terça-feira, 19 de junho de 2018

No meu copo 681 - Pêra-Manca branco 2005

Passados anos, voltei a cruzar-me com esta versão em branco deste vinho emblemático da Fundação Eugénio de Almeida.

É sempre um vinho que se bebe com elevada expectativa, mas neste caso esperou tempo demais. Se os tintos velhos me deliciam, com os brancos não se passa o mesmo.

A cor era quase de mel, a frescura já se foi embora, o corpo também fazia lembrar mel, mas eram evidentes as notas de redução.

Há um ponto limite nos brancos a partir do qual o perfil muda completamente, e não é nesse que me sinto de todo confortável.

Dado o custo do vinho, é demasiado tempo na garrafa, acabando por se perder o melhor que ele tem para dar.

São gostos, e este não é o meu. Da próxima vez será um bem mais novo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Pêra-Manca 2005 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Arinto
Preço em feira de vinhos: 26,29 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Lançamento de vinhos brancos da Enoport - Cabeça de Toiro e Quinta do Boição




Com bastante atraso (o que infelizmente tem acontecido nos últimos tempos, por manifesta falta... de tempo para publicar mais depressa e... em devido tempo), aqui damos conta do lançamento de novos vinhos brancos da Enoport United Wines, que teve lugar na sede do Instituto da Vinha e do Vinho, das marcas Cabeça de Toiro e Quinta do Boição.

O evento teve a presença do enólogo Nuno Faria e do viticultor João Vicêncio, que fizeram a apresentação dos vinhos em prova, e da directora de marketing Ana Sampaio, que geriu o decorrer dos trabalhos.

Foi feita uma breve apresentação da Enoport (que como é sabido absorveu as Caves Velhas e as Caves Dom Teodósio, entre outras) e das características das regiões onde a empresa produz vinhos, Tejo e Bucelas.

Na região Tejo, demarcada em 1989 e que obteve a denominação de origem em 2000, a empresa produz vinhos na Quinta de São João Baptista, que fica situada próximo da Reserva natural do Paul do Boquilobo, na confluência do rio Almonda com o Tejo. Esta quinta fica no terroir designado como bairro, considerado o mais apto para a produção de melhores tintos.

Em Bucelas, região demarcada em 1911, são produzidos vinhos na Quinta do Boição, anteriormente propriedade das Caves Velhas, entre os quais se conta a marca clássica “Bucellas Caves Velhas”.

Pela ordem, foram apresentados os vinhos que se enumeram em seguida.

Da região Tejo vieram os seguintes vinhos:

Cabeça Toiro Reserva branco 2016

Foram produzidas 20.000 garrafas deste vinho elaborado com um lote de Arinto, Sauvignon Blanc e Chardonnay, sendo que este amadurece um mês mais cedo que o Arinto. É um vinho equilibrado e bem balanceado entre frescura e acidez.

PVP recomendado: 5,99 €


Cabeça de Toiro Reserva Arinto Edição Limitada 2016

Produzidas 5000 garrafas a partir dum clone de Arinto trazido da Quinta do Boição. Mostrou-se melhor no nariz que na boca, onde apareceu algo linear.

PVP recomendado: 11,99€


De Bucelas vieram os vinhos que se referem:

Bucellas Caves Velhas 2016

Fermentado em inox, sem madeira, com maceração pelicular. Foram produzidas 100.000 garrafas. É o Arinto clássico de Bucelas, com notas citrinas e florais muito bem definidas e um branco mais ou menos universal, para todas as ocasiões.

PVP recomendado: 3,99€


Quinta do Boição Reserva 2016

Uma nova versão deste monocasta Arinto, com um novo rótulo a evocar as cepas de vinhas muito velhas.

Vinificado com desengace total e maceração pelicular a frio, 30% termina a fermentação em barrica usada, durante 30 a 45 dias. Produzidas 8000 garrafas. É um vinho que combina acidez com alguma mineralidade e aromas a frutos exóticos, com final persistente e vivo. É um vinho mais estruturado, para pratos com outra exigência gustativa.

PVP recomendado: 11,99€


Quinta do Boição Vinhas Velhas Grande Reserva 2014, Edição Limitada e Numerada

Produzidas 2300 garrafas desta novidade, outro monocasta de Arinto. Estagiou 1 ano em barricas de carvalho francês. É um vinho volumoso e complexo, conferindo outro perfil ao Arinto, num registo menos imediato e mais exigente em termos de prova. Claramente um vinho para a mesa.

PVP recomendado: 19,90€


No final desta agradável apresentação, ainda houve tempo para um cocktail noutra sala, com diversos petiscos doces e salgados à disposição dos convidados e todos os vinhos apresentados em prova.

Dito isto, temos de deixar aqui um enorme obrigado à Enoport, com uma referência muito especial à directora de marketing Ana Sampaio pela simpatia e atenção dispensadas, e pela paciência para esperar por estas publicações...

Pela nossa parte, os vinhos da casa fazem parte dos que vamos visitando quando a ocasião se proporciona.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 11 de junho de 2018

No meu copo 680 - Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon tinto 2008

A apresentação deste vinho, ocorrida o ano passado, mereceu-nos este comentário:

O grande vinho foi mesmo o mais antigo, o lote de 2008 de Cabernet e Touriga. Disse Jorge Moreira que era pena não poderem vender todos os seus tintos com 9 anos de idade, como este. A verdade é que o vinho está... enorme! Aroma intenso e vinoso, grandes estrutura e persistência, ao mesmo tempo redondo na boca e com taninos elegantíssimos. Um portento!”

Tivemos agora oportunidade de bebê-lo à refeição. Sem surpresa. Confirmou todas as impressões anteriores. É um vinhão!

Em vez de fazer descrições, permito-me transcrever, em vez disso, quatro trechos retirados de outros sites, com a devida vénia. O que se diz abaixo dispensa mais comentários.

“Este vinho, limpo e brilhante de cor rubi profundo, foi concebido como um lote original de Cabernet Sauvignon e Touriga Nacional. Resultado do seu estágio em barricas de carvalho, o vinho demonstra intensidade e complexidade, ao mesmo tempo finesse e elegância. Equilibrado por uma excelente estrutura, mostra-se encorpado, e os aromas de fruta preta, baunilha, tabaco e chocolate revelam um enorme potencial para evolução em garrafa.”
(https://www.cavelusa.pt/produto/3103/QuintadeCidroCaberneteTourigaNacionalTinto)

“18 meses de estágio em barrica. Quase dez anos sem se dar por isso. Cheio de vitalidade. Com a barrica a abraçar a fruta, num perfil atractivo onde se notam as elegantes notas vegetais da Cabernet. É tão bem feito e tão prazeroso que, independentemente das crenças, agrada a todos.”
(https://www.joli.pt/quinta-de-cidro-novidades-para-2017/)

“Cor rubi muito escuro, retinto. No nariz são bem perceptíveis os aromas a fruta preta compotada, bem conjugada com a madeira e a baunilha. Na boca é profundo e encorpado. Possui taninos muito leves e baixa percepção alcoólica. Revela boa concentração e ligeira doçura. Final de comprimento longo com incremento de acidez.”
(https://www.continente.pt/stores/continente/pt-pt/public/Pages/ProductDetail.aspx?ProductId=5423107(eCsf_RetekProductCatalog_MegastoreContinenteOnline_Continente)

“Este vinho apresenta um estrutura poderosa com uma complexidade no olfacto impressionante. Aromas de frutos pretos, pimentos, baunilha, chocolate e notas florais típicas do Douro permitem um bouquet verdadeiramente notável. Na prova, demonstra potencia e complexidade, ainda que fino e elegante. Um vinho com elevado potencial de envelhecimento em garrafa.”
(https://fozgourmet.com/pt/portugal/1051-quinta-de-cidro-cabernet-sauvignon-touriga-nacional-2008-tinto.html)

Por tudo o que ficou dito, obviamente, entra directamente para a nossa lista de preferências. Não é barato, mas vale bem cada cêntimo que custa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2008 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço: cerca de 15 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Na Wine Company 2 - Quinta do Monte d’Oiro



Subitamente, encontrei uma pasta com umas fotografias esquecidas, duma prova que decorreu há largos meses na garrafeira The Wine Company com vinhos da Quinta do Monte d’Oiro. Esta garrafeira mudou de localização, situando-se agora na Rua Barão de Sabrosa, por trás da fonte luminosa da Alameda D. Afonso Henriques.

Apesar de já ter perdido actualidade, resolvi publicar este apontamento dada a qualidade dos vinhos em prova. Este presente o filho do produtor José Bento dos Santos, Francisco Bento dos Santos, que nos apresentou o Lybra branco e o rosé, mais uma gama de tintos de excelência.

Há quem goste mais do estilo, há quem goste menos. Há quem ache que estes vinhos não são nada de especial.

Não é o nosso caso, que já tivemos oportunidade de provar os vários vinhos da casa por mais de uma vez, e dentro dos vinhos tintos concebidos com base na casta Syrah estes estão seguramente entre os melhores produzidos em Portugal. Com um perfil diferente, ao mesmo nível só estarão os das Cortes de Cima, mas os da Quinta do Monte d’Oiro serão porventura aqueles que melhor expressam a casta em território nacional.

Baseados noutras castas (Touriga Nacional e Tinta Roriz, respectivamente), tanto o Aurius como o Têmpera mostram também um perfil de excelência. As nossas impressões, recolhidas anteriormente, confirmaram-se em pleno nesta prova.

Estes vinhos são o melhor exemplo de que a robustez se pode conjugar com a finesse e a elegância, e confirmam uma designação que inventei para eles ainda no tempo da marca Vinha da Nora: são o que eu chamo “vinhos aristocráticos”.

Sou fã de todos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

terça-feira, 5 de junho de 2018

No meu copo 679 - Casa da Passarela, A Descoberta branco 2016

Um regresso a este branco do Dão que impressionou na primeira prova e confirmou as boas sensações anteriores. Na linha desta marca intitulada “A Descoberta”, e à semelhança do que acontece com o tinto e o rosé, é um vinho elegante, suave e muito aromático, com uma boa acidez e frescura na boca.

É um valor já firmado e que se estabeleceu como uma boa escolha por um preço muito atractivo, pelo que entra nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa da Passarela, A Descoberta 2016 (B)
Região: Dão
Produtor: O Abrigo da Passarela
Grau alcoólico: 13%
Castas: Encruzado, Malvasia Fina, Verdelho
Preço em feira de vinhos: 3,99 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 2 de junho de 2018

No meu copo 678 - Quinta dos Carvalhais tinto 2010

Nem sempre este Colheita da Quinta dos Carvalhais nos tem convencido. Por vezes parece faltar-lhe alguma personalidade, alguma tipicidade do Dão, mostrando-se algo incaracterístico e indefinido.

A verdade é que quase sempre o provamos relativamente novo, com a colheita que está no mercado. Esta garrafa foi adquirida em 2015 e, provada agora em 2018, pareceu que o tempo lhe fez bem.

Apresentou-se um vinho de cor rubi carregada, muito bem equilibrado, com aromas intensos a frutos vermelhos maduros e do bosque e um bouquet amplo e profundo.

Na boca mostrou boa estrutura, com os taninos firmes mas muito redondos e equilibrados sem marcarem o conjunto, com as notas de madeira muito discretas.

Perante esta prova, parece-nos estar claramente perante um vinho de guarda e não de consumo imediato. Precisa de evoluir na garrafa, pois esse tempo fá-lo crescer para mostrar aquilo que pode dar. Neste caso, com quase 8 anos, pareceu estar no ponto óptimo de consumo, pelo que não vale a pena ter pressa em bebê-lo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Carvalhais 2010 (T)
Região: Dão
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 4,87 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 30 de maio de 2018

7º Festival do Vinho do Douro Superior

Decorreu no passado fim-de-semana, em Vila Nova de Foz Côa, a 7ª edição do já clássico Festival do Vinho do Douro Superior, como habitualmente organizado pela revista Vinho Grandes Escolhas.

Contando com um número record de participações no Concurso de Vinhos do Douro Superior, que este ano ascendeu a 184, a edição de 2018 superou também o máximo de visitantes, que ultrapassou os 9000.

Esta edição teve ainda um atractivo especial, que foi a presença do Master of Wine Dirceu Vianna Júnior, “que contactou com muitos dos produtores presentes e teve oportunidade de provar muitas dezenas de vinhos, tendo ficado impressionado com a qualidade geral exibida e com o forte dinamismo do Douro Superior” (informação oficial).

No capítulo do concurso de vinhos, porventura o evento que desperta mais curiosidade, os vencedores nas três categorias foram o Duas Quintas Reserva branco 2016 (Adriano Ramos Pinto), o ZOM Touriga Nacional Grande Reserva tinto 2011 (Barão de Vilar), e o Duorum Porto Vintage 2011 (Duorum Vinhos).

Foram ainda entregues mais 22 Medalhas de Ouro (6 para brancos, 12 para tintos e 4 para vinho do Porto) e 41 Medalhas de Prata (12 para brancos, 25 para tintos e 4 para vinho do Porto). A soma totaliza 66 vencedores (mais 15 do que no ano passado).

Obrigado a Joana Pratas – Consultoria em Comunicação pelo envio da informação e das fotos do evento.

Foto dos vinhos vencedores: Ricardo Palma Veiga.

Kroniketas, enófilo informado

sábado, 26 de maio de 2018

No meu copo 677 - Novidades da Adega Cooperativa da Vidigueira (2ª parte)

Os brancos monocasta




Foram estas as grandes novidades no portefólio da Adega Cooperativa. Com o lema White Inspiration gravado na caixa, esta nova marca VDG foi apresentada no formato de vinhos brancos monocasta da colheita de 2016 e, amavelmente, a empresa ofereceu uma caixa com os seis vinhos a cada um dos presentes.

Só agora tive oportunidade de degustá-los a todos à refeição. Provei-os em mais de uma ocasião, com entradas e com pratos de peixe. As impressões recolhidas não diferiram muito daquelas que tinha obtido durante o período de welcome drink antes do almoço no Espelho d’Água e depois no próprio almoço.

Seguindo a ordem alfabética, comecemos pelo Alvarinho. Foi uma belíssima surpresa, a confirmar que esta casta oriunda do verde Minho dá-se muito bem por terras alentejanas e traz para a planície a acidez, frescura e tropicalidade que outras castas autóctones nem sempre conseguem. Foi um dos melhores deste grupo de seis. Muito bem conseguido.

O Arinto, embora agradável e mostrando as características típicas da casta, ficou atrás do Alvarinho, com os aromas mais contidos e a acidez menos marcada. Algo delgado e corpo.

O Chardonnay não se mostrou muito expressivo em termos aromáticos, com nuances tropicais discretas, alguma estrutura sem grande complexidade e final algo curto.

O Verdelho mostrou mineralidade, boa intensidade aromática, corpo médio e final de média intensidade.

O que menos me agradou foi a novidade absoluta, o Vermentino, uma casta italiana típica da costa mediterrânica, da ilha da Sardenha e também da francesa Córsega. Talvez por não estar habituado ao perfil desta casta, achei o vinho bastante delgado, curto de boca e com sabor algo incaracterístico. A prova em casa voltou a mostrar o mesmo perfil, não me convencendo.

Finalmente, o Viognier, que disputou com o Alvarinho a primazia. Muito bom aroma, mineral, intenso, vivo e cheio na boca, final longo e persistente.

Em resumo, este conjunto de seis vinhos mostrou-se uma opção interessante para conhecer o comportamento destas castas no terroir da Vidigueira. O nível médio é bastante interessante, mas se tivesse de escolher os “meus” melhores a opção recairia no Alvarinho e no Viognier, em primeiro lugar, seguidos do Arinto no último lugar do pódio.

Quanto ao Vermentino, será preciso conhecer melhor a casta para poder compreendê-la e apreciar o seu perfil.

Obrigado aos responsáveis da Adega Cooperativa e aos organizadores pelo convite para este excelente momento e pela oferta destes vinhos. As provas mais recentes mostram que esta cooperativa está a renovar-se e a renascer no panorama vínico português. O caminho que está a ser percorrido vai certamente conduzir os destinos da empresa a um bom porto.

Vamos continuar a explorar estes vinhos, que nos ajudam igualmente a mostrar um novo Alentejo, como nas mais recentes provas dos vinhos desta sub-região.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: VDG, Alvarinho 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alvarinho
Nota (0 a 10): 8

Vinho: VDG, Arinto 2016 (B)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Arinto
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: VDG, Chardonnay 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Chardonnay
Nota (0 a 10): 7

Vinho: VDG, Verdelho 2016 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Verdelho
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: VDG, Vermentino 2016 (B)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Vermentino
Nota (0 a 10): 6,5

Vinho: VDG, Viognier 2016 (B)
Grau alcoólico: 14%
Casta: Viognier
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 23 de maio de 2018

No meu copo 677 - Novidades da Adega Cooperativa da Vidigueira (1ª parte)

No Espaço Espelho d’Água




É verdade que já passou bastante tempo, e que este post já poderia ter sido publicado. No entanto, com a presença em diversos eventos que têm ocorrido no último ano, resolvi estabelecer para alguns um critério de publicação que junte os vinhos provados durante o evento com os vinhos que nos foram oferecidos, uma vez que estes também constituíram novidade.

Assim, vamos aqui falar das novidades que, numa tarde de Primavera como as que temos nesta época do ano, a Adega Cooperativa da Vidigueira trouxe a Lisboa para apresentar aos convidados durante um almoço no Espaço Espelho d’Água, em Lisboa, ali mesmo em frente aos Jerónimos e com o Tejo quase aos nossos pés.

As boas-vindas foram dadas ao ar livre, junto ao rio, com a prova dum conjunto de novos brancos, que ficarão para a segunda parte deste artigo.

Após as degustações iniciais passámos à sala de refeições, onde pudemos provar esses e vários outros vinhos durante o almoço.

Um dos vinhos provados foi o branco Antão Vaz, que já tivemos oportunidade de provar posteriormente em mais que uma ocasião (publicado aqui).

Bem conseguido o espumante, com bastante frescura, suavidade e acidez típicas da região.

No caso dos tintos, mostraram-se ambos bastante interessantes. Gostei mais do Grande Escolha, marcado pelo Alicante Bouschet, com mais complexidade e aromática e estrutura. Achei o Reserva, composto apenas por Syrah, um pouco mais linear, conquanto apresente também algum potencial evolutivo.

Com as entradas e durante o almoço pudemos também degustar os novos brancos, que nos foram oferecidos numa caixa de 6 no final do almoço. É desses que vamos falar mais em detalhe no post seguinte.

Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 20 de maio de 2018

No meu copo 676 - Marquês de Marialva Colheita Selecionada tinto 2014

Um vinho barato e bom. Cor granada, boa estrutura na boca, complexidade quanto baste pontuada por alguma elegância e suavidade.

Um bom exemplar da moderna Bairrada num perfil mais macio para aqueles que têm dificuldades em entender-se com a Baga, aqui “amansada” pela Touriga Nacional com a qual costuma fazer boa ligação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Marialva Colheita Selecionada 2014 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 2,24 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 17 de maio de 2018

No meu copo 675 - Valle Pradinhos rosé 2016

Eis um rosé dos novos tempos e que reflecte aquilo que, na minha opinião de consumidor, deve ser um rosé.

Abstraindo da cor desmaiada, a tender quase para o incolor (uma moda que, como todas as modas, será apenas uma tendência passageira), o que interessa verdadeiramente, o aroma, o corpo e o sabor, estão no ponto certo.

O aroma é frutado e delicado, com notas florais e de frutos vermelhos silvestres. Na boca é leve, suave e macio, com boa e refrescante acidez, com um final elegante e vivo.

Foi muito apreciado, até por quem diz que não gosta de rosés...

Muito apelativo para ocasiões descontraídas. Uma excelente opção para o Verão, e mais um para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Valle Pradinhos 2016 (R)
Região: Trás-os-Montes
Produtor: Maria Antónia Mascarenhas
Grau alcoólico: 12%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 7,35 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Paixão pelo Vinho Awards & Wine Party 2018



No dia 24 de Março de 2018 a revista Paixão pelo Vinho fez a entrega dos seus prémios aos vinhos portugueses numa cerimónia que teve lugar a partir do meio da tarde no espaço Beatus, em Lisboa.

Para além da entrega de prémios, cuja lista é impossível reproduzir aqui (fica apenas a foto de família) houve direito a provas de vinhos de diversos produtores, degustação de petiscos e ainda conversas curtas com enólogos.

No nosso caso, tivemos oportunidade de provar o vinho Villa Oeiras, um DOC Carcavelos com 15 anos, apresentado pelo enólogo Tiago Correia.

Este generoso de Carcavelos foi elaborado com as castas Galego Dourado e Ratinho e incorpora aguardente vínica da Lourinhã a 77% de álcool.

Provou-se também um Colheita 2004 que recebeu um prémio prestígio, um vinho a fazer lembrar os generosos da madeira.

Relativamente aos produtores presentes, foi possível provar os vinhos Serra Brava, da Herdade Canal Caveira, uma novidade.

E não houve tempo para mais. Obrigado à Paixão pelo Vinho por mais esta oportunidade.

Kroniketas, enófilo em degustações

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Vinhos em cena 2018 – 2ª edição



Nos dias 23 a 25 de Março de 2018 decorreu a 2ª edição dos Vinhos em Cena, no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa.

Entre os muitos eventos vínicos que vão decorrendo pela capital, este distingue-se por utilizar o palco da sala de espectáculos para receber alguns dos produtores. Outros distribuem-se pelos corredores e outras salas do edifício. Ainda houve lugar a momentos musicais no palco, ao mesmo tempo que os visitantes provavam os vinhos.

A parte mais significativa, contudo, reside no facto de estarem presentes vários produtores que são quase desconhecidos do grande público, sendo assim uma oportunidade para se darem a conhecer.
Neste sentido, quero destacar um produtor do Algarve que me era completamente desconhecido, localizado perto de Loulé, que dá pelo nome de Quinta da Tôr. A grande novidade prende-se com o facto, assumido conscientemente, de apresentar dois vinhos tintos, monocasta Syrah, com elevados teores alcoólicos: 16% e 17%.

Em destaque, igualmente, os vinhos da Quinta Brejinho da Costa, localizada próximo de Grândola e próximo do mar. Com um portefólio muito interessante, destaque para os brancos monocasta Alvarinho e Sauvignon Blanc, e um tinto de Baga, um belo vinho que demonstra muita coragem! Haja coragem para arriscar num vinho de Baga na costa alentejana, e com tão bons resultados.

A Quinta Brejinho da Costa destaca-se também por possuir um programa de enoturismo em que os visitantes são convidados a provar os vinhos disponíveis e criar o seu próprio lote para degustar durante o almoço.

Finalmente, foi ainda possível provar ostras da costa de Setúbal, fornecidas pela antiga champanheria, agora Ostradomus, acompanhadas por um espumante.

Como atracção adicional, decorreram ainda alguns workshops em paralelo com a presença dos enólogos Osvaldo Amado, Vera Moreira e Mário Louro.

À sua dimensão, relativamente reduzida em comparação com outros eventos, este Vinhos em Cena pode e deve apostar na diferença e na inovação, de que a música em palco e a prova de ostras são bons exemplos a seguir.

Kroniketas, enófilo em degustações

domingo, 6 de maio de 2018

No meu copo 674 - Julian Reynolds 2006

Três anos depois, regressei a este Julian Reynolds que me encantou desde o primeiro encontro.

Esta era a última garrafa e ficou à espera durante algum tempo, para testar a prova do tempo. E passou com distinção.

Já não mostrando a robustez inicial, não apresentou quaisquer sinais de declínio nem demasiada evolução, mantendo uma cor rubi brilhante e um aroma saudável e com bastante frescura.

Na boca apresentou-se sedoso e macio, com a elegância a dominar o conjunto e aromas a especiarias a mostrar-se discretamente por trás duma predominância frutada.

Já não existe com este mesmo nome; agora há um Julian Reynolds Reserva 2009, que ainda não tive oportunidade de conhecer, quase com as mesmas castas (falta o Aragonês). Se o perfil for o mesmo, de certeza que vale a pena.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Julian Reynolds 2006 (T)
Região: Alentejo (Arronches - Portalegre)
Produtor: Reynolds Wine Growers
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço em hipermercado: 6,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Bairrada@LX – 2ª edição




Decorreu no passado dia 10 de Março de 2018 no Mercado da Ribeira, ao Cais do Sodré, em Lisboa, a 2ª edição do Bairrada@LX, um evento que pretende trazer à capital o melhor que se faz naquela tão tradicional região vitivinícola do país – uma das mais antigas, demarcada desde 1979.

A primeira edição tinha decorrido em 2015, e nesta segunda edição “a aposta foi num evento com um número restrito de produtores (20), a ter lugar num espaço maior e com excelentes acessos. Comodidade e conforto foram palavras de ordem para nós! Somos acérrimos frequentadores deste tipo de eventos e sabíamos o que queríamos e o que tínhamos que evitar. São vinte os projectos vínicos presentes é fundamental que os visitantes circulem à vontade, possam conversar com os produtores, conhecendo as suas histórias, e provar os seus vinhos sem constrangimentos. Isto aliado à degustação de sabores da Bairrada”, afirmou Ema Martins, porta-voz da Eira na Beira, empresa que organizou o certame e contou com o apoio da Comissão Vitivinícola da Bairrada.

Da press release enviada aos media constavam os nomes dos seguintes produtores:

• Adega de Cantanhede
• Ataíde Semedo
• Campolargo
• Carvalheira Wine Creators
• Casa de Saima
• Casa do Canto
• Caves Messias
• Caves São Domingos
• Caves São João
• Filipa Pato
• Kompassus
• Luís Pato
• LusoVini
• Quinta das Bágeiras
• Quinta de Baixo
• Quinta do Ortigão
• Rama & Selas
• Sidónio de Sousa
• Vadio
• VPuro


Dentro do tempo disponível para percorrer o espaço, foi possível ficar a conhecer algumas novidades muito interessantes, a começar pelos brancos e espumantes Luís Pato e Kompassus. Destaque para o novo 97 Anos de História das Caves São João, o mais recente lançamento das edições anuais a caminho do centenário e que se mostrou com muito tempo de vida pela frente, com grande robustez mas com aquela elegância que as Caves São João conseguem imprimir aos seus vinhos.

Destaque também para os vinhos Carvalheira Wine Creators, vinhos a solo do enólogo das caves, José Carvalheira, com perfil mais irreverente e a fugir ao clássico e com nomes alusivos às estações do ano e fases da lua: Hibernum, Ante Aequiontium, etc. Vinhos para explorar noutras ocasiões, com mais tempo e paciência, que normalmente não se compadecem com este tipo de eventos. Debaixo de olho ficou o Vigesimum Grande Reserva, que assinala a 20ª colheita do enólogo em nome próprio.

Passagem pelas Caves Messias, Rama & Selas, Quinta do Ortigão, sempre uma referência nos espumantes, Campolargo, Adega de Cantanhede (um nome em ascensão), Filipa Pato e, claro, pelo imperdível Quinta das Bágeiras Garrafeira tinto, com o Avô Fausto a fazer companhia.

Não deu para provar tudo, nem para assistir às conversas curtas que decorriam a intervalos mais ou menos regulares, mas deu para confirmar o que eu já sabia (e todos os fãs da Bairrada sabiam): que os vinhos bairradinos não ficam a dever nada aos de nenhuma outra região do país em qualidade e longevidade, mas não são para toda a gente apreciar num único trago. São vinhos para descobrir, explorar, compreender, saborear, e principalmente dar tempo para mostrarem tudo o que têm.

Pela minha parte, como fã desde sempre da Bairrada, não fazendo parte de nenhuma confraria nem de nenhum grupo de Bairrada winelovers ou Baga friends, continuarei sempre a divulgar aqui tudo o que de bom a Bairrada tem para oferecer aos enófilos, e manter-me-ei fiel a este meu princípio: quem nunca provou vinhos velhos da Bairrada não sabe o que está a perder.

Para os que ainda não estão convencidos pelos vinhos da Bairrada, este tipo de certame, à semelhança do Dão Capital (não confundir com o Bairradão, que é uma organização da garrafeira Néctar das Avenidas que junta as duas regiões e vai decorrer já no final da próxima semana), é uma excelente oportunidade para conhecer o que há, desde que vão sem preconceitos, de mente e sentidos abertos. Se começarem logo por “eu só gosto de tintos”, “eu só gosto de vinhos novos”, “eu só gosto de Douro e Alentejo”, “eu não gosto de espumantes”... então esqueçam, e nem vale a pena aparecer lá.

Kroniketas, bairradino indefectível

segunda-feira, 30 de abril de 2018

No meu copo 673 - Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2016

Estava prometido voltar a este vinho, e assim se fez.

Apresenta agora um rótulo novo, mais moderno e apelativo, com maior destaque à menção da casta.

Elaborado com uma das castas mais emblemáticas do país, que dá muito bons resultados na Bairrada quer em lote quer a solo, confirmou as impressões da prova anterior, revelando-se um vinho com boa estrutura a persistência, suave na boca e ao mesmo tempo vivo e intenso, com aromas citrinos predominantes e final persistente.

Temos aqui um bom exemplar dum Arinto bairradino, num registo um pouco mais encorpado sem perder as características da casta.

Muito boa relação qualidade/preço, por um valor muito interessante.

Recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Marialva Reserva, Arinto 2016 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Adega Cooperativa de Cantanhede
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Arinto
Preço em feira de vinhos: 4,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 26 de abril de 2018

No meu copo 672 - Lagoalva rosé 2016

À semelhança de provas anteriores, este rosé da Quinta da Lagoalva revelou-se um excelente acompanhamento de pratos de cozinha não portuguesa. Já o tinha experimentado com comida italiana e com dois pratos de frango, e casou na perfeição. Desta vez abri uma garrafa com comida chinesa e voltou a casar na perfeição.

A sua frescura, acidez e leveza tornam-no um parceiro adequado para pratos que, não sendo muito condimentados, requerem alguma intensidade de sabor e frescura para limpar o palato.

Pelo preço que custa é um vinho que se compra sem dificuldade e se bebe com bastante agrado. É uma aposta garantida para quem gosta de vinhos rosados leves e aromáticos, com a vantagem acrescida de ter pouco álcool, felizmente uma velha tendência que está de regresso.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lagoalva 2016 (R)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Lagoalva de Cima
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Syrah, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 4,15 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 24 de abril de 2018

44 do 25


Mais um ano.
Mais um ano de liberdade para todos, inclusive para os parvalhões que dizem que no tempo da outra senhora é que era bom. Teríamos várias sugestões para eles, mas seria dar demasiada importância ao ranço da História...

Mais um ano.
Já são quarenta e quatro. Venham outros tantos. E depois outros. Porque só em liberdade podemos escolher e evoluir.

Liberdade e Democracia para todos!
25 de Abril Sempre!

tuguinho e Kroniketas, os diletantes revolucionários

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Enóphilo Wine Fest Lisboa 2018

Organizada pelo Wine Club Portugal, do enófilo e blogger (entre outras coisas) Luís Gradíssimo, decorreu no passado sábado, dia 21 de Abril, a 5ª edição do Wine Fest Lisboa, desta com a designação Enóphilo Wine Fest.

Foi a primeira vez que pude deslocar-me ao evento, que decorreu no salão nobre do Hotel Ritz Four Seasons e contou com a participação de mais de 40 produtores de todo o país.

Entre vários nomes consagrados e sobejamente conhecidos do público, como Quinta do Regueiro, Casa da Passarela, Casa de Saima, Quinta das Bágeiras, Quinta do Cardo, Quinta de Pancas e Casa Cadaval, entre outros, a parte mais diferenciada em relação a outros certames do género prende-se com o facto de este contar com uma quantidade significativa de produtores menos conhecidos e de menor dimensão.

Lima Smith (Vinhos Verdes), Vinhos Romano Cunha (Trás-os-Montes), Luís Seabra (Douro, ex-enólogo dos Vinhos Niepoort), Inifinitude (Lisboa), Nunes Barata e Herdade do Arrepiado Velho (Alentejo) foram alguns dos produtores presentes cujos vinhos tive oportunidade de provar e que não quero deixar de destacar. Permito-me realçar os tintos Romano Cunha e Herdade do Arrepiado Velho, com uma personalidade distinta e que marca a diferença e que foram, talvez, os que mais me surpreenderam pela positiva.

No total, estiveram em prova cerca de 200 vinhos, desde os vinhos verdes até vinhos da Madeira, e ao fim da tarde o panorama da sala era o que se apresenta na foto junta.

Está de parabéns o Luís Gradíssimo pelo seu esforço nesta organização, que já conseguiu levar pelo país, tendo inclusivamente honras de entrevista televisiva no Porto Canal. O caminho é difícil e longo, mas com perseverança chega-se ao destino.

Os nossos agradecimentos pelo convite, e... até ao próximo evento.

Kroniketas, enófilo itinerante

quinta-feira, 19 de abril de 2018

No meu copo 671- Champanhe Taittinger Brut Réserve



É bem verdade que o champanhe é muito mais que uma bebida de celebração. Mas para comemorar 25 anos de casamento não há nada melhor do que um verdadeiro champanhe. Estou a falar do original, aquele oriundo da região de Champagne, no nordeste de França.

Se bem o pensei, melhor o fiz. Resolvi experimentar uma marca que ainda não tinha comprado. Esta casa possui um alargado portefólio de champanhes com as mais diversas características, preços, e até formatos de garrafa.

Este Taittinger Brut Réserve enquadra-se naquela gama de champanhes mais habitual, situada num valor entre 30 e 40 € no mercado português.

Não é o melhor que já bebi, mas correspondeu em pleno às expectativas. Muito suave e elegante, com bolha muito fina e mousse muito macia na boca, com aroma não muito exuberante com ligeiro toque a biscoito, final elegante e delicado.

Muito bem na sobremesa a acompanhar o delicioso Melhor bolo de chocolate do mundo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Taittinger Brut Réserve (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Taittinger - Reims
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Não indicadas
Preço em hipermercado: 35,89 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 16 de abril de 2018

No meu copo 670 - Fiúza, Chardonnay 2016

Este não é um belíssimo vinho, mas é um belo vinho.

Finalmente parece que em Portugal temos vinhos de Chardonnay bebíveis e a saber a vinho. Não a manteiga, não a madeira, como eram há uma década. Felizmente, parece que acabou a mania de elogiar os brancos de Chardonnay amanteigados e enjoativos, carregados de madeira e a parecer “pau líquido”. Como se isso fossem qualidades!!!

Este Fiúza Chardonnay apresentou-se com uma cor citrina brilhante, aroma cítrico e tropical, com nuances abaunilhadas. Fresco na boca, com boa estrutura, final vivo, intenso e persistente.

Ah, e não fermentou em madeira! Fermentou em inox, a 14 graus, com temperatura controlada.

Saúde-se este Chardonnay a saber e cheirar a qualquer coisa que se parece com uva... Muito agradável e guloso de beber, acompanhou na perfeição uns choquinhos fritos em azeite, alho e salsa.

Recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza, Chardonnay 2016 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12,5%
Casta: Chardonnay
Preço em feira de vinhos: 3,84 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 13 de abril de 2018

No meu copo 669 - Cabriz Reserva tinto 2013

Passados mais de 10 anos voltei ao local do crime, para repetir o prato e o vinho. Um almoço no Curral dos Caprinos trouxe à mesa o inevitável cabrito assado no forno com batata assada e esparregado, e ao copo o par quase ideal, o Cabriz Reserva tinto 2013.

Quanto ao prato não há muito a acrescentar ao que já se sabe: é um dos pratos emblemáticos da casa, que justifica sempre a visita. Tudo confeccionado no ponto certo.

Quanto ao vinho, que é o que nos traz aqui, também não há muito de novo, porque cumpriu com distinção aquilo que dele sempre se espera.

Sem ter sido pedido, o vinho foi previamente decantado e deixado repousar alguns minutos enquanto arejava, o que se revelou uma prática bastante adequada para o vinho em causa.

Tal como é mais ou menos habitual, este Cabriz Reserva mostrou um perfil robusto sem descurar a elegância, sempre contrastante com o lado mais elegante e suave do Casa da Santar Reserva. Aroma predominante a frutos vermelhos e do bosque, algumas notas balsâmicas, bem estruturado na boca, ainda com sinais evidentes de juventude e taninos bem presentes, com final vivo e persistente.

Aconselha-se assim a guarda por mais algum tempo, pois irá certamente amaciar na garrafa. Voltaremos a ele, pois há mais em casa para beber.

É um vinho que nunca nos desilude e uma aposta sempre segura, num patamar de preço quase imbatível para a qualidade que apresenta. Nem outra coisa seria de esperar, vindo donde vem.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cabriz Reserva 2013 (T)
Região: Dão
Produtor: Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 11 de abril de 2018

No meu copo 668 - XV Quinze tinto 2013

Este é um vinho diferente. Em tudo.

Desde logo, porque foi adquirido numa garrafeira online, graças a uma newsletter que o anunciava e que despertou a atenção.

Em seguida porque vem dum produtor de que praticamente não se fala mas que tem vinhos produzidos em quase todas as regiões do país.

Finalmente, porque usa o nome da graduação alcoólica que ostenta: 15 graus!

Foi pois a curiosidade que me levou a adquirir este vinho para ver o que daqui saía. O investimento não era muito elevado, portanto a perda também não o seria...

A verdade é que o vinho não desiludiu. Os 15 graus aparentemente exagerados estão bem “embrulhados” no corpo robusto e bem estruturado, mas ao mesmo tempo marcado por alguma macieza. Ou seja, não apresentou a agressividade esperada na prova de boca. A combinação de castas resulta bem, com algumas notas de especiarias e fruto maduro a marcarem um perfil aromático não muito exuberante.

No final apresenta taninos firmes mas domados e boa persistência. É um vinho interessante para pratos de carne bem temperados e com alguma robustez, mas sem excessos.

Em suma, uma curiosidade que se revelou uma surpresa agradável e interessante. Se nunca mais me cruzar com ele, pelo menos ficou a experiência.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: XV Quinze 2013 (T)
Região: Lisboa
Produtor: Vidigal Wines
Grau alcoólico: 15%
Castas: Aragonês, Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço: 5,65 €
Nota (0 a 10): 8