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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Na Empor Spirits & Wine 3 - Vinhos da Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida)




Mais distante no tempo, e também na Empor Spirits & Wine, realizou-se uma prova de vinhos da herdade da Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida), em que se pôde provar várias colheitas do Scala Coeli, um dos vinhos de topo da empresa, além de espumantes e outras marcas.

Foi uma prova ampla e longa, em que desfilaram nada mais nada menos que 16 vinhos! No final, já se tornava difícil perceber o que se estava a provar. A verdade é que foram apresentadas todas as colheitas disponíveis na empresa, com o intuito de perceber as diferenças de ano para ano.

A Fundação Eugénio de Almeida possui cerca de 1000 ha de vinha e produz 7,5 milhões de garrafas por ano (estamos a falar das vinhas associadas à produção dos vinhos da Cartuxa, não se incluindo aqui a nova aquisição da Tapada do Chaves, em Portalegre).

A prova começou com três espumantes:

  • Espumante rosé 2013, elaborado a partir de Touriga Nacional.
  • Espumante branco 2011, elaborado a partir de Arinto.
  • Espumante Reserva branco 2010, parte do lote fermentado em balseiros.

Os vinhos base estagiam sobre borras, depois 6 meses em inox, mais 12 meses em garrafa após remoagem. Gostei mais do branco, muito vivo e com excelente acidez.

Seguiram-se os vinhos tranquilos, começando pela marca de entrada, o EA.

  • EA rosé 2016, elaborado com Touriga Nacional, Syrah e Alfrocheiro. Achei-o adocicado e algo chato.
  • EA branco biológico 2016, elaborado com Assario (Malvasia Fina). Um toque mineral mas nada de relevante que perdure na memória.
  • Cartuxa branco 2015. Elaborado com Antão Vaz, que transmite aroma e fruta, Roupeiro que transmite estrutura, e Arinto que transmite frescura e acidez. Frutado, estruturado e complexo, estagia 8 meses sobre borras finas com bâtonnage.

Passou-se então ao Scala Coeli (que significa escada para o céu), uma referência ao Mosteiro de Santa Maria Scala Coeli (normalmente conhecido por Convento da Cartuxa). É produzido desde 2005 com a melhor casta branca e a melhor casta tinta, em cada ano, que não seja tipicamente alentejana. Por isso vamos encontrar sempre castas estrangeiras ou castas de outras regiões do país. Neste caso foram provadas apenas as colheitas elaboradas com castas brancas.

A produção é elaborada com a quantidade de 7500 garrafas como padrão.

  • Scala Coeli branco 2008 (Alvarinho). Primeiro Scala branco. Muito escuro e melado, oxidado na cor e nos aromas, muito envelhecido.
  • Scala Coeli branco 2009 (Verdelho). Bastante frescura, acidez e persistência, mais mineral que o anterior. Também apresentou alguma oxidação, mas menos evidente.
  • Scala Coeli branco 2010 (Viognier). Bastante intenso no nariz, mais compotado e fresco na boca.
  • Scala Coeli branco 2011 (Sauvignon Blanc). Nada típico do Alentejo, menos fresco e mais pesado.
  • Scala Coeli branco 2012 (Pinot Gris). Muito intenso e frutado cítrico no nariz, menos agradável na boca.
  • Scala Coeli branco 2014 (Viosinho). Muito equilibrado no conjunto.

Subiu-se depois mais um patamar e provou-se o Pêra Manca branco 2014.
Foram produzidas 120.000 garrafas, sendo uma parte fermentada em barrica e inox, com bâtonnage. Estagia no final em barricas usadas.

Finalmente três extras.

  • Cartuxa 50 anos branco 2012. Feito com Arinto, Roupeiro e Antão Vaz. Elaborado com curtimenta e estágio de 12 meses.
  • Licoroso 2011 (Alicante Bouschet), tipo LBV.
  • Licoroso 2008 (Touriga nacional), tipo Tawny.

Estes já foram bem mais difíceis de provar, pois já se estava na fase de saturação, e torna-se mais complicado seguir vinhos licorosos que pretendem replicar o estilo do vinho do Porto. Talvez para rever noutra ocasião.

Ufff...

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: Já depois da publicação deste texto, tivemos conhecimento do falecimento, neste mesmo dia, do Presidente do Conselho Executivo da Fundação Eugénio de Almeida, José Mateus Ginó.

A todos quantos o conheciam, à família, aos amigos e à Fundacão apresentamos a nossas sentidas condolências e prestamos uma singela homenagem com a publicação da sua foto.



sábado, 3 de agosto de 2019

Na Empor Spirits & Wine 2 - Luís Pato



Não têm sido muitas as incursões a esta garrafeira que surgiu há cerca de 5 anos junto ao Parque Eduardo VII, em Lisboa, embora as provas sejam frequentes.

A mais recente aconteceu com a presença do produtor Luís Pato, sempre uma presença que vale a pena acompanhar, não só pelos vinhos que nos mostra mas também pelo que nos ensina sobre a sua experiência no mundo dos vinhos.

Luís Pato foi pioneiro no conceito de vinhas velhas e no conceito de vinho de uma única vinha, desde 1995.

Explicou também que o clima da Bairrada é similar ao de Bordéus para efeitos de influência na vinha. A Bairrada tem noites mais frias por efeito da água do mar (24º C em Bordéus em Agosto, 16º C na Bairrada). No calor mediterrânico, mesmo que se vindime mais cedo, há sempre a marca do calor diário e das noites quentes.

Foram provados vinhos de diversos tipos e idades: brancos, tintos, espumantes, novos e velhos. Eis algumas notas sobre os referidos vinhos.

  • Espumante Informal rosado 2014, elaborado apenas com Baga, o primeiro espumante com uvas da famosa Vinha Pan. Nesta vinha são efectuadas duas vindimas: as uvas da primeira destinam-se ao espumante, enquanto a segunda destina-se ao vinho tinto. Não tem madeira, estagiando sobre borras até ao engarrafamento. Não me agradou por aí além, mostrando-se um pouco rústico.
  • Vinha formal rosé 2011. Bical, Touriga e um bocadinho (residual) de Cercial. Suave e redondo.
  • Vinha Formal branco 2017. 100% Bical. Fermentou em madeira de castanho. Não marca o vinho com baunilha, pois é mais porosa que o carvalho pelo que convive com mais ar.
  • Vinha Formal tinto 2015. 100% Baga. Pouco concentrado. Elaborado a partir da segunda colheita do espumante Informal. Estagia 2 anos em madeira. Suave mas pouco expressivo na boca, mais intenso no nariz.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 2014. Foi um grande ano de brancos, difícil para tintos. Estagiou 2 anos em madeira. Muito bom nariz, fechado na boca.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 2008. Mais evoluído. Taninos mais redondos e mais volume de boca.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 1992. Bastante evoluído mas com alguma adstringência e persistência.
  • Luís Pato Vinhas Velhas tinto 1988. Primeira designação de Vinhas Velhas em Portugal. Teve 2 meses de madeira. Algo em queda.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2018. Bical, Cercial e Sercialinho. Achei-o desinteressante, parecendo aguado. Frutadinho mas algo inexpressivo.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2014. Mais sério, encorpado e estruturado.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 2000. Nascido em areia, fermentado em madeira. Muito evoluído, quase melado.
  • Luís Pato Vinhas Velhas branco 1995. Adocicado, quase a tender para a colheita tardia.

Foi uma prova bastante didáctica, na qual a panóplia de vinhos provados permitiu aos presentes provar toda esta gama de vinhos e perceber os seus diferentes perfis. O resto... fica ao gosto de cada um, pois houve para todos os gostos.

Kroniketas, enófilo itinerante

sábado, 29 de novembro de 2014

Na Empor Spirits & Wine 1 - Quinta de Foz de Arouce

 

No mundo do vinho, apesar da crise que tem assolado o país nos últimos anos, e embora se supusesse que este seria inevitavelmente um sector bastante afectado, a verdade é que os sinais que passam para o exterior parecem indicar o contrário.

Recordando os locais onde me deslocava com alguma frequência há 2, 3, 4 anos para participar em provas de vinhos em Lisboa, de memória destaco 3 ou 4, os mais habituais: Wine o’clock, nas Amoreiras, Garrafeira Nacional, na baixa, Delidelux, em Santa Apolónia, Coisas do Arco do Vinho, no Centro Cultural de Belém, e Garrafeira Internacional, no Príncipe Real (menos frequente). Mesmo com estes, por vezes era difícil gerir o calendário das provas, porque em várias ocasiões houve provas simultâneas em 3 ou 4 locais. Para além destas, claro, havia as clássicas, como algumas na baixa, a Agrovinhos em Alcântara ou a histórica Garrafeira de Campo de Ourique.

A verdade é que, apesar da crise, cada vez há mais e desde há 2 ou 3 anos as garrafeiras (tal como os wine bars) têm surgido na capital quase como cogumelos. Compilando alguns dos convites que vou recebendo via Facebook para diversos eventos e mais algumas informações (e vou esquecer algumas, com certeza), registei estes espaços de existência mais ou menos recente:

• Adega & Gourmet (Campo de Ourique)
• Aprazível (Chiado)
• Algés com sabores (Algés)
• Empor Spirits & Wine (Rua Castilho – Parque Eduardo VII)
• Estado d’Alma (Alcântara)
• Garrafeira de Santos (Janelas verdes – Santos)
• Garrafeira São João (S. Domingos de Benfica)
• Hill’s Bottled (Avenidas Novas – Saldanha)
• Living Wine (Avenida de Roma)
• Néctar das Avenidas (Avenidas Novas – Saldanha)
• Portugal Wine Room (Bairro de Alvalade)
• The Wine Company (S. Domingos de Benfica)
• Wines 9297 (Telheiras)

Já tive oportunidade de me deslocar a quase todas pelo menos uma vez (há muitos dias em que decorrem 5 ou 6 eventos em simultâneo), para provas ou para fazer compras. Alguns até encontrei por acaso ao passar na rua... A verdade é que, a julgar pela proliferação de espaços para venda e degustação de vinhos, o mercado está bem... e recomenda-se.

Vem isto a propósito, e depois da maior edição de sempre do Encontro com o Vinho e os Sabores (19.000 visitantes, ao que consta), de uma deslocação efectuada já há algumas semanas a um destes novos espaços, dirigido por uma “velha” conhecida de outra loja. Trata-se da Empor Spirits & Wine, uma nova garrafeira localizada num ponto estratégico da cidade e de fácil acesso, quase junto ao alto do Parque Eduardo VII e com estacionamento relativamente fácil ao fim da tarde, onde decorreu uma prova vertical de brancos e tintos da Quinta de Foz de Arouce, um dos produtores com o dedo enológico de João Portugal Ramos. Entre os vinhos provados encontrava-se um daqueles que viriam a ser premiados com a “Escolha da Imprensa” no Encontro com o Vinho e os Sabores, o tinto Vinhas Velhas de Santa Maria 2009.

Embora não sejam dos vinhos que tenho provado com mais frequência, conheço a marca há bastantes anos e quando surge a oportunidade lá se vai provando uma ou outra colheita. Novidade, contudo, foi a prova dos brancos que, curiosamente, me surpreenderam mais que os tintos. Gostei em particular da acidez, da persistência, da profundidade aromática a par com alguma mineralidade, no que pareceu ser um branco bastante polivalente e com bom potencial de guarda. Foram provados apenas dois vinhos, mas prometeram bastante.

Quanto aos tintos, foram percorridas várias colheitas que mostraram alguma evolução (as mais antigas) mas muita consistência e estrutura, ou não estejamos paredes meias com a Bairrada. Curiosamente, o tinto que mais se destacou na opinião dos presentes foi precisamente o 2009, isto ainda antes de ser um dos premiados com a “Escolha de imprensa”. Profundo, aromático, com alguma robustez mas sem perder elegância, sem dúvida um belo vinho. Parecia premonitório...

Quanto à loja propriamente dita, o portefólio, embora não seja muito vasto (o espaço também não é...) está bem selecionado, fugindo um pouco ao mais comum e apostando sobretudo em vinhos da gama média-alta. O espaço está bem decorado, bonito, bem arrumado, é agradável estar lá dentro, com uma ampla montra para a rua. Se for bem gerido (e isto de vender vinho não se trata “apenas” de vender o vinho) tem todas as condições, até pela sua localização privilegiada no coração da cidade, para ter sucesso. Pela minha parte, tentarei dar o meu pequeno contributo dentro das minhas possibilidades, divulgando o que por lá se faz e adquirindo alguma coisa sempre que for possível. Afinal é para isso que estes espaços existem, para nós consumidores os frequentarmos. Como não se pode ir a todas, vai-se aparecendo onde e quando se pode.

Kroniketas, enófilo itinerante