terça-feira, 19 de março de 2019

No meu copo 748 - Prazo de Roriz 2016

Não têm sido muitas as provas com vinhos do universo Symington, mas agora há algumas referências que iremos provar ao longo dos próximos meses.

Começamos com este vinho da gama entre os 5 e os 10 euros, elaborado com 5 das castas emblemáticas do Douro na Quinta de Roriz, localizada em São João da Pesqueira (nome de que viria a resultar a designação da casta Tinta Roriz).

Este é um dos vinhos resultantes para parceria entre as famílias Prats e Symington, que ocorre paralelamente à produção de vinhos sob a chancela da Symington Family Estates, nomeadamente os provenientes da Quinta do Vesúvio e os vinhos do Porto das marcas Graham’s e Dow’s.

Apresenta-se com uma cor rubi profunda, aroma intenso a frutos vermelhos, encorpado na boca e com boa estrutura mas com taninos arredondados, final elegante e persistente com algumas notas de especiarias.

Dentro desta gama de preços, é uma boa aposta para a relação qualidade-preço e entra para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Prazo de Roriz 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Prats & Symington
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Barroca, Tinta Roriz, Tinta Amarela
Preço em feira de vinhos: 6,74 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 15 de março de 2019

No meu copo 747 - Quinta da Alorna Colheita Tardia 2015

Os vinhos de colheita tardia estão a tornar-se uma aposta muito interessante no panorama dos vinhos portugueses. Há bons produtos e este é um deles.

Este Quinta da Alorna Colheita Tardia é um produto bem conseguido e agradável dentro do estilo. Produzido unicamente com a casta Fernão Pires, tem uma cor dourada não muito carregada, apresentando-se com a doçura expectável sem ser enjoativo.

Nariz intenso com notas tropicais e meladas com algum citrino. Na boca é suave e persistente, combinando bem com sobremesas.

Desde a primeira prova deste mesmo vinho da colheita de 2003, muito tempo decorreu e nota-se uma clara melhoria no perfil destes vinhos. Estão menos pesados, mais elegantes e aromáticos. O próprio grau alcoólico já nada tem a ver com o que era antes: há 13 anos provámos este colheita tardia com 14% de álcool!

A parte mais difícil era um certo aroma a fungos e bolor, mas esse aroma de fundo já não se nota, tornando estes vinhos muito mais bebíveis e apetecíveis.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Alorna Colheita Tardia 2015 (B) (garrafa de 375 ml)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 11%
Casta: Fernão Pires
Preço em hipermercado: 12,79 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 11 de março de 2019

No meu copo 746 - Soalheiro, Alvarinho 2018

Este é mais um vinho incontornável, uma aposta sempre segura por um preço ajustado.

Um Alvarinho de qualidade irrepreensível e com uma consistência que se mantém de ano para ano. Como qualquer vinho, tem anos melhores que outros, mas é um daqueles que nunca desilude.

Não há mais nada a acrescentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2018 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,69 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 7 de março de 2019

No meu copo 745 - Esporão Reserva branco 2016

Esta não foi a primeira prova que fiz do Esporão Reserva branco, mas foi a primeira garrafa aberta em casa, aproveitando uma ocasião festiva. Foi escolhido para acompanhar um bacalhau com natas e fez as delícias dos presentes.

Claro que a grande referência do Esporão é o Reserva tinto, pelo que o branco tem vivido um pouco na sombra daquele, mas as referências são invariavelmente elogiosas. E o vinho não deixa de justificá-lo.

Apresenta-se com uma cor palha clara, aroma com algumas notas cítricas mas com a madeira bem marcada e evidente logo no primeiro contacto. Na boca é cremoso, estruturado e volumoso, com final intenso mas redondo. Acidez equilibrada em dose quanto baste para conferir frescura ao conjunto.

É um vinho que faz jus ao nome da casa, embora a madeira talvez pudesse ser mais bem doseada, pois marca demasiadamente o conjunto. Talvez seja esse o ponto menos bom.

Em todo o caso continuo a preferir o tinto, que está uns furos acima.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2016 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 11,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 3 de março de 2019

No meu copo 744 - Portalegre DOC tinto 2015

E agora para algo completamente diferente, como diriam os Monty Python...

Saltamos na sub-região mais a sul no Alentejo para a sub-região mais a norte. Da Vidigueira para Portalegre, onde as vinhas nascem em altitude, na serra de São Mamede, chegando a atingir os 700 metros.

Já desde as últimas décadas do século XX os vinhos de Portalegre ganharam fama pela diferença que apresentavam em relação aos da planície. Diz, quem teve oportunidade de bebê-los, que os da Tapada do Chaves e da Adega Cooperativa de Portalegre ofereceram algumas colheitas memoráveis, sendo que algumas ainda se encontram por aí.

Entretanto os novos tempos trouxeram novos ventos e estes sopraram -se mais para sul, onde proliferaram novos produtores e novos vinhos. Já no século XXI redescobriu-se Portalegre: primeiro a Murganheira e agora a Fundação Eugénio de Almeida tomaram em mãos a produção na Tapada de Chaves, surgiram novos projectos como os de Rui Reguinga, João Afonso e Altas Quintas, recentemente a Sogrape comprou a Quinta do Centro, que começou por ser um projecto conjunto de Richard Mayson e Rui Reguinga, a Adega Cooperativa entrou em declínio mas também mudou de mãos e agora está com um novo fôlego, revitalizando as marcas que fizeram sucesso algumas décadas antes.

Este Portalegre tinto, habitualmente conhecido como Portalegre DOC, tem a missão de reflectir a ancestralidade da produção de vinho nesta região, vincando o carácter fresco e elegante que a altitude proporciona.

Foi vinificado com desengace total, fermentação em cuba e lagar de aço inox com controlo de temperatura a 26º C. Estagiou 18 meses em barricas usadas de carvalho francês.

Apresentou um aroma profundo com notas de fruta preta e alguma especiaria, boca volumosa com muita frescura, acidez marcada e taninos firmes mas redondos. Fim de boca elegante, longo e vibrante. Sem dúvida um tinto diferente do padrão mais habitual na região, que fez sucesso à mesa.

Auguram-se os melhores auspícios a esta nova geração de tintos de Portalegre. Muito boa relação qualidade-preço, e entra directamente para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Portalegre DOC 2015 (T)
Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Adega de Portalegre Winery
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Aragonês, Trincadeira, Grand Noir, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 13,39 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

No meu copo 743 - Pousio Selection tinto 2016

Eu tento. Juro que tento!

No que respeita ao vinho, não tenho preconceitos, ou tento não ter.

Bebo brancos, tintos e rosés. Portugueses e estrangeiros. Do Velho Mundo e do Novo Mundo. De norte a sul, do litoral ao interior, da planície à montanha. Leves e encorpados, macios e adstringentes, com madeira e sem madeira, velhos e novos. Tranquilos e com bolhinhas. Champanhes e espumantes (não bebo Asti, porque aquilo é uma mistela vagamente parecida com espumante). De mesa e generosos. De aperitivo e de sobremesa. Caros e baratos. Encontro vinhos de que gosto em todas as regiões de Portugal e em todos os países de que já tive oportunidade de provar algum(ns).

Desde que comecei a apreciar vinho, e principalmente desde que este blog existe, alarguei muito os meus horizontes e os meus conhecimentos e multipliquei várias vezes o meu leque de escolhas. Passei a gostar de vinhos que antes rejeitava. Tenho posts escritos sobre brancos de Chardonnay e de Sauvignon Blanc em que manifestava a minha vontade de não voltar a encontrá-los, e hoje o Sauvignon Blanc é uma das minhas castas preferidas...

Sou um mero consumidor amador, que paga 99% daquilo que bebe. Respeito o trabalho de produtores e enólogos, e não sou ninguém para criticar quem trabalha e estuda para pôr um produto cá fora.

Mas caramba, se há casos de paixão, e vinhos que me acompanham desde sempre e que provo regular mas moderadamente e de modo quase religioso (para manter a chama da paixão a arder lentamente – o caso mais evidente é o Reguengos Garrafeira dos Sócios que me acompanha há mais de 25 anos), há outros casos em que, por mais que tente, não consigo gostar de vinhos de certas proveniências e certas marcas. Não são casos de má-vontade. Se calhar são casos, tal como acontece com as pessoas, de falta de empatia. Por exemplo, há uma empresa de cervejas que também passou a fazer vinhos, mas as minhas experiências com eles foram tão más que acho que eles deviam continuar a dedicar-se só às cervejas...

A verdade é que algumas marcas não me conseguem provocar qualquer sensação. Este vinho, bebido num almoço em restaurante, foi um desses casos. Rústico, deselegante, roufenho é a palavra que melhor me ocorre para descrevê-lo. Ainda procurei os comentários dos especialistas; nada do que vi escrito reflecte aquilo que senti quando bebi este vinho.

Tenho pena, mas já não é de agora. Até admito que o problema possa ser meu. Mas dada a repetição de experiências, sempre no mesmo sentido, estou fortemente inclinado a pensar que o problema está mesmo no vinho...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pousio Selection 2016 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Herdade do Monte da Ribeira
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Syrah, Trincadeira
Preço: 6 €
Nota (0 a 10): 5

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

No meu copo 742 - Quinta do Gradil Reserva tinto 2010

A Quinta do Gradil tem-se afirmado nos últimos anos como uma das empresas mais proeminentes na produção de vinhos na região de Lisboa, com um vasto portefólio que engloba tanto vinhos monocasta como de lote, incluindo também uma aguardente e uma colheita tardia.

Aqui falamos do Reserva tinto, estagiado 8 meses em barricas novas de carvalho francês seguidos de mais 24 meses em garrafa.

É um vinho de cor concentrada e opaca, com aroma complexo pontuado por algumas notas balsâmicas e de frutos do bosque. Na boca é encorpado e robusto, com taninos firmes mas macios, apresentando uma boa estrutura que termina em final persistente.

Esta garrafa foi adquirida em 2015, e daí para cá o preço disparou para mais do dobro. Nada que a qualidade do vinho não justifique plenamente.

A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil Reserva 2010 (T)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

No meu copo 741 - Quinta de São Francisco Colheita Tardia 2010

Este foi mais um vinho que trouxe para casa depois dum evento para o qual este blog foi convidado e que decorreu na Quinta do Sanguinhal (a publicar brevemente).

Dentro da linha que vai fazendo escola nos vinhos de colheita tardia produzidos em Portugal, apresentou-se de cor dourada, com a doçura habitual mas sem ser enjoativa nem em excesso, com aroma onde predomina algum melado a par com notas de frutos secos e citrinos.

Muita frescura na prova de boca, marcada pelo equilíbrio entre o corpo, a acidez e a doçura, que não se impõe de forma exagerada. Final persistente e elegante.

Fez uma boa parceria com um bolo de aniversário e recomenda-se para sobremesas não demasiado doces. Também apresenta um perfil adequado para aperitivos, por exemplo patés.

A repetir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de São Francisco Colheita Tardia 2010 (B) (garrafa de 50 cl)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12%
Castas: Sauvignon Blanc, Fernão Pires
Preço: 18 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

No meu copo 740 - Cabeça de Toiro Reserva, Castelão 2016

À semelhança do Sauvignon Blanc, já aqui referido, este vinho foi oferecido pela Enoport no final da Festa das Vindimas 2018, o que merece o nosso agradecimento.

Tenho alguma dificuldade em qualificá-lo. Já o provei uma vez, outra e outra, já vou na segunda garrafa, e ainda não consegui interagir com ele.

Já tentei várias opções de harmonização, mas não acertei.

É verdade que a casta Castelão é mal-amada por muita gente, mas nos vinhos de Setúbal costuma portar-se bem. Este, no entanto, não parece ter sido completamente bem sucedido.

É um vinho estruturado e com final persistente, mas mostrou-se algo desequilibrado em termos de taninos e corpo, algo agreste.

Parece algo incompleto. Talvez precise de muito mais tempo em garrafa para crescer e amaciar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça de Toiro Reserva, Castelão 2016 (T)
Região: Tejo
Produtor: Enoport - Produção de Bebidas
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Castelão
Nota (0 a 10): 7

sábado, 16 de fevereiro de 2019

No meu copo 739 - Defesa do Esporão tinto 2014

Aquele que durante bastantes anos se chamou Vinha da Defesa, chama-se agora Defesa do Esporão. No site da empresa está a explicação da origem do nome Defesa, que reza assim:

“No século XIII, D. João de Aboim, descendente de Egas Moniz e figura central no tempo do rei D. Afonso III, formou, a partir de vários territórios doados pelos concelhos de Monsaraz e de Portel, a Defesa do Esporão – uma das mais antigas propriedades no Sul de Portugal.

As Defesas eram grandes propriedades coutadas, defendidas das pastagens de gado vindo de outras paragens, e estão directamente ligadas à formação de Portugal, no período da reconquista cristã do Sul. Exemplos de sistemas agrosilvopastoris, as Defesas caracterizavam-se por uma diversidade de utilização. Derivando do bosque mediterrânico, as Defesas conquistaram, nesses tempos fundadores, terrenos aos bosques para pastagens.

A Defesa do Esporão foi um dos grandes exemplos deste tipo de propriedades ligadas à formação de Portugal. A sua delimitação por carta de finais do século XIII, guardada na Torre do Tombo, permanece até hoje inalterada com séculos de práticas agrosilvopastoris, baseadas na conservação da biodiversidade e numa multifuncionalidade que o Esporão continua hoje a eleger como boa prática na protecção do nosso ecossistema.”


Sobre o vinho, já aqui falámos desta nova composição do lote, que lhe mudou o perfil. Está mais moderno (será isso que “o mercado pede”?), nenhuma das castas é da região, mas não está, actualmente, um vinho que me atraia particularmente.

Parte do lote estagiou em cubas de inox, outra parte em madeira de carvalho francês durante 6 meses, seguindo-se mais 6 meses de estágio em garrafa.

Apresenta-se de cor rubi intensa, com aromas de fruto maduro e alguma especiaria, com taninos macios e final médio. Na boca aparece redondo e suave.

Aparentemente tem tudo no sítio. No entanto parece que lhe falta alguma coisa que o torne verdadeiramente apelativo... Já me convenceu mais do que agora. Parece ser daqueles vinhos que não se sabe bem o que é nem para que lado vai cair.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Defesa do Esporão 2014 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

No meu copo 738 - Reguengos Reserva tinto 2015

Este é porventura um dos vinhos menos valorizados no panorama nacional. Ao longo dos anos habituei-me a bebê-lo sempre como uma garantia de qualidade acima da média e muito acima daquilo que custa.

A verdade é que a CARMIM sempre o posicionou numa faixa de preços muito competitiva e ao lado de outros vinhos de gama média-baixa. E nesse patamar sempre se destacou, tendo mesmo vindo a baixar o preço ao contrário das tendências habituais.

Seguindo os novos tempos, as versões mais recentes incorporam o Alicante Bouschet (aqui em 50% do lote), quando antes predominavam o Castelão, o Aragonês e a Trincadeira.

Com este novo lote o vinho mudou. Está mais aberto, mais leve e mais suave, perdendo aquela estrutura que o tornava claramente um vinho fadado para a cozinha alentejana mais típica, saindo-se sempre muito bem de pratos de borrego ou cabrito no forno, por exemplo.

Continua a ser um vinho muito agradável de beber, mas perdeu alguma tipicidade e aquela identidade que o distinguia. Pessoalmente, confesso, preferia a versão anterior.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reguengos Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: CARMIM - Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira
Preço em feira de vinhos: 3,24 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 10 de fevereiro de 2019

No meu copo 737 - Colinas do Douro Superior branco 2016

Tive oportunidade de conhecer este vinho elaborado no Douro Superior, na zona de Figueira de Castelo Rodrigo, bebendo-o a copo num almoço durante a semana, a acompanhar umas pataniscas de bacalhau com arroz de feijão.

Mostrou-se um vinho leve e ligeiro, aberto na cor, suave no aroma com algumas notas cítricas. Na boca mostra frescura com alguma mineralidade, com acidez viva e final elegante. Para primeiro contacto, agradou. Beba-se com pratos de peixe não muito exigentes.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Colinas do Douro Superior 2016 (B)
Região: Douro
Produtor: Colinas do Douro - Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Rabigato
Preço: 5,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

No meu copo 736 - Cabeça de Burro Reserva tinto 2014

aqui provámos este vinho não há muito tempo, e não há novidades nesta prova da colheita de 2014.

É um vinho predominantemente elegante, suave, com taninos macios e final médio. Não muito exuberante no aroma nem muito estruturado.

Poderá melhorar com mais tempo de garrafa, pois mostra uma complexidade relativamente discreta lá por trás.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça de Burro Reserva 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Caves Vale do Rodo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 3 de fevereiro de 2019

No meu copo, na minha mesa 735 - Bafarela Reserva tinto 2016; Restaurante Velho Mirante (Pontinha)



Depois de muito tempo, voltamos a falar dum restaurante. Há uns 20 anos, ou mais, que não ia a este. Tive oportunidade de revisita-lo por duas vezes no final de 2018 e descobrir a nova fase deste que era um restaurante típico na Pontinha, às portas de Lisboa, mesmo ao lado do quartel que serviu como centro de operações no movimento dos capitães a 25 de Abril de 1974.

Do que parecia quase uma tasca, passou-se agora para um restaurante de estilo moderno, com cores claras, ambiente recatado e serviço a condizer, com um pequeno grupo de funcionários de sala trajados a rigor.

O serviço é eficiente, simpático, atencioso e descontraído. A sala é relativamente pequena, com duas zonas contíguas mas distintas com vista directa para a porta da rua. Num armário estão armazenados os vinhos à temperatura adequada e, dependendo do vinho escolhido, é sugerida a sua decantação sem ser necessário pedir.

A ementa é baseada em pratos típicos da culinária portuguesa mais tradicional, confeccionada a rigor. Desde costeletas de borrego ou borreguinho assado no forno a bacalhau à Brás, passando por arroz de cabidela, existe um leque não muito extenso mas suficientemente variado de opções para satisfazer todos os gostos. Confecção cuidada e irrepreensível. Os preços são ajuizados, com a maioria dos pratos abaixo dos 10 €, uma raridade nos tempos que correm em restaurantes de algum nível.

Quanto ao vinho, a escolha recaiu num Bafarela Reserva, sugerido por uma garrafa que estava exposta por cima do armário. Este vinho surgiu há uns anos como uma espécie de vendaval no panorama vínico português, pois a primeira colheita apresentava a barbaridade de 17º de álcool! A verdade é que a curiosidade foi tanta que o vinho esgotou rapidamente e tornou-se um caso de sucesso instantâneo.

Este Reserva agora provado é um vinho “normal”, com um grau alcoólico dentro dos parâmetros habituais. Mostrou-se encorpado, com aroma frutado intenso e cor muito carregada, com as Tourigas a ditarem leis, complementadas com a estrutura dada pelas Tintas. A decantação fez-lhe bem, e só lá para o final da garrafa o vinho abriu a se mostrou mais macio.

Não se tendo mostrado encantador, é um bom vinho na linha dos tintos típicos do Douro com todas as características habituais.

Quanto ao novo Velho Mirante, é um restaurante que merece ser revisitado de forma descontraída. Obrigatório marcar, especialmente aos fins-de-semana, dada a escassez do espaço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bafarela Reserva 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Brites Aguiar
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Amarela, Tinta Roriz
Preço: 4,25 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: Velho Mirante
Rua de Santo Elóy, 2
Pontinha (Odivelas)
Telef: 21.401.75.64
Preço médio por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

No meu copo 734 - Tapada de Coelheiros branco 2014

Infelizmente, ou por desleixo, ou por distracção, ou por desinteresse, passámos as duas últimas décadas um bocado ao lado duma das marcas mais prestigiadas entre o vinho alentejano.

A verdade é que recentemente a herdade mudou da mãos, o portefólio foi reformulado e alguns vinhos vão deixar de ser produzidos, as vinhas também e os preços revolucionados. Aqueles que eram vinhos com preços mais ou menos alcançáveis, ao nível dum Esporão Reserva, agora estão a surgir no mercado ao dobro do preço, o que está a torná-los proibitivos. Por isso começámos a abordagem à nova fase com o Coelheiros tinto.

Após alguma procura ainda foi possível encontrar as marcas anteriores sem ser a preços obscenos, e é do branco que aqui falamos.

Esta colheita de 2014 revelou-se no ponto óptimo de consumo. A madeira está presente no aroma e no palato mas apenas na dose necessária e suficiente para conferir ao vinho a estrutura e longevidade adequadas.

O aroma apresenta-se limpo e fresco, com algumas notas meladas a condizer com uma cor a tender para o alaranjado. Na boca mostra-se estruturado, denso e persistente, com final longo e intenso. Acompanhou na perfeição um bacalhau à Gomes de Sá de confecção doméstica, fazendo excelente parceria com a gordura e o sabor intenso do prato.

Muito bem! Grande vinho, que vai deixar saudades e que merece cada cêntimo pago por ele.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tapada de Coelheiros 2014 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade de Coelheiros
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto, Roupeiro, Chardonnay
Preço: 16,97 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 26 de janeiro de 2019

No meu copo 733 - Quinta de Foz de Arouce branco 2015

Voltamos ao universo João Portugal Ramos, agora na empresa familiar que orienta na região centro.

Este vinho é produzido na zona da Lousã, próximo de Coimbra, já fora dos limites do vinho DOC Bairrada, pelo que recebe a nova designação Regional Beira Atlântico.

Foi fermentado e estagiado em barricas da carvalho francês a unicamente a partir da casta Cercial.

Já com mais de 3 anos após a colheita, apresentou-se de cor entre o amarelo palha e o citrino, com boa acidez e persistência, aromas com alguma mineralidade.

Na boca é seco, suave, elegante e persistente. A madeira está bem integrada e discreta, não havendo quaisquer sinais de sobreposição aos aromas do vinho.

Resistiu bem à prova do tempo, mas fica a dúvida sobre como se comportará mais novo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Foz de Arouce 2015 (B)
Região: Beira Atlântico
Produtor: Conde de Foz de Arouce Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Cercial
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

No meu copo 732 - Cabeça de Toiro, Sauvignon Blanc 2016

Este vinho chegou-nos às mãos no seguimento da Festa das Vindimas 2018 da Enoport, que decorreu na Quinta de S. João Batista, próximo da Golegã (evento a referir numa próxima ocasião).

Amavelmente, a equipa da Enoport ofereceu aos seus convidados duas garrafas de Cabeça de Toiro tinto e outras duas de branco. Neste último caso, trata-se duma edição limitada dum monocasta Sauvignon Blanc de 2016, que entretanto já tive oportunidade de degustar calmamente à mesa.

Não desmerecendo das características marcantes da casta, o vinho ficou, no entanto, um pouco aquém do esperado. Apresentou-se com um cor citrina claro, alguns aromas florais e vegetais discretos e pouco intensos. Na boca apresentou-se elegante e suave, com boa acidez e frescura mas com final algo curto e pouco vibrante.

Não foi, portanto, um Sauvignon Blanc de grande nível que se provou. Talvez precise de mais algum tempo em garrafa para ganhar complexidade, embora não tenha apresentado características que pareçam aconselhar a sua guarda por muito mais tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça de Toiro, Sauvignon Blanc 2016 (B)
Região: Tejo
Produtor: Enoport - Produção de bebidas
Grau alcoólico: 13%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço: 6,50 €
Nota (0 a 10): 7

domingo, 20 de janeiro de 2019

No meu copo 731 - Soalheiro, Alvarinho 2016

Ultimamente, as provas de Soalheiro acontecem quase sempre em ocasiões próximas das provas de Palácio da Brejoeira. O Soalheiro já dispensa apresentações, sendo uma marca de referência entre os Alvarinhos de Monção e Melgaço.

Este apresentou-se um pouco abaixo do que é habitual. Mostrou aromas mais contidos, menos exuberante no nariz e na prova de boca. Já houve colheitas melhores, certamente, e voltará a haver.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Soalheiro, Alvarinho 2016 (B)
Região: Vinhos Verdes (Melgaço)
Produtor: Vinusoalleirus
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 8,12 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

No meu copo 730 - Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2014

Fugindo ao procedimento habitual, guardei este Alvarinho uns anos e só o consumi no fim de ano.
É verdade que os dogmas são para derrubar, e que um deles é o de que os vinhos brancos devem ser sempre bebidos em novos. Há casos e casos. Há regras e excepções.

Na verdade, a maioria das experiências que tive com vinhos brancos que ficaram à espera na garrafeira não foi famosa, tirando casos excepcionais. É um facto que os vinhos mudam na garrafa, e se isso é válido para a evolução dos tintos também é válido para a dos brancos. Mas se os tintos quase sempre melhoram, nos brancos não é tanto assim.

Concretizando... No meu ponto de vista, enquanto os tintos vão arredondando os taninos, amaciando a madeira (quando existe), ganhando complexidade aromática e ficando mais suaves (enquanto perdem pujança), no caso dos brancos a maior diferença que sinto naqueles com algum tempo de envelhecimento é a imediata perda de frescura, que aliás é logo denunciada pela mudança de cor para um amarelo acobreado. Quando esta cor aparece no copo, normalmente parte dos aromas já se foram.

Pode ser apenas uma questão de gosto meu, é um facto. Mas perder a acidez e os aromas mais frutados normalmente não compensa, a não ser naqueles que, à partida, já estão fadados para isso, como alguns brancos de Bucelas, Colares, Bairrada e Dão. Alguns...

Dito isto, este Palácio da Brejoeira 2014, certamente um dos melhores Alvarinhos do país (é mesmo o meu preferido), adquirido em 2015, já devia ter sido bebido. É verdade que estava com o aroma limpo, e desenvolveu aromas secundários no copo à medida que era bebido. Mas já lhe faltava alguma frescura e vivacidade. Mudou de perfil, de facto, e tornou-se mais complexo, mas perdeu alguma identidade.

Ainda muito bom, mas não excepcional.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2014 (B)
Região: Vinhos Verdes (Monção)
Produtor: Palácio da Brejoeira Viticultores
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 13,55 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 12 de janeiro de 2019

No meu copo 729 - Forster, Riesling 2014

Este vinho veio directamente da Alemanha, e como era mister tinha de ser um Riesling ou um Gewürztraminer.

Estas duas, como é sabido, são as castas emblemáticas daquele país, reflectindo o clima mais frio graças à sua acidez muito marcada, sendo a sua origem também associada à região da Alsácia, que pertence à França desde a 2ª guerra mundial, depois de várias transições entre este país e a Alemanha ao longo de vários séculos.

Em Portugal ambas as castas também já têm o seu espaço, tanto a norte como a sul, com vários produtores a apostar nelas para os seus vinhos monocastas (desde os da Quinta de Cidrô, a norte, aos da Fiúza ou do Casal de Santa Maria, a sul), mas o perfil deste vinho alemão é diferente daquele a que estamos habituados por cá.

Apresentou um aroma com algumas notas apetroladas, a meias com frutas brancas de pomar. Na boca mostrou-se redondo e elegante, ao mesmo tempo intenso e encorpado, com muita frescura na prova. Final de boca vivo, longo e redondo.

Em suma, muito bom! Uma excelente casta (até há quem a considere a melhor casta branca do mundo) que dá excelentes vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Forster, Riesling 2014 (B)
Região: Pfalz (Alemanha)
Produtor: Reichsrat Von Buhl – Deidesheim
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Riesling
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

No meu copo 728 - Quinta de Cidrô, monocastas

Alvarinho 2017; Chardonnay 2017; Sauvignon Blanc 2017; Touriga Nacional 2016; Pinot Noir 2016; Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2015




O final de 2018 proporcionou uma efeméride que foi devidamente comemorada com um conjunto de vinhos da Quinta de Cidrô de elevada qualidade: três brancos e três tintos.

Para não estender demasiado este post, seguem as impressões colhidas de cada um dos vinhos.

Alvarinho 2017: frescura, acidez crocante, intensidade aromática e persistente, aromas tropicais. Talvez o mais surpreendente dos 3 brancos.

Chardonnay 2017: fermentado em barricas e estagiado sobre borras durante seis meses. Aroma a frutos brancos com notas de mel, persistente e estruturado.

Sauvignon Blanc 2017: aroma com notas vegetais de intensidade média e alguma mineralidade, acidez marcada com muita frescura, elegante e suave com bom final.

Touriga Nacional 2016: elevada complexidade na prova de boca, aroma intenso a frutos vermelhos e florais com fundo vegetal, boa acidez e persistência com final longo e exuberante. Um belíssimo vinho com grande potencial de evolução em garrafa.

Pinot Noir 2016: Aberto, suave, elegante, aroma com algum vegetal e frutos vermelhos, persistência suave e elegante.

Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2015: Provada anteriormente a colheita de 2008, que brilhou a grande altura, mostrou-se claramente um vinho de guarda. Esta colheita de 2015 estagiou 18 meses em barricas de carvalho novo e apresentou um vinho em crescimento, que ainda está na fase ascensional e a desenvolver aromas secundários na garrafa. Já proporciona um enorme prazer a beber, com uma prova de boca pujante e poderosa marcada por elevada complexidade e intensidade aromática, final vibrante e intenso. Apresenta aromas abaunilhados e a frutos pretos. Beba-se e guarde-se.

Em suma, um painel de elevada qualidade. Todos diferentes, todos excelentes!

Kroniketas, enófilo em celebração

Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha

Vinho: Quinta de Cidrô, Alvarinho 2017 (B)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,45 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta de Cidrô, Chardonnay 2017 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 12,45 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2017 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 9,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta de Cidrô, Touriga Nacional 2016 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 12,42 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quinta de Cidrô, Pinot Noir 2016 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Pinot Noir
Preço em feira de vinhos: 14,34 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2015 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 14,68 €
Nota (0 a 10): 9


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

No meu copo 727 - Lybra tinto 2006

Neste início de ano, revisitamos a Quinta do Monte d’Oiro para a primeira edição do Lybra tinto, que substituiu o nosso bem conhecido Vinha da Nora.

A colheita de 2006 foi a primeira do mesmo vinho com um novo rótulo e novo nome. O perfil, esse, mantém-se praticamente inalterado. A mesma elegância do antecessor, o mesmo perfume, a mesma delicadeza.

Esperei todos estes anos para abrir esta garrafa para ver como se comportava, e como seria de esperar foi com distinção.

Esta marca, como se sabe, deu depois origem ao lançamento dum branco e dum rosé que agora, após o 20º aniversário da primeira colheita e a reformulação dos rótulos e marcas, passam a ser Quinta do Monte d’Oiro colheita.

Pelo que já foi possível provar, auguramos os melhores auspícios, naturalmente.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lybra 2006 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em hipermercado: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 30 de dezembro de 2018

No meu copo 726 - Terras do Demo espumante bruto 2017

Para terminar o ano, nada como brindar com um bom espumante proveniente duma das melhores regiões do país para a produção do vinho com “bolhinhas”.

Para assinalar uma efeméride familiar, escolhemos este Terras do Demo produzido unicamente com Malvasia Fina, casta que também é usada para a produção do vinho tranquilo com o mesmo nome, e que nunca nos deixa ficar mal.

Revelou aromas florais, bolha fina e persistente e mousse muito suave, muito frutado e elegante, mostrando-se um espumante guloso que fez as delícias dos presentes. Alguns atreveram-se mesmo a considera-lo um dos melhores espumantes nacionais.

A verdade é que, para além do “tchim tchim” do primeiro copo, todo o resto da garrafa marchou rapidamente, tal foi o agrado com que foi bebido. Mais que uma bebida apenas de festa, este é um bom exemplar de que o espumante é uma bebida muito séria e deve ser consumida como tal.

Da próxima vez, se calhar, é melhor comprar duas garrafas...

A todos os enófilos (e aos outros também...) desejamos um bom ano de 2019, com boas provas e boa disposição.

À vossa saúde!

tuginho e Kroniketas, enófilos em celebração

Vinho: Terras do Demo espumante bruto 2017 (B)
Região: Távora-Varosa
Produtor: Cooperativa Agrícola do Távora
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Malvasia Fina
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

No meu copo 725 - Pacheca Reserva Vinhas Velhas 2014

Foi o primeiro contacto com este vinho na nova fase da Quinta da Pacheca. É um vinho de cor rubi, com aroma intenso a frutos vermelhos.

Na boca é bem estruturado, revelando macieza com taninos presentes mas redondos. O final é complexo e persistente, com um ligeiro toque a especiarias.

Bom, mas talvez um pouco exagerado no preço.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pacheca Reserva Vinhas Velhas 2014 (T)
Região: Douro
Produtor: Quinta da Pacheca, Sociedade Agrícola e Turística
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinto Cão, Sousão, Tinta Amarela
Preço em feira de vinhos: 12,19 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 22 de dezembro de 2018

No meu copo 724 - Herdade dos Grous tinto 2015


Não tenho sido muito assíduo nos contactos com este vinho. É um alentejano dos novos tempos, com um perfil mais internacionalizado e longe dos mais clássicos, como aliás é apanágio dos vinhos que estão a ser produzidos naquela zona do Baixo Alentejo.

Tem uma estrutura relativamente leve, é aberto na cor, de corpo médio, mostrando alguns taninos ainda um pouco rugosos, que requerem algum tempo de arejamento.

Não sendo um tinto alentejano típico, também não é o mais indicado para os pratos típicos. Requer-se gastronomia mais internacional e moderna.

Em termos de gosto pessoal, coloco-o num patamar médio. Não defrauda mas também não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Herdade dos Grous 2015 (T)
Região: Alentejo (Albernoa)
Produtor: Monte do Trevo
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 7,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

No meu copo 723 - Esporão: monocastas em garrafa de 0,5 L

Aragonês 2000; Bastardo 1999; Bastardo 2000; Cabernet Sauvignon 1998; Trincadeira 2000


Passados alguns anos de ausência, tive oportunidade de voltar a provar calmamente estes monocastas do Esporão lançados durante a década de 90 em garrafas de meio-litro. Foram, na altura, algumas das melhores garrafas a que tivemos acesso em vinhos monocastas, e também se revelaram importantes para o conhecimento das características de cada casta per se.

Agora que os monocastas tintos do Esporão mudaram para um patamar de preços completamente diferente e por isso inacessível com a frequência com que acedíamos a estes, é sempre uma boa oportunidade adquirir estas garrafinhas pela singela quantia de 5€ a unidade.

As cinco garrafas de que se fala abaixo foram adquiridas por esse valor e degustadas ao longo dos últimos meses. Não desiludiram, bem pelo contrário: algumas superaram em muito as expectativas.

Por ordem alfabética:

  • Aragonês 2000: grande aroma, grande corpo, pujante e robusto na boca com alguma adstringência ainda evidente, final prolongado. Em belíssima forma.
  • Bastardo 1999: encorpado e macio, ligeiramente delgado de corpo em comparação com os restantes, mas muito elegante e sem sinais de declínio.
  • Bastardo 2000: um pouco mais estruturado e persistente que o de 1999, mas bastante mais macio e aveludado do que os 14,5º de álcool poderiam pressupor.
  • Cabernet Sauvignon 1998: a estrela da companhia. Brilhou a grande altura, com tudo no sítio certo. Com 20 anos de idade, pareceu ser um vinho quase perfeito e curiosamente em melhor forma do que as últimas garrafas desta colheita (a última de Cabernet Sauvignon como monocasta) que me tinha sido possível provar. Belíssimo equilíbrio entre corpo, estrutura, acidez e macieza, com aroma intenso e um bouquet quase inebriante. A expressão que soltei quando o provei foi “que delícia!”
  • Trincadeira 2000: uma bela estrutura na boca mas ao mesmo tempo elegante e redondo. Final persistente e complexo.

Belos vinhos, em suma. Oxalá possa encontrar mais destes.

Kroniketas, enófilo embevecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Esporão, Aragonês 2000 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Aragonês
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Esporão, Bastardo 1999 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Bastardo
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Esporão, Bastardo 2000 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Bastardo
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Esporão, Cabernet Sauvignon 1998 (T)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cabernet Sauvignon
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Esporão, Trincadeira 2000 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Trincadeira
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 15 de dezembro de 2018

No meu copo 722 - Marquês de Borba tinto 2016; Marquês de Borba Colheita tinto 2017

Voltamos ao universo de João Portugal Ramos para uma prova de duas colheitas de tinto da marca mais emblemática da casa.

Já depois da visita às instalações da Adega Vila Santa, em Estremoz, onde foi possível degustar alguns dos mais recentes lançamentos, tivemos a oferta do novo Marquês de Borba Colheita tinto 2017, que agradecemos, e voltámos a prová-lo após aquela visita.

As impressões colhidas naquele almoço confirmaram-se. É um vinho fresco e aromático, com um perfil um pouco mais leve do que o tradicional.

A parte mas curiosa é que num jantar fora houve oportunidade de provar várias garrafas da colheita de 2016, que se revelou em grande forma e com uma intensidade e estrutura muito mais exuberantes! Quase não parecia o mesmo vinho, mas a verdade é que o ano adicional em garrafa tornou-o um vinho muito mais crescido e adulto, guindando-se a outro patamar.

Muito boa estrutura na boca com final persistente e vibrante, com os taninos macios mas a darem consistência ao conjunto.

Se fosse preciso, esta prova confirmou que os vinhos tintos demasiados jovens têm muito que crescer. Neste caso, atrevo-me a dizer que o lote de uvas utilizado também ajudou.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Preço em feira de vinhos: 3,59 €

Vinho: Marquês de Borba 2016 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Borba Colheita 2017 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot, Merlot
Nota (0 a 10): 7,5


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O eterno presente


Ao que parece, o tempo é uma ilusão e não existe passado nem futuro, apenas um eterno presente.

Se assim é, iludamo-nos então com a passagem de mais um ano deste blog (parece mentira, mas já lá vão 13 anos desde que saiu o primeiro post sobre o primeiro vinho...), bastante profícuo no que toca à sua produção escrevinhante, e a manutenção de uma atitude de eterna irresponsabilidade, porque levarmo-nos demasiado a sério é o princípio do fim...

Portanto continuem a ler-nos e, principalmente, continuem a beber bom vinho e a apreciá-lo e a divertirem-se porque, sendo apenas uma ilusão, virá um tempo em que já não o poderemos fazer...

Agora podem dar-nos os parabéns e brindar com um bom vinho porque, como dizia o outro, a vida é demasiado curta para beber do mau e, ilusão ou não, o nosso tempo nesta bola de pedra é limitado.

Bem hajam!

tuguinho e Kroniketas, os diletantes preguiçosos


sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

No meu copo 721 - Grand'Arte, Shiraz 2011; Grand’Arte, Touriga Nacional 2012

A DFJ Vinhos, liderada por José Neiva Correia, enólogo e produtor, é uma empresa sediada no em Vila Chã de Ourique, no concelho do Cartaxo, que produz essencialmente vinhos na região vitivinícola Lisboa, embora também se encontrem referências no Douro, Alentejo e Península de Setúbal.

Uma parte significativa da sua produção é destinada à exportação, sendo que no mercado nacional as referências predominantes centram-se em vinhos monocasta.

Hoje trazemos dois tintos adquiridos em 2014 e 2015. Esperaram portanto, respectivamente, 4 e 3 anos antes do consumo.

Com apenas um ano de diferença de colheita, o Shiraz apresentou-se muito mais evoluído, com os aromas algo sumidos, com pouca exuberância quer no nariz quer na prova de boca. A casta mostrou-se bem madura mas pouco expressiva em comparação com outros equivalentes. Em relação a outra garrafa provada há uns anos, esta esteve uns furos abaixo.

Quanto ao monocasta de Touriga Nacional, pelo contrário, expressou-se em pleno, apresentando grande vivacidade no aroma, ainda com notas florais e a frutos silvestres bem evidentes, boa estrutura e taninos bem presentes na boca, final vivo e persistente.

Na comparação, a Touriga Nacional pareceu mais bem conseguida, ou aguentou melhor o tempo em garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos

Vinho: Grand'Arte, Shiraz 2011 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Syrah
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Grand’Arte, Touriga Nacional 2012 (T)
Grau alcoólico: 13%
Casta: Touriga Nacional
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

No meu copo 720 - Serras de Grândola Cepas Cinquentenárias tinto 2015

Sou cliente deste produtor há alguns anos, desde que provei um branco de Verdelho no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno.

Junto ao branco veio o tinto e as diversas variantes que foram aparecendo.

Este ano já provámos o Verdelho 2015, agora chegou a vez deste tinto Cepas Cinquentenárias, também ele já em repetição.

Confirmou as boas impressões das provas anteriores. É um tinto com uma boa estrutura, complexo mas ao mesmo tempo delicado, com uma boa frescura na prova de boca.

Apresenta notas de aromas balsâmicos, fruto maduro e algum vegetal, com taninos presentes mas redondos. O final é persistente revelando elegância no fim de boca.

Um vinho para continuar a acompanhar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Serras de Grândola Cepas Cinquentenárias 2015 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 9,50 €
Nota (0 a 10): 8