quarta-feira, 27 de maio de 2015

No meu copo 456 - Grand'Arte, Tinta Roriz 2005; Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2005

Voltamos aos vinhos de Lisboa, continuando a desbastar os mais antigos, com cerca de uma década. Neste caso abriu-se uma garrafa de Grand’Arte Tinta Roriz e uma de Quinta de Pancas Selecção do Enólogo, de que já tínhamos provado a colheita de 2004 e que tinha agradado bastante.

Sendo dois vinhos da mesma região e do mesmo ano de colheita, encontraram-se bastantes semelhanças entre eles. Desde logo um aroma contido e algo fechado no início. A primeira impressão, em ambos os casos, foi de estarmos perante dois vinhos que já tinham dado tudo o que havia para dar. No entanto, essa sensação inicial não se confirmou. Como não se bebeu a totalidade de nenhuma das garrafas no próprio dia, pude ir verificando a evolução do vinho nos dias seguintes, com as garrafas devidamente fechadas com rolha de vácuo.

O Grand’Arte Tinta Roriz, um dos vários monocastas produzidos pela DFJ (nesta versão ainda com o rótulo antigo), à medida que foi abrindo mostrou alguma adstringência e robustez e final longo, tão típicos da casta.

Já o Quinta de Pancas Selecção do Enólogo mostrou-se mais aromático, intenso e um pouco mais profundo no nariz, mais macio na boca mas também volumoso e persistente.

Em ambos os vinhos os aromas frutados já quase desapareceram, os taninos estão polidos e sobressaem os aromas terciários, mas os vinhos não perderam frescura nem vivacidade, parecendo que ainda poderiam ter mais vida pela frente. Em qualquer caso, ficámos mais uma vez cientes de que estes vinhos com 10 anos estão de perfeita saúde e mais que prontos para beber. Assim se confirma que continuamos a beber a maioria dos vinhos (os tintos, pelo menos) cedo demais, pois os vinhos com alguma qualidade aguentam perfeitamente 10 anos na garrafa sem entrarem em declínio. Na dúvida, eu continuo a preferir guardá-los algum tempo em vez de ir a correr beber qualquer garrafa acabada de comprar.

Saber esperar é uma virtude, e em matéria de vinhos também.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)

Vinho: Grand’Arte, Tinta Roriz 2005 (T)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13,5 %
Casta: Tinta Roriz
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10):

Vinho: Quinta de Pancas, Selecção do Enólogo 2005
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço: 5,02 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 25 de maio de 2015

sexta-feira, 22 de maio de 2015

No meu copo 455 - Vila Real: tinto 2012; Grande Reserva tinto 2009; Reserva branco 2013

Já há algum tempo que andava a ouvir rumores sobre a qualidade dos vinhos de Vila Real, mas não me tinha cruzado com eles. Até que, durante as últimas férias de Verão, aproveitando uma promoção num hipermercado, resolvi adquirir alguns vinhos de preço médio/baixo e juntei-lhe dois tintos de Vila Real (os preços indicados nas fichas dos vinhos são antes de desconto, tendo os vinhos custado menos 35% do que o preço indicado na prateleira).

Comecei pelo vinho da gama mais baixa, que esteve acima das expectativas. Apresentou-se equilibrado, bem estruturado, suave, com persistência média e taninos vivos mas redondos, estando apto para acompanhar pratos de carne com alguma robustez.

O outro vinho, o Grande Reserva, embora mais caro não mostrou ser tão melhor como o preço indica. Aroma algo discreto, sem grande estrutura nem muito persistente como se esperaria dum Reserva, apenas se apresentou ligeiramente superior ao anterior. Se o Colheita não é tão simples como se esperava, o Grande Reserva também não é tão complexo como deveria. E acaba por não justificar o acréscimo de preço.

Quanto ao Reserva branco, é um vinho agradável e bastante aromático, suave, aberto mas com persistência e medianamente estruturado, que se bebe com facilidade e acompanha bem pratos de peixe não muito pesados. Tem um aroma ligeiramente floral e na boca notas de frutos do pomar, a par com alguma mineralidade. Também este esteve acima das expectativas para o preço que custa.

Em resumo, para os vinhos de entrada de gama, estes de Vila Real parecem constituir uma boa aposta. A repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Douro
Produtor: Adega Cooperativa de Vila Real - Caves Vale do Corgo

Vinho: Vila Real 2012 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,55 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Vila Real Grande Reserva 2009 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Vila Real Reserva 2013 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 2,69 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 18 de maio de 2015

No meu copo 454 - Quinta da Giesta tinto 2011

Nuno Cancela de Abreu é nome de um enólogo sobejamente conhecido no mundo do vinho português, pelas suas passagens mais ou menos prolongadas por Bucelas, onde foi um dos dinamizadores da popularidade da casta Arinto na Quinta da Romeira, e pela Quinta da Alorna. Nos anos mais recentes regressou, segundo o próprio, à região donde é oriundo, o Dão, criando o seu próprio projecto, e tornando-se responsável pela produção dos vinhos da Quinta da Fonte do Ouro, propriedade familiar, e da Quinta da Giesta.

Tive oportunidade de me cruzar com ele em alguns dos eventos organizados pelo grupo #daowinelover, nomeadamente aquando do Dãowinelover whiteday, em que provei um belo branco da Quinta da Fonte do Ouro. Foi, portanto, com curiosidade acrescida que provei este tinto da Quinta da Giesta.

Com muita pena minha, devo dizer que me desiludiu e que esperava bastante melhor. Às vezes trata-se apenas de um desencontro de gostos, de uma garrafa num estado de evolução menos favorável (há quem diga que actualmente não há maus vinhos, há apenas más garrafas), ou de um momento menos apetecível para quem bebe. Mas a verdade é que, em vários dias de prova ao longo dos quais fui consumindo o conteúdo da garrafa, a impressão não se alterou. Achei-o pouco aromático, com pouco sabor, final curto, desinteressante.

Há vinhos que ao primeiro contacto não se mostram e precisam de horas (ou dias) para se libertar e mostrar-se em todo o esplendor. Neste caso nem assim. Portanto não era um caso de necessidade de arejamento.

Não se pode acertar sempre, mas quero crer que o vinho terá de ser melhor do que este me pareceu. Portanto, reservo uma segunda opinião para uma nova prova quando a oportunidade surgir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Giesta 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola Boas Quintas
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Jaen, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 5

quinta-feira, 14 de maio de 2015

No meu copo 453 - Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2013


Eis um exemplar curioso dos brancos da Bairrada, elaborado com a casta que se dá bem em todo o lado: o Arinto. Vinho com boa estrutura sem ser pesado, boa acidez, fresco, persistente. Apresenta um leve toque citrino na boca e no nariz, com aroma intenso.

Muito interessante e uma experiência para repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2013 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 13%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 10 de maio de 2015

Na minha mesa, no meu copo 452 - Come Prima (Lisboa); Tormaresca, Chardonnay 2013

 

Num recanto meio escondido entre a Avenida Infante Santo e a Avenida 24 de Julho, paralelamente à Calçada da Pampulha, situa-se este restaurante de cozinha italiana gerido por... indianos. Combinação original, sem dúvida, mas o resultado é muito bem conseguido.

Constituído por dois pisos, o de cima tem um ambiente mais recatado e acolhedor que o piso térreo, junto à porta de entrada. Em cima existem as casas de banho, a garrafeira e uma zona mais escondida com outra sala mais reservada. Estamos junto ao telhado, pelo que nas mesas dos lados o tecto desce abruptamente, obrigando a alguma cautela quando nos sentamos.

Para entrada são-nos servidas bruschettas, umas tostas cobertas com bocadinhos que queijo, tomate e azeite, uma delícia para iniciar a função. A carta tem pratos do dia com escolhas variadas um pouco para todos os gostos. Há carnes, massas, pastas, pizzas, e a ementa vai sempre mudando, pelo que é difícil eleger algum prato como referência permanente. No entanto, a minha opção vai quase sempre para as massas ou pastas.

Nas diversas vezes que lá já fui (sempre ao almoço, pois fica perto do local de trabalho), a escolha para a sobremesa acabou sempre por recair num clássico: o tiramisú, muito bem confeccionado, saborosíssimo, com todos os ingredientes na conta certa..

As escolhas de vinho não são muito vastas mas existe a opção de vinho a copo, bastante apropriada para a hora de almoço durante a semana. Como gosto de beber rosé com comida italiana, quando há – o que nem sempre acontece – costumo escolher um Quinta da Lagoalva (de que acabo quase sempre por beber dois copos), que se mostra muito agradável, equilibrado e aromático, fazendo uma ligação perfeita com o prato. Foi aqui, aliás, que conheci este vinho, o que me levou mais tarde a comprá-lo e referi-lo numa prova.

Na minha última visita a este restaurante acabei por fazer duas escolhas menos habituais: uma massa com espinafres e gambas, e para beber um Chardonnay italiano a copo: chama-se Tormaresca e é produzido na região de Puglia, que abrange o sudeste de Itália até ao “calcanhar da bota”. Apresenta uma cor amarelo-palha, é bastante aromático e fresco com um toque citrino, sem madeira e sem aquele sabor enjoativo que é tão frequente em Portugal. O grau alcoólico também é moderado, apenas 12,5%, o que também vai sendo raro por cá, e torna o vinho mais leve e fácil de beber. Gostei, e não me importarei de repetir.

Para quem pretende uma refeição sossegada e em ambiente intimista, este Come Prima é um local recomendável. Os preços não são excessivos e a qualidade é mais que satisfatória.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Come Prima (italiano)
Rua do Olival, 258
1200-744 Lisboa
Telef: 21.390.24.57
Preço médio por refeição: 15 €
Nota (0 a 5): 4

Vinho: Tormaresca, Chardonnay 2013 (B)
Região: Puglia (Itália)
Produtor: Tormaresca, Soc. Agr.
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 6 de maio de 2015

No meu copo 451 - Beyra - Vinhos de altitude

Beyra branco 2012; Beyra branco 2014; Beyra tinto 2012


Uma das regiões que ao longo dos anos e das nossas lides enófilas quase não tem merecido a nossa atenção é a Beira Interior. Não há muitos vinhos, os que há são pouco conhecidos, e o nosso interesse não se vira muito para lá.

Nos últimos anos alguns produtores têm apostado em dar mais visibilidade aos vinhos da região. Afinal, ela fica logo abaixo do Douro e ao lado do Dão. A Companhia das Quintas sediou lá o seu Quinta do Cardo, e o enólogo Rui Roboredo Madeira (da família Roboredo Madeira, mais conhecida pela produção dos vinhos CARM), apostou na produção de vinhos com a chancela “vinhos de altitude”.

É sabido que a altitude é um factor determinante para a frescura dos vinhos, e tanto podemos verificar isso no Douro – onde o mesmo produtor tenta muitas vezes lotear vinhos da cota baixa com vinhos da cota alta para lhes dar frescura – como no Alentejo – onde os vinhos produzidos nas zonas de serra, principalmente em Portalegre, se distinguem principalmente pela frescura e acidez que muitas vezes é difícil de obter na planície.

Sendo assim, porque não experimentar os vinhos das serras no interior do país? Em teoria, não existe nenhuma razão para ignorarmos estes vinhos, a não ser que a qualidade ali obtida não seja de todo satisfatória. Mas isso só saberemos depois de os termos provado.

Foi isso que tentámos perceber com este branco e este tinto Beyra, saídos das mãos de Rui Roboredo Madeira e produzidos a partir de vinhas implantadas a 700 metros de altitude, em solos graníticos e xistosos com filões de quartzo, na zona de Figueira de Castelo Rodrigo.

O Beyra branco é produzido com duas castas pouco faladas, a Síria e a Monte Cal. Vendo bem, contudo, a Síria não é mais que a versão serrana do Roupeiro do sul do país, sendo uma das castas predominantes nos brancos do Alentejo.

A primeira prova, da colheita de 2012, não foi totalmente conclusiva, pelo que resolvi repetir com a colheita de 2014, a que estava disponível no mercado. As conclusões acabaram por se confirmar. O vinho mostrou um aroma predominantemente frutado mas algo discreto, ligeiramente citrino na boca, não muito encorpado e com persistência média. É um vinho leve e fresco, não muito complexo, agradável e fácil de beber mas que se esvai rapidamente. Um vinho para pratos não muito condimentados nem complexos.

O perfil do Beyra tinto é sobretudo leve a suave, embora de certa forma peque por alguma falta de corpo e de persistência, mostrando-se algo delgado de corpo, com final curto e aroma pouco pronunciado.

No conjunto acabei por gostar mais do branco que do tinto. São vinhos que, pelo seu preço, não é expectável que ofereçam muito mais, embora talvez pudesse haver ali mais alguma personalidade. Para consumir no dia-a-dia sem grandes exigências nem elevadas expectativas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Beira Interior
Produtor: Rui Roboredo Madeira

Vinho: Beyra 2012 (B)
Grau alcoólico: 12%
Castas: Síria, Fonte Cal
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Beyra 2014 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Síria, Fonte Cal
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Beyra 2012 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alfrocheiro, Aragonês, Jaen, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 6

sábado, 2 de maio de 2015

No meu copo 450 - Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2013; Vallado, Touriga Nacional rosé 2014; Periquita rosé 2013

Fazemos agora uma pequena incursão por um trio de rosés que já visitámos noutras ocasiões. Cada um com o seu perfil, apresentam-se com características bastante diferentes, o que os posiciona também como vocacionados para diferentes ocasiões.

Começamos com um clássico nas nossas provas e que tem merecido quase sempre a nossa preferência entre os rosés nacionais. Trata-se do Quinta da Alorna Touriga Nacional, que tem mantido ao longo dos anos um perfil extremamente agradável e que pode servir de exemplo para o que um rosé deve ser: seco, suave, aromático, frutado, moderadamente alcoólico e mais aberto que concentrado, com aroma predominante a frutos vermelhos, como morangos ou framboesas, e um toque floral típico da casta.

Esta colheita apresentou-se ligeiramente mais adocicada que as anteriores, sem deixar de se mostrar um vinho muito agradável, gastronómico e polivalente, que liga bem com quase tudo. Continua, portanto, a ser uma aposta segura e, como tal, a manter-se assim continuará certamente a merecer a nossa escolha.

Rumamos agora para norte e para um vinho completamente diferente, mas igualmente muito agradável. Em comparação com o Quinta da Alorna, este Vallado, feito igualmente apenas com a Touriga Nacional, confirmou as boas impressões anteriores. Tem um perfil bastante mais leve e mais aberto e com a cor bastante menos carregada, a tender ligeiramente para o salmão.

É proveniente de vinhas situadas na cota mais alta da quinta, permitindo assegurar frescura, acidez e um menor teor alcoólico. É suave, aberto e aromático, sobressaindo mais o floral da casta que neste caso se sobrepõe, quer no aroma quer no paladar, sobre os frutos silvestres e vermelhos, que aparecem mais discretos mas a envolver o conjunto.

Suave, aberto, fresco, elegante e aromático, é um rosé típico para pratos leves e mais vocacionado para os dias quentes, onde fará excelente companhia a uma amena cavaqueira e uma refeição despreocupada. Bebe-se com agrado e facilidade.

Finalmente descemos à Península de Setúbal, onde a José Maria da Fonseca produz o Periquita rosé com um perfil mais adocicado e, porventura, menos gastronómico. É um vinho mais vocacionado para aperitivos, saladas ou pequenos petiscos, o chamado “vinho de esplanada” ou “vinho de piscina”. É suave e macio na boca, mas pouco expressivo de aroma, boca leve e final curto.

Tal como numa prova anterior que tínhamos feito há alguns anos, não encantou nem desencantou. É o que é, e não se pode esperar mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2013 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Vallado, Touriga Nacional 2014 (R)
Região: Douro
Produtor: Quinta do Vallado
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,75 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Periquita 2013 (R)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,83 €
Nota (0 a 10): 6,5

terça-feira, 28 de abril de 2015

No meu copo 449 - Prova Régia, Arinto 2013; Prova Régia Reserva, Arinto 2013

Os tempos são de mudança na Quinta da Romeira. Aquela que é uma das mais emblemáticas propriedades da Região Demarcada de Bucelas, donde sai também um dos vinhos de maior sucesso produzido exclusivamente a partir de Arinto, casta rainha da região – o Prova Régia – mudou de mãos recentemente.

Depois de fazer parte já há uns bons pares de anos do grupo da Companhia das Quintas, que entretanto foi adquirindo outras quintas em várias regiões do país (a saber: Herdade da Farizoa em Elvas, Alentejo; Quinta de Pancas em Alenquer, Estremadura; Quinta do Cardo em Figueira de Castelo Rodrigo, Beira Interior; e Quinta da Fronteira em Freixo de Espada à Cinta, Douro), a Quinta da Romeira foi vendida há alguns meses a uma outra entidade que entrou no negócio dos vinhos portugueses, com o nome Wine Ventures. E é com este nome que o portefólio da Quinta da Romeira já está a sair para o mercado, tendo a versão superior do Prova Régia - que vinha já do tempo da Companhia das Quintas - deixado de se chamar Premium para se chamar Reserva.

Entretanto manteve-se o Prova Régia de entrada de gama, com o mesmo nome e a mesma casta, o Arinto.

As mudanças que pudemos verificar na prova realizada com estes dois exemplares da colheita de 2013 situam-se mais ao nível do nome do que de qualquer outra característica. Os rótulos mantêm-se iguais e o perfil dos vinhos também. No caso do Reserva, mantém-se intacta a marca do Arinto, com aquela acidez quase crocante, um toque ligeiramente citrino e um certo floral no nariz, com um fim de boca refrescante. No entanto, a nível do colheita parece-me que houve um certo abaixamento da qualidade. Essas características, que estavam bem evidentes nas colheitas anteriores e que tivemos oportunidade de comprovar e relatar frequentemente, parecem ter sido objecto de um downsizing, transferindo-se para o Reserva. Este é melhor do que era o colheita, mas o actual colheita parece ser pior que o anterior. Ou seja, ter-se-á desinvestido no produto mais baixo para apresentar um produto no patamar acima?

Em resumo, se os novos produtores mantiverem a aposta no Reserva com o mesmo perfil de vinho que já conhecíamos, nada haverá a recear por parte dos consumidores. Continuará a ser uma aposta segura. Quanto ao colheita, só o futuro dirá se continuará a valer a pena. Para já, deixamos apenas um ponto de interrogação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bucelas
Produtor: Wine Ventures - Quinta da Romeira

Vinho: Prova Régia, Arinto 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Prova Régia Reserva, Arinto 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 25 de abril de 2015

Não se fecham as portas que Abril abriu


Na véspera do 41º aniversário da Revolução dos Cravos, a notícia do dia era a aberrante proposta dos partidos do “arco da governação” (entenda-se, aqueles que se governam) para submeter a uma apreciação prévia os planos de cobertura da campanha eleitoral por parte dos órgãos de comunicação social. Um exame prévio, ao melhor estilo da censura vigente no regime que o dia que hoje se comemora derrubou.

Perante esta deplorável proposta, que representa um retrocesso de 41 anos na nossa democracia, os órgãos de comunicação dos grupos privados tomaram a única posição decente: se esta lei for em frente, boicotarão a campanha eleitoral.

Era um favor que nos faziam. Esta gentinha que se alcandorou ao poder e que se julga dona do país tem de ser corrida, se for preciso a pontapé, à pedrada, a tiro ou à bomba. E, para começar, nada como a comunicação social deixá-los a falar sozinhos, porque já ninguém tem pachorra para os ouvir.

Ao fim de 4 anos de um governo que tem colocado sucessivos pregos no caixão em que se quer enterrar de vez o 25 de Abril, compete ao cidadãos zelarem para que uma classe política oportunista, incompetente, desonesta e sem sentido democrático não feche “as portas que Abril abriu”, como disse o poeta Ary dos Santos.

Por isso, é hora de, mais uma vez, fazermos ouvir a nossa voz e gritarmos bem alto:

25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!
25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!
25 DE ABRIL SEMPRE! FASCISMO NUNCA MAIS!

tuguinho e Kroniketas, enófilos de Abril

Foto retirada daqui, com a devida vénia.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

No meu copo 448 - Fiúza, Sauvignon Blanc 2014; Ninfa, Sauvignon Blanc 2013

Cerca de um ano depois da prova anterior, voltámos a cruzar-nos com este Sauvignon Blanc da Fiúza, um vinho bem conseguido por um preço atractivo.

Fermentado a temperatura controlada de 14º C em cubas de inox, tem uma cor amarela citrina, aroma com algumas notas florais e a frutos tropicais, como é típico da casta.

Na boca apresenta estrutura média, boa acidez e uma final fresco e prolongado. Recomenda-se para pratos de peixe delicados e com algum requinte. Experimentei-o com uns bifes de atum de cebolada e fez uma ligação quase perfeita. Uma boa aposta, ao nível do que se esperava.

Continuando no reino do Sauvignon Blanc, temos uma novidade absoluta em prova: o Ninfa, proveniente da zona de Rio Maior, no sopé da Serra dos Candeeiros. Adquirido em Agosto de 2014 com a Revista de Vinhos, apresentou-se como um vinho de estrutura média e boa persistência, aromas predominantes da casta Sauvignon Blanc – em que sobressaem notas tropicais, limonadas e vegetais – juntamente com uns pozinhos de Fernão Pires. O rótulo apresenta o vinho como monocasta mas no contra-rótulo é mencionada a presença do Fernão Pires, embora sem indicar as percentagens utilizadas.

É um vinho macio e fresco, com alguma mineralidade a temperar o conjunto, e bastante guloso. Parece-me ser uma boa aposta para mais um bom branco do Tejo, com alguma personalidade e boas condições para ganhar notoriedade no mercado. A seguir com alguma atenção.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Sauvignon Blanc 2014 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Ninfa, Sauvignon Blanc 2013 (B)
Região: Tejo (Rio Maior)
Produtor: Sociedade Agrícola João Matos Barbosa & Filhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon Blanc, Fernão Pires
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 19 de abril de 2015

No meu copo 447 - Dão Borges, Tinta Roriz 2004; Dão Borges, Touriga Nacional 2005; Douro Borges Reserva 2005

Estava agendado que, na primeira ocasião, a equipa de dois das Krónikas Viníkolas faria uma prova comparada de dois tintos do Dão produzidos pela Borges. Já tivemos oportunidade de provar alguns tintos do Douro e também o Alvarinho, mas dos tintos do Dão só nos tinha calhado provar o Touriga Nacional, precisamente este de 2005 a que agora regressamos, e o de 2004, provado o ano passado. E, como quem não quer a coisa, já passaram 6 anos desde que provámos o de 2005...

A Sociedade dos Vinhos Borges produz os seus varietais do Dão na Quinta de São Simão da Aguieira, no concelho de Nelas. Tivemos oportunidade de provar pela primeira vez o Tinta Roriz, faltando conhecer o Trincadeira, também produzido no Dão.

Este Tinta Roriz de 2004, aberto algum tempo antes do repasto, apresentou uma cor rubi intensa, aroma a frutos vermelhos e especiarias, com algumas notas de fumo. Na boca mostrou-se com grande volume, pujante, robusto e adstringente, estruturado e com muita persistência. Teria ganho com a decantação mas optámos por deixá-lo ir libertando os aromas nos copos e na garrafa, enquanto fazíamos o paralelo com o Touriga Nacional. Só passada quase uma hora após a abertura é que começou a mostrar-se mais exuberante nos aromas, mais equilibrado na boca, a revelar sabores a fruta madura e a proporcionar um final mais aveludado. Conseguiu conjugar a pujança e a suavidade, impressões que igualmente tínhamos recolhido aquando da prova anterior do Touriga Nacional 2005.

Quanto a este, apresentou uma cor rubi com laivos violáceos, aroma floral com notas de frutos pretos e do bosque. Na boca mostrou uma boa estrutura, com taninos maduros e elegantes, menos pujante que o Tinta Roriz. Perdeu em robustez o que ganhou em equilíbrio e delicadeza. Estava no ponto certo para beber, embora fique por saber como seria a evolução a partir de agora. Talvez a comparação com a robustez do Tinta Roriz o tenha ofuscado um pouco, ou esta garrafa estivesse mais evoluída que a de 2004...

Já depois desta prova, tivemos oportunidade de voltar à carga com os vinhos Borges e repetir, mais uma vez, a prova do Touriga Nacional do Dão, juntando-lhe o Douro Reserva 2005 que também tinha sido objecto de prova em 2014.

Desta vez decantámos os dois vinhos, sendo que o Touriga Nacional do Dão confirmou as impressões da prova anterior, apenas evoluiu um pouco mais depressa com a decantação. Já o Douro Reserva, a provar que em cada garrafa podemos sempre encontrar algo diferente, desta vez surpreendeu-nos pela positiva, ao contrário da prova anterior: apresentou-se um vinho com aroma vinoso intenso, esturutrado e cheio, pujante, longo e persistente. Muito bem a evoluir lentamente após a decantação, sem perder a robustez inicial.

Em resumo, três vinhos a caminho dos 10 e 11 anos cheios de saúde, parecendo ter ainda muita vida pela frente, talvez mais no caso do Douro Reserva e do Tinta Roriz do Dão, que mostraram mais garra que o Touriga Nacional, o que também não surpreende tendo em conta as castas em confronto e, no caso do Douro Reserva, por se tratar de um vinho de lote, que normalmente permite obter vinhos com maior complexidade.

Nota: os preços indicados são à data da compra e após promoções.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges

Vinho: Borges, Tinta Roriz 2004 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 14%
Casta: Tinta Roriz
Preço: 11,69 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Borges, Touriga Nacional 2005 (T)
Região: Dão
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 16,80 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Borges Reserva 2005 (T)
Região: Douro
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca
Preço: 11,60 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 15 de abril de 2015

No meu copo 446 - Tintos velhos da Bairrada (6)

Bairrada Sogrape Reserva 1995; Caves São João Reserva 2005; Frei João Reserva 2005


Voltamos aos clássicos da Bairrada, entre os dois resistentes deste blog, tripartida entre três vinhos e repartida entre dois nomes de peso: a Sogrape e as Caves São João.

Esta colheita de 1995 de um dos antigos Reservas da Sogrape, ainda com o rótulo branco original, tinha sido objecto duma prova em 2014, graças a umas garrafas que encontrámos na Garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, onde existe um autêntico maná para os apreciadores de vinhos velhos. Mostrou-se em excelente forma, com aroma profundo e intenso, aberto na cor e macio na boca, apresentou uma cor granada com nuances atijoladas, a denotar evidente evolução mas sem sinais de cansaço. Um ligeiro apimentado marca um final prolongado e elegante. A madeira, em que envelhece durante um ano, há muito que deixou de marcar o vinho, que ainda apresenta alguns sinais de fruta madura. Saúde notável para um vinho com quase 20 anos de idade.

Passando aos clássicos das Caves São João, avançámos 10 anos para duas das marcas tradicionais. O Caves São João Reserva, feito a partir de Baga da Bairrada e de Touriga Nacional do Dão, apresentou-se aromático, encorpado, macio e persistente, mas evoluiu para uma estrutura mais robusta e com taninos mais evidentes passadas 24 horas. De cor rubi profunda, aroma delicado e dominado por notas de frutos vermelhos, florais e alguma tosta proveniente do estágio de 10 meses em pipas de carvalho francês, é acima de tudo um vinho que prima pela elegância e pela complexidade e que, como é habitual, apresenta uma saúde notável, a mostrar que podemos contar com ele em pleno por mais uns bons anos.

A fazer páreo com este misto Dão/Bairrada, um Bairrada tradicional, o Frei João Reserva, que tantas provas notáveis nos tem proporcionado. Foi elaborado com uvas de Baga, Camarate e Cabernet Sauvignon provenientes da Quinta do Poço do Lobo. Estas foram vinificadas com desengace total, maceração pré-fermentativa, fermentação alcoólica com temperatura controlada e maceração pós-fermentativa. Estagiou durante 10 meses em pipas de carvalho francês.

Apresentou uma cor a tender para o granada, aroma complexo com notas de frutos secos e vermelhos, taninos bem presentes e marcados mas macios, encorpado, robusto e persistente. Faz um interessante contraste com o Caves São João Reserva, tornando muito curiosa a prova comparada e alternada dos dois vinhos.

Em suma, dois belos representantes dos clássicos das Caves São João. Qual preferimos? Ambos!

Felizmente ainda há mais umas garrafas destas para beber.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Região: Bairrada

Vinho: Sogrape Reserva 1995 (T)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 12,%
Castas: não indicadas
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Caves São João Reserva 2005 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 11,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Frei João Reserva 2005 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Camarate, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,79 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 11 de abril de 2015

No meu copo 445 - Frei João 2006

Há anos (duas décadas, pelo menos) que o Frei João é um dos meus vinhos de referência para acompanhar fondue e bife na pedra. Desde o tempo em que havia poucas marcas, e grande parte dos produtores de referência da actualidade ainda nem sequer existiam, já este tinto de entrada de gama das Caves São João fazia as minhas delícias. O mercado foi crescendo, as opções foram-se alargando e o Frei João manteve-se sempre como uma referência segura. Teve pequenas alterações no perfil, algumas mudanças na sua composição (de que esta colheita é um exemplo, com Touriga Nacional, Merlot e Tinta Roriz a fazerem companhia à habitual Baga), mas a qualidade esteve sempre lá e a capacidade de envelhecimento também.

É espantoso como um vinho que se compra a menos de 3 € aguenta 10 anos ou mais em garrafa sem apresentar sinais de declínio, mostrando que está ali para durar. Já foram várias as colheitas de anos recuados que tivemos oportunidade de provar (1992, 1999, 2000, 2003), e a regra mantém-se: o tempo vai tornando os vinhos mais macios mas não lhes retira frescura, pujança, estrutura nem persistência. É assim que se abre uma garrafa duma colheita com 8 anos e não se dá pela idade do vinho, que se bate na perfeição com a carne e os molhos do fondue, bebendo-se com vontade de beber mais a seguir.

Sendo desde sempre uma das marcas emblemáticas das Caves São João, o Frei João deve ser um dos vinhos menos valorizados no panorama nacional. Porque vale certamente 3 ou 4 vezes mais do que aquilo que custa, razão pela qual temos sempre uns exemplares na garrafeira, sem receio de nos esquecermos deles pois temos quase sempre a garantia de que, quando formos abri-los, estarão em plena forma.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2006 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Merlot, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,29 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 7 de abril de 2015

No meu copo 444 - Trinca Bolotas 2013

A Sogrape continua a acrescentar novidades ao seu portefólio com o lançamento de novas marcas. Depois de o Papa Figos ter integrado a gama da Casa Ferreirinha, com uma referência a uma ave do Douro, chegou agora a vez da Herdade do Peso apresentar um novo rótulo, o Trinca Bolotas, numa homenagem ao suíno alentejano.

Este novo vinho entra na gama média, próximo do Herdade do Peso Colheita. Com um perfil robusto e algo agreste, em que o álcool está bastante presente e os taninos com muitas arestas, parece ser um vinho demasiado novo para consumir e a que falta tempo de garrafa.

Claro que após uma única prova deste vinho é prematuro tirar conclusões definitivas, pois esta foi a primeira colheita lançada no mercado, outras se seguirão e poderá haver alguns ajustes no perfil do vinho. No entanto, não convenceu grandemente e, principalmente, não pareceu acrescentar nada de relevante à gama da marca, pois o Herdade do Peso Colheita parece ser mais equilibrado e com uma relação qualidade/preço mais atractiva. Na generalidade, os vinhos provenientes da Herdade do Peso têm primado por uma qualidade elevada (impossível esquecer o fabuloso Alfrocheiro de 2000), pelo que fica a dúvida acerca do lugar onde este Trinca bolotas se irá encaixar.

A Sogrape sempre nos habituou a vinhos de qualidade acima da média e com excelentes relações qualidade/preço, pois “não sabe fazer vinhos maus” (a frase é nossa). No entanto, num portefólio tão vasto, que engloba várias regiões e dezenas de marcas que vão desde o Mateus Rosé ao Barca Velha, nem todos podem ser excelentes e haverá sempre alguns produtos menos bem conseguidos. Resta-nos aguardar por novas colheitas para fazer a contraprova.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Trinca Bolotas 2013 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 3 de abril de 2015

No meu copo 443 - Domaine Felix, Pinot Noir 2010; Château Grand Champ 2011

Num jantar caseiro com a companhia do Politikos, para acompanhar uns escalopes de vitela resolvi abrir dois vinhos franceses: um tinto da Borgonha que tinha na garrafeira há algum tempo e um de Bordéus que me foi oferecido aquando do jantar de apresentação dos vinhos franceses comercializados no LIDL, que decorreu no Hotel Ritz Four Seasons.

Abrimos as garrafas em simultâneo, para podermos ir comparando estes tintos de duas regiões emblemáticas na produção mundial de vinho. Foi uma prova interessante, porque nos permitiu verificar as enormes diferenças entre os perfis de vinho daquelas duas regiões.

O Domaine Felix mostrou as duas principais características que marcam a casta e a região: a leveza e pouca concentração do Pinot Noir, e a elegância e suavidade da Borgonha. Quase parecia um clarete. Para quem está habituado a beber vinhos poderosos e concentradíssimos, deve ser muito difícil gostar dum vinho destes. A verdade é que, apreciando este vinho com calma, percebemos a razão de haver tantos enólogos que são fãs dos tintos da Borgonha e que muitas vezes tentam encontrar um paralelo entre os seus próprios vinhos e os borgonheses. Dirk Niepoort tem a Borgonha como referência, Luís Pato compara o terroir da Bairrada com o da Borgonha e a casta Baga com o Pinot Noir, e há ainda quem diga que o Dão é a Borgonha portuguesa. Por alguma razão tantos querem ser como a Borgonha...

O Château Grand Champ, sem indicação das castas mas presumivelmente contendo Cabernet Sauvignon, mostrou-se mais encorpado e algo rústico, mais “roufenho”, digamos assim. Com alguma adstringência evidente e taninos bem marcados, talvez precise de tempo em garrafa para amaciar, mas ficou claro que não era um vinho do mesmo gabarito do borgonhês. Em todo o caso também deu para perceber como é diferente da generalidade dos vinhos portugueses. Será preciso, contudo, subir um patamar para entrarmos num nível qualitativo que permita aquilatar de real qualidade dos tintos da região, de que este vinho é apenas um representante da gama baixa.

Voltaremos, certamente, aos vinhos destas regiões quando a ocasião se proporcionar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Domaine Felix, Pinot Noir 2010 (T)
Região: Côtes d'Auxerre - Borgonha (França)
Produtor: Felix et Fils – Saint-Bris-Le-Vineux
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Pinot Noir
Preço: 7,29 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Château Grand Champ 2011 (T)
Região: Bordéus (França)
Produtor: Yvon Mau – Gironde-sur-Dropt
Grau alcoólico: 13%
Castas: não indicadas
Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 30 de março de 2015

No meu copo 442 - Espumante A. Henriques 70 anos 2006; Martini Brut

Aproveitando a ocasiões festivas que sempre vão ocorrendo ao longo do ano, resolvi abrir um espumante que tinha adquirido com a Revista de Vinhos, o A. Henriques em edição comemorativa dos 70 anos, e um que já conheço de outras ocasiões, o Martini Brut.

Relativamente ao primeiro, com muita pena minha devo dizer que me decepcionou. Achei-o pouco aromático, pouco elegante e pouco suave. Rústico e desinteressante. Ainda por cima tinha comprado duas garrafas, dado que a expectativa era relativamente elevada, dado que a Bairrada é um dos berços dos bons espumantes nacionais. A Revista de Vinhos incluiu-o nos melhores do ano na sua gala anual, colocando-o no patamar imediatamente a seguir aos prémios de excelência, mas a prova que fiz não me convenceu nem confirmou esse juízo. É pena, mas nem sempre se pode estar de acordo...

Quanto ao Martini, não sendo nada de extraordinário é um dos que me têm agradado, por isso tenho repetido a compra. É fresco, aromático, elegante, tem boa acidez e boa mousse, deixa uma sensação agradável no fim de boca e apetece sempre beber mais um pouco. Por isso, nesta versão ou noutra parecida, também o temos nas nossas escolhas, pois até agora, desde a primeira compra, nunca desiludiu.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Espumante A. Henriques - Aniversário 70 anos 2006 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves da Montanha
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: não indicadas
Preço com a Revista de Vinhos: 8 €
Nota (0 a 10): 5

Vinho: Espumante Martini Brut (B)
Produtor: Martini & Rossi (Itália)
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: não indicadas
Preço em hipermercado: 7,98 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de março de 2015

No meu copo 441 - Reguengo de Melgaço, Alvarinho 2013; Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2013

Dois vinhos da região dos vinhos verdes, sendo que um deles, ainda do tempo da polémica com a casta Alvarinho, tem denominação de Regional Minho. Para o caso pouco importa, pois o mais importante é aquilo que se usufrui do que está dentro da garrafa.

Já não provávamos o Reguengo de Melgaço há bastante tempo. A última prova não tinha sido relatada aqui no blog, mas este vinho merece ser referenciado. Não é dos Alvarinhos mais caros e é bastante bom. Muito aromático, macio, de corpo médio, com muita frescura na boca, com uma bela acidez pontuada por ligeiras notas citrinas e tropicais. Com muito boa relação qualidade/preço, é um daqueles que merecem estar nas nossas sugestões.

Quanto ao Quinta da Aveleda, é um regresso pois já tínhamos provado as colheitas de 2011 e 2012, esta ainda não há muito tempo, pelo que não encontrámos nada de novo nem surpreendente. Leve e suave, floral, muito focado na fruta, é um vinho que se bebe sempre com agrado e de que é fácil gostar. Pelo preço que custa, nunca nos deixa ficar mal.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengo de Melgaço, Alvarinho 2013 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Hotel do Reguengo de Melgaço
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 9,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2013 (B)
Região: Regional Minho
Produtor: Aveleda
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Loureiro, Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 22 de março de 2015

No meu copo 440 - Quinta do Mouro 2006

Este é um dos nomes que se têm imposto no panorama dos vinhos alentejanos, não só pelo perfil dos vinhos mas também pelo perfil irreverente, e contra os padrões estabelecidos, do produtor.

Produzido na zona de Estremoz (sub-região de Borba), actualmente berço de um elevado número de vinhos com grande cartaz tanto no Alentejo como no país, é um vinho com o perfil de alentejano clássico, concentrado, intenso, com notas de compotas e frutos maduros, taninos firmes mas já arredondados. Na boca apresenta-se pujante, robusto e encorpado, a pedir comidas com alguma potência. Notas de madeira que não incomodam, bem integradas no conjunto, ajudam a dar-lhe muita complexidade.

Muito fechado no início da prova, requer que lhe demos tempo para respirar e para se mostrar – uma característica frequente nos grande vinhos, que não mostram tudo o que são logo no primeiro contacto.

É um belo vinho, que mais uma vez tem o preço como principal obstáculo, pois a qualidade é digna de todos os encómios. Em todo o caso, é um daqueles que justificam que se perca o amor a duas dezenas de euros porque vale a pena experimentá-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Mouro 2006 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: Miguel Viegas Louro
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: 22,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 18 de março de 2015

No meu copo 439 - Quinta dos Carvalhais Único 2005

Inicialmente muito fechado e austero, um portento de concentração. Tem uma cor carregada, a fazer lembrar o vinho do Porto. Só a decantação o libertou da prisão dos aromas na garrafa.

Ao evoluir começa a mostrar alguma elegância, mostrando uma enorme persistência, taninos firmes mas elegantes.

Não é um vinho fácil de provar, e muito menos de comprar, por aquilo que custa. É antes um vinho desafiante, programado para altos voos, que precisa do tempo certo e da ocasião para que possa ser apreciado em todo o seu esplendor. A Sogrape anda à procura do seu Barca Velha do Dão, e este foi talvez o que mais se aproximou, mas ainda lhe falta algo para lá chegar...

Tínhamo-lo conhecido há uns anos numa prova na Wine O’Clock, e o tempo de garrafa moldou-lhe o perfil, retirando-lhe alguma pujança e fazendo sobressair mais a elegância. Passado este tempo é, sem dúvida, um belo exemplar da Touriga Nacional no seu melhor registo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Carvalhais Único 2005 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 49,09 €
Nota (0 a 10): 9

sábado, 14 de março de 2015

No meu copo 438 - Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2005; Quinta de Cabriz, Touriga Nacional 2004

Tínhamos estes vinhos há alguns anos na garrafeira, juntamente com outros de gama alta, e achámos que era chegada a hora de abri-los. Já tínhamos provado o Vinha do Contador branco e tinto noutras ocasiões, nomeadamente nalguns encontros do #daowinelover. Nesta prova fizemos uma parelha entre dois produtos da Dão Sul já com alguma idade.

O Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador apresentou-se encorpado e estruturado mas bastante equilibrado. No primeiro ataque mostrou-se bastante recolhido, mas foi-se libertando e surpreendeu pela exuberância aromática e persistência. Muito volumoso e vigoroso na boca, com as notas de madeira muito discretas a dar complexidade e personalidade ao conjunto. Um grande vinho, como já se sabia, que a idade ajudou a domar. Precisa de tempo para se libertar, é um vinho para degustar lentamente ao longo duma noite e ir descobrindo toda a sua complexidade e panóplia de aromas.

O Quinta de Cabriz Touriga Nacional (ainda com a designação antiga, onde constava a palavra “quinta”) apareceu inicialmente discreto e algo simples no aroma, parecendo ficar ofuscado pelo parceiro de ocasião, mas foi abrindo lentamente com o passar do tempo e terminou com alguma exuberância aromática. Apresenta uma cor granada intensa mas é algo pesado na boca, tornando-se um pouco cansativo na prova. A Touriga Nacional impõe-se com as suas características florais mas o teor alcoólico confere alguma doçura que acaba por ofuscar o resto do conjunto. Aliás, é uma característica que parece manter-se neste vinho pelos anos fora, e que quanto a mim o penaliza na comparação com os outros monocasta do universo Dão Sul, e em particular os da Casa de Santar. Não é dos vinhos mais atractivos da casa neste segmento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Dão Sul, Sociedade Vitivinícola

Vinho: Paço dos Cunhas de Santar, Vinha do Contador 2005 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alfrocheiro, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço: 44,80 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta de Cabriz, Touriga Nacional 2004 (T)
Grau alcoólico: 15%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 14,18 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 10 de março de 2015

No meu copo 437 - Serras de Grândola: Verdelho branco 2013; Cepas Cinquentenárias tinto 2012

E de repente, donde e quando menos se esperava, surgem dois belos vinhos. Aliás, poderíamos mesmo dizer: um belo vinho e um belíssimo vinho! Foi no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno que deparei com este produtor dos arredores de Grândola, algures na serra a meio caminho entre Melides e a praia da Galé. Estamos em pleno Baixo Alentejo mas, graças às originalidades da nossa legislação, trata-se de vinhos regionais da Península de Setúbal, que se prolonga até Santiago do Cacém...

Mas, quer seja no Alentejo ou na Península de Setúbal, a casta Verdelho é uma das que dão cartas na produção de vinhos brancos. Na prova que tive oportunidade de fazer no Campo Pequeno, junto da banca do produtor, o vinho desde logo me agradou bastante, sendo uma completa surpresa, e tendo em conta as minhas origens resolvi comprar uma garrafa deste branco e uma de tinto, em parte para ajudar a divulgar um produtor praticamente desconhecido.

A prova decisiva, contudo, fez-se em casa, na companhia de um prato de peixe no forno, e a surpresa ainda mais se acentuou. Mostrou-se um vinho guloso, com excelente acidez, muita frescura, boa estrutura e final longo, daqueles de que apetece beber sempre mais um copo. E mais uma vez encontrei no copo um branco que nada tem a ver com os brancos pesados e enjoativos dum passado recente mas que já parece longínquo... A altitude e a proximidade do mar (cerca de 15 km em linha recta) contribuem decisivamente para o perfil deste vinho, mas há que dar mérito a quem o fez. O segredo para o sucesso parece ser mesmo esse: aproveitar as zonas mais frescas, próximas da costa ou em altitude, usar castas que transmitam boa acidez ao vinho, e assim se obtêm brancos de elevado nível! É assim que, mesmo na planície e no interior, a Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, ou João Portugal Ramos, em Estremoz, produzem brancos com este tipo de perfil...

Ficou-se também a saber que estamos em presença duma empresa que se dedica ao enoturismo e ficou o convite para passarmos por lá. Mas para já, o que mais me interessa é saber como voltar a adquirir este belíssimo vinho!

Depois veio o tinto, descrito como de cepas cinquentenárias. Resultante duma combinação de castas pouco usual, apresentou-se muito fresco, frutado, macio, encorpado, estruturado e persistente, com notas predominantes de fruta madura e ligeiro vegetal. Pareceu ser um bom tinto para tempos mais quentes e pratos de carne não muito pesados nem condimentados. Outra boa relação qualidade/preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada

Vinho: Serras de Grândola, Verdelho 2013 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Verdelho
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 6 de março de 2015

No meu copo 436 - Os novos vinhos da Quinta da Murta



A Quinta da Murta é um dos produtores sediados em Bucelas que se especializaram na produção de vinhos brancos com a casta rainha da região, o Arinto. Contudo, tem pouca visibilidade em comparação com os dois pesos-pesados da região, a Quinta da Romeira e a Enoport, que absorveu as antigas Caves Velhas.

Recentemente foi reformulado o portefólio de vinhos disponibilizados pela Quinta da Murta, com o alargamento da oferta de brancos, a introdução de um tinto e dois espumantes.

Juntamente com alguns dos elementos do habitual grupo de comensais, tivemos oportunidade de provar alguns dos vinhos da Quinta da Murta, numa refeição baseada num leitão de Negrais que acompanhou todos os vinhos provados.

Começámos e terminámos com espumante, um para entrada com o leitão e outro para as sobremesas. Pelo meio, introduzimos primeiro o tinto e depois os vários brancos.

Numa apreciação global, pode-se dizer que os vinhos agradaram na generalidade, embora com algumas disparidades entre os vários vinhos provados. Alguns agradaram claramente, outros suscitaram algumas reservas. Nada de anormal.

Resumidamente, apresentamos a seguir uma apreciação das impressões recolhidas.

Região: Bucelas
Produtor: Quinta da Murta


Murta, Touriga Nacional e Syrah tinto 2011 – 14%
Algo fechado na abertura, requeria decantação. De cor carmim aberta, com corpo médio, aroma algo especiado com predominância e frutos vermelhos e compota, boca algo adstringente no início, no ponto certo de consumo.
Nota: 7,5

Murta espumante Extra-Bruto rosé 2011 – 12,5% - Touriga Nacional
Bolha fina, agradável, aromático, elegante, aroma ligeiramente floral e final persistente.
Nota: 7,5

Quinta da Murta Brut Nature branco 2011 – 12% - Arinto
Boca equilibrada, suave, macio e com boa acidez.
Nota: 8

Murta Wine of Shakespeare branco 2012 – 13% - Arinto
Menos acidez que o Arinto habitual, boca média, redondo mas algo chato.
Nota: 7

Quinta da Murta branco 2012 – 13% - Arinto
Feito com uvas Arinto da quinta e compradas noutras propriedades. Perfil a fazer lembrar os antigos Caves Velhas, muito superior ao Murta seco, menos frutado.
Nota: 7,5

Quinta da Murta Clássico branco 2012 – 13,5% - Arinto
Feito com bâtonnage e com mais madeira que o anterior, a pedir comida mais untuosa. Boa estrutura e final persistente. Bem equilibrado.
Nota: 8


Em resumo, vinhos interessantes e que merecem ser revisitados e alguns deles adquiridos. Não deixam ficar mal os pergaminhos dos melhores Arintos de Bucelas.

Kroniketas e mais uns quantos

segunda-feira, 2 de março de 2015

No meu copo 435 - Casa Cadaval Vinhas Velhas, Trincadeira 2007

Voltamos ao Ribatejo, para visitar outro produtor de referência, a Casa Cadaval, também há muito implantada no mercado com os seus tintos monocasta. Neste caso, já tínhamos provado há cerca de um ano o Cabernet Sauvignon; agora foi a vez do Trincadeira, a outra casta tradicional dos tintos varietais da casa, tal como o Pinot Noir.

Sendo uma casta que parece ter vindo a perder terreno nos encepamentos no sul do país, e quase desaparecendo dos vinhos monocasta, os registos mostram, contudo, que ainda é uma das mais plantadas e largamente maioritária a par do Aragonês. É certo que não será das castas mais fáceis de trabalhar pelos enólogos, mas também temos visto nos últimos anos que quem se impõe são aqueles que fazem frente às dificuldades e trabalham com elas levando o seu barco a bom porto, em vez de enveredarem pelo caminho mais fácil dos vinhos com as “castas da moda”, que todos fazem e que a breve trecho se tornam verdadeiras pragas no país… É pena que ainda não tenham percebido que tudo o que está na moda acaba por passar de moda…

Que dizer, então, desta casta fora de moda? Este vinho apresentou-se encorpado, com um aroma algo herbáceo e de couro, estruturado e prolongado. Boa presença de taninos, final intenso mas redondo, pujante e persistente. Mostrou também estar num patamar de evolução em que já não irá melhorar, mas muito longe de decair. Continua a ser, para nós, um daqueles clássicos em que vale a pena apostar e que merece estar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Cadaval Vinhas Velhas, Trincadeira 2007 (T)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13%
Casta: Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 9,45 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

No meu copo 434 - Grand'Arte, Touriga Nacional 2008

Voltamos aos vinhos monocasta de Lisboa e Vale do Tejo, e voltamos à região de Lisboa para revisitar a DFJ, uma das empresas que continuam a apostar nos tintos de casta única.

Neste caso abrimos uma garrafa de Touriga Nacional de 2008, que tinha sido adquirida em 2009 com um dos números da Revista de Vinhos. Cerca de 6 anos e meio depois da colheita, portanto. Apresentou-se um vinho robusto, poderoso, complexo, bem estruturado na boca e com final prolongado. Taninos bem presentes conferem-lhe alguma adstringência, denotando que ainda poderia repousar mais uns anos na garrafa, pois estava muito vivo e com algumas arestas por limar.

Não é o mais típico Touriga Nacional, fugindo um pouco às notas violáceas, conquanto tenha mostrado que estava ali para durar e bater-se com pratos de carne bem temperados e exigentes.

Não sendo encantador, não deixa ficar mal a nova vaga de vinhos da renovada região de Lisboa, mostrando que é possível obter aqui vinhos com perfis muito diversos mas de qualidade inquestionável e que podem projectar o nome da região para um patamar bem acima. Os agentes do sector têm feito por isso.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grand’Arte, Touriga Nacional 2008 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Na minha mesa 433 - La Brasserie de l'entrecôte

  

Conheci este restaurante há uns 20 anos, nem sei bem quando. Só existia um, o original, na Rua do Alecrim junto ao Largo Camões, ao Chiado. Fui lá algumas vezes com o tuguinho e com o saudoso Mancha e desde sempre, sendo nós uns carnívoros incorrigíveis, aquele entrecôte coberto com o molho especial cheio de especiarias fez as nossas delícias. Aliás, foi por esse prato, único na ementa, que o restaurante se tornou conhecido.

Passaram-se mais de 10 anos desde a última vez que lá fui. Entretanto foram aparecendo outras instalações do mesmo restaurante. A primeira que vi foi na marina de Cascais. Depois tomei conhecimento de outra no Campo Pequeno numa visita a um certame qualquer, e entretanto fiquei a saber que há outra no Parque das Nações e mais um no Centro Comercial Amoreiras. Isto só em Lisboa, pois ainda há mais um no Porto. É o sinal dos tempos. Se até a tradicional Portugália já tem cervejarias por tudo quanto é sítio, até em centros comerciais...

Aproveitando o dia dos namorados destes resolvi ir jantar a um destes restaurantes. Telefonei para o do Parque das Nações a reservar mesa numa 4ª feira para o sábado seguinte, e estava esgotado! Tentei então o do Campo Pequeno, e lá conseguimos uma mesa para quatro.

A ementa está ligeiramente estendida, com um bife de seitan em alternativa ao entrecôte, e na entrada existe agora uma alternativa à salada de alface e rúcula, constituída por salmão fumado. Todos optámos pela salada tradicional e pelo entrecôte com molho brasserie.

O segredo deste bife, regado com um delicioso molho, para além da qualidade superior da carne reside no tempero usado no molho, com 18 condimentos e especiarias. Para acompanhar apenas batatas fritas, em palitos fininhos e tenros, que se vão comendo sem dar por isso. As doses são generosas, de tal forma que ainda sobrou carne...

Para sobremesa vieram um sorbet de limão e um bolo fondant de chocolate com gelado.

Serviço irrepreensível, rápido, eficiente, atencioso, tudo corre sobre rodas. A decoração deste restaurante incide em fotos de Paris a preto e branco, a fazer jus à inspiração francesa do bife. Nada como visitar o site do restaurante para descobrir as variantes entre as diversas instalações.

A garrafeira, não sendo muito vasta, cobre opções suficientes para todas as preferências. Para acompanhar a refeição escolheu-se um Paço dos Cunhas de Santar 2010, que já conhecíamos e esteve perfeito com o prato. Como não há meias-garrafas e o vinho não foi suficiente, acabou-se por pedir um reforço a copo: um de branco Quinta de Bajancas (Douro) e um de tinto Herdade da Pimenta (Alentejo), que complementaram a função a preceito.

No final sai-se plenamente satisfeito e saciado, e assim se terminou em amena cavaqueira um dia dos namorados algo diferente.

Se gosta de bifes de vaca e ainda não experimentou este restaurante, reserve algum dinheiro e quando puder experimente. Verá que não se arrepende.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: La Brasserie de l'entrecôte
Localização: Campo Pequeno
Lisboa
Preço médio por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

No meu copo, na minha mesa 432 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012; Vinha Grande tinto 2011; A Travessa do Rio (Lisboa)

  

No final do ano voltei a fazer uma incursão a um restaurante que frequento de vez em quando, A Travessa do Rio, em Benfica, para mais uma excelente refeição em grupo. Após várias indecisões nos pedidos, estes acabaram por recair em apenas dois pratos: um arroz de lagosta e um bife do lombo com pimenta acompanhado de batatas fritas e esparregado, apenas para mim e para o Pirata. E como o bife causou impacto! Os restantes comensais ficaram de olhos (e papilas também) arregalados com a suculência deste bife, que estava simplesmente divinal! Quem comeu o arroz de lagosta ficou com pena de não ter escolhido o bife...

Como habitualmente neste restaurante, tivemos um belíssimo repasto, bem comido e bem bebido, mantendo o nível a que nos habituou.

Quanto aos líquidos, a primeira opção foi para um branco enquanto nos entretínhamos com as entradas. A escolha recaiu num monocasta da José Maria da Fonseca, o Domingos Soares Franco Colecção Privada Verdelho 2012, que nunca nos deixa ficar mal. Com excelente acidez e aroma em que predomina um misto de frutos citrinos e tropicais, esta colheita apresentou-se com um grau alcoólico mais baixo que as anteriores, mantendo uma boa persistência e frescura e tornando-se mais leve e mais suave, muito guloso e apelativo. Apetece sempre beber mais um copo, e por isso houve que repetir garrafas.

Para o bife do lombo com pimenta escolhemos um Vinha Grande 2011, também uma aposta sempre segura. Esta versão apresentou-se um pouco mais robusta que o habitual, com muita concentração e álcool um pouco excessivo, tornando a prova inicial algo agreste. Foi necessário dar-lhe tempo para arejar e amaciar um pouco, quando se começaram a notar os aromas a frutos vermelhos, arbustos e folhas do bosque. Os taninos estão bem presentes e muito vivos, embora sem se tornarem demasiado agressivos, e a madeira está muito discreta sem marcar o vinho. Talvez dois ou três anos na garrafa o tornem mais elegante, dando-lhe um perfil mais próximo daquele a que nos habituou, em que predomina a elegância e a suavidade. No entanto não deixou de constituir uma boa escolha, que ligou perfeitamente com a carne.

Em suma, um restaurante e dois vinhos que não deixaram os seus créditos mal vistos, proporcionando um fecho de ano em beleza.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: A Travessa do Rio

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2012 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,95 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Vinha Grande 2011 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 8,45 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Na Wines 9297 (3) - Caves São João

  
  

Aproveitei um fim de tarde mais aliviado para me deslocar novamente à Wines 9297, para mais uma prova de vinhos das Caves São João, que nos últimos meses tem sido presença assídua em provas em Lisboa. No entanto, os vinhos são tão encantadores que, mesmo já conhecendo quase todos os que são apresentados nas provas, é sempre um prazer renovado voltar a prová-los.

Desta vez em prova estiveram um espumante Quinta do Poço do Lobo, na colheita mais recente, assim como o Quinta do Poço do Lobo Arinto-Chardonnay. O espumante está muito agradável, suave e refrescante, enquanto o Poço do Lobo, com as mesmas castas e alguma madeira, mostra alguma estrutura sem deixar de ser macio e com boa acidez. No capítulo dos brancos ainda houve oportunidade de provar o Porta dos Cavaleiros 1979, do qual foram abertas 3 garrafas e todas estavam diferentes, com estádios de evolução muito díspares. Duas delas bastantes oxidadas, outra muito mais elegante e jovem.

Nos tintos esteve o clássico Caves São João Baga-Touriga Nacional, com a nova rotulagem que substituiu o antigo rótulo de cortiça. Um vinho ainda com muito para evoluir e amaciar, pois estava muito vibrante e ainda algo adstringente.

Continuando na senda dos vinhos comemorativos dos 100 anos da casa, provou-se o Caves São João 93 anos de história, um Touriga Nacional do Dão, concentrado, aromático, estruturado, com potencial para envelhecer uns 20 anos. Comprou-se uma garrafa que promete muito para daqui a uns anos...

No capítulo dos vinhos antigos, um Porta dos Cavaleiros 1985, que após algum arejamento apareceu com toda a suavidade típica do Dão, mas para mim a grande estrela foi, mais uma vez, o Quinta do Poço do Lobo Reserva 1995. Simplesmente delicioso! Já tínhamos provado uma garrafa num repasto, e parece que agora ainda gostei mais dele. Tivemos oportunidade de provar diversas colheitas deste vinho nos últimos eventos e sempre nos encantou. Irresistível, e os preços são imperdíveis!

Como habitualmente, valeu a pena fazer um esforço para comparecer. Vale sempre. As Caves São João, agora que têm vindo pouco a pouco a trazer para o mercado os seus vinhos antigos, estão de novo em grande!

Obrigado à gerente Célia Alves por mais esta belíssima prova que nos proporcionou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Daowinelover - The best of Dão


Decorreu no passado dia 31 de Janeiro mais um evento por iniciativa do grupo #daowinelover, novamente no restaurante Claro, desta vez com o tema “The best of Dão”. O objectivo era que cada produtor presente levasse alguns dos seus melhores vinhos, que poderiam ser degustados ao longo da tarde em prova livre, até à chegada dos acepipes para forrar o estômago, lá mais para o anoitecer.

Já houve outros encontros com produtores que desta vez não estiveram presentes, tendo sido notadas algumas ausências de alguns produtores habituais. Da lista de presenças indicada na imagem não compareceu Júlia Kemper.

Quase à última hora surgiram arranjar duas vagas com que já não contávamos (quando nos apercebemos da realização do evento as inscrições já tinham fechado), e assim a dupla que vai mantendo este blog mais ou menos vivo pôde deslocar-se ao local para fazer as despesas das provas e das conversas.

Dos produtores presentes tivemos oportunidade de provar quase tudo. Nos brancos não nos faltou nenhum, enquanto dos tintos saltámos alguns, pois a ingestão de álcool, ainda que em quantidades reduzidas, já estava a fazer sentir os seus efeitos lá para o fim da tarde.

Mais do que entrar em considerandos específicos sobre cada vinho, que nestas ocasiões não gostamos muito de fazer, o que há a destacar é a elevada qualidade dos vinhos presentes. Nos brancos o destaque foi para o contingente de monocastas feitos de Encruzado, que curiosamente nos permitiu verificar como diferentes produtores podem fazer vinhos tão distintos a partir da mesma casta. Nuns casos mais mineral, noutros mais frutada, nalguns casos mais estruturada e noutros casos mais suave. Uma casta multifacetada, mas que marca os vinhos de forma indelével. Muito interessante a comparação de duas colheitas, 2009 e 2013, da Casa de Mouraz, em que gostámos mais da mais antiga, com excelente evolução e muita macieza. Destaque também para uma amostra de cuba dum 2014 ainda não rotulado da Quinta das Marias, também um Encruzado que encantou toda a gente.

Nos tintos havia desde colheitas muito novas até outras com mais de 10 anos, havendo mesmo um Garrafeira de 1997 das Terras de Tavares. O que se realça, contudo, mais do que no evento dedicado apenas à Touriga Nacional, é que nos vinhos de lote e, sobretudo, nos vinhos com alguma idade, está bem patente toda a elegância a suavidade que era habitual caracterizarem os tintos do Dão. Alguns dos que provámos fizeram lembrar os que bebíamos nos anos 90, quando ainda não tinha chegado a moda dos superfrutados, superconcentrados e superalcoólicos. Aliás, uma parte significativa dos produtores apresentou precisamente vinhos de lote e de colheitas com alguns anos.

Pudemos assim apreciar alguns dos melhores e mais representativos vinhos do Dão, numa jornada descontraída e agradável, onde reencontrámos uma boa parte dos comparsas habituais. Mais uma vez obrigado aos organizadores do costume, Pingus Vinicus e Miguel Pereira, e ficamos à espera do próximo.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

No meu copo 431 - Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007

Depois da prova do Cabernet Sauvignon em versão ribatejana da Fiúza, provámos a versão estremenha da Quinta de Pancas, uma das marcas há mais tempo implantadas no mercado nesta versão monocasta.

Ligeiramente apimentado, com um certo aroma a pimentos verdes (o tal...), apareceu macio e algo delgado no início, parecendo pouco encorpado. Depois desenvolveu aromas e estrutura, mostrou-se robusto e persistente e com potencial para durar ainda mais tempo em garrafa, ainda com uma certa adstringência a marcar o conjunto. Na comparação com a versão ribatejana da Fiúza, preferimos aquela, pois mostrou-se mais equilibrada.

Este Quinta de Pancas, embora mais robusto, esteve demasiado marcado pelo tal aroma a pimentos verdes, que se impôs de certa forma no conjunto. Tendo em conta a idade do vinho, provavelmente já não iria melhorar.

De notar que recentemente verificaram-se algumas alterações estruturais de fundo na Companhia das Quintas, onde se enquadrou a venda da emblemática Quinta da Romeira, em Bucelas. Não sabemos o que se vai seguir, mas no momento em que este post é publicado, tanto quanto sabemos, a Quinta de Pancas continua a pertencer ao universo da Companhia das Quintas. Qualquer desactualização desta informação não é da nossa responsabilidade, pelo que pedimos a devida compreensão aos leitores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Pancas, Cabernet Sauvignon 2007 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Quinta de Pancas - Companhia das Quintas
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 7,5