quinta-feira, 29 de outubro de 2015

No meu copo, na minha mesa 487 - Fonte de Gonçalvinho 2012; Restaurante Sala de Corte (Lisboa)

 


Numa bela tarde lisboeta juntaram-se quatro comensais para experimentar um restaurante aberto recentemente numa rua das traseiras do renovado mercado da Ribeira, na zona do Cais do Sodré (não, não é no famigerado mercado, uma caótica amálgama de balcões, mesas corridas, bancos de madeira e magotes de gente de tabuleiro na mão desesperadamente à procura dum buraquinho para se sentar. Decididamente, não se recomenda).

Não, esta “Sala de corte” é um restaurante especializado em cortes de carne de bovino, passam por vazia, picanha, entrecôte, lombo, chateaubriand e chuletón.

Sendo quatro os presentes, optámos por pedir 3 cortes distintos: entrecôte, lombo e chuletón. As carnes vêm servidas em tábuas, fatiadas em pequenos nacos, o que nos permitiu repartir equitativamente os 3 cortes entre os convivas e assim degustar adequadamente cada uma das iguarias. Preferências? Difícil... Eu diria... todas! Mas o lombo, inevitavelmente, acaba sempre por merecer uma menção especial, sem desprimor para os outros.

A acompanhar, pequenas taças de batatas fritas, esparregado e tomate cherry. Serviço atento, rápido e competente, ambiente intimista (a sala não alberga mais de 30 pessoas, já contando com os lugares disponíveis ao balcão). Qualidade irrepreensível na carne, como se esperava, a abrir o apetite para novas visitas.

A garrafeira, não sendo muito vasta, está bem recheada e com uma variedade interessante, com os vinhos mantidos a temperatura adequada (o que é sempre de realçar em Portugal).

A escolha recaiu numa das marcas da nova geração do Dão, um Fonte de Gonçalvinho 2012, produzido a partir de 4 castas emblemáticas da região. Mostrou-se suave, aromático, com aromas a frutos vermelhos e muito ligeiro toque amadeirado com taninos muito discretos, primando pela elegância e com uma persistência suave, que ligou muito bem com os nacos fatiados da carne grelhada, fazendo uma excelente parceria.

Bebeu-se com tanta facilidade que rapidamente tivemos de passar à segunda garrafa. É um vinho guloso, daqueles que se vão bebendo quase sem dar por isso.

Em resumo, um evento a repetir. Tanto no restaurante como no vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Fonte do Gonçalvinho 2012 (T)
Região: Dão
Produtor: Fonte de Gonçalvinho
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Jaen
Preço no restaurante: 12,50 €
Nota (0 a 10): 8

Restaurante: Sala de Corte
Rua da Ribeira Nova, 28
1200-371 Lisboa
Telef: 21.346.00.30
Preço por refeição: 35 €
Nota (0 a 5): 4,5

domingo, 25 de outubro de 2015

No meu copo 486 - Companhia das Lezírias 2008

Continuamos na região do Tejo, agora para provar um vinho da Companhia das Lezírias, detentora de uma das maiores propriedades agrícolas do país.

Este vinho DOC do Tejo, adquirido em 2013 já com 5 anos de idade, foi mais um a passar com distinção a prova do tempo. Provado agora 7 anos após a colheita, apresentou-se com grande saúde e bastante juventude.

Com uma cor retinta mais típica dos vinhos novos, mostrou-se estruturado, robusto e encorpado, persistente e longo, mas ao mesmo tempo macio e redondo na boca, com ligeiras notas a frutos vermelhos e final com um toque a especiarias. Estagiou durante 8 meses em barricas novas de carvalho francês e americano, e mais um ano em garrafa, estando a madeira bastante integrada e disfarçada no conjunto, sem sobressair e dando mais estrutura ao vinho.

Este pode ser considerado um bom exemplo do novo perfil dos vinhos do Tejo, cuja qualidade tem subido em flecha, e que já mostraram em diversas provas que podem perfeitamente entrar no lote dos vinhos com longevidade e que conjugam a robustez com a suavidade.

Para a gama de preços em que se posiciona, é impossível pedir mais deste vinho. É uma boa compra, com uma boa relação qualidade/preço, e merece figurar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Companhia das Lezírias 2008 (T)
Região: Tejo
Produtor: Companhia das Lezírias
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Castelão, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 2,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

No meu copo 485 - Padre Pedro Reserva 2005


Continuamos a abrir os vinhos com 10 anos. Desta vez a escolha recaiu na versão Reserva deste clássico da Casa Cadaval, uma marca implantada firmemente entre os vinhos ribatejanos e já com uma longa tradição nas versões monocasta, como os excelentes Cabernet Sauvignon e Trincadeira, à maneira clássica, e o Pinot Noir em versão ribetejana mais atípica.

Apresentou-se com uma cor granada carregada, aroma a frutos pretos maduros com algumas notas florais (predominância de violetas típicas da Touriga Nacional), encorpado com excelente estrutura e equilíbrio, final longo e persistente e macio.

Talvez este precise de ser bebido mais novo, pois a combinação de castas merece ser apreciada com mais alguma vivacidade e juventude. A rever.

Kroniketas, enófilo esclarecido



Vinho: Padre Pedro Reserva 2005 (T)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Touriga Nacional (50%), Trincadeira (30%), Cabernet Sauvignon (10%), Merlot (10%)
Preço em feira de vinhos: 8,75 €
Nota (0 a 10): 7,5

sábado, 17 de outubro de 2015

No meu copo 484 - Serros da Mina Reserva 2009

Este era um vinho para mim completamente desconhecido. Vi-o no Mercado de Vinhos do Campo Pequeno de 2014. É proveniente da Herdade das Barras, em Vila Nova da Baronia, na zona da Vidigueira.

Apresentou uma cor granada, notas aromáticas de frutos pretos e vermelhos, alguma especiaria e tabaco. Na boca tem uma estrutura envolvente e suave, com alguma robustez mas sem ser agressivo, com final prolongando e a mostrar taninos firmes. Pareceu ser um vinho com potencial para guardar, pois apresentou-se com bastante robustez e vivacidade para um vinho com 6 anos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Serros da Mina Reserva 2009 (T)
Região: Alentejo (Vidigueira)
Produtor: Herdade das Barras
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Aragonês, Trincadeira, Syrah
Preço: 8,00 €
Nota (0 a 10): 7,5

terça-feira, 13 de outubro de 2015

No meu copo 483 - Serras de Grândola: Edição Especial branco 2014; Cepas Cinquentenárias tinto 2013

Pela segunda vez em menos de um ano cruzei-me com os vinhos deste produtor. Foi no evento Hello Summer WineParty, em Julho passado. Voltei a provar os vinhos e voltei a levar duas garrafas para casa. Repeti o tinto e mudei de branco: desta vez foi um Edição Especial, uma variante que passa por estágio em madeira.

De facto este branco mostra-se ligeiramente amadeirado, estruturado, longo, com bom equilíbrio entre corpo, estrutura e acidez. No entanto, como fã de brancos mais aromáticos e frescos, prefiro claramente o outro branco anteriormente provado, o monocasta Verdelho, embora este Edição Especial não deslustre.

Quanto ao tinto Cepas Cinquentenárias, repetiram-se as impressões colhidas da primeira vez. Boa estrutura, aroma balsâmico, persistente e elegante. Um vinho com potencial para guardar.

Vou continuar a seguir com atenção os vinhos deste produtor e, quando me cruzar novamente com estes vinhos, certamente levarei sempre algumas garrafas para casa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Península de Setúbal
Produtor: Monte da Serenada

Vinho: Serras de Grândola, Edição Especial 2014 (B)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Viognier, Gouveio
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Serras de Grândola, Cepas Cinquentenárias 2013 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Castelão, Baga, Bastardo, Camarate
Preço: 9,00 €
Nota (0 a 10): 8

No meu copo 482 - Marquês de Borba branco 2013; Tons de Duorum branco 2014

Na mesma ocasião referida no post anterior, as hostilidades abriram, como vai sendo habitual, com brancos para ir entretendo as entradas, até porque o final de Verão estava quente e pedia algo para refrescar antes da passarmos aos pesos pesados dos tintos que se iriam seguir.

Aproveitando a onda dos vinhos gentilmente cedidos pela João Portugal Ramos Vinhos, abrimos um branco alentejano e um duriense, que confirmaram as impressões de provas anteriores.

O Marquês de Borba branco mostrou-se um vinho com uma boa frescura e acidez, muito equilibrado, na linha do que temos vindo a descobrir nestes brancos produzidos em Estremoz, tal como acontece com o Loios e o Vila Santa. Notável a elegância destes brancos para uma zona de baixa altitude e elevadas temperaturas.

Por outro lado, o Tons de Duorum branco, da colheita mais recente, embora igualmente suave, perdeu aos pontos para o seu parceiro de ocasião. Apresentou-se com aroma algo discreto, corpo um pouco delgado e liso nos sabores. Não desagrada e é correcto, mas não se guinda mais além.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Marquês de Borba 2013 (B)
Região: Alentejo (Estremoz - Borba)
Produtor: João Portugal Ramos Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Arinto, Antão Vaz, Viognier
Preço em feira de vinhos: 4,17 €
Nota (0 a 10): 7,5

Vinho: Tons de Duorum 2014 (B)
Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos
Grau alcoólico: 12,5%
Castas: Viosinho, Rabigato, Verdelho, Arinto, Moscatel Galego
Preço em feira de vinhos: 3,04 €
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

No meu copo 481 - O. Leucura 200 Reserva 2008; O. Leucura 400 Reserva 2008

À laia de evento de rentrée, o caçador convidou o grupo para ferrar o dente nuns bons nacos de javali. Cozinhado em estufado com um molho generoso construído com legumes, cogumelos e vinho, foi bem acolitado por arroz branco e salada de alface.

Para as entradas e as conversas antes do prato principal, beberam-se um Tons de Duorum branco de 2014 e um Marquês de Borba branco de 2013 (assunto para outro artigo). Os convivas preferiram maioritariamente o segundo, incluindo estes escribas, se bem que o do Douro possa ter sido um pouco prejudicado por ter sido bebido mais frio.

Falando dos vinhos tintos: apresentaram-se para degustação o O. Leucura* Cota 200 de 2008 e o seu irmão O. Leucura Cota 400 de 2008, botelhas gentilmente oferecidas pela João Portugal Ramos há já alguns meses (tal como os brancos referidos).

Os vinhos foram produzidos da mesma forma, apenas diferindo na altitude a que foram colhidas as uvas para ambos: umas à cota de 200 metros e outras à cota de 400 metros. Ambos passam por um estágio de cerca de 24 meses, de acordo com cada lote e cada casta, sendo 70% barricas de carvalho novo e 30% de carvalho de segundo e terceiro ano.

Dos dois, e contrariamente ao que se poderia esperar devido ao nosso gosto por vinhos de altitude, a opinião foi unânime e as preferências foram para o Cota 200, com um corpo mais cheio e aromas mais desenvolvidos.

Cor vermelha muito profunda e densa, aroma intenso e complexo, dominado pelos frutos pretos maduros, e uma maior suavidade em relação ao da Cota 400. É um vinho poderoso, denso, e com muita estrutura.

O da Cota 400 apresenta os taninos mais evidentes, é mais volumoso e cheio mas um pouco mais rústico.

Neste segmento de mercado não há vinhos maus ou aceitáveis – há vinhos bons, muito bons e fora de série.

Estes O. Leucura são ambos excelentes vinhos mas, para o segmento em que se inserem, estávamos à espera de algo mais acima. As afirmações anteriores em nada maculam a qualidade destes vinhos, simplesmente estávamos à espera de algo ainda melhor.

Correndo o risco de ser injustos, porque nos estamos a cingir a uma única colheita e a uma garrafa apenas de cada uma das referências, pensamos que ainda lhe falta “um bocadinho assim” para se transformar numa daquelas referências grandes dos vinhos nacionais.

tuguinho e Kroniketas, enófilos esforçados

Região: Douro
Produtor: Duorum Vinhos

Vinho: O. Leucura cota 200, 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 80 €
Nota (0 a 10): 8,5

Vinho: O. Leucura cota 400, 2008 (T)
Grau alcoólico: 14%
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca
Preço: 80 €
Nota (0 a 10): 8


*O. Leucura é o nome de um pássaro que habita a zona onde está situada a Quinta de Castelo Melhor, onde a Duorum produz os seus vinhos, e que a empresa tenta proteger através do seu projecto de sustentabilidade.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

No meu copo 480 - Bairrada Follies, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2007

Da Lousã damos agora um saltinho ao coração da Bairrada, para regressar a uma marca da Aveleda que conhecemos há já alguns anos e que, embora não se veja muito por aí à venda, me tem agradado sempre que me cruzo com ela.

Trata-se do Follies, que começou por incidir especialmente nos brancos da região dos Vinhos Verdes e na Bairrada, aparecendo também na Bairrada com uma versão em tinto.

A primeira prova foi da colheita de 2004, e agora abri esta de 2007, que tinha sido adquirida em 2010. Cinco anos depois da compra, mostrou o que é a verdadeira Bairrada no seu esplendor. Uma saúde e frescura notáveis para um vinho com 8 anos, pujante sem ser adstringente, encorpado, persistente, taninos bem firmes mas macios, um vinho a pedir carnes bem temperadas, com aromas florais e a frutos vermelhos em mais um bom casamento entre a portuguesíssima Touriga Nacional e a bordalesa Cabernet Sauvignon, que têm demonstrado fazer uma ligação quase perfeita, tanto em tintos como em rosés.

É verdade que a Aveleda tem vindo a alterar o seu portefólio de marcas, mas esta, se ainda houver por aí, é uma aposta a repetir pelas boas provas que já forneceu. E se não for com esta marca, que seja com outra.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Follies, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon 2007 (T)
Região: Bairrada
Produtor: Aveleda Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 8

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

No meu copo 479 - Quinta de Foz de Arouce tinto 2007

Aproveitando um primeiro “clássico” futebolístico cá do burgo (e não “derby”, como alguns teimosamente insistem em chamar a um FC Porto-Benfica ou Benfica-FC Porto), os dois fundadores deste blog – que já se aguenta por aqui vai para 10 anos (!!!) – resolveram partilhar as incidências do jogo (que não terminou lá muito bem para as nossas cores) para depois partilhar as incidências do vinho, a acompanhar uns bifes de novilho Angus fritos à moda de cervejaria...

Com o tuguinho de receita na mão e o Kroniketas de mão na frigideira, a primeira experiência não correu mal de todo. Falta fazer ali umas pequenas afinações nas quantidades de alguns ingredientes, mas pode-se almejar fazer um repasto para um grupo mais incrementado. Não faltou, obviamente, o indispensável ovo a cavalo e as batatas fritas. Numa próxima ocasião vamos juntar esparregado, que fica sempre bem com estes pratos.

Para acompanhar esta iguaria requeria-se um tinto bem estruturado embora não demasiado agressivo, tendo a escolha recaído num Quinta de Foz de Arouce 2007 da garrafeira do tuguinho, um vinho produzido sob a batuta de João Portugal Ramos. Não se decantou, como talvez justificasse, mas arrefeceu-se como se impunha, porque a temperatura exterior estava demasiado alta para se poder beber sem passar pelo frio. Depois de duas horas na porta do frigorífico, estava no ponto óptimo para consumir. A decantação... fez-se para os copos, o que nos permitiu ir apreciando a evolução do vinho à medida que o nível descia na garrafa.

Vinificado com maceração completa e estagiado em meias-pipas de carvalho, apresentou a Baga e a Touriga muito bem casadas, com corpo bastante e sem exageros, taninos dóceis e belíssimo fim de boca, num conjunto extremamente elegante, em que os oito anos passados da data de colheita também fizeram decerto o seu papel. Quando se chegou ao fim já tínhamos saudades. Do bife e do vinho...

Ah pois é...

tuguinho e Kroniketas, enófilos em rentrée

Vinho: Quinta de Foz de Arouce 2007 (T)
Região: Regional Beiras
Produtor: Conde de Foz de Arouce Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Castas: Baga, Touriga Nacional
Preço em feira de vinhos: 9,95 €
Nota (0 a 10): 8