segunda-feira, 19 de outubro de 2020

No meu copo 881 - Julian Reynolds Reserva tinto 2014

Rumando a norte por terras alentejanas, paramos em Arroches, algures a meio caminho entre Campo Maior e Portalegre, no projecto da família Reynolds, estabelecida no Alentejo desde 1850.

Dentre os diversos vinhos ali produzidos, repetimos uma referência já provada há alguns anos mas agora acrescentada com a designação Reserva.

Desde essa altura mudou também o lote, que mantém a Alicante Bouschet e a Syrah, mas saíram as típicas Aragonês e Trincadeira que foram substituídas pela ubíqua Touriga Nacional. Talvez por isso este vinho não tem um carácter tão marcadamente alentejano como o anterior, revelando-se com um perfil mais aberto e floral.

Sendo a Alicante Bouschet uma casta tintureira e estando presente em 40% do lote, a cor é bastante fechada mesmo já tendo o vinho 6 anos de idade. O aroma apresenta notas de frutos maduros, algum achocolatado e ligeiríssimo toque da madeira em que estagiou durante 12 meses.

Na boca apresenta-se com boa estrutura e taninos bem marcados, é equilibrado, redondo e persistente, com final elegante. Tanto no aroma como na boca apresenta uma juventude evidente, que é de realçar já a caminho dos 6 anos.

Mostra ser um vinho com potencial evolutivo em garrafa, parecendo poder durar outro tanto ou mais sem problemas. Seria interessante acompanhar como este vinho evoluirá em garrafa durante mais alguns anos, embora neste momento já esteja num ponto óptimo de consumo.

Apesar de eu preferir o perfil mais clássico que a colheita de 2006 apresentava, este perfila-se como um vinho muito interessante e não segue nenhuma tendência: apresenta um perfil e uma personalidade muito próprios, o que o torna ainda mais interessante.

A acompanhar proximamente.

Mais sobre a Alicante Bouschet em http://fugas.publico.pt/Vinhos/334695_alicante-bouschet-a-prima-donna-que-se-deu-bem-no-alentejo?pagina=-1

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Julian Reynolds Reserva (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet (40%), Touriga Nacional (40%), Syrah (20%)
Preço: 13 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/F9QQSYwgkb4

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

No meu copo 880 - Esporão Reserva branco 2018

Um regresso ao Esporão e ao Reserva branco, já aqui provado há cerca de um ano e meio, agora com a colheita de 2018.

Remetendo para aquele post, as referências mantêm-se. Tanto nas qualidades do vinho como na parte menos boa, que continua a ser a demasiada expressão da madeira no conjunto.

Como o perfil se mantém, presume-se que é um perfil assumido pela casa que quer mantê-lo assim.

Neste registo, tem de ser um vinho bebido a acompanhar pratos de peixe bem temperados, nomeadamente cozinhados no forno e com muito azeite.

Neste enquadramento, será sempre uma referência e um branco a ter em conta.

Beba-se a acompanhar pratos fortes de peixe, como bacalhau no forno com muito azeite, que se baterá muito bem com a estrutura e o volume do vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2018 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 11,18 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/mp-mjzdkuK8

domingo, 11 de outubro de 2020

No meu copo 879 - Cabriz, Touriga Nacional branco 2018

Temos aqui em estreia absoluta este blanc de noirs de Touriga Nacional da Quinta de Cabriz. É a segunda referência em branco de tintas nos vinhos tranquilos portugueses que passa pela nossa mesa, depois das provas anteriores do Invisível de Aragonez, da Ervideira.

Tal como aquele, este é um vinho curioso, com nuances de aroma e sabor fora do comum, e que nos deixam algo indecisos acerca daquilo que estamos a provar. Os aromas predominantes da Touriga não são notados mas o carácter floral permanece e prevalece. Depois sente-se algum citrino e um certo toque melado.

Até a cor é diferente do habitual: não é cítrica nem palha, as mais comuns; é mais um tom melado a tender para o âmbar, um amarelo mais escuro a fazer lembrar os brancos mais oxidados.

Na boca tem um toque adocicado muito ligeiro, é redondo e suave tendo um final persistente mas não muito intenso.

É um vinho claramente vocacionado para pratos de peixe com algum tempero e complexidade mas mostra-se versátil e polivalente, pois apresenta uma bola acidez e bastante frescura.

Até pela originalidade que apresenta, é um vinho que vale a pena acompanhar, por um preço aceitável. Por isso entra directamente para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz, Touriga Nacional 2018 (B)
Região: Dão
Produtor: Global Wines
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/F6uVvAMmR5Y

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

No meu copo 878 - Scarpa Garrafeira 1987

Nos idos da década de 90, um dos primeiros vinhos do Douro que tive oportunidade de conhecer (eram poucos à época) foi um tal Scarpa, que era produzido pela Quinta da Cismeira em São João da Pesqueira. O rótulo era alaranjado e o vinho era elegante, suave e muito interessante, muito longe da era das bombas de concentração, álcool e madeira deste século.

Há algum tempo este vinho veio-me à memória, e comecei a ver se ainda o encontraria por aí. Consegui encontrar esta colheita de 1987 nesta versão Garrafeira.

Foi-me dito que o vinho estava em boas condições de conservação, o nível dentro da garrafa estava normal, portanto havia garantias mínimas de que o vinho deveria estar perfeitamente bebível.

E assim se verificou. Foi uma belíssima surpresa, mostrou-se de óptima saúde. Depois de arejar algum tempo (sem decantação) e libertar os aromas, apresentou-se muito macio e elegante, com uma cor já acastanhada como é normal mas sem mostrar sinais de declínio. Serviu para reavivar algumas memórias, e soube bem recordá-lo.

Para quem gostar de provar relíquias entretanto desaparecidas, este vinho poderá ser uma das que valem a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Scarpa Garrafeira 1987 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta da Cismeira
Grau alcoólico: 12%
Castas: Tinta Roriz e outras
Preço: 13,50 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/3mLlbJGPecU

sábado, 3 de outubro de 2020

No meu copo 877 - Casa da Passarela, A Descoberta tinto 2017

E chegamos agora ao tinto A Descoberta, a referência que faltava neste trio.

Elaborado com um lote clássico, é também um Dão mais ou menos clássico, com as notas de frutos vermelhos e do bosque bem presentes, elegante e com uma boa amplitude de boca, persistência média com um final suave mas firme.

Mais uma boa aposta desta casa que completa de forma muito interessante esta marca A Descoberta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2017 (T)
Região: Dão (Serra da Estrela)
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/9P5ThC1ICtU

terça-feira, 29 de setembro de 2020

No meu copo 876 - Quinta das Bágeiras Chumbado tinto 2015

É a segunda vez que nos cruzamos com esta marca em casa, depois das primeiras provas em garrafeira.

Já se sabe donde surgiu este nome: a Câmara de Provadores da Comissão Vitivinícola da Bairrada reprovou um branco para ter denominação Bairrada (na altura o Pai Abel 2011) e o produtor chamou-lhe Chumbado, lançando-o como vinho de mesa.

Este tem a particularidade acrescida de nem sequer conter o nome Quinta das Bágeiras tanto no rótulo como no contra-rótulo.

A verdade é, que sendo chumbado ou não, este vinho é um Bairrada em tudo aquilo que o caracteriza. Nada ali nos diz que aquele não é um Bairrada típico, a começar pelas castas utilizadas – mesmo que a CVB ache que não é.

Tal como costuma acontecer com os vinhos de Mário Sérgio, este tinto de 2015 tem todos as componentes no sítio certo. O aroma é algo fechado e discreto com algumas notas de plantas do bosque e frutos pretos.

Na boca o primeiro ataque é algo adstringente mas depois de arejado e redondo, macio e bem estruturado, com final persistente mas suave.

Venham mais Chumbados destes, que nós cá estaremos para aprová-los.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Chumbado (Quinta das Bágeiras) 2015 (T)
Região: Bairrada (sem denominação de origem)
Produtor: Mário Sérgio Alves Nuno
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço: 9 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/S5uS4WOOiSE

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

No meu copo 875 - Head Rock Grande Reserva tinto 2015

Este é um projecto relativamente recente que está a ter alguma visibilidade nos vinhos nacionais.

Sediado na sub-região de Chaves, em solo granítico a uma altitude de cerca de 450-550 metros, este Head Rock Grande Reserva apresenta-se robusto, com taninos muito firmes e presentes, estruturado e amplo na boca, com final marcado por alguma adstringência e muito persistente.

Apresenta uma cor rubi carregada e aroma de fruta madura bem expressivo e intenso, com a madeira discreta. Estagiou 16 meses em barricas de carvalho francês usadas.

É claramente um vinho com um grande futuro pela frente e longa vida em garrafa. Embora apresente um preço elevado, não deixa de ser uma proposta aliciante e que vale a pena revisitar.

Poderá firmar-se como um dos grandes vinhos do país, mas sendo este o primeiro contacto que tivemos com ele, vamos aguardar pelo que o futuro nos dirá. Para já, tem um bom benefício da dúvida.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Head Rock Grande Reserva 2015 (T)
Região: Trás-os-Montes (Chaves)
Produtor: Carlos Manuel Alves Bastos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz
Preço: 19,65 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vídeo em https://youtu.be/-nW-3_wfWKc

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

No meu copo 874 - Casa da Passarela, A Descoberta branco 2019


Depois de termos provado o rosé, temos agora este branco da linha “A Descoberta” da Casa da Passarela.

É um branco que agradou logo no primeiro contacto e mantém todas as características para agradar.

Muito bem feito, com aromas frutados tropicais pontuados por algum citrino e um ligeiro floral, muito equilibrado na prova de boca, com excelente acidez a deixar uma boa frescura e um final amplo e macio.

Com o acréscimo de ter um preço muito simpático, é um vinho bastante apelativo e uma aposta muito interessante.

É difícil encontrar-lhe algum ponto menos positivo, pelo que se recomenda sem hesitações, e naturalmente faz parte das nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2019 (T)
Região: Dão (Serra da Estrela)
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/RcxndhyhEMM

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

No meu copo 873 - HM Lisboa branco 2019

Continuando a linha de crescimento deste HM Lisboa branco, temos em estreia a colheita de 2019, acabadinha de chegar, que mostra uma evolução para um vinho mais sério e mais complexo e que tem vindo a conquistar a crítica especializada.

Os pormenores têm vindo a ser afinados e melhorados de colheita para colheita, e já estamos a chegar a um vinho mais crescido e maduro.

Temos aqui um vinho com boa estrutura e amplitude de boca, com aroma frutado intenso, acidez vibrante e prolongada e óptima frescura num final de boca persistente.

Tal como nas edições anteriores, é um vinho que melhora com o tempo em garrafa, precisando de algum tempo para crescer e mostrar todo o seu potencial.

Ao fim de quatro edições já se afirmou no panorama nacional e revelou uma consistência qualitativa que justifica a sua entrada para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: HM Lisboa 2019 (B)
Região: Lisboa
Produtor: Hugo Mendes Wines
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 10 € (patronos)
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/aXIhE0emQ6c

domingo, 13 de setembro de 2020

No meu copo 872 - Casa da Passarela, A Descoberta rosé 2019


Esta nova tendência dos rosados de cor muito aberta continua neste A Descoberta, uma linha da Casa da Passarela que tem no portefólio um rosé, um branco e um tinto (destes falaremos em breve).

É um vinho muito fresco, leve, aromático, óptimo para pratos italianos, com alguma estrutura e alguma complexidade, pelo que se pede que seja tratado à mesa de forma séria.

Mesmo sendo um vinho de entrada na gama da Casa da Passarela, este rosé A Descoberta é um bom representante dos vinhos do Dão, que merece ser olhado com a devida atenção.

É mais um rosé a óptimo preço e com relação qualidade-preço muito interessante, pelo que também se recomenda e faz parte da nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2019 (R)
Região: Dão (Serra da Estrela)
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/nJB2XOJotYE

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

No meu copo 871 - Quinta da Alorna, Touriga Nacional rosé 2017

Uma das nossas referências a nível dos rosés nacionais, que com uma ou outra oscilação se tem mantido com uma qualidade consistente, sempre num registo de muita frescura e acidez, bem frutado e com leveza quanto baste.

Agora seguindo a linha dos rosés de cor muito aberta, quase alaranjada (ai as modas...), continua a ser um vinho muito agradável e que se bebe despreocupadamente, quase sem se dar por isso, fazendo boas harmonizações com um leque alargado de pratos, portugueses ou não.

Foi experimentado com um prato de frango de caril (uma coisa que me custa a passar pelo estreito...) e ajudou bastante a equilibrar o sabor e a deglutir o prato.

Acresce que o preço é quase imbatível, pelo que temos aqui uma óptima relação qualidade-preço.

E quando assim é, só nos podemos dar por satisfeitos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna, Touriga Nacional 2017 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 3,79 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/lNeyYIBsao8

sábado, 5 de setembro de 2020

No meu copo 870 - Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional rosé 2019

Continuamos no domínio dos vinhos rosados e agora num que tem sido quase sempre um caso de sucesso.

Conheço este vinho há bastantes anos, já o vi com outros rótulos e até com os nomes das castas invertidos (Touriga Nacional em primeiro lugar). De há algum tempo para cá estabilizou nesta ordem, com o Cabernet Sauvignon em primeiro lugar e agora com o rótulo mais moderno e estilizado.

Nalgumas colheitas a qualidade teve oscilações. Andou ali entre o seco e o doce, o fresco e o enjoativo, mas agora parece ter seguido a nova tendência de serem todos muitos leves e muito abertos, e é isso que temos nesta garrafa.

Tem uma cor salmão meio desmaiada, aromas intensos com notas de frutos vermelhos e silvestres, complementadas com apontamentos florais que lhe são dados pela Touriga Nacional.

Na boca o vinho é muito fresco e com muito boa acidez, elegante, envolvente e suave, com final macio e persistente.

É uma aposta muito interessante na gama dos rosés, com uma excelente relação qualidade-preço e que faz parte das nossas escolhas há muitos anos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional 2019 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/1zOxrHqn1XQ


terça-feira, 1 de setembro de 2020

No meu copo 869 - Quinta do Monte d'Oiro rosé 2018

Este novo rosé da Quinta do Monte d’Oiro, que já se chamou Lybra e antes disso ainda teve uma versão inicial chamada Clarete, apresenta-se agora com a nova roupagem e a nova marca que uniformizou toda a gama de vinhos da empresa desde 2017.

Tal como é descrito nos vídeos anexos editados pelo próprio produtor, é elaborado a partir de uvas duma parcela especificamente trabalhada para a produção dum rosé, pelo que estas uvas Syrah não seguem o mesmo percurso dos talhões de Syrah para a elaboração de tintos.

Obtém-se assim um rosé muito aberto, de cor salmão clara, com notas de frutos vermelhos no aroma. Apresenta uma boa acidez e boa frescura na boca, com uma ligeira doçura que pode tornar-se enjoativa se o vinho não estiver suficientemente frio, pelo que é obrigatório refrescá-lo adequadamente.

É sobretudo um vinho gastronómico, para beber à mesa e não à beira da piscina, portanto não vale a pena pensar nele para refresco mas sim para acompanhar uma boa refeição de Verão.

O preço não é dos mais apelativos dentro do género, mas não deixa de ser um vinho que vale a pena conhecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Monte d'Oiro 2018 (R)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d'Oiro
Grau alcoólico: 12%
Casta: Syrah
Preço: 8,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeos em https://youtu.be/OQd8YxeVxDQ (1ª parte) e https://youtu.be/iqe7WgdxDWg (2ª parte)

domingo, 2 de agosto de 2020

No meu copo 868 - Vicentino, Sauvignon Blanc 2018

Temos aqui o primeiro produtor verdadeiramente sediado na costa vicentina, que aposta nos seus primeiros vinhos em incluir um Sauvignon Blanc, seguindo os passos que as Cortes de Cima já tinham trilhado ao plantar uma vinha de Sauvignon Blanc nas proximidades de Vila Nova de Milfontes.

Este Vicentino não é um vinho muito exuberante aromaticamente nem extremamente excitante na prova de boca, mas apresenta uma suavidade e uma elegância que a casta consegue mostrar nesta região.

Muito equilibrado sem ser excepcional, mostra o melhor que a casta tem num registo um pouco mais contido. Apresenta-se bastante gastronómico, portando-se bem melhor à mesa do que em prova a solo. Poderá ser uma boa aposta para os mariscos que existem em abundância nesta costa.

É um vinho a acompanhar e a rever em próxima ocasião, sem descurar a restante gama de vinhos que a empresa apresenta.

Existem outros brancos e tintos que será curioso perceber como resultam nesta zona em que o clima costeiro é tão fresco e húmido, de forma bem contrastante com as elevadas temperaturas que se verificam poucos quilómetros mais para o interior.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vicentino, Sauvignon Blanc 2018 (B)
Região: Alentejo (Costa Atlântica)
Produtor: Frupor
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 10,80 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/-XdsC4v6YDk

PS: e agora pausa para férias. Voltamos em Setembro.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

No meu copo 867 - Adega Penalva Reserva 2016; Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2016

A Adega Cooperativa de Penalva do Castelo não é dos produtores mais falados na região do Dão, conquanto não deixe de produzir alguns vinhos bem interessantes como os dois de que aqui falamos.

O Reserva é um Dão de perfil a tender para o clássico, com notas aromáticas do bosque. Na boca tem boa estrutura e apresenta-se contido, não sendo muito exuberante nem no aroma nem no sabor. Não sendo um vinho de encantar, não deixa de ser uma boa amostra dos tintos do Dão neste patamar de preços.

Já o Milénio, que não é novidade, mostra um lado mais moderno e contemporâneo duma região rica em tradições. É feito com as castas Touriga Nacional e Tinta Roriz vinificadas em cubas de inox com controlo de temperatura.

Após fermentação maloláctica o vinho passa por ligeiro estágio em barricas de carvalho.

O vinho é fresco e aromático e bebe-se com muita facilidade. Um vinho na entrada de gama feito para gostar.

Em suma, dois bons exemplares de tintos com perfis diferentes que não deixam ficar nada mal a região.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Dão
Produtor: Adega Cooperativa de Penalva do Castelo

Vinho: Adega de Penalva Reserva 2016 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Jaen
Preço em feira de vinhos: 6,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Milénio, Touriga Nacional e Aragonês 2016 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/uQtN9zNnC0Q

quinta-feira, 23 de julho de 2020

No meu copo 866 - Dão Borges Reserva tinto 2008

A Sociedade dos Vinhos Borges é uma das empresas produtoras de vinho mais antigas em Portugal, pois existe desde 1884. Como muitas outras à época, começou essencialmente ligada à produção de Vinho do Porto.

Actualmente produz os seus vinhos de mesa (vinhos tranquilos) com base em três quintas: a Quinta de Simaens, em Felgueiras, na região dos Vinhos Verdes, a Quinta da Soalheira, em São João da Pesqueira, na região do Douro, e esta que agora aqui nos traz: a Quinta de São Simão da Aguieira, em Nelas, na região do Dão.

Tivemos, em tempos, a possibilidade de provar também excelentes vinhos da Borges produzidos na Bairrada, mas neste momento esta região não se encontra no portefólio da empresa. Produz ainda espumantes e brandy, para além do já referido Vinho do Porto.

É sempre um prazer difícil de descrever quando me reencontro com os grandes tintos do Dão que remetem para a época em que a região dava cartas.

Parafraseando Luís Lopes, director da “Vinhos - Grandes Escolhas”, este é um Dão que não quer ser Douro quando for grande: é um Dão com o que o Dão tem de melhor.

Um grande bouquet, tão típico dos melhores tintos do Dão, com aromas de frutos do bosque no nariz, elegância e grande complexidade na boca, envolvente, suave, redondo e sedoso, com taninos presentes mas muito macios e todo o conjunto muito equilibrado.

Uma só palavra pode caracterizar este Borges Reserva: delicioso. Todo ele é finesse, elegância. Esperava que fosse bom, mas não que fosse tão bom!

Tendo em conta que é de 2008, a saúde com que se apresenta é notável, não evidenciado quaisquer sinais de cansaço ou evolução excessiva, nem no aroma nem no sabor.

Não me canso de dizer isto: para quem ainda pensa que só o Douro e o Alentejo é que estão a dar, sugiro que mude a agulha e prove vinhos como este, porque são estes que realmente nos mostram como não tem de ser tudo igual e não temos de mastigar vinho nem beber pau líquido.

Também não me canso de repetir isto: felizmente ainda se fazem vinhos assim.

Um grande VIVA aos vinhos do Dão! Notável!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Borges Reserva 2008 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 11,24 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vídeo em https://youtu.be/GnwJLYPUjX4

segunda-feira, 20 de julho de 2020

No meu copo 865 - Dalva Reserva tinto 2016

Este foi o primeiro contacto que tive com qualquer vinho desta marca e deste produtor, com mais tradição nos vinhos do Porto do que nos vinhos DOC Douro – esta empresa já existe desde 1862, encontrando-se portanto entre as mais antigas no ramo.

Destaca-se pela suavidade e pela elegância na boca, sendo um vinho essencialmente macio, que foge ao padrão mais habitual dos vinhos demasiado concentrados e demasiado alcoólicos.

No nariz destacam-se os frutos vermelhos maduros, bem evidentes nos aromas primários.

Na boca é redondo e elegante, melhorando bastante com o arejamento, uma vez que no primeiro impacto parece algo delgado e pouco expressivo.

Estagiou 12 meses em barricas de 500 litros de carvalho francês, mas a madeira não se impõe nem se sobrepõe.

Merece uma oportunidade para ser mais conhecido, mesmo não sendo o melhor que por cá se faz, mas pelo preço que custa está num patamar de qualidade bem interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Dalva Reserva 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: C. da Silva Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço: 6,50 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/aInVV3xGqXE

quarta-feira, 15 de julho de 2020

No meu copo 864 - Esporão, Verdelho 2017

Já é um clássico nas nossas escolhas e um valor garantido.

Este Verdelho é o único monocasta branco actualmente produzido na Herdade do Esporão com regularidade – o Duas Castas é um conceito ligeiramente diferente, como já foi referido noutras ocasiões, e os monocastas tintos mudaram de conceito no final da década de 2000.

A colheita de 2014 foi votada como melhor vinho nacional no Concurso Vinhos de Portugal 2015, e é um daqueles vinhos de que dificilmente não se gosta.

A sua acidez, frescura, aroma intenso com notas tropicais e um toque cítrico na boca, com estrutura e corpo de boa amplitude, fazem dele um vinho polivalente e adequado para todas as estações.

A sua acidez, frescura, aroma intenso com notas tropicais e um toque cítrico na boca, com estrutura e corpo de boa amplitude, fazem dele um vinho polivalente e adequado para todas as estações.

Pessoalmente, prefiro-o um pouco mais novo, no ponto em que os aromas primários estão mais presentes, mas este 2017 está óptimo para consumir e com uma complexidade que não se encontra quando muito novo.

É um daqueles vinhos que nunca nos deixam ficar mal, e portanto recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão, Verdelho 2017 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeos em https://youtu.be/e7NZyMNpvPQ (1ª parte) e https://youtu.be/SrEgOXLXjDQ (2ª parte)

sábado, 11 de julho de 2020

No meu copo 863 - Zagalos Reserva tinto 2012

Situada em Estremoz, a Quinta dos Mouros destaca-se pela sua beleza, pela sua história e agora também pelos excelentes vinhos que produz. O produtor Miguel Viegas Louro tem-se destacado pela sua irreverência e pela sua postura irreverente e desalinhada.

Alguns dos seus vinhos, como os que têm o nome da quinta, são casos de sucesso entre os vinhos alentejanos.

Aqui falamos doutra marca, o Zagalos Reserva tinto. Elaborado com metade de Trincadeira, complementada com outras três castas muito usadas na região, apresenta-se de cor granada, boa profundidade aromática com notas de fruta madura e um toque ligeiramente especiado.

Na boca é bem estruturado e com boa amplitude, com taninos firmes mas macios e bem domados, equilibrado com e final longo. Estagiou um ano em barricas de carvalho francês e português de 300 litros, tendo a madeira bem integrada no conjunto.

É um bom vinho mas tem um preço algo elevado em comparação com outros da mesma gama.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Zagalos Reserva 2012 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Miguel Viegas Louro
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon
Preço: 12,55 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/1u84ZqLWxHo

terça-feira, 7 de julho de 2020

No meu copo 862 - Invisível, Aragonez branco 2018

Alguns anos depois, revisitamos este branco de uvas tintas elaborado pela Ervideira.

O primeiro contacto com este vinho foi verdadeiramente surpreendente pela positiva. Até hoje continua a verificar-se. Este vinho é realmente diferente e original, e vale a pena ser conhecido.

Já não é tão invisível como em edições anteriores, pois este apresentou-se de cor citrina bem evidente. Mas o resto continua a marcar pela originalidade e pela diferença.

Tem um aroma intenso em que não se percebe bem se é branco ou tinto, e surpreendentemente apresenta um toque cítrico tão característico de algumas castas brancas (fez lembrar vagamente algumas características do Arinto).

Na boca é fresco, vibrante, intenso e persistente. É elaborado a partir de uvas colhidas em vindima nocturna, um método usado para preservar a frescura das uvas durante o transporte para a adega.

Continua a ser um vinho que me cativa, e que continuarei a revisitar periodicamente. Um vinho que deve ser bem visível para os enófilos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Invisível, Aragonez 2018 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Ervideira, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 13%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 8,93 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeos em https://youtu.be/2FtsEb4UOqk (1ª parte) e https://youtu.be/-4OP0b-PZpI (2ª parte)

sábado, 4 de julho de 2020

No meu copo 861 - Herdade dos Grous branco 2018

Os vinhos das novas tendências no Alentejo têm granjeado alguma notoriedade, mas falta-lhes a essência do Alentejo.

Este Herdade dos Grous branco, à semelhança do tinto, é um vinho que se bebe com facilidade e com algum agrado. De facto o vinho não é mau, mas também não é particularmente bom. É um pouco como certas músicas que se ouvem sem custo mas não nos provocam qualquer emoção. Ou certas comidas que provamos e esquecemos logo a seguir o que é que comemos.

Não deixa nenhuma marca indelével. Está quase tudo correcto, o vinho é fresco, tem alguma elegância e “escorrega” bem, mas não há nada que se destaque verdadeiramente. É um bocado assim: “Então como é que era o vinho? Eh pá, não sei...”

O problema se calhar é meu, mas a verdade é que estas novas modas nos vinhos alentejanos ainda têm de mostrar mais qualquer coisa para me convencer de que valem realmente a pena.

Até hoje não houve um que verdadeiramente me surpreendesse, e os preços praticados não têm correspondência na qualidade do produto.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade dos Grous 2018 (B)
Região: Alentejo (Albernôa)
Produtor: Monte do Trevo
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Gouveio
Preço em feira de vinhos: 9,75 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/lT1nG3FJ3uc


quarta-feira, 1 de julho de 2020

No meu copo 860 - Herdade Grande Clássico tinto 2016

Este tinto da Vidigueira, sub-região alentejana mais afamada pelos seus brancos, apresenta-se com aroma algo discreto e final curto, desaparecendo rapidamente no fim de boca.

É algo linear na prova, parecendo faltar-lhe alguma acidez para o tornar mais vivo e intenso. Costumava ser um vinho bastante interessante, mas nesta garrafa pareceu faltar-lhe alguma coisa.

A rever numa próxima ocasião.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade Grande Clássico 2016 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: António Manuel Lança
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Aragonês, Trincadeira
Preço: 7,20 €
Nota (0 a 10): 7


Vídeo em https://youtu.be/2q5Y8WOEp-w

sábado, 27 de junho de 2020

No meu copo 859 - Domingos Soares Franco Colecção Privada Alentejano tinto 2014

Prosseguindo na sua linha de vinhos denominados Colecção Privada, Domingos Soares Franco lançou agora este novo tinto do Alentejo. O primeiro foi um monocasta Grand Noir, experiência única segundo as palavras do próprio, e prossegue agora com este vinho de lote da colheita de 2014.

Foi pisado a pé em lagares e estagiou 9 meses em barricas de carvalho francês. Apresenta uma cor granada concentrada, quase retinta, aroma com algumas notas de evolução mas ainda com bastante juventude.

Na boca o primeiro ataque é algo adstringente, mas à medida que o vinho se espalha sobressai a estrutura, alguma elegância e taninos polidos. O final é pujante e intenso.

Foi provado com um cabrito assado no forno e ligou na perfeição. Sendo um vinho já com 5 anos e meio, a saúde e juventude que apresenta é notável, mostrando claramente ser um vinho de guarda.

Belíssimo vinho, que é mais uma grande criação de Domingos Soares Franco! Recomenda-se sem hesitações.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada 2014 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Grand Noir, Trincadeira, Aragonês
Preço: 13 €
Nota (0 a 10): 8,5


Vídeo em https://youtu.be/O0SMqGvKP-Q

quarta-feira, 24 de junho de 2020

No meu copo 858 - Casal da Coelheira Private Collection tinto 2016

Este produtor sucedeu ao Centro Agrícola do Tramagal, que detinha esta marca. Actualmente detém um variado portefólio de marcas com algum relevo nos vinhos do Tejo, como o Mythos que se tem destacado em diversos certames.

Hoje falamos do Casal da Coelheira Private Collection, um tinto com aroma frutado com alguma intensidade. É encorpado, sem ser agressivo, apresentando persistência média.

É um vinho que requer algum cuidado na harmonização à mesa, pois pode ser enganador. Tanto pode ofuscar o prato se o mesmo for pouco intenso de sabor, como se ofuscado por este se os temperos forem mais intensos.

Estagiou em barricas de carvalho francês e americano durante 12 meses mas a madeira não se impõe no conjunto.

Não sendo um vinho surpreendente, não desagrada nem deixa ficar mal a região. No entanto o preço parece estar algo inflacionado para aquilo que o vinho mostra.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casal da Coelheira Private Collection 2016 (T)
Região: Tejo
Produtor: Casal da Coelheira, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Alicante Bouschet
Preço: 10,25 €
Nota (0 a 10): 7,5


Vídeo em https://youtu.be/AKYwXBwkaLg

sexta-feira, 19 de junho de 2020

No meu copo 857 - Quinta do Gradil, Tannat 2016

Este foi um dos vinhos oferecidos pela Quinta do Gradil na visita para que tive a honra de ser convidado em Julho do ano passado.

A casta Tannat é originária do sul de França e é usada principalmente no Uruguai. É uma casta bastante taninosa e que dá uma forte coloração aos vinhos.

Durante o jantar na Quinta do Gradil, o vinho mostrou-se bastante adstringente no início, pelo que resolvi aguardar quase um ano para voltar a prová-lo.

Na verdade, o vinho apresentou-se agora muito bom. Tem uma cor carregada, quase opaca, aromas achocolatados com ligeiras notas de tabaco, um pequeno toque floral dado pela Touriga Nacional.

Na boca sente-se uma ligeira adstringência mas taninos muito finos e arredondados, bem estruturado e envolvente, com boa amplitude e final macio.

Um vinho bem conseguido e que vale a pena acompanhar em futuras colheitas. Mais uma vez muito obrigado à Quinta do Gradil.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil, Tannat 2016 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Tannat (85%), Touriga Nacional (15%)
Preço: 8,79 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/yXLh7RSNh-w

terça-feira, 16 de junho de 2020

Na minha cozinha 856 - Frango na púcara



- 1 frango pequeno
- Sal e pimenta q.b.
- 10 cebolinhas
- 4 tomates sem pele e grainha
- 2 colheres de sopa de margarina
- 1 colher de sopa de mostarda
- 1 dl de vinho branco
- 1 cálice de vinho do Porto
- 1 cálice de aguardente

Este é um prato típico da zona de Alcobaça e, para cumprir os requisitos, deve ser cozinhado numa púcara de barro.

A presente receita foi obtida no livro “Cozinha Tradicional Portuguesa”, de Maria de Lurdes Modesto, no capítulo dedicado à Estremadura.

Temperar o frango cortado aos pedaços com sal e pimenta e colocar na púcara. Juntar todos os outros ingredientes em cru na púcara e regar com o vinho branco, o Porto e a aguardente. Levar a forno bem quente na púcara tapada até alourar o frango.

Destapar a púcara e deixar cozinhar mais 20 minutos.

Acompanhe com um vinho tinto encorpado e bem estruturado, como aquele que apresentamos na foto e será referido no próximo post.

Kroniketas, enófilo à volta dos tachos e da púcara

Vídeo em https://youtu.be/SAWxEMH6080

sábado, 13 de junho de 2020

No meu copo 855 - Volúpia branco 2019

Quase 6 anos depois, voltamos a provar este Volúpia, um branco da Bairrada produzido pelas Caves São Domingos.

Às vezes é interessante ver o que aconteceu aos vinhos quando passamos algum tempo sem contacto com eles. No caso destas duas colheitas, a principal diferença reside no grau alcoólico, manifestamente elevado neste 2019, mantendo-se este original lote de castas utilizadas – em que o Sauvignon Blanc ocupa metade – e o respectivo efeito no resultado final.

Se alguma coisa mudou foi para melhor, pois o vinho está muito interessante, com uma excelente acidez, bom corpo e persistência. Tem boa estrutura e amplitude de boca, apresentando-se aveludado, fresco e complexo.

A fermentação decorreu sem contactos prolongado com as borras e todas as uvas estagiaram separadamente em inox, o que ajuda a manter a frescura que o vinho apresenta.

Muito bem. Já tinha entrado para as nossas sugestões na prova anterior, e agora foi uma confirmação em pleno. O preço também ajuda, porque é muito competitivo.

Claramente uma aposta para repetir. Um bom exemplo dos brancos bairradinos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Volúpia 2019 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves do Solar de São Domingos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Maria Gomes
Preço em feira de vinhos: 4,85 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/wWEjX04SPM8

terça-feira, 9 de junho de 2020

No meu copo 854 - Bairrada São Domingos Garrafeira tinto 2011

As Caves São Domingos tiveram a gentileza de realizar uma prova on-line para a qual disponibilizaram este vinho a um conjunto de interessados, dentre os quais este blog foi um dos contemplados.

Desde já aqui ficam os nossos agradecimentos aos responsáveis, na pessoa de Alexandrino Amorim, do marketing e comunicação, que nos contactou.

A expectativa era elevada e o vinho não a defraudou, muito pelo contrário. É um vinho de grande qualidade, ainda com muito para dar mas com um excelente potencial para consumo imediato.

O que me impressionou em primeiro lugar foi a cor, muito concentrada para um vinho desta idade. Poderia ser um vinho de 3 ou 4 anos, que não se notaria muita diferença.

Em segundo lugar impressiona a frescura aromática. Já não apresenta muitos aromas primários mas revela uma saúde notável e um bouquet intenso e profundo, como é característico dos grandes vinhos da Bairrada com alguma idade.

Na boca o vinho é bem estruturado, encorpado e cheio, persistente e intenso, com final prolongado e pontuado com notas de especiarias. Estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês, não havendo qualquer sinal de excesso de madeira. Os taninos são firmes e bem evidentes, contribuindo para alguma robustez e adstringência mas não se sobrepondo ao conjunto.

Debate-se a questão do grau alcoólico elevado e da ausência da Baga deste lote, em que a Touriga Nacional representa metade e as outras duas castas representam 25% cada. Mas a verdade é que a excelente acidez e frescura do vinho não deixam o álcool sobressair, enquanto a ausência da Baga acaba por tornar-se irrelevante: se existe vinho de terroir, este é um excelente exemplo porque dentro desta garrafa se encontra toda a Bairrada. Mais do que as castas usadas no lote, prevalece a origem do vinho que está bem presente no resultado final.

É um grande vinho, especialmente destinado aos apreciadores, e merece bem o preço custa, pelo que o acrescentamos imediatamente às nossas sugestões.

Um brinde à Bairrada e às Caves São Domingos, por trazerem até nós este néctar de excelência!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bairrada São Domingos Garrafeira 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves do Solar de São Domingos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço: 18 €
Nota (0 a 10): 9


Vídeo em https://youtu.be/inPF2jG0keM

sexta-feira, 5 de junho de 2020

No meu copo 853 - Frei João e Porquê Frei João? tinto 2011

Aqui está um clássico duma empresa clássica, desta vez em versão dupla. E isto porque as Caves São João lançaram duas edições diferentes da colheita de 2011, elaboradas com lotes diferentes.

O Frei João em formato e rótulo tradicional (não digo “clássico” para não criar confusão com a denominação “Bairrada Clássico” que agora existe, até porque já existe um Frei João Clássico branco), com a imagem do Convento dos Carmelitas Descalços e a cruz à entrada foi elaborado com um lote de castas que engloba um conjunto de castas tradicionais misturadas, para além das que são mencionadas na ficha técnica abaixo.

Este vinho apresenta o perfil habitual, já com alguma idade e evolução expressa na cor granada e no aroma, não muito intenso, com algumas notas de frutos pretos. Na boca é bem estruturado, com uma ligeira adstringência mas redondo e equilibrado.

Da mesma colheita foi igualmente lançado um lote diferente, apenas com Baga e Touriga Nacional, com o nome Frei João Porquê? e com um rótulo diferente, em que é explicada a razão para o nome do vinho – Frei João era um monge que foi um dos responsáveis pela construção do Convento do Buçaco.

Apresentou-se com um aroma mais frutado e ligeiramente menos evoluído, menos complexo e com a cor mais viva, a tender mais para o rubi. Esta versão teve a sua última edição na colheita de 2013.

No conjunto, o Frei João confirmou-se mais uma vez como um valor seguro e como um dos vinhos mais subvalorizados que temos: se há vinhos que não valem aquilo que custam, este não custa aquilo que vale, pois poderia perfeitamente bater-se com muitos vinhos de 4, 5 ou até 6 € que temos no mercado. Mas ainda bem que continua a ser bom e barato.

Continua a ser uma aposta ganha e uma escolha perfeita para acompanhar fondue de carne ou naco na pedra. Tem lugar cativo nas nossas escolhas.

Longa vida às Caves São João, que este ano completam um século de existência!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Caves São João

Vinho: Frei João 2011 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Syrah, Merlot e mistura de outras
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Frei João Porquê? 2011 (T)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/c-AXhuYx9d0

segunda-feira, 1 de junho de 2020

No meu copo 852 - Quinta dos Abibes Reserva tinto 2014

Depois do branco de Sauvignon Blanc, temos aqui um tinto Reserva da Quinta dos Abibes elaborado com uma mistura de Touriga Nacional de Cabernet Sauvignon.

Estas duas castas têm provado muito bem em conjunto, tanto em vinhos tintos como rosés. Vem-me sempre à memórias um Quinta da Alorna Reserva tinto e um Fiúza rosé, feitos com este lote e muito bem conseguidos. As características destas duas castas tão diferentes complementam-se muito bem, dando origem a vinhos bem estruturados e envolventes mas mantendo alguma elegância.

Este bairradino mantém essas características bem evidentes, tornando-se um vinho muito interessante para os não-amantes da Baga que se queiram aventurar pelos tintos da Bairrada.

A madeira está bem integrada no conjunto, trazendo-lhe mais alguma complexidade. Os taninos estão bem presentes mas macios.

Não sendo, ainda assim, um vinho barato nem o melhor que já bebi, vale a pena experimentá-lo. Não é aquele tinto mais típico da Bairrada, mas o resultado está mais bem conseguido que o monocasta de Sauvignon Blanc provado anteriormente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Abibes Reserva 2014 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Quinta dos Abibes
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Grau alcoólico: 13,5%
Preço: 9,85 €
Nota (0 a 10): 8


Vídeo em https://youtu.be/hCxqHuffops