segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

No meu copo 657 - Cartuxa branco 2015

Os vinhos da Fundação Eugénio de Almeida, produzidos na Adega da Cartuxa, ganharam fama essencialmente devido aos seus tintos de perfil alentejano clássico. O grande ícone é o famosíssimo Pêra Manca, cujo preço já ultrapassou os 200 €, mas a marca emblemática é mesmo a do vinho Cartuxa, secundado pelo Cartuxa Reserva.

No entanto, nem só de tintos vive a Cartuxa. Com um preço inferior a 1/5 do tinto, também existe o Pêra Manca branco, assim como outros brancos sob a marca Scala Coeli, na gama de entrada a marca EA e ainda o espumante.

No meio aparece este Cartuxa branco, com muito menos visibilidade que o tinto, o que não deixa de ser normal no Alentejo.

De cor citrina, apresenta aroma algo discreto a fruta branca com ligeiro cítrico. Suave na boca e com estrutura média, final suave mas não muito intenso e com persistência média.

É um branco agradável, mas que não encanta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Cartuxa 2015 (B)
Região: Alentejo (Évora)
Produtor: Fundação Eugénio de Almeida - Adega da Cartuxa
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Antão Vaz, Arinto, Roupeiro
Preço em feira de vinhos: 6,79 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

No meu copo 656 - Serras de Grândola, Verdelho 2015

Este vinho já começa a ser um clássico cá em casa. Vou-me cruzando com este produtor em diversos eventos e, desde que o provei pela primeira vez, tenho aproveitado a oportunidade para adquiri-lo sempre que posso.

Esta colheita de 2015 mostrou-se um pouco menos exuberante no aroma, mas manteve o perfil de boa estrutura, elevada acidez, persistência e frescura na boca, com notas minerais no nariz e um final vibrante. De novo muito bem, e um vinho para continuar a revisitar.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Serras de Grândola, Verdelho 2015 (B)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada
Grau alcoólico: 13%
Casta: Verdelho
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

No meu copo 655 - Quinta de Camarate rosé 2016

Produzido com um dos duos de castas que melhores combinações fazem tanto em termos de tintos como em termos de rosés, este Quinta de Camarate rosado é um dos mais recentes lançamentos da José Maria da Fonseca, juntando-se aos já clássicos tinto, branco seco e branco doce.

Sendo proveniente duma região onde se produzem habitualmente brancos muito aromáticos e suaves, este Quinta de Camarate rosé também apresenta essas características, com as notas de frutos vermelhos e do bosque a sobressaírem, uma frescura acentuada na boca que lhe é dada por uma boa acidez, e um final vivo e persistente pontuado por uma discreta elegância.

Numa casa que já detém dezenas de marcas no seu portefólio distribuídas por várias regiões, este novo rosé não é apenas mais um vinho, mas sim uma novidade que tem boas condições para se afirmar neste segmento de mercado que se vai impondo cada vez mais.

Aguardamos por uma confirmação de qualidade consistente. Vamos ver como evolui em próximas colheitas. Poderá vir a ser uma recomendação interessante.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta de Camarate 2016 (R)
Região: Península de Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional (72%), Cabernet Sauvignon (28%)
Preço em feira de vinhos: 5,64 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 17 de fevereiro de 2018

No meu copo 654 - GA tinto 2016

Amareleja, freguesia do interior alentejano situada no concelho de Moura, quase a fazer fronteira com Espanha. Local mais quente do país. Aqui se registaram as temperaturas mais altas de Portugal desde que existem registos meteorológicos.

Granja-Amareleja, umas das 8 sub-regiões vitivinícolas do Alentejo, dividida entre os concelhos de Moura (distrito de Beja) e Mourão (distrito de Évora).

Há muitos anos que aqui se produz vinho, como comprova a fundação da Cooperativa Agrícola de Granja, que data de 1952. Também resulta daí a demarcação da região para a produção de vinhos DOC Alentejo, um pouco à semelhança das outras 7 sub-regiões onde existiam adegas cooperativas.

Esta região é algo diferente das outras. Desde logo por ter muito menos visibilidade quando comparada, por exemplo, com as sub-regiões vizinhas de Reguengos e Vidigueira, com as quais faz fronteira. Depois pelas temperaturas extremas no Verão. Finalmente porque ainda utiliza predominantemente as que há 25 anos eram as castas habituais no Alentejo. Ainda me recordo de começar a provar vinhos de Borba, Redondo e Reguengos em que o lote era quase sempre Moreto, Aragonês, Trincadeira e Periquita, como então ainda era conhecido o Castelão.

Entretanto houve a revolução vinícola que conhecemos e a explosão de produtores e área plantada, e a posterior migração de castas, tanto tintas como brancas, de sul para norte e, principalmente, de norte para sul, com o Alvarinho e as Tourigas a tornarem-se habituais nos lotes dos vinhos a sul do Tejo.

Já neste século, um dos nomes fortes da enologia portuguesa começou a dar uma mãozinha nos vinhos da Cooperativa da Granja. Sob a batuta do Prof. Virgílio Loureiro, surgiram novas marcas, deu-se ênfase à produção de vinhos em talha e recuperou-se o protagonismo do quase esquecido Moreto, esmagado pela ubiquidade de Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional ou Syrah.

E eis que surge este vinho de marca minimalista – tão minimalista que não consegui encontrá-la em lado nenhum nas minhas pesquisas no Google... – e com um lote tradicional: Aragonês, Moreto e Trincadeira.

E que vinho temos aqui? Talvez com alguma surpresa, dado o clima, encontrei um vinho estruturado e encorpado, com algumas notas de frutos pretos no aroma, final persistente mas suave e com alguma elegância. Ou seja, ao invés dum vinho robusto e pesado a reflectir o rigor do clima, obteve-se um vinho que mostra elegância, não parecendo ser originário dum terroir tão rigoroso.

Daqui se conclui que houve um bom trabalho na vinha e na adega para conseguir esta elegância no vinho. Não sendo de nos deixar de queixo caído, é um vinho que surpreende pela positiva, e merece certamente novas oportunidades.

Nota final: não consegui saber quanto custa este vinho, porque foi oferta.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: GA 2016 (T)
Região: Alentejo (Granja-Amareleja)
Produtor: Coop. Agrícola de Granja
Grau alcoólico: 14%
Castas: Moreto, Aragonês, Trincadeira
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

No meu copo 653 - Duas Quintas Reserva branco 2010

Foi demasiado tempo à espera. Este vinho foi adquirido em Setembro de 2013 e só agora, finalmente, decidimos bebê-lo. Tarde demais para tirar dele todo o partido.

A cor, dum amarelo quase de mel, já indiciava uma evolução acentuada. No nariz mostrou alguma mineralidade mas perdeu boa parte dos aromas a fruta. A acidez está lá, bem presente, a manter o vinho bem vivo na boca e persistente no final, com algumas notas a lembrar glicerina. Perdeu-se alguma frescura, ganhando-se em elegância.

Nesta fase, as notas de madeira – onde fermentou e posteriormente estagiou sobre borras finas durante 7 meses – já quase desapareceram, embora ainda se pressintam nos aromas mais voláteis.

Enfim, esperávamos um belo vinho, que não deixa de ser. Branco de guarda? Talvez, mas não justifica ser guardado tanto tempo para tirar dele todo o partido. Faltou-lhe a juventude que deixámos escapar. Requer-se uma nova investida para provar uma colheita no tempo certo.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Duas Quintas Reserva 2010 (B)
Região: Douro
Produtor: Ramos Pinto
Grau alcoólico: 13%
Castas: Rabigato (50%), Arinto (20%), Viosinho (20%), Folgazão (10%)
Preço em feira de vinhos: 14,11 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Na minha cozinha 652 - Frango à maricas

- 1 frango inteiro
- 1 limão
- 1 caldo Knorr de galinha
- Sal


Para quem aprecia frango assado, eis uma alternativa interessante ao tradicional frango no churrasco, muito fácil de fazer em casa.

Esfregue um frango inteiro com sal.

Introduza pelo orifício um caldo Knorr de galinha e um limão inteiro espetado com um garfo a toda a volta. Feche o orifício com linha ou palitos.

Barre o tabuleiro e o frango com margarina. Leve ao forno a cerca de 200 graus e deixe tostar bem dos dois lados. Dê especial atenção à zona das dobras das pernas e das asas.

Retire o limão e deixe escorrer o molho que entretanto se formou. Sirva com batatas fritas e acompanhe com um vinho tinto encorpado. Um Bairrada será boa companhia.

Kroniketas, enófilo de avental

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Na minha cozinha 651 - Bifes de novilho à “frère Jacques”

- Bifes de novilho (lombo ou vazia se possível, mas de boa qualidade)
- Sal
- Pimenta em moinho
- Alho
- Margarina
- Sumo de limão
- Mostarda (não de Dijon)
- Leite ou natas
- Ervas de Provence
- Um cálice de whisky


Compre bifes de novilho de boa qualidade, se possível altos. Tempere com sal, pimenta (de preferência moída na hora) e alho.

Leve a fritar em margarina em lume forte, deixe selar rapidamente dos dois lados e reduza para lume médio.

Junte mostarda (não muito forte), sumo de limão e leite ou natas para fazer o molho. Deixe continuar a fritar em lume brando. Retire do lume ainda mal passados.

Junte ervas de Provence ao molho e deite um cálice de whisky. Ponha o lume no máximo e deixe ferver para evaporar o whisky e engrossar o molho, agitando sempre a frigideira para o leite/natas não coalhar.

Quando o molho estiver com boa consistência e não souber demasiado a álcool volte a juntar os bifes, juntamente com o sangue que entretanto tiver escorrido da carne, e passe-os pelo molho em lume brando durante 1 minuto. Deixe mal passados ou retire do lume com a carne ainda rosada – quanto mais passados estiverem mais rija fica a carne.

Acompanhe com batatas fritas e com um vinho tinto medianamente encorpado e não demasiado adstringente – prefira um mais delicado que robusto para combinar com os vários sabores do molho.

Bon appétit.

Kroniketas, enófilo de avental