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sexta-feira, 14 de junho de 2019

No meu copo 768 - Marquês de Borba Vinhas Velhas: branco 2017; tinto 2017

Recentemente João Portugal Ramos apresentou novidades do seu portefólio vínico num restaurante de Lisboa. Sobre esse evento falaremos em breve.

Hoje falamos sobre dois vinhos que foram apresentados há cerca de um ano na Adega Vila Santa, em Estremoz, e que na altura deixaram algumas questões em aberto. Como foi referido na altura, foram oferecidas aos presentes duas garrafas do novo Marquês de Borba Vinhas Velhas, um branco e um tinto.

O branco 2017 mostrou-se claramente um vinho a precisar de tempo em garrafa, pois apareceu demasiado marcado pelo estágio em madeira, onde fermentou durante 6 meses.

Nesta mais recente apresentação, no restaurante Faz Figura, voltámos a ter oportunidade de provar o mesmo vinho, que o enólogo considera que pode ter sido o melhor branco que já produziu e que revelou ter também uma pequena quantidade de Petit Maseng além das castas identificadas na ficha técnica. Mas a prova definitiva fez-se em casa, calmamente e em várias refeições.

O vinho apresenta-se com aspecto cristalino num amarelo palha, com aroma predominante de evidenciam-se frutos cítricos. As notas de tosta provenientes da barrica ainda lá estão mas bastante mais domadas e discretas, integrando-se melhor no conjunto. Na boca apresenta-se fresco e com alguma mineralidade, num conjunto com alguma estrutura e volume de boca, com final amplo mas já macio.

A manter-se este perfil, nunca será um vinho para beber demasiado novo, precisando de pelo menos um ano e meio após a colheita para estar bebível de modo a poder ser usufruído em pleno.

Entretanto tivemos oportunidade de voltar a provar o tinto, agora já da colheita de 2017. Fermentou em lagares de mármore com pisa a pé e estagiou durante um ano em barricas de carvalho.

Apresenta uma cor granada intensa, aroma concentrado de frutos pretos e algumas notas de especiarias. Na boca é volumoso e redondo, com taninos aveludados. O final não é exuberante, sendo mais marcado pela suavidade.

Dois novos produtos para explorar noutro patamar de preços.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (B)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Alvarinho, Roupeiro
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Marquês de Borba Vinhas Velhas 2017 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Alicante Bouschet, Aragonês, Castelão, Syrah
Preço: 11,95 €
Nota (0 a 10): 8


Fotos das garrafas obtidas no site do produtor

sexta-feira, 24 de maio de 2019

No meu copo 762 - Vidigueira Premium branco 2017

Este é um dos vinhos do novo portefólio da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, que costuma primar por alguma frescura e mineralidade como é típico daquela região.

Esta colheita, em particular, peca por um excesso de graduação alcoólica que torna o vinho algo pesado e deselegante. Não se percebe muito bem qual o sentido de fazer um branco com 14,5%, ainda por cima numa zona geralmente considerada das mais aptas para produzir brancos frescos.

Excesso de maturação, descuido no período de vindima, desequilíbrio nos mostos entre álcool e maturação, vá-se lá saber. É certo que o Verão de 2017 foi afectado pelo célebre escaldão de início de Agosto, que provocou perdas importantes. Se calhar onde não houve muitas perdas houve um aumento significativo do álcool.

A verdade é que o vinho não está particularmente bom. A cor é bastante carregada, o que desde logo deixa antever que o vinho não será um modelo de elegância e leveza.

Bebe-se sem dificuldade mas também sem especial agrado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2017 (B)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7

quinta-feira, 7 de março de 2019

No meu copo 745 - Esporão Reserva branco 2016

Esta não foi a primeira prova que fiz do Esporão Reserva branco, mas foi a primeira garrafa aberta em casa, aproveitando uma ocasião festiva. Foi escolhido para acompanhar um bacalhau com natas e fez as delícias dos presentes.

Claro que a grande referência do Esporão é o Reserva tinto, pelo que o branco tem vivido um pouco na sombra daquele, mas as referências são invariavelmente elogiosas. E o vinho não deixa de justificá-lo.

Apresenta-se com uma cor palha clara, aroma com algumas notas cítricas mas com a madeira bem marcada e evidente logo no primeiro contacto. Na boca é cremoso, estruturado e volumoso, com final intenso mas redondo. Acidez equilibrada em dose quanto baste para conferir frescura ao conjunto.

É um vinho que faz jus ao nome da casa, embora a madeira talvez pudesse ser mais bem doseada, pois marca demasiadamente o conjunto. Talvez seja esse o ponto menos bom.

Em todo o caso continuo a preferir o tinto, que está uns furos acima.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão Reserva 2016 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 11,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

No meu copo 734 - Tapada de Coelheiros branco 2014

Infelizmente, ou por desleixo, ou por distracção, ou por desinteresse, passámos as duas últimas décadas um bocado ao lado duma das marcas mais prestigiadas entre o vinho alentejano.

A verdade é que recentemente a herdade mudou da mãos, o portefólio foi reformulado e alguns vinhos vão deixar de ser produzidos, as vinhas também e os preços revolucionados. Aqueles que eram vinhos com preços mais ou menos alcançáveis, ao nível dum Esporão Reserva, agora estão a surgir no mercado ao dobro do preço, o que está a torná-los proibitivos. Por isso começámos a abordagem à nova fase com o Coelheiros tinto.

Após alguma procura ainda foi possível encontrar as marcas anteriores sem ser a preços obscenos, e é do branco que aqui falamos.

Esta colheita de 2014 revelou-se no ponto óptimo de consumo. A madeira está presente no aroma e no palato mas apenas na dose necessária e suficiente para conferir ao vinho a estrutura e longevidade adequadas.

O aroma apresenta-se limpo e fresco, com algumas notas meladas a condizer com uma cor a tender para o alaranjado. Na boca mostra-se estruturado, denso e persistente, com final longo e intenso. Acompanhou na perfeição um bacalhau à Gomes de Sá de confecção doméstica, fazendo excelente parceria com a gordura e o sabor intenso do prato.

Muito bem! Grande vinho, que vai deixar saudades e que merece cada cêntimo pago por ele.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Tapada de Coelheiros 2014 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Herdade de Coelheiros
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Arinto, Roupeiro, Chardonnay
Preço: 16,97 €
Nota (0 a 10): 8,5

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

No meu copo 657 - Cartuxa branco 2015

Os vinhos da Fundação Eugénio de Almeida, produzidos na Adega da Cartuxa, ganharam fama essencialmente devido aos seus tintos de perfil alentejano clássico. O grande ícone é o famosíssimo Pêra Manca, cujo preço já ultrapassou os 200 €, mas a marca emblemática é mesmo a do vinho Cartuxa, secundado pelo Cartuxa Reserva.

No entanto, nem só de tintos vive a Cartuxa. Com um preço inferior a 1/5 do tinto, também existe o Pêra Manca branco, assim como outros brancos sob a marca Scala Coeli, na gama de entrada a marca EA e ainda o espumante.

No meio aparece este Cartuxa branco, com muito menos visibilidade que o tinto, o que não deixa de ser normal no Alentejo.

De cor citrina, apresenta aroma algo discreto a fruta branca com ligeiro cítrico. Suave na boca e com estrutura média, final suave mas não muito intenso e com persistência média.

É um branco agradável, mas que não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cartuxa 2015 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

No meu copo 618 - Esporão, Duas Castas 2015

Depois duma pausa para férias, tivemos de fazer outra pausa por motivos de luto, que arrefeceram o ânimo da escrita.

Passada uma semana da infausta ocorrência, voltamos com outro vinho branco pós-férias. Trata-se do Duas Castas 2015, um branco produzido no Esporão com base nas duas melhores castas do ano.

Já tivemos oportunidades de provar diversas colheitas deste vinho, umas mais entusiasmantes e outras menos. Mas esta, provavelmente, superou todas!

Produzida com 65% de Roupeiro e 35% de Alvarinho, revelou uma excelente frescura e uma acidez vibrante e crocante, aroma intenso com notas tropicais, final vivo e prolongado.

Esta poderá ter sido a melhor edição deste Duas Castas, e só tenho pena de não ter mais garrafas… Se o encontrarem por aí, comprem-no sem hesitação.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Esporão, Duas Castas 2015 (B)
Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Roupeiro, Alvarinho
Preço em feira de vinhos: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 8 de abril de 2017

No meu copo 595 - Terrenus: branco 2013; tinto 2012

Continuamos este périplo por terras alentejanas com uma incursão ao Alto Alentejo, para pequenas vinhas localizadas na Serra de S. Mamede e trabalhadas pelo ribatejano Rui Reguinga.

Falamos do Terrenus, branco e tinto. Há alguns anos tive o primeiro contacto com os vinhos de Rui Reguinga, lá mesmo em Portalegre. Desde então nunca mais me tinha cruzado com eles à mesa.

O Terrenus branco 2013 fermentou parcialmente em barricas de carvalho francês. Apresenta-se com alguma mineralidade, aroma frutado, boca com boa estrutura, frescura e final médio.

O Terrenus tinto 2012 fermentou 14 meses em barricas de carvalho francês. Mostrou-se macio, encorpado mas de aroma algo discreto. Na boca é equilibrado, fresco, com final suave e persistente.

São dois alentejanos de altitude, que mostram assim um perfil mais fresco e mais leve que os mais encorpados das zonas mais quentes. Não sendo excelentes, são agradáveis para fugir a um perfil mais pesado.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Portalegre)
Produtor: Rui Reguinga Enologia

Vinho: Terrenus 2013 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Fernão Pires, Roupeiro
Preço em hipermercado: 9,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Terrenus 2012 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 10,45 €
Nota (0 a 10): 7

segunda-feira, 6 de março de 2017

No meu copo 588 - Monte Velho Edição Manta Alentejana: tinto 2015; branco 2015

Subimos agora no Alentejo, em direcção a Reguengos de Monsaraz.

Na edição de 2015 do Monte Velho, o Esporão resolveu homenagear as tradicionais mantas de Reguengos de Monsaraz e por isso juntou ao rótulo normal um padrão com um recorte que evoca essa peça. Sobre isso já está muito escrito, por isso remeto mais informação para outros sites e blogs, nomeadamente o do produtor.

O Monte Velho tinto é um dos vinhos que bebo há mais tempo, quase desde o seu lançamento em 1992, e conheci-o ainda quando era um vinho leve a aberto, com apenas ou 11 ou 11,5% de álcool. Depois foi-se transformando num vinho mais estruturado e encorpado, perdendo algum do seu encanto inicial e ficando mais igual a todos os outros, o que me fez deixá-lo mais esquecido e cruzar-me com ele esporadicamente.

Mas esta nova edição despertou-me a curiosidade, até porque a imagem tem vindo a ser renovada, com a menção às castas no próprio rótulo e o nome Esporão em destaque numa faixa inferior. E como entretanto o branco se renovou e se tornou mais apelativo, resolvi juntar os dois na mesma compra e prová-los quase de seguida.

A prova agradou. O tinto mostrou boa estrutura, aroma vinoso e frutado intenso, com notas de bagas silvestres e especiarias, macio na boca e final longo e redondo. Bom companheiro de carnes tradicionais do Alentejo.

O branco, ao contrário do tinto vinificado apenas com castas típicas do Alentejo, mostrou um aspecto cristalino com cor citrina, com aroma a notas de limão e fruta branca. Na boca mostrou-se vivo, intenso e com boa acidez, com final equilibrado e persistente. Um branco mais para o calor ou meia estação, para pratos de peixe com alguma delicadeza mas bom tempero.

Pelos preços disponíveis, serão duas boas compras, pelo que juntamos o branco ao tinto nas nossas sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Monte Velho Edição Manta Alentejana 2015 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Syrah
Preço em feira de vinhos: 3,59 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Monte Velho Edição Manta Alentejana 2015 (B)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Roupeiro, Perrum
Preço em feira de vinhos: 3,37 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 18 de fevereiro de 2017

No meu copo 584 - Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade): tinto 2015; branco 2015

Nova ronda pela Adega Cooperativa da Vidigueira, agora com a marca Premium.

O branco, produzido com um lote das castas clássicas, apresenta uma cor palha clara, aroma com predominância a frutos tropicais, algum cítrico e notas minerais. Na boca é medianamente encorpado e estruturado, com persistência média.

O tinto apresenta-se encorpado, estruturado e persistente, com algumas notas vegetais no aroma e predominância a frutos vermelhos, não muito intenso mas agradável.

Em suma, dois vinhos médios, que agradam com facilidade sem encantar.

Mas atenção: o preço base indicado é excessivo para a qualidade dos vinhos. Estas promoções, como sabemos, são muitas vezes enganadoras, e neste caso um desconto de 6 € por garrafa não se percebe donde vem. Mas o preço em promoção é mais adequado do que o preço de partida. Será mais um daqueles casos de preço inflacionado, com uma pseudo-promoção que o baixou para o seu valor real?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: A. C. Vidigueira, Cuba e Alvito

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Trincadeira, Syrah, Alicante Bouschet
Preço em hipermercado: 3,99 € (em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Vidigueira Premium (Ato III - A Saudade) 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Roupeiro
Preço em hipermercado: 3,99 € (em promoção)
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 8 de outubro de 2016

No meu copo 555 - Sossego branco 2015; Sossego tinto 2014

Já se falou sobre estes novos vinhos da Herdade do Peso. Passei num supermercado e vi uma promoção que permitia provar o branco e o tinto gratuitamente, mediante o envio do talão de compra e posterior reembolso. Na pior das hipóteses, não perderia muito; na melhor, não gastava nada.

A Herdade do Peso, propriedade da Sogrape do Alentejo na sub-região da Vidigueira, próximo de Pedrógão, tem sido a mais recente aposta da empresa na renovação do portefólio de vinhos. Alargou-se a oferta na gama Herdade do Peso, com a mais recente aposta a ser feita num branco Colheita, entre o Vinha do Monte (vinho de entrada de gama) e o Herdade do Peso Colheita foi lançado o Trinca Bolotas tinto e agora aparece este Sossego em branco, tinto e rosé, acima do Vinha do Monte e abaixo do Trinca Bolotas.

A questão, já levantada pelo Pingus Vinicus, é esta: havia necessidade? O que trazem estes vinhos de novo, o que acrescentam em qualidade ou em leque de escolha?

Neste momento, a gama da Herdade do Peso mostra-nos isto:

- Vinha do Monte, branco e tinto: 2,99 €
- Sossego, branco, tinto e rosé: 3,99 € a 4,99 €
- Trinca Bolotas tinto: 5,49 € a 5,99 €
- Herdade do Peso, branco e tinto: 6,39 € a 7,49 €

Para que serve este escalonamento, que não mostra grandes diferenças qualitativas dum patamar para o seguinte? É que entre o Trinca Bolotas e o Herdade do Peso, prefiro pagar mais 1 ou 2 € por este. Entre o Sossego e o Vinha do Monte, prefiro este, apesar de ser mais barato.

O Sossego branco ainda cumpriu minimamente sem encantar. Mostrou-se suave e macio, com aroma discreto e final médio.

Já o Sossego tinto foi uma quase completa desilusão: delgado de corpo, com final curto, pouco aromático, desinteressante. Um vinho quase neutro, que não deixa vontade de repetir.

Estratégia de marketing, para pôr a Herdade do Peso no mapa? Claro que sim. Mas não exagerem na quantidade do que põem cá fora. É que, como aqui se comprova, da quantidade não nasce necessariamente a qualidade.

Como dizia o Diácono Remédios: não havia necessidade.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Sogrape Vinhos

Vinho: Sossego 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Arinto, Roupeiro, Antão Vaz
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Sossego 2014 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional, Aragonês, Syrah
Preço em hipermercado: 4,99 €
Nota (0 a 10): 5

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

No meu copo 395 - Loios branco 2013; Tons de Duorum branco 2013; Conde de Vimioso Espumante extra-bruto 2009

Correspondendo à simpatia da João Portugal Ramos Vinhos, que nos tem obsequiado com a oferta de algumas garrafas do seu portefólio de vinhos alentejanos, ribatejanos e durienses, aproveitámos o tempo quente para abrir três brancos recebidos recentemente, todos de diferentes regiões: um Loios branco, um Tons de Duorum branco e um espumante Conde de Vimioso.

Depois de já termos provado diversas marcas, em branco, tinto e rosé, e encontrado algumas gratas revelações, desta vez temos de confessar que nos ficámos pela mediania. Também não é segredo que a marca Loios funciona como entrada de gama nos vinhos do produtor e enólogo no Alentejo, conquanto o Loios tinto seja habitualmente um vinho que tem uma qualidade bem acima do seu preço.

Neste caso, o Loios branco mostrou-se essencialmente um vinho simples, sem grandes pretensões, de aroma frutado discreto, suave mas curto na boca. Alguns furos abaixo do seu irmão tinto na relação qualidade/preço.

O Tons de Duorum branco, de que já tínhamos provado a colheita de 2012, nesta de 2013 mostrou-se mais simples, um pouco curto na boca e com aromas frutados discretos. Pareceu ser uma colheita inferior à anterior.

Quanto ao espumante Conde de Vimioso, um extra-bruto (praticamente sem açúcar residual, portanto), foi bebido a acompanhar sobremesas. Usando uma casta tinta e uma branca, à boa maneira de Champagne, fermentou parcialmente em meias pipas de carvalho francês. Mostrou-se com alguma estrutura mas sem grande volume de boca e final também algo curto e aroma discreto.

Em suma, dois vinhos mais simples que complexos, posicionando-se num patamar de combate pelo preço. Outros, destinados a mais altos voos, estão guardados para ocasiões mais exigentes...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Loios 2013 (B)
Região: Alentejo (Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Rabo de Ovelha, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 2,74 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Tons de Duorum 2013 (B)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 6

Vinho: Conde de Vimioso espumante extra-bruto 2009 (B)
Região: Tejo (Almeirim)
Produtor: Falua - Sociedade de Vinhos
Grau alcoólico: 12%
Castas: Chardonnay, Touriga Nacional
Nota (0 a 10): 6

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

No meu copo, na minha mesa 290 - Jantar Esporão no restaurante Rubro





Desde há cerca de dois anos começámos a frequentar os jantares vínicos do restaurante Rubro, no Campo Pequeno em Lisboa.

Tal como os outros espaços circundantes na nova praça de toiros desde a sua remodelação, o Rubro utiliza (presume-se) antigas instalações ligadas ao espectáculo da tourada, abrindo directamente para a rua, mesmo ao lado da entrada principal do recinto. Uma sala mais pequena no rés-do-chão, com o balcão e uma zona de tapas à esquerda e algumas mesas à direita numa zona relativamente recatada. Ao centro uma escadaria de acesso ao 1º andar, onde está o espaço mais amplo para acomodação dos comensais, podendo nesse trajecto vislumbrar-se a montra onde estão expostos alguns dos exemplares mais relevantes da garrafeira, como um tinto Pesquera que ainda não nos passou pelo estreito.

Incursões deste grupo de comensais ao Rubro já foram várias, em diversas variantes: a 3, a 4, a 5 e a 6. A primeira visita fez-se na companhia do Mancha e do Politikos para um jantar regado com vinhos das Cortes de Cima. Não conhecíamos o método, que começa por umas tapas no rés-do-chão (ou na rua, quando a época do ano e o tempo o permite) e a degustação de vinhos de entrada de gama do produtor convidado. No caso das Cortes de Cima recordo-me que tivemos oportunidade de provar o Chaminé branco e tinto. Quando é chegada a hora de ocupar as mesas, normalmente um representante do produtor (o enólogo, ou o próprio produtor), a meio das escadas e antes de subir ao 1º andar para tomar assento nos lugares que nos são destinados, faz uma pequena introdução aos vinhos a provar.

Começa então o desfile das iguarias para acompanhar os vinhos escolhidos. No caso das Cortes de Cima recordo-me que exageraram nas doses do Touriga Nacional, de tal modo que os seguintes já quase não souberam a nada, e quando chegou finalmente o Reserva, lá para a sobremesa, já havia quem tivesse ingerido excesso de álcool e não se lembrasse bem como saiu de lá...

Seguiu-se um jantar magnífico com vinhos do Esporão, onde esteve presente o grupo mais numeroso, com 6 comensais, e onde compareceram os vinhos de topo da Herdade: Esporão Reserva, Private Selection, Quinta dos Murças (da nova produção no Douro), terminando com um Porto 10 anos da Quinta dos Murças e com a aguardente Magistra, muito apreciada pelo Mancha. Nas entradas ainda se pôde degustar o branco 2 Castas e o tinto Assobio, da Quinta dos Murças.

Seguindo o guião habitual, houve diversos vinhos a acompanhar diversos pratos, com a ordem que se segue:

Pratos: carpaccio, curgetes com camarão (absolutamente divinais).
Vinho: Esporão Reserva branco 2010. Fermentado em madeira, apresentou boa estrutura sem ser pesado, mantendo alguma frescura. Castas: Antão Vaz, Arinto e Roupeiro. 14% – Nota: 8

Pratos: Cogumelos com queijo de cabra e folhado de alheira e espinafres.
Vinho: Quinta dos Murças Reserva 2008. Bom nariz e estrutura média. Faltou-lhe alguma estrutura para acompanhar o sabor forte do queijo, que exigia um vinho mais pujante. Castas oriundas de vinhas velhas. 14% – Nota: 8

Prato: “Chuleton” de boi com molho, acompanhado de batatas assadas.
Vinho: Esporão Private Selection 2007. Vinho notável, muito profundo no nariz e com uma persistência inigualável. Um vinho ao nível do Quinta da Leda, embora de perfil diferente. Absolutamente extraordinário nos seus 14,5%. Castas: Alicante Bouschet e Aragonês – Nota: 9,5

Depois deste repasto, outros se seguiram...

Kroniketas, enófilo esclarecido e com a cambada toda

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Restaurante: Rubro
Campo Pequeno - Lisboa
Tel: 210.191.191
Nota (0 a 5): 4,5

segunda-feira, 8 de março de 2010

No meu copo 271 - Porta da Ravessa branco 2008

E agora algo completamente diferente. Um branco simples, barato e despretensioso. Não tinha grandes expectativas mas acabou por ser uma surpresa agradável, pois este Porta da Ravessa branco revelou-se bem melhor do que eu estava à espera.

Apresentou cor citrina e algumas notas limonadas a marcarem o aroma, boca leve e fresca e boa acidez a dar equilíbrio ao conjunto, certamente devido à introdução do Arinto no lote. Acompanhou bem um peixe assado no forno. Tendo em conta o preço, até não se saiu nada mal.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Porta da Ravessa 2008 (B)
Região: Alentejo (Redondo)
Produtor: Adega Cooperativa de Redondo
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Roupeiro, Arinto, Fernão Pires
Preço em feira de vinhos: 1,98 €
Nota (0 a 10): 6

terça-feira, 12 de junho de 2007

No meu copo 120 - Herdade Penedo Gordo: branco 2006, tinto 2005

Uma cerimónia religiosa seguida do tradicional almoço trouxe-me ao copo dois vinhos alentejanos cuja existência eu desconhecia. Para localizar a sua origem tive que fazer uma pesquisa de modo a localizar Orada no código postal 7150. Resultado: concelho de Borba. E lá provámos o branco e o tinto da Herdade do Penedo Gordo.

O branco de 2006 foi bebido com o prato de peixe, um arroz de marisco com tamboril, ou arroz de tamboril com marisco... Como me acontece quase sempre com os brancos alentejanos, não me agradou. É rústico, pouco aromático, falta-lhe elegância, como (se calhar, digo eu...) a 99% dos brancos alentejanos. Não deixa memórias.

Quanto ao tinto de 2005, a acompanhar lombinhos de porco com castanhas, embora bem mais bebível, também não trouxe nada de novo. Mostrou um carácter predominantemente frutado, tanto no nariz como na boca, embora tivesse evoluído, ao fim de algum tempo, para um fim de boca mais prolongado e marcado por especiarias. Só que... no meio de tantos, ficou-me a sensação de ser apenas mais um para engrossar a interminável lista de novos produtores, mas que dificilmente marcará alguma diferença. Até porque no panorama actual não é fácil.

Não faço ideia do preço destes vinhos, mas pelo seu perfil calculo que andem pelos 4 ou 5 euros. Posicionam-se, certamente, na gama média ou média-baixa. A verdade é que uma semana depois já não me lembrava do nome. Se não fossem as fotos tinham passado rapidamente ao esquecimento.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Borba)
Produtor: António M. Esteves Monteiro

Vinho: Herdade Penedo Gordo 2006 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Antão Vaz, Roupeiro
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 5

Vinho: Herdade Penedo Gordo 2005 (T)
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Nacional
Preço: desconhecido
Nota (0 a 10): 6