terça-feira, 10 de julho de 2018

João Portugal Ramos, 25 anos - Adega Vila Santa (3ª parte)




Os 25 anos da João Portugal Ramos Vinhos ficam também assinalados por uma reconversão das instalações da Adega Vila Santa, no Monte da Caldeira, mesmo ao lado de Estremoz.

Numa visita que tivemos oportunidade de fazer ao monte, a convite da empresa, pudemos constatar as alterações introduzidas na zona dos lagares fermentação, na adega e na linha de engarrafamento.

Esta, principalmente, é um modelo exemplar de tecnologia ao serviço da distribuição: todo o processo de engarrafamento, rolhagem, rotulagem e embalamento das garrafas é completamente mecânico e automático, desde a colocação das garrafas na linha de engarrafamento a partir das paletes, até ao fecho das caixas com as garrafas. Pelo meio, claro, existem alguns operadores a controlar o percurso e a parar o sistema se houver... engarrafamento na linha de engarrafamento (uma caixa que dobra, uma garrafa que tomba...).

O actual projecto, denominado Caldeira 6 (o primeiro foi em 1997) consiste também em concentrar todas as linhas de engarrafamento em Estremoz, incluindo aqui os projectos dos Vinhos Verdes, Duorum e Foz de Arouce. Simultaneamente estão a ser concluídos 6 novos lagares de cimento que já deverão ser utilizados para a pisa na próxima vindima.

Finalmente, o enólogo/produtor separou-se da Falua e encerrou o capítulo do seu projecto de vinhos no Tejo, embora ainda mantenha a mesma imagem nas garrafas durante os próximos dois anos.

Terminado o percurso pela adega e junto às vinhas, parámos num alpendre onde nos aguardavam alguns acepipes para aconchegar o estômago, como uma espécie de paté de caça, queijos e enchidos, acompanhados pelo mais recente espumante da casa, o Marquês de Borba bruto rosé 2014. Elaborado com duas castas tintas, Pinot Noir e Touriga Nacional, é um rosé seco, elegante e vibrante na boca, revelando uma boa frescura e vivacidade. Nota: 8

Passámos então à sala onde decorreu o almoço, onde os convidados foram distribuídos por quatro mesas indicadas nos rótulos de garrafas estrategicamente dispostas à entrada. Em cada mesa ficou pelo menos um representante da casa, e no meu caso tive a companhia duma das responsáveis pela exportação, Maria Pica, que já passou antes pela enologia.

O prato de entrada foi um bacalhau confitado sobre cama de caldo verde, acompanhado pelo novo Marquês de Borba Vinhas Velhas branco 2017. Esta nova marca já tem o dedo do filho mais velho de João Portugal Ramos, João Maria, que já participa activamente na enologia. Elaborado com Arinto, Antão Vaz, Alvarinho e Roupeiro, é um vinho com estrutura e com boa acidez mas que neste momento ainda está demasiado marcado pela madeira. Precisa claramente de tempo em garrafa para crescer e amaciar. Nota: 7

Seguiu-se o prato de carne, galinhola estufada (uma delícia), que foi acompanhada por dois tintos: um vinho surpresa, servido a partir de decanter para não criar expectativas antecipadas, e que se revelou ser o mais recente Marquês de Borba DOC tinto 2017, que a partir de agora passará a ostentar a palavra “Colheita” no rótulo. João Portugal Ramos explicou que considera esta uma das melhores colheitas já realizadas do Marquês de Borba, pelo que resolveu dá-lo a conhecer neste almoço. Foi elaborado com as castas Alicante Bouschet, Aragonês, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot e Merlot, tendo estagiado em meias pipas de carvalho. Apresentou-se bastante frasco e aromático, com aroma intenso a frutos vermelhos maduros, com taninos redondos e suaves. Continua a ser uma referência nesta gama de vinhos. Nota: 7,5

Em seguida um dos vinhos mais esperados do dia, o Marquês de Borba Vinhas Velhas tinto 2016, já referido no post anterior.

Para terminar, uma repetição do jantar comemorativo dos 25 anos, o Porto Vintage Dourum 2007. Excelente como sempre. Nota: 8,5

Foi uma magnífica e agradável jornada, a qual agradecemos a toda a equipa da João Portugal Ramos Vinhos e em especial ao enólogo-produtor, que ainda nos agradeceu no final por termos lá estado. Nós é que agradecemos por toda a simpatia com que nos têm tratado, com uma palavra para Marta Lopes que nos mantém sempre em contacto. Só podemos deixar aqui uma enorme vénia a esta família e a esta equipa, e os votos de que venham pelo menos outros 25 anos com tanto ou mais sucesso como até aqui.

O nosso muitíssimo obrigado, e até ao próximo evento ou ao próximo vinho.

Kroniketas, enófilo itinerante

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