quarta-feira, 6 de maio de 2015

No meu copo 451 - Beyra - Vinhos de altitude

Beyra branco 2012; Beyra branco 2014; Beyra tinto 2012


Uma das regiões que ao longo dos anos e das nossas lides enófilas quase não tem merecido a nossa atenção é a Beira Interior. Não há muitos vinhos, os que há são pouco conhecidos, e o nosso interesse não se vira muito para lá.

Nos últimos anos alguns produtores têm apostado em dar mais visibilidade aos vinhos da região. Afinal, ela fica logo abaixo do Douro e ao lado do Dão. A Companhia das Quintas sediou lá o seu Quinta do Cardo, e o enólogo Rui Roboredo Madeira (da família Roboredo Madeira, mais conhecida pela produção dos vinhos CARM), apostou na produção de vinhos com a chancela “vinhos de altitude”.

É sabido que a altitude é um factor determinante para a frescura dos vinhos, e tanto podemos verificar isso no Douro – onde o mesmo produtor tenta muitas vezes lotear vinhos da cota baixa com vinhos da cota alta para lhes dar frescura – como no Alentejo – onde os vinhos produzidos nas zonas de serra, principalmente em Portalegre, se distinguem principalmente pela frescura e acidez que muitas vezes é difícil de obter na planície.

Sendo assim, porque não experimentar os vinhos das serras no interior do país? Em teoria, não existe nenhuma razão para ignorarmos estes vinhos, a não ser que a qualidade ali obtida não seja de todo satisfatória. Mas isso só saberemos depois de os termos provado.

Foi isso que tentámos perceber com este branco e este tinto Beyra, saídos das mãos de Rui Roboredo Madeira e produzidos a partir de vinhas implantadas a 700 metros de altitude, em solos graníticos e xistosos com filões de quartzo, na zona de Figueira de Castelo Rodrigo.

O Beyra branco é produzido com duas castas pouco faladas, a Síria e a Monte Cal. Vendo bem, contudo, a Síria não é mais que a versão serrana do Roupeiro do sul do país, sendo uma das castas predominantes nos brancos do Alentejo.

A primeira prova, da colheita de 2012, não foi totalmente conclusiva, pelo que resolvi repetir com a colheita de 2014, a que estava disponível no mercado. As conclusões acabaram por se confirmar. O vinho mostrou um aroma predominantemente frutado mas algo discreto, ligeiramente citrino na boca, não muito encorpado e com persistência média. É um vinho leve e fresco, não muito complexo, agradável e fácil de beber mas que se esvai rapidamente. Um vinho para pratos não muito condimentados nem complexos.

O perfil do Beyra tinto é sobretudo leve a suave, embora de certa forma peque por alguma falta de corpo e de persistência, mostrando-se algo delgado de corpo, com final curto e aroma pouco pronunciado.

No conjunto acabei por gostar mais do branco que do tinto. São vinhos que, pelo seu preço, não é expectável que ofereçam muito mais, embora talvez pudesse haver ali mais alguma personalidade. Para consumir no dia-a-dia sem grandes exigências nem elevadas expectativas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Beira Interior
Produtor: Rui Roboredo Madeira

Vinho: Beyra 2012 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Síria, Fonte Cal
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Beyra 2014 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Síria, Fonte Cal
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Beyra 2012 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alfrocheiro, Aragonês, Jaen, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 6

2 comentários:

Rui Oliveira disse...

Um pequeno senao a casta Siria corresponde ao roupeiro do Alentejo. Tambem gosto dos brancos axo que tem um perfil unico, entao o quartz é quaslquer coisa.

Kronikas disse...

Claro, tem razao. Nao sei onde fui buscar isto, mas agradeço a rectificacão