domingo, 24 de julho de 2016

No meu copo 545 - Casa Ermelinda Freitas: Alicante Bouschet 2012; Syrah Reserva 2013; Touriga Franca Reserva 2013

Terminamos este périplo pelos vinhos da Península de Setúbal voltando a transitar de Pegões para Fernando Pó, também para uma prova de três varietais tintos da Casa Ermelinda Freitas.

Começando pelo Alicante Bouschet, foi uma excelente surpresa. Encorpado, persistente, robusto, vibrante, longo, cotou-se como o melhor dos três e mostrou estar ali para durar. Um vinho de elevado nível, que justifica o preço que custa e pode satisfazer os consumidores mais exigentes.

O Syrah Reserva foi muito badalado quando a colheita de 2005 ganhou um concurso internacional, o que motivou desde logo o epíteto, que a nossa imprensa está sempre pronta a lançar, de “melhor vinho do mundo”. Passados todos estes anos e terminada a febre especulativa, esta prova mostrou um vinho persistente, aromático, suave e equilibrado. Justifica alguns encómios e a fama que granjeou, mas... não exageremos.

Finalmente, o Touriga Franca Reserva, que perdeu claramente na comparação com os seus parceiros. Medianamente encorpado, algo linear e com final curto, não surpreendeu nem justificou o preço, ficando-se pela mediania. Não se pode acertar em tudo, e com tantos vinhos monocasta alguns têm de sair menos bem conseguidos. Mas curiosamente, já na prova dos monocasta da Adega de Pegões, o Touriga Nacional se revelou o menos interessante.

De facto, isto de importar todas as castas para todo o lado tem que se lhe diga...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas

Vinho: Casa Ermelinda Freitas, Alicante Bouschet 2012 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Casa Ermelinda Freitas Reserva, Syrah 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Casa Ermelinda Freitas Reserva, Touriga Franca 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 20 de julho de 2016

No meu copo 544 - Adega de Pegões: Aragonês 2013; Cabernet Sauvignon 2012; Touriga Nacional 2013

Voltamos à Cooperativa de Santo Isidro de Pegões, agora para alguns varietais tintos em que a empresa é pródiga. De acordo com as disponibilidades do mercado, resolvi provar alguns destes varietais da Península de Setúbal.

Começamos pelo monocasta Aragonês 2013. Vinificado em cubas de inox, estagiou 12 meses em meias-pipas de carvalho. Apresenta-se encorpado, estruturado, equilibrado, cheio e persistente, com aromas onde predominam especiarias.

O Cabernet Sauvignon 2012 também foi vinificado em cubas de inox e estagiou 12 meses em meias-pipas de carvalho. Mostrou-se encorpado, robusto, de aroma vinoso intenso, persistente e com aromas onde predomina algum chocolate e compota.

Finalmente, a inevitável Touriga Nacional de 2013. Aroma algo discreto, corpo mais delgado, final mais curto e predominância de aromas florais. O menos convincente dos três. A Touriga, ao contrário do que se diz, não é rainha em todo o lado...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões

Vinho: Adega de Pegões, Aragonês 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Adega de Pegões, Aragonês 2013 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Adega de Pegões, Touriga Nacional 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 17 de julho de 2016

No meu copo 543 - Quinta de Camarate: tinto 2012; branco seco 2014

Mais dois clássicos da José Maria da Fonseca, duas marcas de décadas que têm passado esporadicamente pelas nossas mesas.

Ao longo dos anos, o Quinta de Camarate tinto e o branco seco têm vindo a ser moldados ao perfil das épocas, com a incorporação de novas castas e a exclusão de outras.
O tinto apresenta agora uma percentagem minoritária de Castelão e uma maioria de Touriga Nacional. Mostra-se com paladar intenso, encorpado, persistência média e aroma não muito exuberante. Estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês~.

Quanto ao branco seco, um dos meus preferidos nos tempos mais recentes, deixou o Moscatel e actualmente contém apenas duas castas de fora da região. Já o senti melhor que nesta colheita. Mostrou um aroma algo discreto e persistência média.

Depois de provar a colheita de 2013, esta de 2014 confirmou que a versão anterior me agradava mais. Falta aqui, se calhar, o Moscatel. Parece-me que não se ganhou em intensidade aromática o que se perdeu em doçura.

Feito o balanço, creio que a substituição das castas típicas da região por outras importadas não só não trouxe um acréscimo de qualidade como tornou estes vinhos menos típicos e mais parecidos com todos os outros...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos

Vinho: Quinta de Camarate 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (52%), Aragonês (25%), Cabernet Sauvignon (14%), Castelão (9%)
Preço em feira de vinhos: 7,48 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta de Camarate Seco 2014 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alvarinho (66%), Verdelho (34%)
Preço em feira de vinhos: 5,24 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 14 de julho de 2016

No meu copo 542 - Tons de Duorum 2012; Marquês de Borba 2011; Loios 2011

Continuando na esfera da João Portugal Ramos Vinhos, fizemos uma prova conjunta de três tintos que também nos foram oferecidos pelo produtor: dois da sua produção em Estremoz e um da sua parceria na Duorum.

Desde logo, estando o Marquês de Borba posicionado num patamar acima dos outros dois, foi com naturalidade que se cotou sem dificuldade como o melhor na prova. Aromático, macio, encorpado, estruturado e persistente, com fruto maduro bem presente e equilíbrio entre todas as componentes. Um ligeiro toque a madeira envolve o conjunto com suavidade.

O outro tinto de Estremoz, o Loios, confirmou aquilo que já conhecemos dele. É encorpado, vivo, macio e persistente, embora com menos estrutura. É um vinho com uma boa relação qualidade-preço que se tem imposto na gama de entrada, sendo uma boa aposta para o dia-a-dia.

Quanto ao Tons de Duorum, acabou por perder na comparação com os dois alentejanos. Apresentou-se elegante, aberto, macio mas com final curto e aroma discreto.

Mais uma vez os nossos agradecimentos à João Portugal Ramos Vinhos pelas garrafas que gentilmente nos foram enviadas

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tons de Duorum 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,98 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Marquês de Borba 2011 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,17 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Loios 2011 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, outras
Preço em feira de vinhos: 2,55 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 12 de julho de 2016

No meu copo 541 - Pouca Roupa rosé 2014

Um vinho descomplicado, simples, leve e suave, a cumprir bem o papel no alargamento do portefólio de João Portugal Ramos em vinhos, com a extensão para patamares de topo e de entrada de gama.

Este Pouca Roupa rosé 2014, gentilmente oferecido a este blog pela João Portugal Ramos Vinhos, é aromático quanto baste, com boa acidez e adequado para a época em que nos encontramos, para acompanhar entradas ou petiscos leves, ou mesmo saborear a solo num dia de Verão, por um preço acessível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pouca Roupa 2014 (R)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

domingo, 3 de julho de 2016

No meu copo 540 - Aveleda Reserva da Família 2011



Continuamos nos brancos, agora revisitando a Quinta da Aveleda que mantém a tradição de produzir um branco na Bairrada.

Depois da marca Follies, de que tivemos oportunidade de provar um bi-varietal de Chardonnay e Maria Gomes, temos agora este Reserva da Família, que mantém um perfil semelhante ao seu antecessor, embora com um lote mais alargado de castas.

Este Reserva da Família 2011 apresentou um corpo e persistência médias, frutado quanto baste, algum mineral mas não muito intenso no nariz nem na boca. Recordando o Follies branco da Bairrada, parece-me que, além de mais barato, era mais bem conseguido.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Aveleda Reserva da Família 2011 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Aveleda Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Maria Gomes, Rabo de Ovelha, Chardonnay, Bical
Preço em hipermercado: 9,37 €
Nota (0 a 10): 7,5


quarta-feira, 29 de junho de 2016

No meu copo 539 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2014


Passamos da Bacalhôa para a José Maria da Fonseca, ali ao lado.

Começamos por um branco já clássico da José Maria da Fonseca e uma das nossas referências obrigatórias: o Verdelho da Colecção Privada Domingos Soares Franco. Já aqui provado por diversas vezes (aqui, aqui e aqui), sempre se portou a grande altura, brilhando à mesa ou fora dela e deixando sempre vontade de beber mais.

À semelhança das colheitas provadas anteriormente, mostrou aquela acidez com um misto de citrino e tropical e exuberância no nariz a par com uma frescura vibrante na prova de boca.

Uma referência incontornável, para o Verão, para o Inverno e para a meia-estação. Para o dia e para a noite. Para o frio e para o calor. Para todos os pratos e todas as ocasiões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2014 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 25 de junho de 2016

No meu copo 538 - Quinta da Bacalhôa branco 2012

E agora das terras do pó para Azeitão, onde residem os dois gigantes da região, paredes meias ao longo da Estrada Nacional 10.

Começamos pela Quinta da Bacalhôa.

Para além do clássico Quinta da Bacalhôa tinto, um dos pioneiros na utilização do estilo bordalês em Portugal com o lote Cabernet Sauvignon-Merlot, tivemos nos anos mais recentes o lançamento da marca com o nome da casa em versão branco.

É um bom vinho, bem estruturado, persistente e com alguma complexidade, envolvida por um ligeiro toque de madeira. Apresenta notas de frutos tropicais e algum mel, a par com algum floral.

No conjunto, embora seja um bom vinho, e à semelhança do que acontece com o tinto, este também não me encantou e não me parece que justifique o preço que custa. Por este preço, que de barato não tem nada, espera-se sempre algo mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Bacalhôa 2012 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Sémillon, Alvarinho, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 13,04 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 21 de junho de 2016

No meu copo 537 - Adega de Pegões, Chardonnay e Arinto 2011

De Fernando Pó para Pegões Velhos, da Casa Ermelinda Freitas para a Adega de Pegões, de um bi-varietal para outro. Em comum entre os dois, o Chardonnay.

Este lote de Chardonnay e Arinto apresentou-se oxidado, claramente a decair, sem frescura. Apesar de comprado este ano, pareceu ter ultrapassado o tempo de vida útil. Fica por saber se foi uma opção vendê-lo já com esta idade, ou se era um resto de colecção que ficou esquecido num armazém. Dito isto, ou é problema do vinho ou da garrafa. Portanto, prova inconclusiva.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Pegões, Chardonnay e Arinto 2011 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 13%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 5

sexta-feira, 17 de junho de 2016

No meu copo 536 - Terras do Pó, Chardonnay e Viognier 2014

Retomando o périplo pelos brancos de várias regiões, vamos agora para a Península de Setúbal.

Esta versão bi-varietal dum vinho de entrada de gama como o Terras do Pó apresenta-se, ao contrário do esperado, algo simples, de aroma discreto, pouco estruturada e complexa e com final algo curto.

Pareceu-me algo incaracterístico e talvez este casamento das duas castas francesas não tenha sido bem conseguido. Espera-se muito melhor da Casa Ermelinda Freitas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terras do Pó, Chardonnay e Viognier 2014 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Chardonnay, Viognier
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 6,5

segunda-feira, 13 de junho de 2016

No meu copo 535 - Herdade do Perdigão Espumante Bruto 2014

Cada vez há mais espumantes disseminados pelo país. De norte a sul, do litoral ao interior, surgem espumantes um pouco por todo o lado, onde não se esperava e de produtores que não se esperava.

Não será necessariamente o caso deste que agora refiro, mas a verdade é que também na Herdade do Perdigão já se faz espumante.

Há uma boa meia-dúzia de anos encontrei em Portalegre o espumante da Tapada do Chaves, que na altura também me surpreendeu pela positiva. Também na Herdade do Esporão, no coração da planície, já encontrei espumantes brancos e rosés bastante agradáveis.

Agora, subindo novamente no mapa e para a altitude de Monforte, encontramos este feito exclusivamente com a casta Arinto. Junta-se a altitude e a casta e temos como resultado um belíssimo espumante, que não fica a dever muito aos mais conceituados.

Este espumante estagia em barricas 100% novas de carvalho francês durante 18 meses e, no mínimo, 18 meses em garrafa. Apresenta uma cor cítrica, bolha fina e persistente, com aromas a lembrar frutos secos e alguma lima. Alguma delicadeza e elegância na prova de boca, tem um final fresco e persistente.

Muito bem. Convenceu-me, pelo preço e pela qualidade. Entra para as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Perdigão Espumante Bruto 2014 (B)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço: 11,65 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 9 de junho de 2016

No meu copo 534 - Frei João rosé 2013

A primeira prova deste clássico das Caves São João em versão rosada tinha acontecido no Verão de 2014, com a colheita de 2011. Essa verão foi produzida unicamente a partir de Touriga Nacional e passou na prova sem dificuldade.

Agora temos esta colheita de 2013, com um rótulo renovado e também com um lote renovado: à Touriga juntaram-se a Baga, em maioria, e o Cabernet Sauvignon, em percentagem minoritária. O resultado, embora não seja significativamente diferente em termos qualitativos (acabámos por pontuar os dois vinhos de forma igual), dá-nos um perfil algo diferente e talvez mais abrangente.

Temos agora um rosé que, mantendo a frescura e um aroma floral e de frutos vermelhos, apresenta um pouco mais de estrutura e persistência na prova de boca, tornando-se mais gastronómico e com algum acréscimo de complexidade.

Em resumo: parece ser, nesta nova versão, um vinho produzido para ser mais consensual, mantendo a facilidade com que se bebe e estando claramente vocacionado para o tempo fresco e para acompanhar entradas, saladas ou massas.

À segunda prova convenceu-nos e entrou para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2013 (R)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Castas: Baga (60%), Touriga Nacional (30%), Cabernet Sauvignon (10%)
Preço em feira de vinhos: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 6 de junho de 2016

No meu copo 533 - Herdade do Peso branco 2014

Continuamos na zona da Vidigueira, agora para falar do primeiro branco lançado pela Sogrape na Herdade do Peso.

Situada próximo de Pedrógão, cerca de 13 km a sueste da Vidigueira e algures entre as Cortes de Cima e a Herdade do Sobroso, a Herdade do Peso foi pioneira dentro do universo Sogrape na implantação da chamada “viticultura de precisão”, com a instalação de estações meteorológicas e a monitorização permanente dos vários terroirs da propriedade, de modo a adaptar cada casta à parcela mais adequada e acompanhar em permanência o estado de maturação das uvas.

Depois da reconversão do portefólio de tintos, que começou com a substituição dos Sogrape Reserva do Alentejo (à semelhança do que aconteceu no Dão com a substituição pela marca Quinta dos Carvalhais e no Douro com as marcas da Casa Ferreirinha) pela marca Herdade do Peso (passando pelo Colheita, o Reserva, o Ícone, alguns varietais e mais recentemente o Trinca Bolotas), chega agora a vez deste branco produzido unicamente com uma casta típica do Alentejo e particularmente associada à sub-região da Vidigueira, o Antão Vaz.

De cor amarela-esverdeada, equilibrado, macio, persistente, com aroma predominante a frutos brancos e ligeiro citrino, apresenta-se contudo algo discreto no nariz, medianamente encorpado na prova de boca e final fresco mas pouco longo.

É um vinho a rever com alguma atenção, pois poderá ter alguma evolução para melhor, faltando-lhe alguma complexidade e um aroma mais exuberante. Pontuamo-lo ligeiramente em baixa, mas com margem para subir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Peso 2014 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 3 de junho de 2016

No meu copo 532 - Vidigueira Grande Escolha: branco 2014; tinto 2012

Depois de muitos anos sem provar vinhos da Adega Cooperativa da Vidigueira (desde antes da existência da Herdade do Peso na Sogrape, das Cortes de Cima e de Paulo Laureano, entre outros), tive oportunidade de comprar umas novidades da adega, que se renova e parece renascer com uma redefinição do seu portefólio.

Surgem novas marcas e várias combinações de castas, assim como vinhos varietais. Aqueles que aqui trazemos são o branco e o tinto Grande Escolha, ambos elaborados com apenas duas castas: a muito badalada Antão Vaz e a quase ignorada Perrum, no branco, a clássica Trincadeira e a adoptada Alicante Bouschet, no tinto.

Este branco mostrou as características que habitualmente são associadas aos brancos da sub-região da Vidigueira, considerada uma das melhores para brancos no Alentejo, e possivelmente a melhor sub-região na planície. Tem frescura quanto baste, corpo e estrutura médios, madeira ligeira e integrada no conjunto, sem marcar demasiado o vinho, e um final longo e elegante. Faz uma boa parceria com pratos com alguma complexidade, perfilando-se como escolha possível para meia-estação mas igualmente para o Verão.

Quanto ao tinto apresentou-se macio, como também é habitual na região, encorpado, suave e persistente. É um vinho de paladar agradável, com ligeiras notas de especiarias a temperar o fruto maduro. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês e americano mas a madeira está muito bem integrada no conjunto, apenas servindo para o temperar e envolver.

Pode ser um vinho dos novos tempos e com um novo perfil, mas a fugir à moda dos superfrutados e superconcentrados feitos com castas internacionais. Um exemplo para ser olhado com atenção.

Sim, pode-se renovar com as castas tradicionais. Sabiam?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vidigueira Grande Escolha, A Decisão 2014 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Perrum
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vidigueira Grande Escolha, A Decisão 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 31 de maio de 2016

5º Festival e Concurso de Vinhos do Douro Superior - Maio 2016


Passou já uma semana desde o evento, mas ainda não houve tempo para dissertar mais demoradamente sobre o 5º Festival e Concurso de Vinhos do Douro Superior, o que tentaremos fazer ao longo das próximas semanas.

No entanto, em nome das Novas Krónikas Viníkolas, não queremos deixar passar esta oportunidade para, antes de mais, agradecer publicamente à Revista de Vinhos, na pessoa do seu director da área de negócios João Geirinhas Rocha, e à organização na pessoa da Joana Pratas, por todo o esforço, dedicação e atenção que nos foram dedicados ao longo dos 3 dias da nossa jornada pelo Douro Superior.

Queremos também agradecer, principalmente, o convite que foi endereçado a este blog para que um dos seus autores (no caso concreto este escriba que se assina...) fizesse parte do júri do 5º Concurso de Vinhos do Douro Superior e, por arrasto, por todas as actividades que nos foram proporcionadas nestes dias, que ficaram memoráveis e que guardarei na minha lembrança com muito carinho. Já conhecíamos uma pequena parte do Douro Superior, dum passeio feito há uns anos a Foz Côa, no qual foi visitada a Quinta de Ervamoira (Ramos Pinto), tendo depois descido até ao Pinhão e à Régua.

(Krónikas duma viagem ao Douro - 3)
(Quinta de Ervamoira, Take 2)

Mas embrenhar-me, assim, no coração do Alto Douro vinhateiro, lá “para trás do fim do mundo”, era coisa que nunca tinha feito, e não estava nos planos imediatos. É verdade que já tinha pensado em tentar visitar a Quinta da Leda (Sogrape) e a Quinta de Castelo Melhor (Duorum), nomes sonantes da zona para lá de Foz Côa, ou fazer o passeio de barco da Régua até Barca d'Alva, mas esta viagem às “profundezas” (em altitude) da região foi qualquer coisa de inesquecível, e que não me tenho cansado de contar desde que voltei de lá. A começar pela ida à Quinta do Vale Meão, local deslumbrante e emblemático na história dos vinhos do Douro, e a terminar na glamorosa Quinta da Terrincha, mesmo assim acho que o que mais me marcou foram os passeios pelas quintas mais embrenhadas na serra, a Quinta da Cabreira (propriedade da Quinta do Crasto) e a Quinta das Bandeiras (propriedade da Quinta de La Rosa), em que andámos no meio das vinhas. São histórias que ficam para contar aos netos.

Por isso, não tenho como expressar a minha gratidão por me terem proporcionado esta magnífica oportunidade. A experiência como jurado no 5º Concurso de Vinhos do Douro Superior foi uma estreia e deu para perceber como é difícil, falível e pode ser “traiçoeira” esta missão, em que temos de provar muito em pouco tempo, com vinhos tão díspares a baralharem-nos os sentidos. Mas é desafiante e aliciante, e também uma aprendizagem acelerada que, devo confessar, não me importaria de repetir.

Por último, muitos já o fizeram publicamente e pessoalmente, e a organização também, mas não quero deixar de expressar igualmente o meu agradecimento por toda a simpatia e atenção que nos foi dedicada pelos produtores e enólogos com quem contactámos. Foram inexcedíveis no acolhimento que nos dispensaram, deram-nos a provar o que têm de melhor (nos comes e nos bebes) e receberam-nos como se fizéssemos parte da equipa que diariamente labuta com eles. Neste aspecto, apenas uma palavra à parte para o enólogo da Muxagat Vinhos, Luís Seabra, que nos deu a rara possibilidade de provar vinhos ainda em estágio nas barricas na adega, onde depois desfrutámos dum jantar magnífico (como foram todas as refeições que nos proporcionaram). Também aqui a simpatia foi insuperável, a começar pela proprietária Susana Lopes.

Correndo o risco de me esquecer de muita gente que trabalha nos locais visitados, não quero deixar de mencionar também aqui os nomes de Francisco Olazabal, esposa e filha Luisa Olazabal, na Quinta do Vale Meão, Jorge Roquette e Manuel Lobo de Vasconcellos, da Quinta da Cabreira/Quinta do Crasto, Jorge Moreira na Quinta das Bandeiras/Quinta de La Rosa, e Mónica Pinto na Quinta da Terrincha.

Obrigado igualmente ao Ricardo Palma Veiga, da Revista de Vinhos, pela bateria de fotos fornecidas, das quais, com a devida vénia, publicaremos algumas.

Muito e muito obrigado a todos, e também aos meus companheiros de viagem, excelentes comparsas de ocasião.

Por último, mas não menos importante, e como o blog é de dois (embora não pareça...), há que mencionar o outro bandalho que é o verdadeiro culpado de isto existir, pois foi ele que criou o primeiro blog (Krónikas Tugas) há mais de 12 anos. Estou a falar, obviamente, do diletante preguiçoso tuguinho, que quase deixou de escrever... mas continua a provar, e a aprovar grande parte dos artigos que aqui são publicados.

Bem hajam.

Kroniketas, enófilo ainda em fase de recuperação das viagens

sábado, 28 de maio de 2016

Na minha mesa 531 - Marítima do Restelo

  

Já aqui tinha referido de passagem este restaurante, a propósito de um Sauvignon Blanc da Cono Sur lá bebido a acompanhar um arroz de lagosta. Agora, após uma nova visita, é tempo de falar do restaurante e do próprio arroz de lagosta.

Situado na rua paralela à marginal em frente ao Centro Cultural de Belém, a cerca de 300 metros do CCB, este restaurante passa quase despercebido numa esquina do segundo quarteirão quando se sai da Praça do Império. Lá dentro, uma sala pequena, para não mais de 40 pessoas, e quase sempre cheia. Em hora de almoço ou de jantar, quase sempre necessário reservar.

À entrada, uma montra cheia de peixes de todos os tipos, fresquíssimos. Um maná para os apreciadores. A ementa não é muito extensa mas é bastante variada, sendo que é quase obrigatório o arroz de garoupa com gambas. Servido em tacho em dose generosa, malandrinho e caldoso quanto baste, bem polvilhado de coentros, é uma delícia que se vai comendo sempre mais sem dar por isso.

Para além deste prato emblemático, existe uma boa variedade de sobremesas doces (pudim, bolo-mousse de chocolate). Em termos de vinhos a escolha não é muito vasta, obrigando quase sempre a optar pelas mesmas escolhas. O Sauvignon Blanc da Cono Sur provado antes nunca mais apareceu, ficando quase tudo pelos vinhos médios.

Dada a grande afluência de clientes, o serviço por vezes ressente-se mas quase sempre é atento e competente.

Embora esteja localizado numa zona muito movimentada e possa ser um local de passagem para almoços, para se apreciar devidamente aquele arroz é necessário ir com algum tempo. Portanto, sugere-se mais uma visita ao jantar para comer sem pressas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Marítima do Restelo
Rua Bartolomeu Dias, 110
1400-030 Lisboa
Tel: 21.301.05.77
maritimadorestelo@gmail.com
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

quarta-feira, 25 de maio de 2016

5º Festival de Vinho do Douro Superior


Decorreu de 20 a 22 de Maio o 5º Festival de Vinho do Douro Superior, para o qual este blog teve a honra de ser convidado.

Entre um programa com múltiplas actividades, um grupo de pouco mais de 20 pessoas teve oportunidade de visitar 5 quintas e produtores, participar em provas de vinhos e refeições, visitar a feira de vinhos e, ponto principal do evento, integrar o painel de jurados do Concurso de Vinhos do Douro Superior.

Começando por agradecer à Revista de Vinhos o honroso convite que endereçou a este blog, deixamos aqui, para já, apenas algumas informações resumidas acerca do festival. Artigos mais detalhados, dada a profusão de informação que ainda há para processar, irão surgindo ao longo das próximas semanas faseadamente.

Os resultados do concurso de vinhos do Douro Superior podem ser consultados aqui.

As fotos tiradas por este blog podem ser consultadas aqui.

Mais informações e fotos estão em profusão no Facebook, é só procurar.

Obrigado a todos os produtores, à organização e a todos os companheiros de viagem.

Kroniketas, enófilo em trânsito pelo Douro Superior

domingo, 22 de maio de 2016

No meu copo 530 - Escada 2007

Por contraponto com os vinhos anteriores, eis uma agradável surpresa. Um vinho do Douro produzido pela DFJ, conhecida pelos seus diversos vinhos de Lisboa e do Tejo e muitos monocasta.

Este Escada 2007, apresentado já este ano com a Revista de Vinhos, portanto já com uma idade respeitável, está mais que pronto a beber e com perfeita saúde. Foi produzido a partir de vinhas com idades compreendidas entre 80 e 100 anos, estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês e mostrou-se bastante gastronómico.

De cor rubi e média concentração, apresenta-se elegante na prova de boca, com taninos redondos e final suave.

Um vinho com boa relação qualidade-preço, cheio de saúde e adequado para pratos de carne requintados e não demasiado temperados.

Uma boa revelação, a confirmar que o produtor-enólogo José Neiva sabe muito bem aquilo que faz.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Escada 2007 (T)
Região: Douro
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 18 de maio de 2016

No meu copo 529 - Monte Mayor Reserva 2013

De vez em quando é útil socorrermo-nos dos contra-rótulos das garrafas, para compararmos o que lá está escrito com a nossa própria apreciação do conteúdo.

No caso deste Monte Mayor Reserva 2013, reza assim:

“De cor rubi concentrada, é profundo e complexo no nariz. Sugere juventude, apontamentos de frutos vermelhos e bagas silvestres balanceados com notas de tosta, especiarias e nuances balsâmicas. Na boca é envolvente e equilibrado, os taninos finos e a acidez atractiva, remetendo-nos para um final longo e persistente.”

Até agora não tenho provado muitos vinhos da Adega Mayor, mas aqueles que já provei (inclusivamente o Reserva do Comendador) têm agradado. A própria marca tem-se imposto no panorama nacional, com algumas marcas a ganhar prestígio.

A minha expectativa para este vinho era principalmente de elegância, pois estamos já no norte alentejano onde os vinhos primam mais pela frescura que na planície. E no entanto, saiu-me tudo ao contrário: robusto, pesado, demasiado alcoólico (mais uma vez) e agressivo. Esperava que fosse adequado para acompanhar um fondue (como o Esporão e o Garrafeira dos Sócios costumam ser) mas esqueci-me de olhar para o álcool. Mais uma vez, abafou tudo. Seria bom com um assado no forno, uma carne bem condimentada. Mais uma vez, o desequilíbrio do conjunto a mostrar-se.

Má escolha para aquela refeição. Só me apetece dizer: malditos 14,5 graus de álcool!

Ó senhores enólogos, pela milésima vez: se calhar já chegava, não?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Monte Mayor Reserva 2013 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,75 €
Nota (0 a 10): 6

sábado, 14 de maio de 2016

No meu copo 528 - Esporão Reserva 2009

Outro exemplo dum vinho de referência (e de excelência) que sofreu um desvio. O Esporão Reserva tinto, vinho acima de qualquer suspeita e sempre um barómetro em termos de preço e qualidade nas nossas escolhas, aparece nesta colheita algo fora do registo habitual. E isto novamente por... excesso de álcool.
Bem estruturado e muito persistente, aroma vinoso profundo e muito concentrado, apresentou-se igualmente demasiado impositivo, tendendo a abafar a comida. Um pouco mais elegante que o Garrafeira dos Sócios mas demasiado extraído. Passemos, pois, à próxima colheita.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2009 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 10 de maio de 2016

No meu copo 527 - Reguengos Garrafeira dos Sócios 2004

Juntamos agora 3 artigos sobre vinhos de créditos firmados, dois deles presença habitual à nossa mesa, para mostrar que nem sempre as mudanças são benéficas.

Começamos com este clássico, provado anteriormente no final de 2015 com a colheita de 2003. Agora foi a ver da colheita de 2004, que ao contrário do que é habitual decepcionou. Em vez dos muitos encómios que aqui temos deixado ao longo dos anos (é só procurar pelo nome do vinho ou pela etiqueta CARMIM e os posts vão aparecer), neste caso não convenceu.

Já quase com 12 anos, apareceu encorpado, robusto, longo, com aroma profundo, ainda muito exuberante e rústico, demasiado concentrado e com excesso de álcool. Em vez do vinho estruturado mas aveludado que é habitual, apareceu uma bomba de álcool, algo sobrematurado. A matriz de um grande vinho está lá, sem dúvida, mas este, para fazer jus à imagem que temos dele, se calhar precisaria de mais 10 anos na garrafa para amaciar e ficar mais bebível.

Apesar de tudo, bom... mas sem encantar. Espero que as próximas colheitas que tenho para consumir voltem ao equilíbrio a que nos habituaram.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Garrafeira dos Sócios 2004 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 15%
Castas: Aragonês, Castelão, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 14,49 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 6 de maio de 2016

No meu copo 526 - Monsaraz Reserva 2011; Reguengos Reserva 2011

Temos aqui dois vinhos de Reguengos, da mesma casa e da mesma colheita. Um clássico e um moderno.

Proveniente da junção das castas Alicante Bouschet (50%), Trincadeira (30%) e Touriga Nacional (20%), o Monsaraz Reserva 2011 é um vinho de cor granada carregada, com aroma de amora e framboesa, na boca é encorpado, de profundidade e estrutura médias e final discreto. Estagia em barricas de carvalho francês e americano durante 9 meses.

Não parece ser melhor que o já clássico Reguengos Reserva, pelo que até prova em contrário este continuará a merecer a nossa preferência.

Já este mantém o perfil habitual: encorpado e com alguma robustez, adstringência domada e boa persistência, com alguma complexidade na boca, predominando as notas de especiarias e frutos pretos, com um toque de madeira muito ligeiro a dar uma boa envolvência ao conjunto.

Continua a ser uma boa aposta que vale muito mais do que aquilo que custa, e continua também a ser uma vinho com apetência para guardar, pois aguenta muito bem o tempo em garrafa.

Conclusão: o classicismo e a tradição ganharam à modernidade, e o mais barato ganhou ao mais caro.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz

Vinho: Monsaraz Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Reguengos Reserva 2011 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Tinta Caiada, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 3,36 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 2 de maio de 2016

No meu copo, na minha mesa 525 - Jantar Monte dos Cabaços no restaurante Via Graça





Em mais uma iniciativa da Néctar das Avenidas, no passado dia 1 de Abril tive oportunidade de participar no 50º jantar vínico organizado pela garrafeira sediada na Avenida Luís Bivar.

O local escolhido foi o restaurante Via Graça, localizado numa das zonas mais privilegiadas da capital, próximo do Largo da Graça e com uma vista de cortar a respiração para a baixa da cidade, o castelo de São Jorge e a ponte 25 de Abril. Vale a pena parar uns minutos no Miradouro da Senhora do Monte, ao cimo da Calçada do Monte, a contemplar o espectáculo que se sabre diante dos nossos olhos e abaixo dos nossos pés.

Lá dentro, no restaurante, os dois pisos de salas estão virados precisamente para esta vista magnífica, o que torna a permanência ainda mais apetecível.

Como parceira para a degustação dos vinhos foi escolhida Margarida Cabaço, proprietária do afamado restaurante São Rosas, em Estremoz (que já tive oportunidade de visitar por duas vezes), e que começou a sua própria produção vinícola pelo Monte dos Cabaços, tendo agora apresentado um portefólio alargado com vários brancos e tintos produzidos na região.

Feitas as devidas apresentações, o Chef anunciou-nos o que vinha aí em termos de sólidos, o que desde logo nos deixou de água na boca, Margarida Cabaço foi apresentando os líquidos. As harmonizações foram seguindo a ordem indicada no menu reproduzido acima.

Apesar do alto nível dos pratos propostos, foi-nos dito para usufruirmos mas que as estrelas da noite deveriam ser os vinhos. Deveriam...

Pelos pratos, depois das habituais entradas e patés para entreter, começaram a desfilar verdadeiras delícias que compuseram um menu verdadeiramente sublime:

  • Pato confitado com risoto de cogumelos selvagens. Cozinhado no ponto, tenríssimo quase a desfazer-se na boca e com a carne a desprender-se dos ossos só com o toque do garfo, por cima duma cama de risoto de comer e chorar por mais;
  • Hambúrguer de cabrito assado com esparregado, talvez o prato menos oroginal e menos exuberante em termos de sabores, mas ainda assim a fazer jus à qualidade do caprino;
  • Para finalizar em beleza, e já quase sem estômago que foi preciso poupar nos pratos anteriores, um manjar do céu: arroz de caça (lebre, perdiz, faisão e javali)., malandrinho, caldoso, com as carnes em perfeita harmonia e tão bem fornecido e temperado que tive de pedir… mais arroz!
  • E para o encerramento da função, a sobremesa não poderia ficar atrás das outras delícias, e lá tivemos de nos banquetear com um delicioso bolo de mousse de chocolate! Simplesmente divinal aquilo que se nos ofereceu mastigar.

Perante tamanho nível desta oferta gastronómica, os vinhos acabaram por ressentir-se.

Pela nossa mesa passaram:

  • Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada branco 2013 - 13,5% - Antão Vaz, Arinto e Roupeiro
  • Monte dos Cabaços Colheita Seleccionada tinto 2010 - 14% - Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional
  • Margarida Edição Especial tinto 2010 - 14,5% - Alicante Bouschet
  • Monte dos Cabaços Reserva tinto 2008 - 14,5% - Touriga Nacional e Alicante Bouschet
  • Margarida Edição Especial branco 2011 - 14% - Encruzado


Deviam realmente ser as estrelas da noite mas não foram... Por duas ordens de razões principais: primeiro, porque perante a excelência do menu apresentado, de altíssimo nível, só mesmo vinhos de altíssimo nível é que conseguiriam competir neste campeonato, e aí estamos a falar de um campeonato mesmo de topo!

Em segundo lugar, porque independentemente das iguarias que tivemos na mesa, os vinhos na sua globalidade ficaram-se por pouco mais do que a mediania. Não há nada em particular que os distinga de muitos outros, nenhuma novidade em especial nem nenhuma característica típica que os ligue à região. Aposta nas castas da moda, vinhos altamente alcoólicos, muito concentrados e com madeira, e temos a conversa feita...

Não quero com isto menorizar o trabalho que é feito nem a bondade da escolha para este jantar – quem sou eu, um amador, para pôr em causa o trabalho de profissionais que sabem daquilo tudo o que eu não sei. Simplesmente, como consumidor, apenas posso colocar estes vinhos num patamar que não vai muito além da vulgaridade, com o adicional de que nada trazem de novo ao panorama dos vinhos nacionais e aos alentejanos em particular.

Por isso, a grande memória que fica deste evento, e a grande vontade de lá voltar, é mesmo pela excelência do restaurante. Se há local que merece a designação de “5 estrelas”, é este Via Graça!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Via Graça
Rua Damasceno Monteiro, 9-B
1170-108 Lisboa
Tel: 21.887.08.30/21.887.03.05
Nota (0 a 5): 5

sexta-feira, 29 de abril de 2016

No meu copo, na minha mesa 524 - Semana Gastronómica Italiana no Hotel Tryp Oriente - por Augusto Gemelli

    
  

No âmbito da Semana Gastronómica Italiana, que decorre de 26 de Abril a 6 de Maio com o Chef Augusto Gemelli, promovida pelo restaurante Bistrô e Tapas do hotel Tryp Lisboa Oriente, foi este blog convidado por Gonçalo Proença, das cadeias de Hotéis Hoti e Meliá, a participar no evento.

No dia em questão tínhamos à escolha os pratos ‘Risoto aos 3 Pimentos, Limão e Manjericão com “Pancetta” Fresca Crocante’, ‘Entrecosto Braseado com Mel e Alecrim’ e ‘Polvo “in Zimino” com Tomate e Espinafres’ – optámos pelo risoto e pelo polvo. Quanto ao vinho, acabámos por seleccionar o branco do produtor Joaquim Arnaud que estava em prova.

Começando pela comida, o risoto, como o nome do prato indicava, veio acolitado por tiras de pancetta estaladiça, sendo que o arroz propriamente dito era aquilo que se espera dum risoto. Cremoso e envolto em queijo sem se sobrepor no sabor do conjunto.

O polvo “in zimino” com tomate e espinafres apresentava-se sobre uma cama de fatia de pão ligeiramente torrado, bem embebido no molho, estando o polvo cortado em pedaços generosos misturado com o tomate, os espinafres, cogumelos e outras ervas, que constituem em si a preparação “à zimino” – que parte de uma base com alho, cebola e outros legumes salteados em azeite abundante, a que se acrescentam o tomate, o espinafre cortado, os cogumelos e, claro, o polvo em pedaços previamente cozido. O resultado revelou-se agradável, a untuosidade da gordura utilizada a envolver bem todos os ingredientes sem contudo se mostrar enjoativa, com os vegetais a casarem muito bem com a tenrura do molusco. A repetir numa próxima oportunidade, sem dúvida.

Para sobremesa escolhemos um tiramisú e uma pannacota, ambos servidos em frascos de compota com tampa hermética (deve ser uma nova moda gourmet), que cumpriram sem deslumbrar.

O vinho com que acompanhámos a refeição foi o Quinta dos Plátanos Branco, um DOC Alenquer de Joaquim Arnaud produzido a partir das castas Fernão Pires e Arinto, que se apresentou muito equilibrado, sem excesso de acidez mas com aquela frescura alegre que o Arinto bem trabalhado sempre nos transmite, cor citrina a palha claro, aroma frutado e uma estrutura mais do que suficiente para arcar até com pratos mais fortes e condimentados do que os consumidos. Em suma, uma escolha acertada que harmonizou bem com a comida.

Conclusão: para quem quiser experimentar um menu italiano, concebido por um conceituado chef italiano e por um preço acessível, aproveite esta semana para degustar os pratos disponíveis, sendo que o menu varia diariamente.

Para mais informações anexamos, com a devida vénia, as imagens da nota de imprensa e dos menus que nos foram fornecidas, onde se inclui o menu do jantar vínico de hoje.

Pela nossa parte, gostámos e agradecemos a oportunidade. Apenas fica o registo de que poderia tentar-se conjugar também os menus com vinhos italianos, para completar o ambiente, mas isso já são questões que não cabem neste âmbito.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Vinho: Quinta dos Plátanos 2013 (B)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Agrícola Visconde de Merceana
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 25 de abril de 2016

"There's no turning back, baby!" - E ainda bem que assim é!



Comemoram-se hoje os 42 anos do 25 de Abril de 1974. Isto quer dizer que já há marmanjos e marmanjas quarentões que não têm memória pessoal do dia que mudou tudo. É o destino de todas as comemorações, o de se transformarem apenas numa data que até é feriado e tudo e dá imenso jeito.
Mas existem certas datas das quais não devemos esquecer o significado - são demasiado importantes para as esquecermos, sejam elas a Restauração da Independência, a Implantação da República ou a Libertação da Ditadura.
E não vale dizer que não se atingiram os objectivos propostos - conseguiu-se a liberdade, e a partir desse momento passámos a ser responsáveis por todos os nossos actos em comunidade, bons ou maus, certos ou errados, pelos objectivos que conseguimos atingir e pelos que ainda não atingimos. Portanto, tendo liberdade, poderemos ter tudo! Só depende de nós.
Temos a liberdade de concordar e, mais importante ainda, de discordar e podemos dizer qualquer barbaridade como a de que a Coreia do Norte é uma democracia ou que no tempo do Salazar é que havia respeito e, no entanto, as únicas pessoas que nos continuam a bater à porta a horas impróprias para nos fazerem perguntas são as testemunhas de jeová...
Tu, que por força da idade que tens não viveste o antes, larga a merda do telemóvel e pensa nisso.
É por isso que dizemos "25 de Abril Sempre!" - porque a Liberdade não poderá nunca faltar.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes revoltosos

sexta-feira, 22 de abril de 2016

No meu copo 523 - Terras do Marquês 2014; Terras de Monforte Escolha 2012

Proveniente da Herdade do Perdigão, de que temos provado de vez em quando o vinho mais conceituado (o Reserva), encontrámos este Terras do Marquês, composto com o mesmo lote mas num registo 3 a 4 vezes mais barato.

Aroma atractivo, com notas de frutos silvestres e ligeira baunilha da madeira. Na boca tem corpo e presença, com taninos redondos e bem integrados, tudo com equilíbrio e suavidade.

Muito fechado e algo áspero no início, foi amaciando e libertando aromas ao longo da prova, mostrando alguma robustez e persistência e com as três castas bem integradas.

Parece concebido um pouco à imagem e semelhança do vinho de topo, apenas mostrando-se um pouco mais rústico, menos elegante, mas nem por isso deixa de ser agradável de beber. É um vinho para pratos fortes de carne, bem condimentados.

O preço também não é dissuasor, pelo que poderá constituir-se como uma alternativa muito interessante para quem quer conhecer um bom vinho deste produtor mas não desembolsar para cima de 20 euros.

Vale a pena experimentar.

Outra marca do mesmo produtor, esta num patamar um pouco mais acima, o Terras de Monforte Escolha 2012 mostrou-se no mesmo registo, muito semelhante. Predominantemente estruturado, robusto e persistente, com taninos presentes mas macios e conjunto equilibrado, um pouco mais elegante que o Terras do Marquês.

Em termos de preço, é menos atractivo, com uma relação qualidade-preço menos favorável, mas não deixa de ser um bom vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão

Vinho: Terras do Marquês 2014 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Terras de Monforte Escolha 2012 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 11,29 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 18 de abril de 2016

No meu copo 522 - Vinha da Tapada de Coelheiros 2013

Da herdade onde é produzido um dos mais conceituados e emblemáticos vinhos tintos do Alentejo, o Tapada de Coelheiros, sai este vinho de gama média com um preço simpático.

Estagia 6 meses em casco de carvalho francês e 4 meses em garrafa. Apresenta uma cor rubi intensa, aroma vinoso intenso, com predominância a frutos vermelhos maduros e compota.

Na boca mostra alguma complexidade e equilíbrio, com boa estrutura, taninos redondos e um final frutado e persistente.

Não o conhecia, a não ser de nome. Provei-o num restaurante a acompanhar um rodízio de carnes brasileiras e saiu-se muito bem da função. A estrutura que apresenta, juntamente com o aroma e a persistente, fizeram dele um bom companheiro para as diversas carnes que desfilaram.

Para a gama de preços em que se posiciona, parece-me que é um vinho que se recomenda. A repetir quando houver oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Tapada de Coelheiros 2013 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade dos Coelheiros, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em hipermercado: 4,84 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 14 de abril de 2016

No meu copo 521 - Quinta do Boição Reserva, Arinto 2012

Tivemos oportunidade de conhecer este vinho há cerca de quatro anos, num lançamento da Revista de Vinhos em Julho de 2012. Desde logo agradou bastante, o que me levou a adquirir mais garrafas.

Em Julho de 2014 foi efectuado um novo lançamento, tendo então adquirido não uma mas duas garrafas. A segunda foi agora consumida, cerca de 3 anos e meio depois da colheita.

O tempo de espera não lhe fez mal, à semelhança do que já tinha acontecido com o Sauvignon Blanc e Verdelho da Casa Ermelinda Freitas. Mostrou elegância, aroma suave, ainda com boa estrutura e persistência, com um ligeiríssimo toque de madeira que quase passa despercebido, e que apenas ajuda a compor o conjunto.

Voltou a revelar-se uma boa aposta, que também tem entrada nas nossas escolhas. Um vinho para repetir sempre que possível, quando quisermos um Arinto de Bucelas com mais alguma complexidade do que os mais frequentes Prova Régia e Bucellas Caves Velhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Boição Reserva, Arinto 2012 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 10 de abril de 2016

No meu copo 520 - Sauternes Château de l’École 2010

Estamos perante um dos vinhos doces mais famosos do mundo. A região de Sauternes, no sul de França, é desde há décadas uma referência na produção dos vinhos de sobremesa, a par do Tokay, da Hungria.

A oportunidade de adquirir uma garrafa destas surgiu num hipermercado onde, surpreendentemente, estava ao mesmo preço de outras marcas de vinhos de colheita tardia portugueses. Como nunca tinha provado um Sauternes, pensei “porque não?”

E assim se abriram e degustaram em dois tempos os 375 ml deste formato de meia garrafa. Revelou-se muito elegante, aromático e sem o travo a alguma podridão que por vezes marca negativamente alguns destes vinhos.

Ficámos, contudo, com a sensação de que há vinhos de colheita tardia em Portugal que podem ser tão bons ou melhores do que este. Provavelmente este não será um Sauternes de topo, mas valeu a pena a prova. Fez jus à fama que ostenta, mas não tanto como à partida se esperava.

Uma impressão a confirmar em próximas oportunidades.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Château de l’École 2010 (B)
Região: Sauternes (França)
Produtor: Julie Gonet Médeville - Gironde
Grau alcoólico: 13%
Castas: Sémillon, Sauvignon
Preço em hipermercado: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 6 de abril de 2016

No meu copo 519 - Fiúza, Chardonnay 2015

Continuamos no Tejo.

Apesar da minha relação difícil com os Chardonnay portugueses, que os produtores teimam em carregar de madeira tornando-os enjoativos (vá lá saber-se porquê…), resolvi arriscar neste monocasta da Fiúza, pois os brancos desta casa costumam primar pela agradabilidade e facilidade de beber.

Tenho provado variadíssimos brancos, tintos e rosés desta casa, mono, bi e até tri-varietais, quase sempre com resultados bastante satisfatórios. Basta recordar o 3 Castas branco, o rosé, o Sauvignon Blanc, o Alvarinho, o Cabernet Sauvignon e o Touriga Nacional. Como nunca tinha bebido o Chardonnay, achei que era altura de experimentar.

Não me arrependi, pois o vinho revelou-se simpático e apelativo. Tendo estagiado 3 meses em barricas de carvalho, não está marcado pela madeira, apresentando aroma tropical com alguma complexidade, algum floral e melado na boca, corpo delicado, estrutura média e final elegante.

Não é um branco para voos muito altos, mas pelo preço que custa não se pode exigir muito mais. Segue a linha de muitos brancos da Fiúza, aqueles descomplicados e que estão prontos a beber sem termos que congeminar grandes opiniões a seu respeito.

Agradou-me e não me importarei de repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Chardonnay 2015 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 3,89 €
Nota (0 a 10): 7