quinta-feira, 27 de abril de 2017

No meu copo 599 - Quinta do Valdoeiro, Cabernet Sauvignon 2011

Já tinha saudades de beber um Cabernet assim, com um aroma clássico e a fugir da modernidade e dos exageros aromáticos dos pimentos. Apresentou notas especiarias, de cacau e frutos vermelhos, com boa estrutura e taninos firmes e redondos.

Na boca mostrou-se encorpado e persistente, com elegância e alguma adstringência contida, num conjunto muito equilibrado.

Estava num ponto óptimo de consumo, pelo que o tempo de garrafa lhe foi favorável, e revelou ser uma boa aposta das Caves Messias neste registo monocasta.

Para mim, que sou fã da Bairrada e do Cabernet Sauvignon, juntam-se nesta garrafa duas paixões para repetir.

Bom trabalho da Messias neste Quinta do Valdoeiro.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta do Valdoeiro, Cabernet Sauvignon 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8


terça-feira, 25 de abril de 2017

2 5




Penso que já aqui o referi - todas as datas comemorativas, por mais importantes que sejam, estão condenadas a perder uma boa parte do seu significado à medida que se perde a memória directa.

Portanto é aproveitar enquanto estamos vivos e nos lembramos das diferenças do antes e depois, e continuar a celebrar a Liberdade que o dia 25 de Abril de 1974 nos deu!

Bem haja quem o fez, bem haja quem o manteve!

Nós continuaremos por aqui, melhor ou pior, a debitar as nossas opiniões, políticas ou enófilas, sem medo de que alguém nos corte a palavra.

Tenham um excelente 25 de Abril.


tuguinho e Kroniketas, diletantes de cravo ao peito

domingo, 23 de abril de 2017

No meu copo 598 - Casa de Saima Garrafeira, Baga 2008

Adquirido na garrafeira Wines 9297, onde restava apenas uma meia-dúzia de exemplares, não resisti a experimentar este garrafeira da Casa de Saima, feito exclusivamente de Baga e a caminho dos 9 anos de idade. Talvez merecesse esperar mais uns anos, mas se ficamos todo o tempo à espera da melhor ocasião nunca sabemos quando ela chega.

Não tendo sido decantado, o que provou não ser a melhor opção, foi evoluindo como se esperava à medida que se esvaziava a garrafa.

Apresentou uma cor granada muito concentrada e no início mostrou-se muito fechado de aromas. À medida que se foi libertando revelaram-se aromas de compotas e frutos do bosque. Ao mesmo tempo foi mostrando mais acidez e estrutura, com alguma adstringência a ser amaciada.

No final, ficou a sensação de que se podia ter usufruído algo mais dando-lhe mais tempo para respirar, e estando mais tempo à mesa a apreciá-lo. Não houve tempo, mas numa próxima ocasião voltaremos a esta Casa de Saima, que agora ressurge sob a batuta de Paulo Nunes, o conhecido enólogo da Casa da Passarela.

Tal como aconteceu com outros produtores da Bairrada que estiveram como que “hibernados” durante algum tempo, este ressurge a querer ocupar o lugar que lhe deve pertencer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Casa de Saima Garrafeira, Baga 2008 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Graça Miranda
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Baga
Preço: 29,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 20 de abril de 2017

No meu copo 597 - Campobarro Reserva 2011

No seguimento do evento Extremadura/Alentejo, tive a possibilidade de provar um vinho, à minha escolha, que levei para casa. Dentro dos disponíveis escolhi uma das marcas mais referidas da noite, o Campobarro. Neste caso tratou-se de um monocasta de Tempranillo, a equivalente à nossa Tinta Roriz/Aragonês.

(Aliás, o nome Aragonês que lhe é dado no sul de Portugal talvez tenha a sua origem no reino de Aragão. Será?)

Foi uma escolha que de certa forma me surpreendeu, porque o vinho revelou um perfil algo diferente da maioria dos restantes, mas com as características que costumam ser típicas do Tempranillo nos vinhos mais a norte de Espanha, nomeadamente em Ribera del Duero.

Mostrou-se bem estruturado mas aberto, persistente, com final longo, um toque a especiarias e com predominância a frutos vermelhos. Mas o que mais me impressionou neste vinho foi a robustez e estrutura, em linha com os 14,5% de álcool que, apesar de tudo, estavam bem envolvidos no conjunto.

Em conclusão, um bom vinho, que deixa uma boa imagem desta região vitivinícola.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Campobarro Reserva 2011 (T)
Região: Ribera del Guadiana (Espanha)
Produtor: Bodega San Marcos
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Tempranillo
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 17 de abril de 2017

XIV Encontro de vinhos Extremadura/Alentejo



Em Outubro de 2016 decorreu no El Corte Inglés, em Lisboa, o evento Experimenta Extremadura EXT’16, numa organização da Junta de Extremadura com o objectivo de dar a conhecer aquela província espanhola. O certame contou com mostras de cinema, literatura, flamenco, cozinha e não podiam faltar os vinhos.

Neste âmbito, realizou-se no dia 25 de Outubro, no restaurante do 7º piso, o XIV Encontro de vinhos Extremadura/Alentejo numa organização conjunta da Câmara do Comércio da Extremadura e do Turismo de Portugal. Esta prova teve como finalidade permitir aos participantes fazer uma prova comparada dos vinhos alentejanos e os daquela região espanhola que é vizinha do Alentejo.

Foram também entregues os prémios Arabel aos vinhos seleccionados por um júri que contou com a presença de especialistas dos dois lados da fronteira, entre os quais Fernando Melo, da Revista de Vinhos.

Durante a prova foram servidos alguns acepipes, como tostas, queijo e presunto.

Dada a elevada quantidade de vinhos presentes, torna-se impossível mencionar aquilo que foi provado, pois tentou-se provar um pouco de tudo, com especial incidência nos vinhos de Espanha, pois a maioria dos alentejanos presentes já são sobejamente conhecidos.

O que resultou da prova realizada pode descrever-se assim: a maioria dos vinhos da Extremadura espanhola mostraram-se menos encorpados e mais macios que os portugueses, mas com menos intensidade aromática. Comparativamente, os alentejanos são mais robustos e encorpados e também mais exuberantes no aroma.

Houve alguns exemplares que me agradaram bastante, com destaque para os tintos da Bodega San Marcos. No final do evento os presentes puderam escolher um dos vinhos presentes para levar para casa.
Foi um evento interessante e agradável, não só por colocar em confronto duas regiões contíguas dos dois países mas particularmente pelo facto de dar a conhecer uma região vitivinícola de Espanha que não é das mais conhecidas, e que assim pôde mostrar o seu potencial.
Resta agradecer à empresa promotora “Message in a bottle” pelo convite e aos participantes no evento que nos proporcionaram esta prova invulgar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

A lista de vinhos premiados foi a que se segue:

Alentejo

Vinhos Brancos Jovens
Alenvinus – J. Costa Vargas A. Vaz 2015 – Arabel de Ouro
Monte da Comenda Agroturismo – Comenda Grande Branco 2015 – Arabel de Prata
Adega Mayor – Monte Mayor Branco 2015 – Arabel de Honra

Vinhos Brancos Maduros
Sociedade Agrícola de Pias – Encostas do Enxoé Branco 2015 – Arabel de Ouro
J. Protugal Ramos – Vila Santa Reserva – Arabel de Prata
Adega Mayor – Reserva do Comendador Branco 2015 - Arabel de Honra

Vinho Rosé

Fita Preta Vinhos - Rosé da Fita Preta – Arabel de Prata

Vinho Biológico (Tinto)
Soc. Agrícola Herdade de Lagos – HDL Touriga Nacional 2015 – Arabel de Ouro
Vinho Tinto Jovem
JJMR – Sociedade Agrícola - SEI LÁ! - Arabel de Prata
Companhia das Quintas – Portal da Vinha – Arabel de Honra

Vinho Tinto de 3-6 meses
Adega Mayor – Monte Mayor Reserva Tinto 2014 – Arabel de Ouro
Carmim – Monsaraz Millennium 2015 – Arabel de Prata
JJMR – Sociedade Agrícola - Herdade dos Veros Selection 2014 – Arabel de Honra

Vinho Tinto com mais de 6 meses
Soc. Agrícola D. Dinis – Monte da Ravasqueira Reserva Tinto 2014 – Arabel de Ouro
Adega Mayor – Reserva do Comendador Tinto 2013 – Arabel de Prata
Carmim – Monsaraz Reserva 2014 – Arabel de Honra


Extremadura

Vinho Branco Maduro
Parfoex – Encinablanca de Albuquerque (Vino Verdejo) - Arabel de Ouro
Santa Marta - Blasón del Turra Pardina Cayetana – Arabel de Prata
Bodegas Romale - Viña Romale – Arabel de Honra

Vinho Rosé
San Marcos – Campobarro Rosado – Arabel de Prata
Viñaoliva - Zaleo Rosado – Arabel de Honra

Vinho Biológico
Bodegas Fuentes – Leneus Reishi – Arabel de Ouro
Bodegas Castelar – Pago de las Mojas – Arabel de Honra

Vinho Tinto Jovem
San Marcos – Campobarro Tempranillo – Arabel de Ouro
Viñaoliva - Zaleo Tinto – Arabel de Prata
Santa Marta - Blasón del Turra Tempranillo – Arabel de Honra

Vinho Tinto de 3-6 meses
Parfoex – Encinablanca de Albuquerque – Arabel de Ouro
Bodegas Carabal – Carabal Rasgo – Arabel de Prata
Sat San Antonio – Talmo Roble – Arabel de Honra

Vinho Tinto com mais de 6 meses
Bodegas y Viñedos Pozanco – 10|12 Selección - Arabel de Ouro
San Marcos – Campobarro Crianza – Arabel de Prata
Bodegas Carabal – Carabal Cávea 2012 – Arabel de Honra

quinta-feira, 13 de abril de 2017

No meu copo 596 - Barrancos - Castelo de Noudar Colheita Seleccionada 2011

Terminamos esta longa viagem pelos vinhos do Alentejo, que começou em Campo Maior, descendo até Barrancos, junto à fronteira espanhola no distrito de Beja. Passámos por Vidigueira, Reguengos de Monsaraz, Estremoz, Sousel e Portalegre.

O produtor Manuel Baleizão Chamorro produz na Quinta de S. João, situada na margem esquerda do Guadiana, este vinho designado Castelo de Noudar em referência à fortaleza de Noudar, monumento nacional desde 1970 e marco importante da história local.

Não pertencendo a nenhuma das sub-regiões demarcadas, o concelho de Barrancos tem como vizinha mais próxima a sub-região da Granja-Amareleja, uma das zonas mais quentes do país e onde se registam máximos de temperatura ao longo do Verão, sendo também uma das zonas com menos pluviosidade. Esta circunstância deu origem a um pormenor curioso indicado no contra-rótulo: a vindima destas uvas foi a primeira da Europa em 2011.

Temos assim uma zona donde saiu este tinto de elevado grau alcoólico mas que, em função das castas utilizadas, permite obter um vinho de aroma vinoso intenso, com alguma frescura dada pela Touriga Nacional equilibrada com a estrutura do Alicante Bouschet, sem perder o carácter robusto e encorpado do Alentejo, com final persistente e complexo.

Foi uma oportunidade rara para provar este vinho da vila raiana, que pelo preço no produtor merece ser conhecido. Um alentejano de perfil clássico que não desmerece de outras marcas mais conceituadas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Barrancos - Castelo de Noudar Colheita Seleccionada 2011 (T)
Região: Alentejo (Barrancos - Granja-Amareleja)
Produtor: Manuel Baleizão Chamorro
Grau alcoólico: 15%
Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço no produtor: 5,00 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 8 de abril de 2017

No meu copo 595 - Terrenus: branco 2013; tinto 2012

Continuamos este périplo por terras alentejanas com uma incursão ao Alto Alentejo, para pequenas vinhas localizadas na Serra de S. Mamede e trabalhadas pelo ribatejano Rui Reguinga.

Falamos do Terrenus, branco e tinto. Há alguns anos tive o primeiro contacto com os vinhos de Rui Reguinga, lá mesmo em Portalegre. Desde então nunca mais me tinha cruzado com eles à mesa.

O Terrenus branco 2013 fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês. Apresenta-se com alguma mineralidade, aroma frutado, boca com boa estrutura, frescura e final médio.

O Terrenus tinto 2012 fermentou 14 meses em barricas de carvalho francês. Mostrou-se macio, encorpado mas de aroma algo discreto. Na boca é equilibrado, fresco, com final suave e persistente.

São dois alentejanos de altitude, que mostram assim um perfil mais fresco e mais leve que os mais encorpados das zonas mais quentes. Não sendo excelentes, são agradáveis para fugir a um perfil mais pesado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga Enologia

Vinho: Terrenus 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires, Roupeiro
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Terrenus 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 10,45 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 4 de abril de 2017

No meu copo 594 - Mouchão 2005

Subimos mais um bocadinho e paramos em Sousel, na Herdade do Mouchão, um dos clássicos e mais prestigiados tintos portugueses.

Não tenho tido muitas oportunidades de provar este vinho, mas aquelas que tive não me encantaram. Ainda no final do ano passado, no evento “Alentejo em Lisboa”, provei a colheita de 2011.

Mais recentemente abri esta garrafa que estava guardada, e provei-a com o tuguinho. Não é que o vinho não seja bom. Ou mesmo muito bom. É, sim senhor. É bem estruturado, longo, suave, os taninos são redondos e elegantes. Mas parece que lhe falta talvez... personalidade.

Comparando-o com outros no mesmo patamar de preço, ou mesmo mais abaixo (estou a lembrar-me por exemplo do Esporão Reserva e do Tapada de Coelheiros, que custam pouco mais de metade, do Duas Quintas Reserva, que é mais barato, ou do Quinta da Leda, que tem um preço semelhante), parece-me sempre que lhe falta mais qualquer coisa, aquele plus que o torne o grande vinho que passa por ser.

Não sei, o defeito pode ser meu, se calhar ainda não consegui compreender este vinho. Põe-se à temperatura adequada, decanta-se, areja-se, espera-se, aspira-se, prova-se, espera-se outra vez à espera de algo mais... que não aparece. Não encontro ali nada que me impressione particularmente, que me deixe uma memória marcante, que me diga claramente o que é este vinho.

Tenho sempre a sensação de que é demasiado caro para aquilo que vale. Mas pronto, limito-me a remeter-me à minha insignificância, e deixar a melhor apreciação deste vinho para aqueles que sabem mais do que eu e conseguem dar-lhe o devido valor. Se calhar, se custasse metade não esperaria tanto dele...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Mouchão 2005 (T)
Região: Alentejo (Sousel)
Produtor: Vinhos da Cavaca Dourada - Herdade do Mouchão
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Trincadeira
Preço em hipermercado: 30,99 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 31 de março de 2017

No meu copo 593 - Pouca Roupa branco 2014; Vila Santa Reserva branco 2015

Continuamos no universo João Portugal Ramos, novamente com um dos lançamentos recentes, a que pude assistir.

Na mesma ocasião em que provámos o espumante também pudemos provar o branco Pouca Roupa, que foi outra bela surpresa.

Mostrou-se com boa estrutura e acidez, aroma intenso limonado e tropical, encorpado e persistente. Mais uma boa aposta num vinho de entrada de gama.

Já o Vila Santa Reserva branco, cuja primeira prova tinha sido em pleno, apresentou-nos depois duas garrafas, das colheitas de 2012 e 2013, com o vinho completamente decaído, sem acidez, reduzido, chato. Alguma coisa de estranho se deverá passar, pois não é normal que um branco caia tanto em tão pouco tempo.

Isto levou-me a adquirir mais uma garrafa, agora da colheita de 2015, que voltou ao nível normal, mais próximo da primeira prova. Boa estrutura, aroma intenso, acidez e persistência.

Mas atenção: duas colheitas consecutivas com o vinho em queda abrupta não auguram nada de bom!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos

Vinho: Pouca Roupa 2014 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Sauvignon Blanc, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vila Santa Reserva 2015 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Alvarinho, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 8,99 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 28 de março de 2017

No meu copo 592 - Marquês de Borba Espumante Bruto rosé 2013

Continuamos a subir no mapa, parando agora em Estremoz, na sub-região de Borba.

Este é um dos lançamentos mais recentes de João Portugal Ramos. Por sinal este blog foi convidado para a apresentação mas não pudemos estar presentes. No entanto, fomos depois presenteados com uma garrafa, o que muito agradecemos.

Aproveitámos o aniversário de um dos elementos deste blog para provar este espumante rosé. Nos tempos recentes, cada vez vamos vendo brancos e espumantes mais frescos a surgirem na planície alentejana. Neste aspecto, João Portugal Ramos tem conseguido fazer-nos excelentes surpresas. E esta não fugiu à regra.

Este espumante rosado, com a inclusão da tipicamente “champanhesa” Pinot Noir, apresentou-se com aspecto límpido na sua cor salmão ligeiramente desmaiada, bolha fina e persistente e aroma com notas de citrinos, frutos vermelhos e algum floral.

Na boca mostrou-se fresco, macio, cremoso, redondo e elegante, com final marcado por uma boa acidez e persistência e alguma secura, mostrando-se um bom companheiro da mesa. O pouco grau alcoólico também ajuda.

Uma boa aposta, certamente destinada a ser mais um sucesso. Muito bem conseguido.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba Espumante Bruto 2013 (R)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Pinot Noir, Touriga Nacional, Aragonês
Preço: 11,50 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 23 de março de 2017

No meu copo 591 - Invisível, Aragonês 2013

Ainda na sub-região de Reguengos de Monsaraz, passamos de dois produtores clássicos para um produtor de uma geração mais nova.

A Ervideira foi inovadora em Portugal no lançamento deste branco de tintas como vinho tranquilo (uma vez que, como se sabe, isso é prática comum na produção de espumantes), e mais recentemente na criação de um “vinho de água” que repousa no fundo das águas do Alqueva.

A primeira prova deste Aragonês vinificado em branco mostrou um vinho com um leve rosado e parecendo quase um espumante sem borbulhas. Curiosamente, este foi bebido bastante mais tarde, já com mais de 3 anos depois da colheita. Por essa razão ou não, a verdade é que mostrou-se um vinho com outra personalidade.

Elegante mais estruturado, vivo e com boa acidez na boca, persistente e vibrante, com alguma mineralidade.

Um vinho claramente gastronómico e que é muito mais do que uma simples curiosidade por ser invulgar. Por esta prova mostrou também que é um vinho para guardar algum tempo antes e beber, pois cresce notoriamente na garrafa.

Muito bem conseguido. É mais um para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Invisível, Aragonês 2013 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 8,48 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 19 de março de 2017

No meu copo 590 - Terra Lenta Premium 2015

Continuando em Reguengos, passamos da Herdade do Esporão para a CARMIM.

A Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz tem vindo a aumentar o seu portefólio nos últimos anos, saindo daquele circuito fechado Monsaraz-Reguengos Reserva-Garrafeira dos Sócios, com mais algumas marcas a serem lançadas de vez em quando, como os monocastas. Agora há o Millennium, um novo Reserva dos Sócios e este Terra Lenta, nome ou alcunha dada a uma parcela de uma vinha que tardou em produzir.

Desta vinha surgiu o vinho que aqui aparece, com recurso às castas mais tradicionais.

Encorpado mas não muito concentrado, mais aberto, suave e macio.

A cor apresenta um granada não muito profundo, no nariz predominam os frutos silvestres, com final elegante e taninos redondos.

É um vinho interessante, que poderá valer a pena revisitar, embora o preço antes do desconto seja um pouco elevado. Continua o mistério dos descontos de 60 e 70% num determinado hipermercado...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terra Lenta Premium 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão
Preço em hipermercado: 9,99 € (em promoção: 3,49 €)
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 16 de março de 2017

Dão Capital 2016 - Os novos vinhos Dão Nobre




Em Julho de 2016, por ocasião do evento Dão Capital, que decorreu no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço em Lisboa, foram apresentados os dois primeiros vinhos certificados pela CVR do Dão com a designação Dão Nobre: Fonte do Ouro branco 2015 e o Casa de Santar tinto 2013. Apesar de esta classificação já estar contemplada há vários anos, por questões de ordem burocrática ainda não tinha sido utilizada, sendo agora estes dois vinhos os primeiros a sair para o mercado com a designação “Nobre” no rótulo.

De acordo com as regras estabelecidas para a certificação de vinhos do Dão, estes podem receber as seguintes classificações de acordo com a pontuação obtida na Câmara de Provadores:
58 - Vinho de qualidade - Certificação DOC
68 - Qualidade destacada - Reserva ou Colheita Seleccionada
75 - Qualidade muito destacada - Grande Reserva
90 - Nobre


Os vinhos foram apresentados pelos respectivos enólogos, na presença do Presidente da Comissão Vitivinícola Regional, Dr. Arlindo Cunha, que fez o lançamento do evento. Presente também o Presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, Frederico Falcão, que acabou por se juntar aos presentes na mesa e participar na animada conversa que se seguiu à apresentação dos vinhos, com diversas perguntas e respostas por parte dos presentes.

O Fonte do Ouro Nobre branco 2015, produzido por Nuno Cancela de Abreu na Sociedade Agrícola Boas Quintas, é composto por Encruzado (85%), Arinto (10%) e Cerceal (5%). Ao Encruzado vai buscar estrutura, fruta branca, mineralidade e volume de boca; o Arinto confere acidez e aromas a frutos verdes; o Cerceal dá-lhe elegância e acidez. Fermentou um mês e meio em barricas novas e estagiou 6 meses com bâtonnage. Apresenta cor amarelo palha, aroma frutado complexo com notas de tosta. Foram produzidas 1200 garrafas e tem um preço recomendado de 35 €.

O Casa de Santar Nobre tinto 2013 foi elaborado por Osvaldo Amado da Dão Sul, a partir das castas Touriga Nacional (50%), Alfrocheiro (20%), Tinta Roriz (20%) e Jaen (10%), a partir das 15 melhores barricas dum total de 100. Fermentou 75% em barricas de carvalho francês e 25% em barricas de segundo ano, seguindo-se o estágio em barrica. De cor intensa fechada, Apresenta elegância, harmonia e potência. O preço recomendado ronda os 60 €.

Após a apresentação e prova destes dois vinhos, foi possível dar uma curta volta pelo recinto e provar alguns (poucos) dos vinhos presentes e alguns produtos regionais (imperdiveis os pastéis de Vouzela). O meu destaque vai para um vinho da Caminhos Cruzados, o Teixuga branco 2013, um grande vinho que expressa o melhor do Encruzado, com grande expressividade aromática e persistência na boca, com madeira muito bem integrada no conjunto. Um vinho a visitar quando for possível, com o preço a rondar os 35 €.

Sendo um dia de semana, não houve possibilidade de guardar grandes registos da visita, pois esta teve de ser abreviada. Em todo o caso, apraz mais uma vez registar esta descida dos vinhos do Dão a capital do país para se mostrar, aparecendo sempre novas marcas com novos perfis. O Dão é uma região que se reinventa a cada dia e que merece ser redescoberta pelos consumidores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 13 de março de 2017

Vinhos h’OUR – Parceiros na Criação



No Verão de 2016 foram lançadas as novas colheitas dos vinhos h’OUR, da autoria de João Nápoles de Carvalho e Joana Pratas.

Este projecto resulta da parceria e do nome do casal: os apelidos Pratas e Nápoles de Carvalho dão origem a PNC e o nome h’OUR é uma junção de “hora” e “nosso”, com o sentido de “chegou a hora de partilhar o que é nosso”. A empresa está sediada em Barcos, no concelho de Tabuaço, na sub-região de Cima Corgo.

A apresentação das novidades ocorreu no terraço do Torel Palace e contou com a estreia dum rosé, novas colheitas de branco e tinto e de azeite extra-virgem, acompanhados por alguns petiscos. Esteve presente também uma garrafa de Touriga Nacional 2012, mas não foi objecto de prova.

O meu primeiro contacto com os vinhos h’OUR tinha acontecido poucos meses antes, aquando da minha participação no Bloggers Challenge, em que o h’OUR branco foi o vinho por mim escolhido para um dos pratos. Na altura, em comparação com o outro branco presente, o Caios, escolhido pelo meu comparsa Luís Gradíssimo, gostei mais do h’OUR branco, pela sua acidez e frescura.

Desta vez o branco não me agradou tanto, pois relevou-se menos intenso aromaticamente embora com um pouco mais de estrutura e persistência, por opção do enólogo João Nápoles. Pessoalmente, gostei mais do outro perfil, que lhe conferia outra vivacidade. Álcool: 13%. PVP: 7,70 €.

O tinto mostrou-se relativamente redondo na boca, sem arestas. Proveniente de vinhas velhas, onde as castas se encontram misturadas, juntou-se-lhe Touriga Nacional e Sousão que lhe deram algum perfume. Estagiou em barricas usadas de 225 litros durante um ano, mostrando boa integração da madeira. Álcool: 14%. PVP: 9,90 €.

O rosé pareceu-me o menos interessante, ainda a precisar de afinação. Elaborado com 50% de vinhas velhas e 50% de Touriga Nacional, apresentou-se algo adocicado e com excesso de álcool e algum défice de acidez, que o tornam pouco vivo na prova de boca. Aliás, das informações dadas na ficha técnica, é aquele que apresenta menor acidez natural dos três vinhos apresentados (4,59 g/l contra 5,70 g/l do branco e 5,40 g/l do tinto). A rever no processo de elaboração. Álcool: 14%. PVP: 6,00 €.

Finalmente o azeite, um produto que domino pouco mas que vou conhecendo melhor aqui e ali, até por via familiar. Este azeite do Douro foi elaborado com as variedades Cobrançosa, Madural, Negrinha e Verdeal. Pareceu-me bastante suave e aromático, interessante. Acidez: 0,2%. PVP: 7,50 €.

Foi um fim de tarde agradável, em simpático convívio com o casal e com os outros presentes. Sendo um projecto ainda recente (o primeiro tinto foi lançado em 2013), tem ainda muito por onde crescer, e assim se espera que aconteça. Cá ficamos a aguardar por mais novidades.

O nosso agradecimento pelo convite que nos foi endereçado e votos de felicidades para estes Parceiros Na Criação. Eles merecem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Fotos: Joana Baptista, cedidas por Joana Pratas

sexta-feira, 10 de março de 2017

No meu copo 589 - Vinha da Defesa 2011


Continuamos na Herdade do Esporão.

Subimos agora um patamar para o Vinha da Defesa tinto. É um vinho que já teve várias alterações de perfil, com mudanças de castas e preço. Andou pelos 7-8 €, foi produzido com Aragonês e Castelão, agora esta versão de 2011 apresenta-nos um lote de Touriga Nacional e Syrah.

Está diferente, mas não me parece que para melhor. Talvez menos expressivo aromaticamente mas mais redondo, com menos arestas e menos adstringência.

No aroma predomina o fruto maduro, enquanto na boca evidencia algum apimentado, com final persistente e suave.

Continua bom, mas menos bom.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Defesa 2011 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 4,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 6 de março de 2017

No meu copo 588 - Monte Velho Edição Manta Alentejana: tinto 2015; branco 2015

Subimos agora no Alentejo, em direcção a Reguengos de Monsaraz.

Na edição de 2015 do Monte Velho, o Esporão resolveu homenagear as tradicionais mantas de Reguengos de Monsaraz e por isso juntou ao rótulo normal um padrão com um recorte que evoca essa peça. Sobre isso já está muito escrito, por isso remeto mais informação para outros sites e blogs, nomeadamente o do produtor.

O Monte Velho tinto é um dos vinhos que bebo há mais tempo, quase desde o seu lançamento em 1992, e conheci-o ainda quando era um vinho leve a aberto, com apenas ou 11 ou 11,5% de álcool. Depois foi-se transformando num vinho mais estruturado e encorpado, perdendo algum do seu encanto inicial e ficando mais igual a todos os outros, o que me fez deixá-lo mais esquecido e cruzar-me com ele esporadicamente.

Mas esta nova edição despertou-me a curiosidade, até porque a imagem tem vindo a ser renovada, com a menção às castas no próprio rótulo e o nome Esporão em destaque numa faixa inferior. E como entretanto o branco se renovou e se tornou mais apelativo, resolvi juntar os dois na mesma compra e prová-los quase de seguida.

A prova agradou. O tinto mostrou boa estrutura, aroma vinoso e frutado intenso, com notas de bagas silvestres e especiarias, macio na boca e final longo e redondo. Bom companheiro de carnes tradicionais do Alentejo.

O branco, ao contrário do tinto vinificado apenas com castas típicas do Alentejo, mostrou um aspecto cristalino com cor citrina, com aroma a notas de limão e fruta branca. Na boca mostrou-se vivo, intenso e com boa acidez, com final equilibrado e persistente. Um branco mais para o calor ou meia estação, para pratos de peixe com alguma delicadeza mas bom tempero.

Pelos preços disponíveis, serão duas boas compras, pelo que juntamos o branco ao tinto nas nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Monte Velho Edição Manta Alentejana 2015 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Monte Velho Edição Manta Alentejana 2015 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Roupeiro, Perrum
Preço em feira de vinhos: 3,37 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 2 de março de 2017

No meu copo 587 - Cortes de Cima, Homenagem a Hans Christian Andersen 2007

Continuamos por terras da Vidigueira, agora para uma incursão às Cortes de Cima com um tinto de excelência.

Este Homenagem a Hans Christian Andersen, escritor dinamarquês de contos infantis, é tido como uma espécie de “segundo Incógnito”, ou um Incógnito com outro rótulo. Quando adquiri esta garrafa, em 2010, foi exactamente assim que o vinho me foi apresentado. O método de produção é semelhante, mas o vinho é obtido a partir de outras parcelas de vinha e com um perfil mais ligeiro.

Muito tempo depois, no Encontro com o Vinho e Sabores de 2014, tive oportunidade de participar numa prova vertical justamente com estes dois vinhos das Cortes de Cima. Esta colheita esteve em prova e foi das melhores.

O Incógnito foi um dos primeiros vinhos produzidos como monocasta de Syrah no Alentejo (1998). A história já foi contada e aplica-se também ao Homenagem, produzido também exclusivamente com Syrah.

Fermentou sem engaço a temperaturas controladas, com maceração pelicular prolongada. Estagiou 8 meses em barricas de carvalho americano e francês até ao engarrafamento em Agosto de 2008.

No início apresentou-se muito fechado de aromas, mas foi conveniente atempadamente decantado para acompanhar uns tenrinhos bifes de novilho passados no ponto.

Com quase 10 anos de idade, apresentou-se em plena forma, com bastante juventude no aroma profundo, excelente acidez e taninos muito macios e sedosos, estruturado na boca mas com final elegante, persistente e intenso. Percebe-se que foi um vinho desenhado com carinho e desvelo.

A par dos vinhos da Quinta do Monte d’Oiro, os vinhos de topo das Cortes de Cima serão, porventura, os melhores representantes da Syrah em Portugal, conseguindo expressar o melhor da casta, o que nem sempre é conseguido noutros vinhos (o próprio monocasta das Cortes de Cima com o nome Syrah já aqui foi por nós provado e esteve longe de agradar).

O preço, naturalmente, já disparou e aproximou-se da casa dos 30 €, mas vale a pena conhecê-lo.

Grande vinho! Recomendamos vivamente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cortes de Cima, Homenagem a Hans Christian Andersen 2007 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Cortes de Cima
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço: 18,50 € (adquirido em 2010)
Nota (0 a 10): 9

domingo, 26 de fevereiro de 2017

No meu copo 586 - Herdade do Peso: Aragonês 2000; Colheita 2003; Reserva 2003

Continuamos na sub-região vitivinícola da Vidigueira.

Esta foi uma incursão por alguns clássicos alentejanos da Herdade do Peso. Não tanto pela idade dos vinhos ou pela antiguidade das marcas, mas pelo perfil dos vinhos, antes da reformulação do portefólio, dos rótulos e do estilo dos próprios vinhos.

Tivemos à disposição um monocasta de 2000 e dois lotes de 2003, um Colheita e um Reserva.

Seguindo a ordem indicada, começamos pelo Aragonês 2000. Apresenta-se de cor rubi intensa, com aroma a compotas e frutos vermelhos, delicado mas não muito exuberante. Na boca mostrou corpo médio, taninos redondos e complexidade, com final macio. Boa evolução em garrafa, com delicadeza e sem declínio.

O Colheita 2003 mostrou aroma intenso floral e frutado, com algumas notas mentoladas e de especiarias. Bem estruturado, com final médio e algo discreto.

Finalmente o Reserva 2003. Cor vermelho-violeta profunda, aroma a frutos vermelhos maduros, algumas nuances balsâmicas e especiadas. Muito boa estrutura e persistência, cheio e pujante com final longo. Claramente o melhor dos três, o que não surpreende.

Em suma, uma boa prova que permitiu rever umas preciosidades daquelas que já não são fáceis de encontrar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Herdade do Peso, Aragonês 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Preço: 10,98 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Herdade do Peso 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 7,97 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Herdade do Peso Reserva 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alfrocheiro
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

No meu copo 585 - Vidigueira, Alicante Bouschet (Ato IV - A Inspiração) 2014

Ainda na Adega Cooperativa da Vidigueira, agora com um monocasta.

Este Alicante Bouschet apresenta uns quase impensáveis 15,5% de álcool, mostrando-se com uma cor carregada quase opaca. Tenho alguma dificuldade em descrevê-lo, pois nenhuma característica particular sobressai do conjunto, a não ser corpo e estrutura.

Quanto ao resto... talvez precise de tempo em garrafa, ou de arejamento num decanter. Nada aqui dá especial realce às características do Alicante Bouschet: já sabemos que é uma casta tintureira, daí a sua cor fechada, mas em termos de aroma e persistência fiquei algo baralhado.

O contra-rótulo diz que tem “aroma a fruta preta com notas de cacau e algum fumado, na boca é muito encorpado, cheio e fresco com taninos bem maduros, final longo e muito persistente”.

Seja...

Kroniketas, enófilo confuso

Vinho: Vidigueira, Alicante Bouschet (Ato IV - A Inspiração) 2014 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito
Grau alcoólico: 15,5%
Casta: Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 € (3,99 € em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 18 de fevereiro de 2017

No meu copo 584 - Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade): tinto 2015; branco 2015

Nova ronda pela Adega Cooperativa da Vidigueira, agora com a marca Premium.

O branco, produzido com um lote das castas clássicas, apresenta uma cor palha clara, aroma com predominância a frutos tropicais, algum cítrico e notas minerais. Na boca é medianamente encorpado e estruturado, com persistência média.

O tinto apresenta-se encorpado, estruturado e persistente, com algumas notas vegetais no aroma e predominância a frutos vermelhos, não muito intenso mas agradável.

Em suma, dois vinhos médios, que agradam com facilidade sem encantar.

Mas atenção: o preço base indicado é excessivo para a qualidade dos vinhos. Estas promoções, como sabemos, são muitas vezes enganadoras, e neste caso um desconto de 6 € por garrafa não se percebe donde vem. Mas o preço em promoção é mais adequado do que o preço de partida. Será mais um daqueles casos de preço inflacionado, com uma pseudo-promoção que o baixou para o seu valor real?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 3,99 € (em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Roupeiro
Preço em hipermercado: 3,99 € (em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

No meu copo 583 - Vila dos Gamas (Ato II - A Partida): Master Collection 2014; Antão Vaz 2015

Vidigueira.

Concelho a norte do distrito de Beja, sensivelmente a 2/3 de distância do litoral e 1/3 da fronteira espanhola (em longitude), na transição entre o Baixo e o Alto Alentejo, com o qual confina (em latitude).

Região vitivinícola mais a sul no Alentejo com direito a produção de vinhos com Denominação de Origem Alentejo, abrangendo os concelhos de Alvito, Cuba e Vidigueira, com orientação geográfica transversal, de oeste para leste.

Daqui se diz que é um local de eleição para a produção de vinhos brancos com uma frescura muito particular em relação a outras zonas do Alentejo, devido à influência da serra do Mendro, que marca precisamente a fronteira entre os distritos de Beja e Évora. Segundo o site Vinhos do Alentejo, “as escarpas de orientação este-oeste, com cerca de 50 km de comprimento, condicionam o clima da Vidigueira, convertendo-a, apesar da localização tão a sul, numa das sub-regiões com o clima mais temperado do Alentejo”.

Daqui se diz também que é o berço do Antão Vaz, casta branca que aqui encontra o terroir ideal para se expressar.

Por alguns destes factores, ou por todos eles, nas duas últimas décadas a região viu chegar um conjunto de produtores de renome, ou que aqui construíram o seu próprio nome e o deram a conhecer ao mundo vínico. Empresas como a Sogrape – o maior produtor nacional – que do Douro, Dão e Bairrada se expandiu para sul com a Herdade do Peso, próxima de Pedrógão, Cortes de Cima, Paulo Laureano, António Lança com a Herdade Grande, Herdade do Rocim, Herdade do Sobroso, vieram juntar-se à Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, que entretanto quase desapareceu do mapa. Lembro-me do Vila dos Gamas e dum quase intragável Navegante...

Desde há alguns anos começaram a surgir nas prateleiras novas referências desta adega, com um sucessivo aumento das marcas disponíveis, o que me levou a adquirir algumas referências para ir experimentando o que há.

Nesta nova etapa, cada marca está associada a um acto, cujo significado não consegui apurar no site da empresa, mas que será mencionado na ficha do vinho.

Já tive oportunidade de provar o Grande Escolha branco e tinto (Ato V: A Decisão); agora coube a vez ao tinto Master Collection e ao branco Antão Vaz (Ato II: a Partida).

O tinto Master Collection apresenta aroma algo discreto a frutos compotados. Na boca é fresco com alguma complexidade, corpo e estrutura medianos e final suave e não muito longo.

Quanto ao branco de Antão Vaz, apresenta-se de cor citrina, aroma a fruta tropical e leves notas minerais. Na boca apresenta-se encorpado e untuoso, com estrutura média e final suave.

São dois vinhos interessantes, embora longe de encantar. Outros se seguirão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vila dos Gamas Master Collection (Ato II - A Partida) 2014 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 4,99 € (2,49 € em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vila dos Gamas, Antão Vaz (Ato II - A Partida) 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Antão Vaz
Preço em hipermercado: 2,69 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

No meu copo, na minha mesa 582 - Monte Mayor Reserva tinto 2014; Restaurante A Escola (Cachopos - Alcácer do Sal)



O restaurante A Escola, localizado na estrada que liga Alcácer do Sal à Comporta, é um caso notável de sucesso que se poderia considerar improvável. Não fica num local de passagem, não fica muito perto de nenhum grande centro urbano, só tem campo à volta. Tem de se ir lá de propósito. E as pessoas vão.

Esta foi a terceira tentativa para nos sentarmos à mesa deste restaurante. As duas passagens anteriores encontraram uma sala a abarrotar e muita gente à espera. Desta vez, aproveitando um fim-de-semana de Inverno, marquei mesa com 24 horas de antecedência, e mesmo assim a sala estava cheia quando lá cheguei.

Segundo rezam as crónicas, este antigo edifício de uma escola primária foi colocado à venda e alguém teve a visão de criar aqui um restaurante de gastronomia regional. E assim nasceu aquele que, hoje em dia, poderá ser considerado um dos ícones da gastronomia nacional.

A sala de refeições não é muito grande, portanto não espere chegar e sentar-se sem fazer reserva. O atendimento é excelente, simpático, sempre disponível e nunca pára. Os clientes são aconselhados nas escolhas, sendo que as tendências pendem, maioritariamente, para aqueles que parecem ser os pratos mais emblemáticos da casa: a empada de coelho bravo com arroz de pinhões – ou não estivéssemos junto a uma zona de pinhal – que é apresentada em forma de torta, e a perdiz na púcara. Este apresentou-se muito apaladada, embora talvez com excesso de caldo, que poderia ter apurado um pouco mais. A empada (terceira foto) também é excelente, muito bem temperada e substancial.

A garrafeira é vasta, predominando os vinhos do Alentejo e da Península de Setúbal. Existe um armário climatizado para tintos e outro para brancos, sendo que este tem duas temperaturas distintas. Destacam-se os vinhos da Adega Mayor (que fornece, entre outros artigos, os aventais), estando disponível praticamente todo o portefólio da empresa. Tentei provar o Vitorino, que não havia. O Reserva do Comendador e o Pai Chão apresentavam-se demasiado caros para beber em restaurante, pelo que arrisquei no Monte Mayor Reserva, cuja prova anterior não tinha convencido.

Mesmo sem pedir, o vinho foi desde logo decantado, o que ajudou a amaciar a prova. A temperatura de serviço estava no ponto, o que se saúda, para o que o armário climatizado contribui de forma decisiva. Felizmente vai-se encontrando quem saiba tratar o vinho como este merece.

O Monte Mayor Reserva 2014 tem os mesmos 14,5% do 2013, que não tinha convencido, mas mostrou-se mais macio e apropriado para os pratos de caça, mais exigentes. Apresenta-se com uma cor rubi concentrada, aroma intenso e frutado com notas de frutos vermlhos, mas mais interessante no nariz que na boca. No paladar apresenta algum especiado mas ficou algo curto. Melhor que na prova anterior, embora sem deslumbrar.

Em resumo: uma excelente refeição num restaurante que é obrigatório conhecer. Vale a pena a deslocação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Escola
Estrada Nacional 253, Cachopos
7580-308 Alcácer do Sal
Tel: 265.612.816
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Monte Mayor Reserva 2014 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

No meu copo 581 - Beira Mar

Outro nome que anda meio desaparecido, embora se encontrasse com alguma facilidade na década de 90 do século XX. Os vinhos de Paulo da Silva, produzidos em Azenhas do Mar, na região de Colares, apareciam nos restaurantes de algum requinte. À semelhança de outros, passaram de época, foram esquecidos e tornaram-se raridades.

Agora já é mais fácil encontrá-los novamente, em restaurantes e garrafeiras. Este foi provado no restaurante Abano, perto da praia do Guincho, mesmo junto à serra de Sintra. Colares e Azenhas do Mar ficam logo ali do outro lado da serra.

Foi pedida uma garrafa deste vinho para acompanhar um coelho à caçador e um cabrito à padeiro, ambos deliciosos. O vinho portou-se excelentemente a acompanhar as carnes. Revelou-se encorpado e com alguma robustez, mas simultaneamente suave na boca, redondo e com final elegante e persistente. Um misto de características difíceis de encontrar. No nariz apresenta notas a frutos vermelhos maduros e alguns resquícios de aromas do bosque.

Bebe-se com agrado e facilidade, de tal forma que se comprou uma garrafa para levar para casa. Vale a pena revisitar estes vinhos, pois vão escasseando e são diferentes de tudo aquilo a que estamos habituados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Beira Mar
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Preço no restaurante: 8 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

No meu copo 580 - Gaeiras Colheita Seleccionada tinto 2010

Há cerca de duas décadas o vinho da Casa das Gaeiras, embora em pequenas quantidades, era visto por aí, como vinho emblemático da região de Óbidos, com particular destaque para o branco. Depois, à semelhança de outras marcas, desapareceu de circulação.

Nos anos mais recentes houve uma recuperação da produção de vinhos nalgumas sub-regiões da região de Lisboa, e o Gaeiras reapareceu. Ainda em pequenas quantidades mas vai aparecendo aqui e ali, sendo mais provável encontrá-lo nos supermercados do Corte Inglês.

Resolvi experimentar este tinto, em estreia absoluta, pois só ainda tinha provado o branco. Guardei-o algum tempo (foi adquirido em 2012) e agora com 6 anos após a colheita pareceu-me oportuno abri-lo.

Não sabendo como era o perfil do vinho (os brancos eram bastante suaves), surpreendeu-me pela pujança e concentração mostradas. De cor muito carregada, com alguma adstringência, estruturado e robusto na boca. Mostrou que podia estar mais uns anos em garrafa sem entrar em perda. Talvez precise de amaciar, mas isso só saberemos esperando mais tempo.

Não encantou nem desiludiu. Apenas deixou alguma curiosidade sobre qual será o verdadeiro estilo deste vinho, que se impõe redescobrir.

A rever numa próxima ocasião.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Gaeiras Colheita Seleccionada 2010 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Tapada das Gaeiras, Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,39 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 29 de janeiro de 2017

No meu copo 579 - Cabeça de Toiro: Reserva tinto 2012; Reserva branco 2015

Estes dois vinhos foram uma oferta da Enoport, no final dum workshop de culinária patrocinado pela empresa em parceria com a Vaqueiro.

A Enoport, como se sabe, “herdou” o portefólio das Caves Velhas, e mantém aquele nome histórico no rótulo de alguns dos vinhos que produz actualmente, nomeadamente os antigos Bucellas.

Este Cabeça de Toiro Reserva tinto é uma repetição, depois duma prova da colheita de 2008. Apresenta-se com uma boa estrutura, bom aroma frutado com predominância de frutos vermelhos, muito fresco e apelativo na boca e com final suave e persistente. Merece entrar nas nossas sugestões.

Já o Reserva branco mostrou-se suave mas com aroma discreto, final elegante e persistente mas algo discreto na prova de boca. Apresenta uma interessante combinação de castas onde predomina o Arinto, que lhe confere a necessária frescura, complementada com algum tropical e vegetal das congéneres francesas.

Não deixa de ser um vinho agradável mas não está ao nível do tinto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Tejo
Produtor: Enoport - Produção de bebidas

Vinho: Cabeça de Toiro Reserva 2012 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Castelão
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Cabeça de Toiro Reserva 2015 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto (50%), Chardonnay, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 3,60 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

No meu copo 578 - Lagoalva rosé 2014

Já tinha provado este vinho há algum tempo, e já tinha tido oportunidade de prová-lo no restaurante Come Prima. Esta colheita de 2014 estava em stock há cerca de um ano, e a verdade é que o tempo de espera não lhe fez mal.

Feito com o mesmo lote do tinto aqui apresentado, mostrou uma cor salmão meio desmaiada, com aroma discreto a frutos vermelhos, paladar suave, boca elegante com alguma persistência e vivacidade.

É mais um bom exemplar dos vinhos do Tejo e dos bons rosés que ali se fazem, à semelhança de outros já estabelecidos como os da Quinta da Alorna e da Fiúza. A Quinta da Lagoalva também vai afirmando os seus créditos nos brancos, tintos e rosés, e é também uma marca de garantia.

Recomenda-se, não apenas para entradas mas para pratos com alguma substância. Foi provado com canelloni e com frango de fricassé e saiu-se muito bem da função em ambas as situações. É um rosé versátil.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lagoalva 2014 (R)
Região: Tejo (Alpiarça)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Syrah, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,15 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

No meu copo 577 - Marquesa de Alorna Reserva 2008

Voltamos a outro campeonato, o dos grandes vinhos. Este é um tinto de topo da Quinta da Alorna, que tem um vastíssimo leque de vinhos nas gamas de entrada, e média. Com este Marquesa de Alorna Reserva estamos a falar de outra coisa.

É um vinho estruturado, robusto, encorpado, muito longo e persistente. Com a idade que já apresenta, não prima pelos aromas primários, antes aromas secundários que só se manifestam no copo algum tempo depois. O aroma é profundo e intenso, com notas terrosas. O final apresenta um toque a especiarias e frutos muito maduros.

Precisa de respirar para se mostrar em plenitude. É caro mas vale aquilo que custa. Nunca o tinha provado e fiquei convencido. Muito bom.

Mais um para a lista dos bons vinhos do Tejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Marquesa de Alorna Reserva 2008 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional, Castelão, Trincadeira
Preço: 18 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

No meu copo 576 - Casa da Ínsua tinto 2012

Um tinto típico do Dão: elegante, suave e macio.

Não sendo extraordinário nem nada de surpreendente, é contudo um vinho que se bebe com agrado e com facilidade, não deixando mal vistos os tintos da região. É um daqueles Dão mais à antiga, livre dos excessos de fruta, de extracção e de madeira. Mesmo os 14% de álcool estão bem integrados e não tornam o conjunto agressivo nem cansativo.

Apresenta-se de cor rubi, com notas de fruta madura e algum floral. Na boca é estruturado mas macio, com boa estrutura mas redondo, com final elegante e persistente.

Apresenta uma boa relação qualidade-preço, portanto é um produto que, sem deslumbrar, pode agradar a um leque alargado de consumidores. A não ser que queiram uma daquelas bombas que estavam na moda há 10 anos: se for esse o caso, podem esquecê-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Casa da Ínsua 2012 (T)
Região: Dão
Produtor: Empreendimentos Turísticos Montebelo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço: 7,20 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

No meu copo 575 - Deu La Deu, Alvarinho 2014

Este é um clássico dos vinhos verdes e em particular nos Alvarinhos: um Alvarinho barato, acessível e fácil de beber. Não está ao nível dos grandes Alvarinhos da região, como é óbvio, mas é uma belíssima opção para provar um Alvarinho pagando pouco.

Apresenta aromas citrinos e tropicais, é acídulo e fresco na prova de boca, com final vivo e persistente. Tem oscilações, com anos melhores e outros menos bons, mas mantém sempre um nível de qualidade consistente e bastante satisfatório.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Deu La Deu, Alvarinho 2014 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Adega Cooperativa Regional de Monção
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 8 de janeiro de 2017

No meu copo 574 - Domaine Félix branco 2014; Villa Maria, Sauvignon Blanc 2015

Revisitamos dois produtores estrangeiros, que curiosamente também tínhamos visitado em conjunto na prova anterior: um francês, da Borgonha, e outro neozelandês, de Marlborough.

Começamos com este Domaine Félix 2014 da Borgonha, região onde são produzidos alguns dos melhores (ou talvez mesmo os melhores) brancos do mundo.

Não é um Sauvignon Blanc como este que já provámos da sub-região de Saint-Bris, mas um Chardonnay da sub-região de Chablis.

Comme d’habitude, revelou a elegância e a finesse que só estes brancos franceses apresentam. É medianamente encorpado, com fruta discreta e alguma mineralidade no nariz. Na boca é redondo, elegante, muito suave e macio. O final é envolvente, seco e com grande frescura.

Tal como o Sauvignon Blanc, não deixa de ser um belo vinho e, sobretudo, tem características irrepetíveis cá no burgo, portanto vale a pena conhecê-lo.

Quanto ao Villa Maria Sauvignon Blanc 2015, que já fez as nossas delícias noutras ocasiões, desta vez ficou aquém das expectativas, pois as características verdes do Sauvignon Blanc estavam marcadas em excesso, com demasiado aroma a pimentos verdes e sobrepor-se ao conjunto. Sabe-se que há determinados aromas típicos e mais marcantes em cada casta, mas tal como na comida com os temperos, quando há um sabor ou um aroma que se sobrepõe a tudo o resto o resultado não é famoso.

Foi o que aconteceu aqui, e foi pena. Talvez o vinho esteja demasiado novo e precise de amadurecer em garrafa, mas se não estivesse pronto não devia estar à venda. Se é uma questão de estilo, não gosto. Se foi uma colheita menos bem conseguida, resta esperar por uma próxima melhor.

Kroniketas, enófilo afrancesado

Vinho: Domaine Félix 2014 (B)
Região: Chablis - Borgonha (França)
Produtor: Hervé Félix – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Preço: 12,35 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Villa Maria, Sauvignon Blanc 2015 (B)
Região: Marlborough (Nova Zelândia)
Produtor: Villa Maria Estate – Auckland
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 7,5