadeiros apreciadores. Fez parelha com a garoupa corada com puré de batata, mas dada a sua delicadeza e fragilidade pode perfeitamente ser apreciado a solo, onde poderá expressar melhor os seus aromas. Não vou dizer que teria facilidade em comprá-lo, pois o preço é bastante elevado: cerca de 60 €. Um valor que a raridade e a ocasião explicam.

Lá mais para a frente fomos brindados com duas surpresas: com a sobremesa veio para a mesa um Abafado Martins da Costa 1960, outra verdadeira preciosidade proveniente das caves escondida todos estes anos. Um luxo que é quase impossível classificar, a provar que é possível encontrar grandes vinhos licorosos para além das regiões mais afamadas. Outro vinho de luxo (cerca de 65 €).

Com o café avançou a já conhecida Aguardente Velhíssima de 1965, que comemora os 94 Anos de História e que já tinha sido apresentada em 2014, e mesmo para o final ainda houve tempo para um brinde às Caves São João e aos seus fundadores com o espumante bruto natural Luiz Costa 2014, produzido a partir do lote tradicional dos champanhes, Chardonnay e Pinot Noir. Um espumante na melhor tradição dos espumantes bairradinos, com personalidade e estrutura.

Durante o almoço foi ainda possível ir provando um azeite virgem da Quinta do Poço do Lobo, produzido a partir de azeitonas da cultivar Galega, de oliveiras com mais de 50 anos, mas este já não é o meu departamento pelo que me escuso a grandes comentários.

Passados estes meses, fica ainda a expectativa sobre o que irá ser o vinho comemorativo dos 97 Anos de História, que deve estar mesmo aí a aparecer. Segundo fontes bem informadas, a coisa está no segredo dos deuses mas será uma grande surpresa...

Ficamos a aguardar.

Resta, em primeiro lugar, agradecer à equipa das Caves São João o privilégio que me deram de poder estar presente nesta ocasião tão relevante para uma casa que me diz muito em termos do meu percurso como enófilo, e deixar a promessa de que numa próxima ocasião serei mais lesto a publicar as notas sobre o evento. Mas a razão principal... está no post que se segue.

Kroniketas, enófilo esclarecido