domingo, 23 de julho de 2017

No meu copo 614 - Stanley branco 2015; Stanley tinto 2013

Mais dois vinhos que desconhecia, a não ser pelo nome. Tive oportunidade de prová-los no restaurante da Fundação Oriente, e não deslustraram.

O branco, com duas das melhores castas portuguesas, mostrou-se à altura das exigências. Aroma com algum fruto tropical e algum floral, boa acidez e persistência, com final fresco e elegante. Um exemplar interessante da nova geração de brancos da região de Lisboa.

O tinto, por seu lado, foi produzido em terrenos arenosos da Península de Setúbal mas com castas exteriores à região (o mesmo acontece com o branco, mas aqui a proliferação e variedade de castas já é mais habitual): duas vieram do Douro e a Syrah veio de França.

Estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês apresentando as notas de madeira bem integradas no conjunto. Bom volume de boca, taninos suaves e final longo com alguma adstringência. Igualmente interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Produtor: Fundação Stanley Ho

Vinho: Stanley 2015 (B)
Região: Lisboa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Verdelho, Alvarinho
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Stanley 2013 (T)
Região: Península de Setúbal
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de julho de 2017

No meu copo 613 - Quinta Vista tinto 2013

Não conhecia este vinho, não sabia de onde era, nunca tinha ouvido falar nele.

Numa ida esporádica à marina de Cascais, num almoço mais ou menos improvisado, pedi um copo de vinho e serviram-me o vinho da casa, que se veio a revelar... este.

Depois de procurar mais informação, fiquei então a saber que é da região de Alenquer. Não é um vinho surpreendente, nem que nos encante, mas revelou alguma personalidade e consegue-se beber com o agrado suficiente para justificar ser mencionado.

Em traços gerais, apresenta as características habituais nos vinhos da região de Lisboa. Alguma frescura a par duma certa adstringência, medianamente encorpado com alguma estrutura e persistência, com final medianamente longo marcado por algum tanino.

Não é especial, mas para aquilo que é bebe-se bem. Talvez valha a pena conhecer melhor este produtor.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta Vista 2013 (T)
Região: Lisboa
Produtor: Sociedade Agrícola Quinta do Conde
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Castelão, Syrah
Preço: 4 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 11 de julho de 2017

No meu copo 612 - Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas branco 2015

Este vinho foi comprado há um ano, na habitual promoção da Revista de Vinhos. Foi agora bebido a acompanhar peixe grelhado e superou todas a expectativas.

Revelou-se um vinho absolutamente gastronómico, a pedir até um prato mais elaborado e complexo. Com aroma predominantemente cítrico e alguma mineralidade, foi sobretudo na boca que surpreendeu, pela estrutura e complexidade apresentadas, com final longo, vivo e fresco, com boa estrutura mas macio e redondo, com um leve toque amadeirado muito bem integrado no conjunto.

É um daqueles raros vinhos que me conseguem sempre surpreender quando conseguem conjugar estrutura e persistência com suavidade e elegância. Merece ser novamente provado mas agora com um prato mais exigente, pois revela potencial para se bater com um repasto mais elaborado e complexo.

Muito bem esta combinação de castas, na linha da aposta de Paulo Laureano nas castas portuguesas. Este foi um tiro bem certeiro.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2015 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Fernão Pires
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 8 de julho de 2017

4º Bairradão em Lisboa


No final do passado mês de Maio decorreu no Hotel Real Palácio mais uma edição do Bairradão em Lisboa, que juntou produtores do Dão e da Bairrada no mesmo espaço.

Estiveram presentes alguns produtores dos mais representativos daquelas duas regiões, como se pode ver pela lista da imagem anexa.

Desta vez não houve oportunidade para participar na prova especial das colheitas de Cabernet Sauvignon da Caves São João, porque o dia era muito preenchido e apenas pude cirandar pelas mesas dos produtores com alguma brevidade. Detive-me sobretudo na mesa das Caves Messias, da Casa de Saima e da Casa da Passarela, da Adega de Cantanhede e no da Dão Sul/Global Wines, com a larga panóplia de vinhos da Quinta do Encontro e das várias marcas produzidas no Dão.

Num breve balanço da minha curta passagem pelo evento, ficou patente mais uma vez a importância deste evento e a participação massiva dos produtores, de modo a trazer estas duas fantásticas regiões ao encontro do público e aumentar a sua visibilidade. A qualidade dos vinhos está lá e é inegável, como os apreciadores sobejamente sabem. Falta apenas que o grande público também saiba e comece e render-se a estes vinhos que, sendo significativamente diferentes entre si, também não têm igual no país.

Mais uma vez está de parabéns a garrafeira Néctar das Avenidas, que continua a lutar contra a menor atenção que o consumidor dispensa a estas duas regiões. Pela nossa parte, aqui neste cantinho, continuaremos também a apoiar esta missão dentro do que nos for possível.

Continuem e contem connosco.

Kroniketas, enófilo esclarecido

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Hello Summer Wine Party 2017 no Hotel Marriott



Os eventos ligados ao vinho sucedem-se a um ritmo alucinante, superior à minha capacidade de comparência e ainda mais superior à minha capacidade de escrita com a frequência requerida. Tenho descrições para fazer… desde o ano passado, e ainda não consegui publicá-los...

Para tentar pôr alguma escrita em dia, vou começar pelo mais recente onde estive: a Hello Summer Wine Party 2017, que decorreu no dia 9 de Junho de 2017 no Hotel Marriott, em Lisboa, organizada pela revista Paixão pelo Vinho.

À semelhança de edições anteriores, o evento conta com a participação de vários produtores de vinho menos badalados, que não aparecem muitas vezes nos certames mais concorridos, além da possibilidade de provar alguns petiscos que vão sendo confeccionados no jardim. Desta vez pude participar em duas provas especiais que decorreram em paralelo, e acabaram por ocupar a maior parte do meu tempo: vinhos da casta Castelão apresentados por António Saramago e vinhos de Baga apresentados por Osvaldo Amado.

Relativamente aos stands, acabei por dar uma volta mais demorada pelos vinhos da Serenada, da Adega Cooperativa da Vidigueira e da Companhia das Lezírias, saltitando um pouco pelos outros mas sem possibilidade de grande permanência. Como vai sendo, infelizmente, habitual nestes eventos, os vinhos tintos quase nunca estão à temperatura adequada, o que obriga a nos centrarmos quase exclusivamente nos brancos e rosés. Entretanto as provas especiais começavam, pelo que me saí rapidamente do jardim...

A primeira prova constou da apresentação dos vinhos da casta Castelão produzidos por António Saramago na Península de Setúbal. O enólogo começou por caracterizar a casta e a sua história, passando-se depois à prova de vários néctares que abrangeram vários anos do século XXI. No geral os vinhos apresentaram-se bastante saudáveis e longevos, com as características aromáticas e de estrutura bem marcadas. Como é normal nestas ocasiões, os vários anos em prova apresentaram discrepâncias que não têm necessariamente relação com a idade dos vinhos, com diferentes tipos de evolução.

Quanto à prova dos vinhos de Baga da Adega Cooperativa de Cantanhede, tivemos a possibilidade de apreciar estes bairradinos em todo o seu esplendor, numa prova para verdadeiros apreciadores. Sem prejuízo para os magníficos aromas terciários dos vinhos mais velhos, o grande vinho em prova foi o da colheita de 2011, um néctar de excelência!

O que ficou desta prova foi o grande crescimento qualitativo da Adega Cooperativa de Cantanhede, que está a produzir vinhos que lhe permitirão guindar-se a um patamar entre os melhores da Bairrada. E mais uma vez o dedo de Osvaldo Amado contribui para este crescimento.

Ainda houve uma terceira prova especial com vinhos da Madeira, mas já não havia tempo nem estômago para mais.

Obrigado à equipa da Paixão pelo Vinho, e em particular à Maria Helena Duarte, por mais este evento.

Kroniketas, enófilo assoberbado

domingo, 2 de julho de 2017

No meu copo 611 - Tormaresca, Chardonnay 2016

Foi a segunda vez que tive oportunidade de provar este vinho, no mesmo local da primeira vez: o restaurante Come Prima.

Confirmou as boas impressões da prova anterior. Boa acidez, muita frescura na boca, aromas citrinos e tropicais, redondo na boca e com final vivo.

A repetir em mais ocasiões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tormaresca, Chardonnay 2016 (B)
Região: Puglia (Itália)
Produtor: Tormaresca, Soc. Agr. – Lecce
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 8