sexta-feira, 29 de abril de 2016

No meu copo, na minha mesa 524 - Semana Gastronómica Italiana no Hotel Tryp Oriente - por Augusto Gemelli

    
  

No âmbito da Semana Gastronómica Italiana, que decorre de 26 de Abril a 6 de Maio com o Chef Augusto Gemelli, promovida pelo restaurante Bistrô e Tapas do hotel Tryp Lisboa Oriente, foi este blog convidado por Gonçalo Proença, das cadeias de Hotéis Hoti e Meliá, a participar no evento.

No dia em questão tínhamos à escolha os pratos ‘Risoto aos 3 Pimentos, Limão e Manjericão com “Pancetta” Fresca Crocante’, ‘Entrecosto Braseado com Mel e Alecrim’ e ‘Polvo “in Zimino” com Tomate e Espinafres’ – optámos pelo risoto e pelo polvo. Quanto ao vinho, acabámos por seleccionar o branco do produtor Joaquim Arnaud que estava em prova.

Começando pela comida, o risoto, como o nome do prato indicava, veio acolitado por tiras de pancetta estaladiça, sendo que o arroz propriamente dito era aquilo que se espera dum risoto. Cremoso e envolto em queijo sem se sobrepor no sabor do conjunto.

O polvo “in zimino” com tomate e espinafres apresentava-se sobre uma cama de fatia de pão ligeiramente torrado, bem embebido no molho, estando o polvo cortado em pedaços generosos misturado com o tomate, os espinafres, cogumelos e outras ervas, que constituem em si a preparação “à zimino” – que parte de uma base com alho, cebola e outros legumes salteados em azeite abundante, a que se acrescentam o tomate, o espinafre cortado, os cogumelos e, claro, o polvo em pedaços previamente cozido. O resultado revelou-se agradável, a untuosidade da gordura utilizada a envolver bem todos os ingredientes sem contudo se mostrar enjoativa, com os vegetais a casarem muito bem com a tenrura do molusco. A repetir numa próxima oportunidade, sem dúvida.

Para sobremesa escolhemos um tiramisú e uma pannacota, ambos servidos em frascos de compota com tampa hermética (deve ser uma nova moda gourmet), que cumpriram sem deslumbrar.

O vinho com que acompanhámos a refeição foi o Quinta dos Plátanos Branco, um DOC Alenquer de Joaquim Arnaud produzido a partir das castas Fernão Pires e Arinto, que se apresentou muito equilibrado, sem excesso de acidez mas com aquela frescura alegre que o Arinto bem trabalhado sempre nos transmite, cor citrina a palha claro, aroma frutado e uma estrutura mais do que suficiente para arcar até com pratos mais fortes e condimentados do que os consumidos. Em suma, uma escolha acertada que harmonizou bem com a comida.

Conclusão: para quem quiser experimentar um menu italiano, concebido por um conceituado chef italiano e por um preço acessível, aproveite esta semana para degustar os pratos disponíveis, sendo que o menu varia diariamente.

Para mais informações anexamos, com a devida vénia, as imagens da nota de imprensa e dos menus que nos foram fornecidas, onde se inclui o menu do jantar vínico de hoje.

Pela nossa parte, gostámos e agradecemos a oportunidade. Apenas fica o registo de que poderia tentar-se conjugar também os menus com vinhos italianos, para completar o ambiente, mas isso já são questões que não cabem neste âmbito.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos

Vinho: Quinta dos Plátanos 2013 (B)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: Casa Agrícola Visconde de Merceana
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires
Preço: 4,90 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 25 de abril de 2016

"There's no turning back, baby!" - E ainda bem que assim é!



Comemoram-se hoje os 42 anos do 25 de Abril de 1974. Isto quer dizer que já há marmanjos e marmanjas quarentões que não têm memória pessoal do dia que mudou tudo. É o destino de todas as comemorações, o de se transformarem apenas numa data que até é feriado e tudo e dá imenso jeito.
Mas existem certas datas das quais não devemos esquecer o significado - são demasiado importantes para as esquecermos, sejam elas a Restauração da Independência, a Implantação da República ou a Libertação da Ditadura.
E não vale dizer que não se atingiram os objectivos propostos - conseguiu-se a liberdade, e a partir desse momento passámos a ser responsáveis por todos os nossos actos em comunidade, bons ou maus, certos ou errados, pelos objectivos que conseguimos atingir e pelos que ainda não atingimos. Portanto, tendo liberdade, poderemos ter tudo! Só depende de nós.
Temos a liberdade de concordar e, mais importante ainda, de discordar e podemos dizer qualquer barbaridade como a de que a Coreia do Norte é uma democracia ou que no tempo do Salazar é que havia respeito e, no entanto, as únicas pessoas que nos continuam a bater à porta a horas impróprias para nos fazerem perguntas são as testemunhas de jeová...
Tu, que por força da idade que tens não viveste o antes, larga a merda do telemóvel e pensa nisso.
É por isso que dizemos "25 de Abril Sempre!" - porque a Liberdade não poderá nunca faltar.

tuguinho e Kroniketas, os diletantes revoltosos

sexta-feira, 22 de abril de 2016

No meu copo 523 - Terras do Marquês 2014; Terras de Monforte Escolha 2012

Proveniente da Herdade do Perdigão, de que temos provado de vez em quando o vinho mais conceituado (o Reserva), encontrámos este Terras do Marquês, composto com o mesmo lote mas num registo 3 a 4 vezes mais barato.

Aroma atractivo, com notas de frutos silvestres e ligeira baunilha da madeira. Na boca tem corpo e presença, com taninos redondos e bem integrados, tudo com equilíbrio e suavidade.

Muito fechado e algo áspero no início, foi amaciando e libertando aromas ao longo da prova, mostrando alguma robustez e persistência e com as três castas bem integradas.

Parece concebido um pouco à imagem e semelhança do vinho de topo, apenas mostrando-se um pouco mais rústico, menos elegante, mas nem por isso deixa de ser agradável de beber. É um vinho para pratos fortes de carne, bem condimentados.

O preço também não é dissuasor, pelo que poderá constituir-se como uma alternativa muito interessante para quem quer conhecer um bom vinho deste produtor mas não desembolsar para cima de 20 euros.

Vale a pena experimentar.

Outra marca do mesmo produtor, esta num patamar um pouco mais acima, o Terras de Monforte Escolha 2012 mostrou-se no mesmo registo, muito semelhante. Predominantemente estruturado, robusto e persistente, com taninos presentes mas macios e conjunto equilibrado, um pouco mais elegante que o Terras do Marquês.

Em termos de preço, é menos atractivo, com uma relação qualidade-preço menos favorável, mas não deixa de ser um bom vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão

Vinho: Terras do Marquês 2014 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 6,40 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Terras de Monforte Escolha 2012 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço em hipermercado: 11,29 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 18 de abril de 2016

No meu copo 522 - Vinha da Tapada de Coelheiros 2013

Da herdade onde é produzido um dos mais conceituados e emblemáticos vinhos tintos do Alentejo, o Tapada de Coelheiros, sai este vinho de gama média com um preço simpático.

Estagia 6 meses em casco de carvalho francês e 4 meses em garrafa. Apresenta uma cor rubi intensa, aroma vinoso intenso, com predominância a frutos vermelhos maduros e compota.

Na boca mostra alguma complexidade e equilíbrio, com boa estrutura, taninos redondos e um final frutado e persistente.

Não o conhecia, a não ser de nome. Provei-o num restaurante a acompanhar um rodízio de carnes brasileiras e saiu-se muito bem da função. A estrutura que apresenta, juntamente com o aroma e a persistente, fizeram dele um bom companheiro para as diversas carnes que desfilaram.

Para a gama de preços em que se posiciona, parece-me que é um vinho que se recomenda. A repetir quando houver oportunidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Tapada de Coelheiros 2013 (T)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade dos Coelheiros, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon, Syrah
Preço em hipermercado: 4,84 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 14 de abril de 2016

No meu copo 521 - Quinta do Boição Reserva, Arinto 2012

Tivemos oportunidade de conhecer este vinho há cerca de quatro anos, num lançamento da Revista de Vinhos em Julho de 2012. Desde logo agradou bastante, o que me levou a adquirir mais garrafas.

Em Julho de 2014 foi efectuado um novo lançamento, tendo então adquirido não uma mas duas garrafas. A segunda foi agora consumida, cerca de 3 anos e meio depois da colheita.

O tempo de espera não lhe fez mal, à semelhança do que já tinha acontecido com o Sauvignon Blanc e Verdelho da Casa Ermelinda Freitas. Mostrou elegância, aroma suave, ainda com boa estrutura e persistência, com um ligeiríssimo toque de madeira que quase passa despercebido, e que apenas ajuda a compor o conjunto.

Voltou a revelar-se uma boa aposta, que também tem entrada nas nossas escolhas. Um vinho para repetir sempre que possível, quando quisermos um Arinto de Bucelas com mais alguma complexidade do que os mais frequentes Prova Régia e Bucellas Caves Velhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Boição Reserva, Arinto 2012 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 10 de abril de 2016

No meu copo 520 - Sauternes Château de l’École 2010

Estamos perante um dos vinhos doces mais famosos do mundo. A região de Sauternes, no sul de França, é desde há décadas uma referência na produção dos vinhos de sobremesa, a par do Tokay, da Hungria.

A oportunidade de adquirir uma garrafa destas surgiu num hipermercado onde, surpreendentemente, estava ao mesmo preço de outras marcas de vinhos de colheita tardia portugueses. Como nunca tinha provado um Sauternes, pensei “porque não?”

E assim se abriram e degustaram em dois tempos os 375 ml deste formato de meia garrafa. Revelou-se muito elegante, aromático e sem o travo a alguma podridão que por vezes marca negativamente alguns destes vinhos.

Ficámos, contudo, com a sensação de que há vinhos de colheita tardia em Portugal que podem ser tão bons ou melhores do que este. Provavelmente este não será um Sauternes de topo, mas valeu a pena a prova. Fez jus à fama que ostenta, mas não tanto como à partida se esperava.

Uma impressão a confirmar em próximas oportunidades.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Château de l’École 2010 (B)
Região: Sauternes (França)
Produtor: Julie Gonet Médeville - Gironde
Grau alcoólico: 13%
Castas: Sémillon, Sauvignon
Preço em hipermercado: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 6 de abril de 2016

No meu copo 519 - Fiúza, Chardonnay 2015

Continuamos no Tejo.

Apesar da minha relação difícil com os Chardonnay portugueses, que os produtores teimam em carregar de madeira tornando-os enjoativos (vá lá saber-se porquê…), resolvi arriscar neste monocasta da Fiúza, pois os brancos desta casa costumam primar pela agradabilidade e facilidade de beber.

Tenho provado variadíssimos brancos, tintos e rosés desta casa, mono, bi e até tri-varietais, quase sempre com resultados bastante satisfatórios. Basta recordar o 3 Castas branco, o rosé, o Sauvignon Blanc, o Alvarinho, o Cabernet Sauvignon e o Touriga Nacional. Como nunca tinha bebido o Chardonnay, achei que era altura de experimentar.

Não me arrependi, pois o vinho revelou-se simpático e apelativo. Tendo estagiado 3 meses em barricas de carvalho, não está marcado pela madeira, apresentando aroma tropical com alguma complexidade, algum floral e melado na boca, corpo delicado, estrutura média e final elegante.

Não é um branco para voos muito altos, mas pelo preço que custa não se pode exigir muito mais. Segue a linha de muitos brancos da Fiúza, aqueles descomplicados e que estão prontos a beber sem termos que congeminar grandes opiniões a seu respeito.

Agradou-me e não me importarei de repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Chardonnay 2015 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 13%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 3,89 €
Nota (0 a 10): 7

sábado, 2 de abril de 2016

No meu copo 518 - Lagoalva Talhão 1 branco 2014

A Quinta da Lagoalva de Cima, situada a 2 km de Alpiarça, é um dos produtores da região Tejo que em anos recentes tem vindo a impor-se no panorama dos vinhos nacionais com uma variedade de produtos que passam pelos tintos, brancos e rosés, assim como vinhos de lote ou mono e bi-varietais.

Este que agora tivemos oportunidade de apreciar era uma marca desconhecida. Comprei-o por curiosidade para ver como era. A referência ao “Talhão 1” remete-nos para uma parcela de vinha específica, sendo composto por um lote alargado, e pouco vulgar, de 5 castas! Curiosamente, são algumas das minhas castas brancas preferidas... No entanto, esse facto por si só não garante nada de especial, pois por vezes a mistura de muitas castas transforma um vinho que pretendia ser quase tudo a resultar em quase nada. Ainda recentemente tivemos uma experiência desse género com um tinto, igualmente produzido com 5 castas tintas, nacionais e estrangeiras.

Este branco ribatejano, contudo, resultou bem, Cor amarela citrina, aroma intenso a fruta tropical e citrina, na boca é fresco, suave, delicado e medianamente persistente. Aparentemente conseguiu-se juntar ali as melhores características de cada casta, juntando a estrutura, a frescura, a acidez, o frutado, a suavidade e a persistência nas doses certas. Nenhuma casta marca o vinho de forma evidente, antes se complementam na conta e medida necessárias.

Portanto, um bom resultado, um vinho agradável e simples sem ser simplório, e um preço convidativo. A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lagoalva Talhão 1 2014 (B)
Região: Tejo (Alpiarça)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Alvarinho, Fernão Pires, Sauvignon Blanc, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 3,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 30 de março de 2016

Gala de Vinhos do Tejo 2016





Decorreu no passado dia 5 de Março no CNEMA, em Santarém, a Gala de Vinhos do Tejo 2016, organizada pela Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional do Tejo.

Durante a cerimónia foram entregues os prémios Empresa Dinamismo, Empresa Excelência e Enólogo do Ano, bem como os prémios do VII Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo e do Tejo Gourmet 2015.

Este blog teve a honra de ser convidado pela organização para estar presente, o que fizemos com todo o prazer, abdicando de assistir em directo ao derby Sporting-Benfica que decorria à mesma hora. Mas, como na altura pensei, derbies há muitos e galas não há assim tantas...

Numa sala decorada em tons de vermelho (parecia premonição…) e com mesas postas para cerca de 320 pessoas, a noite iniciou-se com um cocktail onde pudemos começar a degustar os vinhos premiados, que estavam espalhados por diversas mesas, ao mesmo tempo que provávamos os acepipes que iam passando.

Cerca de uma hora depois, passámos às mesas onde iria ser servido o jantar, continuando a provar os vinhos à discrição.

Se no cocktail me dediquei principalmente a provar alguns brancos, à mesa virei-me para os tintos, seguindo algumas sugestões que me iam chegando. Tive oportunidade de provar um excelente Conde de Vimioso Reserva 2012, que desde logo prometeu ser o vinho da noite, pela pujança, corpo, estrutura, profundidade e persistência demonstradas.

Outro dos tintos provados foi o Mythos 2013, do Casal da Coelheira, encorpado e robusto mas com algumas arestas; provei também o Marufa Reserva 2011, um monocasta de Syrah com aroma intenso a especiarias, alguma tosta e boa concentração na boca; e finalmente o Casal da Coelheira Reserva 2013, com as mesmas castas do Mythos (Touriga Nacional, Touriga Franca e Cabernet Sauvignon) mas muito mais elegante e domado.

Nos brancos provámos ainda um Galileu 2015, um lote de Sauvignon Blanc e Arinto, que foi uma boa surpresa, com uma frescura que se tem tornado uma marca dos brancos do Tejo nos últimos anos.

Durante o jantar, que constou de trouxa de bacalhau com puré de grão e couve lombarda, coxa de pato com polenta de espargos, cogumelos e azeitona preta em redução de vinho tinto, e trilogia de doces do Tejo, foram sendo anunciados a intervalos regulares os premiados nas várias categorias. Destaque para os prémios de excelência, atribuídos aos vinhos Casal da Coelheira Private Collection Branco 2015, do Casal da Coelheira, e Conde de Vimioso Reserva tinto 2012, da Falua – a estrela que mais brilhou na nossa mesa...

Na nota de imprensa divulgada pela CVR Tejo são anunciados os principais premiados:

Com o prémio Empresa Excelência foi distinguida a Adega Cooperativa do Cartaxo, enquanto o Prémio Empresa Dinamismo foi atribuído à Adega Cooperativa de Benfica do Ribatejo, tendo sido Pedro Gil considerado o Enólogo do Ano 2015.

Concorreram 141 vinhos e 36 produtores na sétima edição do Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo, que tem como principal objectivo promover os Vinhos do Tejo, e cujas provas se realizaram no Museu Rural e do Vinho do Cartaxo, nos dias 10 e 11 de Fevereiro.

No âmbito deste concurso foram atribuídas 34 medalhas de ouro e 14 de prata.

Na categoria de Melhores Brancos da Colheita de 2015 o primeiro classificado foi o Cabeça de Toiro Reserva Branco 2015, do produtor Enoport United Wines, seguido pelo Casal da Coelheira Private Collection Branco 2015 (Casal da Coelheira) e pelo Conde de Vimioso 2015 (Falua).

Quanto aos Melhores Rosés da Colheita de 2015, Terra de Lobos Rosé 2015, do produtor Casal Branco, ficou em primeiro lugar, seguindo-se Cabeça de Toiro Reserva Rosé 2015 (Enoport United Wines) e @batista´s Colheita Selecionada Rosé 2015 (Pitada Verde).

Por sua vez, foram também revelados os resultados do Concurso “Tejo Gourmet”, cuja edição 2015 decorreu de 3 a 25 de Outubro, contando com a participação de 41 restaurantes. O concurso continua a desafiar a restauração de todo o país a preparar as melhores receitas harmonizadas com Vinhos do Tejo e este ano distinguiu os restaurantes participantes com 20 diplomas de ouro, 18 de prata e 10 condecorações especiais.

As condecorações especiais foram atribuídas a 11 restaurantes devido ao desempenho que apresentaram em critérios específicos considerados pelo júri.

Deste modo, o prémio “Revelação” foi atribuído aos restaurantes Beef & Wines (Funchal) e Dois Petiscos (Santarém). A distinção “Melhor Promoção” foi para o restaurante O Marisco (Albufeira), e o prémio de “Melhor Carta de Vinhos” foi atribuído ao restaurante Veneza (Albufeira).

Os prémios “Melhor Cozinha de Autor”, “Melhor Tradicional” e “Melhor Internacional” foram entregues aos restaurantes Taberna Ó Balcão (Santarém), Copo 3 (Cartaxo) e Calça Perra (Tomar), respectivamente.

Quanto às receitas propriamente ditas, o troféu “Melhor Entrada” foi para o restaurante Taverna do 8 ó 80 (Nazaré), o prémio “Melhor Prato Principal” foi entregue ao restaurante Sala de Corte (Lisboa) e o Café Alentejo (Évora) recebeu o prémio “Melhor Sobremesa”.

O restaurante Chalet Vicente, no Funchal, recebeu este ano o troféu “O Melhor Restaurante”.


A lista completa dos vinhos premiados pode ser consultada no site da CVR Tejo.

No blog Avinhar, um dos presentes no evento e meu comparsa na 3ª edição do Bloggers Challenge, está a lista completa de premiados no Concurso de Vinhos Engarrafados e os restaurantes distinguidos no Tejo Gourmet 2015.

Foi uma noite agradável, onde tive oportunidade de reencontrar alguns velhos conhecidos destas andanças vínicas e provar bastantes vinhos que ainda não conhecia. Agradeço, por isso, à Confraria Enófila Nossa Senhora do Tejo e à Comissão Vitivinícola Regional do Tejo pelo convite que nos endereçaram, e que permitiu confirmar através do lote de vinhos em presença que existe um novo Tejo vinícola que em nada fica a perder para outras regiões muito mais faladas. Os vinhos do Tejo renasceram, refizeram-se e trouxeram uma nova imagem para o mercado – a imagem da qualidade a bom preço, que é a que mais importa.

Daqui enviamos os nossos votos de sucesso para a região, e as felicitações pelo bom trabalho que tem sido realizado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 27 de março de 2016

Bloggers Challenge - 3ª edição

             


Foi no passado dia 4 de Fevereiro de 2016 que se realizou a 3ª edição do “Combate de bloggers”, promovido pelo blogger Carlos Janeiro, do blog Comer, beber e lazer.

Desta vez, este blog teve a honra de ser convidado a ser um dos participantes no desafio, tendo como parceiro de combate Luís Gradíssimo, do blog Avinhar.

O evento teve lugar no restaurante Volver de Carne Y Alma, e cada blogger escolheu 3 vinhos: um para o prato de peixe, um para o prato de carne e um para a sobremesa.

A função iniciou-se com umas deliciosas empanadas volver, acompanhadas com um espumante bruto Joaquim Arnaud. Muita frescura, bolha fina, elegância e leveza, fizeram uma boa introdução para o repasto que se iria seguir.

Já à mesa foram servidas as Tapas Volver, compostas por diversas entradas, como Pana Cotta Volver Y Scones, Chorizo, Quinoa, Arandos e Coentros e ainda Ovo Fumado, Rosti de Batata-Doce, Espargos Y Azeite Trufado. Para acompanhar foi servido um branco leve da região de Lisboa, Antítese 2012, que dividiu opiniões. Discreto de aroma, pouco corpo e final de boa algo curto foi a opinião partilhada pelos dois bloggers, no que não coincidimos com o anfitrião Carlos Janeiro.

Passou-se depois aos pratos de resistência. O prato de peixe foi Polvo à Oxaca, para o qual foram escolhidos dois brancos de regiões opostas:

H’Our branco 2014 - Douro - PNC (Parceiros na Criação) - 13,5% - Códega do Larinho, Rabigato, Viosinho e Verdelho
Caios branco 2013 - Península de Setúbal - Herdade do Cebolal – 14% - Arinto, Semillon, Sauvignon Blanc

Escolhi o branco H’Our 2014, de Joana Pratas e João Nápoles, tendo o blog Avinhar escolhido o Caios 2013, da Herdade do Cebolal. As opiniões dividiram-se, tanto acerca do vinho que melhor combinava com o prato como no que respeita ao melhor vinho. No meu caso particular, gostei mais do H’Our, mais ao meu estilo, mais seco e aromático, frutado e elegante. O Caios, mais estruturado, com estágio em madeira, embora menos ao meu estilo, pareceu-me ligar melhor com a exigência do prato. Embora com uma votação muito próxima, esta acabou também por ser a votação dos presentes, o que deu o primeiro ponto ao Avinhar.

Para a carne, uns excelentes e suculentos baby beef, carne maturada no ponto, a escolha por pouco não era igual: dois tintos do Dão.

Américo Touriga Nacional tinto 2010 - Dão - Seacampo, Sociedade Agrícola - 13,8% - Touriga Nacional
Casa da Carvalha tinto 2010 - Dão - Casa da Carvalha - 13% - Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen

No meu caso a escolha caiu no vinho de lote, o Casa da Carvalha 2010, enquanto o Luís Gradíssimo escolheu o monocasta, o Américo Touriga Nacional. O Casa da Carvalha mostrou mais elegância, mais equilíbrio e uma melhor ligação com a carne. O Américo, sendo um monocasta, mostrou menos complexidade na comparação com o vinho de lote e também menos equilíbrio. Desta vez as opiniões foram um pouco mais coincidentes, tendo o tinto de lote recolhido mais preferências, o que colocou os dois bloggers em igualdade.

Para a sobremesa, composta por chocolate, amendoim e caramelo, uma escolha mais ou menos consensual e uma escolha de ruptura:

Casal Santa Maria Late Harvest 2014 - Lisboa - Adraga Explorações Vitivinícolas - 12% - Petit Maseng
Licoroso do Mouchão 2009 - Alentejo - Vinhos da Cavaca Dourada - 19,5% - Alicante Bouschet

A minha escolha foi o Colheita Tardia do Casal de Santa Maria, que recebeu a maior votação sem o prato e constituiu uma surpresa pela qualidade apresentada. No entanto, na harmonização com a sobremesa, a maioria das preferências pendeu, como se esperava, para o licoroso do Mouchão escolhido pelo Luís Gradíssimo, que assim recolheu o segundo ponto e se tornou o vencedor da contenda.

Parabéns a ele, pela vitória e pelos prémios recebidos.

Resta agradecer ao Carlos Janeiro pelo convite endereçado e este blog, ao Luís Gradíssimo pela agradável contenda e pelo excelente convívio, à Revista Paixão pelo Vinho por se associar a esta iniciativa, a todos no restaurante pelo serviço prestado e por terem acolhido este evento e, naturalmente, a todos os convivas que se deslocaram a este evento e nos deram o prazer da sua companhia e partilharam connosco esta experiência. Ficamos a aguardar pela próxima.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Fotos obtidas, com a devida vénia, a partir do blog “Comer, beber e lazer”.

quinta-feira, 24 de março de 2016

No meu copo 517 - Ninfa, Sauvignon Blanc 2014

Segunda prova deste vinho, adquirido pela primeira vez com a Revista de Vinhos e que foi uma belíssima revelação.

Após a primeira prova fiquei com a certeza de que era preciso voltar à carga, e esta segunda prova confirmou e reforçou as primeiras impressões. Quem me conhece sabe que sou fã das castas com designações Cabernet e Sauvignon, e este branco mostrou um Sauvignon Blanc no seu melhor.

Ligeiramente vegetal mas sem ser em demasia, mais marcado pela fruta tropical e cítrica, bastante frescura na boca e boa persistência com final elegante.

É um vinho que se bebe com prazer, e dei por mim, subitamente, após deglutir mais um golo, a exclamar “adoro esta casta”... Porque temos aqui um belíssimo exemplar, que faz jus ao melhor que a casta nos pode dar, e confirmou-se já como um valor seguro, pelo que passa também a fazer parte das nossas escolhas e da lista de brancos que teremos sempre na garrafeira.

Beba-se com entradas, peixes delicados e requintados. Um vinho elegante para comidas elegantes.

Muito bom. Fiquei fã.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Ninfa, Sauvignon Blanc 2014 (B)
Região: Tejo (Rio Maior)
Produtor: Sociedade Agrícola João Matos Barbosa & Filhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon Blanc, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 6,95 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 20 de março de 2016

No meu copo 516 - Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc e Verdelho 2012

Passados alguns anos desde a prova anterior deste vinho, esta prova duma colheita dois anos depois mais nova, e adquirida em 2014, mostrou-se uma surpresa.

Se na prova anterior o vinho se mostrou algo curto e incaracterístico, agora aconteceu o contrário: encorpado, aromático e persistente, com muito equilíbrio entre estrutura e suavidade, apresentou-se em excelente forma e com sinais de que poderia durar mais tempo em garrafa.

Talvez este vinho seja um exemplo de que, afinal, os brancos não são todos para beber muito jovens, logo após o ano de colheita. Ou a colheita foi muito boa, ou o lote foi afinado, ou o tempo de repouso fez-lhe bem e foi buscar as melhores qualidades do vinho. A matéria-prima, essa, era promissora, portanto se o produto não for bom algo correu mal no processo.

Neste caso tivemos um vinho muito gastronómico, muito vivo e de aroma muito intenso, pronto para se bater com pratos de peixe elaborados e complexos.

Muito bem. Entra também para as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Ermelinda Freitas, Sauvignon Blanc e Verdelho 2010 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Sauvignon Blanc, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 16 de março de 2016

No meu copo 515 - Quinta do Gradil, Sauvignon Blanc e Arinto 2013


Já começa a ser um clássico nas nossas compras. Este branco bi-varietal da Quinta do Gradil, produzido com duas das castas brancas de que mais gosto, tem vindo a constituir-se como uma referência quase constante nas nossas garrafeiras.

Apresenta-se com uma cor citrina, aromas intensos com notas de frutos brancos e alguma tropicalidade. Na boca mostra boa acidez, frescura, estrutura média e boa persistência.

Não muito complexo, não se espere dele que seja parceiro de pratos muito elaborados e exigentes, mas que requeiram frescura e alguma leveza, sem grandes complicações.

Com boa relação qualidade-preço, é mais um para figurar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Quinta do Gradil, Sauvignon Blanc e Arinto 2013 (B)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Sauvignon Blanc, Arinto
Preço em feira de vinhos: 4,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 12 de março de 2016

No meu copo 514 - Frei João Reserva 1978

Este clássico das Caves São João foi adquirido em Março de 1998. Esperou 18 anos por uma data de aniversário para ser aberto.

Sendo um tinto da Bairrada, não tive grandes receios em mantê-lo guardado na caixa todos estes anos. Com rolha lacrada, apresentava apenas uma ligeira fuga, estando a rolha quase desfeita mas contida graças ao lacre.

Foi decantado cerca de 3 horas antes do consumo, apresentando uma cor ligeiramente acobreada mas muito concentrada, uma granada carregado que não indiciava qualquer sinal de declínio.

Como seria de esperar, não estava cheio de fruta nem de frescura, mas mostrou corpo e acidez bastantes para se manter em garrafa mais uns bons anos. Pareceu estar num patamar mais ou menos estável, podendo ainda amaciar um pouco, tendo mostrado uma vivacidade notável para um vinho com quase 38 anos!

Passadas 24 horas, o que tinha sobrado amaciou ainda mais e mostrou-se redondo, suave e mais fácil de beber.

Descrições? Não interessa. Um vinho que se aguenta todo este tempo com esta saúde, só tem mesmo de ser saudado com um enorme brinde.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João Reserva 1978 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Preço: 39,95 € (garrafa magnum)
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 8 de março de 2016

No meu copo 513 - Pedra Cancela Eco-Friendly 2011

Continuamos no Dão e voltamos ao Pedra Cancela, agora em tinto.

Este produtor e enólogo tem-se mostrado inovador, com a criação de marcas de referências originais, como este, referido como Eco-Friendly, que se apresenta como um vinho produzido com práticas amigas do ambiente, desde o peso da garrafa até à agricultura sustentável.

Produzido com um lote de castas tradicionais da região, apresenta a suavidade habitual nos vinhos da marca, com uma estrutura média e aromas frutados onde predominam frutos vermelhos a par com um toque floral.

Provado a acompanhar bifes com molho à cervejaria, revelou-se um bom parceiro de ocasião e complementou muito bem os aromas e sabores do abundante molho dos bifes.

Mais um bom produto do “novo Dão” a marcar o caminho.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Pedra Cancela Eco-Friendly 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: João Paulo Gouveia
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 5 de março de 2016

No meu copo 512 - Quinta do Sobral Reserva 2010

Já tinha este vinho em stock há três anos, e resolvi experimentá-lo nesta altura para ver como estava com um pouco mais de 5 anos depois da colheita.

A verdade é que foi uma decepção. Nunca tinha bebido nenhum vinho deste produtor, que fica na vila de Santar, paredes meias com a Casa da Santar e com o Paço dos Cunhas, geridos pela Dão Sul, e não fez jus ao nome nem à fama dos vinhos dali saídos.

Este não é, definitivamente, um vinho típico do Dão. Não sei se é um vinho de “nova tendência”, mas não creio que seja este o caminho. Para quem gosta dos vinhos do Dão com o perfil descrito nos posts anteriores, este vinho podia perfeitamente ser do Douro, do Tejo ou do Alentejo.

Muito carregado, muito fechado, extremamente pesado na boca e cansativo, é um vinho que não apela a que se beba mais um copo, pois farta logo aos primeiros goles. E não é pelo grau alcoólico, pois a graduação está em parâmetros razoáveis. Mas este é vinho super-extraído, aquilo que se convencionou chamar uma “bomba”. Se com 5 anos está assim, não imagino como seria em novo.

É pena, mas não quero repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Sobral Reserva 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Quinta do Sobral
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 5

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

No meu copo 511 - Casa da Passarela Reserva 2009

Depois de um “novo Dão” em branco, um “novo Dão” em tinto, com um produtor e um enólogo que estão na crista da onda.

Sob a batuta do enólogo Paulo Nunes, que nos últimos dois anos tem posto o nome da Casa da Passarela no mapa vinícola com brancos, tintos e rosés de espantar, e que em anos consecutivos conseguiu para o magnífico Villa Oliveira o prémio Escolha da Imprensa da Revista de Vinhos, aqui está uma marca para descobrir, que nos mostra um “novo Dão” que na realidade é o “velho Dão”, como ele nunca deveria ter deixado de ser. É o Dão clássico no seu melhor, aliando modernidade com tradição, juntando vinhos frescos, frutados, jovens e apelativos com aquela elegância discreta e macia que fez do Dão o berço de tintos magníficos, com uma suavidade sem igual.

Este Reserva 2009, que nem parece já ter 6 anos dada a vivacidade que apresenta, é um vinho ao mesmo tempo estruturado e persistente, elegante e frutado. Conjuga alguma pujança, sem ser agressivo, com a elegância do Dão e uma acidez impressiva, viva e irrequieta.

Beber vinhos destes, agora, produzidos agora, é quase um poema. Está de parabéns a equipa que traz estes vinhos até nós.

Que continuem a fazer este excelente trabalho em 2016.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela Reserva 2009 (B)
Região: Dão
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen
Preço em feira de vinhos: 5,49 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

No meu copo 510 - Pedra Cancela, Seleção do Enólogo branco 2012

Fazemos agora uma pequena incursão ao Dão, para dois vinhos produzidos pela mão dos “novos enólogos” que vão rebocando a região, a pouco-e-pouco, para o lugar que merece.

Começamos com um branco relativamente despretensioso mas nem por isso desinteressante, que é uma coisa completamente diferente. Quer um bom branco para o dia-a-dia, diferente do comum? Eis uma boa opção, esta versão em branco do Pedra Cancela Seleção do Enólogo.

É um vinho daqueles a que apetece chamar “guloso”, que se bebe, ou deixa beber, quase sem dar por isso. Suave e macio, de corpo médio, fruta não muito exuberante, com acidez correcta e final elegante. Contém a casta da moda, Encruzado, que lhe dá alguma estrutura, enquanto a Malvasia Fina lhe dá o toque floral que o torna mais agradável, jovem e apelativo.

Depois de já termos provado uma versão deste vinho em tinto, o branco não deixa os créditos por mãos alheias.

Afinal, quem disse que não se encontram bons vinhos do Dão, a bons preços, em locais acessíveis? Senhoras e senhores, apresento-vos o Pedra Cancela Seleção do Enólogo!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pedra Cancela, Seleção do Enólogo 2012 (B)
Região: Dão
Produtor: João Paulo Gouveia
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Encruzado, Cerceal, Malvasia Fina
Preço em feira de vinhos: 4,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 21 de fevereiro de 2016

No meu copo 509 - Quinta de Cidrô, Alvarinho 2013

Passados alguns meses, voltamos aos vinhos da Real Companhia Velha produzidos na emblemática Quinta de Cidrô, berço dos monocasta no vasto portefólio da empresa.

Depois duma abordagem ao magnífico Sauvignon Blanc e ao complexo Chardonnay, agora temos outro branco do Douro feito exclusivamente do minhoto Alvarinho.

É um vinho diferente e interessante. Estruturado, persistente, longo, com boa acidez e fruto não muito exuberante, a par com alguma mineralidade.

Não tendo as características evidentes dos Alvarinhos da região dos Vinhos Verdes, mais aromáticos, frutados e exuberantes, não deixa de ser um vinho bem conseguido e algo intrigante, que coloca um certo desafio no que toca à harmonização com o prato. Há que experimentar até acertar.

Devido à sua estrutura, é um vinho vocacionado para pratos, também eles, bem estruturados, como peixes complexos ou no forno.

Em termos de relação qualidade/preço, o Sauvignon Blanc, sempre como referência, é mais bem conseguido, mas este Alvarinho não deslustra e vale a pena experimentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Alvarinho 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Alvarinho
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 8