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domingo, 23 de abril de 2017

No meu copo 598 - Casa de Saima Garrafeira, Baga 2008

Adquirido na garrafeira Wines 9297, onde restava apenas uma meia-dúzia de exemplares, não resisti a experimentar este garrafeira da Casa de Saima, feito exclusivamente de Baga e a caminho dos 9 anos de idade. Talvez merecesse esperar mais uns anos, mas se ficamos todo o tempo à espera da melhor ocasião nunca sabemos quando ela chega.

Não tendo sido decantado, o que provou não ser a melhor opção, foi evoluindo como se esperava à medida que se esvaziava a garrafa.

Apresentou uma cor granada muito concentrada e no início mostrou-se muito fechado de aromas. À medida que se foi libertando revelaram-se aromas de compotas e frutos do bosque. Ao mesmo tempo foi mostrando mais acidez e estrutura, com alguma adstringência a ser amaciada.

No final, ficou a sensação de que se podia ter usufruído algo mais dando-lhe mais tempo para respirar, e estando mais tempo à mesa a apreciá-lo. Não houve tempo, mas numa próxima ocasião voltaremos a esta Casa de Saima, que agora ressurge sob a batuta de Paulo Nunes, o conhecido enólogo da Casa da Passarela.

Tal como aconteceu com outros produtores da Bairrada que estiveram como que “hibernados” durante algum tempo, este ressurge a querer ocupar o lugar que lhe deve pertencer.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Casa Casa de Saima Garrafeira, Baga 2008 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Graça Miranda
Grau alcoólico: 13,5%
Casta: Baga
Preço: 29,50 €
Nota (0 a 10): 8,5

terça-feira, 25 de junho de 2013

No meu copo 323 - Tintos velhos da Bairrada (3)

Caves São João Reserva 1985; Casa de Saima 1997; Casa de Saima 2000


Mais uma incursão por tintos velhos da Bairrada, desta vez perante umas costeletas grelhadas desta vez perante umas costeletas grelhadas e ainda na companhia do Mancha.

No caso em apreço, nenhum dos três vinhos provados se sobrepôs claramente aos outros. Todos se mostraram de perfeita saúde, sem sinais de declínio, mas já com evolução evidente, sendo que a diferenciação se fez mais pelo corpo, pela estrutura, persistência, frescura. Houve um certo destaque do Casa de Saima 1997, um pouco mais pujante que o de 2000.

Já o Caves de São João Reserva 1985, um clássico de muitos anos, sempre com muito boa estrutura e persistência, que eu já tinha provado há uns bons anos e que estava magnífico, apresentou-se já num ponto de evolução mais avançado, macio e encorpado mas sem tanta frescura e com menos bouquet. Mas em perfeito estado para beber, não obstante o ponto óptimo já estar lá para trás.

Em todo o caso qualquer um deles valeu a pena, para quem como nós aprecia este tipo de vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: Caves São João Reserva 1985 (T)
Produtor: Caves São João
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Casa de Saima 1997 (T)
Produtor: Rosa Rodrigues de Almeida
Grau alcoólico: 12%
Preço em feira de vinhos: 845 $ (comprado em 1999)
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Casa de Saima 2000 (T)
Produtor: Rosa Rodrigues de Almeida
Grau alcoólico: 12,5%
Preço em feira de vinhos: 4,65 € (comprado em 2002)
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 11 de junho de 2008

No meu copo 181 - Tintos velhos da Bairrada (1)

São Domingos 1991; Casa de Saima Reserva 1991; Messias 1987





O tempo é sempre uma surpresa. Para o bem ou para o mal. Costuma-se dizer que o tempo faz aos vinhos o mesmo que faz aos homens: apura os bons e azeda os maus. O problema é que nem sempre sabemos se o que se esconde por detrás da máscara, ou dentro da garrafa, é bom ou mau.

Guardar vinhos é uma aposta arriscada. Quantas vezes cada um de vós já foi buscar “aquela” garrafa que estava ali guardada para uma ocasião especial e ao abri-la o vinho estava passado, azedo, em vinagre? Quantas vezes uma rolha em mau estado deixou o líquido impróprio para consumo, ou se desfez dentro do gargalo? Mesmo nos não muito velhos às vezes isso acontece, quanto mais em vinhos com mais de uma década...

E há uma década faziam-se vinhos para guardar. Alguns diziam mesmo para aguentar durante 10 anos. Hoje são raros aqueles em que existe essa indicação, raríssimos os que nos dizem para aguentar durante 20 anos. Quando vêm para o mercado, na maior parte dos casos já esperaram o tempo suficiente para estarem no ponto certo para beber. E no entanto, quem não teve já aquela curiosidade de saber como é que aquele vinho estará daqui a uns anos, se agora está assim? Será que ainda pode melhorar?

Pois foi isso que este vosso amigo fez, precisamente há uns 10 anos. A casa era mais pequena, não havia arrecadação, a garrafeira começou a crescer e os vinhos começaram a passar da despensa para a casa de banho. Havia que dar uma solução àquilo. E a solução foi pegar numa série de prateleiras, pô-las no carro e levá-las para longe - de noite para não apanharem calor - algures para uma cave duma casa no Alentejo. Foram bastantes. Ainda lá estiveram umas 30 ou 40 garrafas que se foram abrindo quando lá ia. Quantas se revelaram já fora de prazo, adocicadas, parecendo mais vinho do Porto...

E no entanto... Há alguns meses resolvi trazer de regresso o que restava do stock. Cobertas de pó, com os rótulos meio desfeitos pela humidade. Havia que saber em que estado aquilo estava. Ficaram na arrecadação e comecei a trazê-las para cima a pouco e pouco. Uns bifinhos bem temperados eram um bom pretexto para abrir uma delas. O que teria o tempo feito a estes vinhos?

Eram todos do Dão e, sobretudo, da Bairrada. Muitos da Bairrada. Os primeiros foram abertos no Encontro de Eno-blogs na York House: dois Messias Garrafeira de 1983, que surpreenderam os presentes, até a mim próprio. Estavam bons, já muito evoluídos mas sem sinais de estragos. Isso entusiasmou-me a continuar.

Comecei por um São Domingos de 1991, comprado em 1994. As Caves São Domingos não têm tido grande destaque no panorama nacional, e mesmo na região. Não se vêem muitos por aí. Este, quando o comprei, era quase imbebível, de tão adstringente. Era daqueles vinhos da Bairrada que em novos só os apreciadores conseguem provar. Estava espectacular. Uma cor carregada, ainda fechada, aromas profundos bem marcados pela casta Baga, aromas terciários que vêm pelo copo acima, aquele aroma que se aspira sem parar e quase parece eterno e que até hoje só encontrei nos vinhos velhos da Bairrada. Na prova de boca, um corpo envolvente e robusto, mas com os taninos completamente amaciados por mais de uma década de repouso. Um grande vinho, daqueles que dão um prazer imenso a beber. O tempo foi-lhe benéfico.

Seguiu-se um Casa de Saima Reserva de 1991. Outro que em novo poucos conseguiriam beber. Comprado em 1995. Uma rolha impraticável. O saca-rolhas furou-a pelo meio e, assim como entrou, saiu. A rolha ficou lá no mesmo sítio, inamovível, e os destroços provocados pelo saca-rolhas ficaram dentro do líquido. As perspectivas eram as piores. Nova tentativa e era como se a rolha não estivesse lá. Tentei com um daqueles com duas patilhas, que tentam agarrar a rolha pelos lados, junto ao gargalo, mas a rolha não saía. Só restou a faca, com a qual tentei puxá-la aos bocados. E foi aos bocados que ela acabou por se ir desfazendo, até que não restou alternativa a não ser empurrá-la para dentro da garrafa.

Foi um processo demorado. Tive de recorrer ao decanter e a alguns filtros de café, que estão ali para estas emergências. Despejei o líquido pacientemente para dentro do decanter, em pequenas porções até ensopar o filtro. Foram uns 10 minutos nisto. No final consegui livrar o vinho dos destroços da rolha e a maior parte destes ainda ficou na garrafa. As fotos de cima mostram o estado em que a rolha ficou dentro da garrafa.

E na prova? Ainda melhor que o anterior. Fantástico. Um verdadeiro Bairrada à moda antiga. Nem um leve aroma a mofo, nem um toque de contaminação pela rolha, nem sequer um pouco de depósito no fundo. Uma cor quase retinta, retratada na foto, outra vez “aquele” aroma. Fui bebendo sem dar por isso. E quando dei, mais de ¾ da garrafa tinham marchado. Era só ir despejando do decanter para o copo. Uma experiência rara. Esqueci-me completamente dos termos que o pessoal escreve aqui nos blogs. Aromas assim ou assado, balsâmicos, tostados ou cacau? Quais frutos secos ou frutos vermelhos... Que interessa isso? Quero lá saber! Só usufruir daqueles momentos únicos, só eu e o vinho, e os meus bifes com ervas de Provence. Sei lá se vou encontrar mais algum assim... Será que os vinhos têm alma? Se têm, esta estava lá.

Prossegui o périplo por um Messias de 1987, comprado em 1993. Este mais “normal”, digamos, mas como os anteriores ainda muito bebível. Em novo não era tão agreste, pelo que agora não ganhou tantos aromas escondidos. Mas marca bem a diferença com o mesmo vinho de agora. Qualquer semelhança entre este e um Messias de 2003 ou 2004, só mesmo no nome. Mais um clássico, que agora cedeu aos ditames da moda.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Bairrada

Vinho: São Domingos 1991 (T)
Produtor: Caves do Solar de São Domingos
Grau alcoólico: 12%
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Casa de Saima Reserva 1991 (T)
Produtor: Rosa Rodrigues de Almeida
Grau alcoólico: 12,5%
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Messias 1987 (T)
Produtor: Sociedade Agrícola e Comercial dos Vinhos Messias
Grau alcoólico: 11,5%
Nota (0 a 10): 7,5