domingo, 21 de agosto de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (3ª parte)

Muxagat Vinhos







A etapa da tarde passou por uma visita à garrafeira Vinho & Eventos, na Mêda, a sul de Foz Côa, antes de assentarmos arraiais na adega da Muxagat Vinhos, onde fomos recebidos pela nova proprietária, Susana Lopes.

Este produtor merece uma apresentação prévia, uma vez que começou por ser criado por um dos filhos de João Nicolau de Almeida, neste caso Mateus Nicolau de Almeida, que produziu os primeiros vinhos com esta marca, que depois se chamou Mux durante algum tempo antes de voltar à designação inicial.

Entretanto, os Nicolau de Almeida dedicaram-se a um projecto familiar, o pai João saiu da administração da Ramos Pinto, Mateus deixou a Muxagat Vinhos e os restantes filhos juntaram-se ao projecto Quinta do Monte Xisto. Assim, a Muxagat Vinhos mudou de mãos e de enólogo. Luís Seabra, que durante anos teve uma carreira bem sucedida na Niepoort, é agora o responsável pelos vinhos Muxagat. E foi com Luís Seabra que fizemos a prova na adega, a que se seguiu um jantar de cabrito assado acompanhado com os vinhos da casa.

Tivemos oportunidade de provar alguns vinhos ainda em cuba ou em barrica e não filtrados, nomeadamente um Tinta Barroca e um Tinta Francisca. A gama está agora mais vasta, com diversas referências em brancos, tintos e rosés.

Alguns dos vinhos provados estão retratados nas fotos que aqui deixamos, gentilmente cedidas pela organização. Não posso deixar de destacar o branco Xistos Altos 2012, um monocasta de Rabigato que fez as delícias dos presentes pela sua personalidade.

Foi um excelente serão, com um agradável convívio e muito bons vinhos, a mostrar que a empresa está em boas mãos e com muito caminho para se afirmar. Os vinhos provados prometem, e já se sabe que a mão de Luís Seabra costuma produzir bons resultados.

Obrigado a toda a equipa da Muxagat Vinhos pela simpatia com que nos receberam e toda a atenção que nos dispensaram.

Kroniketas, enófilo viajante

Fotos: Muxagat Vinhos e Ricardo Palma Veiga

sábado, 13 de agosto de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (2ª parte)

Quinta do Vale Meão





A primeira etapa do programa terminou na Quinta do Vale Meão. Por um caminho estreito e sinuoso, onde um autocarro manobra com dificuldade, lá atravessámos o Douro frente ao Pocinho e chegámos à mítica quinta que ostenta por cima do portão de entrada o nome de Dona Antónia Adelaide Ferreira.

À nossa espera a família dos donos: pai, mãe e filha receberam-nos num alpendre onde o proprietário Francisco (Vito) Olazabal nos contou em traços gerais a história de como aquela quinta – onde em 1952 nasceu o mítico Barca Velha pela mão de Fernando Nicolau de Almeida – passou de propriedade da Casa Ferreirinha para os descendentes de Dona Antónia.

Enquanto a conversa fluía, provavam-se alguns acepipes e provaram-se os primeiros vinhos, com destaque para o novo Meandro branco, já em segunda colheita, uma boa surpresa que me convenceu logo à primeira impressão.

Já com a hora adiantada, passámos às mesas dispostas em frente à casa, donde se vislumbra uma parte da quinta e algumas curvas do Douro, com a outra margem sempre imponente na paisagem. A proprietária Maria Luísa, filha de Fernando Nicolau de Almeida, convidou-me para me sentar à sua mesa e assim tivemos uma animada conversa sobre histórias do pai e do irmão João Nicolau de Almeida, enquanto saboreávamos um apetitoso bacalhau acompanhado por diversos vinhos da quinta. Pelos nossos copos desfilaram o Meandro branco e tinto, o novo Monte Meão e o inevitável Porto Vintage.

Sobre a quinta, o que dizer? Estar num local mítico como este deixa-nos quase sem palavras. É um momento sobretudo para desfrutar e para não esquecer, assim como a simpatia com que fomos recebidos. A história da quinta e dos vinhos fala por si, pelo que me dispenso de entrar em mais considerandos. Deixo apenas algumas fotos do local que pude captar na ocasião. Para mais tarde recordar.

Seguiu-se a ida para o colóquio na Expocôa, onde alguns convidados de peso usaram da palavra, mas o cansaço da jornada fez-se sentir após o almoço, pelo que essa etapa serviu mais para retemperar forças e preparar-nos para a jornada nocturna que se iria seguir.

Kroniketas, enófilo viajante

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (1ª parte)

Concurso de vinhos




Finalmente podemos começar a contar a aventura no festival de vinhos do Douro Superior, que decorreu de 20 a 22 de Maio passado.

Acedendo a um honroso convite da Revista de Vinhos, desloquei-me até Vila Nova de Foz Côa na companhia de vários outros bloggers e jornalistas que foram companheiros de viagem no comboio de Lisboa ao Porto e no autocarro do Porto até Foz Côa.

A primeira etapa terminou nas margens do Douro junto ao Pocinho, na Quinta do Vale Meão, mas esse evento será contado a seguir. Para já, prioridade ao concurso de vinhos para o qual fui convidado como jurado.

Foi a primeira vez que participei num evento do género, uma experiência interessante e difícil como seria de esperar, mas muito instrutiva.

O concurso de vinhos decorreu no sábado, dia 21 de Maio, durante a manhã numa sala da Expocôa. Distribuídos por 7 mesas, os jurados provaram uma painel de vinhos brancos, três de vinhos tintos e uma de vinhos generosos. Dada a quantidade de vinhos em prova, em cada painel todas as mesas provaram vinhos diferentes, excepto no painel dos vinhos do Porto, em que todos provaram os 5 vinhos a concurso.

Todos os vinhos foram avaliados em prova cega, o que torna a missão mais complicada porque corremos o risco de pontuar de forma desproporcionada (para cima ou para baixo) um vinho que à partida consideraríamos melhor ou pior do que aquilo que depois nos parece quando não sabemos o que está no copo. Por outro lado, o facto de as várias mesas provarem vinhos diferentes pode introduzir um factor de risco que distorça os resultados da votação, se umas mesas usarem critérios de pontuação mais elevados que outras. Mas esse risco faz parte do jogo, e é com ele que convivemos. Talvez fosse interessante fazer uma espécie de “tira-teimas” com uma prova transversal que permitisse reavaliar os mais bem pontuados em cada mesa para equilibrar as votações. Fica aqui a sugestão.

Porque seria fastidioso listar aqui os resultados do concurso, que já foram muito divulgados em vários meios, deixamos apenas o link para o site da Revista de Vinhos onde os resultados foram publicados. Como balanço dos resultados, apenas uma referência especial a um dos brancos vencedores, o Passagem, que mais tarde teríamos oportunidade de provar em almoço no último dia. Todos os vinhos vencedores e medalhados justificaram o troféu, embora outros pudessem disputar essa honra com igual mérito.

Terminada a votação do concurso, seguimos para uma visita e almoço à Quintas da Cabreira, voltando ao festival da parte da tarde para uma visita ao pavilhão dos expositores. Com tantos vinhos já provados, acabou por não haver muita vontade para provar mais, até porque o programa iria prosseguir à noite.

Já tive oportunidade de fazê-lo, mas reitero os meus agradecimentos à Revista de Vinhos na pessoa de João Geirinhas, director da área de negócios, pelo convite que me foi endereçado. Se houver oportunidade de repetir a experiência, tentarei aproveitá-la com o mesmo gosto e o mesmo interesse.
A seguir fala-se de visitas, quintas, refeições e vinhos…

Kroniketas, enófilo viajante

Fotos: Ricardo Palma Veiga

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Pequenos Rebentos - Com o enólogo Márcio Lopes




Nas últimas semanas o tempo disponível não tem permitido haver disponibilidade suficiente para reportar os vários eventos em que estive presente desde Maio. Já lá vai algum tempo, mas nunca é tarde para pôr a escrita em dia. Vamos tentar fazê-lo agora durante as férias, pois há pelo menos cinco eventos importantes para relatar:

- A prova de vinhos “Pequenos rebentos”
- O 5º Festival do Vinho do Douro Superior, em Vila Nova de Foz Côa
- O 3º Bairradão em Lisboa
- Visita à Quinta de Pancas
- Dão Capital

Vamos publicar alguns apontamentos sobre estes eventos por ordem cronológica, começando, assim, pela prova de vinhos “Pequenos rebentos”.

Esta decorreu no dia 7 de Maio no restaurante “A Tendinha”, em Mem Martins, com a presença do enólogo Márcio Lopes e dum conjunto de bloggers dedicados a estas coisas do vinho.

Natural do Porto, este jovem enólogo colaborou com Anselmo Mendes na criação do Curtimenta há cerca de uma década. Em 2010 criou o projecto Pequenos Rebentos na região dos Vinhos Verdes, sub-região de Monção e Melgaço.

A prova começou com uma apresentação por parte do enólogo da linha orientadora dos seus vinhos, seguindo-se a prova das várias marcas disponíveis. Só depois da prova se passou ao almoço, onde então pudemos degustar todos os vinhos à nossa vontade e sem ordem pré-estabelecida.

Pudemos provar uma amostra de cuba de Pequenos Rebentos Alvarinho 2015, que incorpora cerca de 5% de Trajadura. Foram produzidas 10.000 garrafas deste vinho leve, fresco e claramente vocacionado para o Verão, um vinho fácil de beber. Preço de venda: 4,50 €.

Seguiu-se uma vertical de Pequenos Rebentos 100% Alvarinho. Provou-se o 2014, 2013, 2012 e 2011. Houve disparidade de opiniões, como é normal. O 2014 apresentou boa acidez, bom corpo, aroma intenso e persistência. Menos vivo o 2013, algo mortiço, ao contrário do 2012, bem mais vivo e com sinais de alguma evolução. O 2011 apresentou-se bem estruturado e persistente, o que mostrou que aguentou bem o tempo em garrafa. PVP: 8,50 €.

Seguiu-se um 4 Barricas Alvarinho 2015 em amostra de casco. Um ligeiro toque a madeira, não demasiado marcada. PVP: 15 €.

Depois veio um rosé de que foram apenas produzidos 265 litros. Um palhete, resultante de mistura de branco e tinto, produzido na zona de Meda, no Douro Superior, com Viosinho, Rabigato e um ligeiro toque de Sousão. De cor muito aberta e desmaiada, leve e suave.

Seguiram-se os vinhos de uma linha mais estruturada. O Permitido branco 2015, em amostra de barrica, produzido no Douro apenas com Rabigato. Estruturado, persistente e aromático, esteve excelente ao almoço a acompanhar o prato de peixe.

Finalmente um tinto, o Proibido Reserva 2012, um tinto típico do Douro, com 14,5% de álcool, ainda muito áspero e agressivo, claramente a precisar de tempo em garrafa para amaciar. Provou-se também uma amostra de barrica do 2013, com 15,5% de álcool! Mais intenso de aroma, mais demasiado impositivo. PVP: 28 a 30 €.

Passando ao almoço, foram-nos então servidas algumas iguarias que estavam excelentes: uma entrada de salada de abacate com lavagante e molho cocktail, perfeita para os verdes de Alvarinho mais aromáticos. No prato de peixe tivemos garoupa com amêijoas e molho à Bulhão Pato, deliciosa. Seguiu-se o prato de carne com medalhão de vitela com batata assada e esparregado, que deu alguma luta aos tintos, e finalmente para sobremesa houve trouxa de ovos com gelado de limão, igualmente excelente.

Foi uma boa jornada, da qual saímos já para lá das 16 h, bem servidos e satisfeitos. Boa prova com bons vinhos, e é de realçar a simpatia de Márcio Lopes e o bom convívio que nos proporcionou. Igualmente de destacar a excelente refeição servida pela Tendinha, um restaurante a ter em conta e onde já tinha estado na minha primeira presença no Bloggers Challenge.

Ficam assim os nossos agradecimentos ao enólogo e ao restaurante por esta oportunidade. A Márcio Lopes, em particular, um obrigado pelo convite e os desejos de que os seus vinhos tenham um bom futuro. No caso dos verdes, que são o coração do projecto, parece-me que têm pernas para andar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

PS: As fotos das garrafas aqui mostradas são da autoria do blogger Carlos Janeiro, do blog Comer, Beber e Lazer, com os devidos créditos, e a quem presto a devida vénia pelo trabalho de fotografia que sempre realiza nestes eventos.

domingo, 31 de julho de 2016

No meu copo 547 - Quinta da Aveleda Colheita Selecionada, Loureiro e Alvarinho 2014


Este é já um clássico do Verão, que nunca nos deixa ficar mal. Para saborear com mariscos, saladas, entradas frescas, comidas leves. Para usufruir no tempo quente.

Depois de provadas as colheitas de 2011, 2012, 2013 e 2014, a conclusão a tirar é que vale a pena comprá-lo todos os anos. Bom e barato, e está tudo dito.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Aveleda Colheita Seleccionada, Loureiro e Alvarinho 2014 (B)
Região: Minho
Produtor: Aveleda, S.A.
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Loureiro, Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 3,35 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 28 de julho de 2016

No meu copo 546 - Quinta da Alorna, Arinto 2010


Este vinho foi adquirido numa promoção online, no site FlashGourmet. Mais por curiosidade que outra coisa, tratando-se de um branco de 2010, quis ver como é que o Arinto se aguentou ao fim de quase 6 anos.

E aguentou-se bem. De cor amarela esverdeada, mostrou alguma frescura, acidez ainda bem marcada, boa estrutura na boca e final prolongado. Leves notas limonadas e ligeiro mineral compõem um conjunto equilibrado, ainda a respirar saúde e com alguma complexidade.

É adequado para peixes grelhados ou mariscos, não para pratos demasiado simples ou leves. Pelo preço que custou, era difícil pedir mais.

É um vinho a revisitar em colheitas mais recentes.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Alorna, Arinto 2010 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço: 3,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 24 de julho de 2016

No meu copo 545 - Casa Ermelinda Freitas: Alicante Bouschet 2012; Syrah Reserva 2013; Touriga Franca Reserva 2013

Terminamos este périplo pelos vinhos da Península de Setúbal voltando a transitar de Pegões para Fernando Pó, também para uma prova de três varietais tintos da Casa Ermelinda Freitas.

Começando pelo Alicante Bouschet, foi uma excelente surpresa. Encorpado, persistente, robusto, vibrante, longo, cotou-se como o melhor dos três e mostrou estar ali para durar. Um vinho de elevado nível, que justifica o preço que custa e pode satisfazer os consumidores mais exigentes.

O Syrah Reserva foi muito badalado quando a colheita de 2005 ganhou um concurso internacional, o que motivou desde logo o epíteto, que a nossa imprensa está sempre pronta a lançar, de “melhor vinho do mundo”. Passados todos estes anos e terminada a febre especulativa, esta prova mostrou um vinho persistente, aromático, suave e equilibrado. Justifica alguns encómios e a fama que granjeou, mas... não exageremos.

Finalmente, o Touriga Franca Reserva, que perdeu claramente na comparação com os seus parceiros. Medianamente encorpado, algo linear e com final curto, não surpreendeu nem justificou o preço, ficando-se pela mediania. Não se pode acertar em tudo, e com tantos vinhos monocasta alguns têm de sair menos bem conseguidos. Mas curiosamente, já na prova dos monocasta da Adega de Pegões, o Touriga Nacional se revelou o menos interessante.

De facto, isto de importar todas as castas para todo o lado tem que se lhe diga...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas

Vinho: Casa Ermelinda Freitas, Alicante Bouschet 2012 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Casa Ermelinda Freitas Reserva, Syrah 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Casa Ermelinda Freitas Reserva, Touriga Franca 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 20 de julho de 2016

No meu copo 544 - Adega de Pegões: Aragonês 2013; Cabernet Sauvignon 2012; Touriga Nacional 2013

Voltamos à Cooperativa de Santo Isidro de Pegões, agora para alguns varietais tintos em que a empresa é pródiga. De acordo com as disponibilidades do mercado, resolvi provar alguns destes varietais da Península de Setúbal.

Começamos pelo monocasta Aragonês 2013. Vinificado em cubas de inox, estagiou 12 meses em meias-pipas de carvalho. Apresenta-se encorpado, estruturado, equilibrado, cheio e persistente, com aromas onde predominam especiarias.

O Cabernet Sauvignon 2012 também foi vinificado em cubas de inox e estagiou 12 meses em meias-pipas de carvalho. Mostrou-se encorpado, robusto, de aroma vinoso intenso, persistente e com aromas onde predomina algum chocolate e compota.

Finalmente, a inevitável Touriga Nacional de 2013. Aroma algo discreto, corpo mais delgado, final mais curto e predominância de aromas florais. O menos convincente dos três. A Touriga, ao contrário do que se diz, não é rainha em todo o lado...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões

Vinho: Adega de Pegões, Aragonês 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Aragonês
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Adega de Pegões, Aragonês 2013 (T)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Adega de Pegões, Touriga Nacional 2013 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,72 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 17 de julho de 2016

No meu copo 543 - Quinta de Camarate: tinto 2012; branco seco 2014

Mais dois clássicos da José Maria da Fonseca, duas marcas de décadas que têm passado esporadicamente pelas nossas mesas.

Ao longo dos anos, o Quinta de Camarate tinto e o branco seco têm vindo a ser moldados ao perfil das épocas, com a incorporação de novas castas e a exclusão de outras.
O tinto apresenta agora uma percentagem minoritária de Castelão e uma maioria de Touriga Nacional. Mostra-se com paladar intenso, encorpado, persistência média e aroma não muito exuberante. Estagiou 8 meses em barricas de carvalho francês~.

Quanto ao branco seco, um dos meus preferidos nos tempos mais recentes, deixou o Moscatel e actualmente contém apenas duas castas de fora da região. Já o senti melhor que nesta colheita. Mostrou um aroma algo discreto e persistência média.

Depois de provar a colheita de 2013, esta de 2014 confirmou que a versão anterior me agradava mais. Falta aqui, se calhar, o Moscatel. Parece-me que não se ganhou em intensidade aromática o que se perdeu em doçura.

Feito o balanço, creio que a substituição das castas típicas da região por outras importadas não só não trouxe um acréscimo de qualidade como tornou estes vinhos menos típicos e mais parecidos com todos os outros...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos

Vinho: Quinta de Camarate 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (52%), Aragonês (25%), Cabernet Sauvignon (14%), Castelão (9%)
Preço em feira de vinhos: 7,48 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta de Camarate Seco 2014 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Alvarinho (66%), Verdelho (34%)
Preço em feira de vinhos: 5,24 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 14 de julho de 2016

No meu copo 542 - Tons de Duorum 2012; Marquês de Borba 2011; Loios 2011

Continuando na esfera da João Portugal Ramos Vinhos, fizemos uma prova conjunta de três tintos que também nos foram oferecidos pelo produtor: dois da sua produção em Estremoz e um da sua parceria na Duorum.

Desde logo, estando o Marquês de Borba posicionado num patamar acima dos outros dois, foi com naturalidade que se cotou sem dificuldade como o melhor na prova. Aromático, macio, encorpado, estruturado e persistente, com fruto maduro bem presente e equilíbrio entre todas as componentes. Um ligeiro toque a madeira envolve o conjunto com suavidade.

O outro tinto de Estremoz, o Loios, confirmou aquilo que já conhecemos dele. É encorpado, vivo, macio e persistente, embora com menos estrutura. É um vinho com uma boa relação qualidade-preço que se tem imposto na gama de entrada, sendo uma boa aposta para o dia-a-dia.

Quanto ao Tons de Duorum, acabou por perder na comparação com os dois alentejanos. Apresentou-se elegante, aberto, macio mas com final curto e aroma discreto.

Mais uma vez os nossos agradecimentos à João Portugal Ramos Vinhos pelas garrafas que gentilmente nos foram enviadas

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tons de Duorum 2012 (T)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,98 €
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: Marquês de Borba 2011 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,17 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Loios 2011 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, outras
Preço em feira de vinhos: 2,55 €
Nota (0 a 10): 7

terça-feira, 12 de julho de 2016

No meu copo 541 - Pouca Roupa rosé 2014

Um vinho descomplicado, simples, leve e suave, a cumprir bem o papel no alargamento do portefólio de João Portugal Ramos em vinhos, com a extensão para patamares de topo e de entrada de gama.

Este Pouca Roupa rosé 2014, gentilmente oferecido a este blog pela João Portugal Ramos Vinhos, é aromático quanto baste, com boa acidez e adequado para a época em que nos encontramos, para acompanhar entradas ou petiscos leves, ou mesmo saborear a solo num dia de Verão, por um preço acessível.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pouca Roupa 2014 (R)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Cabernet Sauvignon
Preço: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7

domingo, 3 de julho de 2016

No meu copo 540 - Aveleda Reserva da Família 2011



Continuamos nos brancos, agora revisitando a Quinta da Aveleda que mantém a tradição de produzir um branco na Bairrada.

Depois da marca Follies, de que tivemos oportunidade de provar um bi-varietal de Chardonnay e Maria Gomes, temos agora este Reserva da Família, que mantém um perfil semelhante ao seu antecessor, embora com um lote mais alargado de castas.

Este Reserva da Família 2011 apresentou um corpo e persistência médias, frutado quanto baste, algum mineral mas não muito intenso no nariz nem na boca. Recordando o Follies branco da Bairrada, parece-me que, além de mais barato, era mais bem conseguido.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Aveleda Reserva da Família 2011 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Aveleda Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Maria Gomes, Rabo de Ovelha, Chardonnay, Bical
Preço em hipermercado: 9,37 €
Nota (0 a 10): 7,5


quarta-feira, 29 de junho de 2016

No meu copo 539 - Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2014


Passamos da Bacalhôa para a José Maria da Fonseca, ali ao lado.

Começamos por um branco já clássico da José Maria da Fonseca e uma das nossas referências obrigatórias: o Verdelho da Colecção Privada Domingos Soares Franco. Já aqui provado por diversas vezes (aqui, aqui e aqui), sempre se portou a grande altura, brilhando à mesa ou fora dela e deixando sempre vontade de beber mais.

À semelhança das colheitas provadas anteriormente, mostrou aquela acidez com um misto de citrino e tropical e exuberância no nariz a par com uma frescura vibrante na prova de boca.

Uma referência incontornável, para o Verão, para o Inverno e para a meia-estação. Para o dia e para a noite. Para o frio e para o calor. Para todos os pratos e todas as ocasiões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Domingos Soares Franco Colecção Privada, Verdelho 2014 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Verdelho
Preço em feira de vinhos: 8,98 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 25 de junho de 2016

No meu copo 538 - Quinta da Bacalhôa branco 2012

E agora das terras do pó para Azeitão, onde residem os dois gigantes da região, paredes meias ao longo da Estrada Nacional 10.

Começamos pela Quinta da Bacalhôa.

Para além do clássico Quinta da Bacalhôa tinto, um dos pioneiros na utilização do estilo bordalês em Portugal com o lote Cabernet Sauvignon-Merlot, tivemos nos anos mais recentes o lançamento da marca com o nome da casa em versão branco.

É um bom vinho, bem estruturado, persistente e com alguma complexidade, envolvida por um ligeiro toque de madeira. Apresenta notas de frutos tropicais e algum mel, a par com algum floral.

No conjunto, embora seja um bom vinho, e à semelhança do que acontece com o tinto, este também não me encantou e não me parece que justifique o preço que custa. Por este preço, que de barato não tem nada, espera-se sempre algo mais.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Bacalhôa 2012 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Sémillon, Alvarinho, Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 13,04 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 21 de junho de 2016

No meu copo 537 - Adega de Pegões, Chardonnay e Arinto 2011

De Fernando Pó para Pegões Velhos, da Casa Ermelinda Freitas para a Adega de Pegões, de um bi-varietal para outro. Em comum entre os dois, o Chardonnay.

Este lote de Chardonnay e Arinto apresentou-se oxidado, claramente a decair, sem frescura. Apesar de comprado este ano, pareceu ter ultrapassado o tempo de vida útil. Fica por saber se foi uma opção vendê-lo já com esta idade, ou se era um resto de colecção que ficou esquecido num armazém. Dito isto, ou é problema do vinho ou da garrafa. Portanto, prova inconclusiva.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Pegões, Chardonnay e Arinto 2011 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Cooperativa Agrícola Santo Isidro de Pegões
Grau alcoólico: 13%
Castas: Chardonnay, Arinto
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 5

sexta-feira, 17 de junho de 2016

No meu copo 536 - Terras do Pó, Chardonnay e Viognier 2014

Retomando o périplo pelos brancos de várias regiões, vamos agora para a Península de Setúbal.

Esta versão bi-varietal dum vinho de entrada de gama como o Terras do Pó apresenta-se, ao contrário do esperado, algo simples, de aroma discreto, pouco estruturada e complexa e com final algo curto.

Pareceu-me algo incaracterístico e talvez este casamento das duas castas francesas não tenha sido bem conseguido. Espera-se muito melhor da Casa Ermelinda Freitas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Terras do Pó, Chardonnay e Viognier 2014 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Chardonnay, Viognier
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 6,5

segunda-feira, 13 de junho de 2016

No meu copo 535 - Herdade do Perdigão Espumante Bruto 2014

Cada vez há mais espumantes disseminados pelo país. De norte a sul, do litoral ao interior, surgem espumantes um pouco por todo o lado, onde não se esperava e de produtores que não se esperava.

Não será necessariamente o caso deste que agora refiro, mas a verdade é que também na Herdade do Perdigão já se faz espumante.

Há uma boa meia-dúzia de anos encontrei em Portalegre o espumante da Tapada do Chaves, que na altura também me surpreendeu pela positiva. Também na Herdade do Esporão, no coração da planície, já encontrei espumantes brancos e rosés bastante agradáveis.

Agora, subindo novamente no mapa e para a altitude de Monforte, encontramos este feito exclusivamente com a casta Arinto. Junta-se a altitude e a casta e temos como resultado um belíssimo espumante, que não fica a dever muito aos mais conceituados.

Este espumante estagia em barricas 100% novas de carvalho francês durante 18 meses e, no mínimo, 18 meses em garrafa. Apresenta uma cor cítrica, bolha fina e persistente, com aromas a lembrar frutos secos e alguma lima. Alguma delicadeza e elegância na prova de boca, tem um final fresco e persistente.

Muito bem. Convenceu-me, pelo preço e pela qualidade. Entra para as nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Perdigão Espumante Bruto 2014 (B)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Arinto
Preço: 11,65 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 9 de junho de 2016

No meu copo 534 - Frei João rosé 2013

A primeira prova deste clássico das Caves São João em versão rosada tinha acontecido no Verão de 2014, com a colheita de 2011. Essa verão foi produzida unicamente a partir de Touriga Nacional e passou na prova sem dificuldade.

Agora temos esta colheita de 2013, com um rótulo renovado e também com um lote renovado: à Touriga juntaram-se a Baga, em maioria, e o Cabernet Sauvignon, em percentagem minoritária. O resultado, embora não seja significativamente diferente em termos qualitativos (acabámos por pontuar os dois vinhos de forma igual), dá-nos um perfil algo diferente e talvez mais abrangente.

Temos agora um rosé que, mantendo a frescura e um aroma floral e de frutos vermelhos, apresenta um pouco mais de estrutura e persistência na prova de boca, tornando-se mais gastronómico e com algum acréscimo de complexidade.

Em resumo: parece ser, nesta nova versão, um vinho produzido para ser mais consensual, mantendo a facilidade com que se bebe e estando claramente vocacionado para o tempo fresco e para acompanhar entradas, saladas ou massas.

À segunda prova convenceu-nos e entrou para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João 2013 (R)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12%
Castas: Baga (60%), Touriga Nacional (30%), Cabernet Sauvignon (10%)
Preço em feira de vinhos: 2,49 €
Nota (0 a 10): 7,5