domingo, 31 de maio de 2015

No meu copo 457 - Douro Messias Reserva 2004

Falamos agora de outro vinho com 10 anos depois da colheita, desta vez do Douro e das Caves Messias, que são uma presença frequente nas nossas provas de vinhos velhos da Bairrada.

Este vinho foi produzido na Quinta do Cachão (em Ferradoza, próximo de São João da Pesqueira – sub-região do Cima Corgo), que dá o nome a uma das marcas das Caves Messias no Douro. Elaborado com desengace total das uvas e estágio em tonéis novos de carvalho francês, apresentou-se com uma cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos e frutos secos, muito suave, elegante e equilibrado na boca, com persistência média. Tudo bem balanceado, sem sinais de declínio, apresentando ainda muita frescura na prova. O álcool é ajuizado e não incomoda, não se sobrepõe nem se impõe no conjunto. A madeira e os taninos praticamente não se sentem, estando muito discretos e moderados.

Mais um vinho que aguentou bem a prova do tempo, não perdendo nada com a guarda durante quase 7 anos após a compra. Muito bem. Gostava de encontrar uma versão recente semelhante a esta. Tendo em conta que foi adquirido no Algarve, numa garrafeira da Praia da Rocha, no próximo Verão irei lá passar para ver se há mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Messias Reserva 2004 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão
Preço (em Agosto de 2008): 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 27 de maio de 2015

No meu copo 456 - Grand'Arte, Tinta Roriz 2005; Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2005

Voltamos aos vinhos de Lisboa, continuando a desbastar os mais antigos, com cerca de uma década. Neste caso abriu-se uma garrafa de Grand’Arte Tinta Roriz e uma de Quinta de Pancas Selecção do Enólogo, de que já tínhamos provado a colheita de 2004 e que tinha agradado bastante.

Sendo dois vinhos da mesma região e do mesmo ano de colheita, encontraram-se bastantes semelhanças entre eles. Desde logo um aroma contido e algo fechado no início. A primeira impressão, em ambos os casos, foi de estarmos perante dois vinhos que já tinham dado tudo o que havia para dar. No entanto, essa sensação inicial não se confirmou. Como não se bebeu a totalidade de nenhuma das garrafas no próprio dia, pude ir verificando a evolução do vinho nos dias seguintes, com as garrafas devidamente fechadas com rolha de vácuo.

O Grand’Arte Tinta Roriz, um dos vários monocastas produzidos pela DFJ (nesta versão ainda com o rótulo antigo), à medida que foi abrindo mostrou alguma adstringência e robustez e final longo, tão típicos da casta.

Já o Quinta de Pancas Selecção do Enólogo mostrou-se mais aromático, intenso e um pouco mais profundo no nariz, mais macio na boca mas também volumoso e persistente.

Em ambos os vinhos os aromas frutados já quase desapareceram, os taninos estão polidos e sobressaem os aromas terciários, mas os vinhos não perderam frescura nem vivacidade, parecendo que ainda poderiam ter mais vida pela frente. Em qualquer caso, ficámos mais uma vez cientes de que estes vinhos com 10 anos estão de perfeita saúde e mais que prontos para beber. Assim se confirma que continuamos a beber a maioria dos vinhos (os tintos, pelo menos) cedo demais, pois os vinhos com alguma qualidade aguentam perfeitamente 10 anos na garrafa sem entrarem em declínio. Na dúvida, eu continuo a preferir guardá-los algum tempo em vez de ir a correr beber qualquer garrafa acabada de comprar.

Saber esperar é uma virtude, e em matéria de vinhos também.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)

Vinho: Grand’Arte, Tinta Roriz 2005 (T)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13,5 %
Casta: Tinta Roriz
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2005 (T)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço: 5,02 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 25 de maio de 2015

sexta-feira, 22 de maio de 2015

No meu copo 455 - Vila Real: tinto 2012; Grande Reserva tinto 2009; Reserva branco 2013

Já há algum tempo que andava a ouvir rumores sobre a qualidade dos vinhos de Vila Real, mas não me tinha cruzado com eles. Até que, durante as últimas férias de Verão, aproveitando uma promoção num hipermercado, resolvi adquirir alguns vinhos de preço médio/baixo e juntei-lhe dois tintos de Vila Real (os preços indicados nas fichas dos vinhos são antes de desconto, tendo os vinhos custado menos 35% do que o preço indicado na prateleira).

Comecei pelo vinho da gama mais baixa, que esteve acima das expectativas. Apresentou-se equilibrado, bem estruturado, suave, com persistência média e taninos vivos mas redondos, estando apto para acompanhar pratos de carne com alguma robustez.

O outro vinho, o Grande Reserva, embora mais caro não mostrou ser tão melhor como o preço indica. Aroma algo discreto, sem grande estrutura nem muito persistente como se esperaria dum Reserva, apenas se apresentou ligeiramente superior ao anterior. Se o Colheita não é tão simples como se esperava, o Grande Reserva também não é tão complexo como deveria. E acaba por não justificar o acréscimo de preço.

Quanto ao Reserva branco, é um vinho agradável e bastante aromático, suave, aberto mas com persistência e medianamente estruturado, que se bebe com facilidade e acompanha bem pratos de peixe não muito pesados. Tem um aroma ligeiramente floral e na boca notas de frutos do pomar, a par com alguma mineralidade. Também este esteve acima das expectativas para o preço que custa.

Em resumo, para os vinhos de entrada de gama, estes de Vila Real parecem constituir uma boa aposta. A repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Adega Cooperativa de Vila Real - Caves Vale do Corgo

Vinho: Vila Real 2012 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,55 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vila Real Grande Reserva 2009 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Vila Real Reserva 2013 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,69 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 18 de maio de 2015

No meu copo 454 - Quinta da Giesta tinto 2011

Nuno Cancela de Abreu é nome de um enólogo sobejamente conhecido no mundo do vinho português, pelas suas passagens mais ou menos prolongadas por Bucelas, onde foi um dos dinamizadores da popularidade da casta Arinto na Quinta da Romeira, e pela Quinta da Alorna. Nos anos mais recentes regressou, segundo o próprio, à região donde é oriundo, o Dão, criando o seu próprio projecto, e tornando-se responsável pela produção dos vinhos da Quinta da Fonte do Ouro, propriedade familiar, e da Quinta da Giesta.

Tive oportunidade de me cruzar com ele em alguns dos eventos organizados pelo grupo #daowinelover, nomeadamente aquando do Dãowinelover whiteday, em que provei um belo branco da Quinta da Fonte do Ouro. Foi, portanto, com curiosidade acrescida que provei este tinto da Quinta da Giesta.

Com muita pena minha, devo dizer que me desiludiu e que esperava bastante melhor. Às vezes trata-se apenas de um desencontro de gostos, de uma garrafa num estado de evolução menos favorável (há quem diga que actualmente não há maus vinhos, há apenas más garrafas), ou de um momento menos apetecível para quem bebe. Mas a verdade é que, em vários dias de prova ao longo dos quais fui consumindo o conteúdo da garrafa, a impressão não se alterou. Achei-o pouco aromático, com pouco sabor, final curto, desinteressante.

Há vinhos que ao primeiro contacto não se mostram e precisam de horas (ou dias) para se libertar e mostrar-se em todo o esplendor. Neste caso nem assim. Portanto não era um caso de necessidade de arejamento.

Não se pode acertar sempre, mas quero crer que o vinho terá de ser melhor do que este me pareceu. Portanto, reservo uma segunda opinião para uma nova prova quando a oportunidade surgir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Giesta 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 5

quinta-feira, 14 de maio de 2015

No meu copo 453 - Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2013


Eis um exemplar curioso dos brancos da Bairrada, elaborado com a casta que se dá bem em todo o lado: o Arinto. Vinho com boa estrutura sem ser pesado, boa acidez, fresco, persistente. Apresenta um leve toque citrino na boca e no nariz, com aroma intenso.

Muito interessante e uma experiência para repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2013 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 10 de maio de 2015

Na minha mesa, no meu copo 452 - Come Prima (Lisboa); Tormaresca, Chardonnay 2013

 

Num recanto meio escondido entre a Avenida Infante Santo e a Avenida 24 de Julho, paralelamente à Calçada da Pampulha, situa-se este restaurante de cozinha italiana gerido por... indianos. Combinação original, sem dúvida, mas o resultado é muito bem conseguido.

Constituído por dois pisos, o de cima tem um ambiente mais recatado e acolhedor que o piso térreo, junto à porta de entrada. Em cima existem as casas de banho, a garrafeira e uma zona mais escondida com outra sala mais reservada. Estamos junto ao telhado, pelo que nas mesas dos lados o tecto desce abruptamente, obrigando a alguma cautela quando nos sentamos.

Para entrada são-nos servidas bruschettas, umas tostas cobertas com bocadinhos que queijo, tomate e azeite, uma delícia para iniciar a função. A carta tem pratos do dia com escolhas variadas um pouco para todos os gostos. Há carnes, massas, pastas, pizzas, e a ementa vai sempre mudando, pelo que é difícil eleger algum prato como referência permanente. No entanto, a minha opção vai quase sempre para as massas ou pastas.

Nas diversas vezes que lá já fui (sempre ao almoço, pois fica perto do local de trabalho), a escolha para a sobremesa acabou sempre por recair num clássico: o tiramisú, muito bem confeccionado, saborosíssimo, com todos os ingredientes na conta certa..

As escolhas de vinho não são muito vastas mas existe a opção de vinho a copo, bastante apropriada para a hora de almoço durante a semana. Como gosto de beber rosé com comida italiana, quando há – o que nem sempre acontece – costumo escolher um Quinta da Lagoalva (de que acabo quase sempre por beber dois copos), que se mostra muito agradável, equilibrado e aromático, fazendo uma ligação perfeita com o prato. Foi aqui, aliás, que conheci este vinho, o que me levou mais tarde a comprá-lo e referi-lo numa prova.

Na minha última visita a este restaurante acabei por fazer duas escolhas menos habituais: uma massa com espinafres e gambas, e para beber um Chardonnay italiano a copo: chama-se Tormaresca e é produzido na região de Puglia, que abrange o sudeste de Itália até ao “calcanhar da bota”. Apresenta uma cor amarelo-palha, é bastante aromático e fresco com um toque citrino, sem madeira e sem aquele sabor enjoativo que é tão frequente em Portugal. O grau alcoólico também é moderado, apenas 12,5%, o que também vai sendo raro por cá, e torna o vinho mais leve e fácil de beber. Gostei, e não me importarei de repetir.

Para quem pretende uma refeição sossegada e em ambiente intimista, este Come Prima é um local recomendável. Os preços não são excessivos e a qualidade é mais que satisfatória.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Come Prima (italiano)
Rua do Olival, 258
1200-744 Lisboa
Telef: 21.390.24.57
Preço médio por refeição: 15 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Tormaresca, Chardonnay 2013 (B)
Região: Puglia (Itália)
Produtor: Tormaresca, Soc. Agr. - Lecce
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 6 de maio de 2015

No meu copo 451 - Beyra - Vinhos de altitude

Beyra branco 2012; Beyra branco 2014; Beyra tinto 2012


Uma das regiões que ao longo dos anos e das nossas lides enófilas quase não tem merecido a nossa atenção é a Beira Interior. Não há muitos vinhos, os que há são pouco conhecidos, e o nosso interesse não se vira muito para lá.

Nos últimos anos alguns produtores têm apostado em dar mais visibilidade aos vinhos da região. Afinal, ela fica logo abaixo do Douro e ao lado do Dão. A Companhia das Quintas sediou lá o seu Quinta do Cardo, e o enólogo Rui Roboredo Madeira (da família Roboredo Madeira, mais conhecida pela produção dos vinhos CARM), apostou na produção de vinhos com a chancela “vinhos de altitude”.

É sabido que a altitude é um factor determinante para a frescura dos vinhos, e tanto podemos verificar isso no Douro – onde o mesmo produtor tenta muitas vezes lotear vinhos da cota baixa com vinhos da cota alta para lhes dar frescura – como no Alentejo – onde os vinhos produzidos nas zonas de serra, principalmente em Portalegre, se distinguem principalmente pela frescura e acidez que muitas vezes é difícil de obter na planície.

Sendo assim, porque não experimentar os vinhos das serras no interior do país? Em teoria, não existe nenhuma razão para ignorarmos estes vinhos, a não ser que a qualidade ali obtida não seja de todo satisfatória. Mas isso só saberemos depois de os termos provado.

Foi isso que tentámos perceber com este branco e este tinto Beyra, saídos das mãos de Rui Roboredo Madeira e produzidos a partir de vinhas implantadas a 700 metros de altitude, em solos graníticos e xistosos com filões de quartzo, na zona de Figueira de Castelo Rodrigo.

O Beyra branco é produzido com duas castas pouco faladas, a Síria e a Monte Cal. Vendo bem, contudo, a Síria não é mais que a versão serrana do Roupeiro do sul do país, sendo uma das castas predominantes nos brancos do Alentejo.

A primeira prova, da colheita de 2012, não foi totalmente conclusiva, pelo que resolvi repetir com a colheita de 2014, a que estava disponível no mercado. As conclusões acabaram por se confirmar. O vinho mostrou um aroma predominantemente frutado mas algo discreto, ligeiramente citrino na boca, não muito encorpado e com persistência média. É um vinho leve e fresco, não muito complexo, agradável e fácil de beber mas que se esvai rapidamente. Um vinho para pratos não muito condimentados nem complexos.

O perfil do Beyra tinto é sobretudo leve a suave, embora de certa forma peque por alguma falta de corpo e de persistência, mostrando-se algo delgado de corpo, com final curto e aroma pouco pronunciado.

No conjunto acabei por gostar mais do branco que do tinto. São vinhos que, pelo seu preço, não é expectável que ofereçam muito mais, embora talvez pudesse haver ali mais alguma personalidade. Para consumir no dia-a-dia sem grandes exigências nem elevadas expectativas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Beira Interior
Produtor: Rui Roboredo Madeira

Vinho: Beyra 2012 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Síria, Fonte Cal
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Beyra 2014 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Síria, Fonte Cal
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Beyra 2012 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alfrocheiro, Aragonês, Jaen, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 6

sábado, 2 de maio de 2015

No meu copo 450 - Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2013; Vallado, Touriga Nacional rosé 2014; Periquita rosé 2013

Fazemos agora uma pequena incursão por um trio de rosés que já visitámos noutras ocasiões. Cada um com o seu perfil, apresentam-se com características bastante diferentes, o que os posiciona também como vocacionados para diferentes ocasiões.

Começamos com um clássico nas nossas provas e que tem merecido quase sempre a nossa preferência entre os rosés nacionais. Trata-se do Quinta da Alorna Touriga Nacional, que tem mantido ao longo dos anos um perfil extremamente agradável e que pode servir de exemplo para o que um rosé deve ser: seco, suave, aromático, frutado, moderadamente alcoólico e mais aberto que concentrado, com aroma predominante a frutos vermelhos, como morangos ou framboesas, e um toque floral típico da casta.

Esta colheita apresentou-se ligeiramente mais adocicada que as anteriores, sem deixar de se mostrar um vinho muito agradável, gastronómico e polivalente, que liga bem com quase tudo. Continua, portanto, a ser uma aposta segura e, como tal, a manter-se assim continuará certamente a merecer a nossa escolha.

Rumamos agora para norte e para um vinho completamente diferente, mas igualmente muito agradável. Em comparação com o Quinta da Alorna, este Vallado, feito igualmente apenas com a Touriga Nacional, confirmou as boas impressões anteriores. Tem um perfil bastante mais leve e mais aberto e com a cor bastante menos carregada, a tender ligeiramente para o salmão.

É proveniente de vinhas situadas na cota mais alta da quinta, permitindo assegurar frescura, acidez e um menor teor alcoólico. É suave, aberto e aromático, sobressaindo mais o floral da casta que neste caso se sobrepõe, quer no aroma quer no paladar, sobre os frutos silvestres e vermelhos, que aparecem mais discretos mas a envolver o conjunto.

Suave, aberto, fresco, elegante e aromático, é um rosé típico para pratos leves e mais vocacionado para os dias quentes, onde fará excelente companhia a uma amena cavaqueira e uma refeição despreocupada. Bebe-se com agrado e facilidade.

Finalmente descemos à Península de Setúbal, onde a José Maria da Fonseca produz o Periquita rosé com um perfil mais adocicado e, porventura, menos gastronómico. É um vinho mais vocacionado para aperitivos, saladas ou pequenos petiscos, o chamado “vinho de esplanada” ou “vinho de piscina”. É suave e macio na boca, mas pouco expressivo de aroma, boca leve e final curto.

Tal como numa prova anterior que tínhamos feito há alguns anos, não encantou nem desencantou. É o que é, e não se pode esperar mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2013 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2014 (R)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Periquita 2013 (R)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,83 €
Nota (0 a 10): 6,5