segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

No meu copo 399 - Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2011

Subitamente, a surpresa. Temos aqui elogiado frequentemente os rosés do Tejo, com destaque para o Quinta da Alorna e o Fiúza, pelas suas características de frescura, secura e leveza, grau alcoólico moderado e equilíbrio entre corpo, estrutura e aroma. Ainda recentemente aqui referi positivamente dois brancos da casa muito agradáveis.

Sem que nada o fizesse prever, esta colheita de 2011 do Fiúza, mantendo o lote de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon foi uma completa decepção. Falta-lhe frescura, exuberância aromática, persistência e acidez. Mostrou-se algo doce, liso, chato e simples.

Não sei se foi azar com a garrafa, uma colheita menos feliz, ou se o produtor mudou o método de concepção do vinho. Se for este o caso, temo que estejamos perante o abandono duma receita de sucesso para optar por um caminho que poderá levar antes ao fracasso. Porque este, definitivamente, não é o Fiúza rosé de que eu gosto e que recomendo.

Se as próximas colheitas continuarem a ser assim, está condenado a ser riscado da minha lista de compras.

Kroniketas, enófilo desiludido

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2011 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

No meu copo 398 - Frei João rosé 2011

Continuando na linha dos vinhos de Verão, provámos este rosé das Caves São João, um vinho barato e com uma cor salmão aberta que se vê logo na garrafa.

As expectativas não eram muito elevadas, mas ao ver no contra-rótulo a informação de que tinha sido produzido apenas com Touriga Nacional o pensamento mudou, porque esta casta, para além da invasão nos tintos de norte a sul, tem-me proporcionado alguns encontros com os melhores rosés do país (posso citar os exemplos dos ribatejanos Quinta da Alorna e Fiúza, este em lote com o Cabernet Sauvignon, e dos durienses Vallado e Quinta de Cidrô, já aqui referidos noutros posts e no post anterior).

Dentro dessa linha, confirmou-se que a Touriga permite fazer vinhos rosados muito aromáticos, suaves, macios e nada pesados. Com um ligeiro aroma floral, típico da casta, e notas de framboesa e morango no paladar, é medianamente encorpado e com um final fresco, suave e agradável.

É um vinho feito para agradar e que não desilude, antes pelo contrário: pelo preço que custa, até supera as expectativas. Vale a pena experimentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2011 (R)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

No meu copo 397 - Volúpia branco 2010

Eis um branco que é praticamente desconhecido no panorama nacional, e que no entanto merecia outra visibilidade. Tive oportunidade de adquirir uma garrafa há algum tempo por um preço bastante interessante e o resultado excedeu as expectativas.

É verdade que as Caves São Domingos, como outros produtores da Bairrada, não são das mais badaladas, e no entanto já têm 75 anos de história!

Não sendo um vinho extremamente voluptuoso, como o seu nome sugere, é bastante aromático, equilibrado, com corpo médio e final longo. Contém uma combinação bastante interessante de castas com características muito diferentes: a Maria Gomes, a única tradicional da região, a conferir alguma estrutura e mineralidade; o Chardonnay a não mostrar aquele perfil enjoativo que muitas vezes obtém quando estagiado em madeira (o vinho estagiou apenas em inox), tornando o vinho mais denso e cheio; e o Sauvignon Blanc a trazer alguma frescura e elegância, bem como algumas notas florais e citrinas a par com uma certa tropicalidade.

Conjunto muito interessante, a explorar novamente. Recomenda-se com entradas, mariscos, peixes suaves e requintados e pratos não demasiado pesados. Juntámo-lo à nossa lista de sugestões, pois é um vinho que dificilmente irá desiludir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Volúpia 2010 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves do Solar de São Domingos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Maria Gomes
Preço: 4,85 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

No meu copo 396 - Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012

Numa época em que cada vez mais as castas viajam pelo mundo, e principalmente no chamado “novo mundo” a produção de vinho é dominada pelas castas internacionais mais badaladas, difícil é, por vezes, fugir do trio Cabernet Sauvignon-Syrah-Merlot nos tintos e do duo Chardonnay-Sauvignon Blanc nos brancos, sobrando algum (pouco) espaço para o Pinot Noir ou o Pinot Gris. Depois, aqui e ali, lá se encontra uma ou outra casta que encontrou espaço e fama em determinado país, como a Malbec na Argentina ou a Carmenère no Chile, assim como o Alicante Bouschet em Portugal.

Quando se fala na grande produção para o grande comércio, contudo, vamos quase sempre cair no mesmo. Neste caso falamos da Cono Sur, um produtor chileno de grande volume que tem à venda em Portugal uma significativa quantidade de vinhos varietais a preços praticamente imbatíveis e baseados nas castas internacionais mais badaladas.

Tenho sido um fã desta casta da moda, pois tem um perfil que me agrada bastante, pelos aromas tropicais misturados com algum citrino e um certo toque vegetal que habitualmente apresenta. Neste caso, tratou-se duma escolha num jantar de família no restaurante Marítima do Restelo, próximo do Centro Cultural de Belém, e despertou-nos a atenção o nome curioso do vinho, para além da casta, naturalmente. O preço, para restaurante, não estava fora do razoável e mandámos vir uma garrafa para acompanhar um saboroso arroz de garoupa.

O vinho correspondeu ao que dele se esperava: suave, aromático com um toque citrino a par com algum maracujá, com estrutura média na boca, fresco e vivo, com acidez crocante e final seco e persistente.

Bebeu-se com facilidade e com agrado, e não deslustrou os pergaminhos da casta, que não sendo propriamente consensual tem vindo a disseminar-se e a impor-se um pouco por todo o lado. Em resumo, um vinho que satisfez, apropriado para entradas ou pratos de peixe não demasiado condimentados.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cono Sur Bicicleta, Sauvignon Blanc 2012 (B)
Região: Central Valley (Chile)
Produtor: Cono Sur Vineyards & Winery - Santiago
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço no restaurante: 12 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

No meu copo 395 - Loios branco 2013; Tons de Duorum branco 2013; Conde de Vimioso Espumante extra-bruto 2009

Correspondendo à simpatia da João Portugal Ramos Vinhos, que nos tem obsequiado com a oferta de algumas garrafas do seu portefólio de vinhos alentejanos, ribatejanos e durienses, aproveitámos o tempo quente para abrir três brancos recebidos recentemente, todos de diferentes regiões: um Loios branco, um Tons de Duorum branco e um espumante Conde de Vimioso.

Depois de já termos provado diversas marcas, em branco, tinto e rosé, e encontrado algumas gratas revelações, desta vez temos de confessar que nos ficámos pela mediania. Também não é segredo que a marca Loios funciona como entrada de gama nos vinhos do produtor e enólogo no Alentejo, conquanto o Loios tinto seja habitualmente um vinho que tem uma qualidade bem acima do seu preço.

Neste caso, o Loios branco mostrou-se essencialmente um vinho simples, sem grandes pretensões, de aroma frutado discreto, suave mas curto na boca. Alguns furos abaixo do seu irmão tinto na relação qualidade/preço.

O Tons de Duorum branco, de que já tínhamos provado a colheita de 2012, nesta de 2013 mostrou-se mais simples, um pouco curto na boca e com aromas frutados discretos. Pareceu ser uma colheita inferior à anterior.

Quanto ao espumante Conde de Vimioso, um extra-bruto (praticamente sem açúcar residual, portanto), foi bebido a acompanhar sobremesas. Usando uma casta tinta e uma branca, à boa maneira de Champagne, fermentou parcialmente em meias pipas de carvalho francês. Mostrou-se com alguma estrutura mas sem grande volume de boca e final também algo curto e aroma discreto.

Em suma, dois vinhos mais simples que complexos, posicionando-se num patamar de combate pelo preço. Outros, destinados a mais altos voos, estão guardados para ocasiões mais exigentes...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Loios 2013 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Rabo de Ovelha, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 2,74 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Tons de Duorum 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Conde de Vimioso espumante extra-bruto 2009 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 6

segunda-feira, 28 de Julho de 2014

No meu copo 394 - Vila Santa Reserva 2008

Este é já um clássico do Alentejo, e uma marca emblemática dos vinhos de João Portugal Ramos na região.

Esta colheita de 2008 já repousava na garrafeira desde 2010, e agora quase 4 anos depois resolvi experimentá-lo para ver como estava a sua evolução. Fiquei surpreendido com o estado de saúde do vinho, pois parecia um vinho ainda novo. Com uma cor granada ainda fechada, muito concentrada, aromas a fruto maduro algo contidos, muito estruturado e robusto na boca e com os taninos ainda bem presentes, com um ligeiro abaunilhado e alguma tosta da madeira onde estagiou.

Combinando um lote de 5 castas, é um vinho que está para durar, não apresentando quaisquer sinais de declínio, parecendo que ainda vai melhorar e amaciar dentro da garrafa. Pede pratos de carne bem temperados para se baterem com os taninos robustos, o corpo do vinho e uma certa rusticidade que apresenta.

Dentro desta gama de preço, é um vinho de referência tanto no Alentejo como no país, tendo o selo de garantia de João Portugal Ramos, pelo que à partida será sempre uma aposta segura.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vila Santa Reserva 2008 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

No meu copo 393 - Artefacto Colheita Seleccionada, Syrah 2010

Este foi um dos vinhos adquiridos numa promoção da revista Sábado que decorreu durante algumas semanas no ano de 2012.

Sendo completamente desconhecido para mim, fui atrás do nome do enólogo, um dos mais conceituados no país e já com um longo trajecto no Alentejo, tendo começado a sua carreira precisamente aí, na Herdade do Esporão.

Embora eu não seja um grande apreciador dos resultados obtidos com os vinhos varietais de Syrah produzidos no Alentejo (ao contrário das grandes loas que são tecidas pela generalidade da crítica especializada, fico sempre com uma sensação enjoativa e de falta de garra e frescura nestes vinhos, e já tive variadíssimos casos destes), este surpreendeu-me pela positiva, mostrando precisamente aquilo que normalmente lhes falta: garra, frescura, persistência, aroma intenso.

Embora ainda proveniente da época em que praticamente todos os vinhos eram produzidos com um grau alcoólico demasiado elevado, este não se mostrou enjoativo nem cansativo, o que abona o trabalho de enologia realizado. Apresentou-se cheio, longo, com boa estrutura e pujança, a pedir pratos exigentes e bem temperados. Fermentou 9 meses em barricas de carvalho americano mas a madeira não se mostra em excesso, estando bem integrada e ajudando a conferir estrutura ao conjunto, apresentando já taninos firmes mas arredondados sem esconder o aroma a fruto maduro.

Tendo sido uma experiência única até agora, confesso que me agradou bastante pois primou sobretudo pelo equilíbrio em todas as componentes. Em suma, valeu a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Artefacto Colheita Seleccionada, Syrah 2010 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Luís Duarte Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Syrah
Preço: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 20 de Julho de 2014

No meu copo, na minha mesa 392 - Crasto Superior 2010; Restaurante Sal & Brasas

 

Um encontro à hora de almoço permitiu-nos reunir alguns dos Comensais Dionisíacos num restaurante próxima da Calçada das Necessidades: fica na Rua das Necessidades, perto do Palácio das Necessidades e chama-se Sal & Brasas.

À entrada existe um cartaz em ardósia com os destaques do menu do dia, mas depois de franqueada a porta temos acesso a uma ementa com uma longa lista de variedades. À vista encontra-se também um grelhador onde são devidamente tratadas as carnes ou peixes requisitados, e que podem também ser escolhidos a partir de uma montra. À esquerda podemos escolher entre duas salas contíguas, uma interior e outra mais próxima da janela, que foi a escolhida apesar de ser destinada a fumadores.

Seduzidos pela opulência das carnes, escolhemos umas costeletas de novilho para partilhar por todos. Acompanhamentos à discrição, entre batatas fritas e esparregado que fomos repetindo à medida que era necessário. Serviço eficaz e satisfatório, qualidade do produto e da confecção irrepreensíveis.

Para acompanhar este pitéu, entre muitas opções escolhemos algo diferente, que ainda não tivéssemos provado. A escolha recaiu num vinho da Quinta do Crasto numa variedade pouco vista: um Crasto Superior de 2010, a um preço inferior a 20 €, o que pesou na escolha.

Foram necessárias duas garrafas, que se degustaram com facilidade e rapidez. O vinho é surpreendentemente fácil de beber, tendo em conta o perfil actual da esmagadora maioria das marcas de tintos do Douro. Apesar duns musculados 14% de álcool, o vinho apresentou-se com uma suavidade e uma elegância inesperadas, uma persistência bem vincada, taninos redondos e pouco marcados, aroma evidente a frutos vermelhos, tudo bem integrado na madeira por onde passa em estágio de 12 meses e que apenas confere alguma complexidade ao vinho, sem se sobrepor ao conjunto.

Sem dúvida uma excelente aposta da Quinta do Crasto, num segmento de mercado que permite aceder a um vinho de qualidade média-alta sem desembolsar uma fortuna. Tudo muito equilibrado, é daqueles vinhos dos quais se pode dizer que têm tudo no sítio certo.

Em resumo, foi um excelente convívio pontuado por uma bela refeição. Aconselha-se a visita particularmente a quem pretenda enveredar pelos grelhados, onde a oferta é boa, grande e variada.

(Nota: esta visita foi realizada durante o ano de 2013)

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Sal & Brasas
Rua das Necessidades, 18-20
1350 Lisboa
Telef: 213.958.304
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Crasto Superior 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Crasto
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Sousão
Preço em hipermercado: 13,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (2ª parte)

    
  

(continuação)

Começámos por bebericar uns goles de brancos da Chocapalha, primeiro o Arinto, depois o Sauvignon Blanc, a seguir o Reserva, passámos ao Verdelho da Quinta de Sant’ana e ainda conseguimos chegar ao Riesling, que desapareceu das garrafas rapidamente. Não agradou particularmente o rosé Mar de Lisboa, algo desmaiado na cor e incaracterístico no sabor. Talvez seja de rever o modo de produção...

Foi interessante ir fazendo a comparação dos vários brancos de acordo com as castas e os lotes. Claro que nem todos agradaram por igual a toda a gente, até porque os gostos dos presentes são algo díspares (principalmente no caso das senhoras), mas a qualidade média, fum modo geral, era bastante elevada, mostrando aquilo que marca actualmente estes vinhos atlânticos: muita frescura e acidez, o que os torna bastante apelativos e fáceis de beber. Há que aproveitar da melhor forma as condições que o clima propicia para produzir vinhos que dêem verdadeiro prazer a beber, em vez de andar a carregá-los de madeira, prática que por aqui não parece fazer grande escola: apenas na conta, peso e medida certas.

Passando à zona dos tintos, encontrámos alguns pesos pesados dos três produtores, e fomo-nos dividindo entre eles. Provou-se um excelente Quinta de Sant’Ana em garrafa magnum, muito bem estruturado e encorpado, um Pinot Noir com aquela levez característica e delicadeza típica da casta, um Cabernet Sauvignon da Chocapalha, equilibrado, redondo e persistente, e ainda se voltou ao excelente Reserva da Quinta do Monte d’Oiro apenas para comprovar as impressões colhidas recentemente na Delidelux: um vinho de qualidade e elegância superiores.

Já mais para o meio da tarde, e de estômago reconfortado, rumámos então à adega, em cujo piso inferior encontrámos algumas colheitas mais antigas ou raras, como alguns vinhos das décadas de 90 e 2000 da Quinta do Monte d’Oiro em plena forma, que tivemos oportunidade de provar, como o Homenagem a António Carquejeiro 2001 e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva 98, dois néctares de excepção e plenos de elegância.

Novidade absoluta foi um CH by Chocapalha, um vinho recente a pedir tempo na garrafa. Por ali ficámos mais algum tempo a mirar os outros vinhos, mas acabámos por terminar a ronda sem grandes demoras, pois ainda nos esperavam umas dezenas de quilómetros ao volante de regresso à capital.

Em jeito de balanço, foi um dia diferente e muito bem passado, com vinhos muito interessantes e alguns muito bons. É de louvar este tipo de iniciativas por parte dos produtores, que compreendem que só puxando todos para o mesmo lado podem ter sucesso e ter alguma visibilidade, ao contrário do espírito por vezes tão arreigado de pequenas rivalidades sem sentido. O facto de convidarem o público a conhecer os seus vinhos também é um bom passo nesse sentido, pois desperta-nos para algumas marcas que não conhecemos e que não vemos à venda, e que assim podem passar a fazer parte das nossas compras com alguma regularidade. Não ficaria bem destacar nenhum dos produtores em particular, porque todos eles têm as características diferenciadas e potencial para fazer o seu caminho, pelo que apenas referimos alguns dos vinhos provados que nos marcaram mais.

Resta-nos, assim, agradecer aos promotores da iniciativa: a quem nos contactou, a quem organizou o evento, em suma, aos responsáveis, produtores, enólogos e demais colaboradores das três quintas envolvidas. A todos desejamos o maior sucesso e, pela nossa parte enquanto consumidores, tentaremos ajudar um bocadinho dentro das nossas possibilidades.

Bem-hajam pelo convite endereçado e esperamos que mais iniciativas assim se repitam. O espírito dos Douro Boys parece estar a começar a criar raízes, e se calhar o facto de Sandra Tavares da Silva ter um percurso já feito na Quinta do Vale de D. Maria não é alheio ao facto de a Quinta de Chocapalha estar integrada nesta iniciativa.
Até à próxima.

tuguinho, Kroniketas e Politikos, os diletantes preguiçosos e enófilos em passeio pela Estremadura

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Novas ligações

Acrescentámos dois novos links à secção “Outras vinhas”:

- Blend | All About Wine
- Clube de Vinhos Portugueses

Os nossos votos de bom trabalho, boas provas e muito sucesso.

domingo, 13 de Julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (1ª parte)

      

A Lisbon Family Vineyards, associação que junta os produtores Quinta de Sant’Ana, Quinta de Chocapalha e Quinta do Monte d'Oiro, levou a cabo no passado dia 6 de Julho uma festa nas instalações da Quinta de Sant’Ana, localizada na povoação de Gradil (perto da Tapada de Mafra), para a qual este blog teve a honra de ser convidado, por entre muitos outros enófilos já conhecidos.

Os vinhos da Quinta do Monte d’Oiro já são nossos velhos conhecidos, e temos vindo a prová-los com alguma regularidade, tendo já estado presentes em diversas provas, a última das quais há pouco mais de uma semana.

O primeiro contacto que tivemos com a Quinta de Sant’Ana foi através de uma garrafa de um Sauvignon Blanc que nos surpreendeu muito agradavelmente.

Quanto à Quinta de Chocapalha, há cerca de um ano e meio também estivemos numa prova com as irmãs Andrea e Sandra Tavares da Silva, em que nos foi dada a conhecer uma parte significativa do portefólio desta empresa familiar.

Tendo em conta a grande mudança que se tem verificado na produção de vinhos da região Lisboa, com o aparecimento de novos produtores, a consolidação de outros e algumas reformulações ou revoluções noutros casos (aquisição da Quinta de Pancas pela Companhia das Quintas e das Caves Velhas – entre outras – pela Enoport são os casos mais emblemáticos) e a correspondente subida em flecha da qualidade dos vinhos, não hesitámos em aceder ao convite na certeza de que iríamos ter oportunidade de conhecer e provar produtos de muito boa qualidade, como de facto aconteceu. Longe vão, felizmente, os tempos do vinho aguado e a granel...

Alinharam na deslocação, além da família, os membros do núcleo duro dos “Comensais Dionisíacos” tuguinho e Politikos, por indisponibilidade dos demais comensais para esta ocasião. Num domingo cinzento e constantemente a ameaçar a queda duma enorme carga de água, lá rumámos a Gradil com algum receio de ir molhar a boca e voltar encharcados de chuva, mas felizmente o cinzento das nuvens não nos desabou na cabeça.

Depois uns pequenos desvios de percurso (nada de grave que nos impedisse de chegar ao destino em tempo útil), franqueámos as portas da Quinta e deparámos com uma enorme quantidade de instalações com ar vetusto, rodeadas de jardins, árvores e vinhas a subir a encosta. Numa sala estavam os comes e os bebes, devido à ameaça de chuva que alterou os planos para uma refeição ao ar livre, noutra havia uma loja com produtos da Quinta de Sant’Ana, ao lado uma vereda coberta de vegetação ao lado dum jardim em frente à vinha.

Mais para a direita, outros edifícios entre os quais se conta a adega, em que no primeiro andar se encontram as cubas de fermentação, estando as barricas no andar de baixo, o que permite, aproveitando o declive do terreno, fazer a trasfega do vinho das cubas para as barricas apenas pelo efeito da gravidade. Neste piso de baixo, uma longa mesa com a exposição de alguns vinhos especiais dos três produtores, que não estavam presentes na sala de refeição.

A visita a esta parte ficou para o final da tarde, já depois do almoço e com o estômago aconchegado e vários vinhos provados, pelo que fomos apenas conhecer alguns vinhos mais raros por curiosidade. A maior parte do dia foi passada entre o almoço e o jardim.

Quando se iniciou a função para os mastigantes, dividimo-nos entre algumas entradas frias, um bacalhau assado com batatinhas e tiras de porco assado, que rolava no espeto em frente à entrada. À disposição dos visitantes estavam, dispersas por várias mesas, algumas dezenas de garrafas de vinhos brancos e (poucos) rosés, num dos lados da sala e sempre devidamente refrescadas em enormes champanheiras, e do outro lado os tintos. A única separação entre eles era o facto de estarem agrupados, logicamente, por quintas, mas todos juntos na mesma zona.

(continua)

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Lavradores de Feitoria - Novos brancos no Memmo Alfama Hotel

      
   

Continuando na senda das apresentações de vinhos, aproveitei o lançamento dos novos brancos da Lavradores de Feitoria para me deslocar ao Memmo Alfama Hotel, numa encosta por trás da sé de Lisboa e com uma vista privilegiada sobre a foz do Tejo, para provar os novos produtos e rever alguns dos frequentadores habituais destes eventos.

Estiveram presentes a administradora Olga Martins e o administrador e director de enologia Paulo Ruão, que fizeram uma pequena apresentação dos produtos em lançamento.

À prova estiveram as novas colheitas do Lavradores de Feitoria Três Bagos branco 2013 (um lote de 50% de Viosinho, 40% de Gouveio e 10% de Malvasia Fina), o Sauvignon Blanc 2013, o Riesling 2013 e o Colheita Tardia 2010. Como curiosidade houve ainda a apresentação do Sauvignon Blanc em pequenos tubos, parecidos com pipetas, sob a designação WIT (Wine In Tube).

Acompanhados por alguns acepipes com base em produtos do mar (a excepção foram uns croquetes de carne e uns pregos que apareceram mais para o fim da tarde), fomos podendo provar os diversos brancos à vontade, pela ordem que quisemos e quantas vezes quisemos.

Cada um com as suas características, gostei de todos os vinhos apresentados, embora com percepções diferentes. O Três Bagos de lote apresentou-se um pouco mais complexo, mineral e estruturado, como é normal, com boa frescura e acidez, sendo um bom companheiro dos petiscos apresentados. O Sauvignon Blanc e o Riesling (duas castas do meu particular agrado) apresentaram-se com os traços característicos de cada uma: o Sauvignon Blanc elegante e suave, com um toque citrino e tropical e com o vegetal, que por vezes aparece demasiado marcado, pouco evidente tanto no nariz como na boca; o Riesling, assinado pelo “chef” Rui Paula (restaurantes DOP e DOC), ligeiramente adocicado mas com muito boa acidez, muito fresco e redondo e equilibrado na boca.

De realçar que todos estes brancos fermentaram 80% em inox e apenas 20% em barricas novas de carvalho francês, estagiando depois 4 a 5 meses nas mesmas proporções. A madeira está aqui praticamente imperceptível na prova, apenas compondo um pouco a estrutura dos vinhos, mostrando-nos bons exemplos de como a madeira pode ser usada nos vinhos brancos sem abafar os aromas e a frescura que se pretende. Neste caso, a Lavradores de Feitoria parece estar no bom caminho no que respeita à utilização das barricas nos seus vinhos brancos.

Finalmente, o Colheita Tardia, feito 100% de Sémillon, com algum melado na cor, ligeiramente doce mas não demasiado, fresco redondo e persistente, um bom vinho de sobremesa para o Verão.

Foi um fim de tarde bem passado, em boa companhia, num local agradável e com vinhos muito interessantes. Resta-me agradecer o convite enviado por Joana Pratas e à Lavradores de Feitoria por ter trazido a Lisboa os seus novos produtos e por nos ter proporcionado a oportunidade de prová-los, e desejar sucesso com estes novos lançamentos, que irão certamente fazer o seu caminho. Assim se dêem a conhecer ao público.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Na Delidelux 5 - Quinta do Monte d’Oiro

 

Apenas dois dias após a prova anterior, voltámos ao “local do crime” para uma grande prova com vinhos da Quinta do Monte d’Oiro. Aqui o panorama foi diferente: houve provas comparadas de duas colheitas diferentes dos mesmos vinhos.

A excepção foram os vinhos iniciais. Começámos pelo único branco presente, o Madrigal, um bom exemplar da casta Viognier, com um toque citrino, algum tropical e uma certa mineralidade, com uma boa estrutura e alguma complexidade a pedir comida a acompanhar. Estagiou em madeira mas esta não está minimamente presente no aroma nem no sabor. Um vinho eminentemente gastronómico.

Depois o tinto de entrada de gama, o Lybra, que veio substituir o Vinha da Nora, feito com base em Syrah, mas com uma filosofia algo diferente, mais jovem e com aroma frutado mais presente que o seu antecessor, um vinho de mais fácil consumo. Pessoalmente, ainda prefiro o anterior, mas talvez a evolução em garrafa permita lhe aproximar o perfil do anterior.

Entrámos em seguida nos grandes vinhos da casa: o Têmpera, o Aurius e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva. De cada um, duas colheitas, uma recente e uma mais antiga.

Provados pela ordem indicada, do Têmpera tivemos a colheita de 2004 e a de 2009, ambas feitas exclusivamente com Tinta Roriz. Do Aurius tivemos a colheita de 2002 (já a provámos aqui) e a de 2006, em que na colheita mais recente a Touriga Nacional substitui a Tinta Roriz como casta dominante, mantendo-se o Syrah e o Petit Verdot em pequenas quantidades. Do Reserva, tivemos a colheita de 2004 (14,5% de álcool) e a de 2010: a base é o Syrah, com cerca de 5% de Vioginier.

Embora as opiniões se dividam, a nossa preferência pendeu claramente, em todos os casos, para as colheitas mais antigas. Apresentam menos fruta mas ganham em finesse, em aromas secundários, em elegância, em delicadeza que só o tempo em garrafa permite. Todos eles passaram por madeira (habitualmente entre um e dois anos), mas nenhum deles o denota. A madeira aparece aqui apenas como tempero para dar alguma estrutura e complexidade aos vinhos, não para os marcar nem se sobrepor aos aromas. Difícil é dizer de qual se gosta mais, pois o nível de todos eles é elevadíssimo, embora os preços vão em crescendo. Mas são vinhos que apetece ficar a apreciar por tempo indeterminado, descobrindo os seus segredos e o que faz tão atraentes. Como em tempos referi aqui acerca do Vinha da Nora, estamos perante vinhos aristocráticos, que se impõem pela elegância e suavidade que transmitem ao consumidor. E são todos grandes, grandes vinhos!

Um bem haja a José Bento dos Santos e à sua equipa por nos permitirem apreciar estes vinhos que nunca passam de moda, porque nunca estão na moda. Ou então estão sempre, porque são independentes do tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Na Delidelux 4 - Luís Pato

   

O mês de Junho terminou com duas provas apenas com dois dias de intervalo na Delidelux, com o tema “Duas grandes provas com dois grandes produtores”: Luís Pato na primeira e Quinta do Monte d’Oiro na segunda.

Começámos com Luís Pato, que apresentou novidades fora do comum, como é habitual. Para além do já conhecido espumante branco Luis Pato bruto 2012, feito com 95% de Maria Gomes e 5% de Sercialinho, tivemos um espumante rosé muito interessante, o Informal 2013, 100% Baga e 100% proveniente da Vinha Pan. Depois houve ainda outro espumante, o Vinha Formal 2009, com uma cor que não era nem branco nem rosé, mas uma cor pálida, quase alaranjada: feito com Bical e Touriga Nacional, é um espumante muito aromático e interessante, vivo na boca e com uma acidez muito refrescante, vocacionado para entradas, pratos leves ou simplesmente para a conversa.

Para além destes foram apresentados dois tintos: o BTT 2009 (Baga, Tinto Cão e Touriga Nacional em partes iguais), um vinho em que a Baga está praticamente escondida e quase nada mostra de Bairrada, misturando-se os aromas de cada uma duma forma pouco vulgar, que torna difícil identificá-lo. Mas é um vinho fascinante por isso mesmo, porque requer que se descubra aquilo que ele pode mostrar: estrutura, alguma robustez, persistência, um certo floral.

Finalmente um dos vinhos emblemáticos do produtor, o Vinha Pan 2009, baseado na Baga, um vinho estruturado e concentrado, longo e a prometer longa vida pela frente.

Como sempre, valeu a pena conhecer as criações de Luís Pato, em que a grande curiosidade foi sem dúvida o espumante Vinha Formal, com aquela cor fora do comum.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 30 de Junho de 2014

No meu copo 391 - Vallado branco 2012; Moscatel Galego branco 2011; Touriga Nacional rosé 2012

Não nos temos cruzado muitas vezes com os vinhos deste produtor, pelo que foi com curiosidade acrescida que provei este branco da Quinta do Vallado na versão standard, se assim lhe podemos chamar, depois de há uns anos ter provado o monocasta de Moscatel Galego.

Foi bebido a acompanhar peixe grelhado, um prato à partida não muito desafiante, mas o vinho portou-se bem e não deixou o seu nome mal visto.

É um branco a que poderíamos chamar clássico, aromático, suave, que apresenta uma boa frescura e acidez na prova de boca, com final elegante e persistente. O aroma tem uma componente algo floral e simultaneamente algum citrino. Muito equilibrado em todas as suas componentes, bebe-se com prazer e é um daqueles vinhos que se tornam gulosos sem darmos por isso, à medida que vamos bebendo mais um copo.

Dentro dos brancos da gama média, é uma boa aposta para pratos de peixe não demasiado condimentados mas, antes, a pedir algum requinte. É de repetir, e esse é o melhor elogio que lhe podemos fazer.

Quanto ao Moscatel Galego, este em repetição, mostrou-se mais exuberante no aroma, com acidez mais marcada, aromas exóticos com alguma mineralidade, elegante na boca e final persistente. Sendo dois vinhos com perfis algo diferentes, ambos merecem atenção e nova prova. Por isso entram para a nossa lista de sugestões.

O que já constava nessa lista de sugestões era o rosé de Touriga Nacional, provado há cerca de um ano. Esta colheita de 2012 confirmou o perfil da colheita de 2011, onde já então eu comecei a desconfiar da boa aptidão da Touriga Nacional para fazer rosés, talvez até mais do que tintos: floral, suave, aberto, elegante e aromático, onde os traços típicos violetas da casta se expressam na plenitude, perdendo o carácter por vezes chato e cansativo que marcam muitos tintos. Pelo menos, dos rosés portugueses que tenho provado, o que estão no topo da minha lista são feitos de Touriga Nacional. Este foi apenas mais uma confirmação. É o típico rosé de Verão e esplanada, de cor salmão pouco carregada, leve e para beber descontraidamente, mas que não descura uma boa companhia de entradas ou pratos leves e frescos.

Quando a Quinta do Vallado se impõe no mercado essencialmente pela personalidade e pujança dos tintos, nós seguimo-la pela leveza e elegância dos brancos e rosés. Vale a pena experimentar este caminho diferente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado

Vinho: Vallado 2012 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Arinto, Gouveio, Rabigato, Viosinho
Preço em feira de vinhos: 5,79 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado, Moscatel Galego 2011 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2012 (R)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,97 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de Junho de 2014

No meu copo 390 - Conde de Vimioso Reserva 2003

Este vinho é um dos produtos que compõem o vasto portefólio de vinhos de João Portugal Ramos em diversas regiões do país, neste caso na sua produção ribatejana de Almeirim.
Tendo já uma respeitável idade, como alguns dos vinhos que temos apreciado ultimamente, existe sempre a dúvida sobre como evoluiu ao longo de 10 anos, tendo em conta que é a produção de topo da Falua.

Há algum tempo tivemos oportunidade de provar os brancos e tintos da gama de entrada, que se portaram muito bem, e agora subimos ao patamar superior.

Este Conde de Vimioso Reserva 2003 apresentou-se ainda bastante encorpado, com alguma pujança mas já amaciado pelo tempo e com taninos muito arredondados. A madeira onde estagia está disfarçada e apenas lhe confere alguma complexidade e estrutura, mas não marca o perfil do vinho.

Mostrou-se ainda carregado na cor, com algumas notas de frutos vermelhos a espreitarem lá no fundo do aroma que se liberta se o deixarmos respirar.

Um bom vinho, sem dúvida, mas o preço torna inevitável a comparação com outros da mesma gama, o que talvez torne a sua aquisição menos aliciante...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2003 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Trincadeira
Preço: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 22 de Junho de 2014

No meu copo 389 - Herdade da Comporta: branco 2012; tinto 2009

Já há algum tempo que andava a tentar arranjar uma oportunidade para provar os vinhos da Herdade da Comporta, situada no extremo sul da península de Tróia. Aproveitando uma promoção adquiri uma garrafa de branco e uma de tinto, que bebi em ocasiões diferentes.

Começando pelo branco, tendo em conta o perfil que é habitual nos brancos da Península de Setúbal, devo confessar que esperava mais. Apesar da proximidade do mar e das noites temperadas da região, este branco de 2012 não me satisfez particularmente. Sabe-se que o Arinto costuma ser uma casta que melhora os vinhos em que é usada, mas neste caso o Antão Vaz parece querer dar-lhe mais um perfil do Alentejo do que do Sado. Revelou-se pouco elegante, com aroma em que a fruta aparece algo escondida e mostrou pouca frescura na boca.

Quanto ao tinto de 2009, a decepção foi maior. Demasiado agressivo na boca, adstringência em excesso, álcool exagerado a tornar a prova desequilibrada, com a fruta ofuscada pelo teor alcoólico e pelo excesso de evidência da madeira. Embora já não seja propriamente um vinho novo, talvez precise de mais tempo em garrafa para que todo o conjunto evolua, se integre e mostre um conjunto mais equilibrado.

Enfim, é pena, mas não fiquei convencido com nenhum destes vinhos da Herdade da Comporta. Certamente o prestígio de que este nome já goza mereceria uma avaliação mais positiva... mas pode ser que haja uma segunda oportunidade que corra melhor. A julgar por estas primeiras impressões, não ficou grande vontade de repetir...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Herdade da Comporta - Actividades Agro-Silvícolas e Turísticas

Vinho: Herdade da Comporta 2012 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Herdade da Comporta 2009 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,62 €
Nota (0 a 10): 5

quarta-feira, 18 de Junho de 2014

No meu copo 388 - Pinheiro da Cruz 2004

Já há alguns anos que não bebia este vinho, e esta garrafa já repousava há bastante tempo na garrafeira. Foi uma revelação há mais de uma década, quando ainda não tinha denominação de origem e era apenas uma produção quase local.

Depois, as leis do mercado (e da rotulagem) fizeram das suas. O vinho alterou-se, modernizou-se de certa forma descaracterizou-se. Sobre isso já tivemos oportunidade de falar noutra ocasião, aquando duma outra prova.

Agora tem castas internacionais, castas da moda e ainda tem uns laivos daquilo que em tempos foi. Esta colheita foi composta por nada menos de 6-seis-6 castas! Mas não é por isso que o vinho se tornou melhor.

No caso deste exemplar, resolvi esperar pela prova do tempo para ver como se comportava. E comportou-se bem. Não decaiu, não apresentou sinais de evolução excessiva, mostrou alguma pujança que era a sua imagem de marca, embora não seja não robusto e encorpado como antes. Alguma fruta vermelha e do bosque apareceu discretamente, abrindo-se em aromas mais profundos à medida que respirava.

Enfim, foi bom matar saudades, mas não sei quando poderei repetir o acto, pois desde esta compra (realizada em 2007) não voltei a encontrá-lo. Talvez se venda à porta da prisão, ou apenas em locais selecionados. Mas tenho saudades, não deste, mas das primeiras versões, quando queria ser um vinho genuíno e não um vinho respeitador das leis do IVV ou da Comissão Vitivinícola Regional...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pinheiro da Cruz 2004 (T)
Região: Terras do Sado (Melides - Grândola)
Produtor: Estabelecimento Prisional de Pinheiro da Cruz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Periquita, Trincadeira, Alicante Bouschet, Aragonês, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,27 €
Nota (0 a 10): 7,5