sexta-feira, 31 de outubro de 2014

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

No meu copo 412 - Dona Ermelinda Reserva 2011

“Elaborado com base na casta mais típica da região, o Castelão, com um toque de Touriga Nacional, Trincadeira e Cabernet Sauvignon. Envelhecido 12 meses em pipas de carvalho francês, é um vinho muito complexo, elegante e macio.”

Assim reza o contra-rótulo deste Dona Ermelinda Reserva 2011, que experimentei pela primeira vez, depois de já ter provado o colheita branco e o colheita tinto. As impressões que ficaram não parecem justificar a escolha deste Reserva em detrimento do colheita, pois não coincidem com o que o contra-rótulo anuncia.

O vinho apresentou-se excessivamente alcoólico, extremamente concentrado, poderoso, a precisar de amaciar na garrafa. Para já, de elegante e macio não se encontra lá nada. Pelo contrário, está um vinho pesado, muito cheio na boca tornando-se cansativo. Talvez daqui a uns anos faça jus ao que se anuncia, talvez esteja a vir demasiado cedo para o mercado.

Seja como for, por esta razão ou outra qualquer, não é daqueles que apeteça ir comprar outra garrafa logo a seguir...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Dona Ermelinda Reserva 2011 (T)
Região: Península de Setúbal
Produtor: Casa Ermelinda Freitas
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Castelão, Touriga Nacional, Trincadeira, Cabernet Sauvignon
Preço em feira de vinhos: 4,99 €
Nota (0 a 10): 6

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Na Wine O’Clock 18 - Casa de Santar

Em mais uma presença na Wine O’Clock, ocorrida há cerca de um mês, tivemos mais uma oportunidade (em boa hora, diga-se de passagem) para provar alguns dos vinhos da Casa de Santar, propriedade emblemática da Dão Sul e na própria região do Dão.

Tivemos igualmente o prazer de contar com a presença do sempre disponível enólogo Osvaldo Amado, que com a simpatia habitual nos falou dos vinhos em presença.

Depois do encontro na Quinta de Cabriz organizado pelos #daowinelovers em Janeiro, boa parte destes vinhos foram apenas revisitados, mas agora com a vantagem de não estarem dispersos no meio de várias dezenas.

Passando a uma breve apreciação dos vinhos, tivemos em presença os Casa de Santar Reserva branco 2013, tinto 2011 e Touriga Nacional 2010, o Condessa de Santar branco 2011 e o espumante 2010, o Conde de Santar (tinto) 2009 e o Casa de Santar Colheita Tardia 2010.

Dum modo geral, o nível dos vinhos apresentados esteve num patamar bastante elevado, começando pelos Casa de Santar Reserva. O tinto Reserva não nos surpreendeu, como habitualmente, mostrando a sua característica elegância, sem deixar de mostrar uma boa estrutura na boca temperada por grande suavidade e taninos macios. Um verdadeiro must na gama média-alta. Já o branco Reserva mostrou uma evolução de perfil desde a última vez que o tínhamos provado, com madeira agora muito mais domada e menos marcada, mostrando agora uma elegância e uma frescura que antes lhe faltava. Mudou claramente para melhor, o que se saúda. Quanto ao Touriga Nacional, depois dos vinhos de lote, acaba por perder um pouco em termos de complexidade, sem deixar de mostrar um bom aroma e também bastante suavidade.

Depois passámos à realeza, onde entraram os pesos-pesados. O Condessa de Santar, feito de Encruzado e Bical, que há uns anos era uma baforada de madeira no nariz a na boca, agora mostra-se delicado, com grande frescura e acidez, um vinho duma elegância notável que não se esperava. Para grandes e requintados pratos de peixe. Também o espumante do mesmo nome se mostra suave, elegante, fresco e macio.

O Conde de Santar, elaborado com Touriga Nacional, Alfrocheiro e Tinto Cão, apresenta-se suave e elegante mas com os aromas muito fechados. É claramente um vinho de grande potencial mas preferencialmente de guarda. Precisa de tempo para se libertar no copo e para melhorar na garrafa.

Finalmente, o Colheita Tardia confirmou as impressões anteriores: é mais leve e aberto que outros do género, menos doce e portanto menos enjoativo. Pode ser uma boa aposta para começar a gostar de vinhos doces.

Em suma, uma prova excelente, com uma amostra da elevada qualidade dos produtos da Casa de Santar, em que o melhor elogio que podemos fazer é que são todos bons, muito bons ou excelentes. Melhor que isto é difícil exigir.

Kroniketas, enófilo esclarecido

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

No meu copo 411 - Grand’Arte, Shiraz 2007

Outro vinho com 7 anos, outra boa prova. Neste caso da região Lisboa/ex-Estremadura, um exemplar monocasta da longa lista da DFJ Vinhos.

Já o temos dito aqui, há muitos vinhos de Syrah que, apesar da publicidade, não nos convencem e francamente são mais os exemplares que desagradam do que o contrário. Algumas das melhores excepções vêm precisamente da região de Lisboa, onde a casta parece encontrar o espaço ideal para se desenvolver e gerar vinhos interessantes.

No caso deste Grand’Arte não encontrámos um daqueles vinhos chatos feitos de Syrah que se vêem por outras paragens. Deparámo-nos, antes, com um vinho elegante e persistente, ainda com um bom aroma frutado, macio e longo.

A cor granada mostrava uma concentração que depois na boca não apareceu, sobressaindo principalmente alguma elegância e macieza, com um ligeiro fundo de madeira, onde estagiou apenas 3 meses, a integrar e equilibrar o conjunto.

Quem disse que não vale a pena guardar vinho?

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Grand’Arte, Shiraz 2007 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: DFJ Vinhos
Grau alcoólico: 13%
Casta: Syrah
Preço com a Revista de Vinhos: 5,95 €
Nota (0 a 10): 7,5

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

No meu copo 410 - Padre Pedro 2007

Este é um cliente antigo das nossas garrafeiras, e um dos tais que normalmente não nos deixam ficar mal. Sendo um vinho da gama baixa de preços, é dos tais que valem bem mais do que aquilo que custam.

Aliás, a Casa Cadaval prima por normalmente não nos desiludir, mesmo nos vinhos de entrada de gama. Há alguns meses provámos um branco que, não sendo da mesma estirpe deste tinto, também não deslustra o nome da casa.

O contra-rótulo indicava poder ser guardado até 4 anos, pelo que ao fim de 7 anos esta garrafa, a caminhar para uma idade respeitável, poderia apresentar sinais de declínio. Contudo não foi o que aconteceu. O vinho apresentou-se pleno de saúde e aromas a frutos vermelhos ainda com alguma juventude, suave, persistente, elegante, bem estruturado na boca e com boa persistência.

Portanto, pareceu estar longe do fim do seu tempo de vida útil, pelo que poderá ser comprado e esquecido durante algum tempo, porque quando for bebido não deverá defraudar o consumidor. Também merece constar na nossa lista de sugestões.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Padre Pedro 2007 (T)
Região: Tejo (Muge)
Produtor: Casa Cadaval
Grau alcoólico: 13,5%
Castas: Aragonês (40%), Trincadeira (40%), Cabernet Sauvignon (15%), Merlot (5%)
Preço em feira de vinhos: 3,49 €
Nota (0 a 10): 7,5

domingo, 12 de outubro de 2014

Na minha mesa 409 - Restaurante O Funil (Lisboa)

Situado na zona chamada de Avenidas Novas da capital, este restaurante é um clássico lisboeta que só há poucos anos tive oportunidade de conhecer por dentro. Há poucos anos foi alvo de uma remodelação, pelo que o que antes era a entrada para o restaurante passou a ser entrada para o balcão, abrindo-se agora outra porta ao lado que dá acesso directo à sala de refeições do 1º andar, cujo acesso se fazia internamente.

No 1º andar a sala é separada ao meio pelo acesso das escadas, pelo que se pode optar por uma de duas zonas separadas, uma com janelas sobre a rua, a outra mais interior.

Ao entrar, o ambiente que se respira é desde logo o de um restaurante de nível acima da média. A decoração da sala, das mesas, tudo indica um ambiente recatado. No entanto, à hora de almoço é bastante frequentado (estamos no coração de Lisboa e numa zona onde funcionam muitos serviços), tornando-se muito mais calmo e intimista à hora de jantar, com uma luz repousante e difusa.

A ementa é bem fornecida, conquanto não demasiado extensa. Destaca-se uma variedade apreciável de pratos de bacalhau, com realce para o “bacalhau à Funil” (uma espécie de variante do bacalhau com natas) e o “bacalhau com broa”, recheado com espinafres. Das vezes que lá fui optei sempre por um destes pratos, ambos muito bem conseguidos e apaladados.

A carta de vinhos é bem fornecida, tendo sido justamente aqui que travei conhecimento com os brancos Follies da Aveleda, e onde tive oportunidade de provar quer o verde Alvarinho quer o bairradino Chardonnay e Maria Gomes, ambos já aqui apreciados noutra ocasião.

O serviço não é a despachar, demora o seu tempo, pelo que quem lá for convém que não vá à pressa. É um restaurante onde vale a pena ir numa ocasião mais calma, para desfrutar do ambiente e saborear os acepipes. E convém não ir a pensar numa refeição barata, porque também não será.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Restaurante: O Funil
Avenida Elias Garcia, 82
1050 Lisboa
Tel: 21.796.60.07
Preço médio por refeição: 30 €
Nota (0 a 5): 4,5


Actualização a Fevereiro de 2017: o restaurante mudou de aspecto e de estilo, já nada tendo a ver com o perfil tradicional de antes.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

No meu copo 408 - Bucelas Caves Velhas Garrafeira Branco Seco 1998

Continuamos a provar vinhos velhos de pequenas regiões às portas de Lisboa. Passamos dos tintos para os brancos, e de Colares para Bucelas. Esta foi levada pelo tuguinho e aberta como entrada para um repasto dos comensais do costume.

Já se sabe que beber tintos velhos não é fácil para muita gente, mas brancos velhos ainda é mais complicado. Começam a ficar sem frescura, perdem acidez e às vezes a tender para o enjoativo. Não são mais fáceis de apreciar que os tintos velhos.

Este Garrafeira 1998 das Caves Velhas fermentou e estagiou 6 meses em meias pipas de carvalho nacional, e mais seis meses em garrafa. Mostrou-se um grande branco velho, com uma cor deliciosamente dourada e sem aromas espúrios.

Já não era propriamente um vinho seco, antes começava a tender para o adocicado. Na boca apresentou-se cheio, com a acidez ainda bem presente, corpo meio melado, a pedir tempo para respirar e libertar mais aromas. Claro que não é vinho para muitas comidas, é mais para apreciar a solo e tentar descobrir os mistérios de como um branco pode envelhecer tão nobremente. Não há dúvida que o Arinto por vezes parece fazer milagres, mas há quem diga que o grande segredo está no Rabo de Ovelha...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Bucelas Caves Velhas Garrafeira Branco Seco 1998 (B)
Região: Bucelas
Produtor: Caves Velhas - Enoport
Grau alcoólico: 11,5%
Castas: Arinto (80%), Esgana Cão, Rabo de Ovelha
Preço em hipermercado: 7,29 €
Nota (0 a 10): 8,5

sábado, 4 de outubro de 2014

No meu copo 407 - Collares V. S. 1994

Foi com algum receio que abrimos esta garrafa, na companhia de outras com vinhos mais robustos, para acompanhar um jantar de costeletas de novilho grelhadas com uma versão quase completa dos “Comensais Dionisíacos”. O tuguinho insistia que o vinho seria demasiado delicado e que pediria um prato mais suave. Eu contrapus que alguma vez teríamos de bebê-lo e que quase sempre comíamos bifes ou costeletas, portanto não havia grandes alternativas.

A razão, felizmente, esteve do meu lado. O vinho aguentou-se esplendorosamente, não ficou abafado pelos temperos da comida, e quanto mais o bebíamos mais apetecia beber. Com 20 anos de idade, apresentou uma frescura e uma persistência notáveis, mostrando-se suave, macio, elegante, com excelente acidez e final longo. Os aromas frutados, claro, não estão muito presentes, mas aparece no seu lugar uma complexidade aromática e de sabor, com aromas terciários a libertarem-se do copo e percorrendo o palato enquanto rodamos o vinho pela boca.

Para uma região que quase deixou de existir e ficou reduzida a uma expressão mínima, não há dúvida que cada garrafa que abrimos é uma agradável surpresa, ficando a sensação de que os vinhos de Colares são quase eternos. Muitas vezes quase imbebíveis enquanto novos, envelhecem nobremente e parecem sempre melhorar com o tempo. E veja-se como o baixo grau alcoólico em nada prejudica o envelhecimento, pois embora mais delgado de corpo, a acidez e persistência na boca compensam largamente a baixa graduação, pelo que o vinho não se esvai no palato nem na garganta.

Esta garrafa foi adquirida pelo saudoso Mancha, que há um ano nos deixou, pelo que brindámos à sua memória da melhor forma. O vinho parece eterno, assim como é a sua lembrança nas nossas memórias.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Collares V. S. (Visconde de Salreu) 1994 (T)
Região: Colares
Produtor: António Bernardino Paulo da Silva
Grau alcoólico: 11%
Castas: não indicadas
Preço: 19,55 €
Nota (0 a 10): 9