segunda-feira, 16 de julho de 2018

No meu copo 686 - Dory Reserva tinto 2013; Dory branco 2015

A região vitivinícola de Lisboa movimenta-se.

Por toda a extensa área aparecem produtores com vinhos de qualidade e ganham o seu espaço no mercado. Nomes como AdegaMãe, Casa Santos Lima, Companhia Agrícola do Sanguinhal, Enoport, Quinta do Monte d’Oiro, Quinta de Chocapalha, Quinta de Pancas, Quinta do Gradil, Quinta de Sant´Ana do Gradil, Wine Ventures, são alguns dos que se destacam no actual panorama com vinhos de qualidade e que deixaram definitivamente para trás a era do vinho a granel, muito e mau.

Hoje falamos pela primeira vez dum dos produtores mais recentes entre os referidos. A AdegaMãe surgiu próximo de Torres Vedras, na freguesia da Ventosa, pela mão do grupo Riberalves, dispondo de 30 hectares de vinha e uma capacidade de produção de 1,2 milhões de litros por ano.

Uma das suas marcas de destaque é esta, Dory. Composta por várias referências, tivemos oportunidade de provar recentemente o colheita branco e o Reserva tinto.

Sendo dois vinhos substancialmente diferentes no preço, o mesmo se verifica na qualidade. O Reserva tinto 2013 apresenta-se pujante, com aroma vinoso e alguma salinidade a fazer lembrar o ar atlântico, com notas de fruta madura. Na cor apresenta-se carregado e compacto, e na boca mostra uma estrutura envolvente, persistente e arredondada, com final fresco, intenso e longo. Muito bem no estado de evolução, mostrou estar num ponto óptimo de consumo com pratos de carne bem temperados e algo desafiantes.

O branco 2015, pelo contrário, mostrando a acidez e frescura habituais por estas paragens da Estremadura, apresentou-se delgado e de corpo, com aroma discreto, corpo médio e final suave mas curto. Nada de surpreendente dada a diferença de patamar entre os dois vinhos provados.

Dito isto, há que experimentar as alternativas, e investir no branco Reserva. A julgar pelo tinto, promete.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Torres Vedras)
Produtor: AdegaMãe, Soc. Agrícola

Vinho: Dory Reserva 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Dory 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Alvarinho, Arinto, Viognier
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7


sexta-feira, 13 de julho de 2018

No meu copo 685 - Pouca Roupa branco 2017

Continuamos no Alentejo e no universo João Portugal Ramos, com mais uma oferta gentilmente enviada pelo produtor.

Trata-se da mais recente colheita do Pouca Roupa branco, um vinho que tem vindo a melhorar e que parece ter atingido nesta versão de 2017 o ponto óptimo.

Bastante fresco e aromático, boa estrutura e final intenso e vibrante. Equilibrado na prova de boca, com notas de frutos cítricos e tropicais, medianamente seco.

Um vinho cujo nome casa perfeitamente com a época do ano que se quer com menos roupagem. Muito bem para o patamar em que se encontra, tem tudo para ganhar pontos nas preferências dos consumidores.

Este é mais um belo exemplo de como na planície alentejana se podem fazer belíssimos vinhos brancos que enganam o calor do interior. Sob o lema “Vista o Verão com Pouca Roupa”, a empresa aposta nesta gama para a época estival, lembrando que “O vinho Pouca Roupa é trendy, irreverente, ousado e obrigatório num jantar entre amigos. Na versão “branco” ideal para pratos de peixe, mariscos, carnes brancas ou pastas; na versão “rosé” um must para aperitivos ou culinária oriental.”

Entra para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pouca Roupa 2017 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Sauvignon Blanc, Verdelho
Preço em hipermercado: 3,85 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 10 de julho de 2018

João Portugal Ramos, 25 anos - Adega Vila Santa (3ª parte)




Os 25 anos da João Portugal Ramos Vinhos ficam também assinalados por uma reconversão das instalações da Adega Vila Santa, no Monte da Caldeira, mesmo ao lado de Estremoz.

Numa visita que tivemos oportunidade de fazer ao monte, a convite da empresa, pudemos constatar as alterações introduzidas na zona dos lagares fermentação, na adega e na linha de engarrafamento.

Esta, principalmente, é um modelo exemplar de tecnologia ao serviço da distribuição: todo o processo de engarrafamento, rolhagem, rotulagem e embalamento das garrafas é completamente mecânico e automático, desde a colocação das garrafas na linha de engarrafamento a partir das paletes, até ao fecho das caixas com as garrafas. Pelo meio, claro, existem alguns operadores a controlar o percurso e a parar o sistema se houver... engarrafamento na linha de engarrafamento (uma caixa que dobra, uma garrafa que tomba...).

O actual projecto, denominado Caldeira 6 (o primeiro foi em 1997) consiste também em concentrar todas as linhas de engarrafamento em Estremoz, incluindo aqui os projectos dos Vinhos Verdes, Duorum e Foz de Arouce. Simultaneamente estão a ser concluídos 6 novos lagares de cimento que já deverão ser utilizados para a pisa na próxima vindima.

Finalmente, o enólogo/produtor separou-se da Falua e encerrou o capítulo do seu projecto de vinhos no Tejo, embora ainda mantenha a mesma imagem nas garrafas durante os próximos dois anos.

Terminado o percurso pela adega e junto às vinhas, parámos num alpendre onde nos aguardavam alguns acepipes para aconchegar o estômago, como uma espécie de paté de caça, queijos e enchidos, acompanhados pelo mais recente espumante da casa, o Marquês de Borba bruto rosé 2014. Elaborado com duas castas tintas, Pinot Noir e Touriga Nacional, é um rosé seco, elegante e vibrante na boca, revelando uma boa frescura e vivacidade. Nota: 8

Passámos então à sala onde decorreu o almoço, onde os convidados foram distribuídos por quatro mesas indicadas nos rótulos de garrafas estrategicamente dispostas à entrada. Em cada mesa ficou pelo menos um representante da casa, e no meu caso tive a companhia duma das responsáveis pela exportação, Maria Pica, que já passou antes pela enologia.

O prato de entrada foi um bacalhau confitado sobre cama de caldo verde, acompanhado pelo novo Marquês de Borba Vinhas Velhas branco 2017. Esta nova marca já tem o dedo do filho mais velho de João Portugal Ramos, João Maria, que já participa activamente na enologia. Elaborado com Arinto, Antão Vaz, Alvarinho e Roupeiro, é um vinho com estrutura e com boa acidez mas que neste momento ainda está demasiado marcado pela madeira. Precisa claramente de tempo em garrafa para crescer e amaciar. Nota: 7

Seguiu-se o prato de carne, galinhola estufada (uma delícia), que foi acompanhada por dois tintos: um vinho surpresa, servido a partir de decanter para não criar expectativas antecipadas, e que se revelou ser o mais recente Marquês de Borba DOC tinto 2017, que a partir de agora passará a ostentar a palavra “Colheita” no rótulo. João Portugal Ramos explicou que considera esta uma das melhores colheitas já realizadas do Marquês de Borba, pelo que resolveu dá-lo a conhecer neste almoço. Foi elaborado com as castas Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot e Merlot, tendo estagiado em meias pipas de carvalho. Apresentou-se bastante frasco e aromático, com aroma intenso a frutos vermelhos maduros, com taninos redondos e suaves. Continua a ser uma referência nesta gama de vinhos. Nota: 7,5

Em seguida um dos vinhos mais esperados do dia, o Marquês de Borba Vinhas Velhas tinto 2016, já referido no post anterior.

Para terminar, uma repetição do jantar comemorativo dos 25 anos, o Porto Vintage Dourum 2007. Excelente como sempre. Nota: 8,5

Foi uma magnífica e agradável jornada, a qual agradecemos a toda a equipa da João Portugal Ramos Vinhos e em especial ao enólogo-produtor, que ainda nos agradeceu no final por termos lá estado. Nós é que agradecemos por toda a simpatia com que nos têm tratado, com uma palavra para Marta Lopes que nos mantém sempre em contacto. Só podemos deixar aqui uma enorme vénia a esta família e a esta equipa, e os votos de que venham pelo menos outros 25 anos com tanto ou mais sucesso como até aqui.

O nosso muitíssimo obrigado, e até ao próximo evento ou ao próximo vinho.

Kroniketas, enófilo itinerante

quarta-feira, 4 de julho de 2018

No meu copo 684 - Marquês de Borba Vinhas Velhas tinto 2016

No seguimento da recente visita à Adega Vila Santa, onde fomos presenteados com uma garrafa do novo Marquês de Borba Vinhas Velhas branco e outra de tinto, já tive oportunidade de provar o tinto em casa.

Ainda na senda dos 25 anos, que ficou igualmente marcada pela reestruturação da adega, foi lançada esta nova marca, já com a mão do filho mais velho, João Maria.

É um vinho mais estruturado que o Marquês de Borba colheita, com uma intensidade aromática mais evidente, com notas de frutos pretos e especiarias. Na boca é encorpado e estruturado, com um final longo e com taninos bem firmes mas já suaves. Fermentou em lagares de mármore, com pisa a pé, estagiando posteriormente um ano em barricas de carvalho francês e americano.

Embora seja já perfeitamente bebível, é um vinho com características para crescer em garrafa, que lhe deve proporcionar alguma complexidade acrescida.

O preço é ambicioso, pelo que precisa de se afirmar neste patamar de preços, onde tem concorrência de peso.

Quanto ao branco, de que também temos uma garrafa, vai esperar pelo menos um ano, pois está claramente a precisar de amaciar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2016 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Syrah
Preço: 15 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 29 de junho de 2018

João Portugal Ramos, 25 anos - Jantar comemorativo (2ª parte)




As comemorações dos 25 anos de actividade ocorreram em Setembro de 2017 com um jantar no Palácio da Cidadela de Cascais. Começou cá fora, com a degustação de entradas e espumante em convívio descontraído, embora houvesse um dress code que exigia o uso de fato e gravata. Mas a ocasião assim o justificava.

Perante uma plateia cheia com algumas centenas de pessoas, onde se encontravam familiares, colaboradores, jornalistas, empresários, bloggers, entidades do sector vinícola e até o Ministro da Economia, e naturalmente também José Maria Soares Franco, foram feitas algumas intervenções e uma breve apresentação de slides que resumia o percurso de João Portugal Ramos.

No discurso de boas-vindas, o enólogo-produtor destacou a qualidade dos vinhos nacionais e chamou a atenção para a importância da nossa afirmação como país de vinhos, antes da afirmação das regiões dada a nossa dimensão. Nada que não se saiba já mas que nunca é demais lembrar. Por sua vez, o Ministro da Economia destacou o bom momento económico do país e do sector vinícola em particular, com ênfase nas exportações.

O serão foi longo e constou de 3 pratos e 3 vinhos, e principalmente de muita conversa à mesa. Em cada mesa estava pelo menos um representante da equipa nas suas diversas valências.
Para além do espumante Alvarinho Reserva Bruto Natural 2014, degustado na entrada, provou-se o Vila Santa Reserva branco 2016 com o prato de peixe, o Marquês de Borba Reserva tinto 2011 com o prato de carne e para finalizar provou-se um Porto Vintage Duorum 2007.

Mais importante que a descrição dos vinhos foi o convívio. No entanto, o vinho continua a ser o mote principal da conversa, pelo que se impõe deixar umas breves palavras sobre os líquidos degustados.

O espumante João Portugal Ramos Alvarinho Reserva Bruto Natural 2014 foi uma belíssima surpresa para começar. Já tinha surpreendido há uns anos aquando da apresentação do seu verde Alvarinho, e agora este espumante seguiu-lhe as pisadas. Muito fresco, vivo e intenso, de bolha fina e persistente e muito elegante na boca revelou-se uma óptima escolha não só para as entradas mas também para a época do ano, com o Verão a despedir-se. Nota: 8

Já no jantar, o Vila Santa Reserva branco 2016 apresentou-se com persistência média, com um toque de citrinos e também de frutos tropicais. Boa estrutura na boca embora ainda um pouco marcado pela madeira. Elaborado com Arinto, Alvarinho e Sauvignon Blanc, tem tudo para dar certo mas talvez precise de mais algum tempo em garrafa. Nota: 7,5

Já o Marquês de Borba Reserva tinto 2011 foi uma das estrelas. É um grande vinho cujo único defeito, neste caso, foi o pouco tempo que teve para ser degustado. Num evento com estas características, vinhos destes ficam sempre um pouco penalizados pela rotação dos pratos e dos vinhos. Este é claramente dos que precisam de ser decantados, servidos e degustados pachorrentamente, à boa maneira alentejana, ao longo da refeição para lhe descobrir todos os segredos. É estruturado, robusto, persistente, com taninos bem firmes mas domados por um corpo que nunca mais acaba. Só lhe faltou tempo. Nota: 8,5

Finalmente, um Porto Vintage Duorum 2007 para fim de festa. Mais um belíssimo vinho, encorpado, cheio, robusto, ainda muito jovem e vivo nos seus 10 anos de idade. Uma bela forma de terminar o serão. Nota: 8,5

Para a despedida ainda fomos brindados com a garrafa cujo conteúdo pude finalmente apreciar recentemente, e cuja descrição se fez no post anterior.

Kroniketas, enófilo em celebração

terça-feira, 26 de junho de 2018

No meu copo 683 - João Portugal Ramos, 25 anos (1ª parte)



João Portugal Ramos, um dos nomes de referência entre os enólogos portugueses e uma das locomotivas na caminhada dos vinhos alentejanos até ao topo das preferências dos consumidores, completou 25 anos de actividade a solo em 2017 com o seu projecto Vila Santa.

Este notável quarto de século foi assinalado por algumas iniciativas de que agora damos conta, começando por um vinho único que foi oferecido aos participantes no final do jantar comemorativo dos 25 anos, que teve lugar em Cascais.

Este vinho, tal como a ocasião, é especial. Foi elaborado especialmente para assinalar a efeméride. Foi elaborado com castas do Douro e do Alentejo, não especificadas, e engarrafado em garrafas magnum numa edição limitada de apenas 1500 exemplares.

E se a garrafa é vistosa, muito mais vistosa é caixa onde vinha guardada, um verdadeiro invólucro de luxo. Aqui reproduzimos a imagem da caixa e os dizeres do verso.

Quanto ao conteúdo, o enólogo sugere-nos que podemos esperar mais uns 25 anos, mas pareceu-me que era melhor não... E quando foi possível juntar quórum para despejar o conteúdo, assim se fez.

O vinho é, também ele, um luxo. Robusto, pujante, estruturado e persistente, mas ao mesmo tempo sedoso e elegante. Feito com carinho e desvelo, é o que se sente ao degustá-lo.

Um grande vinho que é uma bela homenagem a um grande enólogo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: João Portugal Ramos 25 Anos (Edição Limitada)
Região: Douro e Alentejo
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 23 de junho de 2018

No meu copo 682 - Quatro Castas Reserva 1998

“Resultou um vinho rico e encorpado, com uma grande profundidade e complexidade sugerindo compotas, tostados e especiarias resultantes da integração da fruta com a madeira.”

Assim reza o contra-rótulo deste vinho produzido há 20 anos!

Conhecemo-lo desde essa altura, ou antes, e nesta versão Reserva e com este rótulo sempre foi um vinho que nos encheu as medidas, bem mais do que as novas e mais modernas versões.

Em comparação com outras colheitas entretanto provadas, já não revela a pujança e a vivacidade que era característica desta versão, mas mostrou ainda grande saúde, bastante elegância e suavidade mas ainda alguma estrutura e persistência.

Não é um grande vinho velho, mas ainda é um belíssimo vinho velho.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quatro Castas Reserva 1998 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 19 de junho de 2018

No meu copo 681 - Pêra-Manca branco 2005

Passados anos, voltei a cruzar-me com esta versão em branco deste vinho emblemático da Fundação Eugénio de Almeida.

É sempre um vinho que se bebe com elevada expectativa, mas neste caso esperou tempo demais. Se os tintos velhos me deliciam, com os brancos não se passa o mesmo.

A cor era quase de mel, a frescura já se foi embora, o corpo também fazia lembrar mel, mas eram evidentes as notas de redução.

Há um ponto limite nos brancos a partir do qual o perfil muda completamente, e não é nesse que me sinto de todo confortável.

Dado o custo do vinho, é demasiado tempo na garrafa, acabando por se perder o melhor que ele tem para dar.

São gostos, e este não é o meu. Da próxima vez será um bem mais novo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pêra-Manca 2005 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 26,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Lançamento de vinhos brancos da Enoport - Cabeça de Toiro e Quinta do Boição




Com bastante atraso (o que infelizmente tem acontecido nos últimos tempos, por manifesta falta... de tempo para publicar mais depressa e... em devido tempo), aqui damos conta do lançamento de novos vinhos brancos da Enoport United Wines, que teve lugar na sede do Instituto da Vinha e do Vinho, das marcas Cabeça de Toiro e Quinta do Boição.

O evento teve a presença do enólogo Nuno Faria e do viticultor João Vicêncio, que fizeram a apresentação dos vinhos em prova, e da directora de marketing Ana Sampaio, que geriu o decorrer dos trabalhos.

Foi feita uma breve apresentação da Enoport (que como é sabido absorveu as Caves Velhas e as Caves Dom Teodósio, entre outras) e das características das regiões onde a empresa produz vinhos, Tejo e Bucelas.

Na região Tejo, demarcada em 1989 e que obteve a denominação de origem em 2000, a empresa produz vinhos na Quinta de São João Baptista, que fica situada próximo da Reserva natural do Paul do Boquilobo, na confluência do rio Almonda com o Tejo. Esta quinta fica no terroir designado como bairro, considerado o mais apto para a produção de melhores tintos.

Em Bucelas, região demarcada em 1911, são produzidos vinhos na Quinta do Boição, anteriormente propriedade das Caves Velhas, entre os quais se conta a marca clássica “Bucellas Caves Velhas”.

Pela ordem, foram apresentados os vinhos que se enumeram em seguida.

Da região Tejo vieram os seguintes vinhos:

Cabeça Toiro Reserva branco 2016

Foram produzidas 20.000 garrafas deste vinho elaborado com um lote de Arinto, Sauvignon Blanc e Chardonnay, sendo que este amadurece um mês mais cedo que o Arinto. É um vinho equilibrado e bem balanceado entre frescura e acidez.

PVP recomendado: 5,99 €


Cabeça de Toiro Reserva Arinto Edição Limitada 2016

Produzidas 5000 garrafas a partir dum clone de Arinto trazido da Quinta do Boição. Mostrou-se melhor no nariz que na boca, onde apareceu algo linear.

PVP recomendado: 11,99€


De Bucelas vieram os vinhos que se referem:

Bucellas Caves Velhas 2016

Fermentado em inox, sem madeira, com maceração pelicular. Foram produzidas 100.000 garrafas. É o Arinto clássico de Bucelas, com notas citrinas e florais muito bem definidas e um branco mais ou menos universal, para todas as ocasiões.

PVP recomendado: 3,99€


Quinta do Boição Reserva 2016

Uma nova versão deste monocasta Arinto, com um novo rótulo a evocar as cepas de vinhas muito velhas.

Vinificado com desengace total e maceração pelicular a frio, 30% termina a fermentação em barrica usada, durante 30 a 45 dias. Produzidas 8000 garrafas. É um vinho que combina acidez com alguma mineralidade e aromas a frutos exóticos, com final persistente e vivo. É um vinho mais estruturado, para pratos com outra exigência gustativa.

PVP recomendado: 11,99€


Quinta do Boição Vinhas Velhas Grande Reserva 2014, Edição Limitada e Numerada

Produzidas 2300 garrafas desta novidade, outro monocasta de Arinto. Estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês. É um vinho volumoso e complexo, conferindo outro perfil ao Arinto, num registo menos imediato e mais exigente em termos de prova. Claramente um vinho para a mesa.

PVP recomendado: 19,90€


No final desta agradável apresentação, ainda houve tempo para um cocktail noutra sala, com diversos petiscos doces e salgados à disposição dos convidados e todos os vinhos apresentados em prova.

Dito isto, temos de deixar aqui um enorme obrigado à Enoport, com uma referência muito especial à directora de marketing Ana Sampaio pela simpatia e atenção dispensadas, e pela paciência para esperar por estas publicações...

Pela nossa parte, os vinhos da casa fazem parte dos que vamos visitando quando a ocasião se proporciona.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 11 de junho de 2018

No meu copo 680 - Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon tinto 2008

A apresentação deste vinho, ocorrida o ano passado, mereceu-nos este comentário:

O grande vinho foi mesmo o mais antigo, o lote de 2008 de Cabernet e Touriga. Disse Jorge Moreira que era pena não poderem vender todos os seus tintos com 9 anos de idade, como este. A verdade é que o vinho está... enorme! Aroma intenso e vinoso, grandes estrutura e persistência, ao mesmo tempo redondo na boca e com taninos elegantíssimos. Um portento!”

Tivemos agora oportunidade de bebê-lo à refeição. Sem surpresa. Confirmou todas as impressões anteriores. É um vinhão!

Em vez de fazer descrições, permito-me transcrever, em vez disso, quatro trechos retirados de outros sites, com a devida vénia. O que se diz abaixo dispensa mais comentários.

“Este vinho, limpo e brilhante de cor rubi profundo, foi concebido como um lote original de Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Resultado do seu estágio em barricas de carvalho, o vinho demonstra intensidade e complexidade, ao mesmo tempo finesse e elegância. Equilibrado por uma excelente estrutura, mostra-se encorpado, e os aromas de fruta preta, baunilha, tabaco e chocolate revelam um enorme potencial para evolução em garrafa.”
(https://www.cavelusa.pt/produto/3103/QuintadeCidroCaberneteTourigaNacionalTinto)

“18 meses de estágio em barrica. Quase dez anos sem se dar por isso. Cheio de vitalidade. Com a barrica a abraçar a fruta, num perfil atractivo onde se notam as elegantes notas vegetais da Cabernet. É tão bem feito e tão prazeroso que, independentemente das crenças, agrada a todos.”
(https://www.joli.pt/quinta-de-cidro-novidades-para-2017/)

“Cor rubi muito escuro, retinto. No nariz são bem perceptíveis os aromas a fruta preta compotada, bem conjugada com a madeira e a baunilha. Na boca é profundo e encorpado. Possui taninos muito leves e baixa percepção alcoólica. Revela boa concentração e ligeira doçura. Final de comprimento longo com incremento de acidez.”
(https://www.continente.pt/stores/continente/pt-pt/public/Pages/ProductDetail.aspx?ProductId=5423107(eCsf_RetekProductCatalog_MegastoreContinenteOnline_Continente)

“Este vinho apresenta um estrutura poderosa com uma complexidade no olfacto impressionante. Aromas de frutos pretos, pimentos, baunilha, chocolate e notas florais típicas do Douro permitem um bouquet verdadeiramente notável. Na prova, demonstra potencia e complexidade, ainda que fino e elegante. Um vinho com elevado potencial de envelhecimento em garrafa.”
(https://fozgourmet.com/pt/portugal/1051-quinta-de-cidro-cabernet-sauvignon-touriga-nacional-2008-tinto.html)

Por tudo o que ficou dito, obviamente, entra directamente para a nossa lista de preferências. Não é barato, mas vale bem cada cêntimo que custa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Na Wine Company 2 - Quinta do Monte d’Oiro



Subitamente, encontrei uma pasta com umas fotografias esquecidas, duma prova que decorreu há largos meses na garrafeira The Wine Company com vinhos da Quinta do Monte d’Oiro. Esta garrafeira mudou de localização, situando-se agora na Rua Barão de Sabrosa, por trás da fonte luminosa da Alameda D. Afonso Henriques.

Apesar de já ter perdido actualidade, resolvi publicar este apontamento dada a qualidade dos vinhos em prova. Este presente o filho do produtor José Bento dos Santos, Francisco Bento dos Santos, que nos apresentou o Lybra branco e o rosé, mais uma gama de tintos de excelência.

Há quem goste mais do estilo, há quem goste menos. Há quem ache que estes vinhos não são nada de especial.

Não é o nosso caso, que já tivemos oportunidade de provar os vários vinhos da casa por mais de uma vez, e dentro dos vinhos tintos concebidos com base na casta Syrah estes estão seguramente entre os melhores produzidos em Portugal. Com um perfil diferente, ao mesmo nível só estarão os das Cortes de Cima, mas os da Quinta do Monte d’Oiro serão porventura aqueles que melhor expressam a casta em território nacional.

Baseados noutras castas (Touriga Nacional e Tinta Roriz, respectivamente), tanto o Aurius como o Têmpera mostram também um perfil de excelência. As nossas impressões, recolhidas anteriormente, confirmaram-se em pleno nesta prova.

Estes vinhos são o melhor exemplo de que a robustez se pode conjugar com a finesse e a elegância, e confirmam uma designação que inventei para eles ainda no tempo da marca Vinha da Nora: são o que eu chamo “vinhos aristocráticos”.

Sou fã de todos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 5 de junho de 2018

No meu copo 679 - Casa da Passarela, A Descoberta branco 2016

Um regresso a este branco do Dão que impressionou na primeira prova e confirmou as boas sensações anteriores. Na linha desta marca intitulada “A Descoberta”, e à semelhança do que acontece com o tinto e o rosé, é um vinho elegante, suave e muito aromático, com uma boa acidez e frescura na boca.

É um valor já firmado e que se estabeleceu como uma boa escolha por um preço muito atractivo, pelo que entra nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2016 (B)
Região: Dão
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13%
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 2 de junho de 2018

No meu copo 678 - Quinta dos Carvalhais tinto 2010

Nem sempre este Colheita da Quinta dos Carvalhais nos tem convencido. Por vezes parece faltar-lhe alguma personalidade, alguma tipicidade do Dão, mostrando-se algo incaracterístico e indefinido.

A verdade é que quase sempre o provamos relativamente novo, com a colheita que está no mercado. Esta garrafa foi adquirida em 2015 e, provada agora em 2018, pareceu que o tempo lhe fez bem.

Apresentou-se um vinho de cor rubi carregada, muito bem equilibrado, com aromas intensos a frutos vermelhos maduros e do bosque e um bouquet amplo e profundo.

Na boca mostrou boa estrutura, com os taninos firmes mas muito redondos e equilibrados sem marcarem o conjunto, com as notas de madeira muito discretas.

Perante esta prova, parece-nos estar claramente perante um vinho de guarda e não de consumo imediato. Precisa de evoluir na garrafa, pois esse tempo fá-lo crescer para mostrar aquilo que pode dar. Neste caso, com quase 8 anos, pareceu estar no ponto óptimo de consumo, pelo que não vale a pena ter pressa em bebê-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Carvalhais 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 30 de maio de 2018

7º Festival do Vinho do Douro Superior

Decorreu no passado fim-de-semana, em Vila Nova de Foz Côa, a 7ª edição do já clássico Festival do Vinho do Douro Superior, como habitualmente organizado pela revista Vinho Grandes Escolhas.

Contando com um número record de participações no Concurso de Vinhos do Douro Superior, que este ano ascendeu a 184, a edição de 2018 superou também o máximo de visitantes, que ultrapassou os 9000.

Esta edição teve ainda um atractivo especial, que foi a presença do Master of Wine Dirceu Vianna Júnior, “que contactou com muitos dos produtores presentes e teve oportunidade de provar muitas dezenas de vinhos, tendo ficado impressionado com a qualidade geral exibida e com o forte dinamismo do Douro Superior” (informação oficial).

No capítulo do concurso de vinhos, porventura o evento que desperta mais curiosidade, os vencedores nas três categorias foram o Duas Quintas Reserva branco 2016 (Adriano Ramos Pinto), o ZOM Touriga Nacional Grande Reserva tinto 2011 (Barão de Vilar), e o Duorum Porto Vintage 2011 (Duorum Vinhos).

Foram ainda entregues mais 22 Medalhas de Ouro (6 para brancos, 12 para tintos e 4 para vinho do Porto) e 41 Medalhas de Prata (12 para brancos, 25 para tintos e 4 para vinho do Porto). A soma totaliza 66 vencedores (mais 15 do que no ano passado).

Obrigado a Joana Pratas – Consultoria em Comunicação pelo envio da informação e das fotos do evento.

Foto dos vinhos vencedores: Ricardo Palma Veiga.

Kroniketas, enófilo informado

sábado, 26 de maio de 2018

No meu copo 677 - Novidades da Adega Cooperativa da Vidigueira (2ª parte)

Os brancos monocasta




Foram estas as grandes novidades no portefólio da Adega Cooperativa. Com o lema White Inspiration gravado na caixa, esta nova marca VDG foi apresentada no formato de vinhos brancos monocasta da colheita de 2016 e, amavelmente, a empresa ofereceu uma caixa com os seis vinhos a cada um dos presentes.

Só agora tive oportunidade de degustá-los a todos à refeição. Provei-os em mais de uma ocasião, com entradas e com pratos de peixe. As impressões recolhidas não diferiram muito daquelas que tinha obtido durante o período de welcome drink antes do almoço no Espelho d’Água e depois no próprio almoço.

Seguindo a ordem alfabética, comecemos pelo Alvarinho. Foi uma belíssima surpresa, a confirmar que esta casta oriunda do verde Minho dá-se muito bem por terras alentejanas e traz para a planície a acidez, frescura e tropicalidade que outras castas autóctones nem sempre conseguem. Foi um dos melhores deste grupo de seis. Muito bem conseguido.

O Arinto, embora agradável e mostrando as características típicas da casta, ficou atrás do Alvarinho, com os aromas mais contidos e a acidez menos marcada. Algo delgado e corpo.

O Chardonnay não se mostrou muito expressivo em termos aromáticos, com nuances tropicais discretas, alguma estrutura sem grande complexidade e final algo curto.

O Verdelho mostrou mineralidade, boa intensidade aromática, corpo médio e final de média intensidade.

O que menos me agradou foi a novidade absoluta, o Vermentino, uma casta italiana típica da costa mediterrânica, da ilha da Sardenha e também da francesa Córsega. Talvez por não estar habituado ao perfil desta casta, achei o vinho bastante delgado, curto de boca e com sabor algo incaracterístico. A prova em casa voltou a mostrar o mesmo perfil, não me convencendo.

Finalmente, o Viognier, que disputou com o Alvarinho a primazia. Muito bom aroma, mineral, intenso, vivo e cheio na boca, final longo e persistente.

Em resumo, este conjunto de seis vinhos mostrou-se uma opção interessante para conhecer o comportamento destas castas no terroir da Vidigueira. O nível médio é bastante interessante, mas se tivesse de escolher os “meus” melhores a opção recairia no Alvarinho e no Viognier, em primeiro lugar, seguidos do Arinto no último lugar do pódio.

Quanto ao Vermentino, será preciso conhecer melhor a casta para poder compreendê-la e apreciar o seu perfil.

Obrigado aos responsáveis da Adega Cooperativa e aos organizadores pelo convite para este excelente momento e pela oferta destes vinhos. As provas mais recentes mostram que esta cooperativa está a renovar-se e a renascer no panorama vínico português. O caminho que está a ser percorrido vai certamente conduzir os destinos da empresa a um bom porto.

Vamos continuar a explorar estes vinhos, que nos ajudam igualmente a mostrar um novo Alentejo, como nas mais recentes provas dos vinhos desta sub-região.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: VDG, Alvarinho 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alvarinho
Nota (0 a 10): 8

Vinho: VDG, Arinto 2016 (B)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Arinto
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: VDG, Chardonnay 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 7

Vinho: VDG, Verdelho 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Verdelho
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: VDG, Vermentino 2016 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Vermentino
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: VDG, Viognier 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Viognier
Nota (0 a 10): 8