Fugindo ao procedimento habitual, guardei este Alvarinho uns anos e só o consumi no fim de ano.
É verdade que os dogmas são para derrubar, e que um deles é o de que os vinhos brancos devem ser sempre bebidos em novos. Há casos e casos. Há regras e excepções.
Na verdade, a maioria das experiências que tive com vinhos brancos que ficaram à espera na garrafeira não foi famosa, tirando casos excepcionais. É um facto que os vinhos mudam na garrafa, e se isso é válido para a evolução dos tintos também é válido para a dos brancos. Mas se os tintos quase sempre melhoram, nos brancos não é tanto assim.
Concretizando... No meu ponto de vista, enquanto os tintos vão arredondando os taninos, amaciando a madeira (quando existe), ganhando complexidade aromática e ficando mais suaves (enquanto perdem pujança), no caso dos brancos a maior diferença que sinto naqueles com algum tempo de envelhecimento é a imediata perda de frescura, que aliás é logo denunciada pela mudança de cor para um amarelo acobreado. Quando esta cor aparece no copo, normalmente parte dos aromas já se foram.
Pode ser apenas uma questão de gosto meu, é um facto. Mas perder a acidez e os aromas mais frutados normalmente não compensa, a não ser naqueles que, à partida, já estão fadados para isso, como alguns brancos de Bucelas, Colares, Bairrada e Dão. Alguns...
Dito isto, este Palácio da Brejoeira 2014, certamente um dos melhores Alvarinhos do país (é mesmo o meu preferido), adquirido em 2015, já devia ter sido bebido. É verdade que estava com o aroma limpo, e desenvolveu aromas secundários no copo à medida que era bebido. Mas já lhe faltava alguma frescura e vivacidade. Mudou de perfil, de facto, e tornou-se mais complexo, mas perdeu alguma identidade.
Ainda muito bom, mas não excepcional.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2014 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Palácio da Brejoeira Viticultores
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 13,55 €
Nota (0 a 10): 8,5
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
No meu copo 421 - Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2012; Soalheiro, Alvarinho 2013
De dois vinhos bons passamos para dois vinhos brilhantes.
Palácio da Brejoeira: excelente, como sempre! É um daqueles vinhos para os quais até é difícil encontrar palavras que descrevam a sua excelência. Quase sublime. Elegância e suavidade a toda a prova. Finesse, aromas delicados e quase veludo na boca.
Se não é o melhor verde ou o melhor Alvarinho do país, não deve andar longe. E está tudo dito.
Quanto ao Soalheiro, não lhe fica muito atrás. Ano após ano tem vindo a ganhar terreno no panorama dos Alvarinhos, guindando-se consistentemente a um lugar entre os melhores e mais aclamados. Belo aroma frutado com notas tropicais, excelente acidez, boca vibrante, elegante e longa, final persistente e suave.
Um prazer para beber, e beber, e beber...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2012 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Palácio da Brejoeira Viticultores
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2013 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 8,5
Palácio da Brejoeira: excelente, como sempre! É um daqueles vinhos para os quais até é difícil encontrar palavras que descrevam a sua excelência. Quase sublime. Elegância e suavidade a toda a prova. Finesse, aromas delicados e quase veludo na boca.
Se não é o melhor verde ou o melhor Alvarinho do país, não deve andar longe. E está tudo dito.
Quanto ao Soalheiro, não lhe fica muito atrás. Ano após ano tem vindo a ganhar terreno no panorama dos Alvarinhos, guindando-se consistentemente a um lugar entre os melhores e mais aclamados. Belo aroma frutado com notas tropicais, excelente acidez, boca vibrante, elegante e longa, final persistente e suave.
Um prazer para beber, e beber, e beber...
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2012 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Palácio da Brejoeira Viticultores
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2013 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 8,5
domingo, 6 de janeiro de 2013
No meu copo 298 - Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2010; Esporão, Verdelho 2011
Continuando na senda de alguns vinhos brancos provados no final de ano, falamos agora de dois que serão certamente dos melhores do país: um do norte e um do sul, um verde e um alentejano, um Alvarinho e um Verdelho, um da casta minhota já disseminada por boa parte do país, outro da casta madeirense que se vem tornando omnipresente na metade mais a sul.
Em comum entre estes dois vinhos temos a sua elevada qualidade, que os guinda a um patamar certamente no topo dos brancos nacionais, o que dá um bom retrato da subida qualidade que se tem verificado nos vinhos brancos portugueses há alguns anos.
Beber este Palácio da Brejoeira lembra-me quase a mesma sensação que tive quando provei champanhe (francês, entenda-se) pela primeira vez. Tal como na comparação com todos os outros tipos de espumantes, em comparação com outros vinhos verdes e mesmo com outros Alvarinhos este Palácio da Brejoeira mostra que as características essenciais estão todas lá: boa intensidade aromática com alguma predominância a frutos tropicais como é típico da casta, bom corpo e suavidade, mas tal como os champanhes, este parece ter qualquer coisa a mais em relação aos seus pares: uma finesse, uma elegância distinta que o tornam um caso à parte. Na boca é de uma elegância notável e percebe-se assim que seja um dos mais caros dentro do género. Muito, muito bom, um vinho para ocasiões especiais.
Outro caso à parte é o branco monocasta do Esporão, um Verdelho em pleno Alentejo. Descobrimo-lo aquando duma incursão à Herdade do Esporão que fizemos em quarteto para um fantástico almoço no restaurante da herdade, e logo ali nos encantou pelo aroma exuberante a citrinos e frutos tropicais, pela frescura e persistência na boca, tudo muito bem equilibrado a fazer dele um vinho guloso que dá prazer a beber desde o primeiro momento. O mais notável neste vinho é a sua frescura e suavidade, aparentemente impossível num vinho da planície, que o faz parecer um vinho de altitude. Mais uma vez um óptimo exemplo da excelência da viticultura e da enologia daquela herdade, sem dúvida um modelo para outros seguirem, e a confirmar a máxima, que há muito seguimos, de que tudo o que sai dali é bem feito.
Para mim, estes serão porventura dois dos melhores vinhos brancos nacionais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2010 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Palácio da Brejoeira Viticultores
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 13,98 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Esporão, Verdelho 2011 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 9
Em comum entre estes dois vinhos temos a sua elevada qualidade, que os guinda a um patamar certamente no topo dos brancos nacionais, o que dá um bom retrato da subida qualidade que se tem verificado nos vinhos brancos portugueses há alguns anos.
Beber este Palácio da Brejoeira lembra-me quase a mesma sensação que tive quando provei champanhe (francês, entenda-se) pela primeira vez. Tal como na comparação com todos os outros tipos de espumantes, em comparação com outros vinhos verdes e mesmo com outros Alvarinhos este Palácio da Brejoeira mostra que as características essenciais estão todas lá: boa intensidade aromática com alguma predominância a frutos tropicais como é típico da casta, bom corpo e suavidade, mas tal como os champanhes, este parece ter qualquer coisa a mais em relação aos seus pares: uma finesse, uma elegância distinta que o tornam um caso à parte. Na boca é de uma elegância notável e percebe-se assim que seja um dos mais caros dentro do género. Muito, muito bom, um vinho para ocasiões especiais.
Outro caso à parte é o branco monocasta do Esporão, um Verdelho em pleno Alentejo. Descobrimo-lo aquando duma incursão à Herdade do Esporão que fizemos em quarteto para um fantástico almoço no restaurante da herdade, e logo ali nos encantou pelo aroma exuberante a citrinos e frutos tropicais, pela frescura e persistência na boca, tudo muito bem equilibrado a fazer dele um vinho guloso que dá prazer a beber desde o primeiro momento. O mais notável neste vinho é a sua frescura e suavidade, aparentemente impossível num vinho da planície, que o faz parecer um vinho de altitude. Mais uma vez um óptimo exemplo da excelência da viticultura e da enologia daquela herdade, sem dúvida um modelo para outros seguirem, e a confirmar a máxima, que há muito seguimos, de que tudo o que sai dali é bem feito.
Para mim, estes serão porventura dois dos melhores vinhos brancos nacionais.
Kroniketas, enófilo esclarecido
Vinho: Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2010 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Palácio da Brejoeira Viticultores
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 13,98 €
Nota (0 a 10): 9
Vinho: Esporão, Verdelho 2011 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 9
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