segunda-feira, 17 de junho de 2019

No meu copo 769 - Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996

O regresso dum clássico. Reencontrámo-lo num jantar promovido pela garrafeira Néctar das Avenidas com vinhos das Caves São João (também falaremos dele um dia destes). No meio duma panóplia de grandes vinhos, alguns deles sendo novidades absolutas e outros clássicos, este brilhou a grande altura e cotou-se, provavelmente, como a vedeta da ocasião.

Verdade, verdadinha, é que não há nada como voltar a prová-lo em casa, em boa companhia. Assim se fez, na mesma ocasião em que bebemos o Veuve Clicquot e o Reserva do Comendador 2013, e confirmaram-se as melhores impressões e as melhores expectativas.

Estes vinhos antigos que as Caves São João nos vão disponibilizando tornam-se difíceis de descrever, tal é a forma como nos impressionam os sentidos. Neste caso, não são as imagens que valem mais do que mil palavras, mas sim os goles e os aromas com que vamos degustando e aspirando lentamente este néctar delicioso.

Este é um dos exemplares onde nos é mostrado como o Cabernet Sauvignon se expressa na sua melhor forma, com todos os aromas e sabores na conta certa. Nada de excessos, aroma intenso como se fosse 20 anos mais novo, estrutura, persistência e delicadeza bem conjugadas.

Mais do que gastar palavras a tentar descrevê-lo, beba-se! A repetir uma vez, e outra, e outra...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Poço do Lobo Reserva, Cabernet Sauvignon 1996 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 14%
Casta: Cabernet Sauvignon
Preço: 12,50 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 14 de junho de 2019

No meu copo 768 - Marquês de Borba Vinhas Velhas: branco 2017; tinto 2017

Recentemente João Portugal Ramos apresentou novidades do seu portefólio vínico num restaurante de Lisboa. Sobre esse evento falaremos em breve.

Hoje falamos sobre dois vinhos que foram apresentados há cerca de um ano na Adega Vila Santa, em Estremoz, e que na altura deixaram algumas questões em aberto. Como foi referido na altura, foram oferecidas aos presentes duas garrafas do novo Marquês de Borba Vinhas Velhas, um branco e um tinto.

O branco 2017 mostrou-se claramente um vinho a precisar de tempo em garrafa, pois apareceu demasiado marcado pelo estágio em madeira, onde fermentou durante 6 meses.

Nesta mais recente apresentação, no restaurante Faz Figura, voltámos a ter oportunidade de provar o mesmo vinho, que o enólogo considera que pode ter sido o melhor branco que já produziu e que revelou ter também uma pequena quantidade de Petit Maseng além das castas identificadas na ficha técnica. Mas a prova definitiva fez-se em casa, calmamente e em várias refeições.

O vinho apresenta-se com aspecto cristalino num amarelo palha, com aroma predominante de evidenciam-se frutos cítricos. As notas de tosta provenientes da barrica ainda lá estão mas bastante mais domadas e discretas, integrando-se melhor no conjunto. Na boca apresenta-se fresco e com alguma mineralidade, num conjunto com alguma estrutura e volume de boca, com final amplo mas já macio.

A manter-se este perfil, nunca será um vinho para beber demasiado novo, precisando de pelo menos um ano e meio após a colheita para estar bebível de modo a poder ser usufruído em pleno.

Entretanto tivemos oportunidade de voltar a provar o tinto, agora já da colheita de 2017. Fermentou em lagares de mármore com pisa a pé e estagiou durante um ano em barricas de carvalho.

Apresenta uma cor granada intensa, aroma concentrado de frutos pretos e algumas notas de especiarias. Na boca é volumoso e redondo, com taninos aveludados. O final não é exuberante, sendo mais marcado pela suavidade.

Dois novos produtos para explorar noutro patamar de preços.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Alvarinho, Roupeiro
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Syrah
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

segunda-feira, 10 de junho de 2019

No meu copo 767 - Reserva do Comendador tinto 2013

Continuamos no Alto Alentejo, mas agora um pouco mais para sul, parando em Campo Maior e num vinho da Adega Mayor.

Este vinho estava a repousar tranquilamente à espera duma boa oportunidade para ser bebido. Não quisemos consumi-lo muito novo, e nesta fase já parecia estar a caminho da maturidade suficiente para se mostrar em pleno à mesa.

De facto, assim aconteceu. Este vinho é um daqueles que não enganam, logo que se chega o nariz ao copo. O primeiro aroma causa grande impacto, com notas de frutos vermelhos e do bosque a sobressair com grande intensidade. Apresenta uma bela cor granada aberta que nos faz olhar para ele e agitá-lo no copo para ver o seu brilho transparente.

Aberto algum tempo antes do consumo, mas sem ter sido decantado, na boca revelou-se já liberto do tempo de garrafa, com leves notas da barrica em que estagiou durante 18 meses, antes de um ano em garrafa.

Com taninos firmes mas sedosos, na boca é encorpado e envolvente, redondo e persistente e com final de grande amplitude e prolongado.

É um daqueles vinhos que nos apetece que não acabe, e que nos mostra aquele patamar de excelência a que só alguns têm o privilégio de se alcandorar.

Brilhante e, obviamente, mais um para a nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Reserva do Comendador 2013 (T)
Região: Alentejo (Campo Maior)
Produtor: Adega Mayor
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional
Preço: 17,90 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 7 de junho de 2019

No meu copo 766 - Vale Barqueiros Reserva tinto 2015

Voltamos à Herdade de Vale Barqueiros, agora para provar o Reserva tinto.

Como o próprio nome indica, este vinho está num patamar acima dos Colheita Seleccionada provados anteriormente, sendo marcado sobretudo pela estrutura e robustez.

No nariz apresenta notas compotadas e de especiarias, com algum fruto maduro. Na boca é encorpado, persistente e longo.

O elevado grau alcoólico é compensado pelos taninos redondos e maduros.

Um produto muito interessante, que valerá a pena provar novamente em tempo mais frio e com pratos mais invernais, pois todo o seu perfil aponta para ser um vinho de inverno.

Pratos de caça poderão ser um desafio muito interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Vale Barqueiros Reserva 2015 (T)
Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros
Grau alcoólico: 15%
Castas: Cabernet Sauvignon (55%), Syrah (25%), Alicante Bouschet (20%)
Preço: 11,70 €
Nota (0 a 10): 8

segunda-feira, 3 de junho de 2019

No meu copo 765 - Champanhe Veuve Clicquot

Aproveitando a improvável vitória do Benfica no campeonato nacional de futebol, juntámos um núcleo de bandalhos na celebração anual para degustar uma garrafa de champanhe, a que associámos também a vitória do Sporting na Taça de Portugal pois um dos presentes torce pelos verdes!

Nos últimos anos, eu e o tuguinho tínhamos optado pelo G. H. Mumm Cordon Rouge, aproveitando a associação de nome do champanhe à vitória dos encarnados!

Desta vez, não tendo encontrado esta marca, voltámos a um clássico que já há uns anos não provávamos.

E o que dizer desta viúva? Que nunca nos desilude! É encorpado, intenso de aroma e com boa estrutura na boca, com bolha fina e persistente e final vibrante e refrescante. Continua a ser, dentro deste patamar, um dos melhores na relação qualidade-preço, embora o preço tenha vindo inevitavelmente a subir, mas não deixa de ser uma aposta bem conseguida. Tão bem conseguida que parece que da próxima vez vai ser preciso comprar duas garrafas!

Bom para celebração... e para muito mais!

tuguinho e Kroniketas, enófilos em celebração

Vinho: Veuve Clicquot Champagne Brut (B)
Região: Champagne (França)
Produtor: Maison Veuve Clicquot Ponsardin - Reims
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Pinot Noir, Pinot Meunier
Preço: 48,49 €
Nota (0 a 10): 9

sexta-feira, 31 de maio de 2019

No meu copo 764 - João Portugal Ramos, Loureiro 2018

De regresso aos vinhos de João Portugal Ramos, voltamos a um Loureiro da colheita 2018 que, tal como as anteriores, engloba uma percentagem de 15% de Alvarinho.

Como se esperava, mostrou-se um vinho com alguma elegância, notas florais, algum citrino e final suave.

É um vinho feito para o Verão que se aproxima. Obrigado à João Portugal Ramos Vinhos pelo envio de mais esta garrafa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: João Portugal Ramos, Loureiro 2018 (B)
Região: Vinho Verde
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Loureiro (85%), Alvarinho (15%)
Preço: 3,99 €
Nota (0 a 10): 7


Foto da garrafa obtida no site do produtor

segunda-feira, 27 de maio de 2019

No meu copo 763 - Herdade do Peso tinto 2014

Continuamos na zona da Vidigueira, agora com um salto à Herdade do Peso, a propriedade da Sogrape na região.

Na nova linha de vinhos que tem vindo a ser paulatinamente reformulada nesta herdade alentejana (com uma ou duas apostas que não me pareceram totalmente bem conseguidas), e no esforço para pôr este nome com maior destaque no mercado, onde perde claramente para as marcas do Dão, com a Quinta dos Carvalhais, e principalmente para o Douro, com a Casa Ferreirinha, tem havido algumas oscilações de qualidade mas a marca que ostenta o nome da herdade parece agora estar a assentar e a manter uma consistência de qualidade.

Este Herdade do Peso tinto revela-se logo no primeiro aroma, com os frutos vermelhos e pretos a destacarem-se no primeiro contacto. Na prova de boca revela alguma especiaria, intensidade e estrutura, com bom volume envolvido em taninos firmes mas macios.

Apresenta um final persistente e vivo, com alguma elegância.

Uma boa aposta, que se espera seja para continuar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Herdade do Peso 2014 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos
Grau alcoólico: 14%
Castas: Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

sexta-feira, 24 de maio de 2019

No meu copo 762 - Vidigueira Premium branco 2017

Este é um dos vinhos do novo portefólio da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, que costuma primar por alguma frescura e mineralidade como é típico daquela região.

Esta colheita, em particular, peca por um excesso de graduação alcoólica que torna o vinho algo pesado e deselegante. Não se percebe muito bem qual o sentido de fazer um branco com 14,5%, ainda por cima numa zona geralmente considerada das mais aptas para produzir brancos frescos.

Excesso de maturação, descuido no período de vindima, desequilíbrio nos mostos entre álcool e maturação, vá-se lá saber. É certo que o Verão de 2017 foi afectado pelo célebre escaldão de início de Agosto, que provocou perdas importantes. Se calhar onde não houve muitas perdas houve um aumento significativo do álcool.

A verdade é que o vinho não está particularmente bom. A cor é bastante carregada, o que desde logo deixa antever que o vinho não será um modelo de elegância e leveza.

Bebe-se sem dificuldade mas também sem especial agrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2017 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 20 de maio de 2019

No meu copo 761 - Vale Barqueiros: Colheita Seleccionada tinto 2015; Colheita Seleccionada branco 2017

Produzidos em Alter do Chão, os vinhos Vale Barqueiros tiveram altos e baixos, com períodos de algum destaque e outros de quase desaparecimento.

Redescobri-os no recente evento Alentejo em Lisboa, e de imediato me atraíram. Agora tive oportunidade de provar em casa o tinto e o branco Colheita Seleccionada.

Este tinto é um vinho muito elegante e suave, mostrando aquele lado mais delicado do Alentejo, que se encontra principalmente nas zonas mais altas. De cor rubi e aroma delicado com notas de frutos silvestres, com ligeiras nuances de madeira muito bem integrada. Na boca é suave e redondo, com final elegante e delicado.

Torna-se um vinho guloso que se bebe com facilidade e prazer. Boa relação qualidade-preço que justifica mais uma entrada nas nossas escolhas.

Quanto ao branco, apresenta uma cor citrina aberta, prima também pela elegância e suavidade, primando por notas frutadas cítricas com algumas nuances e frutos do pomar. Leve na prova de boca, com uma boa acidez que realça o fim de boca.

Dois vinhos muito agradáveis. Difícil é não gostar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Alter do Chão)
Produtor: Sociedade Agrícola de Vale Barqueiros

Vinho: Vale Barqueiros Colheita Seleccionada 2015 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Syrah, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço: 7,30 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vale Barqueiros Colheita Seleccionada 2017 (B)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz
Preço: 7,30 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Bairrada em Lisboa em dose dupla (2ª parte)

Bairrada de Excelência no Centro Cultural de Belém







Voltando ao universo dos vinhos da Bairrada, e regressando no tempo até 2018, a Comissão Vitivinícola da Bairrada e e revista Vinho – Grandes Escolhas trouxeram a Lisboa uma prova de vinhos emblemáticos da região, com a presença de alguns dos mais prestigiados produtores.

Não é uma repetição do Bairrada@LX, até porque tem um número de produtores e de visitantes bastante mais restrito, mas incide sobre o melhor que a região nos pode oferecer. Como ponto em comum, o facto de o Rei dos Leitões estar igualmente presente neste evento com alguns petiscos à disposição dos visitantes de forma gratuita.

Sem querer ser redundante, mas as impressões aqui colhidas não diferem muito de eventos próximos e similares. A maior diferença esteve num workshop realizado numa sala à parte e dedicado exclusivamente aos espumantes – uma Masterclass Bairrada terra de Espumantes.

Apresentada por Luís Lopes, director da revista e há muitos anos radicado naquela região, a forma como o orador apresentou a falou dos espumantes reflecte bem a paixão que nutre não só pela região, no seu todo, mas pelos seus espumantes em particular.

À data do evento existiam 23 referências de espumantes Baga Bairrada no mercado, sendo esta, actualmente, uma marca distintiva dos espumantes da região.

Foram provados 12 espumantes, separados em 4 temas diferentes:

Tema 1: Rosé em cuba fechada
Tema 2: Baga Bairrada
Tema 3: Castas brancas
Tema 4: Castas brancas e tintas (modelo de Champagne)


Como informação introdutória, realce-se alguns dados trazidos para a mesa.

•A idade do espumante mede-se entre o momento da espumantização e o dégorgement.

• As castas Chardonnay e Pinot Noir, base do champanhe, existem na Bairrada desde final do século XIX, quando a intenção era produzir ali o champanhe bairradino. Para atingir este objectivo a acidez é um factor crucial: o vinho base tem de ter acidez bastante, castas ácidas e colhidas cedo. Costumam ter 11 a 11,5 % de álcool antes de 2ª fermentação.

• Os brancos Baga Bairrada têm um standard de côr, devendo existir uma estabilidade ao nível de cor, acidez e sabor. Existe uma câmara de provadores e um selo especifico para atribuir a certificação Baga Bairrada a um espumante.

Passando aos vinhos provados, aqui ficam algumas notas resumidas.

Tema 1: Rosé em cuba fechada

1 - M&M Gold Edition rosé Baga e Touriga Nacional (Cave Central da Bairrada)
Algo adocicado, meio chato
Preço: 8,50 €


Tema 2: Baga Bairrada - Brancos de Baga

2 - Primavera Baga 2015 extra bruto
Concentração, corpo e acidez. Vivo, vibrante
Preço: 7,40 €

3 - Vinícola Castelar 2013
Mais untuoso e cheio
Preço: 12 €

4 - Íssimo 2013
Muito claro na cor. Bastante cremoso na boca
Preço: 10 €

5 - Original Positivewine 2015
Mais fruta citrina, quase incolor
Preço: 7 €

6 - Regateiro Baga (Lusowini)
Cor mais acobreada, boca mediana
Preço: 10,50 €


Tema 3: Castas brancas (Blanc de blancs, elaborados com uvas brancas tradicionais)

7 - Aplauso Reserva 2009
Bical, Cercial, Maria Gomes
Preço: 8,50 €

8 - Quinta do Ortigão Reserva 2010
Arinto, Bical, Chardonnay (na Bairrada desde o Século XIX para espumantes)
Algo crocante, com notas de frutos secos
Preço: 10,50 €


Tema 4: Castas brancas e tintas (modelo de Champagne)

9 - (Caves da) Montanha Grande Reserva 2010
Baga, Chardonnay, Bical, Arinto
36 meses de cave, bastante jovem na prova de boca
Preço: 12 €

10 - Ataíde Semedo Millésime 2015
Cercial (35%), Bical (35%), Chardonnay (15%), Pinot Noir (15%)
Elegância, finura, qualidade de fruta
Preço: 15,95 €

11 - Luís Costa bruto natural (zero) 2015
Nenhum açúcar adicionado - até 12 gr/lt
Pinot Noir, Chardonnay
Preço: 17,50 €

12 - Messias Blanc de Blancs 2011, Chardonnay
Produzidas 2500 garrafas na Quinta do Valdoeiro, em Vacariça
Muito elegante e intenso
Preço: 15 €


Kroniketas, enófilo esclarecido

domingo, 12 de maio de 2019

No meu copo, na minha mesa 760 - Quinta da Soalheira 2016; Gastrobar 13 (Alvor)






Uma incursão ao Algarve deu-me a oportunidade de conhecer um bar de petiscos em Alvor, onde se podem comer várias doses de pequenos pratos que não deixam de ser “comida a sério”.

Ao contrário da “cozinha da moda”, aqui os pratos são minimamente normais e quando se escolhe fica-se com a noção do que se vai provar. Não há “espumas”, nem “camas”, nem “reduções de”...

O espaço é muito interessante e agradável. Quando se franqueia a porta entra-se numa zona de bar tradicional, com pequenas mesas e um balcão por cima do qual existe uma enorme prateleira forrada a LP’s, muitos deles que ficaram célebres no seu tempo. Existe desde Lou Reed a Bob Marley, de Police a Eric Clapton, de Doors a Simon and Garfunkel, de Trovante a Rui Veloso...

Passada esta entrada, mais ao fundo há acesso a um quintal frondoso onde estão dispostas as mesas para os comensais. O espaço está coberto por vegetação que dá um ar campestre e fresco ao local. Como não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão, esta é bem aproveitada pois a primeira impressão é bastante agradável. Em fundo vai passando música de vários géneros.

Pediram-se pratos diversos que, no geral, agradaram. Uns mais originais ou mais saborosos, como a carninha com migas de espinafres, a quejadilla de frango ou o bacalhau à Lagareiro.

Para acompanhar pediram-se dois vinhos, um branco e um tinto, sendo que este teve direito a repetição. Do Lello branco não tive grandes impressões pois não provei mais que um golo, tendo-me detido mais no tinto.

O Quinta da Soalheira, produzido no Douro pela Borges, apresenta-nos o outro lado do Douro com um perfil diferente, mais elegante sem perder estrutura. Aroma frutado intenso, taninos firmes mas redondos e final persistente e elegante. Relativamente à prova anterior, pareceu um pouco mais leve e mais macio.

Em resumo, um bom convívio à volta da mesa, com bons produtos sólidos e líquidos. Um local a revisitar, conquanto seja previsível bastante dificuldade para fazê-lo nas férias de Verão.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta da Soalheira 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Sociedade dos Vinhos Borges
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Tinto Cão, Tinta Roriz e Touriga Franca
Preço em feira de vinhos: 5,99 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: Gastrobar 13
Travessa do Castelo, 13
8500-003 Alvor
Telef: 967.993.711
Preço médio por refeição: 15-20 €
Nota (0 a 5): 4

quarta-feira, 8 de maio de 2019

No meu copo 759 - Quinta do Vesúvio 2016

Este é um dos diversos vinhos do portefólio da Symington, quer produzidos sob a marca da empresa quer em parceria com Bruno Prats, onde ganham a autoria de P+S, significando Prats & Symington.

Esta marca Quinta do Vesúvio é uma das que se enquadram no primeiro caso, recebendo portanto o nome da Symington Family Estates como produtor.

Ultrapassado este pequeno detalhe de ordem burocrática-institucional, passemos ao vinho propriamente dito.

Esta é uma das marcas emblemáticas da casa e uma das que têm granjeado maior prestígio. O vinho apresenta-se muito concentrado, pujante e robusto na prova de boca. E no entanto, parece que lhe falta algo mais, não encanta. É um, entre muitos, com elevada extracção que lhe dá uma cor quase retinta. Mas, no final, acaba por não encantar nem surpreender.

Este perfil de vinhos acaba por se tornar cansativo, pois por muitos que se provem acabam por se tornar todos iguais.

É bom? Claro que é! Mas fico a perguntar-me o que é que trouxe de novo, ou de diferente, que justifique o preço que custa... E permaneço com esta dúvida...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Vesúvio 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Symington Family Estates
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional (56%), Touriga Franca (40%), Tinta Amarela (4%)
Preço: 45 €
Nota (0 a 10): 8

sábado, 4 de maio de 2019

Bairrada em Lisboa em dose dupla (1ª parte)

Bairrada@LX 2019





São muitos os eventos a decorrer, alguns onde se pode comparecer, pouco o tempo para relatá-los.

Desde há alguns anos tornou-se regular a realização de dois eventos em Lisboa dedicados a duas das regiões mais tradicionais do país mas que andam um pouco fora dos circuitos mais populares junto dos consumidores – dir-se-ia que são eventos quase só para os verdadeiros interessados, mas é de aplaudir o esforço das respectivas organizações para tentar chamar o grande público a provar os grandes vinhos que aí se produzem.

Falamos do Dão Capital e do Bairrada@LX, ambos com as últimas edições localizadas no Mercado da Ribeira, ao Cais do Sodré, e ainda o BairraDão, que decorre hoje mesmo no centro da cidade, no Hotel Real Palácio e junta “dois em um”.

O mais recente foi o Bairrada@LX que decorreu em Março. Organizado por um grupo de amigos entusiastas da Bairrada, designados por Eira na Beira, este evento reúne alguns dos produtores mais conhecidos da Bairrada, a que se juntam também alguns petiscos fornecidos pelo conhecido Rei dos Leitões.

Nesta visita insisti mais nos espumantes, podendo comprovar a consistência de qualidade que é produzida na região, que se afirma cada vez mais como uma referência nesta variante. Há mesmo quem considere que se pode estabelecer em definitivo como a melhor região de espumantes do país.

Pessoalmente continuo a ser fã principalmente dos tintos com alguma idade, mas essas são outras contas. Neste caso provei apenas alguns com os quais tenho menos oportunidades de me cruzar. Tanto os tintos como os espumantes foram excelentes parceiros dumas mini-sandes de leitão e dos imperdíveis ovos moles.

Em resumo, estiveram presentes 21 produtores, mais de 130 vinhos e cerca de 500 visitantes de 12 nacionalidades diferentes.

Parabéns à organização e esperamos reencontrá-los no próximo ano. Continuem com esta iniciativa, porque a região merece.

Kroniketas, amigo da Baga e da Bairrada

Fotos cedidas pela organização, excepto as duas últimas

quarta-feira, 1 de maio de 2019

No meu copo, na minha mesa 758 - Callabriga 2016; Restaurante Nogueira’s (Lisboa)



Depois da cozinha moderna, passamos para a comida a sério. Este é um restaurante junto ao rio Tejo que já andava debaixo de olho há algum tempo mas que ainda não tinha tido oportunidade de visitar.

O espaço é amplo, bem decorado, atractivo e com bom gosto. O atendimento rápido, atencioso e eficiente.

Sem desprezar os pratos do dia, que nos são apresentados inicialmente e têm um preço bem mais modesto que o resto da carta, o grande trunfo da casa parecem ser mesmo as carnes grelhadas, de grande qualidade, variedade e confeccionadas no ponto ideal. Depois de percorrer as opções que incluem, entre outras coisas, um chuletón de 900 g e um Legendary Tomahawk de 1 kg, optámos, para duas pessoas, por uma dose de maminha laminada e uma posta de vitela, ambas com 300 g de peso. Os preços, naturalmente, têm um “peso” correspondente ao da carne...

Os acompanhamentos são pedidos à parte, pelo que são mais uns euros a somar. Optou-se por batatas fritas, como era mister, e legumes grelhados.

Para não carregar muito mais na conta, optámos por um velho conhecido, e em vez do Esporão fomos para a Casa Ferreirinha e bebemos um Callabriga. Um vinho que está logo acima do Vinha Grande no portefólio da casa mas cujo perfil se aproxima muito mais do Quinta da Leda. É um vinho de cor rubi profunda, com aroma intenso a frutos vermelhos com algumas notas florais, grande concentração e volume de boca, com taninos bem integrados e macios. Precisa de tempo no copo para amaciar e libertar os aromas, mostrando-se depois mais sedoso e com um final persistente.

Depois de tudo servido à mesa, o conjunto ficou com o aspecto que se vê na primeira imagem.

No meio desta panóplia, as sobremesas ficaram um pouco aquém da qualidade do resto, não encantando. O Petit Gâteau de doce de leite argentino não encantou nem surpreendeu.

Não é para todos os dias, mas este restaurante merece uma visita sem pressas e em boa companhia. No tipo de refeição pelo qual optámos, é caro, claro! Mas desta vez comeu-se comida a sério!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: Nogueira’s
Av. 24 de Julho, 68-F
1200-869 Lisboa
Telef: 915 181 515
Preço médio por refeição: 40 - 50 €
Nota (0 a 5): 4,5

Vinho: Callabriga 2016 (T)
Região: Douro
Produtor: Casa Ferreirinha - Sogrape
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Franca (60%), Touriga Nacional (25%), Tinta Roriz (15%)
Preço em feira de vinhos: 13,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

domingo, 28 de abril de 2019

Na minha mesa 757 - Restaurante Prado (Lisboa)





Um dos muitos restaurantes virados para os novos conceitos de cozinha moderna, natural, biológica, com nomes compridos e esquisitíssimos... mas que não tem nada de verdadeiramente surpreendente nem encantador.

Ao entrarmos temos logo a cozinha à vista de todos e quatro rapazes de batas iguais à volta da mesa, o que nos dá logo a imagem dos espaços da moda.

Olha-se para o menu e não se percebe praticamente nada do que lá está. Somos aconselhados a pedir pelo menos 2-3 pratos por pessoa devido ao tamanho das doses. Debica-se daqui e dali, sem se perceber muito bem o que se está a comer. É tudo 100% natural, por isso há coisas que nem sequer foram cozinhadas… É realmente um novo conceito da cozinha moderna: não cozinhar os alimentos.
Vai-se pedindo e debicando daqui e dali, num desfile de mini-pratos que não nos faz salivar nem abrir a boca de espanto. No fim sai-se com a sensação de que nada daquilo valeu verdadeiramente a pena, porque não há nada que seja especialmente saboroso, nada daquilo encanta, nada daquilo delicia. Apenas se vai vendo no que dá e quantas mais doses teremos de pedir para não sair de lá com fome...

O melhor ainda foi um pão de gleba e uma sobremesa, um flan de café com castanhas e avelãs.

O espaço é amplo e agradável, o atendimento simpático, prestável e atencioso (foi um jantar num dia de semana). Mas não chega, muito longe disso. Provavelmente há-de aparecer nos programas culinários da moda, como o Boa Cama Boa Mesa, ou até, quem sabe, um dia ser premiado com umas estrelas do famoso guia dos pneumáticos (como o saudoso José Quitério sarcasticamente o apelidava) que parecem procurar tudo o que seja o mais complicado possível e menos entendível. O que está por provar é que seja o mais saboroso quando se misturam 6 sabores diferentes num prato em que não se percebe o que se está a comer e não nos conseguimos lembrar do que comemos.

Não quero desvalorizar o trabalho de quem lá está e certamente está empenhado em agradar e servir os clientes o melhor possível. E, quem lá vai, deve ter a noção de não ir ao engano. Mas não me deixa grandes memórias, e dificilmente me convencem a voltar.

Safou-se no meio disto um belíssimo vinho branco Riesling do Mösel, com boa acidez e muita frescura para ir lavando o palato e dando alguma vivacidade a uma refeição com pouco de entusiasmante.

Kroniketas, enófilo esclarecido e gastrónomo desiludido

Restaurante: Prado
Av. 24 de Julho, 68-F
1200-869 Lisboa
Telef: 915 181 515
Preço médio por refeição: 40 €
Nota (0 a 5): 2,5