sábado, 29 de setembro de 2018

No meu copo 702 - Estremus 2011; Quinta da Viçosa TC 2011

Continuamos nos grandes produtores e nos grandes vinhos. Um grande repasto foi pretexto para abrir estas duas garrafas que aguardavam para ser apreciadas desde um memorável evento em que foram apresentadas as novidades pela João Portugal Ramos Vinhos no restaurante Feitoria do Hotel Altis Belém.

O Estremus 2011, dissemo-lo na altura, foi o vinho da noite. Superou tudo o que se poderia esperar dele e prometeu longa vida. E tem-na.

Curiosamente, no entanto, passados estes anos desde essa ocasião, as memórias que ficaram levam a pensar que o vinho se expressa melhor mais novo. Aquela vibração, aquela vivacidade quase agreste mas sem ser agressiva, conferem-lhe um perfil único e muito próprio que aconselham mais o seu consumo sem esperas demasiadas. Temos, frequentemente, a tendência para considerar que os vinhos muito vivos em jovens devem repousar uns anos para amaciar. Por vezes corremos o risco de essa macieza lhes retirar alguma da personalidade que os fazem destacar-se. Este Estremus parece ser um desses casos: continua magnífico, mas gostei mais dele mais jovem. Se a oportunidade se repetir, é de bebê-lo logo após o lançamento.

O Quinta da Viçosa 2011, uma tradição da casa com um lote da melhor casta portuguesa e da melhor casta estrangeira em cada edição, foi uma feliz combinação de duas castas que costumam casar maravilhosamente em Portugal. São inúmeros os vinhos já provados com este lote Touriga Nacional/Cabernet Sauvignon que deram resultados fantásticos, e este não fugiu à regra.

Excelente no aroma, com notas compotadas, de especiarias e frutos pretos. Bom volume de boca, final longo, persistente mas elegante. Fermentou em balseiros de carvalho francês, tendo estagiado em meias pipas novas. Muito bem, e ainda há outra garrafa para provar...

Mais uma vez os nossos agradecimentos a João Portugal Ramos e à sua equipa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos

Vinho: Estremus 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira
Preço: cerca de 75 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta da Viçosa TC 2011 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: cerca de 28 €
Nota (0 a 10): 8,5


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

terça-feira, 25 de setembro de 2018

No meu copo 701 - Duas Quintas Reserva branco 2017; Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira

Mantendo a mesma tradição dos posts centenários, iniciamos mais uma centena de posts de provas com dois grandes vinhos dum grande produtor. Não são novidades, mas são novas provas.

O Duas Quintas Reserva branco tinha sido provado já durante este ano, numa prova algo prejudicada pelo excessivo tempo de espera. O vinho já apresentava um perfil que não foi do nosso maior agrado.

Agora provámos esta colheita de 2017, acabadinha de chegar ao mercado. Mantendo a filosofia que deu origem à marca Duas Quintas já no longínquo ano de 1990 (mistura de uvas de terreno xistoso em baixa altitude e boa maturação na Quinta de Ervamoira, e de terreno granítico em altitude na Quinta dos Bons Ares), aqui sim, o vinho mostrou tudo aquilo que se espera dele.

Muito boa acidez, estrutura e intensidade aromática. Persistente e com final longo, mostra-se um excelente parceiro para a mesa que se adequa quer a pratos de peixe quer de carne, pois a sua estrutura permite-lhe bater-se quase com qualquer prato bem temperado e com robustez. Pode ser bom para envelhecer, mas parece-nos que é na juventude que se tira dele o melhor partido.

Já o Duas Quintas Celebração, de que tinha sido provado um exemplar único, foi adquirido numa dessas oportunidades que surgem de vez em quando nas garrafeiras com vinhos antigos. Em boa hora o fizemos, pois o vinho não perdeu nada em relação à prova anterior. Mantém-se um vinho de grande elegância e com grande personalidade, boa estrutura e persistência, já não com as notas frutadas tão em evidência mas com aromas mais complexos. Vale a pena repeti-lo uma vez e outra.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto

Vinho: Duas Quintas Reserva 2017 (B)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Rabigato, Arinto, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 14,11 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira (T) (sem data de colheita)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço: 14,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

700 provas - Resumo de vinhos

Foram estes os vinhos provados durante a sétima centena de posts.

Vinhos do Porto

Duorum Vintage 2007 - 8,5


Espumantes e Champanhes

João Portugal Ramos Alvarinho Reserva Bruto Natural 2014 - 8
Marquês de Borba Bruto rosé 2014 - 8
Marquês de Marialva Blanc de Blancs Bruto - 7,5
Quinta do Boição Extra Bruto 2010 - 8
Taittinger Brut Réserve (França - Champagne) - 8



Rosé

Trás-os-Montes
Valle Pradinhos 2016 - 8

Douro
Santos da Casa 2016 - 7
Vallado, Touriga Nacional 2016 - 8

Lisboa
Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006 - 8

Tejo
Lagoalva 2016 - 7,5

Península de Setúbal
Quinta de Camarate 2016 - 7,5

Alentejo
Pouca Roupa 2016 - 7



Brancos

Verdes
João Portugal Ramos, Loureiro 2014 - 7
João Portugal Ramos, Loureiro 2017 - 7
Portal do Fidalgo, Alvarinho 2011 - 8

Trás-os-Montes
Quinta do Sobreiró de Cima 2016 - 7,5

Douro
Crasto Superior 2014 - 8
Duas Quintas Reserva 2010 - 8
Marka 2013 - 7,5
Quinta de Cidrô, Gewürztraminer 2016 - 8,5
Tons de Duorum 2016 - 7,5
Vallado 2016 - 8
Vallado Prima 2016 (1) e (2) - 8,5

Dão
Casa da Passarela, A Descoberta 2016 - 8
Quinta do Cerrado Encruzado 2012 - 8,5
Titular branco 2015 - 7,5

Bairrada
Frei João Clássico 2015 - 8,5
Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2016 - 7,5
Poço do Lobo, Arinto 1995 - 8

Tejo
Fiúza, Chardonnay 2016 - 7,5
Lagoalva Talhão 1 2016 - 7,5
Padre Pedro Reserva 2015 - 7,5
Ninfa, Sauvignon Blanc 2015 - 8,5

Lisboa
Dory 2015 - 7
HM Lisboa 2016 - 7
HM Lisboa 2017 - 8
Quinta de S. Sebastião 2016 - 7,5
Stanley 2015 - 7,5

Bucelas
Prova Régia Reserva 2015 - 6,5

Península de Setúbal
Alcube, Fernão Pires e Moscatel 2015 - 7
BSE (Branco Seco Especial) 2015 - 6,5
Serras de Grândola, Verdelho 2015 - 8

Alentejo
Caladessa Escolha 2014 - 7
Cartuxa branco 2015 - 7,5
Cortes de Cima, Sauvignon Blanc 2015 - 8
Esporão, Duas Castas 2015 - 8,5
Esporão, Verdelho 2015 - 7,5
Herdade do Perdigão Reserva 2014 - 8
Marquês de Borba 2017 - 7,5
Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 - 7
Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2015 - 8
Pêra-Manca 2005 - 7,5
Pouca Roupa 2017 - 7,5
VDG, Alvarinho 2016 - 8
VDG, Arinto 2016 - 7,5
VDG, Chardonnay 2016 - 7
VDG, Verdelho 2016 - 7,5
VDG, Vermentino 2016 - 6,5
VDG, Viognier 2016 - 8
Vidigueira, Antão Vaz 2016 - 8
Vila Santa Reserva 2016 - 7,5



Tintos

Trás-os-Montes
Flor do Tua Reserva 2014 - 7,5

Douro
Quinta da Soalheira 2013 - 8
Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 - 9
Quinta dos Aciprestes 2014 - 8
Quinta dos Quatro Ventos 2008 - 8
Ramos Pinto Collection 2006 - 8,5
Ramos Pinto Collection 2008 - 8
Ramos Pinto Collection 2009 - 8
Ramos Pinto Collection 2010 - 8,5
Tons de Duorum 2016 - 7,5
Vallado 2015 - 7,5

Dão
Bella Superior 2012 - 7,5
Cabriz Reserva 2013 - 8
Casa da Passarela Vinhas Velhas 2008 - 7
Pedra Cancela Castas Nativas 2012 - 7
Quinta do Cerrado Reserva 2011 - 7,5
Porta dos Cavaleiros 1983 - 7
Quinta dos Carvalhais 2010 - 8
Titular tinto 2014 - 7
Tazem Reserva 2011 - 7,5
Vinha Maria Premium 2015 - 7,5

Beira Interior
Quinta dos Termos 2013 - 5

Bairrada e Beiras
Bom Caminho 2011 - 8
Frei João 1984 - 7
Frei João 1996 - 7,5
Marquês de Marialva Colheita Selecionada 2014 - 7,5
Luís Pato Vinhas Velhas 2004 - 7,5
Valdazar 2011 - 7,5

Tejo
Lagoalva Reserva 2013 - 7
Terras d’Areia 2010 - 7

Lisboa
3 Podas 2015 - 7,5
Capote Velho Premium 2014 - 7
Castelo do Sulco Reserva 2013 - 7,5
Dory Reserva 2013 - 8
Grand’Arte, Alicante Bouschet 2009 - 7
Quinta de S. Sebastião 2014 - 7
Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012 - 8
Quinta Vista 2013 - 6
Vinha da Nora 2005 - 8,5
XV Quinze 2013 - 8

Península de Setúbal
Quinta de Alcube, Castelão e Cabernet Sauvignon 2013 - 7,5
Periquita Reserva 2012 - 7
Rovisco Pais Premium 2013 - 7,5
Stanley 2013 - 7,5

Alentejo
Adega de Borba Premium 2015 - 6
Caladessa Escolha 2012 - 7,5
Casa de Sabicos Reserva 2013 - 8
GA 2016 - 7,5
Herdade do Sobroso 2006 - 8
Herdade do Sobroso 2008 - 8
João Portugal Ramos 25 Anos (Edição Limitada) - 8,5
Julian Reynolds 2006 - 8,5
Marquês de Borba 2017 - 7,5
Marquês de Borba Reserva 2011 - 8,5
Marquês de Borba Vinhas Velhas 2016 - 8
Portalegre DOC 2004 - 8
Quatro Castas (Esporão) Reserva 1998 - 8
Quinta da Cabaça 2007 - 8
Reguengos DOC 2016 - 6,5
Reguengos Garrafeira dos Sócios 1993 - 8
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007 - 8,5
Reguengos Reserva 2008 - 8
Reguengos Reserva 2013 - 7,5
Tinto da Talha Grande Escolha, Touriga Nacional e Alicante Bouschet 2009 - 7,5



Estrangeiros

Brancos
Tormaresca, Chardonnay 2016 (Itália - Puglia) - 8

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

No meu copo 700 - Portalegre DOC tinto 2004; Quinta da Cabaça 2007

Atingimos com este post o redondo número de 700 artigos sobre provas, redigidos ao longo dos últimos 13 anos (menos 3 mesitos...). Como tem sido habitual (porque assim se resolveu fazer), os posts “centenários” são sempre dedicados a vinhos ou provas com alguma coisa de especial. Os dois vinhos de que aqui se fala entram nesse lote devido ao enquadramento em que foram conhecidos e mais tarde adquiridos.

Aquando da minha permanência por terras de Portalegre, em finais de 2007/princípio de 2008, tive oportunidade de conhecer bastante bem a gastronomia da região, de que não era frequentador habitual, e fazer algumas visitas a produtores do distrito de Portalegre e do vizinho distrito de Évora (posts com o título “Krónikas do Alto Alentejo”, ou com a etiqueta “Alto Alentejo” ou “Viagens”).

Nessa altura, por exemplo, a Adega Mayor ainda estava a dar os primeiros passos e ainda não tinha o seu nome e os seus vinhos bem implantados no mercado. Agora teria merecido uma visita.

O trabalho que estive a realizar em Portalegre, mesmo nada tendo a ver com o vinho, teve a sua base nas instalações da Adega Cooperativa de Portalegre, o que me permitiu conhecer in loco como a adega funcionava (estávamos em época pós-vindimas) e conhecer mais de perto o portefólio da Adega. Um dos locais que na ocasião visitei foi a Adega da Cabaça, anteriormente berço dos vinhos D’Avillez, e que tinha sido adquirida pela Adega Cooperativa para aí estabelecer a produção duma nova marca. Essa marca surgiu precisamente com o nome “Quinta da Cabaça”, e este é um dos vinhos de que agora falamos. O outro é o principal vinho da casa, o Portalegre DOC.

No momento em que este post foi escrito ainda se podia aplicar todos estes verbos no presente. Agora já é passado, porque entretanto a Adega Cooperativa de Portalegre deixou de sê-lo enquanto tal, foi adquirida por outra entidade e agora chama-se Adega de Portalegre Winery. Mas estas duas marcas mantêm-se e recentemente ganharam novo fôlego. Os tradicionais vinhos de Portalegre parecem querer retomar o caminho que lhes deu fama há duas décadas, e já há novas colheitas no mercado. Mas esse será assunto (e prova) para outra ocasião, porque estes ainda foram lançados sob os auspícios da antiga Adega Cooperativa.

Falando dos vinhos propriamente ditos...

O Portalegre DOC mostra um perfil alentejano mais clássico, bem encorpado, estruturado e robusto, pujante na prova de boca, um vinho claramente a pedir pratos típicos alentejanos, bem temperados, e muito adequado para pratos de caça.

Já o Quinta da Cabaça mostrou um perfil mais moderno, com maior vivacidade na prova de boca e não tão compacto na estrutura, ligeiramente mais aberto na cor e com os taninos um pouco mais presentes, embora bem domados.

Eram dois excelentes vinhos naquela altura. Resta-nos aguardar que as novas versões façam jus ao nome que ostentam.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre

Vinho: Portalegre DOC 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Grand Noir
Preço: 12,15 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Cabaça 2007 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Cinsault
Preço em feira de vinhos: 6,38 €
Nota (0 a 10): 8


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Néctar das Avenidas - Novas instalações



Abriu na passada 3ª feira, 4 de Setembro, o novo espaço da Garrafeira Néctar das Avenidas, na esquina da Avenida Luís Bívar com a Pinheiro Chagas, em Lisboa.

Sob a direcção de pai e filha João e Sara Quintela, respectivamente, a nova loja é significativamente maior que a anterior, prometendo albergar diversos eventos ligados ao mundo do vinho.

Como bónus para a vista, destaca-se um canto onde está exposta uma impressionante colecção com algumas dezenas de garrafas do espólio particular de João Quintela, com realce para as colheitas desde os anos 80 do Esporão Reserva tinto. Está lá bem vincado numa etiqueta: não estão à venda!

Boa sorte para a família Quintela nesta nova etapa desta fantástica aventura que tem sido o crescimento desta garrafeira.

Nós cá estaremos para ver, acompanhar e provar.

Até já.

Kroniketas, enófilo actualizado

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

No meu copo 699 - Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006

Por falar em Quinta do Monte d’Oiro, nada melhor para antecipar o post nº 700 do que falar deste vinho surpreendente, que me veio parar às mãos numa promoção rara. Tão rara, e tão surpreendente, que os próprios produtores lhe perderam o rasto se surpreendem com as qualidades que este vinho mostra.

Só por uma vez aqui falámos dele, embora já o tivéssemos provado posteriormente. Na época em que o tuguinho provava mas também escrevia, foi graças a ele que descobrimos esta pequena pérola. Na altura o vinho até nem parecia nada de especial, era mais a originalidade e a diferenciação que o tornavam um vinho interessante.

Mas depois de me cruzar com ele nunca mais deixei de tê-lo debaixo de olho, que é como quem diz, se aparecer a oportunidade por um preço interessante, pode ser que valha a pena.

E a oportunidade surgiu numa promoção online da colheita de 2006, já anteriormente provada mas não relatada. Como o vinho está praticamente ausente do circuito, achei que seria interessante voltar a prova-lo. O preço era convidativo e, como tal, o risco pouco elevado.

E que surpresa se revelou! Foi consumido quase de surpresa, sem preparação e sem “aqueles” copos adequados. Tal como a compra, o consumo foi uma questão de oportunidade!

Achei curioso guardar o que diz o contra-rótulo: consumir nos primeiros dois anos, o que significa que estamos, “apenas”, 10 anos fora do prazo. “Estamos” em teoria, porque o vinho estava tudo menos fora de prazo!

Apesar duma rolha teimosa e em mau estado, a prova foi excelente a todos os níveis! Atenção: este vinho, apesar da etiqueta que colocámos no post, não é um rosé. O conceito de clarete é um vinho tinto leve, aberto na cor e para consumir fresco (e jovem). Não estava assim tão fresco, mas bateu-se galhardamente com os acepipes que acompanhou. Cheio de frescura, acidez, aroma limpo meio apetrolado, transparente e brilhante na cor, muito vivo na prova de boca e com boa estrutura e ainda com frutos vermelhos presentes no aroma, e sem quaisquer sinais de evolução excessiva. Parecia novo!

Para um vinho que era uma espécie de sobra do tinto emblemático da casa (o Vinha da Nora, cuja colheita de 2005 também ainda está em grande forma), poderíamos usar uma frase simples e vulgar mas que retracta este vinho na perfeição: saiu melhor que a encomenda!

Dito isto, se ele ainda voltar a andar por aí não vou deixá-lo escapar. É um vinho que merece ser conhecido e apreciado, pelo prazer que proporciona mas também pela originalidade que representa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006 (R)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cinsault
Preço: 5,25 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Na Quinta do Monte d’Oiro, em momento pré-vindimas...




Uma oportunidade rara levou-me pela primeira vez à Quinta do Monte d’Oiro, onde se aguarda o momento oportuno para iniciar as vindimas, o que deverá acontecer na próxima semana.

O assunto não era propriamente o vinho, mas sistemas de refrigeração, pelo que fui mais para ver e ouvir. O local é lindo e delicioso, pelo que aproveitei para tirar algumas fotografias. Na encosta mais ao fundo crescem 9 ha de novas videiras plantadas recentemente.

Nos cachos são visíveis os estragos provocados pela onda de calor do início de Agosto. Cerca de 1/4 das uvas de Syrah visíveis na imagem (primeira e segunda fotos) parecem ter sido sugadas: estão completamente murchas e secas. Estimam-se quebras na produção na ordem dos 20%, embora na região alguns produtores tenham sofrido perdas até 50%, com alguns casos mais gravosos de perda total.

Como dizia o outro: é a vida... E quando São Pedro não ajuda...

Kroniketas, enófilo viajante