terça-feira, 25 de agosto de 2015

No meu copo 471 - Brancos do Algarve

Foral de Portimão 2013; Quinta da Penina 2013; Salira 2012; Lagoa Estagiado 2012




Os brancos do Algarve, que tenho provado com maior frequência que os tintos, têm-se revelado mais agradáveis que estes. Dum modo geral apresentam uma frescura e uma acidez que os tornam mais apelativos. Talvez as uvas brancas se adaptem melhor ao clima e aos solos que as tintas. Ou talvez as castas tintas precisem de outro trabalho de viticultura... Quem souber que responda, mas a verdade é que seja pela influência marítima, pelos ventos ou por outra razão qualquer os brancos que tenho provado quase sempre me agradam, e dos tintos poucos o têm conseguido.

Falamos aqui de três brancos, um deles em repetição e que já tinha agradado em duas ocasiões anteriores.

O Foral de Portimão mostrou-se leve, suave, pouco persistente e delgado.

À semelhança do que aconteceu com os tintos, também neste caso o Quinta da Penina, já nosso conhecido, mostrou-se bem melhor que o Foral de Portimão.

O Salira, que já tinha sido objecto de uma tentativa mal sucedida com uma garrafa em más condições, desta vez cumpriu com o exigível. Suave, macio e elegante na boca, com aroma não muito exuberante, persistência média e final fresco. Bom para os meses de Verão e para as refeições de férias.

Finalmente, a versão em branco do Lagoa Estagiado mostrou-se o mais simples de todos. Corpo médio, aroma discreto, algo curto no fim de boca. Qualidade ao nível do preço ou pouco mais.

Em resumo, no panorama dos vinhos algarvios já há opções para vários gostos e vários perfis, bem como para várias bolsas. A região vai-se afirmando e fazendo o seu caminho, embora ainda haja muito para percorrer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Foral de Portimão 2013 (B)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Viognier
Preço em hipermercado: 4,95 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Quinta da Penina 2013 (B)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 13%
Castas: Crato Branco, Arinto
Preço em hipermercado: 3,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Salira 2012 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Crato Branco, Moscatel
Preço em hipermercado: 3,39 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Lagoa Estagiado 2012 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 1,99 €
Nota (0 a 10): 6

domingo, 16 de agosto de 2015

No meu copo 470 - Tintos do Algarve

Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011; Quinta da Penina Reserva 2010; Lagos 2012; Lagoa Estagiado 2012




O Algarve é uma região vinícola em ascensão. Pouco a pouco, vão sendo dados a conhecer os vinhos produzidos na região mais a sul do país, a zona turística de Portugal por excelência. A produção é pequena, e quase invisível fora da região, mas o número de produtores aumenta a cada passo, enquanto alguns alargam o seu portefólio e diversificam as marcas que disponibilizam no mercado, como é o caso dos dois mencionados neste post, sendo que a agora denominada Única - Adega Cooperativa do Algarve é a sucessora da Adega Cooperativa de Lagoa, e alargou já a sua área de actuação às sub-regiões de Lagos e Portimão.

Assim sendo, tenho aproveitado as férias algarvias de Verão para comprar alguns vinhos, que só se encontram por lá, e mesmo assim só em certas lojas.

No caso dos tintos, a qualidade não me tem convencido grandemente. São geralmente adocicados, pouco estruturados e pouco frescos, tornando-se algo chatos e enjoativos. Os que tenho provado ficam-se, normalmente, pela mediania.

Os quatro vinhos cuja prova se descreve confirmaram um pouco esse panorama.

O Foral de Portimão Colheita Seleccionada, com um grau alcoólico elevado e um lote de castas prometedor, apresentou-se aberto e suave, e ao mesmo tempo pouco estruturado, delgado na boca e com final curto. Tudo somado, um vinho mediano.

Já o Quinta da Penina Reserva, do mesmo produtor, apresentou-se com boa estrutura e persistência, aroma intenso e frutado quanto baste. É vinho capaz de se alcandorar a voos um pouco mais ambiciosos.

O vinho de Lagos – quase uma raridade desde há décadas – foi o mais discreto de aroma e menos exuberante no nariz e na boca. Não deixa grandes memórias.

Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa.Finalmente uma nova versão do vinho de Lagoa. Encorpado, com alguma estrutura, robustez e complexidade, persistente e com aroma a frutos vermelhos, mostrou-se um vinho com alguma personalidade e capaz de acompanhar pratos fortes de carne.

No conjunto, estes vinhos não apresentam uma grande robustez nem complexidade de aromas, nalguns casos tendem mais para o delgado e com final de boca algo curto, mas com alguma sorte consegue-se sempre encontrar alguns exemplares mais interessantes. Nestas provas os mais interessantes foram o Quinta da Penina Reserva e o Lagoa Estagiado. Em conjunto são tendencialmente medianos.


Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Foral de Portimão, Colheita Seleccionada 2011 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 6,19 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Penina Reserva 2010 (T)
Região: Algarve (Portimão)
Produtor: Quinta da Penina
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet, Petit Verdot
Preço em hipermercado: 7,09 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Lagos 2012 (T)
Região: Algarve (Lagos)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 4,89 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Lagoa Estagiado 2012 (T)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Única - Adega Cooperativa do Algarve
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 2,14 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Adegga WineMarket Summer 2015



Em época de eventos vínicos de Verão (chega a haver mais que um em simultâneo), como o tempo não estava muito para praia resolvi regressar ao Adega WineMarket, que se realizou no dia 4 de Julho. Havendo a possibilidade de frequentar uma prova especial, embora o preço fosse pouco convidativo (50 €), os vinhos em presença eram de tal modo aliciantes que resolvi inscrever-me. Afinal, não é todos os dias que se tem a oportunidade de provar vinhos de topo!

E assim me dirigi ao Hotel Flórida, junto ao Marquês de Pombal, em Lisboa, para provar alguns vinhos em exposição até chegar a hora da prova especial, na Sala Premium Food & Wine, a partir das 20:30 (era a última do horário, já com o recinto mais vazio e portanto em ambiente mais calmo).

Já tinha conhecimento mas ainda não tinha experimentado o copo de prova com o chip que se destina a receber informações acerca dos produtores quando passamos o fundo do copo por cima dum sensor. Uma iniciativa interessante, sem dúvida, e que tira o melhor partido das novas tecnologias.

Estiveram presentes 40 produtores, a maioria dos quais é presença habitual nestes certames e que costumamos encontrar no Encontro com o Vinho e os Sabores. A grande diferença é que agora incidia-se sobretudo em vinhos mais vocacionados para o Verão, e era mais fácil chegar ao produtor que se pretendia.

De forma mais ou menos casuística fui parando onde calhava, depois de um primeiro reconhecimento do terreno. Paragem obrigatória nas mesas da Sogrape, com o portefólio da Casa Ferreirinha, Quinta dos Carvalhais e Herdade do Peso; da Herdade do Esporão, com a sua panóplia de brancos quase toda disponível, desde o Monte Velho (uma agradável surpresa) até ao Private Selection, e com o monocasta Verdelho sempre em destaque; da Real Companhia Velha, com os seus monocasta da Quinta de Cidrô, o Evel XXI e o Quinta das Carvalhas; da Quinta de Soalheiro, com o Alvarinho clássico a fazer sempre boa presença e boa companhia aos topos da casa, como o Primeiras Vinhas; num produtor alemão (Staffelter Hof), repleto de brancos de Riesling; e várias passagens por outros produtores como a Quinta de São José, de João Brito e Cunha, a Symington, a Casa da Passarela, a Aveleda, a Adega Mãe e por aí fora...

Como se aproximava ainda uma empreitada de vulto, convinha não abusar das provas antes da passagem à Sala Premium, que seria culminar o evento. Sobrámos apenas 5 provadores, que já ao entardecer se sentaram na esplanada com uma vista magnífica para o Marquês de Pombal e o Parque Eduardo VII. Começou o desfilar de pequenos petiscos a harmonizar com os vinhos mais diversos. Perante tão grande qualidade posta à nossa disposição, difícil seria destacar uma harmonização ou um vinho, embora o Dona Antónia Adelaide Ferreira (branco e tinto) e o Legado se tenham guindado a grande altura, como se esperava, e uma ligação tenha calhado particularmente bem, a do Athayde Reserva branco 2013, do Monte da Raposinha, com crocante de atum.

Mais fácil que descrever é apresentar os vinhos provados: um painel de se tirar o chapéu! As combinações estão listadas na primeira imagem, que apresenta o menu de vinhos e petiscos.

E assim terminámos a noite em grande. Os meus agradecimentos ao Adegga na pessoa do sempre afável e infatigável André Ribeirinho, bem como aos seus parceiros desta jornada inolvidável. Continuaremos a acompanhar as suas actividades e a comparecer sempre que a ocasião se proporcione. Continuação do sucesso que os vossos eventos têm obtido são os votos com que termino.

Até à próxima, e agora é tempo de férias: época para provar muito e escrever pouco...

Kroniketas, enófilo satisfeito

quinta-feira, 30 de julho de 2015

No meu copo 469 - Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2014

Os novos vinhos da Real Companhia Velha, que já tivemos oportunidade de conhecer noutras provas, vão começando a ganhar notoriedade entre os apreciadores. As marcas debaixo das quais a empresa posicionou a sua gama, que tem vindo a ser reformulada (Quinta dos Aciprestes, Quinta de Cidrô e, mais recentemente, Quinta das Carvalhas), têm obedecido a uma filosofia que distingue cada uma num segmento de mercado.

A Quinta das Carvalhas destina-se aos topos de gama, a Quinta dos Aciprestes à gama média e média-alta e a Quinta de Cidrô incide essencialmente nos vinhos monocasta. E é dentro destes que encontramos uma panóplia de produtos que têm surpreendido, desde as castas portuguesas mais clássicas às castas estrangeiras menos populares. Assim, tanto encontramos um tinto de Touriga Nacional como de Rufete ou Pinot Noir, e nos brancos tanto encontramos Arinto como Sauvignon Blanc, Sémillon ou Gerwürztraminer.

A prova que agora se refere teve como objecto o Sauvignon Blanc 2014, considerado pela empresa como uma das melhores colheitas desta casta, senão mesmo a melhor de sempre. Tive oportunidade de provar este vinho por mais de uma vez nos últimos meses, e as primeiras impressões confirmaram-se: trata-se dum branco de elevada estirpe, com excelente aroma frutado e intenso, com predominância de notas vegetais e algum floral. Na boca sobressai fruta branca e tropical, destacando-se a frescura e elegância da prova, com um final suave e prolongado. Um vinho apetitoso de que apetece sempre beber mais um trago... ou mais um copo.

Não é dos mais baratos... mas a qualidade que apresenta justifica bem o que se paga por ele. Desde a colheita de 2005, que tínhamos provado em 2007, muita coisa mudou no panorama dos brancos nacionais e na nossa própria apreciação dos mesmos. Depois da rejeição anterior, este entrou directamente para a galeria das nossas escolhas, e passa a ser presença obrigatória na garrafeira. De preferência com várias garrafas...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em hipermercado: 10,09 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 26 de julho de 2015

No meu copo 468 - Monsaraz Millennium 2014

De repente, e de onde menos se esperava, a surpresa desagradável...

Quem se der ao trabalho de nos ler sabe que temos sido pródigos em elogios aos vinhos da CARMIM ao longo dos anos, tendo mesmo feito do Garrafeira dos Sócios um dos nossos vinhos de eleição e presença obrigatória nas nossas garrafeiras.

O Reguengos Reserva tinto também tem merecido frequente destaque, assim como os monocasta, sempre que a ocasião se proporciona.

Há algumas semanas vi numa prateleira um Monsaraz Millennium, com 3 € de desconto sobre o PVP de base, 5,99 €. Pensei que era de aproveitar. Só tinha provado este vinho uma vez, há cerca de 4 anos, e não me lembrava bem dele, porque foi numas férias de Verão e não houve tempo para grandes registos, nem por escrito nem de memória. Mas tinha-me agradado.

Desta vez, aberta a garrafa, fiquei estarrecido: quase não conseguia acreditar naquilo que estava a provar. O que vou escrever em seguida não é de ânimo leve nem com qualquer prazer. Aliás, tive oportunidade de enviar desde logo um e-mail para o produtor, a dar conta das minhas impressões acerca do vinho (não recebi, até ao momento, qualquer resposta), e só passado mais de um mês resolvi publicar este post.

A verdade é que, para grande espanto dos presentes (não estava sozinho na ocasião), aquele vinho parecia acabado de sair dum garrafão! Parece estar inacabado, cheira e sabe a vinho de taberna. Nada ali está como deve estar. Mantive-o aberto durante vários dias (pois se não conseguia bebê-lo...), na esperança de ver como evoluía, e fiquei sem perceber como é que se põe um vinho no mercado naquelas condições. Pior, como é que o PVP é de 5,99 €, se nem para criado do Reguengos Reserva serve...

Diz o contra-rótulo que é um vinho feito para as novas gerações... Mas é com este produto que querem ensinar as novas gerações a gostar de vinho? É que assim vamos por muito mau caminho.

Quero acreditar que poderá ter sido apenas um descuido, uma escolha resultante dum momento menos feliz. Mas cuidado, porque é assim que se destrói o prestígio duma marca em dois tempos. Se eu não conhecesse tão bem e há tanto tempo os vinhos da CARMIM e tivesse começado por este, provavelmente não compraria mais nenhum.

Final da história: como o vinho se mostrou quase imbebível, acabou por ir sendo consumido aos poucos ao longo de vários dias, conservado no frigorífico e com rolha de vácuo. Passados uns cinco dias, afinal, já se mostrou mais bebível e pareceu ter ali algo para contar. O cheiro a taberna desapareceu, apresentou alguma estrutura e alguns aromas frutados (poucos...). Mas se for aquilo que se pretende, como é que se resolve a questão? Põem um aviso no rótulo a dizer “abra a garrafa e deixe-a ficar cinco dias aberta no frigorífico”???

Kroniketas, enófilo desiludido

Vinho: Monsaraz Millennium 2014 (T)
Região: Alenmtejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah
Preço em supermercado: 5,99 €
Nota (0 a 10): 3

quarta-feira, 22 de julho de 2015

No meu copo 467 - Vinha Grande 2012

Mais um clássico nas nossas provas. Ainda há colheitas de 2009 e 2010 lá em casa, mas por vezes as circunstâncias levam-nos ao encontro de colheitas mais recentes, embora eu prefira deixá-las esperar...

Depois da prova da colheita de 2011 no jantar da última passagem de ano, agora cruzei-me com a colheita de 2012. As impressões recolhidas não diferiram muito. Aliás, quase se poderia copiar na íntegra o que foi dito anteriormente.

O perfil do vinho mantém-se, consistente e estável, sem surpresas e sem defraudar as expectativas. Destaque para o aroma a frutos vermelhos maduros, a par com algum floral e algum balsâmico.

Na boca a madeira é muito discreta e os taninos arredondados, com um fundo a especiarias. Final vivo e intenso mas suave.

Mais macio que o de 2011, não deixa de ganhar com a abertura da garrafa algum tempo antes do consumo. E ganhará, certamente, com mais algum tempo de garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha Grande 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 18 de julho de 2015

Hello Summer Wine Party no Hotel Marriott

    

Decorreu no passado dia 25 de Junho nos jardins do Hotel Marriott, em Lisboa, uma prova de vinhos dedicada à celebração da chegada do Verão, organizada pela revista “Paixão pelo vinho”.

O evento contou com a presença de cerca de 30 produtores de várias regiões do país, e juntou cerca de 1000 visitantes. Foi uma oportunidade para passar um fim de tarde ao ar livre na companhia de algumas caras conhecidas, de alguns vinhos conhecidos e outros não. O tempo quente convidava mais à frescura, pelo que provei sobretudo brancos e espumantes, e menos rosés (disponíveis em quantidade escassa) e tintos.

Espalhadas pelo jardim e junto à piscina estavam as mesas com os vinhos dos diversos produtores, pelo que fui andando por ali sem percurso pré-estabelecido. Primeiro fiz uma volta de reconhecimento para saber quem estava onde, e em seguida fui provando aqui e ali de forma mais ou menos aleatória.

Comecei no Altano branco e tinto, da Symington, detive-me um pouco mais na mesa da Dão Sul, onde estavam à disposição vinhos da Quinta de Cabriz, da Quinta do Encontro e da Herdade do Monte da Cal. Pude comprovar a qualidade dos espumantes e dos brancos de Encruzado.

Reencontrei os vinhos do Monte da Serenada, que tinha conhecido no último Outono no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno, e de lá trouxe um branco Edição Especial e um tinto Cepas Cinquentenárias para casa. Passei pela Roquevale para provar um tinto Reserva, provei uns brancos na Quinta de S. Sebastião, um dos produtores emergentes na região de Lisboa, e parei para fazer uma ronda pelo portefólio da Quinta do Gradil, onde estava uma nova marca de entrada de gama, o Castelo do Sulco.

Provei um novo rosé da Casa Cadaval e detive-me um pouco nos verdes da Quinta da Covela, da Quinta da Lixa e da Quinta da Calçada. Dado o calor que se fazia sentir não apetecia muito provar tintos, mas antes refrescar a boca com brancos, quase ao estilo de refresco.

Em seguida ainda se ia realizar um jantar com harmonizações com os vinhos Lua Cheia em Vinhas Velhas, e como não estava inscrito no mesmo e entretanto a noite caía, estava na hora de regressar. Não refiro nenhum dos vinhos provados em especial, porque a oferta era muita e o tempo disponível escasso.

Vale a pena destacar a iniciativa e o bom ambiente e a animação sentida naquele espaço, de facto muito bem escolhido para a ocasião. De facto, o mais importante ali foi o convívio com alguns velhos e outros novos conhecidos e um brinde à chegada do Verão, com uma nova geração de vinhos brancos em destaque, a reposicionar o vinho branco noutro patamar de consumo. Uma certeza evidente é que os brancos portugueses estão cada vez melhores e cada vez há mais escolha de qualidade. É bom para o mercado e para o consumidor. Todos saímos a ganhar.

O meu agradecimento à organização pelo convite e pela oportunidade proporcionada para estar presente neste evento.

Até uma próxima oportunidade.

Kroniketas, enófilo em modo de Verão

terça-feira, 14 de julho de 2015

No meu copo 466 - Quinta de Saes 2012

Procurar um tinto do Dão num hipermercado não é tarefa fácil. A oferta é quase sempre escassa, tanto em quantidade como em variedade. Tal e qual como acontece com a Bairrada. Ou se escolhe um vinho de entrada de gama ou se escolhe uma das marcas bem implantadas no mercado e que por isso se encontram em todo o lado (Casa de Santar, Cabriz, Quinta dos Carvalhais e pouco mais). Quando se quer fugir daqui pode ser quase como encontrar agulha em palheiro...

Numa das minhas deambulações lá encontrei algo ligeiramente diferente. Um Quinta de Saes, de Álvaro Castro. Como existem diversas variantes nas marcas deste produtor, resolvi experimentar.

Não é um vinho espectacular, nem que nos encante logo à partida. Apresenta-se aberto, frutado, com aromas a fruta vermelha madura. Fermenta em inox, a temperatura controlada, seguindo-se 9 meses de estágio em barricas de carvalho francês de segundo ano. A madeira não se destaca no conjunto nem se impõe. O resultado é um vinho que se bebe com facilidade, principalmente pela sua macieza.

Haverá outros melhores saindo das Quintas de Saes e da Pellada, mas este não desprestigia. Em todo o caso, talvez o preço esteja um pouco elevado, em comparação, por exemplo, com o tinto que ostenta o nome do produtor, que é claramente “mais vinho” que este.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Saes 2012 (T)
Região: Dão
Produtor: Álvaro Castro - Quinta da Pellada
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz
Preço em hipermercado: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 10 de julho de 2015

No meu copo 465 - Poliphonia Reserva 2012

Num regresso ao restaurante Salsa & Coentros cerca de um ano depois, em que repeti o arroz de perdiz e a encharcada, o vinho escolhido para acompanhar a refeição, em que os outros comensais optaram por um prato de bacalhau e um de polvo, foi o Poliphonia Reserva, que tinha estreado nestas lides com a colheita de 2007.

Relativamente à composição do vinho, saíram as castas Trincadeira e Cabernet Sauvignon, mantendo-se as três restantes indicadas na ficha. Mais que pelas castas, talvez pela idade do vinho, esta versão mostrou-se mais robusta que a anterior. Aroma a fruto maduro muito intenso, bastante concentrado e com uma estrutura firme na boca e final longo, sem estar excessivamente marcado pela madeira (fez a fermentação maloláctica em balseiros de carvalho francês e estágio de 12 meses em tonéis e barricas de carvalho Alliet), apareceu como capaz de ombrear com pratos intensos de carne.

Não apresentou aquela elegância discreta que encontrámos na colheita de 2007, antes aparecendo com um perfil dentro das tendências mais recentes, marcado sobretudo por uma concentração e um grau alcoólico elevados.

Não deslustra, embora eu preferisse o outro estilo. Talvez seja apenas uma questão de lhe dar tempo. No entanto continua a ser um produto com boa relação qualidade/preço, que vale a pena provar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Poliphonia Reserva 2012 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Granacer
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Syrah, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Bairradão em Lisboa


    
  

Foi em Maio passado no Hotel Real Palácio, e com organização da garrafeira Néctar das Avenidas, à semelhança do que aconteceu há pouco mais de um ano (Março de 2014) com os vinhos das Caves São João (aqui, aqui e aqui), que se realizou o evento Dão e Bairrada em Lisboa, no qual se juntaram produtores daquelas duas regiões vinícolas com alguns dos seus melhores vinhos.

O evento contou com 3 fases: uma primeira de prova livre, denominada Special Time Wine, em que a partir das 17 horas em diferentes horários iam sendo disponibilizados aos visitantes diferentes tipos de vinhos – primeiro espumantes da Bairrada, em seguida Encruzados e Tourigas do Dão, Momentos Especiais com algumas das grandes marcas e finalmente os clássicos da Bairrada (ver a primeira imagem anexa); um jantar com vinhos da Bairrada a partir das 19:30; e um jantar com vinhos do Dão a partir das 21:30. Por questões essencialmente de horário, inscrevi-me no jantar da Bairrada, de modo a poder ir para casa mais cedo, tendo em conta de experiências anteriores o tempo que estes jantares costumam demorar. Quando os comensais abandonaram a sala já passava das 22 horas, enquanto os comensais para o jantar do Dão aguardavam...

Inútil seria tentar enumerar os vinhos provados e destacar alguns, tal era a panóplia disponível. Dirigi-me com especial atenção a alguns dos vinhos que não iriam estar disponíveis no jantar.

Quando finalmente pudemos tomar lugar à mesa, fomo-nos dirigindo aos petiscos disponíveis, em regime de jantar volante (ver ementa na segunda imagem). Nesta altura começaram a desfilar os vinhos do cartaz (ver terceira imagem). Uma autêntica maratona, muitos vinhos para provar, para corredores de fundo. Mesmo controlando o melhor possível as quantidades ingeridas, a certa altura torna-se difícil continuar a apreciar devidamente os vinhos que vão passando pelos copos e manter toda a lucidez...

De qualquer modo, sempre dá para se ir destacando vinhos como o espumante Quinta das Bágeiras Super Reserva, o Caves São Domingos bruto rosé, o Volúpia branco, o Encontro 1 tinto (o branco apresentou-se muito marcado pela madeira), o Vadio tinto, o Casa de Saima Reserva branco, o Frei João Reserva 85 em garrafa magnum e, claro, uma das grandes expectativas da noite, o já famoso Baga Confirmado 1991 da Adega Cooperativa de Cantanhede. Enfim, quase todos excelentes...

No final ainda houve direito a provar o Colheita Tardia Apartado 1 das Caves São João e a aguardente da Quinta das Bágeiras, mas nesta altura já não havia estômago nem palato...

Parabéns à garrafeira Néctar das Avenidas por mais esta organização e aos produtores presentes pelos vinhos apresentados. Obrigado também ao Hotel Real Palácio pelos excelentes acepipes colocados à disposição dos comensais.

Em jeito de balanço, talvez não se justifique um tão elevado número de vinhos em prova no jantar, porque acabamos por nos dispersar em torna-se difícil manter a lucidez. Compreende-se a intenção de alargar o portefólio disponível, mas a quantidade pode ser reduzida sem prejuízo da qualidade.

Até ao próximo evento.

Kroniketas, enófilo empanturrado

Nas fotos (da esquerda e de cima):
3ª foto - Mário Sérgio Nuno (Quinta das Bágeiras)
5ª foto - Osvaldo Amado (Adega Cooperativa de Cantanhede e Dão Sul)
6ª foto - Maria João (Adega Luís Pato)
7ª foto - Paulo Nunes (O Abrigo da Passarela e Casa de Saima)
8ª foto - Célia Alves (Caves São João)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Dress Code: Pouca Roupa



Agora que o Verão já entrou em força e o período de férias se aproxima, é tempo de pôr em dia o relato de alguns eventos por onde tenho passado. Já passaram algumas semanas, ou mesmo meses, mas nem sempre há tempo e disponibilidade para elaborar um texto minimamente aceitável para falar destes eventos, que exigem mais tempo do que a prova duma garrafa de vinho...

Comecemos pelo princípio, e vamos recuar até Março. Acedendo a um convite da João Portugal Ramos Vinhos, desloquei-me ao lançamento de uma nova marca de vinho alentejano do produtor e enólogo sediado em Estremoz. Trata-se dum vinho destinado a um público mais jovem, que se posiciona num patamar da gama média-baixa, a preços acessíveis (preço de venda recomendado 3,99 €) e com um perfil descomplicado. E assim, juntando-lhe o nome do monte onde está implantada a vinha que fornece as uvas para este vinho, surge o nome para a marca: Pouca Roupa. São os primeiros vinhos em que intervém enólogo o filho de João Portugal Ramos, João Maria.

Esta gama é composta por um branco, um rosé e um tinto, e foi estes três vinhos que os convidados tiveram oportunidade de provar. Gostei mais do branco, que se apresentou com uma frescura bastante interessante e fácil de beber, a que não será alheia a escolha das castas: utilizadas: Viosinho, Sauvignon Blanc e Verdelho.

O rosé é composto por Touriga Nacional, Aragonês e Cabernet Sauvignon, enquanto o tinto contém Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Alfrocheiro. Estes pareceram ser vinhos mais simples, mas aguardam por uma segunda prova com mais atenção.

Agradecemos à João Portugal Ramos Vinhos mais este convite e continuaremos atentos às novidades.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 28 de junho de 2015

No meu copo 464 - Bucellas, Arinto 2013 e 2014

Mais um clássico nas nossas provas, presença regular na garrafeira e um recurso sempre útil em situações de emergência.

Foram já muitas as provas deste vinho que aqui relatámos, pelo que pouco restará para dizer. Desta vez tivemos oportunidade de provar, com poucos dias de intervalo, as colheitas de 2013 e 2014. Aquela pareceu mais afinada, o que significa que o vinho aguentou perfeitamente um ano a mais em garrafa, mostrando aromas mais intensos e um maior equilíbrio no conjunto.

Continua a ser uma referência quase obrigatória quando se fala do Arinto de Bucelas, em que caminha mais ou menos a par com o Prova Régia. Com pequenas oscilações aqui e ali, o perfil e a qualidade mantêm-se. Notas citrinas predominantes, algum mineral e um ligeiro toque tropical, acidez quase inigualável, suavidade e equilíbrio.

Um vinho para beber sem grandes exigências nem preocupações, que se mostra bem em quase todas as circunstâncias. Mais uma aposta segura e a garantia quase absoluta de que não se é defraudado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bucellas, Arinto 2013 (B)
Vinho: Bucellas, Arinto 2014 (B)

Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 24 de junho de 2015

No meu copo 463 - Soalheiro, Alvarinho 2014

Começa já a ser um clássico nas nossas provas, presença quase obrigatória todos os anos. A consistência de qualidade que este Soalheiro tem mantido ano após ano justificam bem a repetida aposta nele, que é considerado um dos melhores monocasta de Alvarinho do país.

A elegância, sobriedade aromática e aroma tropical com nota minerais fazem dele um vinho guloso que fica bem em qualquer ocasião. Uma aposta mais que segura, e incontornável nos tempos que correm.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2014 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 20 de junho de 2015

No meu copo 462 - Quinta de Camarate branco seco 2013

O Quinta de Camarate Branco Seco foi produzido inicialmente em 1986 a partir de Moscatel de Setúbal, Riesling e Gewurztraminer. Na década de 90, o enólogo Domingos Soares Franco decidiu substituir as duas castas estrangeiras por duas castas oriundas da Região dos Vinhos Verdes, Loureiro e Alvarinho, para equilibrar o aromático Moscatel com a sua acidez. Em 2007 o Loureiro foi substituído pelo Verdelho para dar mais complexidade ao vinho. A casta Moscatel foi diminuída percentualmente para dar espaço aromático às outras duas castas, vindo a sair do lote a partir da colheita de 2009” (informação disponível no site da empresa).

Depois da redescoberta deste vinho há alguns anos, estive mais alguns anos afastado dele, tendo investido noutros produtos como os da Colecção Privada Domingos Soares Franco, principalmente o Verdelho. Voltei agora ao contacto com este Branco Seco, agora com a versão mais recente, composta em partes iguais por Alvarinho e Verdelho.

Apresentou-se com uma cor amarelo citrino, com aroma a frutos brancos, ligeiro floral, elegante e com boa acidez, embora com aroma não muito intenso. Na boca apresenta-se com persistência média, final suave e equilibrado.

Curiosamente, do que me recordo parece-me que gostava mais da versão com o Moscatel, mas... será uma questão de provar de novo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Camarate Seco 2013 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alvarinho, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 6,25 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 16 de junho de 2015

No meu copo 461 - Frei João Reserva branco 2009

Este é aquele tipo de vinho branco com o qual, desde sempre, tenho uma relação difícil. Um branco marcado pela madeira, que o torna algo pesado na boca e com as notas tostadas demasiado impositivas no aroma. Diz-se habitualmente que são os “brancos de Inverno”, adequados para pratos de peixe muito temperados ou até alguns pratos de carne.

Para mim é sempre difícil encontrar uma ocasião e um prato adequado para este perfil de vinho, porque simplesmente não gosto de vinhos em que a madeira sobressai em relação a tudo o resto.

Esta colheita de 2009 foi adquirida em 2013, portanto terá sido lançada no mercado já com alguma idade, o que aliás é característico nos vinhos das Caves São João. A verdade é que a madeira não estava minimamente disfarçada, abafando a fruta quase por completo.

Será um perfil para manter? Veremos numa próxima ocasião, mas este não me convenceu.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Frei João Reserva 2009 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Bical, Cerceal, Maria Gomes
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 6,5

sexta-feira, 12 de junho de 2015

No meu copo 460 - Esporão, Quatro Castas 2011

Este é um regresso cíclico. Mesmo com as novas tendências, continuo a não resistir à prova do Quatro Castas do Esporão, pois cada colheita pode sempre encerrar uma surpresa, uma vez que as castas variam de ano para ano.

É certo que este vinho já foi bastante mais do meu agrado do que é agora, que está “modernizado”. Não deixa, contudo, de ser um vinho desafiante, para tentarmos descobrir em cada colheita novas sensações e características predominantes.

Esta colheita de 2011 mantém a tendência das anteriores, com muito álcool presente. O vinho está ainda muito jovem e o primeiro ataque, no nariz e na boca, é algo agressivo. Requer impreterivelmente decantação, pois só assim se consegue ficar com um produto mais aberto, aromático e um pouco amaciado. Continua, no entanto, a mostrar-se predominantemente robusto e estruturado, e com o álcool bem presente.

Relativamente às quatro castas seleccionadas, eis o que o contra-rótulo menciona:
O Aragonês contribui com aromas de frutos vermelhos, o Syrah confere corpo e textura, o Alicante Bouschet dá a estrutura a este vinho e o Petit Verdot introduz elegância e equilíbrio ao conjunto”.

Estagiaram, todas elas, 6 meses em carvalho após vinificação, sendo que a madeira está muito discreta e bem integrada no conjunto.

Vou continuar a acompanhar as edições seguintes (aliás, já tenho a colheita de 2013), mas reservo para uma ocasião apropriada a abertura das garrafas que restam das colheitas de 2003 e 2005, do tempo em que me encantavam. E fazer uma prova comparada de colheitas com 10 anos de diferença pode ser interessante para tirar todas as dúvidas sobre qual a melhor versão.

Um dia destes...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quatro Castas 2011 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Petit Verdot, Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,03 €
Nota (0 a 10): 8