sexta-feira, 9 de outubro de 2015

No meu copo 481 - O. Leucura 200 Reserva 2008; O. Leucura 400 Reserva 2008

À laia de evento de rentrée, o caçador convidou o grupo para ferrar o dente nuns bons nacos de javali. Cozinhado em estufado com um molho generoso construído com legumes, cogumelos e vinho, foi bem acolitado por arroz branco e salada de alface.

Para as entradas e as conversas antes do prato principal, beberam-se um Tons de Duorum branco de 2014 e um Marquês de Borba branco de 2013 (assunto para outro artigo). Os convivas preferiram maioritariamente o segundo, incluindo estes escribas, se bem que o do Douro possa ter sido um pouco prejudicado por ter sido bebido mais frio.

Falando dos vinhos tintos: apresentaram-se para degustação o O. Leucura* Cota 200 de 2008 e o seu irmão O. Leucura Cota 400 de 2008, botelhas gentilmente oferecidas pela João Portugal Ramos há já alguns meses (tal como os brancos referidos).

Os vinhos foram produzidos da mesma forma, apenas diferindo na altitude a que foram colhidas as uvas para ambos: umas à cota de 200 metros e outras à cota de 400 metros. Ambos passam por um estágio de cerca de 24 meses, de acordo com cada lote e cada casta, sendo 70% barricas de carvalho novo e 30% de carvalho de segundo e terceiro ano.

Dos dois, e contrariamente ao que se poderia esperar devido ao nosso gosto por vinhos de altitude, a opinião foi unânime e as preferências foram para o Cota 200, com um corpo mais cheio e aromas mais desenvolvidos.

Cor vermelha muito profunda e densa, aroma intenso e complexo, dominado pelos frutos pretos maduros, e uma maior suavidade em relação ao da Cota 400. É um vinho poderoso, denso, e com muita estrutura.

O da Cota 400 apresenta os taninos mais evidentes, é mais volumoso e cheio mas um pouco mais rústico.

Neste segmento de mercado não há vinhos maus ou aceitáveis – há vinhos bons, muito bons e fora de série.

Estes O. Leucura são ambos excelentes vinhos mas, para o segmento em que se inserem, estávamos à espera de algo mais acima. As afirmações anteriores em nada maculam a qualidade destes vinhos, simplesmente estávamos à espera de algo ainda melhor.

Correndo o risco de ser injustos, porque nos estamos a cingir a uma única colheita e a uma garrafa apenas de cada uma das referências, pensamos que ainda lhe falta “um bocadinho assim” para se transformar numa daquelas referências grandes dos vinhos nacionais.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados

Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos

Vinho: O. Leucura cota 200, 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 80 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: O. Leucura cota 400, 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 80 €
Nota (0 a 10): 8


*O. Leucura é o nome de um pássaro que habita a zona onde está situada a Quinta de Castelo Melhor, onde a Duorum produz os seus vinhos, e que a empresa tenta proteger através do seu projecto de sustentabilidade.

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