terça-feira, 3 de dezembro de 2019

No meu copo 806 - Quinta dos Aciprestes 2017

Viajando agora para o Douro, revisitamos um clássico da Real Companhia Velha produzido a partir das castas Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinta Barroca (surpresa: não tem Touriga Nacional).

Olhando para o portefólio da Real Companhia Velha, verificamos que nos anos mais recentes tem havido uma diversificação de marcas distribuídas por diversas quintas, em diferentes patamares de preço e com variadas composições na sua origem.

Desde os vinhos de topo da Quinta das Carvalhas, passando pelos monocasta da Quinta de Cidrô, aos vinhos da gama média ou média-alta da Quinta dos Aciprestes, até chegarmos aos vinhos de combate das marcas tradicionais como Evel e Porca de Murça, as opções são quase infinitas, tantos são os perfis dos vinhos ali produzidos (sem esquecer a gama Series, onde são produzidas pequenas quantidades de vinhos mais experimentais).

Este Quinta dos Aciprestes colheita (que por vezes chega a aparecer tão bom ou até melhor que o Reserva) mostra-se de cor granada brilhante, aroma a frutos maduros vermelhos e do bosque.

Elegante na boca, apresenta-se redondo e com taninos muito elegantes, com final suave e persistente e de boa complexidade.

Neste patamar em que nos encontramos, continua a ser uma aposta segura e que nunca nos deixa ficar mal. O preço é igualmente muito apelativo.

Excelente relação qualidade-preço e obviamente recomenda-se.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta dos Aciprestes 2017 (T)
Região: Douro
Produtor: Real Companhia Velha
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Preço em feira de vinhos: 6,54 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

No meu copo 805 - Herdade do Peso Reserva tinto 2014

Descemos agora até à região da Vidigueira para visitar a Herdade do Peso e o seu Reserva tinto.

Este é talvez o projecto da Sogrape já firmemente estabelecido (ainda se aguarda pelo que irá sair das novas aquisições em Bucelas e Portalegre) onde os vinhos ainda não parecem ter encontrado um rumo perfeitamente definido.

Os mais recentes lançamentos das marcas Sossego e Trinca Bolotas, que se juntaram ao já existente Vinha do Monte, não foram das apostas mais felizes que já vimos sair do maior produtor nacional de vinhos.

O estabelecimento da própria marca Herdade do Peso não parece estar a ter um caminho fácil para se confrontar com os seus pares alentejanos.

Mas o portefólio vai crescendo. O Herdade do Peso colheita vai fazendo o seu caminho a pouco e pouco, enquanto este Reserva tenta impor-se no patamar acima dos 10 €enquanto este Reserva tenta impor-se no patamar acima dos 10 € – um segmento de mercado de afirmação complicada – com um perfil diferenciado.

Apresenta-se de cor vermelha profunda, a tender para granada, com aroma intenso a frutos vermelhos com algum balsâmico e floral, com notas discretas de especiarias.

Na boca apresenta-se elegante e complexo, com taninos suaves e elegantes, conjugados com uma boa acidez que lhe confere vivacidade.

Envelheceu um ano em barricas de carvalho e mais um ano em garrafa.

Vale a pena prová-lo, sem dúvida, embora não seja ainda um valor completamente consagrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Peso Reserva 2014 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 11,99 €
Nota (0 a 10): 8


Foto da garrafa obtida no site do produtor

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

No meu copo 804 - Vila Santa Reserva tinto 2011

Ali ao lado, em Estremoz, situa-se a Adega Vila Santa, sede dum dos maiores casos de sucesso no Alentejo neste século.

Já muito se falou da carreira de João Portugal Ramos como enólogo, desde o tempo das várias consultorias pelo país até ao estabelecimento da sua própria produção, de que a adega de Estremoz é o braço principal.

E é do vinho que ostenta o nome da casa que aqui se fala. Já não é um jovem mas ainda não é velho. Está num bom ponto de consumo, apesar de há cerca de um ano termos tido oportunidade de provar a colheita de 2013, que estava acima de todas as colheitas que até hoje já provámos deste vinho.

Em todo o caso, este não desmerece em nada os créditos do nome que ostenta. Encorpado, robusto, encorpado e estruturado, mas simultaneamente elegante, redondo e macio, a tal fórmula que parece alquimia de tão difícil que é de criar com sucesso.

Mas há quem o consiga, e este parece ser um dos vinhos que detém o segredo.

Mais moderno e mais aberto que o Borba Reserva, é um outro perfil, necessariamente diferente, mas que faz igualmente jus ao nome da região e uma referência incontornável nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vila Santa Reserva 2011 (T)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Syrah, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

No meu copo 803 - Adega de Borba Reserva (Rótulo de Cortiça) tinto 2011

Numa voltinha pelo Alentejo, paramos numa zona clássica, entre Borba e Estremoz.

Começamos pela Adega Cooperativa, revisitando o sempre prazeroso Borba Reserva com o conhecidíssimo rótulo de cortiça.

Há alguns meses tínhamos tido oportunidade de provar a colheita de 2015, que se mostrou com um perfil mais moderno que o habitual, sendo que este 2011 remete-nos para o perfil mais clássico, onde pontua o lote igualmente clássico Aragonês-Trincadeira-Castelão complementado com o mais recente Alicante Bouschet.

Aroma um pouco mais austero que o mais recente, com notas de fruta passa e compota, um toque de madeira bem integrada e contida, boa estrutura de boca com corpo envolvente e redondo, final marcado por uma discreta adstringência e taninos suaves. Muito ligeira evolução na cor e no aroma, sem perder frescura e juventude.

Nada surpreendentemente, correspondeu a todas as expectativas. Continua a satisfazer plenamente e a corresponder ao que se espera dele. Uma escolha sempre segura dum lídimo representante dum Alentejo mais clássico.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Adega de Borba Reserva (Rótulo de Cortiça) 2011 (T)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: Adega Cooperativa de Borba
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Castelão, Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 7,48 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 19 de novembro de 2019

No meu copo 802 - Messias Bairrada Clássico branco 2012

Este foi o segundo Bairrada Clássico branco que tive oportunidade de provar, depois de duas colheitas do Frei João (aqui e aqui).

Fiquei na dúvida se este vinho já tinha sido lançado com esta idade, ou se apenas calhou cruzar-me com ele agora. Confirma-se, as Caves Messias lançaram este Bairrada Clássico branco da colheita de 2012.

E o problema foi mesmo esse. Não consigo apreciar as qualidades dos brancos muito evoluídos da mesma forma que nos tintos, e para mim este já tinha passado da conta. O tuguinho, pelo contrário, achou-o excelente.

Também beneficiou da decantação e da lenta subida da temperatura, pois apresentava evidentes sinais de redução, tendo desenvolvido aromas mais complexos com o arejamento.

Fermentou em barricas de carvalho velhas, estagiando depois um ano em garrafa. Apresenta-se com uma cor dourada bastante concentrada e notas de evolução acentuada no nariz. Na boca mostrou boa estrutura e final longo.

Não sendo este o estilo que mais me agrada, não consigo avaliá-lo tão bem como o vinho anterior. É preciso gostar mesmo do estilo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Messias Clássico 2012 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 12%
Castas: Bical, Cercial
Preço: 19,85 €
Nota (0 a 10): 6,5

sábado, 16 de novembro de 2019

No meu copo 801 - Caves São João: 98 Anos de História 2017

Começamos mais uma centena de provas com mais um grande vinho.

Prosseguindo a tradição da década até 2020, as Caves São João lançaram mais uma edição “Rumo ao centenário”. Esta é a antepenúltima edição e é proveniente da colheita de 2017 no Dão.

O tema para esta década evoca a descodificação do genoma humano, ilustrada com uma espiral representativa do ADN.

É um vinho que apresenta uma acidez bem marcada, aroma muito contido no início e algo austero na prova de boca, o que demonstra potencial para crescer em garrafa.

Abre após decantação, mostrando notas de fruta madura com algum citrino e alguma mineralidade, tornando-se mais envolvente e libertando uma estrutura e complexidade que vão aparecendo a pouco-e-pouco, em pequenas camadas, a cada copo.

Fermentou em barricas usadas e estagiou sobre borras finas.

Seria curioso prová-lo daqui a cerca de um ano, mas o 99 Anos de História está por aí mesmo a sair... Entretanto, o 97 Anos de História está guardado à espera de oportunidade para ser bebido em boa companhia.

A história de todos estes vinhos está contada no renovadíssimo site das Caves São João, cuja visita aconselhamos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Caves São João: 98 Anos de História 2017 (B)
Região: Dão
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Encruzado (80%), Cerceal, Malvasia Fina
Preço: 30 €
Nota (0 a 10): 8,5

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

800 provas - Resumo de vinhos

Foram estes os vinhos provados durante a sétima centena de posts.


Espumantes e Champanhes

Terras do Demo Bruto 2017 - 8,5
Veuve Clicquot (França - Champagne) - 9



Rosé

Dão
Casa da Passarela, A Descoberta 2016 - 8

Lisboa
Lybra 2016 - 7,5

Alentejo
Monte da Ravasqueira Clássico 2016
Monte da Ravasqueira Seleção do Ano 2016


Sem denominação de origem
Mateus Rosé Original - 7



Brancos

Verdes
João Portugal Ramos, Loureiro 2018 - 7
Palácio da Brejoeira, Alvarinho 2014 - 8,5
Soalheiro, Alvarinho 2016 - 8
Soalheiro, Alvarinho 2018 - 8
Tormes 2018 - 5

Douro
Colinas do Douro Superior 2016 - 7,5
Couquinho Superior branco 2018 - 8
Duas Quintas Reserva 2017 - 8,5
Grandjó Meio Doce 2018 - 7,5
La Rosa 2018 - 8
Quinta de Cidrô, Alvarinho 2017 - 8
Quinta de Cidrô, Chardonnay 2017 - 8
Quinta de Cidrô, Sauvignon Blanc 2017 - 8

Bairrada e Beiras
Frei João Clássico 2015 - 8,5
Frei João Clássico 2016 - 8
Poço do Lobo, Arinto 1995 - 9
Quinta de Foz de Arouce 2015 - 8

Tejo
Cabeça de Toiro, Sauvignon Blanc 2016 - 7
Fiúza, Sauvignon Blanc 2015 - 8
Fiúza, Sauvignon Blanc 2018 - 8
Quinta da Alorna Colheita Tardia 2015 - 8

Lisboa
Lybra 2015 - 8
Quinta de Pancas Reserva, Arinto 2015 - 8
Quinta de Pancas Reserva, Chardonnay 2015 - 7,5
Quinta de São Francisco Colheita Tardia 2010 - 8
Quinta do Gradil, Sauvignon Blanc e Arinto 2018 - 7,5

Bucelas
Morgado de Sta. Catherina Reserva 2016 - 8,5

Península de Setúbal
Bacalhôa, Greco di Tufo 2016 - 8
João Pires 2018 - 7

Alentejo
Esporão Reserva 2016 - 8
Marquês de Borba Colheita 2018 - 8
Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 - 8
Monte da Ravasqueira Clássico 2016
Monte da Ravasqueira Seleção do Ano 2016
Monte da Ravasqueira Superior 2016
Reguengos Selecção 2016 - 7
Tapada de Coelheiros 2014 - 8,5
Vale Barqueiros Colheita Seleccionada 2017 - 7,5
Vidigueira Premium 2017 - 7

Algarve
Marquês dos Vales Primeira Selecção 2017 - 7




Tintos

Trás-os-Montes
Valle Pradinhos Reserva 2016 - 8

Douro
Bafarela Reserva 2016 - 8
Cabeça de Burro Reserva 2014 - 7,5
Callabriga 2016 - 8,5
Duas Quintas 2010 - 8
Duas Quintas Celebração - Quinta de Ervamoira - 8,5
Duas Quintas Reserva 2008 - 9
Duorum 2012 - 8
Duorum 2014 - 8
Pacheca Reserva Vinhas Velhas 2014 - 8
Prazo de Roriz 2016 - 8
Post Scriptum 2016 - 8
Quinta da Leda 2016 - 9
Quinta da Soalheira 2016 - 8
Quinta de Cidrô, Pinot Noir 2016 - 8
Quinta de Cidrô, Touriga Nacional 2016 - 8,5
Quinta de Cidrô, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2015 - 9
Quinta do Vesúvio 2016 - 8

Dão
Cabriz Reserva 2009 - 8
Casa de Santar Reserva 2009 - 8
Pedra Cancela, Selecção do Enólogo 2010 - 8
Pedra Cancela, Selecção do Enólogo 2015 - 7,5
Ribeiro Santo Reserva 2013 - 7,5
Sogrape Reserva 1985 - 8,5
Sogrape Reserva 1999 - 8,5

Bairrada
Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996 - 9

Tejo
Cabeça de Toiro Reserva, Castelão 2016 - 7
Casa Cadaval, Cabernet Sauvignon 1993 - 8
Falua Unoaked Reserva 2015 - 7,5
Fiúza Premium Reserva, Alicante Bouschet 2016 - 7,5
Fiúza, Cabernet Sauvignon 2015 - 8
Fiúza, Touriga Nacional 2015 - 7,5
Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2013 - 7,5

Lisboa
Casa Santos Lima, Cabernet Sauvignon 2014 - 7,5
Casa Santos Lima Reserva 2012 - 8
Grand'Arte, Shiraz 2011 - 7,5
Grand’Arte, Touriga Nacional 2012 - 8
Lybra 2006 - 8
Quinta do Gradil Reserva 2010 - 8

Península de Setúbal
Domingos Soares Franco Colecção Privada, Grand Noir 2015 - 8,5
Quinta da Bacalhôa 2014 - 8
Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2015 - 8

Alentejo
Adega de Borba Reserva (Rótulo de Cortiça) 2015 - 8
CARMIM, Bastardo 2000 - 8
CARMIM, Trincadeira 2000 - 8
Coelheiros 2016 - 7,5
Defesa do Esporão 2014 - 7,5
Esporão Colheita 2015 - 8
Esporão Reserva 2016 - 8,5
Esporão, Aragonês 2000 - 8,5
Esporão, Bastardo 1999 - 8
Esporão, Bastardo 2000 - 8
Esporão, Cabernet Sauvignon 1998 - 9
Esporão, Trincadeira 2000 - 8,5
Estremus 2011 - 9
Herdade do Peso 2014 - 8
Herdade dos Grous 2015 - 7,5
Marquês de Borba 2016 - 8
Marquês de Borba Colheita 2017 - 7,5
Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 - 8
Monte da Ravasqueira Clássico 2016
Monte da Ravasqueira Seleção do Ano 2016
Monte da Ravasqueira Superior 2016
Portalegre DOC 2015 - 8,5
Pousio Selection 2016 - 5
Quinta da Viçosa TC 2011 - 8,5
Reguengos Reserva 2015 - 7,5
Reguengos Reserva dos Sócios 2014 - 8
Reguengos Selecção 2016 - 7
Reserva do Comendador 2013 - 8,5
Vale Barqueiros Colheita Seleccionada 2015 - 7,5
Vale Barqueiros Reserva 2015 - 8
Vila Santa Reserva 2013 - 8,5



Estrangeiros

Brancos

Alemanha
Forster, Riesling 2014 (Pfalz) - 8,5

Itália
Tormaresca, Chardonnay 2017 (Puglia) - 8



Tintos

Austrália
Rosemount GSM 2013 (McLaren Vale) - 7

França
Cuvée Saint-Vincent, Pinot Noir 2016 (Borgonha) - 9

Itália
Torri d’Oro, Primitivo di Manduria 2016 (Puglia) - 8,5

Israel
Gamla, Cabernet Sauvignon 2015 (Upper Galilee) - 8

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

No meu copo 800 - Quinta da Leda 2016

Terminamos a oitava centena de provas com uma inevitável visita a um dos nossos vinhos de eleição, como é da tradição aqui no blog.

Neste caso voltámos à Sogrape e à Casa Ferreirinha para provar um dos grandes vinhos produzidos na Quinta da Leda, no Douro Superior: é precisamente aquele que tem o nome da quinta, neste caso a colheita mais recente, de 2016.

O vinho está em excelente momento para se beber mas poderá ainda crescer em garrafa. Os taninos ainda têm algumas (pequenas) arestas que poderão amaciar, mas revelam-se já muito sedosos e equilibrados. A madeira (18 meses de estágio em barricas de carvalho francês, metade novas e metade usadas) está muito bem integrada no conjunto, quase sem se fazer notar.

O aroma é complexo e profundo, com notas balsâmicas e de frutos pretos juntamente com algum floral e um fundo a especiarias. Com grande volume de boca e bem estruturado mas ao mesmo tempo macio, vai-se revelando ao longo da prova com maior complexidade e acidez correctíssima.

O final é longo e intenso, pontuado por uma ligeira adstringência.

Enfim, tal como nos habituou, é um grande vinho que, apesar de caro, merece cada cêntimo pago por ele.

Saúde!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Leda 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 35 €
Nota (0 a 10): 9


Foto da garrafa obtida no site do produtor

domingo, 27 de outubro de 2019

No meu copo 799 - Esporão Reserva tinto 2016

Mais um superclássico, um vinho que é uma bandeira no Alentejo e mesmo no país.

É uma das marcas de destaque que há mais tempo se produz em Portugal, tendo visto a luz do dia no já longínquo ano de 1985, e foi também uma das primeiras marcas que me cativaram. Provavelmente já tudo foi dito sobre o Esporão Reserva tinto e não haverá mais nada a acrescentar, mas cada prova parece sempre guardar-nos um prazer renovado que se redescobre a cada copo.

Durante algum tempo, na primeira década deste século, chegou a parecer ter perdido algum encanto, quando algumas colheitas do Quatro Castas Reserva estavam mais interessantes. Mas na colheita de 2006 (há precisamente 10 anos) reencontrei-me com ele em todo o seu esplendor, e nunca mais lhe perdi o rasto.

A verdade é que de ano para ano o Esporão mantém-se como uma referência na gama de vinhos que andam ali à volta dos 15 €. E quando encontro vinhos que oscilam nesse patamar entre os 10 e os 20 €, o meu termo de comparação para a relação qualidade-preço é quase sempre o Esporão Reserva. Basta fazer esta simples pergunta: vale mais que o Esporão?

Esta colheita de 2016, a mais recente disponível no mercado, está prontíssima a beber. A cor é rubi brilhante, o aroma frutado intenso com notas de especiarias e frutos silvestres, boa textura com acidez equilibrada e taninos macios, madeira muito discreta e integrada, final longo e sedoso, tudo parece estar no ponto e no sítio certo. Nem de mais, nem de menos.

Estagiou 1 ano, 60% em carvalho americano e 40% em carvalho francês, seguindo-se mais 8 meses em garrafa.

É um vinho delicioso, duma elegância invulgar, em que é difícil encontrar defeitos. Pura seda! Beba-se, portanto, sem hesitações!

Uma referência incontornável. Um must.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2016 (T)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,98 €
Nota (0 a 10): 8,5


Foto da garrafa obtida no site do produtor

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

No meu copo 798 - Cabriz Reserva tinto 2009

Voltamos aos clássicos do Dão e ao mundo da Global Wines, agora para o outro tinto emblemático da empresa, produzido na Quinta de Cabriz (é verdade, não está aqui o Paço dos Cunhas de Santar, mas esse é outro campeonato).

Tal como o Casa de Santar Reserva, este Reserva da Quinta de Cabriz tem-nos acompanhado ao longo dos anos, frequentemente em provas comparadas. Desta vez não foi em simultâneo, mas aconteceu com pouco tempo de intervalo provarmos os dois, ambos da colheita de 2009.

Mais uma vez foi ao encontro das nossas expectativas. Apresentou-se com uma estrutura bem firme e alguma robustez, mas já amaciado pelo tempo. As notas frutadas já não estavam tão evidentes mas ainda se encontra ali uns sinais de frutos pretos e vermelhos lá no fundo, envolvidos por taninos arredondados e um leve toque de madeira.

O final é longo e amplo, com alguma complexidade e revelando alguma suavidade dada pelo tempo.

Muito bem como sempre, nada mais a acrescentar.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Cabriz Reserva 2009 (T)
Região: Dão
Produtor: Global Wines
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 19 de outubro de 2019

No meu copo 797 - Quinta da Bacalhôa tinto 2014

Mais um clássico, que apareceu no panorama nacional como um dos primeiros tintos produzidos com perfil bordalês, para o que lhe são adicionadas as duas castas tintas mais importantes da região mais famosa do mundo. O Cabernet Sauvignon predomina, mas também há uma percentagem de Merlot incluída no lote, tal como habitualmente acontece em Bordéus.

Ao longo dos anos tenho tido uma relação difícil com este vinho. Houve tempos em que o achava excessivamente marcado pela madeira, que se sobrepunha a tudo o resto.

Entretanto os métodos evoluíram, os gostos também. Hoje continua a ser uma das marcas mais prestigiadas no país, de tal forma que a própria empresa (que antes se chamava J. P. Vinhos) lhe adoptou o nome e actualmente já produz diversas marcas agrupadas sob o nome Bacalhôa.

Está um vinho mais amigável, mais frutado, menos amadeirado. Bem estruturado na boca, apresenta alguma elegância.

Não se pode dizer que não é um bom vinho, porque é. Mas, como acontece com outras marcas bem cotadas, fico sempre com a sensação de que lhe falta mais qualquer coisa para ser um grande vinho, e não apenas mais um bom vinho...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Bacalhôa 2014 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Bacalhôa Vinhos
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot
Preço em feira de vinhos: 14,68 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 15 de outubro de 2019

No meu copo 796 - Duas Quintas tinto 2010

Este é uma espécie de superclássico, cujo lançamento remonta à colheita de 1990. Faz parte da história, e provavelmente os mais bem informados saberão que foi o primeiro vinho tinto produzido com uvas da Quinta de Ervamoira sob a batuta enológica de João Nicolau de Almeida.

Tive a felicidade de provar essa primeira colheita e desde então sempre o acompanhei com regularidade. É um daqueles vinhos em que podemos confiar que nunca nos irão desiludir.

Também aqui foi um pouco posto à prova, perante o juízo do tempo. Bastante mais fechado no início do que o Casa de Santar Reserva, referido no post anterior. Alguns aromas de redução fizeram com que fosse necessário esperar pelo devido arejamento, de modo a que o vinho voltasse à normalidade.

Ultrapassado esse período inicial, reencontrámos então o clássico: bastante concentrado na cor, com frutos vermelhos predominantes no aroma, complexo e amplo na boca e com final persistente, ainda a mostrar alguma robustez.

Mesmo já com alguma idade, mostrou que estava ali para as curvas, embora, também neste caso, não pareça valer a pena guardá-lo por mais tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Duas Quintas 2010 (T)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta da Barca
Preço em feira de vinhos: 8,49 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

No meu copo 795 - Casa de Santar Reserva tinto 2009

Damos agora uma volta por alguns clássicos, e começamos pelo Dão, com uma das marcas mais prestigiadas da região.

Este é um dos vinhos emblemáticos do Dão e da antiga Dão Sul, agora Global Wines. Ao longo dos anos tem mantido uma consistência qualitativa assinalável, sempre num patamar médio/alto.

A característica mais marcante dos vinhos da Casa de Santar – até por contraponto com os da Quinta de Cabriz, a outra marca clássica da empresa – é a elegância que apresentam, a par com notas frutadas onde predominam os aromas do bosque e de frutos vermelhos.

No caso desta garrafa em concreto, forcei um pouco a nota ao deixar o vinho tantos anos à espera para ver como se comportava.

É verdade que perdeu alguma frescura e inicialmente os aromas estavam fechados, mas foi-se libertando depois da abertura. A cor continua a mesma, dum rubi brilhante e suave, e na prova de boca mantém-se a elegância como característica predominante.

Em conclusão, aguentou-se bem mas não ganhou em esperar tanto tempo. Beba-se um pouco mais jovem para o encontrar com mais vivacidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa de Santar Reserva 2009 (T)
Região: Dão
Produtor: Sociedade Agrícola de Santar - Global Wines
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro
Preço em feira de vinhos: 9,14 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

No meu copo, na minha mesa 794 - Fiúza, Sauvignon Blanc 2018; La Fragata (Vilamoura)




Ainda em período de férias, um fim de tarde levou-nos à marina de Vilamoura onde quase por acaso abancámos numa esplanada. Visto de fora, o aspecto do local era bom, a ementa no exterior também, e assim se avançou para uma refeição com tudo de inesperado.

Tal como acontece com muitos outros estabelecimentos da marina, este restaurante tem um espaço interior, no edifício propriamente dito, e do outro lado da rua uma esplanada que termina mesmo em cima da marina, a meia-dúzia de metros dos iates ali ancorados. O enquadramento não poderia ser melhor.

O menu e o serviço estão na mesma linha. Não se pode esperar comer barato naquele local, portanto é melhor dar uma olhadela à carta afixada no exterior. O único senão é que a versão inglesa do menu tem alguns “portuguesismos” um bocadinho mal-amanhados. Um bom dicionário teria ajudado...

Começou-se por uma entrada de cocktail de camarão, que cumpriu perfeitamente o que se esperava e ligou na perfeição com o vinho escolhido.

Seguiram-se os pratos principais, neste caso filetes de robalo e filetes de espadarte. Aquele melhor que este, que estava um pouco seco. De resto, o conjunto estava bastante bom.

Finalmente a sobremesa, com um preço quase pornográfico (7 €) mas de acordo com o resto. Um crème-brulée, nome pomposo para o leite-creme, mas não desmereceu.

Serviço atencioso, simpático e eficiente. Destaca-se o elevado profissionalismo com que tudo é feito, o que é de realçar sabendo-se que o nosso turismo deixa muito a desejar em termos de procura da excelência.

O local é bastante frequentado e ao entardecer a esplanada estava cheia. Já o espaço interior do restaurante estava meio vazio, o que se compreende. Nestas circunstâncias, a refeição foi bastante satisfatória, com o preço a condizer.

Para acompanhar estes acepipes socorri-me dum valor garantido e duma das minhas castas preferidas. O Fiúza Sauvignon Blanc é um daqueles vinhos que são sempre apostas seguras, e neste caso ligou na perfeição com a entrada e os filetes.

Muita frescura na boca, aroma frutado com notas tropicais e florais e um ligeiro toque vegetal, boa amplitude e acidez, com um final vibrante e intenso.

Muito bem como se esperava, um excelente vinho de Verão para peixes delicados. A manter sempre debaixo de olho.

Kroniketas, enófilo itinerante

Vinho: Fiúza, Sauvignon Blanc 2018 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 12%
Casta: Sauvignon Blanc
Preço em feira de vinhos: 4,06 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: La Fragata
Avenida da Marina, Edifício Marina Garden, Loja A
Vilamoura
8125-401 Quarteira
Preço por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 4,5

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Na minha mesa 793 - Bulli & Pupe (Praia da Rocha)




Este restaurante já tem uns anos e é uma referência da cozinha italiana na zona.

Com uma vasta ementa composta por quase todas as opções possíveis, incluindo pizzas, pastas e massas, é uma opção interessante para quem quiser explorar uma cozinha italiana que não se esgota no trivial da pizza, da lasanha de carne ou do esparguete à bolonhesa.

Existem muitas variedades de pratos com diferentes composições e diversos tipos de massa. Do que já se experimentou, a confecção é irrepreensível, com uma qualidade a que é difícil apontar defeitos.

Em época de férias de Verão, como é típico, a sala enche cedo e não aceitam reservas, pelo que é conveniente optar por um horário de jantar antecipado.

No que respeita às bebidas, existem algumas opções de sangria de espumante que podem fazer boa parceria com os pratos. A carta de vinhos não é especialmente aliciante, e o vinho da casa, se for tinto, é servido quente, portanto é melhor esquecê-lo.

Não sei se foi da época, mas dos vários empregados que vieram à mesa cada um falava um idioma diferente. E nenhum deles português... Talvez não seja má ideia ensinar-lhes o idioma do país onde trabalham para falar com os clientes.

Kroniketas, gastrónomo itinerante

Restaurante: Bulli & Pupe (italiano)
Avenida Tomás Cabreira
Praia da Rocha
8500-502 Portimão
Telef: 282.415.645
Preço por refeição: 20 €
Nota (0 a 5): 4

terça-feira, 1 de outubro de 2019

No meu copo 792 - Quinta do Gradil, Sauvignon Blanc e Arinto 2018

Um convite da Parras Wines levou-me, juntamente com outros dois enófilos e bloggers, à Quinta do Gradil para uma apresentação de alguns novos vinhos e novas colheitas de vinhos já existentes.

O evento consistiu numa pequena visita às instalações principais, uma prova de alguns vinhos a acompanhar entradas e finalmente um jantar com menu elaborado para a ocasião. Disto falaremos proximamente num post específico.

No final do jantar ainda nos foram oferecidos alguns vinhos (dois brancos, um tinto e um rosé) para trazermos para casa. É dum desses brancos que agora aqui se fala.

Este é mais ou menos um clássico nas nossas mesas, embora a última prova remonte há cerca de 3 anos, mas sempre se constituiu como uma aposta segura numa gama abaixo dos 5 €.

Mantém as características que dele esperamos: boa acidez e frescura na boca, aromas com notas de algum citrino, frutos brancos e tropicais, estrutura média e final com boa persistência e vivacidade.

E não há muito mais para acrescentar, é um vinho que vale sempre a pena revisitar e nunca nos desilude.

Surpresa, surpresa, foi o Alvarinho, anunciado como “um branco que vai dar que falar”... Mas esse ainda está guardado à espera duma segunda prova.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Gradil, Sauvignon Blanc e Arinto 2018 (B)
Região: Lisboa (Óbidos)
Produtor: Quinta do Gradil - Sociedade Vitivinícola
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Sauvignon Blanc, Arinto
Preço em feira de vinhos: 4,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

No meu copo, na minha mesa 791 - Marquês dos Vales Primeira Selecção branco 2017; Taberna da Maré (Portimão)


É um dos restaurantes da moda em Portimão. Situado na zona da antiga lota, vulgarmente conhecida como “debaixo da ponte”, fica num local onde os restaurantes típicos se sucedem porta-com-porta (melhor dito seria esplanada-com-esplanada) e onde no Verão os clientes se acotovelam a partir das 8 da noite, principalmente para comer sardinhas assadas.

Até já as televisões descobriram a Taberna da Maré, e a SIC Notícias foi lá filmar para o Boa Cama Boa Mesa, enquanto a SportTv levou lá dois jogadores do Portimonense para a apresentação das equipas da nova época. Em ambos os casos, procuraram os carapaus (ou sardinhas) alimados, prato muito típico da região.

Para uma refeição baseada na gastronomia típica (com comida normal e não recriações estapafúrdias com espumas, camas e a fumegar...), a Taberna da Maré é, hoje por hoje, um dos locais a visitar. Come-se principalmente na rua (há uma esplanada de cada lado) o que permite ir apreciando o movimento dos passantes e dos funcionários que entram e saem do restaurante em grande azáfama.

A ementa tem muito por onde escolher, sendo os pratos à base de peixe a grande especialidade. Dentro destes, há um que pela sua originalidade desperta a atenção: chama-se “filetes pirilau com açorda”. O dito pirilau é o nome por que é conhecido um pequeno peixe de forma oblonga e que faz estes deliciosos filetes, que fazem lembrar os de peixe-galo.

Também a açorda de acompanhamento é uma especialidade, e recomenda-se vivamente para quem é apreciador do petisco.

A carta de sobremesas também é generosa, sendo que, coisa rara, a mousse de chocolate é verdadeiramente uma delícia, feita com todos os matadores. Sabor irrepreensível e consistência no ponto exacto, nem demasiado rija nem amolecida.

Das duas vezes que tive oportunidade de lá passar aconteceram ambas em Agosto, no pico da época de veraneio, pelo que o serviço pode tornar-se demorado e problemático.

Igualmente problemática é a gestão das mesas: só são aceites reservas até às 20:00, a partir daí é por ordem de chegada e pode ser demorado. Em grupos numerosos, só se sentam quando estão todos presentes, pois há sempre mais alguém à espera de mesa. Portanto o melhor é chegar bem cedo, e com sorte fica na esplanada.

No meio desta azáfama, várias pessoas nos atendem sempre com um sorriso. O serviço é tão eficiente quanto possível nesta época. Em Agosto no Algarve é melhor ir com paciência para as falhas que possam surgir. E quando a afluência aperta, é o próprio dono que vem para a rua orientar a distribuição dos clientes pelas mesas.

Falta falar do vinho. Em Roma sê romano, e embora houvesse outras hipóteses garantidas (como o inevitável Planalto), optou-se por um vinho da Quinta dos Vales de Estômbar, ali mesmo ao lado em Estômbar. Embora as castas tenham potencial, a verdade é que o vinho não convenceu grandemente. Frescura na boca quanto baste mas alguma falta de acidez, tornando-o algo linear a tender para o chato. A prova anterior deste vinho tinha sido bem mais convincente, com um outro lote de castas. A mudança de castas não parece ter melhorado nada.

Por algumas experiências recentes, parece haver um problema com a acidez dos vinhos algarvios. Têm tendência a ser lisos e tornar-se pesados e enjoativos. Aliás, já não é a primeira nem a segunda vez que isto acontece em lotes com Antão Vaz, até mesmo no Alentejo. Não basta mudar a casta de local para os resultados serem brilhantes.

Algo tem de ser corrigido para poderem ganhar outra visibilidade. Curiosamente isto não acontecia com o Alvor Singular, que tive oportunidade de provar vários anos e sempre se mostrou bastante agradável e com vivacidade (agora está a ser produzido pela Aveleda com a marca Villa Alvor). Mas o panorama mais geral não parece ser este. Têm a palavra os viticultores e os enólogos, e espero que o caminho não seja o regresso aos insuportáveis excessos de madeira e de álcool e às sobrematurações, porque disso já tivemos que chegasse.

Kroniketas, enófilo itinerante

Vinho: Marquês dos Vales Primeira Selecção 2017 (B)
Região: Algarve (Lagoa)
Produtor: Quinta dos Vales - Agricultura e Turismo
Grau alcoólico: 12%
Castas: Viognier, Arinto, Antão Vaz
Preço: 7,5 €
Nota (0 a 10): 7

Restaurante: Taberna da Maré
Travessa da Barca, 9
8500-755 Portimão
Telef: 282.414.614
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4

terça-feira, 24 de setembro de 2019

No meu copo 790 - Post Scriptum 2016

Dentro do vasto portefólio de vinhos da Symington Family Estates, onde simultaneamente cabem os vinhos do Porto e os vinhos de mesa produzidos a solo ou em parceria com Bruno Prats, algumas marcas correm mais ou menos em paralelo dentro dos universos Chryseia e Quinta do Vesúvio.

O projecto Chryseia nasceu em 1999 da parceria com Bruno Prats com o objectivo de produzir vinho à maneira de Bordéus. Nesta gama de vinhos inclui-se o Post Scriptum, com uvas provenientes da Quinta de Roriz e da Quinta da Perdiz, na zona do Cima Corgo.

Elegante, aromático, suave, apresenta notas de fruto maduro e concentrado, com boa acidez e grau alcoólico moderado, mostrando-se um vinho prontíssimo a beber devido ao seu equilíbrio.

Nos tempos que correm, em que se passou pelo exagero do álcool, da extracção e da madeira (e em que o Douro foi das zonas onde mais se notou esse exagero), saúda-se a presença dum vinho em que nada está em excesso e que por isso se pode usufruir na sua plenitude.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Post Scriptum 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Prats & Symington
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 11,29 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Na minha mesa 789 - Maria do Mar (Portimão)




Este foi descoberto há um ano, mas já tem algum prestígio. É um espaço diferente, com um conceito diferente: todos os petiscos são baseados em conservas de peixe, uma indústria que foi florescente na cidade nas décadas de 60, 70, 80...

No pós-25 de Abril, como outras actividades que entraram em crise devido às mudanças socioeconómicas, a indústria das conservas de peixe foi decaindo até se tornar apenas uma recordação para o Museu ou para atracções turísticas. O local onde durante décadas pontificou a fábrica de conservas Feu, na chamada “estrada da Rocha” (a estrada que era a principal ligação entre a cidade e a praia da Rocha) está agora ocupado com uma construção de condomínios de férias.

O que este pequeno espaço (não alberga mais de 30 pessoas) situado na tradicional Rua Direita (quase em frente à tradicional Carvi) evoca é precisamente a época áurea da indústria das conservas de peixe, oferecendo ao cliente um conjunto de opções que passam pelas bruschetas, tibornas e hambúrgueres, baseados em sardinha e cavalas.

Todos os petiscos são servidos com uma boa dose de vegetais (sobretudo alface), muito alho, cebola e azeite. Os temperos mediterrânicos tradicionais.

Vale a pena experimentar, mesmo que para isso seja preciso esperar um bocado na rua. Como não há reserva de lugares, é preferível ir cedo.

É um local diferente onde se deve ir de espírito aberto para novas experiências.

Kroniketas, gastrónomo itinerante

Restaurante: Maria do Mar
Rua Direita, 89
850-626 Portimão
Preço por refeição: 10 €
Nota (0 a 5): 3,5

domingo, 15 de setembro de 2019

No meu copo 788 - Frei João Clássico branco 2016

Foi a segunda colheita deste branco das Caves São João que recebeu a designação “Clássico”.

Tal como na colheita anterior, revelou-se um vinho bem estruturado, com um toque mineral e algum floral num aroma contido e não muito exuberante. Versátil, para pratos de carne e peixe com alguma complexidade mas não demasiado pesados.

O branco típico de meia estação, um pouco no perfil todo-o-terreno.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Frei João Clássico 2016 (B)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico:
Castas: Cercial, Bical
Preço: 14 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 10 de setembro de 2019

E pur si muove*


Tal como a Terra em 1633, o mundo vínico português move-se.

Primeiro foram as castas que começaram a migrar, de norte para sul, principalmente (Touriga Nacional, Touriga Franca, Alvarinho...), de sul para norte e até das ilhas para o continente (Verdelho).

Mais recentemente foram os próprios produtores que começaram a migrar para fora da sua região de origem. Para além de algumas marcas que já eram multi-regiões (como a Borges, a Aveleda, a Dão Sul/Global Wines e acima de todas as Sogrape), começámos a assistir a uma nova vaga de investimentos fora da sua “zona de conforto”. O Esporão já tinha adquirido a Quinta das Murças no Douro e João Portugal Ramos já se tinha associado a José Maria Soares Franco para expandir a sua produção para o Douro Superior com o projecto Duorum na Quinta de Castelo Melhor.

Mas agora tudo mexe. A Aveleda, com sede em Penafiel e maior produtor na região dos Vinhos Verdes, e também com produção no Douro e na Bairrada, viajou para o Algarve, onde já produz um vinho chamado Villa Alvor na Quinta do Morgado da Torre, um velho conhecido pelo vinho Alvor Singular (vi a nova marca à venda mas não comprei). A Sogrape, que já estava estabelecida na zona da Vidigueira com a Herdade do Peso, saiu da planície para a serra de São Mamede tendo adquirido a Richard Mayson a Quinta do Centro, nos arredores de Portalegre, mas antes já tinha entrada na região de Lisboa com a compra da famosa Quinta da Romeira, em Bucelas, à Wine Ventures. Quase ao mesmo tempo, também a Fundação Eugénio de Almeida saiu da planície de Évora e da Adega da Cartuxa para a serra e comprou a Tapada do Chaves à Murganheira.

Mas não é tudo, porque o apelo da serra de São Mamede parece ter tomado de assalto a fileira do vinho, com um terceiro player a estabelecer-se ali pela mão da Symington, na nova Quinta da Fonte Souto. E assim temos três novos produtores a fazer vinho em Portalegre!

Mas também há quem migre para norte. A Casa Ermelinda Freitas deixou as areias de Palmela e expandiu-se para os Vinhos Verdes, com a aquisição da Quinta do Minho, em Póvoa de Lanhoso, à Super Bock. Percurso semelhante fizeram os irmãos Serrano Mira, que da planície de Estremoz, onde há séculos a família detém a Herdade das Servas, partiram para a aquisição da Casa da Tapada, em Amares.

Certamente há mais destes movimentos migratórios para referir, mas estes foram os que pude acompanhar quando foram noticiados. Perante tal dimensão de investimentos (só a Aveleda está a investir 7 milhões de euros para incluir um projecto de enoturismo na Penina), é com elevada expectativa que aguardo pelos novos vinhos que irão surgir. Os vinhos do Algarve estão a precisar dum novo fôlego (falaremos disso num próximo post), e os de Portalegre têm gozado de mais fama do que proveito, pois a produção tem muita qualidade mas a quantidade é limitada – a Tapada do Chaves e a Adega de Portalegre (também recentemente renovada com novos proprietários) são os mais conhecidos mas são quase vinhos de nicho, e os restantes têm um alcance muito limitado.

Aguardemos, pois, pelo que os novos investimentos nos vão trazer. Pelo que se conhece dos nomes citados, espera-se qualidade garantida.

Kroniketas, enófilo itinerante

* “E no entanto ela move-se!”
Frase atribuída a Galileu Galilei, que a teria murmurado entre dentes quando teve de abjurar perante o tribunal da inquisição, em 1633, a sua tese de que a Terra girava à volta Sol e não o contrário, como era crença na época, para não ser queimado na fogueira.

sábado, 7 de setembro de 2019

No meu copo 787 - João Pires 2018

Este vinho já foi uma referência nos brancos da Península de Setúbal mas, entretanto, parece ter perdido boa parte do seu encanto.

Há muitos anos que o bebo, mais frequentemente no Verão e com pratos a pedir vinhos leves e frescos onde ele cumpria o seu papel com bastante competência. Mas com o aumento do portefólio da Bacalhôa, o lançamento de muitas novas marcas e a disseminação da produção por várias regiões, o João Pires parece ter perdido o comboio e ficado para trás. Vulgarizou-se, em suma.

Do João Pires de há uma década restam essencialmente as notas florais do Moscatel e um paladar fresco e equilibrado, mas o aroma está algo curto e discreto.

Na boca, a intensidade e a acidez também são medianas.

Enfim, se as expectativas não forem muito elevadas, bebe-se ainda com algum agrado, mas sem surpresa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: João Pires 2018 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Casta: Moscatel Graúdo
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Na minha mesa 786 - O Teodósio (Guia - Albufeira)



É tempo de falarmos dum restaurante que é um verdadeiro caso de sucesso há mais de 25 anos. Trata-se do Teodósio, na Guia, a meia-dúzia de quilómetros de Albufeira.

A Guia é uma povoação que é atravessada pela famosa Estrada Nacional 125 e que se tornou conhecida basicamente por dois factores: o parque aquático Zoomarine e o famoso frango da Guia. Mas tarde viria a surgir o Algarve Shopping e também ali perto cresceu a vinha de Cliff Richard, que entretanto já mudou de mãos.

Mas o verdadeiro caso de estudo é este Teodósio - O Rei dos Frangos, que criou o célebre prato que ficou conhecido simplesmente como frango da Guia.

Ali à volta os restaurantes que anunciam ter “frango da Guia” pululam como cogumelos, e pelo país fora o nome foi exportado como “franguinho da Guia”, “frango tipo-Guia” e outras imitações, que são isso mesmo: imitações. Mas é no Teodósio que os clientes caem em peso, tornando por vezes um verdadeiro pesadelo tentar arranjar uma mesa para jantar. Muito antes das 8 da noite, e sobretudo no Verão, são às dezenas as pessoas em lista de espera para se sentar, que se acumulam no exterior dos dois lados do edifício. Há quem tenha paciência para esperar mais de uma hora e meia para comer uns pedacinhos de frango assado (na realidade deveria chamar-se pinto) com batatas fritas e salada. Nas fotos de baixo, podemos ver o aspecto duma das salas num dia de Agosto, às 19 h e às 19:30...

Mas qual é, afinal, a razão para tamanho sucesso? Porque fazem as pessoas dezenas de quilómetros para comer frango naquele local? Porque, até prova em contrário, aquele franguinho é diferente, tem outro sabor e é acompanhado por uma salada de tomate que também não tem igual noutros locais. A simplicidade daquele prato é desarmante, mas é isso que faz o seu encanto. E mesmo sabendo que podem apanhar uma seca monumental, as pessoas continuam a ir lá e esperar horas...

Costuma dizer-se que raramente a cópia é melhor que o original. Pois é isso que acontece com o Teodósio: este é o original, os outros tentam copiar. Mas como se pode constatar passando lá à porta, sem grande sucesso.

Vale a pena ir lá? Vale sim senhor. Mas de preferência, seja para almoçar ou jantar, vá cedo. Muito cedo.

Kroniketas, gastrónomo em trânsito

Restaurante: O Teodósio – Rei dos Frangos
Rua do Emigrante, 50
Guia
8200-440 Albufeira
Telef: 289.561.318
Preço por refeição: 15 €
Nota (0 a 5): 3,5

sábado, 31 de agosto de 2019

No meu copo, na minha mesa 785 - Fiúza Premium Reserva, Alicante Bouschet 2016; Restaurante Cutelaria (Damaia - Amadora)



Para os lados da Amadora, mas ainda na zona da Damaia, próximo do IC19 (num local designado como Parque Neudel), existe um novo restaurante especializado em cortes de carne e com especial vocação para os grelhados.

As opções são de encher o olho, antes de encher o estômago. Desde entrecôte com ou sem molho, bifes da vazia e do lombo, até costeletão maturado, vazia charolesa, T-bone, chuletón (800 g) e tomahawk (1 kg), há um pouco de tudo para partilhar por um grupo de comilões carnívoros.

Já pude experimentar a vazia charolesa, o chuletón e o bife da vazia. Qualquer das opções é excelente, a carne é de grande qualidade, muito tenra e suculenta e saborosa.

O espaço é moderno, amplo, luminoso. O atendimento é rápido, simpático e eficiente.

Para além dos acompanhamentos de cada prato (neste caso o padrão são as inevitáveis batatas fritas), existe ainda um buffet de entradas e acompanhamentos à discrição, onde se pode escolher o que se quiser, desde legumes a arroz e molhos.

Quanto ao vinho bebido a acompanhar estas suculentas peças, optámos por um tinto da Fiúza, marca em destaque na carta de vinhos e que é também servida a copo (3 Castas branco e tinto).

Pediu-se um monocasta Alicante Bouschet, que funcionou muito bem com as carnes. É aromático quanto baste, de cor carregada, bem estruturado e com persistência média.

O local pode não ser muito conhecido, mas este restaurante tem todas as condições para ter sucesso. Assim a qualidade do serviço se mantenha e o boca-a-boca funcione no sentido de atrair mais clientes.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fiúza Premium Reserva, Alicante Bouschet 2016 (T)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Fiúza & Bright
Grau alcoólico: 14%
Casta: Alicante Bouschet
Preço em feira de vinhos: 6,45 €
Nota (0 a 10): 7,5

Restaurante: Cutelaria
Urbanização Neudel
Avenida Manuel Cabanas, 9
Damaia
2720-701 Amadora
Telef: 933.260.820
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 10): 4,5