segunda-feira, 26 de setembro de 2016

No meu copo 552 - Tapada de Coelheiros 2008

Este é um clássico do Alentejo, um dos vinhos mais afamados da região já com uma longa história.

Foi aberto e degustado numa ocasião especial, a acompanhar uns deliciosos bifes de lombo de novilho, e fez parelha com um parceiro de ocasião igualmente especial, que será referido no próximo post.

Foi decantado com cerca de duas horas de antecedência e arrefecido para ficar à temperatura apropriada. A cor apresentou-se granada com ligeira evolução, tons acastanhados ainda não muito marcados mas já bem visíveis na orla do decanter (menos evidentes no copo).

No aroma mostrou aromas secundários, frutos vermelhos discretos e ligeira especiaria Na boca mostrou-se encorpado, complexo e envolvente, persistente e longo, com um final onde os taninos aparecem redondos mas bem presentes.

Para um vinho com quase 8 anos de idade, mostrou uma saúde invejável e pareceu estar num patamar óptimo de evolução. Poderia certamente aguentar muitos mais anos em garrafa, mas foi consumido num ponto bastante favorável, pelo que não se perdeu nada em bebê-lo agora.

Dentro desta gama de preços, é um valor seguro e em que vale a pena apostar para deixar repousar na garrafeira. Vai para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tapada de Coelheiros 2008 (T)
Região: Alentejo (Arraiolos)
Produtor: Herdade dos Coelheiros, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 13,59 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

No meu copo 551 - A Jovem Calda Bordaleza 2011

Este é mais um vinho produzido sob a batuta de Carlos Campolargo e a fugir ao padrão tradicional da Bairrada. Neste caso, como o próprio nome indica, pretende-se obter um vinho de perfil bordalês, e assim se compreende a inclusão unicamente de castas francesas, com duas delas – Cabernet Sauvignon e Merlot – a constituírem a base dos vinhos tintos da região de Bordéus.

Fez a fermentação alcoólica separada por castas, com desengace total, em pequenos lagares com pisa mecânica ou manual, e fermentação maloláctica em madeira nova e usada. Estagiou depois em barricas de carvalho francês até 14 meses.

Apresenta uma cor rubi concentrada, aroma a frutos vermelhos com algumas notas compotadas e um ligeiro toque balsâmico. Na boca é fresco e envolvente, com boa acidez e final persistente e elegante.

É de facto um vinho de perfil menos habitual naquelas paragens mas que, mesmo não sendo extraordinário, vale a pena conhecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: A Jovem Calda Bordaleza 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 18 de setembro de 2016

No meu copo 550 - Paço dos Cunhas de Santar Nature 2012

Foi a segunda prova que tive oportunidade de fazer deste vinho, depois da colheita de 2010. Esta garrafa da colheita de 2012, adquirida com a Revista de Vinhos, mostrou o mesmo perfil da anterior.

Frutado, elegante, aromático e persistente, muito equilibrado entre todas as componentes. Um vinho muito agradável, com o perfil dos melhores e mais típicos tintos do Dão, por um preço simpático para a qualidade que tem. Recomenda-se sem hesitações, e está na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Paço dos Cunhas de Santar Nature 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Paço de Santar - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

No meu copo 549 - Marquês dos Vales Primeira Selecção branco 2013

Na sequência de algumas provas de vinhos do Algarve provados o ano passado, ainda ficou este, proveniente de Estômbar, no concelho de Lagoa. A Quinta dos Vales tem merecido algum destaque na imprensa da especialidade devido ao seu enquadramento paisagístico e ao modo como está decorada, com esculturas diversas a marcar o espaço, conjugando a arte com a vitivinicultura e o turismo.

Este branco apresenta-se medianamente encorpado, com acidez média e final persistente, mostrando alguma complexidade na boca a par com uma certa suavidade e delicadeza. Foi provado a acompanhar uma caldeirada e cumpriu bem a função. Esta combinação de castas, embora não lhe confira um aroma muito exuberante, dá-lhe alguma estrutura e torna-o adequado para confecções de peixe não muito simples.

No panorama dos vinhos algarvios, poderá posicionar-se num patamar de qualidade médio-alto. É interessante e merecerá ser degustado com calma e paciência. Atenção à temperatura: deve ser bebido bem fresco para se expressar em pleno.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Marquês dos Vales Primeira Selecção 2013 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Quinta dos Vales
Grau alcoólico: 12%
Castas: Alvarinho, Viognier, Arinto, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 10 de setembro de 2016

No meu copo 548 - Quinta da Calçada Reserva 2013

Produzido em Amarante, com fermentação e estágio em barricas de carvalho francês durante 9 meses.

No aroma apresenta notas citrinas com algum tostado. Na boca é equilibrado, suave e com alguma frescura, embora pareça que lhe falta mais qualquer coisa para dar um salto qualitativo.

Bebe-se bem, mas não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Calçada Reserva 2013 (B)
Região: Regional Minho
Produtor: Agrimota, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 12%
Castas: Alvarinho, Loureiro, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 3 de setembro de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (6ª parte)

Quinta das Bandeiras




Terceiro e último dia.

Bagagem arrumada e transportada para o autocarro, onde irá permanecer até apanharmos o comboio no Porto para o regresso a Lisboa.

O percurso começa já em direcção a norte e dura poucos minutos, até voltarmos a um percurso pedonal: vamos visitar a Quinta das Bandeiras, propriedade de Sophia e Tim Bergqvist e integrada no projecto da Quinta de La Rosa, onde o enólogo é o conhecido Jorge Moreira, autor dos vinhos Poeira em produção própria e enólogo residente na Real Companhia Velha.

Vamos subir e descer, por entre vinhas, montes, vales e por baixo dos enormes cabos de alta tensão que atravessam o monte. Na vinha, as uvas começam a despontar e já se vêem cachos com frutos pouco maiores que uma cabeça de alfinete – um bom desafio para os mais bem equipados para a fotografia tirada com detalhe.

Quando se acaba de subir, dum lado vê-se lá em baixo o Centro de Alto Rendimento onde estivemos alojados, no Pocinho, e em frente vislumbram-se algumas edificações antigas... da Quinta do Vale Meão. Ali só com calçado desportivo, e com veículos todo-o-terreno.

Desce-se, desce-se e desce-se. Curva e contracurva. As vinhas desaparecem a aparece vegetação mais densa. O caminho é íngreme e tortuoso, o que de repente me levanta a dúvida inquietante: será que vamos ter de fazer o caminho de regresso da mesma forma??? Felizmente não, porque o percurso vai terminar no fundo da encosta contrária e junto à estrada nacional que nos levará em direcção ao Porto.

As conversas sucedem-se sobre vinhas, sobre vinho, sobre caça, sobre árvores e terrenos, e até sobre linhas do caminho-de-ferro. Já quase chegados ao nosso destino atravessamos uma velha linha férrea que em tempos serviu para os comboios contornarem os montes...

Finalmente chegamos cá abaixo e do outro lado do rio temos a Quinta do Vale Meão. Num baixio mais plano foi montada uma espécie de tenda com duas mesas para almoçarmos. Jorge Moreira assume o topo de uma das mesas e vai contar-nos a história dos vinhos que iremos provar.

É nesta altura, quando estamos a provar o excelente Passagem Reserva branco, que somos informados em primeira mão de que este vinho foi o vencedor do concurso de vinhos na categoria de brancos. Provámos o Passagem Reserva branco, o Reserva tinto e o Grande Reserva tinto e um Porto LBV e um Porto Vintage. No prato, o destaque foi para um delicioso lombo de vitela com batatas assadas e salada.

Pela amostra, ficou a sensação de que este projecto tem boas pernas para andar, pois os vinhos provados foram excelentes e prometem impor-se no panorama dos vinhos do Douro. Na caso do Passagem Reserva branco, em especial, agradou-me particularmente, e pelo preço de venda indicado (10,20 €) pode ir longe.

Fim do almoço, é altura de atravessar a estrada e apanhar o autocarro que nos espera para nos levar ao Porto. Obrigado a todos os que nos receberam e acompanharam, obrigado aos companheiros de viagem pelo excelente convívio e, naturalmente obrigado à organização, com destaque para a incansável Joana Pratas, e à Revista de Vinhos pelo convite que me foi enviado para participar nesta experiência inédita.

Até uma próxima oportunidade.

Kroniketas, enófilo viajante


Foto dos vinhos vencedores do concurso: Ricardo Palma Veiga

Quinta de la Rosa
5085-215 Pinhão
Tel. 254.732.254

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (5ª parte)

Quinta da Terrincha




Final de tarde do segundo dia. Após a visita ao festival de vinhos, rumámos à Quinta da Terrincha, um espaço de enoturismo a norte de Torre de Moncorvo e numa zona mais plana onde se vislumbra um afluente do rio Sabor a correr de forma pachorrenta por entre margens mais baixas.

Há ali não propriamente um vale, numa garganta entre margens apertadas como no coração das quintas visitadas no Douro Superior, mas uma espécie de planície entre montanhas, com uma vista mais desafogada. Junto à estrada que nos conduz para norte, fica esta quinta que está concebida para permitir desfrutar dos prazeres do repouso e da paisagem que se estende para oeste.

Há edifícios para alojamento com apartamentos semelhantes a uma residência, com todas as comodidades para o visitante se sentir em casa. Há um terreno com vinha para produção própria de vinho, há uma piscina e há um restaurante na suave encosta donde se pode contemplar a estrada mais abaixo e as montanhas ao longe. O local é quase paradisíaco e convida à preguiça. Mesmo ao lado do restaurante há um terraço onde se pode permanecer em amena cavaqueira e onde começamos a provar o branco, tinto e rosé da casa e provar os primeiros petiscos antes do jantar que se aproxima. Mas uma deliciosa açorda de perdiz faz-me perder a contenção e faço do petisco o pré-jantar, quase dispensando o que virá a seguir.

Já com a noite a cair entramos no restaurante totalmente envidraçado, onde iremos provar peixinhos do rio em escabeche com açorda de espargos bravos e polvo afogado em azeite biológico produzido na quinta. Mas já não há estômago para mais depois da ronda pela açorda de perdiz... Pelas paredes envidraçadas do restaurante vemos o dia despedir-se na paisagem bucólica que nos rodeia.

Quando chega a hora de regressar ao alojamento no Centro de Alto Rendimento, no Pocinho, fica a vontade de voltar a este empreendimento onde a simpatia impera e, se nos esquecermos do calor que aperta e do Verão que convida à praia, onde se pode estar apenas a pensar na natureza e no silêncio que nos rodeia e faz esquecer o bulício da grande cidade.

Fica, quiçá, a promessa de não ser um adeus mas um até qualquer dia.

Kroniketas, enófilo viajante

Fotos: Ricardo Palma Veiga

Quinta da Terrincha - Sociedade Agrícola, S.A.
Estrada Nacional 102
5160-002 Adeganha
Torre de Moncorvo
Tel. 279.979.525

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (4ª parte)

Quinta da Cabreira




Segundo dia.

Depois da votação no Concurso de Vinhos do Douro Superior durante a parte da manhã, rumámos para leste, na direcção de Castelo Melhor, embrenhando-nos pela primeira vez nas “profundezas” do Douro Superior, para a meio do percurso fazermos um transbordo para duas carrinhas de caixa aberta que nos levaram durante vários quilómetros de terra batida (que pareciam intermináveis...), pelo meio de vinhas, por muitos montes e alguns vales, até à Quinta da Cabreira, propriedade da Quinta do Crasto.

Várias paragens durante o percurso para ouvir algumas explicações dadas pelos membros da equipa que ali trabalha, com o enólogo Manuel Lobo de Vasconcelos à cabeça. Subimos, descemos, cruzámos caminhos já percorridos e por fim chegámos ao topo! Ali está-se, literalmente, no meio de nada! Acima de nós, o céu; algumas centenas de metros abaixo, o Douro. Estamos na margem esquerda e aqui, para os mais místicos e que acreditam nessas coisas, parece que estamos mais perto de Deus. Não é o meu caso, que sou ateu, mas a ideia ocorreu-me.

Há um casão, armazém, para os trabalhos na vinha a pouco mais. Não há casa de banho, pelo que os mais aflitos dão uma escapadela para trás do casão e lavam as mãos na água duma mangueira.

Somos recebidos pelo proprietário Jorge Roquette que faz as honras da casa, enquanto nos dispersamos por uma mesa disposta ao comprido mesmo no cimo do monte: vamos almoçar a 400 metros de altitude, com o Douro a correr pachorrentamente lá em baixo. O calor é quase sufocante nestas paragens, donde só se vislumbra, para além das muitas vinhas, montanha e mais montanha. Confirma-se in loco que no Douro Superior há um microclima em que as temperaturas máximas, mesmo em altitude, atingem valores impensáveis. Felizmente dispuseram uns chapéus-de-sol de esplanada para nos resguardar, mas mesmo assim muitos dos presentes almoçam com o chapéu de palha que nos ofereceram posto na cabeça...

Come-se um caldo verde e arroz de pato enquanto se degustam três vinhos da Quinta do Crasto: o Crasto Superior branco, muito fresco e com muito boa acidez, bem estruturado mas elegante, o Crasto Superior tinto, que já conhecia, e um surpreendente Crasto Superior Syrah, que se porta muito bem e revela uma personalidade inesperada. São vinhos elaborados com uvas precisamente dali, da Quinta da Cabreira. Termina-se, nas sobremesas, com um Porto LBV.

Não apetecia sair dali, mas a tarde corre depressa e ainda vamos visitar o pavilhão da Expocôa para dar uma volta pelo festival de vinhos, afinal o evento que deu o mote a todo este programa. Mas à saída, antes de voltarmos a subir para as carrinhas, ainda somos presenteados com uma caixa onde está uma garrafa de Crasto Superior branco e uma de Crasto Superior tinto.

Este foi um dos pontos altos (não só geograficamente falando) do nosso programa. Para mim, pelo menos, que nunca tinha estado no coração do Douro Superior, ali no meio das montanhas. É uma ocasião para recordar, e nunca serão demais os agradecimentos a quem nos levou lá e a quem tão simpaticamente nos recebeu e nos falou da história e das histórias desta empresa.

Kroniketas, enófilo viajante

Fotos: Ricardo Palma Veiga

Quinta do Crasto
Gouvinhas
5060-063 Sabrosa
Tel. 254.920.020

domingo, 21 de agosto de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (3ª parte)

Muxagat Vinhos







A etapa da tarde passou por uma visita à garrafeira Vinho & Eventos, na Mêda, a sul de Foz Côa, antes de assentarmos arraiais na adega da Muxagat Vinhos, onde fomos recebidos pela nova proprietária, Susana Lopes.

Este produtor merece uma apresentação prévia, uma vez que começou por ser criado por um dos filhos de João Nicolau de Almeida, neste caso Mateus Nicolau de Almeida, que produziu os primeiros vinhos com esta marca, que depois se chamou Mux durante algum tempo antes de voltar à designação inicial.

Entretanto, os Nicolau de Almeida dedicaram-se a um projecto familiar, o pai João saiu da administração da Ramos Pinto, Mateus deixou a Muxagat Vinhos e os restantes filhos juntaram-se ao projecto Quinta do Monte Xisto. Assim, a Muxagat Vinhos mudou de mãos e de enólogo. Luís Seabra, que durante anos teve uma carreira bem sucedida na Niepoort, é agora o responsável pelos vinhos Muxagat. E foi com Luís Seabra que fizemos a prova na adega, a que se seguiu um jantar de cabrito assado acompanhado com os vinhos da casa.

Tivemos oportunidade de provar alguns vinhos ainda em cuba ou em barrica e não filtrados, nomeadamente um Tinta Barroca e um Tinta Francisca. A gama está agora mais vasta, com diversas referências em brancos, tintos e rosés.

Alguns dos vinhos provados estão retratados nas fotos que aqui deixamos, gentilmente cedidas pela organização. Não posso deixar de destacar o branco Xistos Altos 2012, um monocasta de Rabigato que fez as delícias dos presentes pela sua personalidade.

Foi um excelente serão, com um agradável convívio e muito bons vinhos, a mostrar que a empresa está em boas mãos e com muito caminho para se afirmar. Os vinhos provados prometem, e já se sabe que a mão de Luís Seabra costuma produzir bons resultados.

Obrigado a toda a equipa da Muxagat Vinhos pela simpatia com que nos receberam e toda a atenção que nos dispensaram.

Kroniketas, enófilo viajante

Fotos: Muxagat Vinhos e Ricardo Palma Veiga

Muxagat Vinhos, Lda
Av. Gago Coutinho e Sacadura Cabral
6430-183 Mêda
Tel. 279.883.009