segunda-feira, 17 de setembro de 2018

700 provas - Resumo de vinhos

Foram estes os vinhos provados durante a sétima centena de posts.

Vinhos do Porto

Duorum Vintage 2007 - 8,5


Espumantes

Champanhe Taittinger Brut Réserve - 8
João Portugal Ramos Alvarinho Reserva Bruto Natural 2014 - 8
Marquês de Borba Bruto rosé 2014 - 8
Marquês de Marialva Blanc de Blancs Bruto - 7,5
Quinta do Boição Extra Bruto 2010 - 8



Rosé

Trás-os-Montes
Valle Pradinhos 2016 - 8

Douro
Santos da Casa 2016 - 7
Vallado, Touriga Nacional 2016 - 8

Lisboa
Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006 - 8

Tejo
Lagoalva 2016 - 7,5

Península de Setúbal
Quinta de Camarate 2016 - 7,5

Alentejo
Pouca Roupa 2016 - 7



Brancos

Verdes
João Portugal Ramos, Loureiro 2014 - 7
João Portugal Ramos, Loureiro 2017 - 7
Portal do Fidalgo, Alvarinho 2011 - 8

Trás-os-Montes
Quinta do Sobreiró de Cima 2016 - 7,5

Douro
Crasto Superior 2014 - 8
Duas Quintas Reserva 2010 - 8
Marka 2013 - 7,5
Quinta de Cidrô, Gewürztraminer 2016 - 8,5
Tons de Duorum 2016 - 7,5
Vallado 2016 - 8
Vallado Prima 2016 (1) e (2) - 8,5

Dão
Casa da Passarela, A Descoberta 2016 - 8
Quinta do Cerrado Encruzado 2012 - 8,5
Titular branco 2015 - 7,5

Bairrada
Frei João Clássico 2015 - 8,5
Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2016 - 7,5
Poço do Lobo, Arinto 1995 - 8

Tejo
Fiúza, Chardonnay 2016 - 7,5
Lagoalva Talhão 1 2016 - 7,5
Padre Pedro Reserva 2015 - 7,5
Ninfa, Sauvignon Blanc 2015 - 8,5

Lisboa
Dory 2015 - 7
HM Lisboa 2016 - 7
HM Lisboa 2017 - 8
Quinta de S. Sebastião 2016 - 7,5
Stanley 2015 - 7,5

Bucelas
Prova Régia Reserva 2015 - 6,5

Península de Setúbal
Alcube, Fernão Pires e Moscatel 2015 - 7
BSE (Branco Seco Especial) 2015 - 6,5
Serras de Grândola, Verdelho 2015 - 8

Alentejo
Caladessa Escolha 2014 - 7
Cartuxa branco 2015 - 7,5
Cortes de Cima, Sauvignon Blanc 2015 - 8
Esporão, Duas Castas 2015 - 8,5
Esporão, Verdelho 2015 - 7,5
Herdade do Perdigão Reserva 2014 - 8
Marquês de Borba 2017 - 7,5
Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 - 7
Paulo Laureano Premium Vinhas Velhas 2015 - 8
Pêra-Manca 2005 - 7,5
Pouca Roupa 2017 - 7,5
VDG, Alvarinho 2016 - 8
VDG, Arinto 2016 - 7,5
VDG, Chardonnay 2016 - 7
VDG, Verdelho 2016 - 7,5
VDG, Vermentino 2016 - 6,5
VDG, Viognier 2016 - 8
Vidigueira, Antão Vaz 2016 - 8
Vila Santa Reserva 2016 - 7,5



Tintos

Trás-os-Montes
Flor do Tua Reserva 2014 - 7,5

Douro
Quinta da Soalheira 2013 - 8
Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 - 9
Quinta dos Aciprestes 2014 - 8
Quinta dos Quatro Ventos 2008 - 8
Ramos Pinto Collection 2006 - 8,5
Ramos Pinto Collection 2008 - 8
Ramos Pinto Collection 2009 - 8
Ramos Pinto Collection 2010 - 8,5
Tons de Duorum 2016 - 7,5
Vallado 2015 - 7,5

Dão
Bella Superior 2012 - 7,5
Cabriz Reserva 2013 - 8
Casa da Passarela Vinhas Velhas 2008 - 7
Pedra Cancela Castas Nativas 2012 - 7
Quinta do Cerrado Reserva 2011 - 7,5
Porta dos Cavaleiros 1983 - 7
Quinta dos Carvalhais 2010 - 8
Titular tinto 2014 - 7
Tazem Reserva 2011 - 7,5
Vinha Maria Premium 2015 - 7,5

Beira Interior
Quinta dos Termos 2013 - 5

Bairrada e Beiras
Bom Caminho 2011 - 8
Frei João 1984 - 7
Frei João 1996 - 7,5
Marquês de Marialva Colheita Selecionada 2014 - 7,5
Luís Pato Vinhas Velhas 2004 - 7,5
Valdazar 2011 - 7,5

Tejo
Lagoalva Reserva 2013 - 7
Terras d’Areia 2010 - 7

Lisboa
3 Podas 2015 - 7,5
Capote Velho Premium 2014 - 7
Castelo do Sulco Reserva 2013 - 7,5
Dory Reserva 2013 - 8
Grand’Arte, Alicante Bouschet 2009 - 7
Quinta de S. Sebastião 2014 - 7
Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012 - 8
Quinta Vista 2013 - 6
Vinha da Nora 2005 - 8,5
XV Quinze 2013 - 8

Península de Setúbal
Quinta de Alcube, Castelão e Cabernet Sauvignon 2013 - 7,5
Periquita Reserva 2012 - 7
Rovisco Pais Premium 2013 - 7,5
Stanley 2013 - 7,5

Alentejo
Adega de Borba Premium 2015 - 6
Caladessa Escolha 2012 - 7,5
Casa de Sabicos Reserva 2013 - 8
GA 2016 - 7,5
Herdade do Sobroso 2006 - 8
Herdade do Sobroso 2008 - 8
João Portugal Ramos 25 Anos (Edição Limitada) - 8,5
Julian Reynolds 2006 - 8,5
Marquês de Borba 2017 - 7,5
Marquês de Borba Reserva 2011 - 8,5
Marquês de Borba Vinhas Velhas 2016 - 8
Quatro Castas (Esporão) Reserva 1998 - 8
Reguengos DOC 2016 - 6,5
Reguengos Garrafeira dos Sócios 1993 - 8
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2007 - 8,5
Reguengos Reserva 2008 - 8
Reguengos Reserva 2013 - 7,5
Tinto da Talha Grande Escolha, Touriga Nacional e Alicante Bouschet 2009 - 7,5



Estrangeiros

Brancos
Tormaresca, Chardonnay 2016 - 8

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

No meu copo 700 - Portalegre 2004; Quinta da Cabaça 2007

Atingimos com este post o redondo número de 700 artigos sobre provas, redigidos ao longo dos últimos 13 anos (menos 3 mesitos...). Como tem sido habitual (porque assim se resolveu fazer), os posts “centenários” são sempre dedicados a vinhos ou provas com alguma coisa de especial. Os dois vinhos de que aqui se fala entram nesse lote devido ao enquadramento em que foram conhecidos e mais tarde adquiridos.

Aquando da minha permanência por terras de Portalegre, em finais de 2007/princípio de 2008, tive oportunidade de conhecer bastante bem a gastronomia da região, de que não era frequentador habitual, e fazer algumas visitas a produtores do distrito de Portalegre e do vizinho distrito de Évora (posts com o título “Krónikas do Alto Alentejo”, ou com a etiqueta “Alto Alentejo” ou “Viagens”).

Nessa altura, por exemplo, a Adega Mayor ainda estava a dar os primeiros passos e ainda não tinha o seu nome e os seus vinhos bem implantados no mercado. Agora teria merecido uma visita.

O trabalho que estive a realizar em Portalegre, mesmo nada tendo a ver com o vinho, teve a sua base nas instalações da Adega Cooperativa de Portalegre, o que me permitiu conhecer in loco como a adega funcionava (estávamos em época pós-vindimas) e conhecer mais de perto o portefólio da Adega. Um dos locais que na ocasião visitei foi a Adega da Cabaça, anteriormente berço dos vinhos D’Avillez, e que tinha sido adquirida pela Adega Cooperativa para aí estabelecer a produção duma nova marca. Essa marca surgiu precisamente com o nome “Quinta da Cabaça”, e este é um dos vinhos de que agora falamos. O outro é o principal vinho da casa, o Portalegre DOC.

No momento em que este post foi escrito ainda se podia aplicar todos estes verbos no presente. Agora já é passado, porque entretanto a Adega Cooperativa de Portalegre deixou de sê-lo enquanto tal, foi adquirida por outra entidade e agora chama-se Adega de Portalegre Winery. Mas estas duas marcas mantêm-se e recentemente ganharam novo fôlego. Os tradicionais vinhos de Portalegre parecem querer retomar o caminho que lhes deu fama há duas décadas, e já há novas colheitas no mercado. Mas esse será assunto (e prova) para outra ocasião, porque estes ainda foram lançados sob os auspícios da antiga Adega Cooperativa.

Falando dos vinhos propriamente ditos...

O Portalegre DOC mostra um perfil alentejano mais clássico, bem encorpado, estruturado e robusto, pujante na prova de boca, um vinho claramente a pedir pratos típicos alentejanos, bem temperados, e muito adequado para pratos de caça.

Já o Quinta da Cabaça mostrou um perfil mais moderno, com maior vivacidade na prova de boca e não tão compacto na estrutura, ligeiramente mais aberto na cor e com os taninos um pouco mais presentes, embora bem domados.

Eram dois excelentes vinhos naquela altura. Resta-nos aguardar que as novas versões façam jus ao nome que ostentam.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega Cooperativa de Portalegre

Vinho: Portalegre 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Grand Noir
Preço: 12,15 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Cabaça 2007 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Cinsault
Preço em feira de vinhos: 6,38 €
Nota (0 a 10): 8


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Néctar das Avenidas - Novas instalações



Abriu na passada 3ª feira, 4 de Setembro, o novo espaço da Garrafeira Néctar das Avenidas, na esquina da Avenida Luís Bívar com a Pinheiro Chagas, em Lisboa.

Sob a direcção de pai e filha João e Sara Quintela, respectivamente, a nova loja é significativamente maior que a anterior, prometendo albergar diversos eventos ligados ao mundo do vinho.

Como bónus para a vista, destaca-se um canto onde está exposta uma impressionante colecção com algumas dezenas de garrafas do espólio particular de João Quintela, com realce para as colheitas desde os anos 80 do Esporão Reserva tinto. Está lá bem vincado numa etiqueta: não estão à venda!

Boa sorte para a família Quintela nesta nova etapa desta fantástica aventura que tem sido o crescimento desta garrafeira.

Nós cá estaremos para ver, acompanhar e provar.

Até já.

Kroniketas, enófilo actualizado

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

No meu copo 699 - Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006

Por falar em Quinta do Monte d’Oiro, nada melhor para antecipar o post nº 700 do que falar deste vinho surpreendente, que me veio parar às mãos numa promoção rara. Tão rara, e tão surpreendente, que os próprios produtores lhe perderam o rasto se surpreendem com as qualidades que este vinho mostra.

Só por uma vez aqui falámos dele, embora já o tivéssemos provado posteriormente. Na época em que o tuguinho provava mas também escrevia, foi graças a ele que descobrimos esta pequena pérola. Na altura o vinho até nem parecia nada de especial, era mais a originalidade e a diferenciação que o tornavam um vinho interessante.

Mas depois de me cruzar com ele nunca mais deixei de tê-lo debaixo de olho, que é como quem diz, se aparecer a oportunidade por um preço interessante, pode ser que valha a pena.

E a oportunidade surgiu numa promoção online da colheita de 2006, já anteriormente provada mas não relatada. Como o vinho está praticamente ausente do circuito, achei que seria interessante voltar a prova-lo. O preço era convidativo e, como tal, o risco pouco elevado.

E que surpresa se revelou! Foi consumido quase de surpresa, sem preparação e sem “aqueles” copos adequados. Tal como a compra, o consumo foi uma questão de oportunidade!

Achei curioso guardar o que diz o contra-rótulo: consumir nos primeiros dois anos, o que significa que estamos, “apenas”, 10 anos fora do prazo. “Estamos” em teoria, porque o vinho estava tudo menos fora de prazo!

Apesar duma rolha teimosa e em mau estado, a prova foi excelente a todos os níveis! Atenção: este vinho, apesar da etiqueta que colocámos no post, não é um rosé. O conceito de clarete é um vinho tinto leve, aberto na cor e para consumir fresco (e jovem). Não estava assim tão fresco, mas bateu-se galhardamente com os acepipes que acompanhou. Cheio de frescura, acidez, aroma limpo meio apetrolado, transparente e brilhante na cor, muito vivo na prova de boca e com boa estrutura e ainda com frutos vermelhos presentes no aroma, e sem quaisquer sinais de evolução excessiva. Parecia novo!

Para um vinho que era uma espécie de sobra do tinto emblemático da casa (o Vinha da Nora, cuja colheita de 2005 também ainda está em grande forma), poderíamos usar uma frase simples e vulgar mas que retracta este vinho na perfeição: saiu melhor que a encomenda!

Dito isto, se ele ainda voltar a andar por aí não vou deixá-lo escapar. É um vinho que merece ser conhecido e apreciado, pelo prazer que proporciona mas também pela originalidade que representa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006 (R)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cinsault
Preço: 5,25 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Na Quinta do Monte d’Oiro, em momento pré-vindimas...




Uma oportunidade rara levou-me pela primeira vez à Quinta do Monte d’Oiro, onde se aguarda o momento oportuno para iniciar as vindimas, o que deverá acontecer na próxima semana.

O assunto não era propriamente o vinho, mas sistemas de refrigeração, pelo que fui mais para ver e ouvir. O local é lindo e delicioso, pelo que aproveitei para tirar algumas fotografias. Na encosta mais ao fundo crescem 9 ha de novas videiras plantadas recentemente.

Nos cachos são visíveis os estragos provocados pela onda de calor do início de Agosto. Cerca de 1/4 das uvas de Syrah visíveis na imagem (primeira e segunda fotos) parecem ter sido sugadas: estão completamente murchas e secas. Estimam-se quebras na produção na ordem dos 20%, embora na região alguns produtores tenham sofrido perdas até 50%, com alguns casos mais gravosos de perda total.

Como dizia o outro: é a vida... E quando São Pedro não ajuda...

Kroniketas, enófilo viajante

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

No meu copo 698 - Titular: tinto 2014; branco 2015

A Caminhos Cruzados é uma empresa de origem familiar, situada na zona de Nelas, que tem vindo a ganhar espaço entre os produtores do Dão com excelentes vinhos, dos quais o maior destaque vai para um branco de excelência, o Teixuga, que já tivemos oportunidade de provar, mas ainda não de degustar à mesa.

Este par branco e tinto de que aqui se fala situam-se na gama média/média-baixa. Nesta marca existem várias versões monocasta, tanto nos brancos como nos tintos, e um tinto Reserva. Estas serão, portanto, as versões colheita mais simples. E assim se apresentaram.

O tinto 2014, com um lote típico da região, mostrou-se algo linear e simples na boca, com aroma discreto e final curto, delicado mas com alguma falta de estrutura, que o beneficiaria.

No caso do branco 2015, igualmente com um trio muito típico de castas, mostrou um aroma floral com mineralidade, boa acidez e frescura na boca, com estrutura e final de intensidade média.

No conjunto, melhor o branco, mais próximo do que é a região, do que o tinto, a que pareceu faltar algo mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Caminhos Cruzados

Vinho: Titular 2014 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Titular 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Bical
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 28 de agosto de 2018

No meu copo 697 - Tazem Reserva 2011

Este vinho foi adquirido numa garrafeira online, e despertou a curiosidade por ser dum produtor pouco falado. Conhecendo as características dos tintos do Dão, sabemos ao que vamos.

Na cor apresentou-se com um rubi brilhante típico da região. No aroma predominam frutos vermelhos e violetas. Na boca é delicado e suave, com final elegante e persistência média.

Para o vinho que é, o preço parece um pouco inflacionado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tazem Reserva 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Vila Nova de Tazem
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço: 8,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

No meu copo 696 - Tinto da Talha Grande Escolha, Touriga Nacional e Alicante Bouschet 2009

A primeira prova deste vinho da Roquevale aconteceu já lá vai uma década. Na altura o vinho agradou bastante, mostrando uma pujança assinalável complementada com alguma elegância.

Entretanto foi adquirida esta colheita de 2009 que repousou vários anos na garrafeira. Foi bebido, portanto, com muito mais idade que a colheita de 2004. No lote, o Syrah deu lugar ao Alicante Bouschet. Estagiou em barricas novas de carvalho francês e americano.

O perfil do vinho é diferente e, dada a idade, a evolução também é necessariamente diferente. Esta colheita mostrou um vinho ainda encorpado, com alguma estrutura e persistência, marcado pela elegância na prova de boca, mas com menos intensidade no aroma. Mais redondo mas menos vivo.

Parece ser claramente um vinho para consumir mais novo. Numa próxima ocasião esse factor será tido em conta, pois a versão mais jovem pareceu num melhor ponto para consumo. Por outro lado, as castas que compõem o lote também são diferentes, pelo que não será de esperar nunca vinhos iguais, pois as duas castas escolhidas variam de ano para ano, numa prática que vai sendo habitual noutros vinhos.

A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tinto da Talha Grande Escolha, Touriga Nacional e Alicante Bouschet 2009 (T)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Roquevale - Sociedade Agrícola da Herdade da Madeira
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 5,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

No meu copo 695 - Luís Pato Vinhas Velhas 2004

Quem tem pachorra para nos ler sabe que gostamos de vinhos velhos. E que gostamos de vinhos da Bairrada. E que gostamos ainda mais de vinhos velhos da Bairrada. E que gostamos particularmente dos de Luís Pato, o “Senhor Baga”.

É dum destes que aqui se fala. Há umas colheitas mais recentes em casa, mas este foi considerado como estando na hora de ir para o copo.

Temos bebido grandes vinhos de Luís Pato, que têm sempre a capacidade de nos surpreender, mas desta vez não foi o caso. Talvez estivesse num patamar de evolução menos favorável – é sabido que os vinhos têm ciclos com altos e baixos mesmo dentro da garrafa, mas como nós não estamos dentro da garrafa só podemos sabê-lo depois de a termos aberto. E como voltar a pôr o vinho na garrafa não é opção, há que bebê-lo como estiver.

Não estava estragado, passado, morto, oxidado, demasiado evoluído, nada disso. Apenas pouco expressivo, com os aromas muito discretos, acidez pouco vincada. Os taninos redondos mas talvez demasiado escondidos. Algo liso e com final discreto.

Vinificado em cubas de inox durante 10 dias, foi amadurecido em pipos usados (de 650 L) durante 12 meses.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Luís Pato Vinhas Velhas 2004 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Luís Pato
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Baga
Preço: 10,39 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

No meu copo 694 - Vinha da Nora 2005

Este também é uma repetição, e foi provado na mesma ocasião do Vallado Prima referido no post anterior.

A última prova desta colheita (e última com este nome, pois em 2006 já apareceu com o novo rótulo e com o actual nome, Lybra) já tinha acontecido há alguns anos, mas ainda sobreviveram duas garrafas (e ainda se encontram por aí no mercado), que resolvi deixar para abrir em ocasião que o justificasse. E nada melhor que fazê-lo em boa companhia e a acompanhar uns belos bifes à café.

Começámos por deparar-nos com dificuldades inultrapassáveis na remoção da rolha, que se recusou a sair do gargalo e nem com todos os artefactos disponíveis foi possível extrair inteira. Depois de meio esfarelada e extraída em vários pedaços, a parte final teve de ser empurrada para dentro da garrafa. Seguiu-se a inevitável operação de decantação e filtragem para outro recipiente, para nos livrarmos dos restos de rolha que boiavam.

Como esta situação já aconteceu antes, não fiquei nada preocupado com o facto de ter empurrado a rolha para dentro do vinho, uma vez que depois de arejado ele acaba sempre por recuperar. E assim voltou a acontecer. Nem sinal de contaminação pela rolha, com os aromas muito limpos e a cor bastante concentrada.

Já se falou deste vinho por várias vezes neste blog, pelo que não há muito para acrescentar pelas suas características. Há muitos anos que o baptizei como vinho aristocrático (um adjectivo que é mais ou menos transversal a todos os vinhos da casa) e mais uma vez confirmei essa impressão. Para um vinho com 13 anos, sujeito a este mau trato na abertura, a saúde, juventude, concentração e acidez com que se apresentou são notáveis, e só confirmam estar-se em presença dum vinho de grande nível, que se pode beber com qualquer idade. Este não mostrou quaisquer sinais de envelhecimento precoce nem declínio, parecendo ter apenas uma meia-dúzia de anos. Está ali para durar, a julgar por aquilo que se bebeu.

De resto, é um vinho que se bate estoicamente com as marcas mais prestigiadas (e mais caras) da casa, e, não me canso de dizê-lo, dos melhores exemplares do Syrah produzido em Portugal. O Lybra manteve esta linha e tradição, mas a memória deste Vinha da Nora é daquelas que perduram no tempo.

Mais um grande vinho! Se o encontrarem à venda, não hesitem: comprem-no. Ou então avisem-me para eu ir lá comprá-lo!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Nora 2005 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,24 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 12 de agosto de 2018

No meu copo 693 - Vallado Prima 2016

Não é habitual repetirmos uma prova do mesmo vinho aqui no blog com apenas um ano de intervalo, mas desta vez não resisti a publicar esta nota. Tive oportunidade de voltar a provar este vinho na companhia dum apreciador que ainda não o tinha provado, e ambos ficámos rendidos.

Este é daqueles vinhos que encantam à primeira prova! Uma elegância, uma finesse, uma delicadeza no paladar só ao alcance dos grandes vinhos! Confirmou – e reforçou – todas as impressões da prova anterior. Grande branco! Obrigatório ter na garrafeira.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vallado Prima 2016
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 6,59 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

No meu copo 692 - João Portugal Ramos, Loureiro 2014 e 2017

Voltamos ao universo dos vinhos de João Portugal Ramos, agora com duas colheitas do verde monocasta elaborado com Loureiro.

Se o Alvarinho é o ex-libris de toda a região dos Vinhos Verdes e a casta emblemática de Monção e Melgaço, o Loureiro é-o em Ponte de Lima e Ponte da Barca. Juntas fazem muito bons lotes, mas o Loureiro tem ganho algum protagonismo e saído da sombra, permitindo-nos apreciar as suas características a solo.

Na realidade, este vinho não é 100% Loureiro, pois contém 15% de Alvarinho no lote, percentagem que segundo a legislação portuguesa permite denominá-lo como monocasta.

Estas duas colheitas não estavam muito diferentes, embora a de 2014 já mostrasse menos intensidade aromática. No conjunto, mostraram-se dois vinhos elegantes, com aromas predominantemente florais e algum cítrico (lima, limão), com uma discreta mineralidade.

É um vinho descomplicado, para beber descomplicadamente. Aprecie-se com saladas, entradas frias ou mariscos e fará um par perfeito numa tarde ou noite de Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Vinho Verde
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Preço em feira de vinhos: 2,84 €

Vinho: João Portugal Ramos, Loureiro 2014 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Loureiro (85%), Alvarinho (15%)
Nota (0 a 10): 7

Vinho: João Portugal Ramos, Loureiro 2017 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Loureiro (85%), Alvarinho (15%)
Nota (0 a 10): 7


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

sábado, 4 de agosto de 2018

No meu copo 691 - Portal do Fidalgo, Alvarinho 2011

Comprei este vinho em 2017, na garrafeira Néctar das Avenidas, mais por curiosidade do que outra coisa. Tratava-se de perceber se um Alvarinho de 2011 aguentava a prova do tempo com galhardia. É sabido que muitos brancos não são feitos para envelhecer, mas é mais ou menos consensual que os monocasta Alvarinho são dos que se aguentam melhor sem perda de qualidade.

A cor apareceu já carregada, um amarelo-palha quase a tender para o mel, e o aroma bastante contido e com alguns sinais de redução. Mas isto foi só na primeira impressão ao cair dentro do copo. Passados alguns minutos, e depois de servido o segundo copo, o vinho começou a mostrar-se na plenitude. Os aromas tropicais sobressaíram, a acidez também e pouco a pouco revelou-se uma explosão de sabores que mostraram um Alvarinho adulto e em grande forma.

Já não tinha aqueles aromas primários da juventude mas foi revelando cada vez mais complexidade, muita vivacidade e estrutura na prova de boca e um final vibrante e persistente.

Muito bem! Passou com distinção.

Confirmou-se como um dos obrigatórios na nossa lista de preferências.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Portal do Fidalgo, Alvarinho 2011 (B)
Região: Vinho Verde (Monção)
Produtor: Provam - Produtores de Vinhos Alvarinho de Monção
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

No meu copo 690 - 3 Podas 2015

No rótulo aprecem 3 caras mais ou menos conhecidas do grande público. 3 actores, 3 humoristas: António Raminhos, Luís Filipe Borges e Pedro Fernandes, que deram as suas caras e nomes para baptizar este vinho.

Descontando o evidente trocadilho malicioso com o nome do vinho (traz uma etiqueta no gargalo com a inscrição “3 podas: aguentas?”) e o tom jocoso das indicações do contra-rótulo (“se você souber abrir uma garrafa como deve ser nem sequer vai saber a rolha”; “Acompanha bem qualquer tipo de carnes. Aliás, Quanto mais beber, mais bonitas e tenras lhe vão parecer as carnes”), falemos um pouco deste vinho que me veio parar às mãos no final duma visita ao restaurante da Quinta do Gradil para um delicioso e suculento jantar (qualquer dia será contado com mais pormenor).

Elaborado com 3 castas estrangeiras (Syrah, Petit Verdot e Tannat), apresenta um aroma intenso a frutos pretos e do bosque. Encorpado e longo na boca, mostra-se suave com taninos macios e final redondo e persistente.

Embora apresentado em tom de brincadeira, é um vinho bastante sério.

Mais informações sobre o conceito do vinho aqui.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: 3 Podas 2015 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil, Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Syrah, Petit Verdot, Tannat
Preço: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor

domingo, 29 de julho de 2018

No meu copo 689 - Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012

Continuamos na vasta região vitivinícola de Lisboa, agora rumando bem mais para norte, para um dos nomes mais importantes da região.

A Quinta do Gradil, situada junto à povoação de Vilar, próxima do Cadaval, possui um largo portefólio de vinhos brancos, tintos e rosés, com destaque para vários mono ou bi-varietais, geralmente com uma qualidade acima da média. Já aqui provámos mais de uma vez o belíssimo branco de Arinto e Sauvignon Blanc, um dos nossos preferidos e que nunca nos deixou ficar mal, e já estivemos no restaurante da quinta, mas dessa ocasião falaremos oportunamente.

Desta vez falamos dum tinto monocasta Petit Verdot, uma casta originária de Bordéus que tem vindo a aparecer de modo algo esparso em Portugal, sendo poucos os produtores que apostam nela a solo. Já provámos um do Esporão e pouco mais que isso.

É uma casta que talvez ainda não esteja tão bem estudada como outras, e por isso aparece timidamente. Mas as provas realizadas são satisfatórias. Os vinhos são bastante encorpados, de cor grená opaca, mostrando-se de aroma fechado no início e com os taninos algo agrestes.

Esta colheita de 2012 precisou de respirar algum tempo para se mostrar no copo. Algum tempo depois de aberto os aromas libertaram-se e o corpo amaciou, mostrando-se então mais redondo e suave. Na boca uma estrutura robusta envolvia taninos bem firmes mas já mais redondos, com persistência num fim de boca longo. No aroma mostrou notas de fruta preta e do bosque, com madeira muito discreta.

É um vinho para acompanhar pratos exigentes de carne, bem temperados, pois a sua estrutura e acidez batem-se bem com temperos desafiantes. Tudo intenso mas sem exageros, sem ser daqueles vinhos muito extraídos e cansativos. E com um preço bastante simpático para aquilo que temos na garrafa.

Prova do tempo superada com distinção, pois mostrou ainda evidentes sinais de juventude.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil, Petit Verdot 2012 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil, Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13%
Casta: Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de julho de 2018

No meu copo 688 - HM Lisboa branco 2016; HM Lisboa branco 2017

Às portas de Lisboa surgiu um projecto dum “ainda” jovem enólogo que colabora com a Quinta das Carrafouchas, em Loures, e com a Quinta da Murta, ambas nas proximidades de Bucelas.

Hugo Mendes resolveu lançar-se num projecto individual, para o qual angariou alguns patronos que ajudaram a colocar o projecto em andamento. O primeiro vinho a ser colocado no mercado foi o HM Lisboa 2016, um vinho regional de Lisboa elaborado com duas castas emblemáticas da região, Arinto e Fernão Pires.

As primeiras garrafas foram disponibilizadas há cerca de um ano, tendo-se o vinho apresentado ainda algo delgado e curto de aroma. Foi feita uma segunda prova mais recentemente, já em 2018, e embora tivesse crescido claramente, o vinho mostrou-se ainda algo “cru”, claramente a precisar de crescer e ganhar um pouco de complexidade. Também apresentou um grau alcoólico bastante reduzido, o que pode não ter ajudado a dar-lhe um pouco mais de vivacidade.

Entretanto surgiu a colheita de 2017, que chegou às nossas mãos há poucas semanas. Já tive oportunidade de provar uma garrafa, e este mostrou-se claramente superior. Um vinho mais adulto, mais estruturado, com aromas cítricos e florais mais intensos e vivos, com melhor prova de boca e a mostrar também que está ali para crescer. O final é bem mais prolongado e vibrante, na boa tradição dos vinhos “made in” Bucelas, embora não seja um DOC Bucelas. Mas a marca indelével do Arinto está lá bem impressa. Podia perfeitamente ser um DOC Bucelas que certamente as sensações não seriam muito diferentes. O Fernão Pires aparece aqui como um complemento importante (a casta entra em 40% do lote), conferindo-lhe um acréscimo de estrutura que transmite mais personalidade ao vinho. 30% do lote fermentou em barricas de carvalho francês usadas.

Penso que o Hugo terá encontrado nesta segunda colheita o caminho para a fórmula certa, e esse caminho terá com certeza um bom destino.

Vamos continuar a acompanhar este projecto que é bem interessante e tem tudo para crescer e impor-se junto dos aficionados do Arinto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa
Produtor: Hugo Mendes Wines

Vinho: HM Lisboa 2016 (B)
Grau alcoólico: 11%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 9 € (patronos)
Nota (0 a 10): 7

Vinho: HM Lisboa 2017 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 8 € (patronos)
Nota (0 a 10): 8

domingo, 22 de julho de 2018

No meu copo 687 - Quinta de S. Sebastião tinto 2014; branco 2016

Continuamos pela região vitivinícola de Lisboa, agora mas próximo de Arruda dos Vinhos, onde se encontra a Quinta de S. Sebastião, outro produtor emergente.

Tivemos oportunidade de provar um branco e um tinto, situados no mesmo patamar de preços.

Desta vez o branco agradou mais. Com uma cor dourada bem vincada, mostrou um bom aroma a frutos do pomar, com boa acidez, elegância na boca e persistência média. O lote de castas usadas deu um conjunto com um ligeiro toque floral e com notas tropicais do Sauvignon Blanc muito discretas.

O tinto agradou menos. Pareceu faltar-lhe alguma garra. Muito encorpado na boca, mas ao mesmo tempo algo liso, talvez com pouca acidez, e com a fruta a aparecer com sinais de sobrematuração. A cor é muito carregada e concentrada, o que confirma as impressões gustativas.

Talvez seja um perfil a precisar de ser revisto e afinado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Arruda)
Produtor: Quinta de S. Sebastião

Vinho: Quinta de S. Sebastião 2014 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Cercial, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta de S. Sebastião 2016 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Porque é que as garrafas de vinho têm a capacidade de 75 cl?


Já alguma vez se perguntaram porque é este o tamanho normal duma garrafa de vinho? E a chamada “meia garrafa” é metade disto, ou seja, 37,5 cl, e a magnum 1,5 L?

Sendo mais ou menos universal a utilização de unidades de medida padrão para comprimentos, volumes, pesos, temperaturas, etc., com base em metros, quilos e litros, implementadas com base em medidas relacionadas com o planeta ou substâncias existentes na natureza – e com a óbvia excepção dos países anglófonos que usam milhas, jardas, pés, polegadas, onças, libras e galões, e até inventaram as braças e os nós para medir a profundidade e a velocidade no mar, com base em medidas relacionadas com o corpo humano – podemos questionar-nos porque não têm as garrafas de vinho vulgares a capacidade de, por exemplo, 1 litro.

Esta capacidade foi normalizada no século XIX, e desde então surgiram as mais variadas explicações para este facto:

- A capacidade pulmonar dum vidreiro;
- O consumo médio numa refeição;
- Capacidade de conservar o vinho;
- Facilidade de transporte...

A verdade é bem mais simples e tem, como não podia deixar de ser, relação com as medidas imperiais britânicas. Desde há muito (veja-se o caso do vinho do Porto) que os principais clientes dos viticultores franceses eram os ingleses, que até hoje usam um sistema de medida diferente (ver nos jogos de ténis a indicação que um jogador serviu a 130 milhas por hora é uma coisa difícil de perceber...).

A unidade de volume para os ingleses era o galão imperial, que equivale a 4,54609 litros (vamos simplificar para 4,5 L). Para facilitar a conversão das medidas no transporte, este era feito em pipas de 50 galões, ou seja, cerca de 225 litros (medida ainda hoje utilizada para as barricas onde o vinho é estagiado).

Ora estes 225 litros correspondem a 300 garrafas de 75 cl, sendo que 300 é um número muito mais cómodo para efeitos de cálculo do que 225. Portanto, uma pipa de 50 galões comporta um número certo de 300 garrafas com a capacidade de 75 cl. Assim sendo, um galão corresponde a 6 garrafas, razão pela qual, até hoje, as caixas de vinho contêm habitualmente 6 ou 12 garrafas!

Simples... Ou não?

Vinho também é cultura.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 16 de julho de 2018

No meu copo 686 - Dory Reserva tinto 2013; Dory branco 2015

A região vitivinícola de Lisboa movimenta-se.

Por toda a extensa área aparecem produtores com vinhos de qualidade e ganham o seu espaço no mercado. Nomes como AdegaMãe, Casa Santos Lima, Companhia Agrícola do Sanguinhal, Enoport, Quinta do Monte d’Oiro, Quinta de Chocapalha, Quinta de Pancas, Quinta do Gradil, Quinta de Sant´Ana do Gradil, Wine Ventures, são alguns dos que se destacam no actual panorama com vinhos de qualidade e que deixaram definitivamente para trás a era do vinho a granel, muito e mau.

Hoje falamos pela primeira vez dum dos produtores mais recentes entre os referidos. A AdegaMãe surgiu próximo de Torres Vedras, na freguesia da Ventosa, pela mão do grupo Riberalves, dispondo de 30 hectares de vinha e uma capacidade de produção de 1,2 milhões de litros por ano.

Uma das suas marcas de destaque é esta, Dory. Composta por várias referências, tivemos oportunidade de provar recentemente o colheita branco e o Reserva tinto.

Sendo dois vinhos substancialmente diferentes no preço, o mesmo se verifica na qualidade. O Reserva tinto 2013 apresenta-se pujante, com aroma vinoso e alguma salinidade a fazer lembrar o ar atlântico, com notas de fruta madura. Na cor apresenta-se carregado e compacto, e na boca mostra uma estrutura envolvente, persistente e arredondada, com final fresco, intenso e longo. Muito bem no estado de evolução, mostrou estar num ponto óptimo de consumo com pratos de carne bem temperados e algo desafiantes.

O branco 2015, pelo contrário, mostrando a acidez e frescura habituais por estas paragens da Estremadura, apresentou-se delgado e de corpo, com aroma discreto, corpo médio e final suave mas curto. Nada de surpreendente dada a diferença de patamar entre os dois vinhos provados.

Dito isto, há que experimentar as alternativas, e investir no branco Reserva. A julgar pelo tinto, promete.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Torres Vedras)
Produtor: AdegaMãe, Soc. Agrícola

Vinho: Dory Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Dory 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Alvarinho, Arinto, Viognier
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7


sexta-feira, 13 de julho de 2018

No meu copo 685 - Pouca Roupa branco 2017

Continuamos no Alentejo e no universo João Portugal Ramos, com mais uma oferta gentilmente enviada pelo produtor.

Trata-se da mais recente colheita do Pouca Roupa branco, um vinho que tem vindo a melhorar e que parece ter atingido nesta versão de 2017 o ponto óptimo.

Bastante fresco e aromático, boa estrutura e final intenso e vibrante. Equilibrado na prova de boca, com notas de frutos cítricos e tropicais, medianamente seco.

Um vinho cujo nome casa perfeitamente com a época do ano que se quer com menos roupagem. Muito bem para o patamar em que se encontra, tem tudo para ganhar pontos nas preferências dos consumidores.

Este é mais um belo exemplo de como na planície alentejana se podem fazer belíssimos vinhos brancos que enganam o calor do interior. Sob o lema “Vista o Verão com Pouca Roupa”, a empresa aposta nesta gama para a época estival, lembrando que “O vinho Pouca Roupa é trendy, irreverente, ousado e obrigatório num jantar entre amigos. Na versão “branco” ideal para pratos de peixe, mariscos, carnes brancas ou pastas; na versão “rosé” um must para aperitivos ou culinária oriental.”

Entra para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pouca Roupa 2017 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Sauvignon Blanc, Verdelho
Preço em hipermercado: 3,85 €
Nota (0 a 10): 7,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor

terça-feira, 10 de julho de 2018

João Portugal Ramos, 25 anos - Adega Vila Santa (3ª parte)




Os 25 anos da João Portugal Ramos Vinhos ficam também assinalados por uma reconversão das instalações da Adega Vila Santa, no Monte da Caldeira, mesmo ao lado de Estremoz.

Numa visita que tivemos oportunidade de fazer ao monte, a convite da empresa, pudemos constatar as alterações introduzidas na zona dos lagares fermentação, na adega e na linha de engarrafamento.

Esta, principalmente, é um modelo exemplar de tecnologia ao serviço da distribuição: todo o processo de engarrafamento, rolhagem, rotulagem e embalamento das garrafas é completamente mecânico e automático, desde a colocação das garrafas na linha de engarrafamento a partir das paletes, até ao fecho das caixas com as garrafas. Pelo meio, claro, existem alguns operadores a controlar o percurso e a parar o sistema se houver... engarrafamento na linha de engarrafamento (uma caixa que dobra, uma garrafa que tomba...).

O actual projecto, denominado Caldeira 6 (o primeiro foi em 1997) consiste também em concentrar todas as linhas de engarrafamento em Estremoz, incluindo aqui os projectos dos Vinhos Verdes, Duorum e Foz de Arouce. Simultaneamente estão a ser concluídos 6 novos lagares de cimento que já deverão ser utilizados para a pisa na próxima vindima.

Finalmente, o enólogo/produtor separou-se da Falua e encerrou o capítulo do seu projecto de vinhos no Tejo, embora ainda mantenha a mesma imagem nas garrafas durante os próximos dois anos.

Terminado o percurso pela adega e junto às vinhas, parámos num alpendre onde nos aguardavam alguns acepipes para aconchegar o estômago, como uma espécie de paté de caça, queijos e enchidos, acompanhados pelo mais recente espumante da casa, o Marquês de Borba bruto rosé 2014. Elaborado com duas castas tintas, Pinot Noir e Touriga Nacional, é um rosé seco, elegante e vibrante na boca, revelando uma boa frescura e vivacidade. Nota: 8

Passámos então à sala onde decorreu o almoço, onde os convidados foram distribuídos por quatro mesas indicadas nos rótulos de garrafas estrategicamente dispostas à entrada. Em cada mesa ficou pelo menos um representante da casa, e no meu caso tive a companhia duma das responsáveis pela exportação, Maria Pica, que já passou antes pela enologia.

O prato de entrada foi um bacalhau confitado sobre cama de caldo verde, acompanhado pelo novo Marquês de Borba Vinhas Velhas branco 2017. Esta nova marca já tem o dedo do filho mais velho de João Portugal Ramos, João Maria, que já participa activamente na enologia. Elaborado com Arinto, Antão Vaz, Alvarinho e Roupeiro, é um vinho com estrutura e com boa acidez mas que neste momento ainda está demasiado marcado pela madeira. Precisa claramente de tempo em garrafa para crescer e amaciar. Nota: 7

Seguiu-se o prato de carne, galinhola estufada (uma delícia), que foi acompanhada por dois tintos: um vinho surpresa, servido a partir de decanter para não criar expectativas antecipadas, e que se revelou ser o mais recente Marquês de Borba DOC tinto 2017, que a partir de agora passará a ostentar a palavra “Colheita” no rótulo. João Portugal Ramos explicou que considera esta uma das melhores colheitas já realizadas do Marquês de Borba, pelo que resolveu dá-lo a conhecer neste almoço. Foi elaborado com as castas Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot e Merlot, tendo estagiado em meias pipas de carvalho. Apresentou-se bastante frasco e aromático, com aroma intenso a frutos vermelhos maduros, com taninos redondos e suaves. Continua a ser uma referência nesta gama de vinhos. Nota: 7,5

Em seguida um dos vinhos mais esperados do dia, o Marquês de Borba Vinhas Velhas tinto 2016, já referido no post anterior.

Para terminar, uma repetição do jantar comemorativo dos 25 anos, o Porto Vintage Dourum 2007. Excelente como sempre. Nota: 8,5

Foi uma magnífica e agradável jornada, a qual agradecemos a toda a equipa da João Portugal Ramos Vinhos e em especial ao enólogo-produtor, que ainda nos agradeceu no final por termos lá estado. Nós é que agradecemos por toda a simpatia com que nos têm tratado, com uma palavra para Marta Lopes que nos mantém sempre em contacto. Só podemos deixar aqui uma enorme vénia a esta família e a esta equipa, e os votos de que venham pelo menos outros 25 anos com tanto ou mais sucesso como até aqui.

O nosso muitíssimo obrigado, e até ao próximo evento ou ao próximo vinho.

Kroniketas, enófilo itinerante

Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

quarta-feira, 4 de julho de 2018

No meu copo 684 - Marquês de Borba Vinhas Velhas tinto 2016

No seguimento da recente visita à Adega Vila Santa, onde fomos presenteados com uma garrafa do novo Marquês de Borba Vinhas Velhas branco e outra de tinto, já tive oportunidade de provar o tinto em casa.

Ainda na senda dos 25 anos, que ficou igualmente marcada pela reestruturação da adega, foi lançada esta nova marca, já com a mão do filho mais velho, João Maria.

É um vinho mais estruturado que o Marquês de Borba colheita, com uma intensidade aromática mais evidente, com notas de frutos pretos e especiarias. Na boca é encorpado e estruturado, com um final longo e com taninos bem firmes mas já suaves. Fermentou em lagares de mármore, com pisa a pé, estagiando posteriormente um ano em barricas de carvalho francês e americano.

Embora seja já perfeitamente bebível, é um vinho com características para crescer em garrafa, que lhe deve proporcionar alguma complexidade acrescida.

O preço é ambicioso, pelo que precisa de se afirmar neste patamar de preços, onde tem concorrência de peso.

Quanto ao branco, de que também temos uma garrafa, vai esperar pelo menos um ano, pois está claramente a precisar de amaciar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2016 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Syrah
Preço: 15 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor

sexta-feira, 29 de junho de 2018

João Portugal Ramos, 25 anos - Jantar comemorativo (2ª parte)




As comemorações dos 25 anos de actividade ocorreram em Setembro de 2017 com um jantar no Palácio da Cidadela de Cascais. Começou cá fora, com a degustação de entradas e espumante em convívio descontraído, embora houvesse um dress code que exigia o uso de fato e gravata. Mas a ocasião assim o justificava.

Perante uma plateia cheia com algumas centenas de pessoas, onde se encontravam familiares, colaboradores, jornalistas, empresários, bloggers, entidades do sector vinícola e até o Ministro da Economia, e naturalmente também José Maria Soares Franco, foram feitas algumas intervenções e uma breve apresentação de slides que resumia o percurso de João Portugal Ramos.

No discurso de boas-vindas, o enólogo-produtor destacou a qualidade dos vinhos nacionais e chamou a atenção para a importância da nossa afirmação como país de vinhos, antes da afirmação das regiões dada a nossa dimensão. Nada que não se saiba já mas que nunca é demais lembrar. Por sua vez, o Ministro da Economia destacou o bom momento económico do país e do sector vinícola em particular, com ênfase nas exportações.

O serão foi longo e constou de 3 pratos e 3 vinhos, e principalmente de muita conversa à mesa. Em cada mesa estava pelo menos um representante da equipa nas suas diversas valências.

Para além do espumante Alvarinho Reserva Bruto Natural 2014, degustado na entrada, provou-se o Vila Santa Reserva branco 2016 com o prato de peixe, o Marquês de Borba Reserva tinto 2011 com o prato de carne e para finalizar provou-se um Porto Vintage Duorum 2007.

Mais importante que a descrição dos vinhos foi o convívio. No entanto, o vinho continua a ser o mote principal da conversa, pelo que se impõe deixar umas breves palavras sobre os líquidos degustados.

O espumante João Portugal Ramos Alvarinho Reserva Bruto Natural 2014 foi uma belíssima surpresa para começar. Já tinha surpreendido há uns anos aquando da apresentação do seu verde Alvarinho, e agora este espumante seguiu-lhe as pisadas. Muito fresco, vivo e intenso, de bolha fina e persistente e muito elegante na boca revelou-se uma óptima escolha não só para as entradas mas também para a época do ano, com o Verão a despedir-se. Nota: 8

Já no jantar, o Vila Santa Reserva branco 2016 apresentou-se com persistência média, com um toque de citrinos e também de frutos tropicais. Boa estrutura na boca embora ainda um pouco marcado pela madeira. Elaborado com Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc, tem tudo para dar certo mas talvez precise de mais algum tempo em garrafa. Nota: 7,5

Já o Marquês de Borba Reserva tinto 2011 foi uma das estrelas. É um grande vinho cujo único defeito, neste caso, foi o pouco tempo que teve para ser degustado. Num evento com estas características, vinhos destes ficam sempre um pouco penalizados pela rotação dos pratos e dos vinhos. Este é claramente dos que precisam de ser decantados, servidos e degustados pachorrentamente, à boa maneira alentejana, ao longo da refeição para lhe descobrir todos os segredos. É estruturado, robusto, persistente, com taninos bem firmes mas domados por um corpo que nunca mais acaba. Só lhe faltou tempo. Nota: 8,5

Finalmente, um Porto Vintage Duorum 2007 para fim de festa. Mais um belíssimo vinho, encorpado, cheio, robusto, ainda muito jovem e vivo nos seus 10 anos de idade. Uma bela forma de terminar o serão. Nota: 8,5

Para a despedida ainda fomos brindados com a garrafa cujo conteúdo pude finalmente apreciar recentemente, e cuja descrição se fez no post anterior.

Kroniketas, enófilo em celebração

Fotos das garrafas obtidas no site do produtor