quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Quinta de Pancas (1ª parte)

    

Mais uma etapa na tentativa de pôr a escrita, com vários meses de atraso, em dia.

No início de Junho, a convite da empresa Parceiros de Comunicação, desloquei-me, juntamente com outros enófilos, bloggers e jornalistas, à Quinta de Pancas para uma visita com apresentação do portefólio actualizado dos vinhos ali produzidos.

O programa incluía um passeio pelas vinhas, prova de vinhos e almoço com os vinhos provados. Foi-nos disponibilizado transporte a partir de Lisboa, pelo que partimos em conjunto da gare do Oriente.
Existe uma nova estratégia na empresa, com uma renovação da imagem e dos vinhos. Desde há alguns anos sob gestão da Companhia das Quintas, nesta nova etapa a gestão da Quinta de Pancas será autonomizada.

Localizada junto a Alenquer, no lugar de Pancas na freguesia de Santo Estevão e Triana, a Quinta de Pancas foi fundada em 1495 e contém cerca de 50 hectares de vinha, com uma variada gama de castas brancas e tintas, portuguesas e também bordalesas, que se estendem por algumas encostas entre a Serra de Montejunto e a margem direita do Tejo, com altitudes variáveis entre os 40 e os 280 metros.

Os solos apresentam características similares a regiões como Champagne, Borgonha (Chablis), Vale do Loire e sul do Vale do Ródano, com predominância de calcários vermelhos. Na quinta estão identificados 34 talhões diferentes com diferentes características que determinam as castas aí plantadas. A maioritária é a Cabernet Sauvignon, em que a quinta tem grande tradição, com 14 ha. Seguem-se a Touriga Nacional com 5,3 ha e outras castas importadas como Syrah e Merlot, só depois aparecendo o Castelão, Alicante Bouschet e Tinta Roriz.

Nas brancas predominam o Arinto, Chardonnay e Vital com 1.

Os talhões foram classificados como A, B e C, sendo os de letra A destinados à produção dos vinhos mais complexos, com foco exclusivo na qualidade e sem olhar a custos, enquanto os da letra C destinam-se aos vinhos de maior volume, que não têm potencial para a produção da gama Reserva. No segmento B temos então os vinhos de gama média e média-alta, com qualidade elevada e preço ainda acessível.

Conduzidos em dois tractores, saímos do edifício principal e fomos por montes e vales percorrer algumas parcelas de vinha, onde nos eram indicadas as castas presentes em cada uma. Claro que naquela época do ano a paisagem não permite distinguir umas de outras, pois todas parecem iguais.

No regresso ao Solar de Pancas, passou-se a uma apresentação da história da quinta, seguindo-se prova livre e depois o almoço.

(continua)

Kroniketas, enófilo itinerante

sábado, 3 de dezembro de 2016

No meu copo 568 - Diga? branco 2009; Campolargo branco 2015

Falamos agora de dois brancos com a marca Campolargo: um clássico e um moderno.

Começando pelo Diga? 2009 (um nome original para um vinho), embora seja produzido apenas a partir de uma casta que nem sequer é portuguesa mas sim típica de Côtes du Rhône, trata-se dum branco clássico, austero, de aroma fechado, com ligeiras notas fumadas.

De cor amarelo palha, no aroma predominam algumas notas cítricas e a frutos tropicais. Na boca é macio e untuoso, com boa estrutura e final longo, com boa acidez e persistência. Estagia 6 a 8 meses em barricas de carvalho francês, parte novas e parte usadas.

Um grande branco, em suma, que tem lugar nas nossas escolhas (refira-se que o preço indicado se reporta ao ano da compra, 2011).

O Campolargo branco 2015, apresentado na Revista de Vinhos de Agosto de 2016, feito com um lote improvável mas que resulta bem. De cor citrina e aroma frutado, na boca apresenta-se leve, aberto e suave, com final macio sem deixar de manter alguma estrutura e persistência. Um bom compromisso entre a leveza e a estrutura.

É um bom branco de Verão e uma referência a rever.

Mais uma vez os vinhos Campolargo a não desiludirem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros

Vinho: Diga? 2009 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Viognier
Preço: 11,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Campolargo 2015 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Bical, Verdelho, Viognier
Preço: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 29 de novembro de 2016

No meu copo 567 - Planalto Reserva 2015

Um branco todo-o-terreno, de todas as estações e para todos os pratos, um valor seguro, uma aposta garantida. Leve, seco, delicado, elegante, vivo e com estimulante acidez.

Uma escolha que nunca nos desilude. Desta vez foi com bacalhau à lagareiro, e portou-se como gente grande. Não é preciso dizer mais nada.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Planalto Reserva 2015 (B)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viosinho, Malvasia Fina, Gouveio, Códega, Arinto, Rabigato, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

3º Bairradão em Lisboa





Foi no passado dia 28 de Maio que se realizou no Hotel Real Palácio a 3ª edição do Bairradão em Lisboa, com a habitual organização da garrafeira Néctar das Avenidas.

Tal como na anterior edição, tive oportunidade de me deslocar à sala de provas, de participar numa prova especial dedicada ao tema “A história da Casa de Santar” e ainda num jantar vínico, neste caso com vinhos da Dão Sul/Global Wines, ambos os eventos apresentados pelo enólogo Osvaldo Amado.

Já passaram 6 meses sobre o evento, pelo que seria maçador estar a enumerar os produtores presentes no evento. A lista está nas imagens anexas.

Tendo em conta que havia muito para provar, desta vez dediquei-me menos às provas livres. Andei por ali a provar sobretudo brancos e espumantes, pois o calor chamava para aí. De destacar um momento especial, com a prova dum vinho que está a ter algum impacto (pelo menos junto dos apreciadores da Bairrada), o 2221 Terroir de Cantanhede tinto 2011, feito em parceria entre a Adega Cooperativa de Cantanhede e as Caves São João: 2 produtores, 2 enólogos (Osvaldo Amado e José Carvalheira), 2 castas (Baga e Cabernet Sauvignon), 1 terroir (Cantanhede – O Cabernet Sauvignon provém da Quinta do Poço do Lobo, propriedade das Caves São João situada no concelho de Cantanhede). Simplesmente excelente! O preço condiz: cerca de 40 €!

Outro momento especial foi uma prova de vinhos da Casa de Santar, orientada pelo enólogo da Dão Sul, Osvaldo Amado. Foram provados vários tintos desde a colheita de 1994 até à de 2012. Destacaram-se as colheitas de 1994, 1995 e 2000 e 2011 pela elegância, 1998 e 2003 pela juventude ainda mostrada. O de 1996 mostrou-se em queda, com sinais claros de oxidação, enquanto o de 2012 apareceu demasiado novo, com demasiados taninos e a precisar de evolução na garrafa.

Mais para a noite houve o jantar buffet com vinhos da Dão Sul, de novo com apresentação de Osvaldo Amado. Neste foram degustados vinhos da Quinta de Cabriz, da Casa de Santar, do Paço dos Cunhas de Santar e, proveniente da Bairrada, da Quinta do Encontro.

Começou-se com o espumante Cabriz bruto natural, já nosso conhecido, que confirmou a levez e frescura que habitualmente o caracterizam e posicionam como uma aposta com boa relação qualidade/preço para quem pretende um espumante que não comprometa sem ter de pagar muito por ele. A par deste tivemos um blanc de noir, também um Cabriz produzido exclusivamente com Touriga Nacional, que mostrou alguma acidez e algum floral mas menos elegância.

Seguiram-se os brancos tranquilos, Casa de Santar Reserva 2014, Cabriz Reserva 2015 e Encontro 1 2012. Este último, o bairradino, mostrou-se claramente um vinho superior. Produzido apenas 4 a 5 vezes por década e apenas com a casta Arinto, é um branco com grande acidez e enorme estrutura, frescura e persistência. Claramente um vinho de outro campeonato. Os Cabriz e Santar mostraram a elegância e frescura habituais no Dão, com este um pouco mais estruturado que aquele.

Nos tintos tivemos alguns dos pesos-pesados: Cabriz Reserva 2012, Paço dos Cunhas de Santar Vinha do Contador 2009 e uma surpresa no final, um Cabriz 25 anos 2011, comemorativo dos 25 anos de produção da quinta, elaborado com Touriga Nacional, Tinta Roriz e Baga. Um vinho absolutamente espantoso, com um aroma extraordinário, algo absolutamente fora do comum. A par do sempre excelente Vinha do Contador, este Cabriz 25 anos conseguiu ainda estar melhor. O Cabriz Reserva 2012 cumpriu o que é habitual, num registo médio-alto, mas ao pé dos parceiros de ocasião pareceu um vinho banal...

No final ainda pudemos provar um licoroso, como agora acontece em várias regiões: onde não se pode fazer vinho do Porto fazem-se licorosos que são parecidos. Não sendo um Porto, saiu-se menos mal.

No fim dum longo dia, lá voltámos a casa regalados com tantos bons vinhos e boa comida. Sim, porque a par de tudo isto houve um jantar. A ementa está aqui. Nenhum reparo a fazer: tudo bom.

Parabéns à Néctar das Avenidas por mais um excelente evento. Hoje é dia de mais um, o 60º, a assinalar o 5º aniversário da garrafeira. Parabéns a dobrar, portanto!

Kroniketas, enófilo refastelado

terça-feira, 22 de novembro de 2016

No meu copo 566 - Douro Aveleda branco 2013


Continuamos no Douro, num branco mais simples, produzido pela Aveleda. Já provado anteriormente, mostrou-se meio seco, equilibrado, com corpo médio.

Equilibrado, com boa acidez mas sem ser exuberante. Para momentos e pratos menos exigentes.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Aveleda 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Aveleda Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Gouveio, Malvasia, Moscatel
Preço em feira de vinhos: 3,35 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

No meu copo 565 - Quinta de Cidrô rosé 2014

Voltamos a um rosé cuja primeira prova agradou bastante. Faz parte do renovado portefólio da Real Companhia Velha, especificamente com a marca Quinta de Cidrô, que já conta com um leque alargado de referências brancas e tintas produzidas com base em vinhos varietais.

No caso deste rosé, a prova anterior versou um vinho elaborado apenas com Touriga Nacional, sendo que esta colheita juntou-lhe a Touriga Franca.

Resultou um vinho mais carregado de cor, com um pouco mais de concentração e com aroma um pouco fechado no início, mas que logo se abriu no copo e se revelou sobretudo na prova de boca. Apresentou-se macio, com boa estrutura sem ser pesado, persistência e boa acidez, com final vivo e refrescante. No nariz mostra aroma intenso a frutos vermelhos e algum floral.

Uma boa compra, para continuar. É muito mais que um rosé de esplanada, é antes um rosé para a mesa, bastante gastronómico. Experimente-o com entradas diversas ou pratos um pouco ligeiros, mas não em demasia.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô 2014 (R)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

No meu copo 564 - Desconhecido 2013

Este era absolutamente desconhecido. Foi dado a provar por um amigo num almoço entre diversos convivas.

Oriundo do Douro e produzido com duas das castas tradicionais e uma redescoberta mais recentemente, mostrou um aroma vinoso e intenso, com alguma predominância de notas a frutos silvestres. Corpo pujante e estruturado, taninos ainda por polir, conferindo-lhe alguma adstringência. Pareceu ter potencial de evolução mas precisa de tempo em garrafa para integrar melhor os aromas e ficar mais redondo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Desconhecido 2013 (T)
Região: Douro
Produtor: António Gonçalves Osório
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Sousão
Preço: 7,50 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

No meu copo 563 - Fiúza Premium, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008


Voltamos à Fiúza para um lote bivarietal que tem feito um longo caminho, com bons resultados mais evidentes sobretudo na região Tejo e na Bairrada. A própria Fiúza utiliza este lote no seu rosé, tal como a Quinta da Alorna o utiliza num tinto reserva.

Este tinto já com 8 anos mostrou-se pleno de saúde, sem sinais de declínio e ainda com evidentes notas frutadas. Muito fresco na boca e com boa estrutura, final persistente e suave.

Algumas notas de madeira já bastante disfarçadas e taninos redondos. Estagiou 8 meses em barricas e 6 meses em garrafa.

Não é um vinho excelente, mas pelo perfil revelado deverá ter aptidão para ser bebido bem mais novo, pois superou bem a prova do tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Fiúza Premium, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

No meu copo 562 - Quinta do Casal Monteiro rosé 2015


Continuamos no Tejo. Este rosé foi-nos enviado pelo produtor, e tivemos oportunidade de prova-lo com um grupo mais alargado.

Temos provado muito bons rosés desta região, sendo mesmo daqui alguns dos nossos preferidos. Quinta da Alorna, Fiúza e Lagoalva são bons exemplos do tipo de rosés que temos como ideais: com boa acidez, corpo médio, aroma frutado intenso mas leves na boca e com pouco grau alcoólico.

Infelizmente, este não se mostrou ao mesmo nível, e as opiniões não foram favoráveis. Mostrou falta de acidez, sem vida, liso, chato. No aroma pouco melhor: sem exuberância, discreto em demasia.

É pena, mas não gostámos. Agradecemos a oferta desta garrafa, mas foi um rosé que não nos deixou memórias.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta do Casal Monteiro 2015 (R)
Região: Tejo
Produtor: Quinta do Casal Monteiro
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz
Preço: 5 €
Nota (0 a 10): 3

sábado, 5 de novembro de 2016

Wine Fest 2016 Porto - Convites


Wine Fest 2016 Porto
Sábado, 19 de Novembro às 15:00
Alfândega do Porto

O blog Krónikas Viníkolas disponibiliza 5 convites para o Wine Fest 2016 Porto, organizado pelo Wine Club Portugal do nosso comparsa Luís Gradíssimo, que é também autor do blog Avinhar.

Os eventuais interessados por favor enviem um mail para kronikastugas@hotmail.com.

Obrigado ao Luís pela oferta dos bilhetes às Krónikas Viníkolas e aos visitantes que se deslocarem ao evento.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

No meu copo 561 - Quinta da Lagoalva de Cima, Syrah e Touriga Nacional 2010


Damos agora um salto até Alpiarça, para uma visita à Quinta da Lagoalva de Cima.

Entre lote de Syrah e Touriga Nacional foi adquirido em 2012 e esteve a repousar até agora. 4 anos e meio depois da compra, mostrou-se macio, suave, com aroma frutado com notas florais. Na boca é medianamente encorpado, com taninos maduros e redondos.

Nos últimos meses tive oportunidade de provar alguns vinhos da Quinta da Lagoalva (aqui e aqui, e ainda há mais para provar), e o panorama geral é bastante bom. São vinhos com boa relação qualidade/preço, e com uma qualidade média-alta.

Portanto, não estando (aqueles que já provei) no patamar da excelência, são boas aquisições que representam bem a qualidade dos novos vinhos do Tejo.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Quinta da Lagoalva de Cima, Syrah e Touriga Nacional 2010 (T)
Região: Tejo (Alpiarça)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Syrah, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 29 de outubro de 2016

No meu copo 560 - Conde de Vimioso Reserva 2012

Voltamos a Almeirim para um tinto que foi uma das estrelas da Gala dos Vinhos do Tejo realizada no passado mês de Março: o Conde de Vimioso Reserva, premiado com a medalha de excelência.

Assim que me cruzei com ele numa prateleira, adquiri-o para fazer uma prova intra-blog, com a presença do tuguinho que, apesar de não escrever, continua a provar.

As expectativas não saíram defraudadas. Confirmou tratar-se de um grande vinho. Encorpado, robusto, cheio, persistente e longo, com taninos presentes e complexos, com grande estrutura de boca e profundidade aromática em que predominam as notas a frutos pretos e vermelhos.

Recomenda-se para pratos de carne bem temperados e exigentes, ganhando complexidade e elegância à medida que os aromas se libertam.

Um dos tintos de excelência produzidos sob a batuta de João Portugal Ramos. Vale bem o preço que custa e entra directamente para a lista das nossas preferências.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Conde de Vimioso Reserva 2012 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet, Syrah
Preço em hipermercado: 13,49 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

No meu copo 559 - Cabeça de Burro Reserva 2011

Aqui está um vinho com o qual não me cruzava há décadas. A única prova realizada aconteceu quando o meu leque de opções ainda era muito reduzido, e não me deixou grande impressão.

Agora houve oportunidade de prová-lo de novo. É um vinho que foge ao perfil mais frequente dos tintos do Douro muito concentrados e pujantes, primando antes pela elegância e equilíbrio. Apresenta aroma frutado mediano, taninos presentes mas suaves e final médio e macio. Fermentou com desengace total e maceração prolongada. Não é um vinho encantador, mas bebe-se muito bem, com agrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabeça Burro Reserva 2011 (T)
Região: Douro
Produtor: Caves Vale do Rodo
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,98 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

No meu copo 558 - Fiúza, 3 Castas tinto 2014

Imagine um vinho tinto feito com Syrah, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon.

Imagine também que esse vinho é produzido no Ribatejo, na região agora denominada Tejo.

Imagine ainda que esse vinho estagiou 3 meses em barricas de carvalho novas seguido de 3 meses em barricas de carvalho usadas.

O que é que espera? Possivelmente um vinho pujante, cheio, hiperconcentrado, uma bomba de fruta e com um travo marcado a madeira.

Pois não é nada disso que está dentro desta garrafa. Este 3 Castas tinto, da Fiúza, é a antítese de tudo o que se poderia esperar: um vinho aberto, elegante, suave, macio. Da madeira, quase não se sabe.

Mostra um aroma a especiarias, frutos silvestres, paladar aveludado com fruta, taninos suaves com uma agradável estrutura no final e frescura no palato.

Um vinho feito para se beber com agrado, sem grandes complicações mas muito bem conseguido. Feito para agradar à primeira, no melhor estilo dos vinhos Fiúza. À semelhança do 3 Castas branco, este tinto agrada sobremaneira por um preço imbatível.

É bom, recomenda-se e entra para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza 3 Castas 2014 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 2,33 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 16 de outubro de 2016

No meu copo 557 - Tintos velhos da Bairrada (7)

Caves São João Reserva Particular 1975; Frei João 1990


Regressamos mais uma vez aos clássicos das Caves São João, uma visita regular que gostamos de fazer. Desta vez trata-se de dois tintos que encomendámos através da Garrafeira Néctar das Avenidas, a partir de uma enorme lista de relíquias disponíveis. Fomos à procura de antiguidades mais ou menos acessíveis, e escolhemos um Caves São João e um Frei João.

O primeiro, com 40 anos de idade, mostrou-se pleno de saúde: macio, elegante, delicado, com final ainda persistente e vivo a par com uma grande suavidade. Um daqueles tintos como se fazia antigamente e que nos mostram que velhos são os trapos.

Quanto ao Frei João, sempre pouco badalado, mostrou-se ainda muito vivo, com alguma pujança e persistência, bem encorpado, muito aromático, com final macio e suave.

Duas excelentes companhias à mesa, para tornar uma refeição quase perfeita. Muito bem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada
Produtor: Caves São João

Vinho: Caves São João Reserva Particular 1975 (T)
Grau alcoólico: 12,2%
Castas: não indicadas
Preço: 33,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Frei João 1990 (T)
Grau alcoólico: 12%
Castas: não indicadas
Preço: 11,30 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

No meu copo 556 - Herdade do Peso 2013

No seguimento das provas mais recentes, é oportuno regressar à Herdade do Peso para ver como está o Colheita tinto. A prova anterior, da colheita de 2009, convenceu sobremaneira.

A verdade é que este lote é quase completamente diferente do anterior: em três castas, apenas se manteve o Alicante Bouschet. Saíram o Aragonês e o Alfrocheiro e entraram a Syrah e a omnipresente Touriga Nacional, uma espécie de emplastro nos vinhos nacionais: aparece em todo o lado.

Tirando as castas locais e entrando as castas da moda, o vinho, quanto a mim, ficou a perder. Perdeu personalidade, perdeu tipicidade. Está mais macio, mais suave, mas menos expressivo, mais delgado e mais curto. Em suma, não é um vinho do Alentejo mas mais um vinho igual a quase todos os outros.

Permitam-me a franqueza (quem sou eu para mandar palpites à maior empresa vinícola do país?), mas este não me parece ser o caminho para a Herdade do Peso se impor.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Herdade do Peso 2013 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,39 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 8 de outubro de 2016

No meu copo 555 - Sossego branco 2015; Sossego tinto 2014

Já se falou sobre estes novos vinhos da Herdade do Peso. Passei num supermercado e vi uma promoção que permitia provar o branco e o tinto gratuitamente, mediante o envio do talão de compra e posterior reembolso. Na pior das hipóteses, não perderia muito; na melhor, não gastava nada.

A Herdade do Peso, propriedade da Sogrape do Alentejo na sub-região da Vidigueira, próximo de Pedrógão, tem sido a mais recente aposta da empresa na renovação do portefólio de vinhos. Alargou-se a oferta na gama Herdade do Peso, com a mais recente aposta a ser feita num branco Colheita, entre o Vinha do Monte (vinho de entrada de gama) e o Herdade do Peso Colheita foi lançado o Trinca Bolotas tinto e agora aparece este Sossego em branco, tinto e rosé, acima do Vinha do Monte e abaixo do Trinca Bolotas.

A questão, já levantada pelo Pingus Vinicus, é esta: havia necessidade? O que trazem estes vinhos de novo, o que acrescentam em qualidade ou em leque de escolha?

Neste momento, a gama da Herdade do Peso mostra-nos isto:

- Vinha do Monte, branco e tinto: 2,99 €
- Sossego, branco, tinto e rosé: 3,99 € a 4,99 €
- Trinca Bolotas tinto: 5,49 € a 5,99 €
- Herdade do Peso, branco e tinto: 6,39 € a 7,49 €

Para que serve este escalonamento, que não mostra grandes diferenças qualitativas dum patamar para o seguinte? É que entre o Trinca Bolotas e o Herdade do Peso, prefiro pagar mais 1 ou 2 € por este. Entre o Sossego e o Vinha do Monte, prefiro este, apesar de ser mais barato.

O Sossego branco ainda cumpriu minimamente sem encantar. Mostrou-se suave e macio, com aroma discreto e final médio.

Já o Sossego tinto foi uma quase completa desilusão: delgado de corpo, com final curto, pouco aromático, desinteressante. Um vinho quase neutro, que não deixa vontade de repetir.

Estratégia de marketing, para pôr a Herdade do Peso no mapa? Claro que sim. Mas não exagerem na quantidade do que põem cá fora. É que, como aqui se comprova, da quantidade não nasce necessariamente a qualidade.

Como dizia o Diácono Remédios: não havia necessidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Sossego 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Roupeiro, Antão Vaz
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Sossego 2014 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5

terça-feira, 4 de outubro de 2016

No meu copo 554 - Vinha do Almo Escolha 2014

Adquirido com a Revista de Vinhos de Maio, e proveniente da Herdade do Perdigão.

Apesar dos encómios proferidos a seu respeito, não encantou. Apresentou-se de corpo médio, aroma discreto, final algo curto. Mas pronto, gostos são gostos, e não se tem de gostar de tudo o que nos é apresentado como muito bom. Sinceramente, não deixou memórias.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha do Almo Escolha 2014 (T)
Região: Alentejo (Monforte - Portalegre)
Produtor: Herdade do Perdigão
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

No meu copo 553 - Caves São João: 93 anos de história 2011

Já foi divulgado em muitos locais o lançamento anual dos vinhos das Caves São João que, ao longo de 10 anos, pretendem evocar a história da empresa desde a sua fundação até ao 100º aniversário, que ocorrerá em 2020. Até lá, todos os anos é lançada uma edição especial que assinala uma determinada década.

A garrafa que aqui trazemos refere-se aos anos 50 do século XX e assinala os 93 anos de história da empresa com o lançamento de um vinho feito no Dão, à imagem e semelhança do emblemático Porta dos Cavaleiros. Para isso foi usada apenas a Touriga Nacional da colheita de 2011, tendo o vinho sido lançado em 2014.

O que encontrámos nesta garrafa foi um vinho encorpado, robusto, persistente, frutado e floral, com muitos anos de vida pela frente. De cor muito carregada, aroma intenso no nariz e grande presença na boca.

Se valeu os 25 € que demos por ele? Bem, essa é outra conversa. Tratando-se dum vinho especial, o que está em causa é saber como ele é e estar disposto a pagar por isso, mais pela curiosidade em conhecê-lo do que outra coisa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Caves São João: 93 anos de história 2011 (T)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 14%
Casta: Touriga Nacional
Preço: 25,00 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

No meu copo 552 - Tapada de Coelheiros 2008

Este é um clássico do Alentejo, um dos vinhos mais afamados da região já com uma longa história.

Foi aberto e degustado numa ocasião especial, a acompanhar uns deliciosos bifes de lombo de novilho, e fez parelha com um parceiro de ocasião igualmente especial, que será referido no próximo post.

Foi decantado com cerca de duas horas de antecedência e arrefecido para ficar à temperatura apropriada. A cor apresentou-se granada com ligeira evolução, tons acastanhados ainda não muito marcados mas já bem visíveis na orla do decanter (menos evidentes no copo).

No aroma mostrou aromas secundários, frutos vermelhos discretos e ligeira especiaria Na boca mostrou-se encorpado, complexo e envolvente, persistente e longo, com um final onde os taninos aparecem redondos mas bem presentes.

Para um vinho com quase 8 anos de idade, mostrou uma saúde invejável e pareceu estar num patamar óptimo de evolução. Poderia certamente aguentar muitos mais anos em garrafa, mas foi consumido num ponto bastante favorável, pelo que não se perdeu nada em bebê-lo agora.

Dentro desta gama de preços, é um valor seguro e em que vale a pena apostar para deixar repousar na garrafeira. Vai para as nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tapada de Coelheiros 2008 (T)
Região: Alentejo (Arraiolos)
Produtor: Herdade dos Coelheiros, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 13,59 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

No meu copo 551 - A Jovem Calda Bordaleza 2011

Este é mais um vinho produzido sob a batuta de Carlos Campolargo e a fugir ao padrão tradicional da Bairrada. Neste caso, como o próprio nome indica, pretende-se obter um vinho de perfil bordalês, e assim se compreende a inclusão unicamente de castas francesas, com duas delas – Cabernet Sauvignon e Merlot – a constituírem a base dos vinhos tintos da região de Bordéus.

Fez a fermentação alcoólica separada por castas, com desengace total, em pequenos lagares com pisa mecânica ou manual, e fermentação maloláctica em madeira nova e usada. Estagiou depois em barricas de carvalho francês até 14 meses.

Apresenta uma cor rubi concentrada, aroma a frutos vermelhos com algumas notas compotadas e um ligeiro toque balsâmico. Na boca é fresco e envolvente, com boa acidez e final persistente e elegante.

É de facto um vinho de perfil menos habitual naquelas paragens mas que, mesmo não sendo extraordinário, vale a pena conhecer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: A Jovem Calda Bordaleza 2011 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Manuel dos Santos Campolargo, Herdeiros
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 8

domingo, 18 de setembro de 2016

No meu copo 550 - Paço dos Cunhas de Santar Nature 2012

Foi a segunda prova que tive oportunidade de fazer deste vinho, depois da colheita de 2010. Esta garrafa da colheita de 2012, adquirida com a Revista de Vinhos, mostrou o mesmo perfil da anterior.

Frutado, elegante, aromático e persistente, muito equilibrado entre todas as componentes. Um vinho muito agradável, com o perfil dos melhores e mais típicos tintos do Dão, por um preço simpático para a qualidade que tem. Recomenda-se sem hesitações, e está na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Paço dos Cunhas de Santar Nature 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Paço de Santar - Dão Sul
Grau alcoólico: 14%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

No meu copo 549 - Marquês dos Vales Primeira Selecção branco 2013

Na sequência de algumas provas de vinhos do Algarve provados o ano passado, ainda ficou este, proveniente de Estômbar, no concelho de Lagoa. A Quinta dos Vales tem merecido algum destaque na imprensa da especialidade devido ao seu enquadramento paisagístico e ao modo como está decorada, com esculturas diversas a marcar o espaço, conjugando a arte com a vitivinicultura e o turismo.

Este branco apresenta-se medianamente encorpado, com acidez média e final persistente, mostrando alguma complexidade na boca a par com uma certa suavidade e delicadeza. Foi provado a acompanhar uma caldeirada e cumpriu bem a função. Esta combinação de castas, embora não lhe confira um aroma muito exuberante, dá-lhe alguma estrutura e torna-o adequado para confecções de peixe não muito simples.

No panorama dos vinhos algarvios, poderá posicionar-se num patamar de qualidade médio-alto. É interessante e merecerá ser degustado com calma e paciência. Atenção à temperatura: deve ser bebido bem fresco para se expressar em pleno.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Marquês dos Vales Primeira Selecção 2013 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Quinta dos Vales
Grau alcoólico: 12%
Castas: Alvarinho, Viognier, Arinto, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 7,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 10 de setembro de 2016

No meu copo 548 - Quinta da Calçada Reserva 2013

Produzido em Amarante, com fermentação e estágio em barricas de carvalho francês durante 9 meses.

No aroma apresenta notas citrinas com algum tostado. Na boca é equilibrado, suave e com alguma frescura, embora pareça que lhe falta mais qualquer coisa para dar um salto qualitativo.

Bebe-se bem, mas não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Calçada Reserva 2013 (B)
Região: Regional Minho
Produtor: Agrimota, Sociedade Agrícola
Grau alcoólico: 12%
Castas: Alvarinho, Loureiro, Arinto
Preço com a Revista de Vinhos: 6,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 3 de setembro de 2016

5º Festival de Vinhos do Douro Superior (6ª parte)

Quinta das Bandeiras




Terceiro e último dia.

Bagagem arrumada e transportada para o autocarro, onde irá permanecer até apanharmos o comboio no Porto para o regresso a Lisboa.

O percurso começa já em direcção a norte e dura poucos minutos, até voltarmos a um percurso pedonal: vamos visitar a Quinta das Bandeiras, propriedade de Sophia e Tim Bergqvist e integrada no projecto da Quinta de La Rosa, onde o enólogo é o conhecido Jorge Moreira, autor dos vinhos Poeira em produção própria e enólogo residente na Real Companhia Velha.

Vamos subir e descer, por entre vinhas, montes, vales e por baixo dos enormes cabos de alta tensão que atravessam o monte. Na vinha, as uvas começam a despontar e já se vêem cachos com frutos pouco maiores que uma cabeça de alfinete – um bom desafio para os mais bem equipados para a fotografia tirada com detalhe.

Quando se acaba de subir, dum lado vê-se lá em baixo o Centro de Alto Rendimento onde estivemos alojados, no Pocinho, e em frente vislumbram-se algumas edificações antigas... da Quinta do Vale Meão. Ali só com calçado desportivo, e com veículos todo-o-terreno.

Desce-se, desce-se e desce-se. Curva e contracurva. As vinhas desaparecem a aparece vegetação mais densa. O caminho é íngreme e tortuoso, o que de repente me levanta a dúvida inquietante: será que vamos ter de fazer o caminho de regresso da mesma forma??? Felizmente não, porque o percurso vai terminar no fundo da encosta contrária e junto à estrada nacional que nos levará em direcção ao Porto.

As conversas sucedem-se sobre vinhas, sobre vinho, sobre caça, sobre árvores e terrenos, e até sobre linhas do caminho-de-ferro. Já quase chegados ao nosso destino atravessamos uma velha linha férrea que em tempos serviu para os comboios contornarem os montes...

Finalmente chegamos cá abaixo e do outro lado do rio temos a Quinta do Vale Meão. Num baixio mais plano foi montada uma espécie de tenda com duas mesas para almoçarmos. Jorge Moreira assume o topo de uma das mesas e vai contar-nos a história dos vinhos que iremos provar.

É nesta altura, quando estamos a provar o excelente Passagem Reserva branco, que somos informados em primeira mão de que este vinho foi o vencedor do concurso de vinhos na categoria de brancos. Provámos o Passagem Reserva branco, o Reserva tinto e o Grande Reserva tinto e um Porto LBV e um Porto Vintage. No prato, o destaque foi para um delicioso lombo de vitela com batatas assadas e salada.

Pela amostra, ficou a sensação de que este projecto tem boas pernas para andar, pois os vinhos provados foram excelentes e prometem impor-se no panorama dos vinhos do Douro. Na caso do Passagem Reserva branco, em especial, agradou-me particularmente, e pelo preço de venda indicado (10,20 €) pode ir longe.

Fim do almoço, é altura de atravessar a estrada e apanhar o autocarro que nos espera para nos levar ao Porto. Obrigado a todos os que nos receberam e acompanharam, obrigado aos companheiros de viagem pelo excelente convívio e, naturalmente obrigado à organização, com destaque para a incansável Joana Pratas, e à Revista de Vinhos pelo convite que me foi enviado para participar nesta experiência inédita.

Até uma próxima oportunidade.

Kroniketas, enófilo viajante


Foto dos vinhos vencedores do concurso: Ricardo Palma Veiga

Quinta de la Rosa
5085-215 Pinhão
Tel. 254.732.254