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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

No meu copo 727 - Lybra tinto 2006

Neste início de ano, revisitamos a Quinta do Monte d’Oiro para a primeira edição do Lybra tinto, que substituiu o nosso bem conhecido Vinha da Nora.

A colheita de 2006 foi a primeira do mesmo vinho com um novo rótulo e novo nome. O perfil, esse, mantém-se praticamente inalterado. A mesma elegância do antecessor, o mesmo perfume, a mesma delicadeza.

Esperei todos estes anos para abrir esta garrafa para ver como se comportava, e como seria de esperar foi com distinção.

Esta marca, como se sabe, deu depois origem ao lançamento dum branco e dum rosé que agora, após o 20º aniversário da primeira colheita e a reformulação dos rótulos e marcas, passam a ser Quinta do Monte d’Oiro colheita.

Pelo que já foi possível provar, auguramos os melhores auspícios, naturalmente.

Kroniketas, enófilo esclarecido


Vinho: Lybra 2006 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em hipermercado: 7,99 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Quinta do Monte d’Oiro - Os novos vinhos aristocráticos




A Quinta do Monte d’Oiro procedeu à apresentação da nova gama de vinhos e rótulos, com uma alteração de marcas e imagens de modo a uniformizar a designação dos vinhos e a sua apresentação. A última grande alteração de imagem tinha ocorrido há cerca de 10 anos. Nesta de agora trata-se mais de alguns ajustes de pormenor nos rótulos segundo um novo conceito.

O evento decorreu no piso superior do restaurante Eleven, no alto do Parque Eduardo VII, em Lisboa, e contou com a presença de vários colaboradores da casa, a começar por pai e filho, José e Francisco Bento dos Santos, além de outros ligados às equipas de enologia e marketing.

A começar pelos nomes dos vinhos, a partir de agora todos os produtos do portefólio passarão a partilhar a mesma designação debaixo da marca Quinta do Monte d’Oiro. Deixam assim de existir as marcas Lybra, Aurius, Têmpera, Madrigal e Syrah 24, qua ganham novas designações.

Acompanhados por uns petiscos que iam desfilando pela sala, estiveram disponíveis para prova todas as 11 marcas disponíveis.

A primeira novidade que tive oportunidade de conhecer foi o novo Reserva rosé, que vai na segunda edição e foi uma boa revelação. Este é o rosé que passa por madeira e resultou num vinho muito equilibrado e aromático, elegante e com estrutura quando baste sem ser pesado, com uma cor salmão desmaiada. Promete.

Os outros já eram conhecidos de outras ocasiões, mas não podemos deixar de distinguir o Reserva tinto, claramente um vinho doutra dimensão num nível médio já de si elevadíssimo, mas em que este vinho nos transporta para outro patamar. Todos os restantes acima da gama de entrada até agora designada como Lybra, o Reserva branco (ex-Madrigal), o Petit Verdot, o Touriga Nacional (ex-Aurius), o Tinta Roriz (ex-Têmpera), o Parcela 24 (ex-Syrah 24) e o Ex Aequo são vinhos de elevado gabarito e que fazem as delícias do enófilo mais exigente. Difícil é escolher qual é aquele de que se gosta mais.

Quanto aos rótulos, partilham agora o mesmo sol com diferentes cores em cada garrafa, apresentando motivos de fundo que variam com a gama. O único que mantém tanto um rótulo como uma marca diferente é o Ex Aequo, que assim se diferencia dos restantes.

A partir de agora será uma questão de habituação até a identificação dos vinhos se tornar automática. Tentando resumir a situação, poderíamos apresentá-la desta forma.



Marca anterior
Nova marca
Lybra (tinto, branco, rosé)
Quinta do Monte d’Oiro (tinto, branco, rosé)
Madrigal
Quinta do Monte d’Oiro Reserva branco
Aurius
Quinta do Monte d’Oiro Touriga Nacional
Single Vineyard | Limited Edition
Têmpera
Quinta do Monte d’Oiro Tinta Roriz
Single Vineyard | Limited Edition
Syrah 24
Quinta do Monte d’Oiro Parcela 24
Single Vineyard | Limited Edition


Marcas que se mantêm

Quinta do Monte d’Oiro Reserva tinto

Quinta do Monte d’Oiro Reserva rosé

Quinta do Monte d’Oiro Petit Verdot
Single Vineyard | Limited Edition

Ex Aequo



Existem depois designações adicionais nos nomes dos vinhos monocasta (Touriga Nacional, Tinta Roriz, Petit Verdot e Parcela 24), que apresentarão ainda a indicação Single Vineyard | Limited Edition, uma vez que cada um deles representará uma parcela única e específica da vinha. Se quisermos ser um pouco mais perfeccionistas, poderemos acrescentar esta designação nos vinhos indicados (texto a azul na tabela acima).

Entretanto estão já em vias de lançamento as novas colheitas sob o chapéu da nova marca:

• Reserva Branco 2017 (Vinho Biológico)
• Reserva Rosé 2017
• Reserva Tinto 2014
• Tinta Roriz 2015
• Touriga Nacional 2015
• Parcela 24 2015
• Ex Aequo 2015


Resta-nos agradecer à Quinta do Monte d’Oiro, em particular na pessoa do Director-Geral Francisco Bento dos Santos, a oportunidade que nos proporcionou para assistir ao evento e pelas informações transmitidas, e desejar as maiores felicidades nesta nova etapa, a que se auguram os melhores auspícios. A qualidade do trabalho realizado assim o merece, e cá estaremos para acompanhar.

Kroniketas, enófilo informado

Fotos do evento por Krónikas Viníkolas
Imagens dos novos rótulos e do design dos mesmos fornecidas pelo produtor

domingo, 7 de outubro de 2018

Quinta do Monte d'Oiro - Amanhã há novidades...



E antes das novidades tivemos oportunidade de voltar a provar o Clarete 2006 e o Vinha da Nora 2005.

Estão simplesmente espectaculares! O Vinha da Nora parece um vinho eterno! Merece uma enorme vénia!

Kroniketas, enófilo informado e embevecido

Imagens recebidas do produtor

No meu copo 704 - Lybra: branco 2015; rosé 2016

Regressamos à Quinta do Monte d’Oiro para uma prova do branco e do rosé da gama Lybra.

Esta, que sucedeu à marca Vinha da Nora, foi alargada primeiro com um branco e depois com um rosé.

O Lybra branco já tinha sido provado anteriormente e revelou-se uma excelente surpresa, com todas as características dos melhores vinhos branco da região vitivinícola de Lisboa/Estremadura: muita frescura, excelente acidez, notas frutadas e minerais intensas, persistência e ao mesmo tempo elegância na prova de boca, com final macio, vivo e complexo. Se o primeiro impacto tinha sido muito positivo, o segundo não lhe ficou atrás.

O Lybra rosé é algo diferente. Elaborado apenas a partir de Syrah, que tem dado excelentes resultados nos tintos ali produzidos, resultou num vinho com um perfil a tender para o adocicado. Eu gosto deles mais secos e ácidos, e as experiências anteriores com Syrah não foram totalmente satisfatórias. “Syrah” uma boa casta para fazer rosés...?

Para já, deixemo-lo com o benefício da dúvida, até porque nesta casa habituámo-nos a que saibam muito bem o que andam a fazer, como o comprovaram as últimas provas aqui relatadas.

Aguardemos por novos lançamentos, até porque há novidades a chegar...

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro

Vinho: Lybra 2015 (B)
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viognier, Arinto, Marsanne
Preço em feira de vinhos: 7,49 €
Nota (0 a 10): 8

Vinho: Lybra 2016 (R)
Grau alcoólico: 12%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 6,99 €
Nota (0 a 10): 7,5

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

No meu copo 699 - Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006

Por falar em Quinta do Monte d’Oiro, nada melhor para antecipar o post nº 700 do que falar deste vinho surpreendente, que me veio parar às mãos numa promoção rara. Tão rara, e tão surpreendente, que os próprios produtores lhe perderam o rasto se surpreendem com as qualidades que este vinho mostra.

Só por uma vez aqui falámos dele, embora já o tivéssemos provado posteriormente. Na época em que o tuguinho provava mas também escrevia, foi graças a ele que descobrimos esta pequena pérola. Na altura o vinho até nem parecia nada de especial, era mais a originalidade e a diferenciação que o tornavam um vinho interessante.

Mas depois de me cruzar com ele nunca mais deixei de tê-lo debaixo de olho, que é como quem diz, se aparecer a oportunidade por um preço interessante, pode ser que valha a pena.

E a oportunidade surgiu numa promoção online da colheita de 2006, já anteriormente provada mas não relatada. Como o vinho está praticamente ausente do circuito, achei que seria interessante voltar a prova-lo. O preço era convidativo e, como tal, o risco pouco elevado.

E que surpresa se revelou! Foi consumido quase de surpresa, sem preparação e sem “aqueles” copos adequados. Tal como a compra, o consumo foi uma questão de oportunidade!

Achei curioso guardar o que diz o contra-rótulo: consumir nos primeiros dois anos, o que significa que estamos, “apenas”, 10 anos fora do prazo. “Estamos” em teoria, porque o vinho estava tudo menos fora de prazo!

Apesar duma rolha teimosa e em mau estado, a prova foi excelente a todos os níveis! Atenção: este vinho, apesar da etiqueta que colocámos no post, não é um rosé. O conceito de clarete é um vinho tinto leve, aberto na cor e para consumir fresco (e jovem). Não estava assim tão fresco, mas bateu-se galhardamente com os acepipes que acompanhou. Cheio de frescura, acidez, aroma limpo meio apetrolado, transparente e brilhante na cor, muito vivo na prova de boca e com boa estrutura e ainda com frutos vermelhos presentes no aroma, e sem quaisquer sinais de evolução excessiva. Parecia novo!

Para um vinho que era uma espécie de sobra do tinto emblemático da casa (o Vinha da Nora, cuja colheita de 2005 também ainda está em grande forma), poderíamos usar uma frase simples e vulgar mas que retracta este vinho na perfeição: saiu melhor que a encomenda!

Dito isto, se ele ainda voltar a andar por aí não vou deixá-lo escapar. É um vinho que merece ser conhecido e apreciado, pelo prazer que proporciona mas também pela originalidade que representa.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Quinta do Monte d’Oiro Clarete 2006 (R)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Casta: Cinsault
Preço: 5,25 €
Nota (0 a 10): 8

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Na Quinta do Monte d’Oiro, em momento pré-vindimas...




Uma oportunidade rara levou-me pela primeira vez à Quinta do Monte d’Oiro, onde se aguarda o momento oportuno para iniciar as vindimas, o que deverá acontecer na próxima semana.

O assunto não era propriamente o vinho, mas sistemas de refrigeração, pelo que fui mais para ver e ouvir. O local é lindo e delicioso, pelo que aproveitei para tirar algumas fotografias. Na encosta mais ao fundo crescem 9 ha de novas videiras plantadas recentemente.

Nos cachos são visíveis os estragos provocados pela onda de calor do início de Agosto. Cerca de 1/4 das uvas de Syrah visíveis na imagem (primeira e segunda fotos) parecem ter sido sugadas: estão completamente murchas e secas. Estimam-se quebras na produção na ordem dos 20%, embora na região alguns produtores tenham sofrido perdas até 50%, com alguns casos mais gravosos de perda total.

Como dizia o outro: é a vida... E quando São Pedro não ajuda...

Kroniketas, enófilo viajante

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

No meu copo 694 - Vinha da Nora 2005

Este também é uma repetição, e foi provado na mesma ocasião do Vallado Prima referido no post anterior.

A última prova desta colheita (e última com este nome, pois em 2006 já apareceu com o novo rótulo e com o actual nome, Lybra) já tinha acontecido há alguns anos, mas ainda sobreviveram duas garrafas (e ainda se encontram por aí no mercado), que resolvi deixar para abrir em ocasião que o justificasse. E nada melhor que fazê-lo em boa companhia e a acompanhar uns belos bifes à café.

Começámos por deparar-nos com dificuldades inultrapassáveis na remoção da rolha, que se recusou a sair do gargalo e nem com todos os artefactos disponíveis foi possível extrair inteira. Depois de meio esfarelada e extraída em vários pedaços, a parte final teve de ser empurrada para dentro da garrafa. Seguiu-se a inevitável operação de decantação e filtragem para outro recipiente, para nos livrarmos dos restos de rolha que boiavam.

Como esta situação já aconteceu antes, não fiquei nada preocupado com o facto de ter empurrado a rolha para dentro do vinho, uma vez que depois de arejado ele acaba sempre por recuperar. E assim voltou a acontecer. Nem sinal de contaminação pela rolha, com os aromas muito limpos e a cor bastante concentrada.

Já se falou deste vinho por várias vezes neste blog, pelo que não há muito para acrescentar pelas suas características. Há muitos anos que o baptizei como vinho aristocrático (um adjectivo que é mais ou menos transversal a todos os vinhos da casa) e mais uma vez confirmei essa impressão. Para um vinho com 13 anos, sujeito a este mau trato na abertura, a saúde, juventude, concentração e acidez com que se apresentou são notáveis, e só confirmam estar-se em presença dum vinho de grande nível, que se pode beber com qualquer idade. Este não mostrou quaisquer sinais de envelhecimento precoce nem declínio, parecendo ter apenas uma meia-dúzia de anos. Está ali para durar, a julgar por aquilo que se bebeu.

De resto, é um vinho que se bate estoicamente com as marcas mais prestigiadas (e mais caras) da casa, e, não me canso de dizê-lo, dos melhores exemplares do Syrah produzido em Portugal. O Lybra manteve esta linha e tradição, mas a memória deste Vinha da Nora é daquelas que perduram no tempo.

Mais um grande vinho! Se o encontrarem à venda, não hesitem: comprem-no. Ou então avisem-me para eu ir lá comprá-lo!

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Vinha da Nora 2005 (T)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 14%
Casta: Syrah
Preço em feira de vinhos: 9,24 €
Nota (0 a 10): 8,5

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Na Wine Company 2 - Quinta do Monte d’Oiro



Subitamente, encontrei uma pasta com umas fotografias esquecidas, duma prova que decorreu há largos meses na garrafeira The Wine Company com vinhos da Quinta do Monte d’Oiro. Esta garrafeira mudou de localização, situando-se agora na Rua Barão de Sabrosa, por trás da fonte luminosa da Alameda D. Afonso Henriques.

Apesar de já ter perdido actualidade, resolvi publicar este apontamento dada a qualidade dos vinhos em prova. Esteve presente o filho do produtor José Bento dos Santos, Francisco Bento dos Santos, General Manager da empresa, que nos apresentou o Lybra branco e o rosé, mais uma gama de tintos de excelência.

Há quem goste mais do estilo, há quem goste menos. Há quem ache que estes vinhos não são nada de especial.

Não é o nosso caso, que já tivemos oportunidade de provar os vários vinhos da casa por mais de uma vez, e dentro dos vinhos tintos concebidos com base na casta Syrah estes estão seguramente entre os melhores produzidos em Portugal. Com um perfil diferente, ao mesmo nível só estarão os das Cortes de Cima, mas os da Quinta do Monte d’Oiro serão porventura aqueles que melhor expressam a casta em território nacional.

Baseados noutras castas (como Touriga Nacional e Tinta Roriz, nomeadamente), tanto o Aurius como o Têmpera (este com 100% de Tinta Roriz) mostram também um perfil de excelência. As nossas impressões, recolhidas anteriormente, confirmaram-se em pleno nesta prova.

Estes vinhos são o melhor exemplo de que a robustez se pode conjugar com a finesse e a elegância, e confirmam uma designação que inventei para eles ainda no tempo da marca Vinha da Nora: são o que eu chamo “vinhos aristocráticos”.

Sou fã de todos.

Kroniketas, enófilo esclarecido

sábado, 19 de dezembro de 2015

No meu copo 496 - Quinta do Monte d'Oiro: Aurius 2002; Têmpera 2004; Reserva 2004

A descrição da prova que se segue foi uma ocasião especialíssima, daquelas que acontecem uma vez por acaso e que tornam cada momento único.

Tratou-se de uma prova horizontal de vinhos de topo da Quinta do Monte d’Oiro. Por ordem crescente de qualidade e de preço, a ordem da prova seguiu o mesmo critério: tivemos um Aurius 2002 (que já tinha sido provado há uns anos), um Têmpera 2004 e um Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004, tudo adquirido numa única caixa pelo valor imbatível de 66,50 €.

Os três vinhos foram arrefecidos e decantados atempadamente, de modo a estarem nas condições óptimas de consumo quando chegasse o momento de os verter nos copos. A acompanhar, umas costeletas de novilho assadas na brasa ao momento, complementadas com alho moído, molho de alho e molho cocktail.

Decantados os três vinhos como era requerido, fomos provando pela ordem requerida e intercalando cada um deles para estabelecer comparações. A qualidade de todos é tão elevada que quase parece um sacrilégio tentar diferenciá-los. Em todo o caso, em traços gerais as impressões colhidas foram as que se seguem.

Aurius 2002 – No ponto óptimo de consumo. Elegante, encorpado, persistente, profundo. Magnífico.

Têmpera 2004 – Estagiou 15 meses em barricas de carvalho francês. Muito estruturado, persistente, encorpado, longo. Elegante e persistente na boca e equilibrado no aroma.

Quinta do Monte d’Oiro Reserva 2004 – Estagiou em barricas 100% novas de carvalho francês Seguin Moreau. Estruturado e longo, elegante e com taninos de seda. De cor vermelho escuro, que não deixa revela a idade do vinho, apresenta aromas de fruta preta e alguma especiaria, madeira discretíssima e integrada, acidez irrepreensível, tudo no ponto certo. Um vinho quase perfeito. A mestria de José Bento dos Santos no seu auge.

Em resumo: são momentos como os que nos permitem usufruir de néctares de excepção como estes que nos fazem sentir como há coisas belas nesta vida.

Obviamente, perante este nível qualitativo, e apesar do preço, estes vinhos merecem estar nas nossas escolhas.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro

Vinho: Aurius 2002 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Touriga Nacional, Syrah, Tinta Roriz, Petit Verdot
Preço: 19 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Têmpera 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Casta: Tinta Roriz
Preço: 26 €
Nota (0 a 10): 9

Vinho: Quinta do Monte d'Oiro Reserva 2004 (T)
Grau alcoólico: 14,5%
Castas: Syrah (96%), Viognier (4%)
Preço: 37,50 €
Nota (0 a 10): 9,5

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

No meu copo 474 - Lybra branco 2014

Outra bebida provada nas férias foi a versão em branco do Lybra, a marca que substituiu o Vinha da Nora no portefólio da Quinta do Monte d’Oiro.

Numa deslocação a um bar-restaurante em Ferragudo – o Club Nau, na margem oposta do rio Arade em relação a Portimão, já no concelho de Lagoa – houve que escolher um vinho para acompanhar uma cataplana de tamboril. A oferta era interessante e variada, e contrariamente aos preços dos pratos (quase proibitivos) os preços dos vinhos eram razoáveis para restaurante. Tentando fugir um pouco à vulgaridade e sem esticar os custos exageradamente, optámos por este branco da zona de Alenquer.

Sabe-se que o produtor José Bento dos Santos tenta reproduzir na Quinta do Monte d’Oiro a produção das Cotes du Rhône, dada a similitude de clima e terreno. Assim tem usado nos seus vinhos duas castas emblemáticas daquela região vinícola do sudeste de França, o Syrah nos tintos e o Viognier nos brancos. É precisamente o Viognier que vamos encontrar na base deste Lybra branco, complementada com Marsanne e com o portuguesíssimo Arinto.

O resultado é um vinho muito aromático, seco, frutado, suave, longo e fresco e com uma bela acidez. Casou na perfeição com a cataplana e soube tão bem aos comensais que, para acompanhar o bife na pedra que veio a seguir – este sim, a preço absurdo e em quantidade diminuta –, em vez de mudarmos para um tinto continuámos no branco. No final, entre 4 pessoas consumimos 3 garrafas...

Eis um excelente exemplo do aumento de qualidade dos brancos portugueses, e este é mais um que se recomenda. Embora não seja barato, a qualidade é bem acima da média e vale bem o preço que custa.

Parabéns à Quinta do Monte d’Oiro por mais este belo vinho.

Kroniketas, enófilo esclarecido

Vinho: Lybra 2014 (B)
Região: Lisboa (Alenquer)
Produtor: José Bento dos Santos - Quinta do Monte d’Oiro
Grau alcoólico: 13%
Castas: Viognier, Arinto, Marsanne
Preço: cerca de 9 €
Nota (0 a 10): 8

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (2ª parte)

    
  

(continuação)

Começámos por bebericar uns goles de brancos da Chocapalha, primeiro o Arinto, depois o Sauvignon Blanc, a seguir o Reserva, passámos ao Verdelho da Quinta de Sant’ana e ainda conseguimos chegar ao Riesling, que desapareceu das garrafas rapidamente. Não agradou particularmente o rosé Mar de Lisboa, algo desmaiado na cor e incaracterístico no sabor. Talvez seja de rever o modo de produção...

Foi interessante ir fazendo a comparação dos vários brancos de acordo com as castas e os lotes. Claro que nem todos agradaram por igual a toda a gente, até porque os gostos dos presentes são algo díspares (principalmente no caso das senhoras), mas a qualidade média, fum modo geral, era bastante elevada, mostrando aquilo que marca actualmente estes vinhos atlânticos: muita frescura e acidez, o que os torna bastante apelativos e fáceis de beber. Há que aproveitar da melhor forma as condições que o clima propicia para produzir vinhos que dêem verdadeiro prazer a beber, em vez de andar a carregá-los de madeira, prática que por aqui não parece fazer grande escola: apenas na conta, peso e medida certas.

Passando à zona dos tintos, encontrámos alguns pesos pesados dos três produtores, e fomo-nos dividindo entre eles. Provou-se um excelente Quinta de Sant’Ana em garrafa magnum, muito bem estruturado e encorpado, um Pinot Noir com aquela levez característica e delicadeza típica da casta, um Cabernet Sauvignon da Chocapalha, equilibrado, redondo e persistente, e ainda se voltou ao excelente Reserva da Quinta do Monte d’Oiro apenas para comprovar as impressões colhidas recentemente na Delidelux: um vinho de qualidade e elegância superiores.

Já mais para o meio da tarde, e de estômago reconfortado, rumámos então à adega, em cujo piso inferior encontrámos algumas colheitas mais antigas ou raras, como alguns vinhos das décadas de 90 e 2000 da Quinta do Monte d’Oiro em plena forma, que tivemos oportunidade de provar, como o Homenagem a António Carquejeiro 2001 e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva 98, dois néctares de excepção e plenos de elegância.

Novidade absoluta foi um CH by Chocapalha, um vinho recente a pedir tempo na garrafa. Por ali ficámos mais algum tempo a mirar os outros vinhos, mas acabámos por terminar a ronda sem grandes demoras, pois ainda nos esperavam umas dezenas de quilómetros ao volante de regresso à capital.

Em jeito de balanço, foi um dia diferente e muito bem passado, com vinhos muito interessantes e alguns muito bons. É de louvar este tipo de iniciativas por parte dos produtores, que compreendem que só puxando todos para o mesmo lado podem ter sucesso e ter alguma visibilidade, ao contrário do espírito por vezes tão arreigado de pequenas rivalidades sem sentido. O facto de convidarem o público a conhecer os seus vinhos também é um bom passo nesse sentido, pois desperta-nos para algumas marcas que não conhecemos e que não vemos à venda, e que assim podem passar a fazer parte das nossas compras com alguma regularidade. Não ficaria bem destacar nenhum dos produtores em particular, porque todos eles têm as características diferenciadas e potencial para fazer o seu caminho, pelo que apenas referimos alguns dos vinhos provados que nos marcaram mais.

Resta-nos, assim, agradecer aos promotores da iniciativa: a quem nos contactou, a quem organizou o evento, em suma, aos responsáveis, produtores, enólogos e demais colaboradores das três quintas envolvidas. A todos desejamos o maior sucesso e, pela nossa parte enquanto consumidores, tentaremos ajudar um bocadinho dentro das nossas possibilidades.

Bem-hajam pelo convite endereçado e esperamos que mais iniciativas assim se repitam. O espírito dos Douro Boys parece estar a começar a criar raízes, e se calhar o facto de Sandra Tavares da Silva ter um percurso já feito na Quinta do Vale de D. Maria não é alheio ao facto de a Quinta de Chocapalha estar integrada nesta iniciativa.
Até à próxima.

tuguinho, Kroniketas e Politikos, os diletantes preguiçosos e enófilos em passeio pela Estremadura

domingo, 13 de julho de 2014

Lisbon Family Vineyards na Quinta de Sant’Ana (1ª parte)

      

A Lisbon Family Vineyards, associação que junta os produtores Quinta de Sant’Ana, Quinta de Chocapalha e Quinta do Monte d'Oiro, levou a cabo no passado dia 6 de Julho uma festa nas instalações da Quinta de Sant’Ana, localizada na povoação de Gradil (perto da Tapada de Mafra), para a qual este blog teve a honra de ser convidado, por entre muitos outros enófilos já conhecidos.

Os vinhos da Quinta do Monte d’Oiro já são nossos velhos conhecidos, e temos vindo a prová-los com alguma regularidade, tendo já estado presentes em diversas provas, a última das quais há pouco mais de uma semana.

O primeiro contacto que tivemos com a Quinta de Sant’Ana foi através de uma garrafa de um Sauvignon Blanc que nos surpreendeu muito agradavelmente.

Quanto à Quinta de Chocapalha, há cerca de um ano e meio também estivemos numa prova com as irmãs Andrea e Sandra Tavares da Silva, em que nos foi dada a conhecer uma parte significativa do portefólio desta empresa familiar.

Tendo em conta a grande mudança que se tem verificado na produção de vinhos da região Lisboa, com o aparecimento de novos produtores, a consolidação de outros e algumas reformulações ou revoluções noutros casos (aquisição da Quinta de Pancas pela Companhia das Quintas e das Caves Velhas – entre outras – pela Enoport são os casos mais emblemáticos) e a correspondente subida em flecha da qualidade dos vinhos, não hesitámos em aceder ao convite na certeza de que iríamos ter oportunidade de conhecer e provar produtos de muito boa qualidade, como de facto aconteceu. Longe vão, felizmente, os tempos do vinho aguado e a granel...

Alinharam na deslocação, além da família, os membros do núcleo duro dos “Comensais Dionisíacos” tuguinho e Politikos, por indisponibilidade dos demais comensais para esta ocasião. Num domingo cinzento e constantemente a ameaçar a queda duma enorme carga de água, lá rumámos a Gradil com algum receio de ir molhar a boca e voltar encharcados de chuva, mas felizmente o cinzento das nuvens não nos desabou na cabeça.

Depois uns pequenos desvios de percurso (nada de grave que nos impedisse de chegar ao destino em tempo útil), franqueámos as portas da Quinta e deparámos com uma enorme quantidade de instalações com ar vetusto, rodeadas de jardins, árvores e vinhas a subir a encosta. Numa sala estavam os comes e os bebes, devido à ameaça de chuva que alterou os planos para uma refeição ao ar livre, noutra havia uma loja com produtos da Quinta de Sant’Ana, ao lado uma vereda coberta de vegetação ao lado dum jardim em frente à vinha.

Mais para a direita, outros edifícios entre os quais se conta a adega, em que no primeiro andar se encontram as cubas de fermentação, estando as barricas no andar de baixo, o que permite, aproveitando o declive do terreno, fazer a trasfega do vinho das cubas para as barricas apenas pelo efeito da gravidade. Neste piso de baixo, uma longa mesa com a exposição de alguns vinhos especiais dos três produtores, que não estavam presentes na sala de refeição.

A visita a esta parte ficou para o final da tarde, já depois do almoço e com o estômago aconchegado e vários vinhos provados, pelo que fomos apenas conhecer alguns vinhos mais raros por curiosidade. A maior parte do dia foi passada entre o almoço e o jardim.

Quando se iniciou a função para os mastigantes, dividimo-nos entre algumas entradas frias, um bacalhau assado com batatinhas e tiras de porco assado, que rolava no espeto em frente à entrada. À disposição dos visitantes estavam, dispersas por várias mesas, algumas dezenas de garrafas de vinhos brancos e (poucos) rosés, num dos lados da sala e sempre devidamente refrescadas em enormes champanheiras, e do outro lado os tintos. A única separação entre eles era o facto de estarem agrupados, logicamente, por quintas, mas todos juntos na mesma zona.

(continua)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Na Delidelux 5 - Quinta do Monte d’Oiro

 

Apenas dois dias após a prova anterior, voltámos ao “local do crime” para uma grande prova com vinhos da Quinta do Monte d’Oiro. Aqui o panorama foi diferente: houve provas comparadas de duas colheitas diferentes dos mesmos vinhos.

A excepção foram os vinhos iniciais. Começámos pelo único branco presente, o Madrigal, um bom exemplar da casta Viognier, com um toque citrino, algum tropical e uma certa mineralidade, com uma boa estrutura e alguma complexidade a pedir comida a acompanhar. Estagiou em madeira mas esta não está minimamente presente no aroma nem no sabor. Um vinho eminentemente gastronómico.

Depois o tinto de entrada de gama, o Lybra, que veio substituir o Vinha da Nora, feito com base em Syrah, mas com uma filosofia algo diferente, mais jovem e com aroma frutado mais presente que o seu antecessor, um vinho de mais fácil consumo. Pessoalmente, ainda prefiro o anterior, mas talvez a evolução em garrafa permita lhe aproximar o perfil do anterior.

Entrámos em seguida nos grandes vinhos da casa: o Têmpera, o Aurius e o Quinta do Monte d’Oiro Reserva. De cada um, duas colheitas, uma recente e uma mais antiga.

Provados pela ordem indicada, do Têmpera tivemos a colheita de 2004 e a de 2009, ambas feitas exclusivamente com Tinta Roriz. Do Aurius tivemos a colheita de 2002 (já a provámos aqui) e a de 2006, em que na colheita mais recente a Touriga Nacional substitui a Tinta Roriz como casta dominante, mantendo-se o Syrah e o Petit Verdot em pequenas quantidades. Do Reserva, tivemos a colheita de 2004 (14,5% de álcool) e a de 2010: a base é o Syrah, com cerca de 5% de Vioginier.

Embora as opiniões se dividam, a nossa preferência pendeu claramente, em todos os casos, para as colheitas mais antigas. Apresentam menos fruta mas ganham em finesse, em aromas secundários, em elegância, em delicadeza que só o tempo em garrafa permite. Todos eles passaram por madeira (habitualmente entre um e dois anos), mas nenhum deles o denota. A madeira aparece aqui apenas como tempero para dar alguma estrutura e complexidade aos vinhos, não para os marcar nem se sobrepor aos aromas. Difícil é dizer de qual se gosta mais, pois o nível de todos eles é elevadíssimo, embora os preços vão em crescendo. Mas são vinhos que apetece ficar a apreciar por tempo indeterminado, descobrindo os seus segredos e o que faz tão atraentes. Como em tempos referi aqui acerca do Vinha da Nora, estamos perante vinhos aristocráticos, que se impõem pela elegância e suavidade que transmitem ao consumidor. E são todos grandes, grandes vinhos!

Um bem haja a José Bento dos Santos e à sua equipa por nos permitirem apreciar estes vinhos que nunca passam de moda, porque nunca estão na moda. Ou então estão sempre, porque são independentes do tempo.

Kroniketas, enófilo esclarecido