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sábado, 12 de abril de 2014

No meu copo 376 - Paulo da Silva Colecção Privada 1990

Uma segunda visita à Wines 9297, para adquirir mais umas garrafas do Casal da Azenha 2010, que tanto agradou, deu-me a possibilidade de encontrar à venda um vinho do mesmo produtor que há cerca de 20 anos se tornou quase mítico nas nossas surtidas a alguns restaurantes: o Paulo da Silva Colecção Privada, que pudemos degustar com frequência durante a década de 90, até deixar de se ver os vinhos de Colares tanto nos restaurantes como nas prateleiras.

Aproveitando a ocasião, trouxe duas garrafas deste outro exemplar de outra época, tratando desde logo de abrir uma delas. E deve dizer-se que o vinho não desiludiu minimamente. Apresentou uma cor rubi carregada, sem sinais de demasiada evolução nem na cor nem no aroma, que se mostrou ainda com alguma frescura, com bouquet profundo e aromas terciários a libertarem-se após algum tempo no copo. Na boca apresentou alguma delicadeza, com estrutura média e alguma persistência.

Sem dar mostras de declínio, pareceu estar para durar, pelo que pode ser uma aposta para aguentar mais uns anos na garrafa. E como recentemente têm estado a aparecer algumas garrafeiras a apostar em vinhos velhos, talvez venhamos ainda a repetir com outras colheitas. Ainda há poucos dias descobri na garrafeira Estado d’Alma, em Alcântara, um verdadeiro maná de vinhos antigos a preços irresistíveis...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Paulo da Silva Colecção Privada 1990 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 12%
Castas: João de Santarém, Tinta Miúda, Periquita
Preço: 5,90 €
Nota (0 a 10): 7,5


PS: O contra-rótulo menciona na composição as castas acima indicadas, sendo que actualmente se considera que a Periquita era a antiga designação da casta Castelão e João de Santarém era a mesma designação nas regiões de Ribatejo e Estremadura. Apesar desta incongruência, mantivemos a menção às designações indicadas na garrafa.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

No meu copo 312 - Esporão Reserva 2008; Quatro Castas Reserva 2007; Quatro Castas 2010

Depois da recente prova do Quatro Castas Reserva 2002, damos um salto no tempo para falar de colheitas mais recentes provenientes da Herdade do Esporão: o Reserva 2008 e o Quatro Castas 2007 e o 2010, este agora em nova versão.

Durante alguns anos considerámos que o Quatro Castas estava a dar melhores resultados do que a marca ex-libris da casa. Mais recentemente, a prova do Esporão Reserva da colheita de 2006, posteriormente repetida em mais do que uma ocasião, reconciliou-nos com a marca e levou-nos a apostar nas colheitas seguintes.

Entretanto, os monocastas, que emparelhavam com o Quatro Castas, passaram por uma fase em que eram vendidos em garrafas de meio-litro, depois voltaram ao formato de 7,5 dl, ao mesmo tempo que começavam a surgir os monocastas brancos. Nos últimos anos a roupagem duns e doutros mudou, os monocastas foram reposicionados em termos de preço (passando a custar entre cerca de 23 euros) e nos brancos surgiu o Duas Castas para emparelhar com o seu homólogo tinto. O que durante cerca de duas décadas foram vinhos relativamente acessíveis, tornaram-se produtos de luxo, tornando-se mais caros que a principal marca da casa por uma opção de marketing que me custa a entender... mas se calhar não tenho que a entender.

A verdade é que, nos tintos, só o Quatro Castas se manteve no mesmo patamar de preços, pelo que continuo a comprá-lo. Recentemente tive oportunidade de fazer uma prova comparada de colheitas recentes destas duas marcas e aferir do “estado da arte” em relação a estes dois vinhos.

O Esporão Reserva 2008 mostrou aquilo que se esperava dele e manteve o perfil que, com uma ou outra oscilação, sempre o caracterizou. A base andou sempre à volta de Aragonês, Trincadeira e Cabernet Sauvignon, com algumas incursões também pelo Alicante Bouschet. A colheita de 2008 voltou a ser constituída pelo trio base, sem a presença do Alicante, o que lhe dá um perfil mais aberto e ligeiramente mais leve. As 3 castas continuam a funcionar muito bem em conjunto, com uma boa profundidade aromática associada a um toque de madeira sempre em dose moderada, que ajuda a conferir alguma estrutura e persistência na prova de boca mas sem marcar o conjunto, que é dominado pelo fruto vermelho maduro, alguma especiaria e um final longo pontuado pelas notas da madeira, tudo bem suportado por taninos poderosos mas redondos.

O Quatro Castas aparece agora com outro perfil. Além da roupagem, também o conteúdo está diferente. Desde sempre foi um vinho diferente da corrente dominante, mesmo dentro dos vinhos da casa. A colheita de 2007, também provada recentemente, mantém ainda um perfil relativamente clássico com algumas semelhanças com as anteriores – podem ser vistas aqui (2005), aqui (2002), aqui e aqui (2001). No entanto, em comparação com o 2002, mostrou-se menos exuberante de aromas, menos persistente, menos estruturado, um vinho a prometer menor longevidade. Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah compõem este lote, que já lhe alterava o perfil habitual.

Já o 2010, dentro da nova roupagem e a nova variedade castas incorporadas e que até há poucos anos não entravam no lote, está mais frutado e mais fácil, mas quanto a mim perdeu algum encanto. Revendo todos os encómios que aqui fomos debitando ao longo dos anos acerca das provas que fazíamos deste vinho, dificilmente os reconheço neste novo perfil. Continua a ser agradável de beber, mas temo que agora seja apenas mais um.

O contra-rótulo anuncia que “o Aragonez confere estrutura, o Alfrocheiro aromas finos e vibrantes, a Tinta Caiada aveluda o palato e a Tinta Miúda acrescenta-lhe a elegância final”. Vinificaram separadamente e estagiaram 9 meses em barricas de carvalho americano. Tudo isso pode ser verdade, mas... parece que lhe falta qualquer coisa. Talvez a alma que eu encontrava nos outros, feitos à maneira clássica. Continua a ser bom, mas já não o acho encantador nem surpreendente como os antecessores.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Alentejo (Reguengos)
Produtor: Esporão

Vinho: Esporão Reserva 2008 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 12,99 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: Quatro Castas 2007 (T)
Grau alcoólico: 14 %
Castas: Aragonês, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,84 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Quatro Castas 2010 (T)
Grau alcoólico: 14,5 %
Castas: Aragonês, Alfrocheiro, Tinta Miúda, Tinta Caiada
Preço em feira de vinhos: 9,84 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

No meu copo 200 - Quinta da Alorna: Reserva 2002; Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003

Terminamos a segunda centena de posts dedicados a provas com mais uma abordagem aos vinhos da Quinta da Alorna, um produtor ribatejano de Almeirim por cujos vinhos temos passado com alguma frequência, e nesta segunda centena já o fizemos várias vezes. Desta vez eu e o Mancha provámos, com uns bifes de novilho Angus, dois tintos Reserva que se revelaram completamente diferentes: um Reserva de 2002 e um Reserva de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon de 2003. Abrimos as duas garrafas ao mesmo tempo e servimos ambos os vinhos, que fomos bebendo alternadamente ao longo da refeição.

Desde logo o Reserva apresentou-se mais aberto, macio e suave. A Tinta Miúda estagiou 9 meses em carvalho americano e o Cabernet Sauvignon em carvalho francês. Na prova apresenta-se redondo na boca, com taninos suaves e grau alcoólico moderado. O aroma é discreto e o final relativamente curto. Um vinho adequado para pratos delicados de carne.

O Reserva de Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon mostrou outra estaleca. Com um aroma muito mais profundo e exuberante, na prova de boca aparece em todo o esplendor com um corpo volumoso, taninos pujantes bem presentes, com aroma a frutos vermelhos e alguma especiaria no início, a madeira resultante do estágio de 12 meses bem integrada no conjunto e um final com boa persistência e complexidade. Mas o mais curioso é que ao fim de uma hora o perfil do vinho muda completamente, surgindo então notas adocicadas de compota e frutos silvestres.

Isto mostra que muitas vezes não temos tempo de apreciar o vinho na totalidade quando a garrafa acaba. Neste caso, como fomos provando os dois vinhos em simultâneo eles duraram mais tempo e houve tempo suficiente para se libertarem na totalidade e desenvolverem todos os aromas escondidos. Este Reserva de Touriga e Cabernet foi realmente uma surpresa. É um vinho que se aguenta perfeitamente com pratos de carne bem temperados e pesados, pois está ali cheio de vigor. Belo vinho para chegar ao post nº 200. Hei-de procurá-lo novamente por aí, se possível já nas próximas feiras de vinhos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Ribatejo (Almeirim)
Produtor: Quinta da Alorna Vinhos

Vinho: Quinta da Alorna Reserva 2002 (T)
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Cabernet Sauvignon, Tinta Miúda
Preço em feira de vinhos: 5,25 €
Nota (0 a 10): 7

Vinho: Quinta da Alorna Reserva, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2003 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 5,68 €
Nota (0 a 10): 8,5


PS: já depois da publicação deste post recebi a Revista de Vinhos deste mês, onde o vinho à venda é precisamente o Quinta da Alorna Reserva, Touriga e Cabernet 2006. Por 5,95 € é imperdível.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

No meu copo, na minha mesa 79 - Quinta do Sanguinhal 1998; William Fevre 2004; Restaurante O Jacinto (Lisboa)



Este é um dos restaurantes de Lisboa que conheço há mais tempo. Situa-se numa vivenda em Telheiras, na zona da antiga Quinta de S. Vicente, junto à Azinhaga das Galhardas. Para lá chegar, a melhor forma é apanhar a 2ª circular no sentido Aeroporto-Benfica e sair na primeira a seguir ao Campo Grande. Entra-se directamente na azinhaga e chega-se imediatamente a uma espécie de alameda onde fica o restaurante. Indo do lado de Benfica, ou se vai ao Campo Grande e volta-se para trás para usar esta saída, ou tem de se entrar por Telheiras e, algures nuns semáforos a seguir à escola, virar à direita e andar por umas ruelas sem grande identificação até chegar à rua do restaurante.

Em tempos recuados tinha uma das melhores açordas de marisco da capital, senão a melhor. Valia a pena ir lá para comer a açorda. Também havia uns croquetes quentinhos para entrada que eram uma delícia. Na década de 80 atravessou uma crise que pode ter sido justificada por cortar nos ingredientes. Lembro-me duma açorda que em vez de marisco tinha apenas delícias do mar. Actualmente tem marisco, embora pouco e cortado ao meio, mas a açorda continua a ter aquele paladar que fez as minhas delícias há 30 anos. A verdade é que nas últimas visitas a casa estava cheia, e na última assim aconteceu.

Além da inevitável açorda de marisco, vieram para a mesa um caril de gambas, uma picanha e uma perna de porco assada no forno. Destes só provei a picanha, porque fui lá de propósito para comer a açorda de marisco (isto porque ir ao Pap’Açorda no Bairro Alto nem sempre é prático). A picanha cumpriu como é habitual. A açorda também. Muito bem temperada, com muita salsa, bastante aromática, na consistência certa. Enfim, apesar de modesta na quantidade de marisco, soube bem comer e deixou-me plenamente satisfeito, assim como os restantes comensais que optaram pelo prato.

Para sobremesa vieram apenas duas encharcadas de ovo, talvez um dos melhores doces de ovos que existem. Tal como no Alqueva, comeu-se e ficou a apetecer mais.

O serviço é atencioso, simpático, rápido e eficaz, o ambiente acolhedor, a ementa variada. Não será o melhor restaurante de Lisboa, mas tem todas as condições para ser um dos melhores, e só não será se os responsáveis não quiserem.

Para os líquidos, como havia peixes e carnes, pediu-se um branco e um tinto, e tentámos fugir ao mais habitual, pedindo dois vinhos menos vistos. Apesar de uma carta de vinhos extensa (embora pobre nalgumas regiões), como é frequente nos restaurantes portugueses pede-se um vinho que está na carta e depois não existe na garrafeira. Assim voltou a acontecer por duas vezes, e acabámos por ficar por um William Fevre (branco) e um Quinta do Sanguinhal (tinto).

Foi a minha segunda experiência com um William Fevre. A primeira tinha sido no Chafariz do Vinho, com um Sauvignon Blanc de 2004. Desta vez não era mencionada a casta, mas no contra-rótulo vinha a indicação de ser apenas Chardonnay. Tinha uma bela cor amarelo palha, era frutado como quase todos os Chardonnay, mas desta vez sem ser enjoativo, com um toque floral e bastante equilibrado em termos de corpo e acidez, denotando bastante frescura no paladar. Agradou a todos os presentes, embora eu tivesse gostado mais do Sauvignon Blanc por ser mais suave.

Para o tinto escolhemos este da região de Óbidos, que em tempos já teve algum destaque com o Gaeiras (branco e tinto), mas que na última década tem andado mais ou menos desaparecida. A verdade é que este Quinta do Sanguinhal de 1998, já com alguma evolução bem presente, revelou-se ainda em grande forma e foi uma agradável surpresa. Bom corpo, uma cor retinta e bons taninos, bom equilíbrio entre o carácter frutado e a madeira nova de carvalho francês, suave e elegante no paladar. Ficámos curiosos acerca deste vinho com menos dois ou três anos, poderá ser um caso a ter muito em conta. Sem dúvida um vinho a rever.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados e esclarecidos

Vinho: William Fevre 2004 (B)
Região: Chablis - Borgonha (França)
Produtor: William Fevre - Chablis
Grau alcoólico: 12%
Casta: Chardonnay
Preço no restaurante: 27,50 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Quinta do Sanguinhal 1998 (T)
Região: Estremadura (Óbidos)
Produtor: Companhia Agrícola do Sanguinhal
Grau alcoólico: 12%
Castas: Castelão, Tinta Miúda, Carignan
Preço no restaurante: 15,50 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: O Jacinto
Av. Ventura Terra, 2 (Telheiras)
1600 Lisboa
Tel: 21.759.17.28
Preço médio por refeição: 25 €
Nota (0 a 5): 4